Rony, Harry, Hermione e Gina estavam mais quietos que o normal naquele café da manhã. Nenhum deles falou nada durante um bom tempo, até que uma pequena agitação chamou a atenção deles. Denis Creevey estava chegando para tomar seu café depois de vários dias em que no máximo ele tomava uma xícara de chá rápida antes de ir visitar o irmão na ala hospitalar. Gina foi a primeira a puxar conversa com ele:
_Bom dia, Denis! – ele sorriu cansado em retribuição. – Hum... Como está o Colin? – Voldemort aumentou sua atenção à conversa.
_Ele acordou! – falou parcialmente animado. – Foi por isso que eu demorei para vir para o café...
_Mas isso é ótimo, não é? – Hermione perguntou.
_Ah, claro...
_Mas? – Rony perguntou.
_Parece que... Com a pancada... Ele perdeu a memória... – falou cabisbaixo. – Não se lembra de nada!
Todos ficaram chocados com a fala do rapaz. Apenas Voldemort parecia satisfeito. Não foi fácil disfarçar o contentamento e parecer tão penalizado quanto os demais.
Não se tocou mais no assunto. Colin saiu da ala hospitalar e seus pais foram chamados. Os professores estavam tendo dificuldades para explicar para ele que era um bruxo. As únicas lembranças que ele tinha era de quando tinha menos de onze anos.
O incidente com Gina também não fora mencionado entre os amigos. A muito custo Hermione e Gina convenceram Rony a não falar nada para Harry. Draco e Pansy tiveram muita dificuldade em explicar por que tantos hematomas. Algumas teorias mais esdrúxulas diziam que Pansy flagrara Draco em uma escapadela e os dois saíram no tapa. Essa explicação foi por água abaixo quando todos concordaram que uma garota não conseguiria deixar Draco no estado em que ele apareceu no dia seguinte.
Hermione deu um jeito de cicatrizar completamente os ferimentos de Gina, para que Harry não percebesse, de modo que ninguém pôde fazer uma ligação entre ela, a mão roxa de Rony e os hematomas dos sonserinos. Voldemort não fez muita questão de sondar sobre o mau-humor de Rony. Também não perguntou por que é que Draco sempre desviava o caminho dos dois. Ainda não era a hora dele “descobrir” o ataque. Ele tinha outros planos para isso.
Os dias se passaram como sempre: muitas aulas, alguns jogos de quadribol, muitos deveres de casa e pouca atenção de Harry aos amigos. Voldemort não desistira de sua nova intenção. Passava os dias observando os passos e horários de Draco, suas atitudes e suas preferências. Sua perseguição discreta acabou revelando que Draco não ficara nem um pouco abalado com os acontecimentos do fatídico dia. Ele seguia sua vida normalmente, proporcionando, de vez em quando, cenas eróticas a Voldemort, o que só fez com que ele quisesse mais ainda tomar para si a vida do rapaz.
Quando não estava vigiando Draco, Voldemort ficava na biblioteca pesquisando meios de trocar de corpo novamente, o que não era nada fácil. Ele sabia, de sua pesquisa anterior, da primeira vez que foi aluno em Hogwarts, que essa não era uma informação que estaria disponível a qualquer um. Requereria magia negra avançada, que ele só encontraria na sessão reservada. Assim, ele perdeu algumas de suas noites de sono pesquisando sob a capa de invisibilidade, o que tornou seu humor pior ainda, mas não foi em vão. Em meio aos livros mais velhos, mais pesados e mais bem escondidos da sessão reservada, ele encontrou: “Os mais fascinantes feitiços da Idade Média: Como escapar da fogueira.”
“Feitiço da alma presa:” – ele leu no alto de uma página amarelada e cheia de desenhos de objetos de todo tipo, que jamais seriam capazes de chamar atenção de quem quer que fosse.
“É sabido que houve uma época em que a magia foi implacavelmente perseguida pelos trouxas. Apesar de ter sucesso em poucas capturas, e acabar proporcionando apenas cócegas aos poucos bruxos de verdade que acabavam na fogueira, essa época foi marcada por grande incômodo. Os bruxos que escapavam da fogueira por meio de aparatações ou coisa parecida, eram obrigados a ficar escondidos por muito tempo, o que era uma verdadeira perturbação.”
