- Mal posso me conter. - respondeu - E você, Hermione?
- Ah, eu gosto de bailes, - respondeu - mas não tenho um par.
- O que? Por que você e Malfoy não vão juntos?
- Endoidou? Imagina o Harry e o Rony quando vissem.
- É, você tá certa. - disse Gina - Mas, mudando de assunto, eu fiquei sabendo que vão ter uísques de fogo, você vai beber?
- Não sei. - respondeu Hermione - Tenho medo de passar dos meus limites.
- Rony, tenho certeza que vai! - disse Gina - Uma vez foi com o papai para Roma e voltaram de lá com 20 garrafas de bebida trouxa, que só os dois tomaram em um dia.
- Que horror. Me desculpa Gina, mas eu não vou cuidar do Rony.
- E nem eu! Não é responsabilidade minha o que ele faz, muito menos sua.
*
Já havia começado o baile. Os meninos todos já estavam lá e as meninas desciam aos poucos. Rony e Lilá estavam bebericando uísques de fogo com Harry enquanto ele esperava seu pare. Gina apareceu nas escadas. Estava deslumbrante, vários olhares desviaram-se para ela. Usava um vestido verde até os joelhos, com a saia rodada e calçava lindos sapatos de salto alto com bico comprido. O cabelo estava solto. Harry segurou a mão dela e chamou-a para sentar-se, mas antes ela pegou uma taça de uísque de fogo.
- Onde está a Hermione? - perguntou Rony para Gina.
- Estava terminando de se arrumar. - respondeu.
- Com quem ela vem? - perguntou Harry.
- Ninguém. - respondeu Gina - Ela não tem par.
- Que coisa horrível! - Lilá exclamou - Coitada!
Meia hora depois e o salão estava lotado. Pansy Parkinson dançava desajeitadamente com Goyle, Dino Thomas estava bebendo uísque de fogo com Parvati Patil, Ana Abbott estava conversando com Terêncio Boot, Padma Patil estava tomando algumas cervejas amanteigadas com Antônio Goldsten. Já Draco e Crabbe, os dois sem par, estavam conversando num banco e bebendo uísques de fogo. Os alunos do primeiro, segundo, terceiro, quarto, sexto e sétimo ano também já estavam no salão. Logo, as atenções do baile foram desviadas para o som do sapato de uma figura que descia as escadas. Uma garota de vestido azul com o comprimento até a metade da coxa, sapatos de salto alto brancos, o cabelo preso numa trancinha de lado, completamente deslumbrante. Mas quem era? Claro, era Hermione Granger! Ela estava completamente linda, porém, não tinha par. A primeira coisa que fez foi sentar-se ao lado de Gina, ignorando Harry, Rony e Lilá. Sua alegria não durou muito tempo, pois Harry levou para Gina para dançar e Lilá arrastou Rony junto, que já estava terminando sua quinta taça de uísque de fogo.
Logo, Gina passou por Hermione dizendo que iria ao salão comunal buscar sua varinha para limpar o vestido em que Rony derramara uísque. O dito cujo logo sentou-se ao lado de Hermione, bêbado, explicando que Lilá o dispensou por pisar muito no pé dela. Olhou para um canto e viu Harry e Cho se beijando. Sabia que Gina não gostaria nada da cena e falando nisso, lá estava ela, na ponta da escada, apenas observando, meio que chorando. Viu Hermione e fez sinal para que não fosse seguida. Assim, subiu as escadas correndo.
Hermione foi atravessar o salão pois queria um pouco de cerveja amanteigada, mas sentiu alguém puxando seu braço com força, era Rony.
- Sai, Rony! O que você quer? - ela perguntou.
- Vamos dançar, Hermizzle!!!!! - ele disse, rouco.
- Pelo amor de Deus, Rony, você está bêbado.
- Anda logo, FAÇA O QUE EU TE DIGO. - ele gritou, apertando o braço dela.
- SAI RONY, VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO. - ela gritou, tentando puxar seu braço de volta.
