Aquilo estava seriamente ficando patético. Não, de verdade. Patético.
Hermione Granger não era do tipo que feria seu amor próprio por constantemente procurar alguém que já tivesse transmitido a mensagem clara: Sai da minha vida. E, ao falar em mensagem clara, era bem literal mesmo. Alguns dias atrás, foram essas exatas palavras que saíram da boca de Astoria. E, mesmo assim, ela chegou ao ponto de acordar uma hora mais cedo apenas para esperar do lado de fora do dormitório da garota... Patético.
E obsessivo.
Mas Hermione Granger também não era do tipo que tinha um conhecimento em mãos e o deixava cair no esquecimento... Não, senhor. Ela sabia que Astoria gostava de fazer suas refeições matinais quando o refeitório estava vazio. Ela sabia que Astoria era um ser essencialmente matutino, logo, funcionava muito melhor pela manhã – ao contrário da maioria das pessoas em seu círculo de relacionamentos.
Hermione muito menos era do tipo que tinha a oportunidade de fazer a coisa certa e a ignorava. E aquela era a coisa certa a se fazer, já que ela tinha sido a errada desde o início. Errada em tantas formas que simplesmente precisava consertar as coisas com Astoria. Então, lá estava ela, encostada na parede com as mãos enfiadas nos bolsos da blusa de frio em uma vã esperança de aquecê-las. O inverno chegara com tudo, trazendo, muito bem, obrigado, seus ventos gelados e cortantes àquela hora da madrugada.
O barulho de porta destrancando fez com que Hermione parasse com as queixas mentais e se ajeitasse melhor, respirando fundo para conter a ansiedade.
- PUTA QUE PARIU! – A loira deu de cara com ela e recuou dois passos, desequilibrando-se na pequena elevação que separava o quarto do corredor e caindo de bunda no chão do dormitório. A garota bem que tentou se apoiar na porta ainda aberta, o que só tornou a queda mais cômica.
Não que Hermione fosse rir. Ela teve que morder o interior da bochecha com força para impedir a grande risada que estava prestes a sair pelos seus lábios.
Astoria olhava para ela com sua melhor expressão de choque, o rosto lívido e a boca entreaberta. A morena avançou para estender a mão, mas a outra apenas continuou do jeito que caíra, agora olhando para os lados como se estivesse tentando se orientar.
- Astoria... – Hermione murmurou suavemente, a mão estendida.
Ao ouvir seu nome, a garota finalmente esboçou outra reação além do absoluto assombro. Recusando categoricamente a ajuda oferecida, ela se apoiou melhor no chão e se ergueu, resmungando algo como “louca” e “susto”.
- Astoria! – Hermione repetiu entre a chateação e a resignação, olhando rapidamente para as companheiras de quarto da loira, que permaneciam adormecidas. Obviamente estavam acostumadas com a movimentação pela manhã e estavam com muito sono para registrar o grito e o tombo da menina.
A morena agora seguia a garota, que já tinha trancado a porta e andava pelo corredor como se a cena toda não tivesse sido nada fora do habitual.
- Não seja assim! – Hermione segurou o braço da menor para fazê-la parar. – Precisamos conversar e resolver essa situação de uma vez!
- Eu não tinha nada para falar pra você antes, o que te faz pensar que tenho agora?! – Astoria rebateu asperamente.
A morena suspirou.
- Então não fale nada! Só preciso que você me escute, ok? Não estou pedindo muito!
- Você não tem o direito de pedir nada. – Astoria disse entredentes.
Hermione encarou os olhos da menina, vendo a tempestade por trás deles. Ela sentiu um frio na barriga nada agradável ao ver como as íris azuis estavam inquietas e perturbadas. Não era raiva. Ou, pelo menos, não somente raiva.
- Eu sei que não. – Ela disse o mais gentil que pôde, soltando um pouco o aperto no braço da garota, sem, contudo, quebrar o contato. – Mas peço mesmo assim... Por favor.
