- Pomona, como vai a safra de mandrágoras? - perguntou Dumbledore para Profa. Sprout, que estava sentada ao seu lado no café da manhã.
- Ainda não estão em fase de colheita, Alvo. - respondeu, tristonha - É preciso esperar que a acne suma, até que elas comecem a sair de seus vasinhos para outros.
- Temos uma aluna petrificada, Pomona. - disse Dumbledore - Sabe me dizer quanto tempo levará?
- Mais ou menos um mês. - ela disse - Se me permite perguntar, que aluna é essa?
- Hermione Granger.
- Por Merlin! - a Profa. Sprout quase derrubou seu cálice de suco de abóbora - Coitada, coitada mesmo! Ela é uma aluna tão brilhante. Já sabem quem foi o autor?
- Temos nossas suspeitas, Pomona.
Não muito distante dali, Harry e Rony conversavam sobre quadribol, na mesa da Grifinória.
- O campo está livre hoje a tarde? - Rony perguntou, com a boca cheia de torradinhas com requeijão.
- Não sei. - Harry só pensava em Hermione, estava preocupado. Rony enfiou mais 3 torradinhas na boca.
- Quer parar de comer, Rony? - Gina deu um tapa nas costas do irmão - Sua melhor amiga está petrificada e você só pensa em comer.
- Ah, quer dizer que se alguém é petrificado, eu não posso mais comer? - disse, de boca cheia.
- Pode, mas pelo menos devia mastigar antes de falar. - disse Gina limpando do rosto os respingos de requeijão e farelo que voaram da boca de Rony.
Ali na mesa da Sonserina, Draco estava pensativo. Ele ainda estava afim de Hermione, porém estava muito irritado com ela. Achava que essa era a hora perfeita para esquecê-la. Iria atrás de Pansy, ele sabia que ela toparia dar uns beijos nele, independente da razão.
- Ei, Pansy. - ele cochicou no ouvido dela - Pode vir cá, um minutinho?
- Claro, Draquinho. - ela levantou e seguiu-o até o corredor - O que foi?
- Faça silêncio, só um pouquinho. - ele chegou os lábios perto dos dela.
- O que pensa que está fazendo, Draco? - ela se irritou e se afastou dele.
- Estava indo beijar você, mas se for pra dificultar...
- Não, eu não quero! - ela bateu um pé - Pra sua informação, eu e Goyle estamos saindo.
- Vai trocar esse monte de gostosura aqui pelo Goyle? - ele disse, levantando a blusa para Pansy e expondo seu abdômen, definido.
- V-vou. - ela disse, olhando para a barriga nua de Draco e voltando para a mesa.
E agora, o que faria? É claro que tinham outras meninas bonitas na Sonserina, como aquela tal de Astoria Greengrass, um ano mais nova. Iria falar com ela.
- Ei, Astoria. - ele chegou perto dela, na mesa da Sonserina. - Pode vir comigo, um minuto?
- Draco? - ela olhou para ele e corou - Claro!
Ela foi saltitante atrás dele e viraram o corredor.
- Olha, vou ser direto, tudo bem? - ele perguntou.
- Tudo, mas, o que é?
- Astoria, você quer ficar comigo?
- E-eu? - ela perguntou, mesmo sabendo a resposta - Tem certeza? Eu sou mais nova e...
Ele segurou o rosto de Astoria com as mãos e beijou-a. Ela, sem pestanejar, abraçou as costas do garoto e retribuiu o beijo. Draco achou que Astoria era boa de lábios, mas Hermione era melhor. Talvez fosse questão de costume, ele teria que se acostumar com os lábios de Astoria, que eram muito diferentes dos de Hermione. Draco estava sentindo algum peso na consciencia, pois sentia algo por Hermione, mesmo que tivesse diminuido após ela lhe dizer que amar era uma palavra muito forte.
Draco estava decidido a tirar Hermione da cabeça. Beijou Astoria com mais vontade, mesmo que não quisesse aquilo. A menina, aparentemente sem fôlego, interrompeu o beijo e encarou os olhos azul-acinzentados de Draco.
- Gostei do seu beijo. - ela disse, tímida.
- Quer repetir a dose? - ele perguntou, com uma expressão confusa.
