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6. CAPÍTULO SEIS


Fic: A Noiva do Guerreiro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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-Lumus!
Oi pessoal, só pra pedir desculpas ai, esqueci de postar ontem... tenham uma boa leitura!


CAPÍTULO SEIS


 


Na tarde seguinte Hermione foi levada, numa pa­diola, por dois soldados e escoltada por várias damas de companhia, através das ruas de Londres para a casa de Ronald Weasley. O sol ainda brilhava no céu e uma boa noite de sono contribuíra para acalmar-lhe os temores com relação ao futuro. O passeio, o primeiro pelas ruas próximas a seu novo lar, também ajudou a levantar-lhe o moral. Ela viu artífices sentados em bancos, na rua, entretidos em seu trabalho, jovens estudantes voltando da escola, sacerdotes fazendo suas orações, aprendizes empenhados na prática do arco-e-flecha, mulheres sentadas diante de seus teares, armazéns e açougues abertos, expondo suas mercadorias, com carnes suculentas as­sando em espetos, ao ar livre. Quando passou pela tabuleta do Cisne, decorada com o ramo de hera, estava quase feliz com a perspectiva de viver num ambiente tão laborioso.


Com tudo isto, não estava preparada para o que encontrou ao cruzar os portões da casa de Ron. No pátio interno de­parou-se, antes de mais nada, com uma legião de homens, a maioria recostados nas pilastras, ou deitados no chão, assis­tindo, com ávido interesse, ao drama que se desenrolava no centro do pátio. O drama consistia de vários exercícios de treinamento, em cujo núcleo encontrava-se ninguém mais, nin­guém menos que seu futuro marido, um fato que lhe atraiu a atenção, a princípio. Em seguida Hermione percorreu os olhos pela casa, pestanejou, incrédula, e voltou a olhar para os ca­valeiros em treinamento, para depois inclinar outra vez a cabeça para trás, para examinar o pavimento superior da casa, seguindo para o telhado e finalmente para a galeria que circundava o pátio, em cuja sombra se encontrava. Não sabia mais para onde olhar, pois estava encontrando dificuldade em conciliar duas impressões totalmente diferentes.


Nunca vira um homem que reunisse mais habilidade e gra­ciosidade num combate do que Ronald Weasley. Nunca vira a casa de um nobre num estado mais deplorável.


No centro do pátio, sob o sol escaldante, espada e escudo em punho, Ron estava claramente no comando das ativida­des. Hermione percebeu que ele dedicava especial atenção a um dos jovens, que parecia forte e em boa forma física, mas to­talmente incapaz de acompanhar o ritmo. Ron parava, oca­sionalmente, para ensinar-lhe um movimento e repetia a série várias vezes antes de surpreender o jovem combatente com um ataque inesperado. Seu método de ensino exibia arte e perícia.


Hermione contemplou, pela terceira vez, o estado da casa que a circundava. A pintura do teto da galeria estava descascada e várias ripas estavam faltando no balaústre (N/A: Pequeno pilar empregado geralmente com outros e unido a eles por uma laje ou corrimão para formar um apoio ou uma grade.) do terraço, que parecia qualquer coisa, menos seguro. A julgar pelas manchas das pilastras, Hermione calculou que estivessem podres. As ve­nezianas do andar superior também haviam apodrecido e al­gumas já estavam despencadas, pendentes apenas por uma do­bradiça. Várias telhas estavam faltando, no telhado, e o amplo pátio, que poderia ser bonito, estava sujo e empoeirado. Era óbvio que aquela casa não via uma vassoura ou um espanador há um bocado de tempo.


Ron parecia impaciente com o jovem aprendiz, pois der­rubou-lhe a espada da mão e chamou um outro, mais velho e experiente, para treinar os exercícios. Hermione teve, então opor­tunidade de presenciar todo o alcance da habilidade de Ron e, ao mesmo tempo em que abominava a violência do exercício e do mundo que o tornara necessário, reconhecia que o de­sempenho de Ron com a espada era um espetáculo digno de ser visto.