“Foi assim que um grande bruxo dessa época, Ernest Smart, descobriu um meio de mudar de corpo com outra pessoa, sem ter que se utilizar de Poção Polissuco o resto da vida. Enfeitiçando um simples objeto, ele era capaz de aprisionar a alma de sua vítima e trocar de lugar com ela, podendo assim, retomar suas atividades normais, ou ainda, assumir de vez a invejada vida de algum nobre cidadão da época. A receita para tal artimanha segue:”
“Materiais: um objeto qualquer, que chame pouca atenção; dois corpos, um que será tomado e outro para servir de sacrifício, que pode ser o seu mesmo, se for o caso; uma varinha e palavras mágicas.”
Voldemort estava radiante. Finalmente achara o que tanto vinha procurando. Estava tão cansado daquela busca, e tão aliviado por ela ter acabado, que não deu atenção às letras pequenas que se seguiam. Arrancou de qualquer jeito a página, colocou o livro no lugar, sem deixar vestígios de qualquer presença por ali, se cobriu com a capa e saiu da biblioteca em direção à sua tão desejada cama.
_”Tenho tudo de que preciso: o corpo do Potter para ser sacrificado, o corpo do Malfoy que eu vou tomar, uma varinha, lógico, e a horcruxe. Tudo que eu preciso fazer é pegá-la de volta com a ruivinha...” – sorriu malicioso. – “O que pode até ser uma tarefa prazerosa! Mas isso fica para amanhã! Agora tudo que eu preciso é de cama!”
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Ele decidiu esperar até depois do jantar. Seria mais fácil falar a sós com Gina enquanto Hermione e Rony discutiam o dever para o dia seguinte. Gina conversava no salão comunal com Denis Creevey. Seria também uma boa oportunidade de descobrir se sua estratégia havia mesmo dado certo. Ele se aproximou lentamente e Denis fez sinal para Gina.
_Oh... Vai sobrar um tempinho para mim hoje, sr Potter? – falou meio emburrada.
_Quanto tempo você quiser sra Weasley! – ele respondeu a abraçando por trás. –Denis... – ele cumprimentou.
_Oi Harry! Tudo bem? – Denis respondeu.
_Tudo... Como vai o Colin?
_Ele foi dispensado das aulas. Ainda não se lembra de nada... – falou chateado. – Até agora eu não entendo o que aconteceu. Por que ele estava tão nervoso com o Malfoy?
_Quem sabe... – Harry comentou. – Denis você se importa? – falou apontando para Gina.
_Claro que não! – sorriu. – Vou terminar meu dever de casa. Boa noite.
_Boa noite! – o casal respondeu.
Gina se virou para ficar de frente para ele e abraçou-o pelo pescoço. – Mais calminho, sr Potter.
_Posso ficar mais ainda... – ele sussurrou ao ouvido dela. Ela sorriu arrepiada. – Por que não vamos dar uma volta, hein? Seu irmão nem vai perceber! – eles olharam para Rony e Hermione e eles estavam estranhamente próximos um do outro, fazendo o dever sem discutir.
_Com certeza não vai. – de mãos dadas eles atravessaram o buraco do retrato.
Voldemort a levou para a primeira sala vazia que encontraram. Mal fechou a porta e já estava enlaçando-a pela cintura e beijando-a calorosamente, suas mãos passeando pelas costas dela enquanto a empurrava com o próprio corpo até encostá-la na parede. Ela conseguiu alguns segundos para respirar e perguntou.
_Nossa! Estava com saudades, hein?
_Claro que estava! – ele falou entre um beijo e outro em seu pescoço.
_Então por que ficou tanto tempo isolado? – ela intimou.
_Ah... Não foi nada... – ele se afastou. – Me desculpe, ok? Não vai acontecer mais.
_Você anda misterioso demais, Harry!
_Você vai querer discutir agora?!
_Não quero discutir! Só quero explicações! – ela o afastou.
_Ok, ok! Você tinha razão, satisfeita? – ele se afastou dela teatralmente.
_Razão em quê? – ela o seguiu preocupada.
_Eu estava em dúvida se Voldemort havia voltado, então resolvi me afastar um pouco de vocês para poder averiguar. Eu passei esses dias todos na biblioteca pesquisando casos de desaparecimentos como o dele!