O silêncio se instaurou e Hermione podia ver que a outra estava claramente considerando seu pedido.
- Vamos acabar logo com isso. – Astoria soltou-se totalmente para cruzar os braços abaixo do peito.
- Aqui? – Hermione sussurrou e olhou o corredor vazio.
A loira revirou os olhos com escárnio.
- Eu passo por aqui todos os dias e, acredite, vai demorar pelo menos meia hora para as pessoas começarem a sair do conforto de suas camas.
- Ok então. – A morena consentiu, incomodada. Não estava saindo como ela previa, mas ao menos ela conseguiu cavar uma oportunidade, certo?!
Astoria começou a bater o pé para indicar sua impaciência. Hermione soltou um longo suspiro aborrecido, contendo por pouco o impulso de chamar a outra de “criança mimada” e optando por uma abordagem direta para aquela conversa.
- Aquele dia... Bom, Malfoy me chantageou. Ele tinha um DVD que continha um... erm... – Ela parou por um instante, pensando no melhor jeito de contar sem deixar escapar os pormenores. – um segredo que, se viesse à tona, prejudicaria muito a vida de dois dos meus melhores amigos. Ele exigiu que eu me afastasse de você. E eu cedi. Astoria, você tem que entender... eu não poderia fazê-los sofrer o tanto que sofreriam se não fizesse o que Malfoy me disse para fazer. Eu... desculpe, mas eu estava de mãos ata-
- Mãos atadas! – Astoria rugiu, interrompendo a morena. – Pelo amor de Deus, estamos falando da mesma pessoa aqui?! Você, Hermione Granger, me dizendo com a maior cara de pau que estava de mãos atadas?! Sempre temos uma escolha. Você poderia ter escolhido me dizer a verdade. Mesmo que não toda ela. Poderia ter falado que estava enfrentando uma situação pessoal e que precisávamos nos afastar. Mas NÃO! – Ela gritou a última palavra e Hermione recuou um passo. – Eu tive que ouvir da Weasley que você e o Malfoy estavam de joguinhos e planinhos pra cima de mim!
- Astoria, eu não sabia o que fazer! Não é como se eu estivesse muito feliz com a história toda... Eu fui chantageada! Você tem noção de como isso me quebrou? Eu nunca, nunca quis jogar com você! Levo muito em conta os sentimentos das pessoas que eu gosto! Levo muito em conta os seus sentimentos!
- Ah, com certeza foi por se importar muito com os meus sentimentos que tudo isso aconteceu... – A loira zombou. – Afinal, quando discutíamos seja lá o que tivemos, você nunca trazia à tona o fato de já ter estado com minha irmã... Claro que eram os meus sentimentos que estavam em evidência...
Hermione observava a garota ficar mais amarga e sarcástica a cada segundo que se passava. Não havia um traço sequer da doçura e da meiguice que ela conhecia. Uma Astoria magoada já parecia ser ruim o suficiente, agora uma Astoria magoada e com raiva era certamente capaz de fazer grandes estragos. Hermione estava se sentindo a pessoa mais escrota do universo.
- Você está errada. – Ela disse firme. – Eu, de fato, falei muito da Daphne, mas não foi só por me preocupar com ela. Sim, eu me preocupo com ela. – Hermione acrescentou quando viu que a loira abrira a boca. – Não sou hipócrita de falar que não me importo nem um pouco com Daphne... Mas você... Astoria, eu me preocupo tanto com você! Quando você veio com aquela história de aulas particulares de física... eu sabia que não era isso que você realmente queria, só que mesmo assim eu aceitei. E quer saber? Até pouco tempo eu não sabia o motivo de ter aceitado. Mas agora eu entendi. Quando você conversava comigo, olhava pra mim... você não era aquela garotinha rica e arrogante que a escola toda pensa que você é. Eu via seus olhos e sabia que, por trás de toda a fachada, existia alguém que valia a pena conhecer. Até mesmo quando você só soltava cantadas a porra da aula de física toda... você sorria, Astoria... Sorria de um jeito que me fez acreditar que era de verdade. Então talvez, no fim, eu sempre quis estar com você. Talvez as aulas de física tenham sido um pretexto pra mim também.
