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7. CAPÍTULO SETE


Fic: A Noiva do Guerreiro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO SETE


 


Durante os quatro dias que se seguiram, Ron passou mais tempo na Torre do que costumava passar, ou mesmo do que gostaria de passar. Não compreendia como um homem saudável e vigoroso, na flor da idade, podia passar dia após dia dentro de quatro paredes, ou muros, con­versando, comendo, caminhando, discutindo política. Verdade que também havia treinamento para o torneio, em frente aos alojamentos dos tenentes, mas faltava espírito de combate e, para Ron, mais parecia à prática de um esporte.


Entretanto, cruzar a espada com os soldados do castelo ainda era mais interessante do que ser encurralado no grande hall pelas damas dá corte, cujos nomes provocavam uma grande desordem em seu cérebro. Fazia-o lembrar-se do período pos­terior à morte de Lavender, quando todas as mulheres, conhecidas e desconhecidas, pareciam ter alguma coisa para dizer para ele ou para fazer por ele. A diferença era que agora ele recebia congratulações, em vez de pêsames, mas não deixava de ser uma situação forçada, imposta e, acima de tudo, maçante, ex­ceto nas ocasiões em que era provocado pelos amigos, os quais passaram a demonstrar um interesse sem precedente em sua vida pessoal.


Ron suspeitava que este interesse se originasse principal­mente dos inegáveis atrativos de sua futura esposa. Não sus­peitava que sua contrariedade explícita mediante o casamento contribuíra para despertar o interesse deles em Hermione, assim como não suspeitava que testar os limites de seu ciúme tomava mais mordaz a perseguição. Ron só tinha certeza de uma coisa: não perderia Harry Potter de vista quando Hermione estivesse por perto.


Durante aqueles quatro dias, ele viu Hermione ocasionalmente, no curso normal das atividades do castelo, incluindo as refei­ções; desde a proclamação do noivado, eram obrigados a con­tinuar se sentando à mesa principal, o que não só constrangia a conversa, como também os tornava alvos de uma interminável corrente de votos de felicidades e outros tipos de importuna­ções.


Na véspera do casamento, no final do jantar, Ron depa­rou-se com um trovador idiota de pé à sua frente, entoando, ao som de um alaúde, uma canção que falava de um homem ainda mais idiota, que definhava por sua amada. O impulso de Ron foi arrancar aquele instrumento de tortura do idiota e esmagá-lo com as próprias mãos, mas lembrou-se que um ato tão eficiente poderia não ser considerado “sutil”. Pensou, então, em explicar gentilmente ao idiota que aquela baboseira musical estava lhe revirando o estômago, conforme tentava digerir a refeição, mas decidiu que o menestrel era tão ruim que não merecia uma explicação.


Ron decidiu-se pelo comando direto e mandou o idiota embora, fazendo um sinal para que ele fosse cantar na outra extremidade da mesa.


O gesto fez com que Hermione se virasse para Ron, que retribuiu o olhar, à espera de um agradecimento. Ela, no en­tanto, limitou-se a arquear uma sobrancelha, com um ar leve­mente divertido. Ron concluiu que, no fundo, ela estava satisfeita por ele ter mandado o trovador embora.


- Pronto - murmurou, satisfeito. - Ele já não está mais aqui.


- Sim, e foi muita consideração de sua parte mandá-lo para o outro lado da mesa - respondeu Hermione. - Acho que ele estava tocando a canção favorita do rei.


Hermione reprimiu o impulso de explodir numa gargalhada ao contemplar a expressão de Ron.


- Queria ouvir a canção, milady? - perguntou ele, depois de um momento.


Hermione balançou a cabeça, sorridente, pois encontrava-se num estado incomum de bom humor.


- Eu a ouvi ontem, e anteontem, e tenho certeza que terei oportunidade de ouvi-la outra vez durante as festividades de amanhã.


A menção das festividades do dia seguinte, Ron ficou subitamente sério. Levantou-se do banco e olhou para Hermione.


