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1. Capítulo 1


Fic: Silêncio da Paixão - HHr/RL


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Aquela definitivamente não pode ser ela - Rony franziu o cenho. - Não esperava que fosse bonita, tendo Richard como irmão, mas tampouco imaginei que lembrasse mais um homem do que uma mulher. Tem certeza de que não há como sair dessa enrascada?

- Tenho - replicou Harry, as mãos unidas atrás das costas enquanto contemplava a moça alta, morena, no outro lado do Almack's. – Richard rechaçou todas as minhas tentativas de saldar minhas dívidas. É evidente que tem seu próprio exército de degoladores. Meu alfaiate ficou tão deprimido quando tentei pagá-lo pessoalmente que pensei que fosse ter um ataque. Foi igual em toda parte. Parece que as pessoas respeitam muito lorde Granger.

- Vai seguir adiante, então? - questionou Rony, estudando a moça. - Com ela? Olhe só os ombros! Se comprasse briga com qualquer homem no salão, venceria fácil. As moças do campo são mesmo robustas.

Harry riu.

- Não é tão má, Rony. Talvez não seja bonita, não como a srta. Patil, mas apresentável. Desde que tenha boas maneiras, não me importo de acompanhá-la por Londres.

- Apresentável - ironizou Rony. - Sei. Se é o que aprecia numa mulher...

- Gosto de mulheres altas, e ela parece ser mais alta do que a srta. Patil. E olhe aquele sorriso. Arrebatador. E ela está jogando charme para o velho Harby. Creio que nunca o tinha visto rir antes. Pode imaginar o que ela está lhe dizendo?

- Provavelmente; "Ria, ou vai ficar de olho roxo, seu magricela" - sugeriu Rony, seco. - Céus, e lá vai Simas oferecer-lhe uma xícara de ponche! Essa moça tem mais homens cercando-a do que um cavalo tem moscas. Com o que Richard está preocupado? Ela não parece precisar de ajuda. Você devia ir àquele casarão mal-assombrado dele e dizer-lhe que a irmã está se saindo muito bem sem ajuda. - Sentiu um puxão na manga. - O que foi?

- Olhe ali. - Harry indicou o outro lado do salão. - Sentada logo atrás da irmã de Richard em pé. Está vendo?

Inclinando a cabeça para ver através do redemoinho de dançarinos, Rony viu e, superado o choque inicial, declarou:

- Ela é minha. Você já tem lady Hermione para tomar conta e a srta. Patil para entreter.

- Ela é maravilhosa - murmurou Harry, sem piscar. - Nunca vi cabelos daquela cor, tão dourados. É como se a pintura de um anjo houvesse criado vida. Quem acha que ela é?

- Não importa, velhão - desconversou Rony, esfregando as mãos à frente da elegante casaca. - Ela é toda minha. Vá cuidar de lady Hermione. Eu tomo conta do anjo. Acha que ela tem permissão para valsar? - Olhou em torno. - Onde está uma das patrocinadoras?

- Lá está lady Lilá – informou Harry, dirigindo à dama seu sorriso mais charmoso, enquanto lhe fazia uma mesura elegante. - Ah, foi o bastante! Aí vem ela.

- Até que enfim você chegou, Harry - alegrou-se lady Lilá, aproximando-se; então baixou a voz: - Estou esperando há uma eternidade. Eu garanti a Richard que sua irmã seria bem assistida mesmo antes de você chegar, mas nenhum dos cavalheiros que lhe apresentei convidou-a para dançar. Não sei o que o irmão dela espera, senão um milagre. É claro que, se você dançar com a moça, o resto o seguirá. Venha; vou apresentá-lo à cunhada dela. Você, também, Rony.

Os dois rapazes trocaram olhares enquanto seguiam lady Lilá.

- Lady Isabelle! - exclamou lady Lilá, estendendo a mão para uma mulher alta e elegante que conversava amigavelmente com outras da mesma idade. Loira e com grande olhos verdes, era de uma beleza arrebatadora, e Harry não pôde evitar admirá-la.