Sua atenção foi atraída pelo som de vozes infantis, e ao olhar para o lado uma careta involuntária deformou-lhe as fei­ções, ao contemplar o estado decrépito dos barris de chuva e, mais ainda, as vestes imundas dos dois garotos que brincavam à volta deles. Teve um vislumbre de uma matéria lodosa ema­nando de um canto escuro, porém não teve tempo para inves­tigar que tipo de horror doméstico a produzira, pois Ron fora avisado de sua presença por um dos homens e solicitara uma pausa momentânea. O som de suas ordens fez com que Hermione girasse a cabeça para vê-lo estreitar os olhos contra o sol a fim de focaliza-la, na sombra da galeria. A expressão dele registrou, a princípio, reconhecimento, e depois um leve interesse. Entregou a espada e as luvas ao cavaleiro com quem digladiava, deu-lhe algumas instruções e em seguida fez um sinal para que todos continuassem.


Marchou até o poço de pedra, próximo aos barris de chuva, e jogou várias vezes água sobre a cabeça, com uma concha enorme. Pediu uma toalha a um dos pajens para enxugar o rosto e caminhou até Hermione, com os cabelos ainda úmidos.


- Eu não sabia que você viria - disse ele, à guisa de saudação.


Hermione enfrentou os olhos azuis. Não viu sentido em lembrá-lo que o informara daquela visita na noite anterior. Ignorou o insulto, consciente de que não fora proposital, e flexionou os joelhos graciosamente.


- Boa tarde, sir. Adela recomendou que eu viesse conhecer meu novo lar.


A julgar pela transformação na expressão de Ron, Hermione seria capaz de jurar que ele já havia esquecido que iam se casar. Mas recuperou-se o suficiente para murmurar:


- Sim... claro - Os olhos dele passearam ao redor de Hermione. - E para vir me visitar precisava de todo esse séquito?


- Não posso andar sozinha em Londres - justificou ela, calmamente, fazendo um esforço contínuo para não demonstrar indignação diante daquela recepção tão desprovida de calor humano. - Aceitei de bom grado a escolta que Adela me enviou.


Ron murmurou alguma coisa ininteligível, antes de finalmente lembrar-se das boas maneiras.


- Já jantou? Posso lhe oferecer uma taça de vinho? - Hermione agradeceu, com um movimento negativo da cabeça, relutante em aceitar qualquer coisa que viesse da cozinha da­quela casa. Mas refletiu que seus acompanhantes talvez não tivessem os mesmos escrúpulos e consultou-os.


Enquanto a água solicitada era retirada do poço, Hermione vi­rou-se para Ron e apressou-se a evitar, de antemão, qualquer gesto forçado de hospitalidade.


- Vejo que está ocupado, sir, e posso lhe garantir que não há necessidade de interromper seu exercício para me mostrar a casa. Basta mandar chamar sua governanta e ela me acompanhará.


Ron gostou da primeira parte do que Hermione dissera, sobre não interromper o exercício. Passara um dia excelente em com­bate e não tinha o menor desejo de parar. O esforço físico fora bastante eficaz para descarregar a tensão do dia anterior. Foi a segunda parte do que ela dissera, a respeito de uma governanta, que o deixou aturdido.


Depois de olhar à sua volta e murmurar várias vezes “governanta”, como se esperasse que aparecesse uma, por um passe de mágica, Hermione decidiu pôr um fim à confusão dele.


- Só precisa mandar uma ou duas de suas criadas para me fazer companhia - O silêncio momentâneo de Ron le­vou-a a acrescentar: - Tem mulheres empregadas em sua casa, sir?


- Sim, sim... claro que tenho - admitiu, embora não pa­recesse muito convicto. Virou-se para o pajem mais próximo. - Vá até a cozinha e veja se encontra alguma mulher. Se encontrar, mande-a aqui imediatamente.


Ron deu ao pajem mais uma instrução apressada, que Hermione não conseguiu captar. O garoto afastou-se, apressado, e Ron olhou para Hermione, impaciente para retomar o trabalho. Ela retribuiu o olhar, refletindo que ali, em seu elemento, Ron chegava a exibir certa elegância. Viu-se, então, dividida entre, duas emoções diferentes. Encheu os pulmões de ar, num es­forço para manter o controle da situação. Decidira não permitir que “as damas do castelo” a acompanhassem em sua excursão pela casa; suspeitava que as condições da moradia de Ron fossem conhecidas por todos, mas faria o possível para evitar o conhecimento de detalhes mais recentes e uma nova onda de comentários na corte. O que podia ser visto da galeria já era suficiente.


