Olá, pessoal. Alguns avisos antes de começarmos este capítulo.
Preciso esclarecer algumas coisinhas. Sei que a Fic parece um tanto confusa, com os nomes dos personagens. Hehehe. Bem, foi assim mesmo que ela foi projetada. Sei que se vocês procurarem os significados dos nomes, encontrarão na internet muitos significados. Alguns personagens que aparecerão tem nomes de deuses gregos.
Principalmente, aqueles que significaram alguma coisa para Gabriel. “Seus amigos íntimos”, digamos assim. Num capítulo anterior, Gabriel menciona rapidamente “Hefesto” . Neste capítulo, fará referência a mais três. Zeus, Hera e Apolo. E não é o apollo seu gavião, e sim Apolo – o Deus das Curas.
Bem, para deixar muito claro para todos. ELE NÃO ESTÁ FALANDO DOS DEUSES EM SI, E SIM DE PESSOAS, DE SERES HUMANOS, QUE USAM OS NOMES DOS DEUSES GREGOS PARA SE IDENTIFICAREM.
São codinomes, ou nomes de guerra que seu grupo utilizava. Cada nome, obviamente tem um significado. Logo, em alguns capítulos, Gabriel fará (caso sobreviva a luta próxima, é claro) referência a outros nomes. Um deles, no entanto, terá importância fundamental para ele. HADES, seu jovem mestre.
Gabriel mesmo tem outro nome, ou um nome de guerra”, se preferirem.
Gabriel só faz referência a palavra ou o nome “Apollyon” depois da profecia de Sibila. Antes disso, ele simplesmente chamava-o de “Lado Negro!”
Em seu grupo, eles não utilizavam mais nomes pessoais ou nomes de batismo. Eles tiveram seus motivos para isso, e NÃO, NÃO VOU CONTAR NADA AGORA! hehehe (risada malévola).
Espero que este capítulo esclareça, definitivamente, quem é Gabriel e quem é Apollyon, bem como o medo que Gabriel tem de Apollyon, e o motivo deste medo. E não. Apollyon e Gabriel não são vampiros. Hehehehe.
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Informo, ainda, que criei uma página ou comunidade no Orkut, mas não sei utilizar adequadamente. Sempre que eu atualizar, pensei em deixar um aviso por lá. Se alguém quiser assumir a comunidade, ficaria imensamente grato.
O endereço é: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39708766
No final do capítulo, como sempre, farei os agradecimentos, e alguns comentários para o próximo capítulo. Não deixem de ler.
Prontos? Então vamos ao Capítulo. Ceia de Natal.
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Narcisa sempre adorou caminhar pela escola. Lembrava-a de dias mais felizes. Dias alegres e inconseqüentes. Lembrava do tempo em que sua maior preocupação era tirar boas notas e, claro, namorar. “Bons tempos aqueles. Pena que não voltam mais.” - pensou ela triste.
Perguntando a alguns alunos, descobriu onde Hermione estava. Embaixo de uma árvore, junto com sua mãe e Gina. Perfeito. Pelo menos os rapazes não estariam ali para incomodar.
Aproximando-se delas, notou que Hermione estava abalada. Ia ser uma conversa muito difícil.
- Boa tarde. – cumprimentou ela.
- Boa tarde. – responderam educadamente as três.
- Hermione, eu gostaria falar com você. – fala Narcisa se sentando.
- É claro. Precisa ser em particular? – pergunta ela temerosa do assunto a ser tratado.
- Na verdade, não. Creio que todas estão da mesma forma envolvida no problema do Gabriel, não é mesmo?
- Sem dúvida. – responde Gina séria olhando para sua “futura sogra”.
- Estive, desde ontem, procurando por ele com todos os meus contatos e agentes. Draco fez a mesma coisa, bem como a Ordem da Fênix e, claro, o Ministério da Magia. – fala Narcisa.
- Conseguiram encontrá-lo? – pergunta a mãe de Hermione.