_E?!
_E... – ele voltou a se aproximar dela. – Nenhum outro bruxo conseguiu voltar, ok? Portanto não há perigo. O que aconteceu com o Colin foi uma coincidência. Na certa o Malfoy fez alguma coisa para ele e ele quis descontar!
_Pode ser... – falou desconfiada.
_Podemos continuar agora? – ele perguntou agarrando-a antes de ouvir a resposta dela.
_Hum... – ela revirou os olhos, mas aceitou o abraço dele. Inclusive se deixou pressionar contra a parede novamente.
Voldemort acariciava sua cintura enquanto a beijava. Tentava a todo custo tocar a pele dela por baixo da camisa do uniforme. Desceu seus beijos da boca para o pescoço, dando pequenos chupões e passando a língua de vez em quando, fazendo-a gemer baixinho. Suas mãos finalmente romperam a barreira da camisa, forçando alguns botões de baixo para cima.
Ele trocou de lado no pescoço dela, focando sua atenção à base, onde encontrou o que queria. Ela estava usando a correntinha que ele lhe dera. Era hora de distraí-la de uma vez e prosseguir com o plano.
Ele deu mais um beijo em seus lábios e começou a subir uma das mãos por baixo da blusa. Ela tentou protestar, mas ele encostou seu quadril no dela, fazendo-a sentir a pressão de seu corpo excitado. Vencendo um pouco de sua resistência ele conseguiu chegar até o sutiã, apertando um de seus seios lentamente.
Com a outra mão ele alisava o lado de seu corpo, descendo da cintura até a coxa, levantando-lhe a saia. Afastou seu corpo um pouco para o lado para passear sua mão até a calcinha dela.
_Harry... Não... – ela sussurrou relutante.
_Por que não, meu amor?
_Harry, eu não quero... – tentou.
_Mas eu não vou fazer nada... É só um carinho... – ele mexia seus dedos devagar, sem descer até onde queria fazendo-a ficar com vontade que ele continuasse. – Deixe-me te fazer um carinho. Se você não gostar eu paro... – sorriu.
Gina mordeu o lábio inferior, insegura. Voldemort não esperou sua resposta. Moveu a mão lentamente por cima da calcinha entre as pernas dela, fazendo-a estremecer um pouco. Ela fechou os olhos e ele sorriu triunfante. Sabia que ela queria aquilo, sentia a calcinha úmida sob seu toque.
Com a outra mão abriu lentamente alguns botões da camisa, sem que ela percebesse. Viu o pingente, mas ainda corria o risco dela perceber se ele o retirasse agora. Então intensificou as carícias em sua intimidade, explorando a calcinha até tirá-la do lugar. Gina abriu os olhos, hesitante. Ele a beijou e sussurrou em seu ouvido:
_Quando quiser que eu pare é só avisar... – Mas seus dedos já tocavam seu clitóris e ela não pôde resistir.
Apoiada na parede, sem perceber, afastou mais as pernas, para facilitar as carícias. Voldemort se desconcentrou com as reações e gemidos dela. Desistiu do pingente e direcionou a mão até o fecho da calça, que ele abriu expondo toda sua excitação. Gina não percebeu porque ainda estava perdida em suas sensações.
Voldemort se recompôs e voltou a se concentrar na correntinha. Deslizou seu dedo até encontrar o caminho para o prazer dela e ficou brincando nele, sem penetrá-la ainda. Queria apenas desviar sua atenção. Habilmente soltou o fecho da corrente e guardou-a no bolso. Agora poderia aproveitar o momento, mas ele não queria que a primeira coisa que a experimentasse fosse seu dedo, então voltou a acariciar seu clitóris, mais vigorosamente.
Gina se perdeu novamente em gemidos e ele segurou a mão dela, levando-a até seu membro rígido. Ela abriu os olhos quando percebeu e sentiu seu rosto esquentar. Era a primeira vez que ela via o corpo de Harry. Na verdade era a primeira vez que ela via o corpo de um garoto daquele jeito. Voldemort forçava a mão dela a acariciá-lo. Estava exultante, perdido no toque receoso dela. Gemia enquanto ela tentava se livrar das mãos dele.
