Depois de se arrumar, Harry desceu e foi para os jardins d’A Toca, onde aconteceria o casamento.
Estava tudo caprichosamente arrumado, a grama estava cortada, um tapete roxo foi estendido até o altar e cadeiras de cor lilás foram postas em fileiras dos dois lados do tapete.
No altar, havia um arranjo muito bonito de rosas, mas Harry achou estranho o aroma floral do arranjo chegar até ele, mas esse cheiro era bom e o estava acalmando.
Ele havia ficado tão irritado com a briga que teve com Hermione, que saíra sem pôr a gravata e nem se olhara no espelho para ver como estava.
Começou a se apalpar e verificar como estava, depois passou a mão no cabelo e deu um pulo ao ouvir a voz do seu lado.
- Você está bem assim, gravata te deixa muito sério. — Gina estava parada ao seu lado e fez biquinho se fazendo de séria.
Gina estava deslumbrante, com um vestido no mesmo tom lilás das cadeiras do jardim e no cabelo tinha uma tiara prata que combinava perfeitamente com os seus cabelos mais vermelhos e mais vivos do que nunca.
- Gina...? Você está... Simplesmente... — Palavras faltavam ao pouco vocabulário que Harry se lembrava de ter. — Linda...
Gina corou um pouco, mas desviou o olhar e passou a encarar o altar. Ela devia está pensando em algo para quebrar o gelo.
- Fleuma está deslumbrante, Gui é um cara de sorte. — Gina falou sem encarar Harry, que já estava tendo cãibra no queixo caído. — E ela não deixou de cuidar dele um minuto desde o ataque do Greyback.
- Fleuma também tem sorte, fazer parte da família Weasley é muita sorte e o Gui é um cara muito corajoso. — Comentou Harry se recompondo do choque e se curvando para escorar na cerca ao lado de Gina e também para olhar o altar.
- Bem, foi bom o nosso papinho, mas eu tenho que ir. Serei dama de honra, ainda tenho muito trabalho. — Gina já ia dando as costas para Harry, mas ele segurou sua mão.
Eles ficaram ali por um instante, sem ousarem se virar e olhar, Harry olhava para a mão que segurava e Gina olhava para o chão a sua frente. Poucos minutos se passaram quando a Sra. Weasley chamou Gina. Ela se voltou sem olhar Harry nos olhos.
- Preciso ir, minha mãe está me chamando. —Falou olhando para a própria mão envolvida pela do garoto.
- Eu só queria dizer que sinto e vou sentir muito a sua falta...
Gina fitou Harry por um momento, e quando resolveu manter o rumo da conversa, sua mãe a chamou mais uma vez.
- Gina, depressa, preciso de você aqui agora, o casamento começa em poucos minutos, chama a Mione e corre... — Gritava a mulher pela janela mais alta que Harry sabia que era o quarto dela e do Sr. Weasley.
- Nós ainda vamos terminar essa conversa. — A garota soltou sua mão e deu mais uma olhada em Harry que ainda olhava para a mão que continuava estendida.
Depois que Gina entrava pela porta d’A Toca Harry colocou as mãos nos bolsos e pensou: “Um dia Gi, mas ainda não está na hora”.
- Tem certeza da decisão que tá tomando? — Rony acabara de tomar o lugar que Gina ocupava minutos antes.
- Pra ser sincero não, mas é o certo... —Respondeu o garoto voltando a olhar o altar.
- Partiremos amanhã mesmo, então? — Rony estava sério e também olhava para o altar, mas sem vê-lo.
- Sim, mas se despeça de todos ainda hoje, eu pretendo sair bem cedo.
- Você vai se despedir?
- Sim, dos seus pais... — O tom de Harry foi muito sério e não permitiu que Rony questionasse.
- Trouxe sua gravata. Você não vai pôr? —Perguntou Rony estendendo ao amigo uma gravata preta.
- Não, prefiro assim.
Alguns minutos depois, todos os convidados estavam acomodados.
Harry não conhecia grande parte, Gui estava no altar, com o Sr. Weasley ao lado. Harry resolveu ficar onde estava, atrás da cerca, Rony continuava ao lado dele e Hermione chegou um pouco mais tarde.
Rony literalmente deixou o queixo despencar e não conseguiu dizer nada ao ver Hermione.
Harry também deixou o queixo cair, mas conseguiu dizer que ela estava linda e, explicou para ela que sairiam na manhã seguinte antes que todos acordassem.
Hermione ouvia só com metade da atenção, porque estava muito desconcertado com Rony que não disfarçava nem um pouquinho o quanto a estava admirando.
Depois de um tempo, Harry decidiu se sentar ao lado de Hagrid dizendo antes de sair do lado dos dois.