- Sim. Aparentemente ele foi intimado a comparecer no Ministério, hoje pela manhã. Para uma conversa com Dumbledore e outros. – fala Narcisa.
- E como foi a reunião? – perguntou Hermione.
- Não muito bem, creio. A julgar pelo humor de Gabriel ao final da reunião, Dumbledore teve sorte de ter saído sem receber algumas maldições Imperdoáveis. – fala Narcisa delicadamente.
- Gabriel perdeu o controle? – pergunta Gina preocupada com o amigo.
- Na verdade todos perderam o controle, Dumbledore e Gabriel, principalmente. Houve uma séria troca de acusações entre eles, e no fim Gabriel foi embora, furioso. Eu o encontrei logo após a reunião, juntamente com Snape. Confesso que ele me pareceu transtornado. Assustado, temeroso de que algo estava prestes a acontecer e que ele não podia mais evitar.
- Onde ele está? – pergunta Hermione.
- Na verdade, não sei. Ele avisou que iria se mudar logo após nossa saída de lá. – fala Narcisa.
- Como ele está? – pergunta a mãe de Hermione.
- Nada bem. Quer dizer, fisicamente parece bem, mas aquele brilho nos olhos que ele sempre teve, sumiu. Ele parece estar morrendo por dentro. Senti a tristeza dele de longe. – fala Narcisa preocupada.
- Por que ele foi embora? – pergunta Hermione.
- Por vários motivos, um deles foi você. – falou Narcisa apontando para Hermione
- O que eu fiz? – pergunta Hermione com lágrimas nos olhos.
- É um pouco complicado de explicar, mas vou tentar. – fala Narcisa delicadamente. – Ele sempre fez de tudo para ficar com você. Na verdade, segundo o Draco, ele é louco por você. Creio que quando ele voltou do véu com você e Sírius, ele se sentiu traído por você.
- Eu e Sírius nunca tivemos nada. – fala Hermione com força.
- Eu sei disso. E falei para ele. Mas para ele o que conta são os fatos, não as idéias. – fala Narcisa com calma na voz. – Ele não encontrou você quando acordou, e quando pediu se você foi até lá, disseram que não. Que muitos o visitaram, mas você não. Quando pediu onde você estava, responderam que estava com Sírius. Somado ao que viu quando você e Sírius se abraçaram e se beijaram quando ele o encontrou, foi o suficiente para ele ficar com ciúmes. Sei disso, por que Snape me contou da lembrança que ele deixou para Dumbledore.
- Mas isso não é justo. Eu não pude visitá-lo. Dumbledore proibiu. – mente Hermione chorando.
- Ele sabe disso. A resposta que pude compreender nas “entrelinhas” é que se a fosse você na enfermaria, ele não se importaria com as regras. E se os outros conseguiram, por que você não conseguiria?– fala Narcisa de forma dura.
- Ele sabe o que ela está sofrendo? – pergunta a mãe de Hermione.
- Creia-me, não é nem perto do que ele está sofrendo. – responde Narcisa. – Ele realmente acredita, sinceramente, que você e Sírius têm algo, juntos. E foi por isso, por te amar tanto, que ele resolveu se afastar de vez.
- Como ele pôde fazer isso comigo? – pergunta Hermione chorando baixinho.
- Onde você esteve? – pergunta Narcisa duramente. – Por que não esteve com ele? Porque, após o que ele teve que fazer, e veja bem, eu sei exatamente o que ele fez, você não o ajudou, o apoiou de alguma forma?
- Como eu poderia? – pergunta Hermione levantando a voz. – Você não viu o que ele fez lá.
- Você está certa, eu não vi. Mas Snape viu e sinceramente não achou nada assim tão absurdo. Nem mesmo o ministério quis lhe pedir explicações sobre isso. – falou Narcisa.
- Então ele pode matar? E tudo bem? – perguntou a mãe de Hermione assustada.
