So close your eyes feel the way I'm with you now
Believe there's nothing wrong
Eu amo você, Hermione. – A frase ecoava na cabeça dela como se aquela pequena sala acarpetada e coberta de patchwork fosse na verdade uma enorme caverna. Gina havia trocado de posição em algum ponto da conversa e agora estava ao seu lado no sofá.
-“Eu também amo você.” – as palavras vieram antes que ela pudesse pensar a respeito.
Não que ela precisasse pensar a respeito, agora tudo estava claro. O que ela havia sentido na noite em que flagrara Gina com Hanna fora mais do que uma estranha excitação: fora ciúmes. E o que a afastara de Gina durante todos aqueles anos fora a dificuldade em entender – e aceitar – seus próprios sentimentos.
Gina sorriu ao ouvir aquelas palavras. Ela ficava tão bonita quando sorria, com os lábios cor-de-rosa emoldurando os dentes brancos e perfeitos, à exceção de um dos caninos inferiores, que teimava e girar um pouquinho para a esquerda. Hermione descobriu que amava aquele canino meio torto.
Quando as duas bocas se encontraram, sedentas uma da outra, calafrios percorrem-lhes as espinhas. Hermione pousou a mão na nuca de Gina e a puxou mais para perto. Sua sincronia era perfeita.
Gina inclinou-se sobre Hermione, deitando-se no sofá por cima dela, apertando-lhe a cintura e beijando-lhe o pescoço. Hermione arfou de leve. O corpo leve da garota sobre o seu era um peso gostoso de sentir. Ela passou a mão pelo meio daqueles sedosos cabelos ruivos, embebedando-se com seu cheiro.
Gina desceu as mãos da cintura às coxas cobertas pela meia-calça grossa de Hermione, mostrando o desejo que sentia, sem deixar de ser delicada. Hermione, por sua vez, não ousava se arriscar fora dos limites da nuca e das costas da outra. Ela estava experimentando todo um universo de novas sensações, mas nunca fora atrevida, e mesmo em seu desejo procurava se conter.
-“Hum... Gina?”
-“Sim?” – a ruiva respondeu sem parar de beijar seu pescoço e colo. Hermione segurou o rosto dela com delicadeza para que pudesse ver seus olhos.
-“Eu preciso de um minuto para respirar.”
Gina saiu de cima dela, passando a mão pelos cabelos. Hermione sentou-se, ajeitando a saia.
-“Desculpe, eu só... estou um pouco atordoada.”
-“A certinha Hermione, sempre se desculpando.” – a outra riu. – “Vem aqui.” – puxou-a pelo braço e aninhou em seu colo. – “Eu te amo, Hermione certinha Granger.”
Passando os braços pelas costas de Gina, ela riu.
-“Eu te amo, Gina esquentadinha Weasley.”
-“O que você quer aprender a cozinhar?”
-“Cozinhar?”
-“É claro! Você não me convidou para ter aulas de culinária? Ou me atraiu até aqui sob falsos propósitos?”
Gina riu.
-“Você se esquiva tanto que não tive outra escolha.”
-“Bem, não pense a senhorita que eu vou embora de estômago vazio. Já para a cozinha!” – Hermione sorriu.
-“Sim, senhora.” – Gina prestou uma exagerada continência. – “Imediatamente, senhora.”
-“É assim que eu gosto de ver!”
Gina puxou Hermione em direção à cozinha.
-“Então, o que vai ser?”
-“Uma torta de frutas vermelhas, para acompanhar o chá?” – Hermione sugeriu.
-“Perfeito!”
Seguindo as instruções de Hermione, Gina juntou os ingredientes. Separou, misturou, bateu, por vezes parando para observar o exemplo da outra, por vezes tomando a tigela de suas para ter sua chance de tentar.
-“Você está espirrando a massa inteira no vestido!” – Hermione riu. – “Desastrada!”
-“Eu sou desastrada?” – Provocou Gina, se aproximando devagar.
-“Muito.” – A outra não conseguia segurar o riso.
Logo, a tigela com a massa do bolo jazia esquecida sobre a pia. Recostada sobre o balcão, Hermione sentia o corpo de Gina pressionar o seu enquanto se beijavam, até que ela decidiu interromper mais uma vez.
-“A massa vai desandar. Vamos pôr no forno.”
-“Sim, senhora.” – Mais uma continência entre risos.
Hermione a ensinou a assar, desenformar e decorar a torta, tudo com o maior cuidado e capricho. Ao final, Gina preparou o chá e as duas sentaram-se em frente a lareira da sala.
-“Ficou ótimo!”
-“Fico feliz que tenha gostado. Espero que se lembre como fazer depois que eu for embora.”
Aquela frase fez Gina voltar à realidade brutalmente. Harry chegaria em breve, e Hermione deveria partir, voltar para casa onde encontraria o marido, seu irmão. Aquele pensamento provocou-lhe um nó no estômago.
-“Você está bem?”
-“Estou, Mione, estou bem.” – Forçou um sorriso, aproximando-se da amiga para beijar-lhe uma vez mais, antes que o dia chegasse ao fim.
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