N/A: Gente, antes de começar o capítulo eu gostaria de lembrar que essa fic foi feita para maiores de 18 anos. Geralmente o que se espera dessas fics é sexo e dorgas... Mas agora, a partir desse capítulo, vou entrar em um assunto mais dark, em um contexto psicológico pesado. Então, por favor, cada um avalie sua consciência se é interessante ler ou não. Não sei o que cada um passa por dentro, e o assunto que eu vou tratar é sério, vocês terão uma pista sobre ele nesse capítulo, então, reflitam, ok?
Sem mais delongas, ao capítulo :*
Made a wrong turn
Once or twice
Dug my way out
Blood and fire
Bad decisions
That's alright
Welcome to my silly life
Mistreated
Misplaced, missunderstood
Miss know it, it's all good
It didn't slow me down
Mistaken
Always second guessing
Underestimated
Look I'm still around
Pink - Fuckin' Perfect
Rony tinha plena consciência de quem era. Com um monte de irmãos mais velhos, todos sempre melhores do que ele em algum aspecto, nada mais natural do que tentar buscar, dentro de si mesmo, algo em que se sobressaía. Não que essa busca o tivesse levado longe. Rony sabia que não seguia nenhum padrão de beleza normal, que não era dos mais espertos, que não era o melhor atleta e que, ainda por cima, era pobre.
Tinha plena consciência de quem era. E, mesmo que ele não pudesse ser o mais bonito, o mais inteligente, o mais atlético ou rico, nunca poderiam dizer que Rony Weasley não era o mais leal. Era sua lealdade que unia ele, Harry e Hermione. Então, quando sua amiga contou que gostava de garotas, embora ele estranhasse (muito) a princípio, logicamente, no fim, ofereceu seu apoio e compreensão.
Claro que oferecer seu apoio e compreensão ficava bem difícil quando ele não sabia como agir. Uma semana depois que Hermione chorou na aula de álgebra, nada tinha mudado radicalmente. Ele tinha ouvido que a Greengrass júnior se recusava a falar com a garota e já tinha percebido os olhares cada vez mais desesperados que a Greengrass sênior lançava para sua amiga. Poderia não ser o mais inteligente, mas também não era o mais idiota, bloody hell!
Se a Greengrass morena metida a gostosa fosse um garoto, Rony estaria considerando seriamente o soco na cara. Quem, sério, quem ela pensava que era pra brincar assim com Hermione? E se a Greengrass loira-Barbie fosse um garoto, ele já teria ido peitá-la há muito tempo. Quem ela pensava que era pra simplesmente ignorar Hermione? Ninguém ignorava sua amiga. Hermione que geralmente ignorava as pessoas. Quer dizer, quando elas mereciam. Na maioria das vezes, pelo menos.
- Mione... – Ele disse nervosamente, mudando o peso do corpo para o outro pé. – Eu tenho uma coisa pra você.
A garota virou os olhos para ele e Rony ficou feliz de ver ao menos um pouco do brilho antigo ali. Nunca mexa com a curiosidade de Hermione em vão. Nunca.
- Não me diga que você finalmente decidiu devolver meu caderno de anotações de física? Já te falei que não anoto meus deveres lá, nem adianta querer copiar... agora, se você quiser ajuda em algum exercício específico, eu ficaria feliz em...
- Mione! – Ele a interrompei com um aceno impaciente de mão. – Não é o caderno de física! Er... bem... quando você ficou meio, você sabe... chateada... cheguei a mencionar para a Ginny e ela sugeriu que... bom, consegui uma coisa e chegou hoje. Sei lá, talvez possa te animar um pouco. – O garoto tirou da mochila uma bonita caixa de chocolates e entregou para a menina. – Eles têm uma quantidade reduzida de açúcar, sem perder o sabor. – Ele acrescentou, um tantinho mais animado.
A morena olhou incrédula da caixa para o garoto.
- Você está me chamando de gorda? – Perguntou, a expressão ainda espantada.
Rony gelou.
- Quê?! Na-não! Eu só pensei que, sabe... seus pais são dentistas, eles não gostam que você coma muito doce e...
- Eu tô brincando, Rony. – Hermione soltou uma grande risada, lançando os braços em volta do pescoço do rapaz repentinamente.
Ele sentiu suas orelhas queimarem.
- Obrigada. De verdade, eu... – Os olhos da garota começaram a se encher de lágrimas.
- Ei Mione, não chora, não foi essa a intenção!