- Aproveitem bem à noite, não terão outra oportunidade tão cedo. — E saiu deixando os dois um pouco desconfortáveis por estarem a sós.
- Noite. — Desejou Harry ao se sentar ao lado do Grande amigo.
- Ah, boa noite Harry. — Cumprimentou o sorridente meio gigante. — Como vão as coisas?
- Bem, e como você? Como está o Grope?
- O Grope está ótimo, e eu estou levando na medida do possível... — O gigante baixou a cabeça tristemente. — Você já soube que a escola não será fechada?
- Não, mas eu não pretendo voltar esse ano... —Falou Harry com desânimo, não queria explicar a situação e nem desapontar Hagrid.
- Mas por quê, Harry?
- Tenho que resolver umas coisas antes.
- Você não está pensando em ir atrás de Snape sozinho, está? — Perguntou o Hagrid com visível preocupação.
- Talvez, à longo prazo, sim, mas por agora tenho assuntos mais urgentes pra resolver.
- Entendo, a missão que ele deixou para você. Sabe, ele também me deixou uma missão desde o dia que eu te conheci, não o dia que fui buscá-lo no primeiro ano. — Acrescentou Hagrid ao ver que Harry iria falar isso. — Desde o dia que eu te tirei de debaixo dos escombros da sua casa, ele me pediu para ser seu guardião e acima de tudo, evitar que você saia de Hogwarts antes da hora.
“Você terá que voltar Harry, eu darei um jeito para convencer você disso, ele já evitou isso tantas vezes e eu não posso deixar você sair agora que ele se foi”.
- Eu entendo Hagrid, mas tenho que resolver algumas coisas. — Harry não encarou o gigante, e o silêncio caiu sobre eles até que Harry falou: — Onde fica a minha casa?
- Godric’s Hollow.
- Não, eu quero saber onde ela fica exatamente, quero ir lá amanhã.
- Eu posso levá-lo até lá, é uma vila trouxa não muito longe daqui, talvez de um dia de viagem ou dois.
- Melhor sem o uso de magia, não quero chamar atenção. Eu pretendo sair amanhã bem cedo. —Comentou o garoto.
- Você precisará passar no Gringotes antes, para pegar dinheiro trouxa já que não quer chamar atenção. Posso encontrá-lo n’O Caldeirão furado às nove se você quiser.
- Obrigado, estarei lá nesse horário.
Nesse instante os dois se calaram, uma melodia suave começou a tocar, Gina e Gabrielle entraram, ambas vestidas de lilás e tiara prateada e segurando cestas com pétalas de várias flores, que elas iam graciosamente jogando pelo chão onde passavam.
Aquilo devia estar sendo ensaiado há dias porque os movimentos eram exatamente iguais.
Gina olhou para Harry e sorriu e ele não pode deixar de retribuir, depois foi à vez de Gabrielle sorrir para ele, logo após, e ele agradeceu pela ruiva já não estar mais olhando para ele.
Atrás das damas de honra vinha Fleur acompanhada, pelo que Harry imaginou, ser o pai.
O Sr. Delacour entregou a Fleur a Gui, Gui se ajoelhou segurando a mão de Fleure o Sr. Delacour colocou a varinha sobre as mãos dos dois e depois dele murmurar alguma coisa, três fios saíram da ponta de sua varinha e se fecharam entorno das mãos do casal.
Depois Gui ficou de pé e Fleur se ajoelhou e dessa vez quem pós a varinha sobre as mãos do casal foi o Sr. Weasley, a mesma coisa aconteceu, fios dourados envolveram as mãos do casal. Depois de Fleur, atual Fleur Weasley se levantar, ela e Gui trocaram um caloroso beijo, Gui apertou a mão do Sr. Delacour e Fleur a do Sr. Weasley e depois os dois senhores se abraçaram e pediram, cada um em sua língua, para começarem as comemorações.
- Bonita a cerimônia. — Comentou Harry com Hagrid. — Espero que essa seja a hora apropriada para sair sem ser notado.
- Não conte com isso. — Falou Hagrid sorrindo e apontando para as duas damas de honra que vinham na direção dele, aparentemente uma sem notar a outra.
- Você é grande e é meu amigo, levante e faça sombra enquanto eu sumo. — Disse Harry sorrindo.
O gigante sorriu, mas com visível desaprovação e se levantou dando tempo e espaço para Harry se esgueirar pelas últimas cadeiras e sair em direção a casa, mas se lembrou que para aquele lado ficava a pista de dança então resolveu ir para o outro lado e entrar pela porta da frente.
No caminho encontrou Fleur e Gui, e viu que seria extremamente mal educado sair sem parabenizar os noivos.
- Arry, estô ton feliz, sou uma Weasley agorra. —Dizia Fleur entre lágrimas e sorrisos.
