Eu tinha que sair logo dali. Antes que me desmanchasse em lagrimas na frente de todos.
-Hermione! Me espera. –Eu sabia que Ginevra vinha atrás de mim.
-Não Gina, vá almoçar.
-Você não vai? – Ela segurou meu braço pra que eu parasse de andar.
-Não eu não vou. Preciso ... não estou me sentindo muito bem.
-Eu entendo. Eu vou almoçar com o Harry, é melhor você tirar um tempo sozinha para pensar sobre tudo um pouco. – Isso era o que eu amava nessa ruiva irritante! Ela era a melhor amiga do mundo, eu não precisava lhe explicar que tinha que ficar sozinha, ela me conhecia o bastante pra saber disso.
-Obrigada Gina. – Ela acenou com a cabeça e voltou para o salão. Eu precisava do meu lugar favorito em toda a hogwarts... A biblioteca.
Logo que entrei me senti mais calma. O cheiro dos livros, todas aquelas milhares e milhares de paginas antigas, os pergaminhos envelhecidos e desgastados... Aquilo me fazia bem. Eu sentei em uma das mesas que ficava perto da janela e pensei. Sobre Ronald e o que eu faria agora sem ele na minha vida. Pensei sobre a noite nas masmorras, ainda não acredito que isso realmente aconteceu. Quer dizer, eu me deitei com um professor! Não, pior que isso, eu me deitei com Severus Snape! Depois da guerra, de sua quase morte, eu soube toda a verdade sobre ele e Lilian Evans, claro Harry contou tudo para mim e para Rony... Ronald! Aaah eu nunca estive tão confusa em toda a minha vida! Não sabia o que pensar sobre Ronald, não sabia o que pensar sobre Snape, e não sabia o que pensar sobre mim. Como eu iria encarar outra aula de poções... Oh Merlin! Poções! Eu fiquei tempo demais na biblioteca, estava vinte minutos atrasada para a aula de poções. Ótimo!
Eu corri a plenos pulmões para as masmorras. Parei na porta, recuperei meu folego, e entrei.
-Esta atrasada Granger! – A voz dele teve um novo poder sobre mim. Acho que eu nunca mais vou ouvir essa voz sem estremecer.- Menos 20 pontos para a Grifinória.
-Eu estava na biblioteca..
-Não me interessa onde você estava ou não. – Ele nem ao menos me olhava. Apenas corrigia os pergaminhos que estavam sobre a mesa. Bom, era o mesmo Snape de sempre não era? Eu me sentei ao lado de Gina. Todos copiavam o texto no quadro negro.
-Ele não parou de olhar para a porta até você chegar. – Ela me sussurrou.
-Há algo que a srt. Weasley queira compartilhar com a classe?
-Hã? Sim, é... Eu queria saber se alguém tem uma pena pra me emprestar, a ponta da minha está ruim. – Ele arqueou a sobrancelha, um gesto tão dele. Mas que só agora me fez tremer.
A aula se passou em absoluto silêncio, eu copiei primeiro que todos obviamente. Faltavam 15 minutos para o final da aula quando eu larguei minha pena ao lado do pergaminho. Meus olhos me traíram e quando eu percebi, estava fitando o grande homem sentado atrás da escrivaninha de carvalho.
Ele ia fingir que nada aconteceu? Nós tínhamos que falar sobre isso uma hora ou outra não? Não. Ele estava certo, fingir que nada aconteceu era o mais correto a se fazer. Ele era um professor e eu uma aluna. Sim, eu sou de maior, mas isso ainda assim causaria muitos problemas. Bom foi só uma noite, eu nem queria mais nada mesmo.’’ Ele levantou os olhos e me fitou. Nossa! Aqueles olhos negros, tão sérios, tão sexy, tão...meu. Ok, eu quero mais sim. Ninguém precisa saber, esse será nosso segredo.
Ele se levantou e ditou a tarefa, longa e chata. E dispensou os alunos.
-Me espere la fora. – Sibilei para Gina quando ela fez menção de me chamar.
-Precisamos conversar. – Eu disse firme, e me aproximei da mesa.