- Até onde eu sei, ele estava saindo com uma mocinha assustada e ferida, num território inimigo, sem meio de transporte além das próprias pernas, e tinha que carregar um homem que estava desmaiado, escalando montanha a cima. Acabara de ser informado que aquele exército viria para cá, para atacar e matar em nome de Voldemort. O que acha que eu faria? Hein? Exatamente o mesmo que ele. – falou Narcisa erguendo o tom de voz.
- Não foi bem assim... – falou Hermione.
- Você não entende, não é? Ele não se sente somente traído por você ter ou não sentimentos por Sírius, e sim por sua atitude com relação ao que ele fez. Ele fez o que tinha que ser feito, mas você se afastou dele. Você se apavorou quando ele olhou para você. No momento em que ele precisava de seu apoio e ajuda, você fugiu dele. Foi isso que ele considerou como traição. É isso que ele não perdoa. – fala Narcisa séria.
- O que ele vai fazer agora? – pergunta Gina.
- Não sei. E acho que nem ele sabe. Ele disse que a missão já tinha praticamente acabado, e que já tinha feito tudo o que podia. Pediu para Snape reunir a AD e caso ele caísse, se esconder com vocês. Que Snape deveria ajudar a treinar o Potter e vocês, e disse que ele não poderia mais fazer isso. Acho que ele desistiu de tudo. Por que você não falou com ele, Hermione? - pergunta Narcisa duramente.
- EU FIQUEI COM MEDO! – grita Hermione. – MEDO DELE! É tão difícil pra vocês entenderem isso? – pergunta Hermione aos berros chorando forte agora.
- E ele ficou com medo da sua reação. Por isso foi embora. Por isso ele não volta mais. – falou Narcisa em voz baixa.
- Como assim, não volta mais? – pergunta a mãe de Hermione.
- Conversei com Snape. Ele acha que Gabriel vai tentar um ataque suicida contra um inimigo que não pode ser vencido. – responde ela. – E não, não é Voldemort. Chamam-no de Apollyon.
- Eu já ouvi falar dele. – fala Hermione assustada enxugando as lágrimas.
- Então tem idéia de quanto poder ele tem? Por que Snape ficou apavorado quando ele falou isso. Ele mesmo admitiu que não têm mais chance alguma num ataque, mas, parece que vai lutar assim mesmo. – fala Narcisa.
- Se ele atacar, vai morrer. Será suicídio! – fala Gina séria.
- Ele sabe. A diferença é que não se importa mais. A única coisa que importava para ele o abandonou, e por isso, nada mais importa. Ele está ficando descontrolado.– fala Narcisa calma.
- Preciso falar com ele. Preciso me explicar. Eu preciso vê-lo. – fala Hermione ansiosa.
Depois de pensar um pouco, Narcisa tem uma idéia.
- Vou promover um jantar em minha casa, amanhã à noite. Uma ceia de natal. Obviamente Gina, você e sua família já foram convidadas, bem como Dumbledore e outros membros da Ordem. Acho que é melhor tentarem resolver isso de uma vez. E como é natal, talvez seja melhor aproveitar o clima de festas e conversarem.
- Concordo. – fala Hermione esperançosa. – Mas será que ele vai?
- Vou tentar enviar uma mensagem para ele. Ele me deixou o seu Gavião para que em caso de necessidade pudéssemos nos comunicar. – fala Narcisa, apontando para o céu, onde Apollo voava em círculos.
Chamando Apollo, Narcisa conjura um pergaminho e uma pena e escreve uma mensagem:
“Convido-o para a ceia de natal amanhã à noite em minha casa. Convidei Hermione e seus amigos, bem como Dumbledore e demais conhecidos. Espero sua presença. Por favor confirme imediatamente. Narcisa”.
Após prender a mensagem na perna de Apollo, Narcisa o lança para o alto, e executando um feitiço que havia aprendido com Draco que aprendeu com Gabriel, conjurou na frente do gavião, um pequeno portal que o levaria até Londres, onde ela achava que Gabriel estava.
Conversaram um pouco, com a mãe de Hermione, Gina e Narcisa falando a ela o que deveria dizer ou fazer quando se encontrasse com Gabriel. Ter paciência, escutar, explicar, falar de seus sentimentos, falar do medo que sentiu, enfim, ser honesta com ele.