- Venha.


Apesar da ordem explícita, Hermione hesitou e olhou para ele, indecisa sobre o que ele queria que ela fizesse. Ron nunca procurara sua companhia ou pedira para vê-la a sós, desde que haviam se conhecido.


- Sair do hall? - indagou cautelosa.


- Tem gente demais aqui - Ron olhou para os lados. - Podíamos ir lá para fora.


Ele estendeu a mão para ajudá-la a levantar-se. Hermione pou­sou a mão sobre a dele.


- Deseja dar um passeio nas muralhas?


Os lábios de Ron se apertaram, porém seus olhos não reprimiram o sorriso.


- Não, milady, nas muralhas não - murmurou, ampa­rando-a pela mão. Prefiro ir para o pátio.


- Ah, para os jardins! - exclamou Hermione.


A expressão de Ron, no entanto, não indicava que esti­vesse pensando nos jardins. Hermione ficou curiosa. Para onde ele pretendia levá-la? Para o campo de arco-e-flecha? Para o matadouro?


Ele fitou-a, divertido, depois seu olhar se intensificou.


- Sim, para os jardins - concordou, finalmente, ofere­cendo-lhe o braço.


Pararam junto à cadeira de Stephen para pedir licença, como mandava a etiqueta da corte. O rei assentiu distraidamente e eles se encaminharam para fora, parando ainda para responder a algumas saudações. Encontraram, entre outros palacianos, Ginevra, a prima de Ron, de quem Hermione se tomara amiga nos últimos dias.


 


Ginevra era, em parte, responsável pelo bom humor de Hermione, naquela noite. Depois de despedir-se de Ron, no portão de sua casa quatro dias antes, a opinião que tinha sobre ele afundara a tal ponto que ela acreditara que ali permaneceria para sempre, enterrada bem fundo. Naquela tarde, contudo, surpreendera-se ao ver Ron no hall, agachado sobre um joe­lho, escutando o que lhe dizia uma garotinha que não devia ter mais que cinco anos de idade. Pela primeira vez, Hermione viu a imagem do lorde que ele realmente era amável e aten­cioso.


- Aquela é Cristina, minha prima em segundo - grau ­informara Ginevra. - E de Ron.


Hermione observara-o por um momento, tão envolvido com o problema da criança:


- Parece que sua família é grande - comentara com Ginevra, incapaz de desgrudar os olhos de Ron ajoelhado dian­te da menina.


- Sim - confirmara Ginevra. - Embora poucos de nós vivam aqui na corte. Cristina adora Ron. Está sempre cor­rendo para ele, com alguma confidência. Ela acha que Ron resolve todos os seus problemas.


- E resolve? - perguntara Hermione, olhando para Ginevra, entre surpresa e cética.


- Claro! De outra forma, Cristina não teria essa opinião dele.


Ginevra não explicou mais nada, deixando Hermione intrigada com aquela faceta desconhecida de seu futuro marido.


Finalmente, Hermione e Ron conseguiram chegar à passagem em arco e sair do hall. Ron deixou escapar um longo suspiro e Hermione reprimiu um sorriso, imaginando que ele estivesse farto de toda aquela tagarelice. Ele gesticulou para que Hermione descesse as escadas.


- Você não voltou mais à minha casa - observou, repentinamente, atrás dela.


Hermione segurou o corrimão da escada em caracol e com a outra mão suspendeu a saia até o tornozelo.


- Não - admitiu, sem desviar a atenção dos degraus. - Consegui conduzir as coisas daqui mesmo.


- Eu sei.


Desta vez, Hermione sorriu, uma vez que Ron não podia ver. Prometera a si mesma não voltar àquela ruína de madeira antes de ser oficialmente a dona da casa, e por isto convencera Adela a ceder-lhe alguns mensageiros para que pudesse ir to­mando algumas providências à distância. Não fizera muita coisa além de mandar consertar os itens mais urgentes. Sua prio­ridade era, obviamente, conseguir uma colocação para Padma, o que já fora providenciado. Ela começaria no novo emprego no dia seguinte. Agora, Hermione se perguntava se a transferência da bela serviçal, cuja presença na casa de Ron era tão con­veniente para ele, seria a causa daquele levemente ressentido “Eu sei”.


