Não vá sair sem se despedir
Deixe ao menos um cheiro
Num canto qualquer
Várias lágrimas escorriam pelo rosto da ruiva, um nó doendo fortemente em sua garganta. Os cabelos molhados lhe colavam no rosto, e as dores sentidas pela ida de Luna lhe cortavam lentamente o coração. Era dor em sua forma mais simples e pura.
- Por favor Gina, me diz o que houve!
- Eu não sei onde ela esta, é só isso! – desabou Gina cobrindo o rosto com o travesseiro.
- Gina, vai dar tudo certo – murmurou Fred sentando na beirada da cama da irmã.
- Vai sim – concordou Jorge entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
Gina tirou o travesseiro do rosto e olhou aborrecida para os irmãos.
- Não venham com palavras vazias, sabem que eu não gosto! Ninguém pode me garantir que vai tudo acabar bem, que Harry não esta morto, que Hermione não perdeu uma perna, que Rony não esta sangrando ou que Luna não esta sendo torturada nesse momento. Não, vocês não podem saber!
Os gêmeos trocaram um breve olhar, visivelmente lamentando a incapacidade deles diante do sofrimento da irmã.
- Sinto muito – disseram juntos sem ousar fazer uma brincadeira.
- Obrigada, eu acredito – a ruiva disse dando um sorriso fraco –, e me desculpem, só me sinto um pouco...
- Sufocada? – perguntou Fred.
- Estrangulada?
- Depressiva?
- Tudo junto? – perguntou Gina ironicamente.
Eles não ousaram mais perturbar a irmã, e nos dias que se seguiram a deixaram em paz com seus próprios anseios e angústias. Nem mesmo a mãe conseguia ajudar, pois seu peito andava dilacerado como o da filha ha muito tempo. Só o que restava pra elas era esperar.
Esperar.
Não vá sumir
Logo agora que descobri seus encantos
Seu plano qual é?
Era um daqueles sons que feriam os tímpanos, deixavam sua mente totalmente confusa, mas mesmo assim era relaxante. Gina se recostava calmamente em sua cama de dossel, imaginando coisas que não poderia controlar e nem ao menos saber. Mas mesmo assim ela tentava desvendar por entre a tempestade o que poderia estar acontecendo além das paredes daquele castelo.
A ruiva decidiu que era impossível dormir, e por isso se vestiu com a capa e desceu as escadas para o Salão Comunal. Devia ser umas duas horas da madrugada, e logo na manhã seguinte estaria entregando um trabalho dificílimo de transfiguração, que devia estar com no mínimo um metro e meio, mas não conseguia mais se importar. Nada parecia importar mais.
Saiu pelos corredores do castelo, e uma parte insana de sua mente desejava que fosse pega, até mesmo torturada. Certamente a mente de Gina Weasley não estava regulando muito bem, e isso não era novidade nenhuma. A sede de algo que fizesse ela se mover era necessária.
Foi até a parede que levava até a Sala Precisa e torceu para que ninguém estivesse usando-a, e com alivio constatou que estava vazia. Encontrou um sofá aconchegante dentro de uma sala parecida com a da tia Guida. Mas menos de um minuto depois ouviu ruídos de alguém querendo entrar.
Me enfeitiçar
Derrubar as fronteiras em mim
Me desnortear
Escrever outra página
- Imaginei que estaria vazia a essa hora – ouviu a voz sonhadora de Luna vir ao seu encontro.
A loirinha era uma das poucas pessoas que Gina não se importaria de ter como companhia, muito pelo contrário, ela vinha sendo um ótimo porto seguro.
- Também imaginei – a ruiva disse sorrindo.
- Posso voltar outra hora – Luna murmurou já virando para sair da sala.
- Não, por favor – pediu Gina –, para de ser boba.
- As vezes necessitamos pensar, e alguém com você não ajuda.
- Já passo muito tempo sozinha Luna, e meus pensamentos não são muito bons para existir em demasia – constatou Gina. - Venha.
A ruiva estendeu a mão e Luna a segurou. Juntas foram para o sofá, onde a loira não proferiu mais nenhuma palavra ou protesto, simplesmente acariciou os cabelos de Gina até que a mesma adormecesse em seu colo.
Gina abriu os olhos um pouco desorientada, pois não se lembrava de ter decidido dormir. Os olhos azuis de Luna lhe fitavam com interesse, e a mão dela lhe prendia sua cintura com firmeza.
- Você não dormiu? – Gina perguntou com a voz um pouco embargada.
- Eu não precisava – ela murmurou sorrindo.
Gina fechou os olhos e se deixou mergulhar no cheiro de lírios que estava chamando sua atenção. Sentiu aquela calma dentro de seu peito, que sabia agora estar ligada à Luna.
- Eu adoro cheiro de lírios – Gina murmurou abrindo os olhos.
- E eu gosto de morango – Luna sussurrou fechando os olhos.
Gina encurtou o espaço entre seus rostos e tocou os lábios da menina rapidamente, fitando um pouco assustada o rosto da amiga. Luna tinha os olhos azuis arregalados para Gina, embora não parecesse de surpresa, e somente sonhadores como sempre eram.