- Bem, milorde! - exclamou. - Se puder mandar trazer um banco para as damas, elas poderão esperar aqui, com os dois soldados do castelo que, tenho certeza, estão ansiosos para vê-lo em ação outra vez.


Ron acatou imediatamente a sugestão e mandou buscar o banco, após o que Hermione lhe garantiu que não precisava esperar pelas criadas. Ele assentiu e voltou ao treinamento, flexionando os músculos dos ombros conforme marchava em direção ao grupo de homens empenhados num combate atroz.


Pouco depois, Hermione viu uma mulher surgir com o pajem, do outro lado da galeria. A medida que ela se aproximava, Hermione percebeu que tinha uma aparência desleixada, apesar do rosto bonito e do corpo escultura! A expressão de seu rosto deixava transparecer que estava desconcertada.


Hermione imaginou que não lhe agradasse a ideia de que uma outra mulher testemunhasse o estado deplorável em que se encontrava a casa; deduziu, também, que ela estivesse ciente da iminência do casamento do patrão, e contrariada com a perspectiva de ter uma nova patroa... ou uma patroa, simples­mente.


As suspeitas de Hermione foram confirmadas pela conduta in­solente da jovem.


- Desejo-lhe uma boa tarde - cumprimentou ela, seca, numa versão de normando. - Meu nome é Padma.


- Boa tarde, Padma - respondeu Hermione, em inglês, le­vando a outra a arregalar os olhos, surpresa. Sem se deixar desafiar pela atitude de Padma, acrescentou, em tom autori­tário: - Você sabe quem eu sou e de onde venho. Deve saber, também, que prefiro o inglês ao normando. Por isso, acho melhor usar o inglês, para evitar mal-entendidos entre nós.


- Mas seu inglês é diferente - observou Padma.


- É porque sou do norte. Confesso que seu inglês também soa diferente para mim, mas posso compreendê-lo perfeita­mente, e é isso o que importa, não é mesmo?


Padma lançou um olhar alerta para Hermione.


- Sim, milady - murmurou, com cara de poucos amigos.


- É você quem toma conta desta casa? - indagou Hermione.


- De certo modo - respondeu a outra, com um dar de ombros displicente.


Hermione não hesitou em colocar a mulher em seu lugar.


- Então, podemos começar a visita pelos dormitórios, e depois descer.


- Vou lhe mostrar o pátio dos fundos - contradisse Padma, desrespeitosamente. - Ordens do patrão.


Então, fora esta a ordem adicional que Ron dera ao pajem.


Hermione sorriu. Ron queria-a fora do caminho, não era?


- Sinto muito, mas não tenho tempo, nem estômago, hoje, para desbravar a cozinha e os estábulos. Quero começar pelos aposentos principais. Por favor, vamos subir.


Hermione não olhou para trás ao encaminhar-se, com passo decidido, para a escadaria duvidosa que levava ao pavimento superior. Sabia que Padma a seguia e usou toda a sua intuição para analisar o clima de emoções que pareciam emanar da jovem serviçal. Seria uma tarefa difícil, refletiu, conquistar a simpatia daquela mulher.


Depois de percorrer a galeria, para se desviarem da atividade que se desenrolava no pátio, chegaram à escada. Hermione sus­pendeu a saia e experimentou o primeiro degrau. Quase se surpreendeu ao ver que aguentava seu peso. Apoiou uma mão no corrimão e testou sua solidez. Estava um pouco escorre­gadio, mas dava para usar.


Com Hermione presente em sua casa, Ron não conseguia se concentrar; era como se estivesse com um cisco no olho. Pes­tanejou para livrar-se do cisco e pestanejou de novo quando olhou para o local onde Hermione estivera, até pouco antes. Não estava mais. Ele estreitou os olhos e percorreu-os por toda a extensão da galeria, abrindo-os desmesuradamente ao vê-la ao pé da escada, com Padma.


O pajem tinha de ter chamado aquela mulher? Ron pra­guejou baixinho, imaginando uma centena de maneiras como Padma poderia querer vingar-se e... pior ainda, Hermione cairia ao pisar no degrau quebrado, o terceiro degrau da escada, que ele e os demais habitantes da casa há muito haviam aprendido a pular!