A postura ereta e tensa da loira mudou visivelmente. Seus ombros relaxaram e seu queixo, antes erguido em sinal de desafio, agora apontava para o chão. Seus olhos amoleceram consideravelmente, mas ainda eram uma tempestade de emoções e contradições.
- Você... você nunca me disse... por que, por que agora?
Hermione aproximou-se e ergueu a mão, oferecendo uma escolha. Relutantemente, Astoria alcançou a mão estendida e a morena sentiu-se bem com o contato, sorrindo levemente antes de responder.
- Acho que era muito mais fácil me prender ao meu passado do que aceitar as consequências que o presente traria para o meu futuro. – Hermione suspirou. – Até recentemente, Astoria, eu não estava pronta para deixar meu sentimento por Daphne ir. Por isso, provavelmente, não me dei conta da conexão que eu e você estávamos estabelecendo. Por isso, provavelmente, tentei negá-la até o fim. Você ser irmã dela não ajudou nada no processo também. – Ela acrescentou depois de um instante.
- E agora você está pronta pra deixar isso ir? – Astoria perguntou, claramente duvidando. – O que aconteceu?
- Um beijo e um quebra-cabeça. – Hermione sorriu. - O beijo me fez temer, e o quebra-cabeça me fez tomar uma atitude em relação ao medo.
Como a loira ainda a encarava esperando uma resposta, ela resolveu contar toda a verdade.
- Luna me disse sobre você e Padma... Eu... eu não sei como me senti. Quer dizer... eu fiquei com ciúmes, mas, principalmente, fiquei com medo de te perder. Mas, quando percebi, eu apenas tentei reprimir tudo isso, dizendo a mim mesma que não tinha o direito de me sentir assim... então eu tinha me resignado. Antes que pudesse avaliar melhor a situação, entretanto, Luna me contou uma história sobre um quebra-cabeça. – Hermione franziu a testa. – Não sei se consegui entender toda a mensagem que ela quis passar, mas, de qualquer forma, resolvi que devia tentar uma última vez antes de partir pra resignação. Sei que o momento foi egoísta... me desculpe por isso também. – A morena quebrou o contato visual, envergonhada.
- Obrigada pela honestidade. – Astoria respondeu apenas, depois de um momento de silêncio.
- Tori... – Hermione quase tropeçou no apelido. Não sabia se era o momento certo para usá-lo, mas ele saiu com tanta naturalidade... – Sei que nunca tivemos uma coisa propriamente séria, de verdade... mas eu queria que você me desse... nos desse a chance de tentar. Sem impedimentos passados dessa vez.
A loira encarou a outra e viu uma determinação que fez seu interior se aquecer. Na verdade, ela nem sabia como ainda estava conseguindo se sustentar de pé depois de ouvir tudo aquilo. Durante os últimos dias, ela dera tudo de si para evitar Hermione, convencida de que não podia, no fim das contas, aguentar uma relação em que só ela nutria algum sentimento. Mas as declarações e o fato de que Hermione se importava o suficiente pra se abrir desse jeito, por medo de perdê-la... Como ela poderia recusar a chance, quando isso era tudo que ela mais queria desde o início?
Ela levantou a cabeça e colou seus lábios nos de Hermione, sem mais questionamentos. Quando a língua da morena pediu passagem, não havia nem mais o que questionar. Não havia ninguém mais que a fizesse sentir essas borboletas batendo as asinhas furiosamente no estômago, nem alguém que passasse os braços pela sua cintura, criando um encaixe quase perfeito entre os corpos... Hermione era a única que fazia seu coração disparar como se estivesse apostando corrida contra o próprio tempo.