Meia hora depois, um novo portal apareceu e Apollo apareceu voando alto. Desceu e pousou na frente de Narcisa, que pegou a mensagem e leu, ansiosamente. Não gostou nada da resposta de Gabriel.
“Agradeço vosso convite. Tentarei ir como convidado seu, para a ceia, mas terei um compromisso, impedindo-me de ficar muito tempo. Aquele, de quem falei a Snape foi localizado, está perto e já sinto os efeitos de seu poder. Favor avisar Snape, para que se prepare com os alunos da AD, e se quiser, Dumbledore e Rufus. Mande-os se prepararem para o pior. Se eu cair em combate, mande que me ataquem com tudo. É provável que eu seja “possuído” pelo inimigo. Mande que me ataquem, sem dó nem perdão. É melhor que comecem logo com o Avada Kedavra, e se isso não funcionar, que usem algo pior. ‘Usem, inclusive armamento trouxa e em grande quantidade!’ Mande avisar o Potter que o tempo que consegui para ele acabou. Não tenho mais escolha, nem tempo. Vai ser agora ou nunca. Proteja o Draco. Gabriel.”
- O que diz a mensagem? – perguntou a mãe de Hermione que não gostou nada da maneira como Narcisa apertou os olhos e fechou a cara preocupada, muito menos com a lágrima que correu rápida por seu rosto.
- Ele tentará vir à ceia, mas não garante a presença por muito tempo. Se me derem licença, devo falar com Dumbledore. – responde Narcisa com a voz embargada, levantando-se e saindo apressada.
Logo encontrou Snape e Dumbledore nos corredores, e após contar a conversa com Hermione, entregou a Snape a mensagem de Gabriel.
- Era o que eu temia. – fala Snape depois de ler a mensagem e passar para Dumbledore. – Ele vai para o combate.
Dumbledore saiu em silêncio, pensando no que tinha feito.
No dia seguinte, pela tarde, Gabriel estava na sala de Snit. Informou a ele que tinha ido para a casa que Snit tinha dito lhe pertencer, e resolveu colocar algumas coisas em ordem.
Já tinha entregado a Snit, logo após a conversa com Snape e Narcisa, algumas cartas que tinha escrito no dia da saída da escola, bem como alguns fragmentos de memória que colocou em frascos, claramente rotulados, indicando a ordem que deveriam ser vistos e quem deveria ver, para serem entregues a Dumbledore, Snape e Draco. Dividiu parte de seu capital em várias contas e atualizou seu testamento, deixando especificados os seus herdeiros.
Pediu a Snit que buscasse a encomenda que tinha deixado com ele naquele sábado da briga com Boris. Snit não sabia que era um Horcrux.
Gabriel escreveu uma pequena carta a Dumbledore, para entregar a ele nesta noite.
Preparou tudo o que podia lembrar, e claro, deixou uma longa carta para Draco e outra menor para Potter. E uma maior ainda para Snape e Draco.
Contou tudo. Sobre quem era e qual a missão. Contou quem eram seus mestres. Contou onde eram os esconderijos e tudo o que já tinha feito, bem como a forma de acesso aos mesmos. Pediu que procurassem Lando e se atualizassem sobre seus investimentos no mundo trouxa e utilizassem o dinheiro para terminarem de cumprir a missão.
Solicitou que falassem com Milt caso fosse necessário, para conseguirem orientação sobre como operarem os itens dos esconderijos. Indicou Irgil, dando-lhes os dados dele, caso fosse necessário mais armamentos trouxa ou mesmo treinamento sobre como operá-los.
Fez um resumo da situação, por assim dizer. Informou de acontecimentos e datas. Pessoas e dados específicos. Deixou para eles o livro que tinha pego com Rodolpho Lestrange. Explicou sobre as Horcruxes e lhes fez uma relação completa do que sabia sobre elas e quais já tinham sido destruídas, inclusive que iria entregar uma para Dumbledore na ceia de natal, com o pedido que Dumbledore a destruísse.