- Quem sabe mais tarde? - ela sorriu - Minha irmã deve estar me procurnado. Você monitora as masmorras ao lado da torre da Sonserina, correto?
- Correto.
- Que tal nos encontrarmos no salão comunal à meia noite? Repetimos a dose e um pouco mais.
- Por mim, tudo bem.
Astoria deu um selinho em Draco e voltou saltitante para a mesa de café. Cochichou algo no ouvido de sua irmã Dafne Greengrass e as duas deram risinhos, obviamente ela estava contando sobre o que acontecera entre ela e Malfoy.
O garoto foi para o seu dormitório de monitor. Entrou no quarto de Hermione através do banheiro e viu a cama de solteiro dela arrumada, revestida por um lençol vermelho com o leão da Grifinória estampado. Ele ficou olhando por uns segundos e voltou ao seu quarto. Abriu o criado-mudo e lá estava o potinho com as sementes da mação que dividira com Hermione no domingo. Por um momento, pensou em jogar fora, mas hesitou e guardou-as novamente na gaveta.
*
Estava sentado na aula de Poções, ao lado de Crabbe, enquanto Goyle estava com Pansy. Olhou e viu Harry e Rony sentados em dupla, geralmente Rony fazia dupla com Hermione, enquanto Harry ficava com Simas Finnigan ou Dino Thomas. A próxima aula seria com Minerva McGonagall, mas ela havia viajado logo de manhã para o Ministério e todas as aulas, inclusive as que não eram dela, foram suspensas. Draco encontraria Astoria na beira do lago negro, o mesmo lugar em que sentara com Hermione no domingo.
A sineta tocou e ele foi para o local marcado, Astoria já o esperava lá.
- Oi, lindinho. - a menina disse.
- Oi. - ele retribuiu o cumprimento, meio atordoado.
Astoria tentou beijar Draco, mas este fingiu que não havia percebido e mudou de assunto.
- Calor hoje, não? - ele disse, tirando os sapatos,, sentando-se na grama e mergulhando os pés na água, conforme havia aprendido com Hermione.
- Sim, mas, o que está fazendo? - Astoria perguntou.
- Ah, experimenta, refresca.
- Não, obrigada. Acho que prefiro fazer o que combinamos.
- O que? - Draco perguntou, mas Astoria lançou-lhe um olhar de censura e ele entendeu o recado - Ah, sim! Bem, posso?
- Por mim, pode.
Draco levantou-se, com as calças molhadas até o joelho (ele esquecera de levantá-las) e empurrou Astoria vagarosamente, até ela encostar-se numa árvore.
- Ai! - ela disse, após algo cair em sua cabeça. Era uma maçã.
- Ignora, essa árvore é uma macieira. - Draco explicou.
- Ah, sim, onde estávamos?
Não foram necessárias palavras. Draco segurou Astoria pelas bochechas e beijou-a. Ela não tardou a retribuir e abraçou-o, beijando também.
*
- Totalmente repugnante. - disse Gina, olhado para algum lugar ali - Nojento, asqueroso, duas caras, estúpido.
- Ei Gina, pega leve! - disse Harry.
- Não estou falando de você, Harry. - ela disse. Já havia se esquecido da raiva que sentira do amigo.
- De quem está falando então?
- Malfoy. Olha ali, debaixo da árvore.
- Mas aquela não é a Astoria Greengrass?
- Sim, em pessoa. - Gina disse.
O papo foi interrompido por um baque e um grito. Gina olhou para o lado e viu, caída no chão, em meio a alguns livros, uma garota pálida e baixa. Ela tinha cabelos negros e ondulados desde a raiz. Olhou para Gina e ela conseguiu ver seus olhos castanhos e apagados. Ela já havia visto aquela expressão em algum lugar, aqueles cabelos, aqueles olhos, lhe lembravam alguém, mas quem? Gina estendeu a mão para a garota, que notou usar vestes da Sonserina.
- Me desculpe. - ela disse. Sua voz era fria e aguda, familiar também - Eu estava distraída.
- Sem problemas. - disse Gina - Você quer ficar com a gente? Bem, sei que somos da Grifinória, mas, você que sabe.