-Ainda está aqui?- Ele nem me olhou. Pelo amor, ontem ele me olhou muito bem. Me apoiei sobre a mesa e me inclinei, nossos rostos a centímetros de distância.
-Precisamos conversar. – Repeti. Ele finalmente me olhou.
-Conversar sobre o que?
-Sobre ontem!
-O que aconteceu ontem?- Ele ia mesmo fingir que nada aconteceu?
-Você sabe muito bem Saverus Snape!
-É professor Snape! E não, eu não sei. Não aconteceu nada ontem, que mereça ser lembrado!- Ele falava com uma calma que me incomodava, como se estivesse comentando sobre o clima ou algo do tipo.
-Você vai mesmo fingir que nada aconteceu? Você não pode...
-Saia Granger! – Ele gritou. O susto me fez pular, Ok, se é pra ser assim...
-Isso não vai ficar assim, professor Snape!! – Eu sai com passos firmes e largos, batendo a porta ao passar.
Eu só consegui observa-la sair e bater a porta. Eu queria que ela ficasse, queria dizer isso á ela. Mas eu simplesmente não podia! Ela era Hermione Granger, pelo amor de Morgana. Aquilo nunca mais voltaria á acontecer.
-Maldita Granger!- Gritei pra sala vazia. Levou alguns minutos pra conseguir sair da sala e ir ao meus aposentos. Eu não queria voltar pra la. Me joguei na cama grande e fria, mas o meu quarto agora me sussurrava a noite de ontem. O cheiro dela ainda estava nos meus lençóis, impregnando o meu travesseiro. Fechei os olhos e inalei aquele cheiro doce, foi impossível não lembrar. Seu corpo nu, o gosto do seu beijo, da sua pele, a maneira de se mover, o som dos gemidos, o jeito que ela me olhou enquanto eu á penetrava, tão doce, tão sexy, tão... minha. Aaah eu estou mesmo ficando louco! –Banho! -Eu me ordenei. Arranquei minhas roupas no caminho e entrei no chuveiro frio. –Maldita Granger!- Brandi de novo e soquei a parede.
Passei o resto do dia concentrada nos meus estudos. Meus pensamentos me traiam, e de hora em hora eu me via pensando em Rony ou Snape. Não desci para o jantar, não queria conversar. Gina respeitou meu espaço. Quando o jantar acabou, as meninas vieram para o dormitório, foi bom. Eu quis ficar sozinha o dia todo, mas não percebi que o que precisava era de outras pessoas. A conversa fiada delas me distraia. Discutimos sobre o baile que estava por vir, sobre os garotos do time de quadribol. Coisas simples, mas que me acalmaram bastante.
Rony tentou falar comigo o dia todo, mas eu simplesmente lhe virava a cara e seguia o meu caminho. Sua última tentativa fora me enviar uma foto nossa, onde nos beijamos carinhosamente, com um bilhete não muito educado que me avisava que eu não tinha o direito de fazer o que quisesse só por que estávamos dando um tempo. Rá! Por favor não era um tempo. Era definitivo, era pra sempre. Não tinha volta. Ainda me sinto confusa sobre os meus sentimentos por ele, mas uma coisa eu sei. Eu e ele não somos mais um casal.
- Mas era meio estranho, ele era famoso demais...- Gina contava sobre seu breve namoro com um jogador de quadribol.
- Harry sabe dessa história?
-Sabe. Quer dizer, ele nunca conversou comigo sobre isso. Mas eu sei que ele sabe. Onde você vai Mione?
-Fazer a ronda. – Joguei a capa sobre o ombro e apanhei minha varinha. Gina me olhou de forma conspiratória, e eu sabia o que ela estava pensando. Apenas rolei os olhos e lhe dei um meio sorriso antes de sair.
O castelo estava em silêncio, apenas o som dos meus passos ecoava pelos corredores. Nenhum aluno, nenhum fantasma, nenhuma criatura, nada que respirasse me cercava. O vento assoviava lá fora, e algo brilhou pela janela. Quando me aproximei pra ver, não havia nada. Mas eu podia jurar que tinha visto, mesmo que por um breve momento, o reflexo de asas. Asas enormes e negras. Um arrepio eriçou os pelos do meu corpo. Observei o lago por um momento, esperando que as asas reaparecessem, mas isso não aconteceu.