Pensou em escrever uma carta para Sírius, deixando algumas maldições na carta, mas percebeu que nada do que dissesse mudaria o que já tinha acontecido entre Sirius e Hermione.
Pensou em arrancar a pele dele enquanto ainda estava vivo com uma escova de dentes, mas lembrou que Harry adorava o padrinho, e então resolveu esquecer. “Pelo bem da missão.”
Sentou-se e aguardou até que Snit voltasse. Pensou em tudo o que tinha feito, e o que sobrava fazer.
Pensou em Apollyon. “Que nome idiota Sibila tinha arrumado. Putz! E pensar que aceitei isso. Vergonhoso!”.
O mais engraçado é que ELE ERA APOLLYON. Sentiu isso no momento em que presenciou a primeira morte de um familiar seu. Há quanto tempo mesmo? Nem lembrava mais. Fazia tanto tempo.
Possuía muito poder. Demais para qualquer um suportar. Tinha que manter vários combates mentais diariamente, apenas para contê-lo, e aquilo o estava desgastando. Bloquear toda uma parte de sua mente, o tempo todo era cansativo.
Até o início da missão conseguira fazer isso, com exceção de uma única vez, quando era muito jovem para entender. Desde que começara a missão, tinha ficado muito difícil conter Apollyon. O seu poder aumentara muito.
Foi por isso que quando chegou, obedecendo aos Protocolos da Missão, procurou a ”Cortadora de Almas.” Sabia que ela o ajudaria a conter esse seu “Lado Negro”. Por algum tempo deu certo, mas logo percebeu, que era demais até mesmo para ela. Ela estava fraquejando e ele começou a procurar outra forma de manter seu lado negro sob controle.
Sentia que seu poder o estava corrompendo. Apollyon era o “Lado Negro” de sua personalidade. E desde que ele sentiu o seu poder, tentava assumir o controle. Há anos que o detinha, diariamente. Um combate sem fim.
Na única vez que o libertou, ele promoveu uma carnificina tão pavorosa, com tais requintes de crueldade que se descoberta, faria os “crimes de guerra” dos trouxas serem insignificantes em comparação.
Lembrava-se perfeitamente do que fizera para defender a base naquela ocasião. Seus amigos estavam em perigo e ele era o único entre eles e o exército atacante. Estudara a história dos trouxas, anos mais tarde, e o único paralelo que encontrou para comparação entre o que fizera e o que os trouxas já tinham feito em sua história era o Massacre de May Lai, na guerra do Vietnã.
Só o controlara novamente por que aparentemente ele ficou saciado de sangue e mortes, por algum tempo. Passara 5 dias sem dormir depois daquilo. Seus mestres ficaram apavorados e depois de hesitarem um pouco, resolveram utilizá-lo em situações que fossem críticas. Ele concordou em nome da vingança, mas nunca mais libertou Apollyon.
Nem mesmo quando o horror se tornou tão grande que ele deixou de se importar com qualquer coisa. Nem assim ele desistiu de conter seu “lado negro.” Tinha ficado apavorado com o que tinha feito quando jovem. Continuava a cumprir missões e claro, sempre matando, mas nunca mais libertara Apollyon. O risco era grande demais.
Quando começou a namorar Hermione, sentiu que o mantinha controlado e pode relaxar um pouco. Quando ela foi seqüestrada, sentiu-o arranhando sua mente implorando para ser libertado. Oferecendo sua ajuda. Dizia que era parte de si, e que apenas queria viver também. Que poderia salvá-la para ele, se ele deixasse. Naquele dia ele já estava no limite de suas forças.
Gabriel sabia exatamente o que aconteceria se ele fosse libertado. “Morte e Destruição. Em escala global.” Lembrava-se de uma frase trouxa: “O poder corrompe! O poder absoluto corrompe absolutamente!”.
Sabia que se ele fosse libertado, com o conhecimento que Gabriel tinha, com seus poderes, além de suas habilidades, além de seus recursos... Bem, era melhor nem pensar muito nisso.