Aí sim ela começou a chorar de verdade, lançando-se em outro abraço apertado no garoto, balbuciando coisas como “não precisava”, “surpresa”, “meninos”, “emocionada” e, ele teve que se certificar de que ouviu bem essa parte, “drama lésbico”.
Quando ela se soltou de um Rony um tanto quando deslocado na situação, abriu um grande sorriso lacrimoso.
- Eu nem sei o que dizer. Foi uma das coisas mais legais que já fizeram por mim. – Então ela suspirou. – Por que eu não posso gostar de garotos? Um garoto como você?
Suas orelhas provavelmente estavam entrando em combustão.
- Ah, Mione... não fala assim, você sempre foi tão segura de si. – Ele murmurou incomodado. – Além do mais - começou com um sorriso maroto. –, você tem bom gosto, garotas são demais.
A morena riu e, em determinado momento, desfocou os olhos para algum ponto acima de seu ombro.
- Tenho que ir. – Ela disse. – Olha, obrigada de novo. Foi muito gentil da sua parte. Eu adorei. – Hermione ficou na ponta dos pés para dar um beijo em sua bochecha antes de sair apressada.
Rony virou a cabeça, sem saber o que tinha acontecido. Então ele viu. Lilá estava com os braços cruzados e uma expressão assassina no rosto. Quando a loira reparou que tinha sido vista, começou andar em sua direção.
Oops.
- Lilá! – Ele cumprimentou, tentando soar mais animado do que estava realmente. A cara da garota não mentia. Ele estava encrencado.
- O que é que estava acontecendo aqui? – Ela exigiu saber, rispidamente.
- Eu estava conversando com minha amiga. – Ele frisou a palavra.
- Desde quando você dá chocolates para uma amiga... – A loira desdenhou. – Mas não dá nada pra sua namorada?
- Lilá... não foi nada demais. Ela estava triste e eu pensei que poderia animá-la... – O ruivo tentou se explicar.
- E quando eu fico triste, Ronald? Você nem nota. – Ela bateu o pé. – E quando nota, só fica parado me olhando com essa cara estranha que você está fazendo agora!
Uh, Ronald. Definitivamente encrencado.
- Você não sabe pelo que ela tem passado, ok? – Ele não pensou em nada para se defender, então resolveu defender a amiga.
Lilá grunhiu.
- Você é impossível, impossível! – Então ela respirou fundo. – Às vezes eu fico me perguntando se você ainda gosta dela... Porque, você sabe, ela é sapatão!
Algo no tom enojado da menina, ou algo sobre revirar assuntos que não deveriam ser revirados fez com que Rony perdesse a paciência.
- Eu já te falei que ela é só uma amiga! – Ele estava praticamente gritando, até que viu duas garotas passarem pelo corredor até então vazio e olharem-no com estranheza. O ruivo abaixou o tom até que sua voz fosse apenas um sussurro enfurecido. – E sim, ela é lésbica, e daí?! Qual é a porra do problema?! Você não me venha com essa voz de nojo ao falar da Hermione, principalmente levando em conta as suas amizades.
Ele lançou um último olhar para Lilá, para uma Astoria Greengrass parecendo aborrecida e para uma Padma Patil escancaradamente curiosa antes de virar-se para dar o fora dali.
Não, ele não era burro. Nem tão lesado quanto pensavam que ele era. Se Patil achava que poderia ficar secando sua namorada para sempre sem que ele pegasse alguma pista no ar, ela estava muito enganada. Bom, tudo bem que Hermione deu uma dica, mas isso não vinha ao caso... O que importava é que agora que a Patil estava andando com a Barbie, Rony não sabia o que pensar. A verdade é que a amizade entre as duas pareceu ter se desenvolvido mais rápido que um piscar de olhos, e, durante os dias em que ele viu Hermione se afundar, ele viu também a Greengrass júnior às voltas dando risadinhas com a indiana.
Rony sentou na sala de aula antes que o sinal do fim do intervalo tocasse, olhando para as próprias mãos. Ok, então talvez, apenas talvez, ele ainda se importasse com Hermione um pouco além da amizade. Mas isso era tão aleatório quanto a maioria das coisas que a Luna dizia. Quer dizer, não significava nada. Sua amiga gostava de garotas e, mesmo que antes ele tivesse alguma chance depois do que fez, agora definitivamente não tinha mais. Entretanto, independente de nutrir ou não um sentimento pela morena, ele sempre, sempre queria ser aquele que a protegeria e estaria do seu lado caso algo acontecesse.
E Lilá, bem, Lilá poderia se irritar o quanto quisesse. Não era como se houvesse alguma comparação no tanto que ele gostava da loira em relação ao quanto ele amava Hermione. No sentido fraternal, ele forçou-se a acrescentar.