Tarde demais! Ele a viu cambalear e quase cair, salva apenas pelo corrimão. Resignado, largou a espada e deixou o campo pela segunda vez. Subiu os degraus de dois em dois, que ran­giam sob seu peso. Ao passar por Padma, inclinou a cabeça e gesticulou para que ela os deixasse. Agarrou Hermione pela cintura e suspendeu-a no ar, acima do igualmente traiçoeiro penúltimo degrau.


Ao pisar no terceiro degrau Hermione comentara com Padma que a casa parecia abandonada há anos. Acabara de receber a confirmação de que isto era verdade, quando ouviu o som agourento de madeira que cede e teve a pavorosa impressão de que a escada estava desabando. Felizmente, conseguiu apoiar-se no corrimão. Antes de chegar ao topo sentiu duas mãos poderosas em sua cintura e em seguida viu-se de pé no terraço. Com o coração aos pulos, contemplou, atônita, os olhos azuis de Ron.


- Vou acompanhar você nesta parte da casa - declarou ele, ríspido. - Se eu soubesse que você queria vir aqui pri­meiro, já teria feito isto desde o início. Você pode ir - acrescentou, virando-se para Padma.


- Não há necessidade de me acompanhar - protestou Hermione, ligeiramente sem fôlego, confusa com a reação que lhe provocara o toque de Ron. - E acho importante ir com, pelo menos, uma de suas criadas. Pode ficar, Padma - falou, em normando.


Padma consultou o patrão em silêncio, com seus olhos gran­des e lânguidos. Ron gesticulou na direção da última porta do corredor.


- Suponho que queira conhecer seus aposentos, antes de mais nada, milady - Ele virou-se para Padma. - Vá na frente e veja se está tudo em ordem.


Padma obedeceu.


Persistia em Hermione a impressão de que Ron estava ten­tando livrar-se dela. Mas estava determinada a não ceder; deu um passo na direção oposta à que ele indicara.


- Sim, quero conhecer os aposentos da dama. Mas antes, quero ver o solário que, se não estou enganada, fica do outro lado, acima da entrada principal.


Ron confirmou que ela tinha razão.


- Assim, Padma terá mais tempo para ver se está tudo em ordem.


Ron não respondeu. Na verdade, não estava preocupado com a ordem do quarto, mas queria Padma o mais longe pos­sível de Hermione. Conduziu Hermione ao solário e, depois de ar­mar-se mentalmente contra o efeito que ela lhe provocava, começou a suspeitar que ela estivesse deliberadamente tentando irritá-lo, abrindo todas as portas e espiando para dentro, desta forma retardando a caminhada ao longo do terraço.


Hermione não estava tentando irritar Ron, com sua inspeção da casa. Seu intuito, ao examinar cada aposento, era descobrir a verdadeira extensão daquela negligência, e também prepa­rar-se para o que quer que estivesse à sua espera, no fim do corredor.


Finalmente chegaram ao solário e ela abriu a porta, quase temendo ser engolfada por algum tipo de mau cheiro. Mas não estava tão ruim quanto imaginara; mais parecia um quarto fora de uso, e em melhores condições que o resto da casa.


Hermione parou na porta, mas não entrou. Devia ter sido um belo aposento, em outros tempos. Espaçoso, em harmonia com as dimensões da casa, possuía paredes revestidas de madeira e três charmosas janelas de vidro âmbar. A maior parte dos vidros estavam quebrados, alguns cobertos com pedaços de pano, outros simplesmente quebrados. Metade das venezianas também já se fora, e a outra metade estava boa para fazer uma fogueira. A lareira estava repleta de cinzas secas e, no centro do aposento, a única peça de mobília, uma mesa de cavalete, sustentava dois bancos com as pernas para o ar. O soalho de junco encontrava-se em decomposição e o cheiro era o de um ambiente fechado, não sujo. Hermione deduziu que o solário tivesse sido transformado em quarto de despejo, pois viu um colchão velho jogado em um canto, com o enchimento de palha exposto em vários pontos.