Rony começou a agarrar Hermione, tentar beijá-la. Ela não queria, se debatia, empurrava-o, até que Malfoy apareceu.
- Você é surdo, Weasley? - ele perguntou - Ela disse NÃO.
- Cala essa boca, sua doninha idiota. - Rony socou o rosto de Draco.
- Aprende a respeitar a menina, Weasley. - ele deu um soco no nariz de Rony, que caiu sentado.
- É um não para os dois. - disse Hermione - Eu odeio vocês dois! E obrigado Rony, por estragar tudo, mais uma vez.
Hermione saiu dali correndo e sentou-se no meio da escada para chorar. Malfoy subiu as escadas e sentou ao lado dela.
- Malfoy! - ela olhou diretamente para o rosto dele - Sua boca está sangrando.
- Nada que derrube. - ele disse, passando a mão no lábio inferior procurando onde sangrava - Só que dessa forma vou pensar que você está preocupada.
- E se estiver? - ela cruzou os braços.
- Eu sei que está. - ele chegou o rosto perto do dela.
- Malfoy, se você veio até aqui para me beijar contra a minha vontade, é melhor que você suma.
- Eu sei que não é contra a sua vontade. - ele disse, secando as lágrimas dela - Eu sei muito bem que você adora, Granger. Você não resiste aos meus beijos, porque sabe que são os melhores que você já provou. Nada comparado ao Vítor Krum.
- Você não se cansa de ser assim? - ela perguntou.
- Assim como? - ele respondeu, com uma pergunta - Gostoso? Lindo? Delicioso? Irresistível?
- Convencido.
- Só digo verdades.
- Ah, dane-se! Isso não interessa agora. Eu só estava aqui, querendo ter uma noite perfeita, - ela disse - mas ninguém me convidou porque eu sou feia, idiota, esquisita.
- Você não pode ter uma noite perfeita - ele levantou e estendeu a mão para ela - sem uma dança perfeita. Com alguém perfeito.
- Você está me chamando para dançar com você, Malfoy? - ela perguntou rindo da forma que ele estava achando.
- Estou.
- Ok, vamos, antes que eu me arrependa.
Ela deu a mão para ele e os dois desceram as escadas, o que atraiu vários olhares surpresos, principalmente dos sonserinos e grifinórios que rodeavam o salão. A música que tocava era lentra e, Hermione não podia negar, Draco era um bom dançarino. Ela, felizmente, conseguia acompanhar cada passo que ele dava. Todos olhavam para eles, ninguém acreditava no que via, principalmente Crabbe, Goyle, Zabini e Pansy.
*
Já eram quase duas da manhã quando o salão estava vazio. Hermione estava cansada e disse à Draco que iria para o quarto dormir. Ele foi junto.
- Meus pés estão doendo. - ela disse, no topo da escada - Malditos sapatos de salto.
- Eu te carrego, quer? - ele perguntou.
- Deixa de ser bobo, não precisa.
- Faço questão. - ele disse e pegou ela no colo.
Ele saiu correndo pelo castelo carregando Hermione colo. Às vezes fingia que ia derrubá-la só para que ela ficasse com medo ou irritada. Ele levou-a para seu próprio quarto, colocou-a cuidadosamente sentada na cama e sentou por cima dela.
- Sou pesado, machuca? - ele perguntou.
- Não machuca não.
- Ótimo! - ele disse e empurrou ela, fazendo-a cair deitada. Logo em seguida, deitou em cima ela. - É bom que você tenha bastante fôlego guardado aí, Granger.
- Draco, não!
- Olha só, me chamou pelo primeiro nome?
- Chamei, dane-se! - ela tentou empurrá-lo de cima de seu corpo, mas em vão - Você é um idiota, convencido, acha que pode tudo.
- Estou muito acostumado a ter o que eu quero, Granger. Inclusive você, uma hora você vai se tocar que quer ser minha, só minha.
- Ser sua? Você bebeu muito uísque de fogo por acaso?