- Espero que meus mensageiros não tenham causado ne­nhum transtorno em sua rotina.


- De maneira alguma - respondeu Ron. - Mesmo porque tenho passado a maior parte do tempo na Torre, como deve ter notado...


Hermione fez uma pausa, antes de responder.


- Notei.


- E vou dormir aqui, esta noite.


Hermione cometeu o erro de parar e virar-se para Ron. Foi um erro, porque ela se encontrava dois degraus abaixo dele e foi obrigada a olhar para cima. Nunca se sentira em desvan­tagem com Draco, com relação à estatura, uma vez que o enfrentava de igual para igual, mas com Ron, que, para co­meçar, era pelo menos, quinze centímetros mais alto, sentia-se em dupla desvantagem na posição em que se encontrava, na escada. Ele estava prestes a descer o degrau seguinte, os mús­culos flexionados da perna bem definidos, sob a túnica. A barra da túnica tocou o peito de Hermione, quando ela se virou.


Ela sentiu uma inesperada espécie de faísca elétrica, ao con­tato. O que Ron estava querendo lhe dizer? Que não dis­pensaria Padma em sua última noite de liberdade? Hermione en­frentou o olhar penetrante, mas não descobriu coisa alguma nas profundezas azuis e frias. Em vez disso, sentiu toda a força de Ron, acima dela, e viu um homem que sabia manusear uma espada com arte e beleza, que podia debruçar-se graciosamente diante de uma menininha, e que era capaz, sem dúvida nenhuma, de satisfazer uma mulher apaixonada. Sentiu que enrubescia e virou-se para continuar a descer.


- Isso vai lhe poupar trabalho, de manhã - respondeu, apressando o passo.


- Vai me poupar trabalho esta noite, também.


- É mesmo? Por quê?


- Estando aqui, posso cuidar de algumas questões que requerem minha atenção - explicou ele.


- Claro - concordou Hermione, apressando-se a perguntar: - É algum problema da corte, que requer sua atenção agora?


- De certo modo, sim.


Antes que Hermione pudesse pensar na melhor forma de res­ponder, Ron continuou:


- E o hall está cheio demais, para o tipo de conversa que quero ter com você.


Inexplicavelmente, o estômago de Hermione se contraiu.


- Ah, é?


- Sim.


- E que tipo de conversa você quer ter? - arriscou ela, quando chegaram ao final da escada e Ron começou a ca­minhar a seu lado.


Atravessaram a passagem escura e saíram para o lusco-fusco do pátio aberto. Ron cumprimentou os guardas que passaram por eles e conduziu Hermione ao redor da Torre Branca, em di­reção aos jardins dos fundos.


- Uma conversa particular, antes de mais nada - respon­deu, finalmente.


Ele não estendeu o braço para Hermione e ela deduziu que não houvesse motivo para formalidades, no jardim; descul­pando a falha, olhou-o de soslaio.


- Uma conversa particular adequada para o jardim? - Ron deu de ombros.


- Não é inadequada, pelo menos.


- Quer dizer que o assunto que requer sua atenção esta noite tem a ver com uma conversa particular comigo, que não é inadequada para o jardim?


Ron pareceu ficar surpreso.


- Não foi o que acabei de dizer, milady?


Hermione baixou os olhos e flexionou os joelhos numa mesura ao mesmo tempo irônica e brejeira.


- Desculpe, sir. Para que não pense que sou retardada... - justificou-se, fazendo uma referência bem humorada ao primeiro encontro dos dois - eu havia entendido que era um defensor do discurso direto, sem rodeios, e quis corres­ponder nos mesmos termos.


- Nesse caso, não preciso ter receio de não ser sutil durante nossa conversa particular nos jardins - Ele se curvou, cortês.