Entendeu isso perfeitamente quando estava lutando no portão. Percebeu que estava demorando demais até chegar a Hermione e usou mais poder do que devia. “Abriu a garrafa e o gênio fugiu!” - outra frase trouxa. Desde então ele não tinha mais descanso.
A tentativa de Dumbledore piorou tudo. A espada, corretamente bloqueou sua mente contra o ataque de Dumbledore, mas infelizmente naqueles instantes, Apollyon percebeu seus problemas e medos, e aproveitando o esforço da espada, fincou as garras em sua mente com mais força. E com a traição de Hermione, bem, seu mundo virara de cabeça para baixo.
Dali em diante, ele sabia que era uma questão de tempo até que perdesse o controle e Apollyon se libertar. A nova tentativa de Dumbledore no ministério quase tinha rompido suas últimas defesas.
Por isso é que saíra da escola! O risco de perder o controle lá dentro era muito grande! Não queria cometer uma chacina entre seus colegas!
”Contei meias verdades para Snape e Narcisa! Mesmo assim, espero que tenham entendido! Acho que entenderam. Impossível contar a verdade e não os matar depois! E isso iria, com certeza, contra os Protocolos da Missão!” - pensou Gabriel sorrindo cansado.
Agora, continuamente recebia imagens de Apollyon se remexendo em sua mente. Ouvia a espada pedindo ajuda, mas não conseguia pensar em nada para ajudá-la. Seu contato com a ela fora restringido ao mínimo. Para poupar a energia dela. Tentava canalizar cada parte de sua energia para ela, mas não estava mais sendo suficiente.
Queria que falar com Hermione, tentar esclarecer as coisas. Snape nunca mentira para ele antes, nem Narcisa. Se eles diziam que Sirius e Hermione não tinham nada entre eles... bem, pelo menos queria vê-la novamente. Isso, pelo menos! Ver o sorriso dela. Ter algo para o animar na batalha final.
Mas não tinha muitas opções. Se Hermione realmente amasse Sírius... Tentaria ao máximo resistir e se afastar até um lugar desabitado e tentar um feitiço para bloquear seus poderes. Isso se tivesse tempo. Mas achava que não teria.
Foi isso que procurou tanto nos livros de Dumbledore. Uma maneira de bloquear seus poderes. E outra de sobreviver a isso. Só encontrou o primeiro. “Paciência. Se não tem remédio, remediado está!” - pensou Gabriel calmo.
Mas, precisava pelo menos concluir sua missão antes, ou a deixar em um estado adiantado, por isso, manteve sua mente ocupada com outras coisas. Tomou todas as providências possíveis. Montou abrigos de emergência, armamentos, poções, informações, dinheiro bruxo e trouxa suficiente para que os outros terminassem a missão por ele.
Deixara instruções e informações suficientes para Draco, Snape e Dumbledore, além de idéias e estratégias. Ele não confiava totalmente em nenhum dos três, mas ficara sem opções. Tentaria manipula-los, nem que fosse do inferno, para que eles terminassem sua missão.
As cartas só se abririam se ele fosse morto. Caso contrário virariam fumaça e ele ainda poderia completar a missão da forma original, conforme as ordens que recebera. E sem que eles soubessem de nada. Mas as chances eram tão pequenas que nem as considerava mais. Sabia que a Magia diferenciava ele de Apollyon. Já tinha descoberto isso há muito tempo.
Ele agora tinha outro monstro para cuidar. E este era muito pior do que qualquer bruxo das trevas. E bem mais perigoso. Estava usando cada truque que tinha aprendido em toda a sua vida. Cada grama de astúcia. O problema é que Apollyon também conhecia aqueles truques. Bem demais, por sinal.
Agora era hora de ver o que podia realmente fazer. Iria fazer uma última tentativa. Depois era com os outros.