- Não. Há um tempo eu venho querendo ter você só pra mim. - ele disse, beijando o pescoço dela, ela ficou arrepiada. - Há um tempo que eu venho sentido uma paixão por você.
- Malfoy, para de maluquisse, eu nunca vou me apaixonar por você, idiota.
- Quer ver só?
- Ah, quero! Uma aposta, talvez? NÃO!
- Você é louca por mim, fica doidinha quando eu faço isso! - disse, beijando mais intensamente o pescoço dela. Sorriu quando ouviu ela suspirar. - Tá vendo? Você não resiste?
- Malfoy, para. - ela disse, quando ele se aproximou da boca dela e deu várias mordidinhas nos lábios dela.
- Você quer isso, Granger. Eu sei que quer. Acha que eu não entendo as meninas? Já fiquei com tantas que mal posso contar nos dedos.
- Ah, então eu sou mais uma na sua lista estúpida?
- Eu não me interesso pelas mesmas garotas por muito tempo Granger, sinta-se orgulhosa.
- Orgulhosa? Orgulhasa de ter você em cima de mim? Por Merlin, Malfoy!
- Orgulhosa por eu estar te querendo tanto.
- Isso não é motivo para eu me orgulhar. - ela deu uma risadinha - Agora sai de cima de mim, eu vou pro meu quarto.
- Só se você me beijar antes.
- NUNCA!
- Então você será obrigada a fazer uma visita ao monstro das cócegas. - ele disse e mal esperou a resposta dela. Começou a atacá-la com várias cócegas. - Só paro se você me der um monte de beijos.
- Tá... tá. tá... - ela disse em meio a risos, ele parou de fazer cócegas - Eu beijo você.
Draco deu um sorriso malicioso e caiu de boca nos lábios de Hermione. Beijava-a intensamente. Ela retribuiu da mesma forma. Passava as mãos nas costas de Draco por debaixo da camisa dele. Conforme ela fazia isso, com mais vontade ele devorava seus lábios. Hermione acordou para o mundo e percebeu que não devia fazer aquilo.
- Para, para. - disse em meio ao beijo - Draco, para!
- O que foi? - ele parou e saiu de cima dela - Qual o problema?
- Eu não posso ficar te beijando, ok? Somos rivais, inimigos, eu te odeio, você me odeia, cada um deve seguir seu rumo, sua vida, seu caminho.
- Mas...
- Sem mas! Eu já disse, você é convencido, idiota, metido, estúpido, grosso, sem falar em preguiçoso e egocêntrico.
- E você é uma idiotazinha sabe-tudo.
- Sou mesmo. Agora vai se olhar no espelho, sua doninha!
Hermione saiu do quarto de Draco pela porta do banheiro. Enquanto passou por lá, lavou o rosto na pia. Chegando no seu quarto, ela tirou o vestido e colocou um pijama de mangas compridas, realmente estava sentido frio. Fez um encosto na cama com seus travesseiros, sentou-se e cobriu as pernas. Pegou um livro para ler, não estava com sono e já que o livro era longo, isso talvez a deixasse cansada. Já que amanhã seria domingo, ela planejaria acordar bem cedo, tomar um café da manhã bem carregado e repousar-se o dia inteiro sob a macieira que fica ao lado do lago negro, nos jardins de Hogwarts, para ler alguns outros livros, literatura, aritmancia e herbologia. Também precisava conversar com Gina, consolá-la e perguntar como estava se sentindo, afinal, Harry agira como um completo idiota no baile. É claro que Rony também, mas isso não interessava, era a felicidade de sua melhor amiga que estava sendo discutida no momento, por Hermione e sua própria mente. Ok, ela decidiu não pensar sobre problemas agora, queria paz e calma e também que Malfoy não a incomodasse nesse momento, estava lendo um livro para tentar pegar no sono. Não demorou muito e suas pálpebras começaram a pesar.
Hermione posicionou os travesseiros na cama novamente e deitou-se. Guardou o livro no criado-mudo, puxou o cobertor e fechou os olhos. Não demorou muito e logo estava dormindo, em sono profundo.