Fechou a porta e olhou para Ron. Apesar de tudo, prin­cipalmente da indignação diante do caos que a rodeava, reco­nhecia o pulso firme daquele homem, que sabia manipular uma espada como ninguém. Reconhecia também, que, embora não tivesse hábitos domésticos exemplares, pelo menos tinha bons hábitos de higiene pessoal, pois o odor que ela sentia não era o de um homem que não tomava banho há dias, mas sim o de um homem saudável e limpo, depois de um dia de trabalho.


Ele retribuiu o olhar, ainda confuso com a presença de Hermione em sua casa e com o desejo dela de abrir todas as portas. Não se conformava que uma criatura de aparência tão frágil e etérea lhe provocasse um efeito tão concreto e palpável nas entranhas.


Hermione foi a primeira a desviar o olhar.


- Não tem usado o solário, ultimamente?


- Claro que tenho usado. Meus filhos dormem aqui.


Hermione virou-se bruscamente para ele.


- Dormem? - Ela franziu a testa. - Benedict e Gilbert?


- Isso mesmo. Eles estão brincando lá embaixo, perto dos barris de chuva.


Hermione olhou para baixo e localizou os dois meninos, que teria jurado serem garotos de rua. Respirou profundamente e virou-se outra vez para Ron.


- Vamos continuar?


Percorreram a ala seguinte, em direção ao quarto da dama, onde Padma fazia um esforço moderado para disfarçar a de­sarrumação e o pó. Hermione não hesitou em entrar e Ron, imaginando que ela inspecionaria a seguir os aposentos do amo, apressou-se a entrar em seu quarto para recolher as roupas que deixara espalhadas nos últimos dois ou três dias. Enquanto formava várias pilhas e tentava decidir onde enfiá-las, ocor­reu-lhe que fazia bem mais de dois ou três dias que não cuidava do quarto. Esforçou-se para esticar a roupa de cama, sem gran­des resultados.


Hermione ainda se encontrava no aposento ao lado, contem­plando a desordem à sua volta, procurando não se desesperar. A janela que, segundo seus cálculos, dava para o pátio dos fundos estava tapada com tábuas, bem como a que dava para o terraço. As venezianas não existiam mais. Padma sacudia uma teia de aranha, a um canto, e em outro canto Hermione avistou uma porta interna, coberta por uma cortina andrajosa, que, evidentemente, ligava o aposento ao do amo. Através da porta, podia escutar os movimentos de Ron, do outro lado.


A cama ocupava uma parede inteira. Hermione não teve cora­gem de examinar o colchão. O cortinado estava num estado irrecuperável; podia ser acrescentado à fogueira das venezianas do solário. Na outra extremidade do quarto, uma cadeira com três pernas estava encostada à parede num ângulo estranho. O aposento inteiro implorava por uma vassoura, um espanador e vários baldes de água.


Uma arca entalhada ao lado da porta externa atraiu a atenção de Hermione. Ela se abaixou com cuidado, para evitar que seus joelhos tocassem o chão, e examinou o conteúdo. Encontrou os vestígios, devorados por traças, do que poderia ter sido, um dia, um cobertor, mas conforme os pegou com as mãos, eles se esfarelaram. Aprofundando a escavação, descobriu um pequeno espelho redondo, numa moldura de prata escurecida. Segurou-o à altura dos olhos, porém sua atenção não foi atraída para o próprio reflexo, que poucas vezes vira, mas para a cena que se desenrolava atrás de si.


Ao ver Hermione de costas, Padma abandonara sua simula­ção de limpeza e aproximara-se da porta de comunicação. Através do espelho, Hermione viu-a afastar a cortina que se­parava os dois aposentos e levantar a saia. Qualquer gesto que Ron tivesse feito em resposta ficou a cargo de sua imaginação, mas não o olhar meloso e o sorrisinho matreiro no rosto de Padma, ao fechar rapidamente a cortina e vi­rar-se outra vez.


“Mas claro!...”, pensou Hermione, devolvendo o espelho à arca e fechando a tampa, antes de pôr-se novamente de pé. Saiu do quarto e esperou por Ron, no terraço.


- Deseja conhecer meu quarto agora, milady? - pergun­tou ele.


Hermione baixou os olhos.


- Não seria apropriado, sir.