Sabia que seu corpo não morreria, mas sim sua personalidade. “Interessante! Não importa o que aconteça, não irei morrer!”.De qualquer forma seu corpo ficaria vivo. Apollyon também precisava de um corpo físico. Foi por isso que escreveu para Narcisa indicando claramente que seria “possuído” por ele. Não era uma mentira. E o pedido para que lhe atacassem, daria aos outros uma idéia aproximada do que estava acontecendo.
Tentara o suicídio depois de escrever as cartas e guardar as memórias. Sabia que tinha que impedi-lo a qualquer custo. Não se importava em morrer.
“Pensando bem, nunca me importei com nada mesmo!” – pensou triste. – “Ainda mais depois de Hera, Zeus e Apolo serem assassinados. Não! Eu já não me importava com nada muito antes disso! Desde que... nem lembro mais se um dia me importei com alguma coisa que não fosse a vingança. E Zeus, como eu me arrependo do que fiz com você! Fui eu quem matou você, Zeus. Fui eu que o matei para que não revelasse nada sobre a missão. Como pedir perdão por isso? Droga de Missão!”. - pensou Gabriel cobrindo os olhos com as mãos e chorando silenciosamente.
Mas, permitir que Apollyon ficasse livre iria, com certeza, significar o fracasso da missão. Por isso, tentara novamente o suicídio. Não conseguira, novamente.
Ainda se lembrava do momento em que lhe ordenaram a missão. Seu jovem mestre foi bem claro: “Preste atenção!! Nada é mais importante que a missão. Não confie em ninguém, em momento algum. Tome extremo cuidado com Dumbledore. Ele vai desconfiar de você com certeza. Engane-o, manipule-o, minta. Faça o que for necessário. E mantenha sua mente fechada! Ele, com certeza é um legimente habilidoso, tanto ou mais que Snape, o qual você deve ter cuidado também! Dumbledore é o ”inimigo”, por que ele se recusa a entender que os inimigos devem ser mortos. Você vai para lá e vai dar um jeito de cumprir a missão! Não pode Falhar. A missão tem que ser cumprida. Não importa o custo!”. – falara seu jovem mestre.“Não posso confiar em ninguém lá? - perguntei preocupado mas a resposta foi clara e sem contra argumentos.- “Minta. Suborne. Trapaceie. Manipule. Roube. Mate. Faça o que for preciso, mas cumpra a missão. Não existe outra maneira. Não pode haver falhas. Nem mesmo Draco ou Potter são de confiança. E não se esqueça de seu Juramento! E, dessa vez, SIGA OS MALDITOS PROTOCOLOS DA MISSÃO! Improvise se necessário, você sabe muito bem como fazer isso, mas lembre-se das ordens. Elas devem ser cumpridas! Lembre-se dos Protocolos da Missão!!! Não falhe! Sabe o que irá acontecer se falhar! Sabe quantos vão morrer se falhar!”.
Tentara novamente o suicídio ontem. Tentara tomar veneno e descobrira que não conseguia abrir a boca. Tentara dar um tiro na cabeça e o dedo se recusava a disparar. Mesmo quando tentara com as duas mãos, fazendo tanta força que quebrara o dedo. Tentara pular de cima do telhado do hotel trouxa e antes de atingir o solo, descobriu-se aparatando no quarto. Colocara uma venda nos olhos e pulara novamente, mas o efeito fora o mesmo. Tentara entrar na banheira e usar algum aparelho elétrico e descobriu surpreso que houve um blecaute neste instante em todo o quarteirão, por causa de um transformador que explodira sem explicação.
Era revoltante aquela situação. Apollyon não permitia seu suicídio. Ele sentia que seria vitorioso no combate contra Gabriel.
Gabriel lembrou-se de quando visitou Draco e Dumbledore. Já sabia da profecia de Sibila. Em ambas as ocasiões utilizara-se do nome Apollyon, simplesmente para que “Gabriel” não fosse descoberto antecipadamente.