- Trata-se de algum assunto especial, que deseja discutir em particular e sem sutileza?


- Sim. Quero discutir o assunto que veio à baila durante o jantar, duas noites atrás, quando conversávamos com Slughorn.


Neste momento crucial, foram interrompidos por três cães de caça do castelo que se aproximaram deles a galope. Os animais se arremessaram à volta de Hermione e Ron, latindo e rosnando, e Hermione teria ficado aterrorizada se Ron não tivesse tido presença de espírito. Depois de impor sua autori­dade, foi considerado merecedor, ao que tudo indicava, de receber o galho que o líder do grupo segurava entre os dentes, como se o cão quisesse que Ron o atirasse para ele. Ron agarrou uma ponta do galho e tentou puxá-lo das mandíbulas da fera. Hermione sentiu um pavor momentâneo quando, em vez de soltar o galho, o animal engolfou-se num cabo de guerra com Ron, rosnando ameaçadoramente e sacudindo o rabo, enlouquecido. Logo, porém, ela notou que Ron estava se divertindo tanto quanto o cão, profundamente empenhado na brincadeira.


Enquanto ele se atracava com o cão sanguinário, Hermione tentou recapitular os assuntos que vieram à baila duas noites antes, du­rante o jantar, com Horace Slughorn. Não conseguia se lembrar de nada especialmente interessante, que valesse a pena discutir e não compreendia por que Ron estava tão ansioso para con­versar com ela. Ocorreu-lhe a hipótese de que ele não tivesse intenção de conversar sobre coisa alguma. Lembrou-se que Slughorn tinha o hábito de repetir elogios ao excelente acordo que Adela engendrara. Fazia duas noites que ele proclamara que Hermione e Ron combinavam com perfeição, que haviam sido feitos um para o outro, e insistira em reiterar seu desejo de que des­frutassem um relacionamento maravilhoso?


A estabilidade emocional de Hermione foi subitamente abalada por aquele pensamento. Seria possível que o intuito de Ron ao sugerir aquele momento a sós fosse tentar namorá-la, no jardim? Estaria pretendendo dar uma amostra do relaciona­mento que Slughorn profetizara?


Dando asas à imaginação, ela visualizou uma cena de ternura nos jardins, sob uma árvore frondosa rodeada por flores, ela e Ron de mãos dadas. Depois lembrou-se que ele deixara clara sua intenção de não ser sutil e imaginou uma possibilidade mais intrigante: viu-se nos braços de Ron, o rosto dele in­clinado sobre o seu...


O coração de Hermione se acelerou enquanto alimentava sua fantasia. Afinal, tinha que reconhecer que precisava ser reas­segurada quanto à intimidade que compartilhariam na noite seguinte; admitia, até, que desejava ser reassegurada naquele momento, naquela noite em que se sentia estranhamente in­clinada para ele. Não inclinada, exatamente, mas... tolerante, talvez. E curiosa.


Ron arrancou o galho da boca do cão e agitou-o no ar, afugentando o animal, que foi seguido pelos companheiros. Voltou para perto de Hermione e segurou-lhe o braço, roubando-­lhe o pouco fôlego que lhe restava.


- Para os jardins - murmurou, com voz grave.


- S... sim - gaguejou ela, confusa com as próprias reações.


Hermione tinha consciência de que alguma coisa mudara em seus sentimentos para com Ron, mas ele ainda conseguia intimidá-la. Conforme atravessavam o pátio em direção à sala de fazer pão e passaram sob os pombais, ela tentou respirar, sem muito êxito. Sabia que o único curso de ação, agora, era enfrentar a possível causa de seus temores.


- E o assunto, sir... - conseguiu balbuciar, com voz es­trangulada -... que queria discutir? O que veio à baila durante o jantar, duas noites atrás, com sir Horace?


Ron assentiu, com um movimento da cabeça.


- É com relação à posição das tropas de Henry, depois da derrota em Malmesbury.