Lady Lilá puxou-a para a frente.

- Minha senhora, quero apresentar-lhe dois cavalheiros: Harry Potter, o conde de Godric's Hollow, e Ronald Weasley, visconde dos Weasley. Senhores, esta é lady Isabelle Lovegood, a condessa dos Granger.

Os três trocaram saudações polidas e então lady Lilá confidenciou a lady Isabelle.

- Lorde Potter manifestou o desejo de dançar com sua cunhada. Se estiver de acordo, eu os apresentarei um ao outro e darei a ela permissão para valsar.

Lady Isabelle olhou para Harry com tanta frieza que, durante o exame silencioso, ele começou a se sentir desconfortável. Por fim, manifestou-se:

- Se Hermione quiser, dou minha aprovação. Terá de pedir-lhe, é claro. - A lady Lilá acrescentou: - Sou grata, minha querida, por sua gentileza.

E lá se foi Harry atrás das duas mulheres, com Rony a reboque. Quando se aproximaram do ajuntamento de cavalheiros alvoroçados, a jovem morena em pessoa se destacou, indo ao encontro deles com um sorriso tão arrebatador que Harry ficou embasbacado. Era mesmo alta e, conforme Rony observara, robusta. Sua pele lisa e bronzeada cobria-se de sardas, seus olhos azuis brilhavam como safiras.

- Mamãe! - exclamou ela, agarrando as mãos de Lady Isabelle. - Não imagina o que aconteceu! Lorde Harby trouxe vários de seus melhores cavalos à cidade e disse que podemos cavalgar com ele quando quisermos!

- É muita gentileza dele - concordou Isabelle. - Luna, gostaria de apresentar-lhe o conde Potter e o visconde Weasley. Meus senhores, esta é minha filha, lady Luna.

- Senhorita - cumprimentou Harry, calmo, apesar da mente rodopiando.

Ao inclinar-se sobre a mão forte de Luna, seu olhar caiu sobre a moça sentada logo atrás dela. Aquela era a irmã de Richard. A belíssima lady Hermione Granger. E ele era o homem afortunado que teria o prazer de acompanhar aquele anjo por toda Londres durante os três meses seguintes.


Oh, não!, pensou Hermione, abafando um lamento. Não ele. Qualquer um, menos ele, por favor, Isabel.

Gostaria de nunca ter ido a Londres. O que a levara a imaginar que se encaixaria naquele lugar, entre pessoas que não cogitavam conhecer, muito menos relacionar-se com alguém como ela? Richard alertara-a, bem como Isabelle, mas fora teimosa. E tola, completava agora, profundamente arrependida. Como fora ingênua! Sonhar com Londres, com festas e roupas bonitas, dançando com cavalheiros elegantes como aqueles que, educados, haviam passado a última hora inventando desculpas para deixá-la sozinha.

Oh, céus! Ele lhe sorria agora. O homem mais bonito no salão, admirado por todas as mulheres presentes. Não conseguiria disfarçar a humilhação desta vez. Conseguira diante dos outros, de alguma maneira, mas quando visse no rosto daquele homem a repulsa, não seria capaz de deixar a dor de lado.

Apertando as mãos trêmulas, levantou-se quando Isabelle o trouxe para a frente. Era difícil encará-lo. Vira-o assim que chegara; aliás, todos no salão voltaram-se para admirar o rapaz alto e moreno, elegantíssimo no conjunto de cetim verde, a mesma cor de seus olhos.

- Meu senhor - dizia Isabelle, mas Hermione mal ouvia, a ponto de desmaiar, considerando que talvez fosse uma bênção se acontecesse - posso apresentar-lhe minha cunhada, lady Hermione Granger? Hermione, este é Lorde Potter.

Ele lançou um sorriso tão charmoso que Hermione contorceu os pés dentro dos sapatos. Se já não fosse muda, com certeza teria ficado. Sua mão levantou-se como que por conta própria, e sentiu os dedos dele se fecharem gentilmente sobre os seus, aproximando-os da boca, ao mesmo tempo que ele se inclinava para pousar os lábios brevemente sobre a seda de sua luva.