_Harry... Harry pára... – ela pedia já sem clima.
_Shhhh! – ele fez. – Continua!
Mas ela já havia se endireitado novamente e não sentia mais as carícias dele, o que ele nem percebeu. A mão que antes dava prazer agora se apoiava na parede para suportar o peso do corpo entorpecido de prazer.
_Harry, pára! – Gina gritou soltando-se dele.
_O que foi?! – ele perguntou zangado.
_Você disse que ia parar se eu pedisse! – ela se afastou ofendida.
_Parar de te tocar! Você não disse nada quanto a me tocar!
_Harry!
_Vem aqui! Só mais um pouco!
_Não, Harry! Você não devia ter feito isso! Não era para ser assim! Era para ser bem diferente! – ela falou com lágrimas nos olhos, fechando de qualquer jeito a camisa. Depois correu para fora da sala deixando-o sozinho.
_Garotinha boba! – ele riu. – Caramba eu estava quase lá! – falou fechando a calça decepcionado. – Pelo menos eu consegui a horcruxe! – sorriu segurando a peça em suas mãos.
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Gina não foi tomar café na manhã seguinte. Estava com vergonha de sair do quarto. Não sabia como se comportaria na frente de Harry. Ele não pareceu muito preocupado com a ausência dela.
_Harry o que você fez com a Gina, hein? – Hermione perguntou ao sentar-se ao lado dele na mesa do café.
_Hermione isso não é da sua conta! – Rony interveio. – Eles são namorados, eles que se entendam!
_Olha quem fala! – Hermione se irritou. – Quem foi que fez escândalo outro dia por causa de um comentário bobo?!
_Quem foi que me deu o maior sermão e me disse para não me intrometer?! – ele rebateu.
_Eu não fiz nada, ok? – Voldemort respondeu na tentativa de interromper a discussão que viria a seguir. – Ela está esquisita comigo já há algum tempo.
_Você é que está esquisito com ela! – Hermione falou. – Aliás, está esquisito com todo mundo! Se fosse o Harry de antigamente eu não me meteria, mas você agora? Eu tenho certeza que você aprontou alguma!
_Hermione, por que você não vai até lá conversar com ela, então, hein? – Rony se impacientou. – Deixa o Harry em paz! Isso deve ser no mínimo um desses problemas de PTM, MTP...
_TPM, Ronald! – ela respondeu. – E eu duvido que seja isso, mas você tem razão! Eu vou perguntar direto para ela! – e saiu batendo o pé em direção ao dormitório feminino.
_Mulheres! – Rony exclamou. – E acham que a gente tem que entender tudo sobre elas!
_É... – Voldemort concordou pouco interessado.
_Eu acho que sei por que ela está assim...
_Sabe? – ele se interessou.
_Elas pediram para eu não te contar, mas... Acho que você anda bem mais calmo agora...
_O que foi?
_Malfoy trancou a Gina numa sala de aulas há alguns dias e a torturou. Foi horrível! Eu quebrei a cara dele! E teria batido mais, mas a Hermione não deixou!
_Malfoy fez o quê?! – ele fingiu indignação.
_Isso mesmo que você ouviu! – falou com raiva.
_Mas ele vai se arrepender por isso! Ah se vai!
_É isso ai, Harry! Se você quiser dar uma surra nele eu te ajudo! – falou entusiasmado. – Faz tempo que ele está merecendo isso.
_Eu sei... Mas agora não... A noite, depois do jantar... Eu te aviso! – e voltou a saborear calmamente suas torradas com geléia.
Rony o observou estranhando a calma dele, mas concordou que fosse melhor esperar até a noite. - Ô Harry?
_Hum?
_Você vai fazer o que mais tarde?
_Além de assistir aula? – falou sem paciência.
_Sim! Além de assistir aula.
_Não sei, por quê?
_É que... – ele o viu corar.
_É que o quê?! – insistiu.
_Eu queria conversar com você sobre uma coisa... – falou quase roxo.
_Que coisa? – se segurou para não rir.
_Ah, você sabe! – ele se aproximou e cochichou: - Garotas!
_Ah! – Voldemort riu internamente e teve que se segurar para manter-se sério ao dizer: - Você sabe que eu não tenho muita experiência nisso, né?