- Ah, sim, gostaria. - ela sorriu
- Sou Gina Weasley e este é Harry Potter. - Gina disse, apontando para Harry, que estava logo ao seu lado, encarando a garota. Provavelmente a achara familiar também - E você é?
- Áquila Lestrange. - ela estendeu a mão para Gina e abaixou a que segurava a varinha.
- Não tão rápido, comensal! - Rony apareceu - Expelliarmus!
- Ah, é sempre assim. - Áquila bufou e foi recolher sua varinha que havia voado.
Gina e Harry se entreolharam. Parece que haviam descoberto em que lugar haviam visto aquele rosto e cabelo familiares. A garota seria parente de Bellatrix Lestrange?
- Bem, agora digam, - Áquila começou a falar - por qual motivo me atacaram? Pelo meu nome estranho ou pelo meu sobrenome de comensal da morte?
- Mais pelo sobrenome. - disse Rony com a varinha em punho, apontando para o nariz da menina, mas Gina fez com que ele abaixasse a mão.
- Então, é, Áquila. - Gina disse, mas parecia com medo - Você é...?
- Parente de Bellatrix Lestrange? - Áquila parecia ter lido os pensamentos de Gina - Sim, sou filha dela, para ser mais precisa...
- F-f-filha? - Harry gaguejou e Rony soltou um grito de terror.
- Sim, mas eu não cheguei a conhecê-la, nem ela e nem papai Rodolfo. - a menina disse, Rony acalmou-se um pouco após ouvir isso - Eu moro com os meus tios e minha prima.
- Você mora com os Malfoy? - Harry perguntou.
- Até poderia ser, mas Narcisa não é a única irmã de minha mãe. Eu moro com minha tia Andrômeda Tonks.
- Espera aí, você é prima da Tonks? - Gina perguntou - Ninfadora Tonks?
- Positivo. - Áquila riu - Moro com ela desde que me entendo por gente.
- Engraçado, Tonks nunca nos falou sobre você. - disse Harry.
- Ah, deve ser porque minha existência é meio sigilosa. - Áquila explicou - Minha tia me contou que mamãe nunca teve certeza se eu era filha de Rodolfo, aliás, nem ela sabe. Com medo que meu pai desconfiasse da traição, mamãe me deixou na porta da casa de tia Andrômeda, que me deu esse nome estranho.
- Parece que Andrômeda tem talento para nomes estranhos. Ninfadora, logo depois Áquila e... AI! - Rony estava dizendo, mas Gina deu um pisão em seu pé, que o fez ficar quieto.
- Engraçado, Áquila, quase nunca lhe vemos por Hogwarts, estamos aqui há 5 anos. De que ano você é? - Harry perguntou.
- Estou no quarto ano. - ela respondeu - A razão por nunca me verem é que sou animaga, mantenho-me disfarçada na maioria das vezes.
- Por que?
- Você deve ter percebido que eu pareço bastante com a minha mãe, já vi fotos dela no Profeta Diário, Harry. Minha aparência muito semelhante à dela assusta as pessoas, da mesma forma que assustou vocês, ou de forma pior. Fui obrigada a estudar muitos anos até conseguir sucesso para me tornar animaga. Minha mãe também começou a desconfiar de que eu estava sendo criada, porque ela pensava que minha tia não havia me acolhido, ela não devia conhecer bem a irmã para pensar de tal forma. Enfim, eu vim para Hogwarts e não posso ficar muito à vista com os Malfoy e outros filhos de comensais por aqui.
- Entendi. - disse Harry - E a forma de qual animal você assume?
- Desculpe, Harry, mas isso não posso dizer. - disse Áquila - Bem, vou indo, foi legal conhecer vocês, até mais.
Então Bellatrix tinha uma filha? E que estudava em Hogwarts?
*
- Meus lábios estão dormentes, Astoria. - disse Draco, desviando-se da menina.
- Só mais um beijinho.
- Tá, só mais um. - Astoria beijou Draco, mas foi obrigada a parar por causa da sineta que avisava que o intervalo havia terminado. - Tenho que ir agora.
- É, eu também. - ela olhava Draco calçar os sapatos.
Os dois foram juntos para o castelo. Astoria segurou a mão de Draco, ele sorriu. Gina, que estava logo atrás, fez uma cara de desaprovação.