- Senhorita - murmurou ele, a voz tão acariciante quanto o olhar verde. - Sinto-me honrado.

Na infância, Hermione passara horas de joelhos rezando por um milagre, mas nunca, nem naqueles momentos chorosos, desejara mais que nesse momento poder falar, como todo mundo.

Ele continuava sorrindo, segurando-lhe a mão, esperando uma resposta. Hermione fez-lhe um pequeno movimento de cabeça e olhou ansiosa para Isabel, que prosseguiu:

- Lorde Potter pediu permissão para dançar com você, Hermione, e lady Lilá já concedeu a você permissão para valsar.

Hermione arregalou os olhos e os músicos, como que mancomunados com sua miséria, começaram a tocar a música seguinte: uma valsa. Harry parecia tão encantado quanto se houvesse recebido uma bênção dos céus.

- Sim, se não estiver já comprometida, ficaria grato por esta dança, minha senhora.

Não conseguiria. Jamais. Preferia ser humilhada ali mesmo a guardar pelo resto da vida a lembrança de dançar nos braços dele. Já ia negar com um movimento de cabeça e retirar a mão que Lorde Potter insistia em segurar, quando Isabelle incentivou:

- Você veio a Londres para dançar, minha querida. Portanto, dance.

Ela não ia contar-lhe!, constatou Hermione, chocada. Contara a todos os outros? Por que não a ele?

Olhou desesperada para Luna, só para ver a expressão suplicante da sobrinha, que só aceitaria dançar quando ambas fossem fazê-lo. E desejara aquela temporada em Londres tanto quanto ela. Oh, céus!

O espanto começava a tomar conta do belo rosto de Potter. Ele adivinharia a verdade em poucos segundos. Iria se sentir um idiota. Hermione lançou um último olhar suplicante para Isabel, que apenas tratou de empurrá-la discretamente para a pista de dança.

E aconteceu, de algum modo. Hermione não sabia se fora para os braços dele, ou se ele a tomara. Num segundo, estava parada em pé; no outro, deslizava pelo assoalho reluzente. Não imaginava como seus pés descobriram os passos certos, mas davam-nos. Sentia-se rígida como uma vara de madeira seca, e igualmente insegura. Lorde Potter devia tê-lo percebido, pois, após algumas voltas, comentou:

- Está cheio isto aqui, não? Já viu coisa igual lá no campo?

Hermione não conseguia encará-lo. Olhando para os próprios pés, balançou a cabeça.

- Não vou deixar que tropece, lady Hermione - tranquilizou ele, tão pertinho do ouvido que ela sentiu o calor de seu hálito.

Levantando o rosto, ela o viu sorrindo, tão inocente e inofensivo quanto uma criança. Apertando-lhe tanto a mão quanto a cintura, promoveu um rodopio, fazendo-a engolir em seco. Felizmente, ele retomou o passo normal em seguida.

- Dança muito bem - elogiou ele. Ante a mentira gentil, Hermione quase sorriu. Dançava bem em circunstâncias mais favoráveis. Mas sabia que, no momento, valsava com toda a graça de uma vaca manca. Felizmente, lorde Potter a conduzia bem, de modo a não parecer canhestra aos observadores no salão. Pela manhã, as fofocas já correriam soltas. Richard prevenira-a, mas a idéia não a abalara... até agora. Após aquele primeiro contato com a sociedade, sentia-se aliviada por não poderem acrescentar "desajeitada" a sua lista de defeitos.

- Tem-se divertido nesta sua temporada em Londres, lady Hermione? - perguntou Lorde Potter.

Ela balançou a cabeça negativamente. Um brilho de surpresa iluminou os olhos verde do rapaz, mas suas feições não externaram mais do que interesse.

- Acaba de chegar? Não me lembro de tê-la visto em outros bailes.

Hermione balançou a cabeça mais uma vez, percebendo que ele se tornava um pouco cauteloso. Mais alguns segundos e ele por fim descobriria a verdade, e sua admiração se transformaria em desgosto. Sendo um cavalheiro, não a abandonaria na pista de dança, mas ela teria de suportar seu desalento até a música terminar.