A maneira de cumprir a missão mudou totalmente quando conseguira a varinha de Salazar Sonserina. “Não ser rastreado. Ficar incógnito. Cumprir a missão em meio às sombras.” Eram apenas uma pequena parte dos Malditos Protocolos da Missão. Agora não fazia mais diferença nenhuma. O pior de tudo é que seguira os Protocolos da Missão à risca e esses mesmos Protocolos o acabaram tornando-o uma “celebridade”.
“Maldita seja a idéia de me fazer conseguir a porcaria de uma varinha!” – pensou irritado. “Eu sabia que era um erro. Eu avisei meu mestre! Mas ele me ouviu? Não!! E eu segui os Malditos Protocolos! Veja só no que deu! Pra piorar, resolveram dizer que eu sou um Herói! Isso sim é o maior dos absurdos. Zeus, se ainda estivesse vivo, iria morrer de rir se eu contasse a ele. Eu, um assassino, sendo chamado de Herói! Não falta me acontecer mais nada!” - pensou irritado.
Despediu-se de Snit com um abraço enquanto pegava a Horcrux. Deu algumas instruções para Snit, caso morresse e aparatou para sua casa. Resolveu começar a se arrumar, a ceia começaria em menos de uma hora. Sabia que o combate era iminente. Talvez em algumas horas.
A espada não iria conseguir contê-lo por muito mais tempo. Não queria perder a espada. Ela era importante demais. Mas ele queria ver Hermione pela última vez. Queria ver o sorriso dela, nem que não fosse para ele e sim para Sírius.
“Esse era o único ‘luxo’ que me fora permitido por meu jovem mestre. Conhecer Hermione. Mais nada!” - pensou triste.
“Eu a amei. Fui feliz com ela, por algum tempo. Uma vez na vida eu tive a felicidade de conhecer o amor. Não importa como tenha acabado!”- pensa Gabriel triste e logo a seguir corrige seus pensamentos.
“Droga, quem estou tentando enganar? É claro que importa como acabou! Por que será que ela não falou comigo? Me explicou algo? Não precisava ser desta maneira!!! Ah, Merlin! O universo realmente me odeia.” - pensou cansado. ”Bem... eu já fui traído tantas vezes em minha vida, embora seja a primeira vez que tenha sido por alguém que eu amasse tanto assim.” - pensa Gabriel lembrando-se das inúmeras vezes que fora traído por aqueles que se diziam seus amigos. Alguns deles, ele acabou matando pela traição.
”Quanto a missão, fiz o que pude! Agora, vamos à luta final!” – pensou cansado. “Malditos Protocolos da Missão! Maldito seja eu por ter aceitado a Missão! Que eu arda eternamente no inferno pelo que fiz e pelo que ainda terei que fazer! Por que será que me deram o nome de um Anjo se eu tenho a alma de um Demônio?” - perguntou-se triste.
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Favor ler até o final!
É isso aí, pessoal. Espero ter esclarecido vossas dúvidas.
Protocolos da Missão, significa ordens específicas do que fazer ou não durante a missão. Por exemplo: “Você está PROIBIDO TERMINANTEMENTE DE MATAR TODOS OS ALUNOS DA ESCOLA!” – só um exemplo. Ele não tem essa proibição. Hehehe!
No próximo capítulo, Combate & Morte.
Uma coisa interessante deve ser notada. A autora, Jk Rowling faz em um de seus livros (no sexto se não me engano), referências aos danos que os trouxas sofrem quando existem combates no mundo mágico. Caso não esteja enganado, danos a algumas casas e uma ponte.
Agora, considerando o poder que Gabriel dispõe e a determinação dele em impedir Apollyon, o que acham que vai acontecer no próximo capítulo? Hehehe! Vai ser de criar furacões, literalmente.
Para maiores informações sobre o massacre de May Lay, ao qual Gabriel se refere, favor acessar http://pt.wikipedia.org/wiki/My_Lai.
Já tenho pronto o próximo capítulo, mas só posto com muitos comentários. (chantagem é uma arte!!) By, pessoal.
Um abraço do Gabriel e da Cortadora de Almas, que no próximo capítulo vai...
Putz. Quase estrago a surpresa.
hehehe |