Quando as pessoas finalmente começaram a entrar na sala, Rony viu Harry e Ginny conversando na porta. Em um ímpeto, ele levantou e foi até a irmã.
- Rony, já está aqui? – Harry perguntou, verdadeiramente surpreso.
O ruivo acenou rapidamente antes de se virar para Ginny.
- Você devia ter uma conversa séria com sua amiga. Sabe, aquela.
- Qual? – Ginny perguntou levantando uma sobrancelha, um leve tom de desafio na voz. Ela sabia bem de quem ele estava falando.
- Aquela que traiu sua melhor amiga e agora fica lançando olhares para ela e seguindo-a por aí, como se tudo fosse um jogo. – Ele disparou com brusquidão.
A ruiva apertou os lábios em uma linha reta, mas não disse nada. Deu um rápido beijo na bochecha de Harry antes de sair. Seu horário era livre e ela sabia que Daphne iria matar a aula de História da Arte. “Se eu quiser brisa, eu mesmo a providencio, obrigada” - foram as palavras que saíram de sua boca quando elas se esbarraram pelos corredores mais cedo.
A garota digitou rapidamente a mensagem antes de seguir caminho para um dos jardins escondidos da propriedade. Pelo menos uma vez na vida ela ouviria o que seu irmão falara.
- Weasley? – A morena apareceu alguns minutos depois.
- Greengrass. – Ginny cumprimentou com um aceno na cabeça, indicando o espaço vazio no banco em que estava sentada.
Daphne sentou-se, a expressão intrigada. Ela levou a mão aos cabelos para jogar as grandes ondas para trás.
- O que é que tem de tão importante? Eu estava ocupada... – Ela começou, cansada de esperar a outra tomar a palavra.
- Imagino com o quê. – A ruiva respondeu com o tom ácido diferente do habitual. A menina provavelmente estava com uma qualquer, apenas para matar o tempo. Não que ela pudesse julgar muito, certamente não.
Daphne estreitou levemente os olhos.
- Que é que houve, Ginny? – Perguntou preocupada.
Ela suspirou. Aquilo seria difícil. Ninguém entendia a amizade que ela tinha com a morena. Como poderiam? Ela realmente foi uma filha da puta com Hermione, assim como era com quase todos. Mas o que poderia dizer? Daphne a entendia. Entendia melhor do que todo mundo. Melhor até mesmo que Hermione. E ela, à sua própria maneira, também entendia a morena. Sabia que em todas as suas ações havia algo a mais do que ela mostrava e por isso atrevia-se a dizer que retribuía o favor: via além das aparências. Também compreendia Daphne melhor do que qualquer outro amigo da garota.
Ginny apertou os nós dos dedos nervosamente.
- O que você quer com Hermione? – Foi direta.
Daphne ajeitou-se melhor no banco.
- Não estou entendendo seu ponto.
Ginny olhou-a com censura.
- Não me tome por idiota, Daphne.
A morena pegou uma mecha de seus cabelos e começou a enrolar entre os dedos nervosamente.
- Eu não tô fazendo nada, Ginny, é sério! Faz dias que não falo com ela.
- Como se você precisasse literalmente ter uma conversa com ela pra afetá-la! Você conseguiu ignorá-la por tantos meses e agora, quando Astoria passa a fazer isso, você resolve seguir Hermione onde quer que ela vá? Eu sei que o que você está fazendo não é só olhar para ela, Daphne! Persegui-la pelos corredores! Não importa que você efetivamente não fale com ela. Deus!
A garota mordeu os lábios, abaixando a cabeça como quem admite a culpa.
- Olha, eu sei, tá legal? Eu sei que não é fácil e que nunca foi. Eu sei que você se mordeu toda quando Hermione ficou com sua irmã, mas o que você esperava? Depois do que você fez! Você precisa deixá-la ir, caralho! Apenas... apenas a deixe ir, Daphne.
A outra ainda não havia subido a cabeça e Ginny bufou diante do silêncio. Queria sacudi-la, forçá-la a dizer alguma coisa... a dizer em voz alta que não tinha superado Hermione, mas que não iria mais machucá-la. Que não ia mais machucar ninguém com essa história, inclusive ela mesma.