- Deve haver um meio de tornarmos sua estada em Londres mais agradável - continuou ele, meio hesitante. - Eu ficaria honrado se permitisse empenhar-me nessa tarefa, senhorita.

Hermione sentiu o coração falsear. Se ele soubesse o quanto ela desejara ouvir aquelas palavras doces da boca de um homem... Ele a fitava nos olhos, interrogativo, cada vez mais perto da verdade. Pouco a pouco, enquanto valsavam, ela viu que ele compreendia. Perplexo por alguns instantes, ele mostrou-se zangado a seguir, enquanto a visão dela se embaçava com lágrimas. Segurando-a firmemente, ele a fez rodopiar mais uma vez, parecendo furioso. As pessoas continuavam observando-os, não haviam tirado os olhos deles desde o início da valsa. Só agora ele se dava conta de quão idiota se mostrara ao tentar conversar com ela... com uma mulher que não falava. E ele se sentiria logrado por Isabelle, por lady Luna, talvez até por ela própria, para que dançasse com uma aberração.

- Não chore - ordenou ele, severo. - A valsa termina daqui a pouco. Pelo amor de Deus, não deixe que a vejam em lágrimas.

Hermione fechou os olhos com força.

- Olhe para mim - disse ele. - Olhe para mim, lady Hermione. No meu rosto. Isso mesmo. Mantenha seus olhos nos meus. Agora, sorria. - Sorriu ante seu rosto espantado, para mostrar como se fazia. – Dê-me um sorriso. Como se eu fosse o sujeito mais charmoso e espirituoso que você já conheceu. Já que vão falar, que falem de algo que valha a pena.

"Que falem de algo que valha a pena?", raciocinou Hermione, sem entender. Mesmo assim, esboçou um sorriso.

- Não assim - repreendeu ele. - Você tem de aparentar estar se divertindo. Não está se divertindo? Eu estou. Você é a moça mais bonita do salão. De toda Londres, para ser franco. E está dançando nos meus braços. Ainda que me olhe como se eu fosse um fantasma.

Hermione não se deixou enganar. Nunca vira ninguém expressar mais desgosto do que lorde Potter naquele momento.

Um novo rodopio e então ele sussurrou-lhe ao ouvido: - Que tal darmos matéria para as fofocas?

A Hermione já não interessavam os motivos dele. Se ele fingia divertir-se para escapar ao ridículo, ela também poderia fazê-lo. Decidida, ergueu o queixo e brindou-o com seu sorriso mais arrebatador.

Ele deu-lhe uma piscadela, alargando o próprio sorriso.

- Combinados, então, minha senhora.

O resto da valsa foi pura diversão. Hermione relaxou e acompanhou os movimentos ousados de lorde Potter passo a passo. Terminaram corados e sorridentes. Sob os olhares de todos no salão, ele se inclinou sobre a mão dela com um floreio galante, beijando-lhe os dedos grandiosamente.

- Obrigado, lady Hermione. É uma parceira maravilhosa. Sinto-me honrado por ter-me permitido conduzi-la em sua primeira valsa.

Hermione respondeu com uma mesura elegante.

Atencioso, Harry levou Hermione para junto de lady Isabelle e, diante de lady Lilá, radiante, de Luna, enrubescida, e de todos os demais convidados, declarou:

- Poderei convidá-la em breve, senhorita, com a esperança de ter o prazer de sua companhia num passeio?

Ele continuava furioso. Hermione podia senti-lo por sob as palavras polidas. Ele fazia o que era necessário para não parecer um idiota. Ela recusaria, libertando a ambos do fardo de mais encenações; quando ele a fitou nos olhos, porém, concordou.

Lorde Potter fez uma reverência, beijou-lhe a mão gentilmente mais uma vez e então despediu-se de lady Isabelle e de lady Luna. Sem falar com mais ninguém, encaminhou-se à saída, ignorando todos os olhares e sussurros.