Estupefata, Hermione conseguiu encher os pulmões de ar, em­bora persistisse a sensação de bloqueio na garganta. Esforçou­-se para recapitular trechos da conversa.


- Você e sir Horace falavam sobre como as tropas do duque Henry haviam tomado a cidade, mas fracassado na ten­tativa de invadir o castelo.


- Isso mesmo - concordou Ron. - E comentamos que a causa de Henry ficou ainda mais comprometida quando o exército de Stephen se aliou a Malmesbury.


- De cuja ação você e seus homens participaram se não me engano - acrescentou Hermione. - Depois, você e sir Horace falaram dos condes que antes eram leais a Stephen e depois estabeleceram aliança com o duque Henry, ou, pelo menos, recusaram-se a combatê-lo recentemente, em Cirencester.


- Sim, os traidores Cornwall e Hereford, para ser mais exato - Ron lançou um olhar acusador para Hermione.


Ela sacudiu os ombros, perplexa.


- Que eu me lembre, quase não participei dessa conversa. Eles haviam passado pelas colmeias e pelos cestos de frutas, e estavam diante dos canteiros do jardim. Hermione parou junto ao portal de ferro. A volta dela, com a mão esquerda, Ron desaferrolhou o trinco e com a direita, do outro lado, empurrou a grade de ferro; por um instante, Hermione viu-se dentro do círculo dos braços dele.


- É justamente a sua não participação na conversa o as­sunto que quero discutir.


Hermione franziu a testa e pestanejou.


- É? - murmurou, sem compreender a intenção de Ron.


- Acha que eu devia ter uma opinião sobre a estratégia militar envolvida na operação?


- Não. Quero saber de que lado você está. Do rei Stephen, ou do usurpador, Henry de Anjou?


Hermione desviou o olhar, contrafeita. A irritação desbloqueou-­lhe instantaneamente a garganta e ela pisou no jardim, inspi­rando o ar impregnado da fragrância das ervas que temperavam os pratos servidos no castelo: mostarda, salsa, cominho, erva­-doce e coentro.


- De que lado estou, sir? - retrucou, baixinho, envere­dando por uma trilha de pedra, entre os canteiros. - Você sabe que meu finado marido era aliado a Henry.


- Mas ele está morto, e você não... - começou Ron.


- Ah, sim! Você avisou que não seria sutil!


- Estou mais interessado em sua lealdade do que na de Draco.


- Mas precisa conhecer meus antecedentes, - lembrou ela. - Meu pai era vassalo da imperatriz, que, como sabe; era neta do Conquistador, filha mais velha de Henry e mãe do duque Henry. Se existiu um usurpador do trono inglês, foi Stephen, vinte anos atrás.


- Quer dizer que se considera simpatizante do jovem Henry - concluiu Ron. - Apesar da reivindicação justa de Stephen, nos últimos vinte anos.


Hermione achava estranho ser forçada a uma declaração, pois como uma impotente mulher saxã na Inglaterra normanda, sem­pre considerara a lealdade política como pouco, mais que um recurso de sobrevivência. Todavia, se Ron queria discutir princípios políticos, que fosse feita a sua vontade.


- Uma vez que o duque Henry é o herdeiro legítimo do trono, acho difícil não me considerar simpatizante dele! E acho difícil imaginar um assunto menos apropriado que este para ser discutido na véspera de nosso casamento!


Neste momento, Ron pousou a mão no ombro de Hermione e virou-a para si. Com a outra mão segurou-lhe as pontas dos dedos e pesou-as na palma, como era seu costume fazer. O tom de sua voz, quando falou, era totalmente desprovido de emoção.


- Uma vez que estaremos, em breve, dormindo na mesma cama, eu gostaria de saber com quem estou lidando.


O choque enviou um calafrio ao longo do corpo de Hermione, seguido por um desejo sádico de torcer o pescoço de Ron.


- Talvez julgue aconselhável me revistar todas as noites, para ver se encontra algum punhal - investiu.


- É o que farei - concordou ele, com naturalidade. - ­Assim, poderei dormir tranquilo.