*
Já era hora do jantar. Gina, Harry e Rony iriam visitar Hermione logo após o banquete.
- Quem sabe ela já está acordada. - disse Rony.
- Impossível. - disse Gina - Ela está petrificada. Só poção de mandrágoras curam pessoas petrificadas. Eu falei com a Profa. Sprout e ela me disse que só vão amadurecer daqui a no mínimo um mês.
- Um mês? - disse Harry, estupefato - Sem a Mione por um mês?
- Além disso, ainda vamos ter que cuidar de nossas próprias anotações! - Rony segurou Harry pelo colarinho - Eu não fui criado assim, isso é um pesadelo, Harry.
- Se acalmem. Até parece que vocês dois só vêem a Hermione como um livro de pronta resposta.
Após comerem a sobremesa, os três subiram as escadas correndo, ainda que desviando de bombas de bosta jogadas por Pirraça.
- Potter Pirado! Cabeças-de-fogo! Bombas de bosta! - Pirraça cantarolava.
Enfim, chegaram à ala hospitalar. Hermione agora estava de olhos abertos, que se moveram para a direção onde Gina estava, logo após, para onde Harry e Rony estavam.
- Engraçado, quando a pessoa é petrificada, os olhos ficam intactos. - disse Gina.
- Será que ela pode nos ouvir? - Rony perguntou.
- Não sei. - Gina respondeu.
- Queria que você estivesse acordada, Mione. - Harry passou a mão no rosto da amiga, que mexeu os olhos para direções aleatórias como resposta. Talvez ela pudesse os ouvir.
Já estava ficando tarde quando Harry voltou ao salão comunal sozinho, pois Rony havia ido para seu dormitório de monitor mais cedo, Gina ficou por lá.
- Queria que você pudesse me ouvir, pelo menos. - disse Gina para Hermione, que apenas a olhava, petrificada - Tenho tanto para lhe contar! Inclusive sobre Malfoy, não sei se vai ficar feliz, mas espero que essas mandrágoras cresçam logo. Não vou te dizer nada até que você volte ao normal. Desculpe.
- Mocinha, já passou da hora de você estar aqui. - Madame Pomfrey apareceu.
- Desculpe, Madame. - Gina se retirou da ala hospitalar e voltou para a torre da Grifinória, sem pestanejar.
*
Malfoy estava monitorando as masmorras, sozinho novamente. Ouviu passos e já estava preparado para tirar pontos de alguma casa, quando viu um gato de pêlos laranja e rabo escovinha. Reconheceu ser o gato de Hermione, Bichento. Draco seguiu o bicho até a entrada da torre da Sonserina. Misteriosamente, a porta se abriu e o gato entrou, o garoto foi atrás dele.
- Ei, saia daqui! - sussurrou, mas o gato não deu-lhe ouvidos.
O animal foi subiu correndo para o dormitório das meninas. Draco foi atrás dele, mas enquanto subia as escadas em espiral, elas se transformaram num escorregador, que levou-o de volta para o salão comunal. Ele gritou de susto.
- O que está acontecendo aqui? - uma garota disse, em meio a várias outras garotas quartanistas que saíram junto dela do dormitório em que Draco tentarara entrar.
- Parece que aquele garoto tentou entrar aqui. - disse uma menina baixinha de cabelos loiros, apontando para o tobogã que antes era uma escada.
- Acha que devemos chamar o professor Snape? - disse outra, dessa vez de cabelos longos e ruivos, que lembravam os de Gina Weasley.
- Silêncio. - Draco disse, se levantando do chão - Sou monitor. Agora voltem para suas camas.
As meninas estavam voltando, mas foram interrompidas.
- Esperem! - Draco pediu, todas pararam e olharam para sua direção - Ninguém viu um gato laranja entrando aqui?
- Não, não tem gato nenhum aqui. - disse a mesma menina loira - Astoria tem alergia.
- Ah, é você, Draco. - Astoria saiu dali de trás após reconhecer a voz do garoto.
- Sim, agora preciso ir. E vocês, meninas, voltem para a cama.
Draco saiu da torre e voltou para o corredor. Como Bichento conseguira entrar no salão da Sonserina? Decidiu deixar isso pra lá, afinal, era só um gato.