Harry caminhou sem rumo por algum tempo. O ar gelado da noite, que inalava ofegante, formava um doloroso nó em seus pulmões. Tentava não pensar no que acabara de acontecer, no que quase fizera. Em vez disso, descarregava toda a raiva em Richard, planejando o que lhe faria se conseguisse pôr as mãos em seu pescoço grosso.

Estacou de repente, fitando a escuridão. Richard. Era grande a tentação de ir à casa dele e mandá-lo para o inferno. O homem que declarara amar tanto a irmã. Amar!, refletiu, desdenhoso. Aquele espírito de porco não reconheceria o amor e a ternura nem que o mordessem na...

- Boa noite, lorde Potter.

Harry voltou-se para a direção da voz. Era o homem magro, bem vestido, que encontrara em várias esquinas e ruas secundárias nos últimos dias, enquanto tentava saldar suas dívidas. A princípio, relutara em crer tratar-se de um dos capangas de Richard, mas a certa altura pareceu-lhe inegável.

- Seu patrão deve pagá-lo bem - comentou Harry, calmo - para trabalhar dia e noite.

- Pagam-me bem o bastante pelos serviços prestados. - O homem fez uma breve mesura, sempre fitando Harry nos olhos.

- Entendo. Pretende me acompanhar até a casa de minha amante e esperar até que eu termine com ela? Vai vigiar minha casa enquanto durmo? Richard não pode estar cogitando que eu vá sair do país no meio da noite.

- Teria de perguntar ao lorde Granger o que ele pensa, meu senhor - retrucou o homem. - Não costumo questionar quem me contrata.

- Claro que não. Cães obedecem aos mestres. - O homem abriu um sorrisinho.

- Cães sábios obedecem, meu senhor, uma lição que lhe recomendo até que tenha saldado suas dívidas. Fiquei curioso ao ver lady Hermione deixar o Almack's logo depois do senhor. Talvez fosse melhor contar-me o que houve, de modo que eu possa relatar a lorde Gran...

Harry empurrou o homem contra a parede do prédio mais próximo, erguendo-o pelo colarinho.

- A lorde Granger? Precisa saber o que relatar àquele demônio? - Prensou mais o homem contra os tijolos. - Diga-lhe que devia ter-me avisado de que a irmã que ele afirma amar tanto é muda. Diga-lhe, seu vira-lata nojento, que quase humilhei essa mesma irmã esta noite, porque não estava preparado para a situação que iria enfrentar. Só posso agradecer aos céus que minha mãe tenha me educado de modo a jamais constranger uma mulher em público; caso contrário, lady Hermione bem podia ter acabado dançando sozinha no Almack's. Eis o que dizer-lhe. Entendeu? - Ergueu o homem mais alguns centímetros, para enfatizar.

- Largue ele, meu senhor.

Harry olhou para o lado e viu dois homens troncudos a poucos passos.

- Ah, quer dizer que a sombra tem suas próprias sombras, não é? - rosnou Harry. - Que conveniente!

- Agora, se fizer o favor, meu senhor. Não queremos obrigá-lo.

- Ah, não? - Harry deixou o homem escorregar parede abaixo bem devagar. - Pois eu gostaria muito de vê-los tentar. - Ao cativo, declarou: - Lembre-se da mensagem que enviei ao seu patrão. Palavra por palavra, entendeu? E se eu o vir de novo se esgueirando a minha volta, irá lamentar muito. - Então, erguendo o punho, mandou o homem voando para os braços dos protetores. A seguir, ante a pequena platéia incrédula, desafiou: - E agora, vai ser um de cada vez ou todos juntos?

- Acho que vamos ter de dar a ele uma lição, Bill - opinou o troncudo mais alto, jogando no chão o capanga inconsciente de Richard. - Você segura ele enquanto eu ensino.

Sorridente, Harry começou a descalçar as luvas, detendo-se ao ouvir a voz entediada de Rony na escuridão:

- Lamento muitíssimo interromper, e sei que não me perdoará por estragar seu divertimento, Harry. - Grande e musculoso, postou-se a seu lado. - Mas, por respeito a sua cara mãe, temo ter de fazê-lo. Apreciaria muito que os cavalheiros pegassem seu amigo e fossem embora.