Um barulho de conversa quebrou o encanto, fazendo com que elas se separassem.
- Acho que já passou aquela meia hora, huh? – Hermione conseguiu dizer, embora estivesse visivelmente sem ar.
Astoria pegou a mão da morena.
- O refeitório vai estar lotado. – Ela reclamou, não conseguindo, contudo, tirar o sorriso do rosto.
E estava.
Astoria soltou um som irritado ao ver o tamanho da fila para pegar comida e Hermione ofereceu-se para buscar o que a menina quisesse, uma vez que seus amigos já estavam quase no balcão para fazer o pedido.
- Você, monitora-chefe?! Querendo furar a fila? – Os olhos da loira se arregalaram dramaticamente.
A morena revirou os olhos antes de sorrir.
- Não vou furar... – A garota começou, mirando Astoria com uma expressão sabe-tudo. – Eu vou solicitar que eles façam um pedido extra. Isso não é furar.
- O que te ajudar dormir a noite, Herms... - Ela riu suavemente.
- Queria fazer algo legal por você. Você geralmente acorda cedo e não enfrenta fila. Fui a responsável por seu atraso essa manhã. – Hermione respondeu finalmente.
Antes que Astoria pudesse protestar e falar que o atraso totalmente valeu a pena, viu um rosto familiar e sorriu. Padma foi até ela, olhando rapidamente para Hermione ao seu lado e acenando com a cabeça para reconhecer sua presença antes de voltar-se para a loira com muito mais entusiasmo e – Astoria percebeu – uma leve preocupação.
- Hey, Tori... tudo bem? Aconteceu alguma coisa hoje de manhã? Quando eu cheguei, pensei que você já tivesse comido, mas a moça do balcão disse que você não comprou nada hoje... Sabe, elas costumam lembrar de você, já que é geralmente a primeira aluna a dar as caras no refeitório. – O tom da indiana passou de preocupado para levemente zombeteiro. – Então eu comprei um achocolatado e uma salada de frutas pra você. – Ela disse, apontando para um canto qualquer do refeitório. – Deixei na mesa com a Parvati, mas podemos pegar e ir comer onde você quiser. De qualquer forma... o que aconteceu com você? Você nunca atrasa.
Astoria abriu a boca por um segundo. Como sua amiga tinha conseguido falar tudo aquilo sem nem ao menos respirar? E, pela forma que Hermione tinha arqueado a sobrancelha, ela teve certeza de que a morena estava pensando exatamente a mesma coisa. O que na opinião de Astoria era muito irônico. Hermione era craque em limitar o número de vezes que ela respirava quando estava dando um dos seus famosos sermões barra explicações barra discursos.
- Pad... – A loira começou cautelosamente. – o que aconteceu com você? – Ela repetiu, olhando a forma como a indiana quase quicava, seus braços balançando ao lado do corpo.
- Oh, nada demais. Bom, ontem eu não consegui dormir direito, então tive que tomar café. Tipo, litros. E Parvati me deu uma vitamina que, de acordo com ela, ajuda a manter a energia durante o dia... Vamos sentar? Antes que seu achocolatado esfrie? Queria conversar com você...
Astoria sentiu a mão de Hermione pousar na parte inferior das suas costas, logo abaixo das costelas. Era um gesto natural entre amigas e provavelmente passaria despercebido por todas as pessoas, mas a loira pensava diferente. Algo lhe dizia que o toque era muito mais possessivo do que amigável.
- Nossa, Pad... atencioso da sua parte, obrigada de verdade... mas acho que-
- Por que você não vai indo com a Patil? Vou pegar umas torradas com a Ginny ali adiante e já te encontro na mesa. – Hermione interrompeu-a, lançando um olhar firme.
Confusa, Astoria concordou com a cabeça e seguiu a indiana. Padma ziguezagueava as outras mesas e falava com ela ao mesmo tempo, as palavras saindo rapidamente de sua boca.