Dessa vez foi a loira que experimentou os lábios da ruiva, demorando-se mais, explorando mais. Gina cedeu, mergulhando com vontade na boca da amiga, passeando com suas mãos pelos cabelos e costas de Luna. E depois de meses de angústia, Gina conseguiu mergulhar em águas amplamente aconchegantes.
Lírios brancos combinam com meu bem
Borboletas e risos
Lua cheia também
O trem parecia estranhamente vazio, mesmo com Neville fazendo planos eternos para a volta as aulas. A ausência de Luna era palpável, concreta, e ninguém conseguia colocar um sorriso que durasse mais de três segundos no rosto da ruiva.
- Também sinto falta dela – confessou o amigo quando alguns colegas que estavam dividindo a cabine saíram para comprar doces.
- Eu sei – disse Gina esboçando um pequeno sorriso.
- E sei que isso não melhora nada, mas Luna é forte. Onde quer que ela esteja, vai aguentar bem.
- Eu espero Neville, eu espero – murmurou Gina com sinceridade, fitando as colinas que passavam pela janela.
O tempo estava frio.
Gelando.
Você, demais, sempre me faltou
Não desvie os seus olhos
Do nosso amor
As aulas de Artes das Trevas eram definitivamente a pior de todas, embora Gina agora tivesse um apoio diferente durante as mesmas. Sempre que podia pegava as mãos de Luna embaixo da mesa, e encostar-se a seu corpo era sempre um alivio. Sentiam-se em igualdade, necessitavam-se mutualmente.
Embora aquela tarde tenha transcorrido tumultuada, e Gina tenha ganhado alguns machucados, ela tinha algo a pensar a noite. Sua esperança de paz.
- Obrigada – murmurou enquanto a loira passava alguns remédios que ela mesma fizera nos ombros da ruiva.
Os machucados eram aos poucos cicatrizados, com um efeito muito mais eficiente que ditamno. A ruiva fitava Luna um pouco encantada, ainda mais com a maestria que ela aplicava gota a gota os medicamentos.
- Como você fez isso? – a ruiva perguntou apontando para o líquido verde água.
- Não foi nada, só a mistura de algumas plantas certas. E sem gakis que vem da Índia não daria certo, mas é a única coisa difícil de achar.
- Você é mesmo única – Gina murmurou pegando o rosto da loira e trazendo para perto do seu. Degustou a boca da loira, sentindo aquela paz que ninguém mais lhe dera na vida.
Aos poucos elas foram descendo até o chão, e Gina desejou com toda força que ninguém pudesse entrar na sala. E no momento que tirava a blusa da garota a sua frente teve certeza que seria mais uma noite só delas.
A sala se encheu com os suspiros de Luna enquanto a ruiva provava delicadamente seus seios, ao mesmo tempo em que começava a tirar sua saia. A loira deitou completamente no chão e lançou um olhar cumplice à Gina, que entendeu o recado.
Gina começou a beijar-lhe a barriga, passando a língua de vez em quando pelos pontos sensíveis da loira. Passou as unhas por suas coxas, delirando com cada gemido, contido ou liberado. Lambeu seu baixo ventre inteiro antes de chegar à calcinha, que a essa hora já estava molhada. Tirou-a sem muitas delongas e foi até a boca de Luna para lhe dar um último beijo antes de descer para sua intimidade.
Luna agarrou seus cabelos, puxando-os quase que dolorosamente. A ruiva penetrou-lhe com os dedos, sem tirar a língua do caminho, deliciando-se com o sabor da amada.
Gina observou a loira perder aos poucos o controle, e com um último espasmo ficar imóvel. Foi até o lado dela e pousou a mão no peito arfante da amiga, ficando assim por alguns instantes, tentando absorver a beleza de tudo aquilo. Luna ficou de frente pra ela, com o sorriso mais sincero e delicado que a ruiva já vira.
- Queria ficar o Natal com você, todos os dias – Gina murmurou dando um beijo no nariz de Luna.
- Também queria – a loira murmurou –, vamos dar um jeito.
- Somos bruxas afinal – Gina disse com uma risada.
Luna concordou com um aceno de cabeça e beijou a boca da ruiva, encaixando a coxa dela em sua cintura.
O tempo estava quente.
Pelando.
Me enfeitiçar
Derrubar as fronteiras em mim
Os dias na escola estavam mais difíceis que o normal, não só pela guerra que corria perigosa lá fora, mas também pela guerra interna no castelo. Agora era comum passarem muitas horas dentro da Sala Precisa, onde nenhum dos professores ou o diretor poderiam encontrar os estudantes que ainda tinham força pra resistir ao regime adotado na escola.
- Nós precisamos de uma solução – disse Lilá Brown em uma tarde particularmente quente, enquanto tentavam ter uma reunião da AD.
- Isso todos nós sabemos Lilá, a solução em si é que precisa entrar em pauta.
- Só não sei o que falar Weasley! – Lilá murmurou desgostosa e desatou em lágrimas, uma coisa muito comum nos últimos dias.