- Chegou em péssima hora, Rony - replicou Harry. - Eu ia me divertir tanto.

- Eu sei. - Rony viu os dois rufiões se desanimarem ao avaliar sua força. - Mas será que não consegue limitar seus passatempos a coisas mais convencionais, como jogo, bebida e mulheres? - Sério, indicou o homem caído com um olhar e repetiu: - Peguem-no e caiam fora antes que eu mude de ideia e deixe meu amigo descarregar a ira em vocês. Garanto-lhes que seu temperamento é, no mínimo, vulcânico.

Trocando olhares, os valentões agora hesitantes decidiram obedecer. Assim que eles se foram, Rony soltou um suspiro e encarou Harry.

- Andar em sua companhia já está se tornando cansativo. - Passou-lhe uma peça de roupa escura. - Você deixou sua capa no Almack's, bem como a carruagem. Acho que esta noite você bateu um recorde: em apenas uma hora, fez todas as línguas de Londres se esfarraparem, quase provocou um ataque em seu cocheiro, que não sabia se devia aguardá-lo no Almack's ou não, e se expôs a um frio glacial sem capa. Um feito e tanto, mesmo para você.

- Sim, mamãe - ironizou Harry, colocando a capa elegante sobre os ombros.

- Nunca tinha visto você tão embasbacado numa pista de dança - prosseguiu Rony, bem-humorado. - Foi a beleza daquele anjo que o deixou daquele jeito, ou algo que ela disse?

Harry se recostou exausto na parede.

- Aquele anjo não disse nada. Ela não fala. Ou isso, ou não quer falar. Ela é muda.

Era a vez de Rony ficar perplexo.

- Muda? A irmã de Richard? Tem certeza?

- Tenho. Não ficou intrigado com o fato de uma moça tão bonita não estar sendo disputada por todos os homens no salão? Lady Lilá disse que nenhum dos cavalheiros que apresentou a lady Hermione convidou-a para dançar. Não posso dizer que não teria arranjado alguma desculpa também, se tivesse sido avisado. Felizmente, parece que ela ouve bem. Entendeu tudo o que eu lhe disse, e dançou no compasso da música. A menos que ela seja totalmente incapaz de entabular conversas simples, só posso concluir que é muda.

- Mas nesse caso Richard teria comentado.

- Qualquer homem decente e civilizado teria - concordou Harry. - Mas não Richard. Não consigo imaginar por que não me contou, mas foi uma atitude desastrosa, principalmente com relação a sua amada irmã. Fiquei tão surpreso quando vislumbrei a verdade que quase a humilhei e me desgracei. - Encostando a cabeça nos tijolos, fitou o céu. - No que ela pensou todo o tempo em que fiquei tagarelando? Nem me lembro do que disse, alguma idiotice sobre Londres, acho. Deve ter sido um pesadelo para a coitada da moça. Sua expressão ao perceber que eu descobrira por que ela se mantinha tão calada... - Com um grunhido, esfregou a testa. - Só espero que tenhamos terminado a valsa felizes o bastante para que os abutres nos poupem pela manhã.

- Você se recuperou rápido - garantiu Rony. - E se aquela sua expressão quando ela lhe sorriu foi encenação, meu caro, devia subir no palco, pois está privando o mundo de seu talento.

Inquieto, Harry recordou como o sorriso de lady Hermione o fascinara. Tratava-se de uma das mulheres mais bonitas que já vira, mas, quando sorria, virava uma deusa. Só lembrar ainda o deixava deslumbrado.

- Ela ficou bem depois que saí? - quis saber. - Eu devia ter ficado, mas estava tão furioso que, ou saía e levava minha língua comigo, ou ficava e xingava Richard usando todos os palavrões conhecidos diante das línguas mais ferinas da cidade.

- Ela me pareceu um pouco constrangida - relatou Rony. - Mas nada comprometedor. Uns outros sujeitos a abordaram, Draco Malfoy foi um deles. Acho que, ao verem você sair da experiência intacto, concluíram que era seguro dançar com ela.