- Você é amiga da Granger? Quer dizer, eu vi vocês conversando uma ou duas vezes, mas nós nem éramos amigas ainda... Durante esse tempo nunca te vi falando com ela ou algo assim... Ah, esquece, não estou questionando sua amizade nem nada disso, mas acho que me pegou de surpresa. Sabe como é, pelo lance dela com sua irmã... eu lembro como aquilo me pegou de surpresa pra valer, nunca imaginava que a Granger poderia ser gay, não depois daquele namoro dela com o Weasley... E ela tem toda essa pose de certi-
- Pad. – Astoria a fez parar, ve
ndo umas pessoas virarem na direção das garotas enquanto elas passavam. – Vou para uma mesa vazia, ok?!
- Ok, só vou pegar seu café com minha irmã. – Ela disse, muito agitada para perceber a careta no rosto da loira enquanto ela falava tudo aquilo sobre Hermione.
E, mal a loira tinha sentado, a indiana já estava de volta, entregando o achocolatado e a salada de frutas para ela.
- Obrigada. – Ela respondeu, ainda um pouco incomodada com as palavras da garota, e também consigo mesma. Bom, ela poderia ter conversado sobre isso com Padma depois que a menina abriu o coração para ela, no outro dia... Ela definitivamente podia ter conversado sobre isso antes de beijá-la ontem. Será que era por isso que a amiga não tinha dormido direito?
Ok, Greengrass, isso é muito prepotente da sua parte. Quem é você agora?! Daphne?
Ela riu sozinha de seu pensamento, mas não gostou do som da sua risada. Ela saiu mais amarga do que Astoria gostaria e definitivamente mais maldosa do que era aceitável. Com um suspiro, ela decidiu que já estava na hora de parar com a rivalidade idiota. Hermione tinha dito que estava pronta para deixar sua irmã ir... então... ela poderia tentar melhorar a situação com Daphne, certo?!
Elas não se falavam propriamente desde a conversa que tiveram semanas atrás em que sua irmã terminou estapeando-a. Pelo menos não mais do que o absolutamente necessário – ou seja, sobre as cartas que seus pais mandavam ou sobre algum pertence de uma que estava com a outra.
Aquilo sinceramente a frustrava. Houve um tempo, não tão distante assim, em que Daphne e ela eram grudadas. Embora tivessem suas óbvias diferenças, positivamente uma faria tudo pela outra. Mas, de alguma forma, elas se afastaram. Astoria nunca entendeu o motivo. Apenas aconteceu. Um dia, Daphne não mais fazia questão de encontrá-la no fim da tarde para conversar, nem ficava muito entusiasmada quando passavam um tempo juntas. Quer dizer, de alguma forma, a loira via que sua irmã se esforçava, mas sempre havia algo que as impedia de ser como uma vez foram. Além disso, o fato de nutrirem sentimentos pela mesma pessoa só serviu pra aumentar o abismo entre elas.
Uma mão balançou na sua frente e ela se obrigou a voltar à realidade. Obviamente estivera divagando.
- Você ouviu alguma coisa do que eu disse? – Padma perguntou, aborrecida.
Antes que ela pudesse responder, entretanto, uma cadeira se arrastou ao seu lado e Hermione sentou com o ar decidido. Umas torradas embrulhadas num guardanapo em uma mão e um copo de suco na outra.
- Então, Patil... respondendo à sua pergunta anterior, Astoria se atrasou porque estava conversando comigo. Não há nada com que se preocupar. – Hermione falou como se toda a conversa da indiana tivesse sido dirigida a ela também.
- Hmmm. – Padma respondeu, olhando com curiosidade para a outra morena, que não escondera uma ponta de agressividade na voz. – Comentei com Tori que não sabia que vocês eram amigas...