Ron amaldiçoou-se mentalmente por todo o trabalho que tivera de recolher as roupas e escondê-las. Quando Padma apareceu no terraço, Hermione, agora consciente da si­tuação, sentiu a força total da aversão da mulher, da cabeça aos pés. Permaneceu imperturbável, contudo, e pediu-lhe que trouxesse uma vassoura e começasse a limpar o quarto da dama naquele instante. Quando Padma respondeu, descaradamente, que não sabia onde estava a vassoura, Hermione informou-a que vira uma em um dos aposentos, na terceira porta à direita. Hermione repetiu a ordem e Padma virou-se para o patrão. Ron sinalizou, com um movimento da ca­beça, que ela fosse buscar a vassoura.


- Eu lhe agradeço por estar perdendo seu tempo comigo, milorde - disse Hermione, quando Padma se afastou. - Padma passará o resto do dia limpando meu quarto. E eu encontrarei uma colocação para ela em outra residência, antes de me mudar para cá.


- Em outra residência? - repetiu Ron, perplexo. - ­Por quê?


- O que faria com um cavaleiro que não estivesse à altura de seus padrões, sir?


Ron olhou à sua volta, com uma ruga na testa, reco­nhecendo que a casa ficara um tanto largada nos últimos tempos.


- Eu o dispensaria - admitiu.


- Exatamente. Padma é extremamente ineficiente, em todos os aspectos, e não quero vê-la aqui quando eu for a dona da casa. Claro que, até lá, não tenho motivo ou poder para interferir em seu modo de vida. Nos próximos quatro dias, ela pode ficar aqui e fazer para você o que sempre fez.


Hermione pediu a Ron que a acompanhasse ao portão. Poucos minutos depois, partia com os soldados e as damas, deixando Ron a refletir, intrigado, como fora que ela adivinhara o que Padma fazia para ele. Tinha certeza que Hermione adivinhara, pela entonação de sua voz e pela expressão de seu rosto. Estava pasmado, pois no momento em que Padma sugerira oferece-­lhe seu corpo, ele percebera que Hermione estava de costas, de­bruçada sobre a arca de Lavender. Seria possível que as mulheres deduzissem naturalmente aquele tipo de coisa? Depois lem­brou-se que Lavender nunca dera qualquer indicação de saber sobre as mulheres com quem ele andava, e nunca demonstrara qualquer interesse ou curiosidade no assunto. Ou então, Ron deu-se conta, subitamente, era ele quem nunca se im­portara se Lavender sabia ou não, e não sabia se ela se im­portara, ou não.


Mas Hermione... Poderia ter sido um padrão de exigência muito elevado que a tivesse induzido a dispensar Padma. E poderia, também, ter sido coincidência, na noite anterior, terem se en­contrado nas muralhas, justamente no instante em que ele am­parara lady Parkinson, bem na frente de Adela. O modo como Pansy olhara para ele deixara-o desconcertado e ele teria ficado numa situação difícil perante Adela, se tivesse cedido à tentação daquele momento. Quando ponderara os fatos, mais tarde, chegara à conclusão de que Pansy fizera de propósito; quisera complicar-lhe a vida, não só perante Adela, como tam­bém perante Hermione.


Ron balançou a cabeça e decidiu que não valia a pena perder tempo refletindo sobre aquilo tudo. Nenhuma delas valia a pena, nem Pansy, nem Padma, nem Hermione. Mulheres! As vezes era mais sensato ficar longe delas. Estava em sua casa, no comando de seus homens, e sabia o que tinha de fazer para liberar a energia que ameaçava fazê-lo explodir.


Voltou para o pátio onde os homens, com a ausência do líder, haviam relaxado nos exercícios. De qualquer forma, ha­viam ficado, também, bastante interessados na movimentação que ocorrera pouco antes, no terraço. Ron pegou sua espada e rasgou o ar diversas vezes; flexionou os ombros e sorriu para os homens imundos e suados que o rodeavam.


- Algum voluntário?


Os mais jovens cometeram a asneira de tentar testar sua habilidade contra Ron e tiveram a sorte de chegar ao fim do confronto ainda de pé, embora seu auto respeito tivesse ido parar na areia, no chão do pátio de combate.

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-Nox!    
  

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