- Ela dançou de novo, então?

- Não. Era evidente que não se sentia segura o bastante para isso. De qualquer forma, lady Luna declarou dali a pouco que estava cansada e queria ir embora. Ela me disse que mesmo na cidade obedeciam aos horários do campo.

- Lady Luna? Você dançou com ela, Rony?

- Se é que se pode chamar aquilo de dança. - Rony riu. - Foi mais uma luta tentar conduzi-la. Céus, ela tem mais músculos do que meu irmão mais novo. E quando ela se entusiasmava, a cada cinco segundos, apertava meus dedos com tanta força que vão amanhecer machucados, com certeza. - Esfregou a mão supostamente ferida. - Elas cavalgam toda manhã, ela e lady Hermione, chova, neve ou faça sol, e têm de dormir cedo para acordar antes de o sol nascer. Lady Hermione pareceu bastante aliviada por irem embora.

- Aposto que sim. - Com um suspiro, Harry tomou o rumo do Almack's. - Uma mulher sem voz. O que Richard espera de mim? Ela será aceita na sociedade, até o ponto em que sua mudez não constranja as pessoas em torno dela, mas além disso...

- Não sei por que ela teria alguma dificuldade - replicou Rony. - Uma mulher bonita que não afoga um homem em sua tagarelice me parece a mulher ideal. Acho até que todo homem solteiro quereria desposá-la.

Harry não compartilhou o senso de humor.

- É uma vergonha que uma beleza tão impressionante seja amaldiçoada com uma deficiência dessas.

- Você está exagerando - opinou Rony. - Ela não tem voz. Isso não quer dizer que não possa se fazer entender, talvez bem o bastante para cuidar de uma casa, receber convidados e criar uma penca de filhos. Um homem não quer mais do que isso de uma esposa, quer? E para que voz quando se tem um rosto como aquele a sua frente no café da manhã?

- Você se casaria com uma mulher que não pode falar, Rony?

Lorde Weasley estacou, chocado.

- Eu?

- Foi o que pensei. Veja como são as coisas. E isso não é o pior. Sabe o que dizem dos surdos-mudos: que são retardados, ou possuídos pelo demônio.

- Eu sei. Li o estudo de sir Benjamin Hatton sobre os surdos-mudos. Ele afirma que são essencialmente amorais e amaldiçoados por Deus. Os de nascença. Mas lady Hermione não é surda, você disse.

- Não importa. Sempre será considerada mais animal do que humana. Só os que têm voz possuem alma, conforme sir Benjamin vem divulgando com tanto sucesso. Lady Hermione terá bem mais que a incapacidade de falar para combater, se quiser abrir seu caminho na sociedade.

- Então, vai dizer a Richard que o que ele quer é impossível?

- Não. Vou fazer exatamente o que ele me exigiu, A irmã dele quer se divertir em sua temporada em Londres e irá se divertir. Duvido de que ela saiba o que está pedindo, mas, durante os próximos três meses, pretendo garantir que lady Hermione Granger viva a melhor época de sua vida.



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N/a: Ae, 1º cap finalmente postado, e espero com sinceridade que vocês estejam curtindo, bom, a história apenas está começando então ainda há mto pra poderem curtir.

Sem comentários sobre o capitulo, vou deixar isso por conta de vocês, estarei aguardando um bom número de coments, não me deixem na mão XD

Agradecimentos à Jéssica, Carla Ligia, Sarinha, Tata, Diany e Fabiana por iniciarem os comentários, amedorei todos eles, isso me anima bastante. Agora, vou ficar aguardando outros de seus coments, e que continuem acompanhando até o fim. ; )

Ju_Granger_Potter: Imagino que você conheça mesmo, sendo uma das grandes adaptadoras de livros, é bem possível. Pode ter certeza, é perfeita essa história. Bom, agora você pode acompanhar em versão HH, bem melhor, ahn?

Logo eu posto o 2º capítulo

beijõess a todos!

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