Astoria ergueu uma sobrancelha, achando a cena toda muito interessante. Ela sabia que deveria ficar ao menos receosa pela forma que Herms estava agindo, mas preferia simplesmente achar adorável o óbvio ciúme da garota.
- Isso é porque ela estava me ignorando. – Hermione respondeu, agora falando com o mesmo tom de voz que usaria caso estivessem comentando sobre o clima.
A indiana olhou para Astoria, o reconhecimento estampado no rosto. Até onde ia esse reconhecimento, entretanto, ela não sabia dizer.
- Erm... longa história. – Respondeu, sentindo que precisava falar alguma coisa.
- Ah sim. – Hermione sorriu, lançando um olhar para Astoria que se sustentou por um momento a mais do que o necessário. A loira então ouviu a indiana arfar e quebrou o contato visual, voltando os olhos para sua salada de frutas quase intocada e sentindo o rosto esquentar.
- Vocês estão... ? – Padma olhou de Hermione para ela, a pergunta pairando no ar.
- Ah sim. – Hermione repetiu, o sorriso alargando-se.
Astoria totalmente podia ver que aquele sorriso na cara da morena era falso. Mas se Padma também reconheceu isso, a garota com certeza não demonstrou.
Como a indiana olhava para ela esperando uma explicação, ela pigarreou – melhor explicar de uma vez antes que Hermione se adiante para cobrir essa também.
- Nós meio que estávamos juntas há um tempo, mas... sabe aquele dia que eu esbarrei em você e, bem, estava chorando e tudo mais? – Ela começou tímida. Francamente, estava se sentindo como um coelho encurralado por lobos. – Eu e Hermione tínhamos... erm, rompido. – Astoria continuou, não esperando uma resposta. – Desculpe por não ter te dito antes... eu estava mesmo fazendo de tudo pra evitar esse assunto. Eu ia te contar. – Ela acrescentou rapidamente. – Mas não deu tempo. – A loira concluiu, indicando Hermione com a mão.
- Eu acho que a peguei de surpresa hoje de manhã... Tori realmente não estava contando com isso. – A morena disse e Astoria tinha que dar um crédito à garota que, no fim, estava defendendo-a.
A indiana ouviu tudo, os olhos indecifráveis. Alguns segundos de silêncio se passaram, e a loira já estava apreensiva quando Pad abriu um pequeno sorriso.
- Está tudo bem. De fato, eu queria te falar algo assim. – Padma lançou um olhar de esguelha para Hermione. – Sobre ontem... – A garota disse, claramente não querendo entrar em detalhes. – somos amigas, certo?
Astoria sorriu e soltou um breve suspiro de alívio. Ela entendeu muito bem o que a indiana queria dizer.
- Certo. – Disse com firmeza.
- Ok. – Hermione soltou uma risada forçada. – Vou indo para a aula. Vejo você depois? - Disse para Astoria, que acenou a cabeça.
- Bom, isso foi estranho. – Padma constatou, trocando um olhar com ela e caindo na risada.
- Sabe o que é mais estranho? – A loira riu antes de falar com a voz provocativa. – Você, quando está sob o efeito da cafeína.
Padma mirou Astoria até que ela admitisse com um sorriso:
- Ok, isso definitivamente foi mais estranho. – E foi um preço pequeno a pagar por me acertar com Hermione. Ela acrescentou mentalmente e virou para olhar a porta por onde a morena tinha saído, mas só o que encontrou foram os olhos de sua irmã grudados nela. Astoria suspirou.
Agora só falta eu me acertar com Daphne.
E isso, Astoria sabia, seria mil vezes pior que a situação estranha em que se metera.
Bom, eu não ia dizer nada sobre essa capítulo porque sinceramente não gostei dele. Mas tenho que comentar: perdões por esse título hor-ro-ro-so. Sério. Meu cérebro bloqueou todo o fluxo de criatividade em relação à esse cap, então...
Nos vemos no próximo que espero estará mais emocionante. É o casamento :)
BJBJ