I'm not lost; not lost, just undiscovered
And when we're alone we are all the same as each other
Àquela noite, deitada na penumbra de seu quarto, Hermione mal podia acreditar no que havia acontecido. Quando as duas saíram do pequeno quarto de Gina, ela podia jurar que todos seriam capazes de ler em seus rostos o que elas tinham feito, mas não havia sombra de desconfiança na voz de nenhum dos presentes.
Rony havia pegado no sono deitado em sua velha cama, em seu velho quarto alaranjado. Hermione o acordou depressa e inventou uma desculpa qualquer para que eles voltassem para casa.
-“Meu amor, você tem certeza de que está bem?”
-“Estou.” – ela respondeu, não se atrevendo a olhá-lo nos olhos, com medo de que ele pudesse ler a verdade em seu rosto.
-“Eu guardo seu casaco.” – ele disse, aproximando-se por trás para ajudá-la a despir a pesada peça. – “Mione, onde está seu brinco?”
Ela levou as mãos às orelhas, desesperada. O brinco do lado direito estava faltando.
-“Eu acho que perdi.”
Nas semanas que se seguiram, Hermione fez o possível para tirar Gina de sua cabeça, mas seus esforços foram em vão. No trabalho, seu chefe lhe passou uma dura reclamação verbal por estar distraída demais. Em casa, Rony fazia cada vez mais perguntas sobre por quê ela andava tão calada.
E Gina também não ajudava.
A ruiva enviara-lhe várias cartas, e Hermione fizera questão de destruir cada uma delas sem abrir.
Felizmente, ela conseguira convencer Rony a passar a noite da virada do ano na casa dos pais dela, onde o único Weasley presente seria ele.
Quase um mês depois, ao voltar do trabalho, encontrou o apartamento todo escuro e silencioso.
-“Rony?” – chamou, mas não obteve resposta.
Atraída por uma luz amarelada que vinha de seu quarto, Hermione adentrou o apartamento. Quando chegou à suíte, encontrou velas acesas por todo o banheiro. Havia uma espuma suave e perfumada sobre a banheira cheia, com pétalas de rosas salpicadas por cima. Uma música suave começou a tocar no quarto atrás de si, e Rony apareceu, envolvendo-a em seus braços.
-“Gostou da surpresa?” – ele perguntou, parecendo muito satisfeito consigo mesmo.
-“É maravilhoso.”
-“Eu sei que você anda muito estressada com o trabalho, então pensei que um bom banho de espuma a ajudaria a relaxar.” – ele a ajudou a tirar o casaco, delicadamente.
Rony era muito bom em fazer belos gestos românticos. Hermione tinha o palpite, em seu íntimo, que ele fazia aquilo para tentar compensar um pouco a demora em reparar nela nos tempos de Hogwarts. Independente do motivo, era sempre bom quando ele se esforçava para agradá-la.
-“Bom, vou deixar você em paz.” – disse ele, saindo do banheiro.
-“Espere!” – Hermione o deteve, puxando-o para perto de si.
O beijo que trocaram foi intenso, mas carinhoso. Rony puxou o zíper do vestido dela, enquanto ela soltava o cinto e os botões da calça dele, tentando prender sua mente no que estava fazendo. Seu cérebro, contudo, insistia em levá-la de volta ao dia de Natal. Seus lábios insistiam em lembrarem-se do beijo de Gina.
Era impressionante como beijá-la havia sido diferente de beijar Rony. Ela amava o marido, mas nunca tinha sentido com ele o que sentira ao beijar Gina. O calor que sentira por dentro, o desejo por ela a fez pensar em como seria passar a mão por seu corpo nu, sentir seu cheiro e o gosto de seus lábios mais uma vez.
Rony era um ótimo amante, quanto a isso Hermione não tinha reclamações. Logo, estavam juntos na banheira, fazendo água quente com espuma transbordar, inundando o piso do banheiro. Hermione abriu as pernas sobre ele, permitindo que seu membro rijo a penetrasse, o que a fez gemer de prazer.
Quando terminaram, ela se aninhou nos braços dele, com a cabeça repousando em seu peito.
-“Quer me contar o que está preocupando essa sua cabecinha?”
-“É só trabalho.” – ela mentiu, escondendo o rosto para que ele não visse os sinais em seus olhos.
-“Bom, se eu puder ajudar, é só dizer.”
-“Obrigada.”
Ficaram quietos por mais um tempo, abraçados. Foi só depois que a água da banheira esfriou por completo que eles se levantaram e vestiram os robes felpudos combinando que Hermione comprara para eles na Harrolds, em seu último aniversário de casamento.
Com fome, Hermione buscou o telefone para pedir uma tele-entrega de comida chinesa. Tendo crescido em uma família trouxa, ela buscara aliar o melhor dos dois mundos em sua vida com Rony, por isso os dois tinham televisão a cabo e telefone em casa.
-“A comida vai chegar dentro de meia hora.” – anunciou ela, pousando o fone no gancho.
Rony veio da sala com um envelope nas mãos.
-“Acabou de chegar uma coruja de Gina para você.”
-“Ah, obrigada.” – Hermione pegou o envelope das mãos dele. Queria destruir aquela carta, como fizera com as outras, mas não podia fazer aquilo na frente de Rony sem levantar suspeitas.
-“Não vai abrir?” – perguntou ele, sem suspeitar dos mil pensamentos que passavam pela cabeça dela.
Sem escolha, ela rompeu o lacre.
Hermione,
Não sei por que você não responde minhas cartas, mas nós precisamos conversar. Eu sei que você pensa em mim como eu penso em você, Mione. Então, por favor, me dê uma chance de pelo menos conversar contigo.
Com amor,
Gina.
Com amor. Ela tivera a coragem de assinar com amor.
-“O que houve?” – perguntou Rony.
-“Nada. Ela só quer que eu lhe dê aulas de culinária.” – Hermione dobrou a carta e a enfiou na gaveta do criado-mudo.
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