_Sei, sei... Eu também não, mas... Acho que com essa você pode me ajudar...
_Então diga! Agora eu fiquei curioso e não vou esperar até o fim das aulas!
_Ok... – Rony sentou ao lado dele e falou bem baixo, mesmo sabendo que ninguém poderia ouvi-los, já que a maioria já começava a deixar o salão em direção as salas de aula. – É sobre a Hermione... – sussurrou.
_A Hermione!
_Shhhhh! Fala baixo! – agitou os braços desesperado.
_O que tem ela? – diminuiu o tom se divertindo com o assunto.
_Você acha que ela está a fim daquele Juan?
_Que Juan?
_O cara das aulas de Transfiguração!
_Sei quem é, mas eu duvido!
_Duvida por quê?
_Porque se não ela ficaria nervosa perto dele. E ela não fica... – falou analisando as reações dele que pareceu aliviado.
_Hum... E você acha que ela está a fim de alguém? – perguntou retornando a cor de seus cabelos.
Voldemort o encarou atentamente: - Acho...
_Sério! – seus olhos brilharam, depois ele disfarçou um pouco: - De quem?
_Eu achei que fosse óbvio! - Rony o olhou interrogativo. – Com quem é que ela anda irritada? Perto de quem ela fica nervosa? Com quem ela quase não conversa civilizadamente?
_Com quem? – Rony perguntou juntando as evidências.
_Comigo!
_O quê?! – ele quase caiu da cadeira.
_É sério! Hermione anda irritada comigo, se recusa a ficar perto de mim, ta sempre me dando bronca por alguma coisa... Acho que ela está com ciúmes. Não se conforma por eu estar namorando a Gina...
_Você acha mesmo? – ele perguntou decepcionado.
_Acho... Sinto muito, cara... Eu já notei que você é a fim dela... – ele colocou uma mão em seu ombro. – Eu sou seu amigo e fico muito desconfortável com essa situação, mas não há nada que eu possa fazer...
_Eu sei... Quer dizer! – ele se recompôs rápido. – Eu não sou a fim da Hermione! – ele se levantou de onde estava. – Até parece! – e se afastou um pouco. – Eu vou buscar meu livro de Poções! A gente se vê na aula!
_Ok! – Voldemort sorria de satisfação. – Quero ver você me torrar de novo, Weasley! – sussurrou.
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_Gina? – Hermione chamou da porta.
_Sim? – ela falou com a voz fraca.
_Posso entrar? – Hermione enfiou a cabeça na fresta da porta com um sorriso confortador.
_Claro... – ela tentou sorrir.
_O que houve entre você e o Harry? – foi direto ao assunto.
_Nada...
_Como nada? Você saiu com ele ontem do salão comunal... – Gina se espantou. – Eu vi, mas disfarcei para o Rony não perceber. – ela continuou. – O que foi que ele fez?
Ela estava pronta para dizer que não havia acontecido nada, mas não conseguiu. Precisava desabafar com alguém: - Ah, Mione! – começou. – O Harry está tão estranho!
_Isso eu já tinha notado...
_É, mas ontem foi pior, sabe? Não parecia ele...
_O que ele fez? – ela se sentou para ouvir a história.
_Você se lembra que eu te contei que ele anda querendo... Você sabe? – ela ficou vermelha.
_Sim... Vocês...
_Não! – ela se prontificou. – Mas ele tentou, sabe?
_E?
_No começo foi tudo bem... Ele foi carinhoso, paciente, mas depois... Parecia outro! Não era o Harry que nós conhecemos! Eu nunca imaginei o Harry agindo daquele jeito! Ele usou minha mão para... – ela ficou mais vermelha ainda. – Bom... Depois eu pedi para ele parar e ele não quis! Eu fiquei assustada! Não era assim que eu queria me lembrar da minha primeira experiência sexual, sabe? – ela estava inconformada.
_Imagino... – Hermione falou penalizada. – Eu também estou achando o Harry muito estranho. Tudo bem que ele tenha passado por muita coisa, mas... O pior já passou, não é? Ele nunca nos tratou desse jeito tão rude, tão... Sei lá... Ele também tem agido estranho comigo... – ela ficou vermelha.