Hermione precisou se conter para não avançar no pescoço de Ron, tamanha a fúria que a invadira. Tinha consciência da combinação de fragrâncias que a rodeava, das feições incri­velmente másculas do homem que a segurava; tinha consciên­cia do toque das mãos dele, o qual, conforme procurava repetir para si mesma, não a estimularia em nada, justamente pela ausência de intenção de seduzir.


Uma resposta primorosa lhe veio à mente e ela abriu a boca para falar; entretanto, jamais chegaria a proferir sua sublime opinião sobre a grosseria de Ron, porque foram interrom­pidos por ninguém mais, ninguém menos que Harry Potter.


- Ah, eis aqui, Ron! - exclamou Potter, aproximan­do-se do local onde eles haviam parado abruptamente, no meio da trilha de pedra. Ele fez uma reverência. - E Hermione. Hã... talvez eu tenha vindo num momento inconveniente?


- Não - Ron largou a mão de Hermione e deu um passo para trás.


- Sir Harry - murmurou ela, à guisa de cumprimento. Potter arqueou uma sobrancelha e olhou de um para outro, percebendo a tensão no ar, mas não fez nenhum comentário.


- Eu... estava procurando por você, Ron. O rei mandou chamá-lo, e você deve se apresentar a ele imediatamente.


- É mesmo, Harry? - replicou Ron, sarcástico. ­O rei deseja falar comigo? Agora?


Ele olhou de Potter para Hermione, mas não fez menção de afastar-se. Em vez disso, cruzou os braços sobre o peito, numa rude rejeição da mensagem que lhe trouxera o amigo.


A atitude de Ron fez crescer a raiva de Hermione. Ele não queria nada com ela, mas também não queria que qualquer outro homem se aproximasse, e o que era pior, fazia questão de deixar isto bem claro, colocando-a numa posição embara­çosa. Oh, como ela preferiria passear pelos jardins com o char­moso Harry Potter!


Potter, no entanto, compreendeu as implicações da reação de Ron, pois virou-se para o amigo, com ar indulgente.


 - Devo acompanhá-lo ao hall, Ron - informou, apa­ziguador. - Hermione pode permanecer aqui se quiser, até que você esteja livre, novamente.


A expressão de Ron se suavizou e ele assentiu. Girou nos calcanhares e, sem mais uma palavra, saiu dos jardins, com Potter.


Hermione observou-o até sumir de vista, amaldiçoando-o por seus modos e pela maneira como a tratava. Disse para si mesma que precisava se acalmar, apenas para dar-se conta de que não queria ficar calma e sim descarregar a raiva que a dominava. Ron não antecipara uma cena de amor nos jardins, e sim, queria discutir lealdade política! Devia ter previsto que a in­tenção dele era insultá-la em vez de galanteá-la! Devia ter previsto que ele estaria mais interessado em sua própria se­gurança na cama, do que no prazer dela!


Sem tomar consciência do fato, Hermione percorrera uma trilha que a levara a um ponto mais distante do jardim, onde as ordenadas fileiras de pés de ervas haviam sido substituídas por arbustos floridos. Contemplando um viçoso botão de rosa, prestes a abrir, refletiu que não devia ter esperado que Ron agisse contra a sua natureza. Para ele, o jardim, o hall, o pátio de sua casa, eram a mesma coisa: um campo de combate. Sentindo o emocional reequilibrar-se outra vez, reconheceu que fora um erro demonstrar tão claramente sua contrariedade. Não que Ron tivesse sensibilidade para re­parar nisto!


Hermione estava calma, agora, o suficiente para enfrentar Ron, quando ele voltasse, isto é, se ele se dignasse a voltar. Ao ouvir o som de passos atrás de si, reprimiu um sorriso.


Hermione agradeceu duplamente por ter recuperado o bom sen­so, quando se virou e viu quem estava ali, curvando-se diante dela.


- Cormac McLaggen - declarou, numa cerimoniosa sau­dação.

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