A ruiva então analisou bem a situação antes de suspirar novamente. A morena estava totalmente vulnerável, era óbvio que estava. Quantas vezes Ginny a viu naquele estado? Ela podia contar. Três. Então seus olhos se voltaram para a calça de Daphne. A garota já não usava muito calças, era uma adepta declarada das roupas curtas e, quando usava, eram bem mais justas do que a que ela estava vestindo. A morena também não estava sentada com as pernas cruzadas, como sempre fazia. Com uma intuição repentina, a ruiva passou a mão pela parte interna da coxa de Daphne, apertando-a. E observou sua reação com uma expressão estarrecida.
O arrepio que passou pelo corpo da morena definitivamente não tinha nenhuma conotação sexual. Assim como o apertão que ela dera na perna da garota. Ginny observou Daphne afastar-se assustada, uma exclamação dolorida escapando por seus lábios.
- Eu pensei que você tinha parado com isso. – A ruiva falou tristemente, pegando uma das mãos da amiga.
A garota afastou-se bruscamente.
- VOCÊ NÃO SABE DE NADA, WEASLEY! – Ela gritou.
Finalmente uma reação. Ginny observou-a, impassível. Sabia que logo viria... o ataque que ela estava esperando depois de tudo que disse e fez. Tinha consciência de que fora longe, quase longe demais.
- Você não sabe, ok?! Você não sabe da missa a metade! Você fez todas as merdas que fez, mas ainda tem quem ama! Além do mais, desde quando você tem que pensar alguma coisa sobre o que eu faço ou deixo de fazer com a minha vida?! Desde quando você se importa?! Ao que parece, você não me chamou até aqui pra me comover com suas preocupações por mim, não... Você estava preocupada com a Hermione, então o que interessa pra você o que eu tô passando? Porque é que CARALHOS você tem que chegar aqui e falar que me compreende, fingir que dá alguma merda de importância pra mim?!
Daphne levantou-se, gritando cada palavra na cara da ruiva, que apenas esperava ela acabar logo com aquilo. Jogar tudo pra fora.
Então, urrando diante da falta de reação da outra, ela preparou-se para sair correndo. Mas Ginny foi mais rápida. Levantando-se e pegando-a pelo braço, a garota puxou Daphne para um abraço. As palavras não eram mais necessárias, enquanto a morena, embora tenha resistido a princípio, agora chorava copiosamente com a cabeça enterrada no pescoço da amiga.
E Daphne chorou. Chorou por todas as suas contradições, por todos os seus problemas, por todas as suas escolhas erradas e, principalmente, por todas as suas reações ao saber que tinha feito a escolha errada mais uma vez.
N/A enorme (preparem-se)
Bom, nesse capítulo nós começamos a ver um pouco mais sobre o Rony, que tava bem X na fanfic. Eu até que gosto dele quando, sabe como é, ele não é o par romântico da Hermione e nem está sendo um completo idiota com ela. Eu tenho uma trama pensada pra ele, então ele vai aparecer mais a partir de agora. E também começamos a ver sobre o darkside da Daphne, que é pesado, repito, fiquem avisados.
No próximo capítulo nós vamos entrar na cabeça da Padma Patil e entender qual é a da Luna na história, porque não, ela não é só a ajudante de tramas mirabolantes da Ginny. Hahaha. Pelo menos esse é o plano. Sem garantias sobre o que pode ou não entrar nesse meio aí. Temos uns dois caps antes do casamento da Lisa, que é peça chave na fic.
Essa fic basicamente tem abertura para qualquer trama, e pode se estender muito, ou acabar só com a resolução de alguns dos núcleos, enquanto outros podem ficar esquecidos. Aliás, foi esse o motivo que eu quis fazer UA. Line Up é voltada quase unicamente para a complexidade de pessoas e relações, e por isso eu tirei a magia da equação. Ela ficaria muito perdida, e não seria nada explorada. Sei que muitas de vocês acham isso estranho e não gostam quando tiram a magia de Harry Potter, mas espero que o foco da fic compense isso.
Por fim, queria falar que tava um pouco desanimada com essa fic. Isso, confesso, foi um dos motivos pelo qual ela ficou tanto tempo parada. Mas com a motivação de algumas meninas do grupo femme, resolvi que tava na hora de resgatá-la. Um obrigado gigante pra Mi Syroff, pra Carol e pra Beatriz Maciel (que deixou comentários em quase todas as minhas fics recentemente, valeu!). E também pra Jéssica que desenterrou a fic lá no grupo. Sério, meninas, vocês são demais. A comunidade femme é uma das melhores ever! E ah, obrigada pra Beatriz Potter também que tão gentilmente beta o monte de coisa que eu mando pra ela.
É isso, obrigada de coração e, pra não perder o costume... comentem! HAHA bjbj!