_Estranho como? – Gina perguntou.
_Hum... – ela hesitou. – Sabe? Meio... Estúpido!
_Hum... Eu notei...
_Você vai terminar com ele?
_Não sei... Eu gosto dele, sabe? Ainda tenho esperanças de que ele volte a ser como era antes...
_Tomara... Bom, só nos resta esperar, e ficar de olho nele. Eu não acho que essa mudança toda seja fruto de um trauma apenas. Acho que ele está nos escondendo alguma coisa.
_Também acho... Acho que deveríamos vigiá-lo... Saber se tem mesmo algo que ele não quer que a gente saiba.
_Concordo! – ela se animou. – Vamos vigiá-lo, mas é melhor não contar nada para o Rony... Sabe como é! Ele virou defensor do Harry...
_Ok!
Hermione deu um abraço reconfortante na amiga e a animou a trocar de roupa e ir para as aulas. Talvez ainda desse tempo dela pegar um restinho do café.
Quando chegou ao salão principal, depois de voltar da conversa com Gina, ouviu o finalzinho da conversa dos amigos. Chateada, perdeu imediatamente a fome e resolveu voltar ao salão comunal para buscar seu material escolar e ir direto para a aula.
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Voldemort passou aquela tarde vigiando os passos de Draco. Por onde ia levava consigo a horcruxe, muito bem escondida em seu bolso. Na hora do jantar, aproveitou para sentar-se num ângulo em que pudesse observar bem sua vítima. Mal tocou na comida, tamanha sua ansiedade.
_Harry?
_Hum? – ele atendeu surpreso ao chamado de Gina.
_Eu acho que eu perdi a correntinha que você me deu... Você não a viu, não?
_Não Gina... – respondeu mostrando-se ofendido. Foram as únicas palavras que os dois trocaram naquela noite.
Ao contrário do que havia dito antes, Voldemort não avisou Rony que iria atrás de Draco quando o viu sair da mesa seguindo a namorada. Ao fim do jantar, no qual Gina não falou mais com ele, e Hermione e Rony pareciam mais hostis ainda, ele se retirou dizendo que estava com dor de cabeça. Ninguém o questionou. Usando a mesma tática do outro dia em que saiu escondido, ele se pôs sob a capa de invisibilidade e saiu do salão comunal atrás de Draco.
Encontrou-o conversando com alguns amigos, tendo Pansy sempre a seu lado, mas não demorou para que ele dispensasse os demais e ficasse só com ela. Pansy caminhava até ele provocativa quando estancou de repente e caiu desmaiada no chão.
_Pansy?! – Draco a socorreu assustado. – Pansy o que houve?
_Você nem imagina, Malfoy? – Voldemort apareceu para ele.
_Potter! O que você fez?!
_Eu é que deveria perguntar! – falou com raiva. – Você achou mesmo que eu ia ficar quieto sabendo que você machucou minha namorada?
_Eu achei que eles não iam te contar! – falou começando a ficar inseguro. Tentava discretamente pegar a varinha no bolso da calça.
_Rony me contou... – falou calmamente. – E agora você vai pagar pelo que fez! – ele enfiou a mão no bolso e tirou de lá a horcruxe. Segurou-a a frente do corpo e pronunciou as primeiras palavras do feitiço.
Mas Draco já estava preparado. Sacou sua varinha e, ao mesmo tempo, gritou: - Protego!
Voldemort não se importou, achando que seria mais rápido e que o feitiço já tivesse esvaziado o corpo de Draco, mas não foi o que aconteceu. A horcruxe em sua mão começou a emanar uma luz estranha e Voldemort se distraiu com ela, sem entender o que estava acontecendo. Draco aproveitou para atacá-lo enquanto estava distraído
_Destructo! – gritou, sem dar tempo de Voldemort desviar-se do ataque.
O impacto do feitiço sobre a horcruxe e a energia que ela liberava fez os dois serem jogados para trás, desmaiados. O barulho causado pelo choque entre as duas energias foi grande e atraiu alguns curiosos.
_Mas o que houve aqui? – a Prof. McGonagal, que chegou minutos depois que a multidão de curiosos, perguntou assustada. – Oh! – exclamou ao ver os corpos de Harry, Draco e Pansy jogados no chão.
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