Gina revirou os olhos, andava sem muita paciência nos últimos tempos. Parvati consolava a amiga enquanto alguns garotos começavam uma conversa sobre as pichações na parede, já que haveria mais uma essa noite. A ruiva se sentia perdida, e era um alívio que as férias de páscoa estivessem chegando.
Neville chegou mais perto de Gina e a chamou para um canto.
- O pai de Luna foi preso hoje à tarde – sussurrou para a ruiva que o olhou sobressaltada –, parece que ele tentou enganar os comensais e o levaram.
Uma nova bagunça havia começado na sala, mas Gina parecia alheia a tudo isso. A noticia sobre o pai de Luna mexera muito com seu íntimo, e o nó permanente em sua garganta pareceu ficar mais forte.
- Tudo bem, vamos organizar o plano de hoje – disse Neville indo até o centro da sala e chamando a atenção de todos.
Todos pararam para escutar, e era claro que sentiam uma pontada de excitação crescer em seus íntimos.
Embora pareça ter demorado uma eternidade, as férias de páscoa chegaram. E mesmo que dentro d’A Toca estivesse deprimente e anormalmente quieto, era bem melhor que Hogwarts.
Me hipnotizar
- Me escreve todo dia. Promete? – pediu a ruiva apertando a mão de Luna com delicadeza, a súplica em sua voz era forte.
- Claro, meu amor – Luna murmurou acariciando a bochecha de Gina.
O trem começou a sair da estação e Luna deitou no colo da namorada, que começou a acariciar seus cabelos ruivos com uma mão, ao mesmo tempo em que Gina pegava um dos livros de feitiços pra ler. Por motivos óbvios, ela achava aquilo cada vez mais necessário.
A viagem correu tranquila, mas em meio a uma neblina o trem parou. Gina deitou e agarrou a mão de Luna, e juntas espiaram as janelas. De repente a cabine delas ficou escura, cheia de uma fumaça preta e fedida. Gina escutou o grito da loira, um segundo antes de suas mãos se soltarem de súbito.
A ruiva ficou calada, a respiração em seu peito acelerada. A fumaça começou a se dissipar e com um sacolejo e trem voltou a se mexer.
- Não! – gritou a plenos pulmões.
Escrever outra página
Redecorar minha casa
- Estão todos no Chalé das Conchas! Agora mesmo, eles estão lá – Fred gritou animado enquanto o patrono de Gui se dissolvia no ar.
Molly deu um grito estrangulado e desmaiou, sendo acudida pelos filhos mais velhos que a levaram para o sofá. E em minutos o senhor Weasley entrava correndo pela porta, em seu rosto uma expressão incrédula.
- Precisamos nos esconder, agora.
- Vamos para onde? – Jorge perguntou, abanando a mãe com cuidado.
- Para casa de tia Guida, é a única grande o suficiente para todos. Agora vão, arrumem as coisas, eu cuido de Molly.
Enquanto Gina arrumava sua mala uma bola de luz parecia esquentar seu peito, ao ponto de lhe fazer sorrir. Hermione, Rony e Harry estavam bem e até Dino havia sido salvo! E Luna, estava viva e segura!
Ela gargalhou inconsciente do som que fazia. Era muito bom poder fazer isso sem receio. Era delicioso.
A casa de tia Guida tinha a mesma aparência de sempre, e a própria senhora não estava nada diferente. Foi quase gostoso ir pra lá, se não fosse por Luna estar no Chalé das Conchas e Gina não ter permissão para ir lá.
- Então a traga aqui – pediu ao pai no jantar.
- Posso ver isso depois, mas no momento ela esta sem varinha e não poderia vir até aqui nem se quisesse.
Os dias se passaram lentos, e Gina se sentia cada vez mais angustiada por saber onde a loira estava e não poder ir até ela. Não que também não quisesse ver o irmão, Harry, Hermione. Principalmente Harry, porque precisava resolver algumas coisas com ele, mas só queria sentir a pele quente de Luna colada na sua. Só um pouquinho.
Junto com o Sr Olivaras veio a primeira noticia palpável de Luna que Gina tinha, e junto com ela o cheiro da garota. Ele lhe entregara uma carta cuidadosamente dobrada, preenchida com a caligrafia que ela tanto conhecia.
“Olá meu Doce,
A saudade que sinto de você é insuportável, mas logo ela passará.
Teu sorriso é que preenche meus sonhos, a lembrança do teu abraço que me fez forte. Tenho muito a agradecer, muito que lhe pedir. Só quero estar junto de você, é tudo que venho pensando. Estou preocupada com meu pai, embora ele sempre tenha deixado claro para nunca o fazer.
Precisava de você segurando a minha mão agora. Mas tenho fé, se tive sorte, ele também terá.
Essa guerra horrível me fez perceber que não temos muito tempo, por isso queria muito que fosses minha mulher. Ontem à noite visualizei nossos filhos, nossa casa. Você estaria disposta a construi-la comigo? Pense meu bem, quero muito concretizar todos meus sonhos contigo.
Daquela que te ama, Luna”