- Fleur passou a semana inteira aprendendo a dizer o novo nome. — Comentou Gui sorrindo com uma ligeira careta de dor.
- Meus parabéns Gui, parabéns Fleum... Fleur. Espero que vocês sejam muito felizes juntos. — Harry sorriu ao ver o sorriso estampa nos rostos dos dois, mas ao perceber mais uma careta de dor em Gui sentiu uma raiva imensa crescendo dentro dele, Greyback quase acabou com a felicidade de mais um homem, de uma família, a única família de Harry. “Isso não vai passar batido” pensou ele.
- Arry? Arry... eu estava falando que graçes a você que eu conheci Gui e querria te apresentar a algumas amigues que estavom doides para conhecer você.
Depois de alguns minutos sendo assediado pelas amigas de Fleur, Harry conseguiu sair com a desculpa que estava com dor de cabeça e precisava tomar um remédio.
Harry correu para a entrada da frente d’A toca e se assustou quando uma voz saiu das sombras.
- Pensei que passaria a noite inteira aqui esperando por você, está frio aqui sabia? — Harry suspirou e voltou a guardar a varinha que ele sempre erguia quando se assustava. — Conseguiu entender o que alguma delas disse?
- Não, elas falam embolado demais e eu não estava prestando atenção. — Respondeu o garoto sentando ao lado da ruiva.
- Você pretendia realmente sair sem se despedir de mim? — Perguntou a garota. — A Mione me falou que vocês partirão amanhã pela manhã, e que você disse a ela para se despedir e disse o mesmo ao meu irmão.
“Eles pensavam que você já havia se despedido de mim, já que você falou que amanhã só irá se despedir dos meus pais”.
- Eu queria evitar essa conversa.
- Por quê eles podem ir, e eu não? — Perguntou a garota sem encará-lo.
- Eu não quero que nenhum deles vá, mas não posso impedi-los. — Respondeu Harry também sem olhá-la.
- E o que te faz pensar que pode me impedir? —Gina o olhou e ele retribuiu o olhar antes de responder.
- Eu não acho que posso impedi-la, mas você é menor e seus pais podem. E além do mais, eu pretendo despistá-los assim que der, não quero mais ninguém entre mim e Tom.
- Desde quando você o chama de Tom?
- Desde que Dumbledore me mostrou a vida dele e eu descobri que ele não gosta de ser chamado assim, já que Tom é um nome comum. — Respondeu Harry sorrindo.
- Isso é um sorriso ou só estou tendo uma visão? Desde quando Harry Potter, O Eleito sorri? — Brincou Gina. — Eu senti falta desse sorriso, quando voltarei a vê-lo?
- Espero que não demore muito tempo, mas por via das dúvidas, você tem as fotos que seu espião misterioso andou tirando no dormitório quando eu troco de roupa.
- As fotos me mostram um lado seu que eu nunca via, mas elas não têm seu cheiro. — Gina se aproximou mais de Harry e o envolveu em seus braços. — Elas vão guardar momentos para sempre, mas eu não posso abraçá-las e muito menos fazer tudo mais que eu gostaria.
“As fotos não vão matar a saudade, mas com elas eu terei uma prova que você foi real na minha vida”. — Gina havia começado a chorar, Harry já se preparava para confortá-la, mas ela logo se arrumou e continuou: — Espero não demorar muito a te ver de novo, a gente não precisa estar junto, mas eu preciso saber como você está. — Disse se levantando e indo em direção a festa. — Por favor, me mantenha informada e não morra antes da gente conversar. — Harry assentiu com a cabeça. — Boa sorte.
Gina deu as costas a Harry e saiu em direção à festa, Harry pode ver que ela secou algumas lágrimas e ajeitou o vestido, sacudiu a cabeça e a ergueu, provavelmente deve ter forçado um sorriso antes de entrar na festa.
Harry não se sentiu melhor com isso, mas sabia que isso era o certo e não o fácil, essa era a escolha que ele fez: “O Certo em vez d’O Fácil”.
Ele ficou olhando a ruiva desaparecer do seu campo de visão, quando ele já não a via mais se levantou e entrou, subiu para o quarto de Rony e voltou a verificar a mochila que já estava pronta desde o dia que saiu da casa dos tios.
“Esse foi o melhor presente que os gêmeos poderiam me dar” pensou Harry, vendo as mochilas magicamente aumentadas, uma idéia que os gêmeos tiveram no dia da final da Copa Mundial de Quadribol, ao entrarem na cabana magicamente aumentada.
Amanhã, sua jornada começaria e ele não sabia ao certo quais seriam seus passos, só tinha certeza que deveria começar pelo início. Godric’s Hollow, lá tinha que haver alguma resposta.
Após conferir a mochila e o despertador para as cinco da manhã, ele se deitou na cama e adormeceu.
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