Continuei minha ronda, e meu subconsciente me levou até a porta da cozinha. Eu estava faminta.
Quando entrei, meus olhos foram direto para o homem sentado á mesa com Dobby. Fiquei chocada. Quer dizer, Severo Snape? Jantando na cozinha? Com um elfo doméstico?? Não é uma coisa que se via todo dia.
Antes que ela falasse eu senti sua presença. Não precisei me virar pra ter certeza. Dobby se adiantou.
-Senhorita Hermione, - O pequeno elfo se levantou e foi até ela. Ela estava com a boca aberta e parecia incapaz de falar, ou protestar enquanto ele a guiava até a mesa. Ela se sentou ao seu lado, de frente pra mim. – A senhorita não vem comer com Dobby a tanto tempo. – A felicidade do elfo em ve-la era repugnante. O que ela tinha de tão importante afinal?
-Eu tenho estado ocupada, me preparando para as provas você entende Dobby?
-Sim, sim, claro. Dobby entende, a senhorita Hermione é uma excelente aluna. Dobby tem orgulho da amiga. – O elfo lhe serviu um prato de bolo e uma xicara de café preto.
Eu não tinha almoçado, ou jantado. Não ia abandonar minha refeição só pela chegada de Hermi.. Granger.
-Como foi seu dia?- Ela me perguntou parecendo despreocupada e inocente. Me pegou de surpresa.
-Ah, foi longo. E o seu?- Eu não sabia onde ela queria chegar, mais daria corda pra pequena se enforcar.
-Também.
-Hum. – Pronto. Fim de dialogo.
-Eu estava na biblioteca, pesquisando para o seu trabalho professor, e tenho que confessar que não consegui achar nada que realmente...
-Ah sim. É melhor olhar na sessão reservada.
-Claro, farei isso pela manhã.
-O trabalho é para duas semanas... – Ela deu de ombros.
-O senhor me conhece.
-Sim. Conheço.- O que ela estava querendo? Puxar conversa fiada não era bem a reação que eu previa. Ela começou a tagarelar sem parar, comigo e com Dobby, falávamos sobre tudo. Sobre a guerra, sobre os trouxas, sobre o baile, sobre poções... Quando eu percebi, estava totalmente desarmado. Servíamos café quente sempre que a xicara esvaziava.
-Eu nunca gostei de bailes. Sério.
-se bem me lembro, você parecia bem feliz dançando com Victor Krun naquele baile dos campeões.
-Aaah, não, ele era Victor... –Ela riu tímida com a lembrança. E eu ri sem achar graça. Simplesmente não gostei de vê-la ruborizar por lembrar de outro homem.- Eu não tive muita escolha, quer dizer, eu era uma adolescente. Um convite dele não era recusável não é? – Algo se remexeu dentro de mim...Ciúmes. –Minha nossa, vejam a hora. Tenho que voltar para o dormitório, se Filchi me pegar pelos corredores...
-Eu a acompanho. – Má ideia, má ideia. –Se você quiser é claro.
-Ah, muito obrigado. – Eu não sei porque não fiquei calado. E dai se Filchi a pegasse, nunca me preocupei com ninguém antes. Óh Mérlin...
Nós andamos lado á lado até a torre da Grifinória, era estranho. Á momentos atrás eu estava com muita raiva dele. Mas ver ele jantar com Dobby, ser gentil com um elfo doméstico.. Não sei. Ele era um bom homem. A noite passada foi um erro. E eu sei disso, e foi culpa minha também, mas a gente podia fingir que nada aconteceu. Ainda éramos professor e aluna, e membros da ordem também. Tínhamos lutado lado á lado na guerra, e ele fez muito para salvar Harry e o mundo bruxo. Podíamos ser adultos o suficiente para não pensar no que teria acontecido.
-Cuidado, cuidado. É um incêndio! – O som das risadas ecoou até nós. Pirraça estava vindo, e aprontando alguma com certeza. Estávamos quase na mulher gorda quando ele nos alcançou. Trazia consigo um jarro d’agua, e molhava tudo pelo caminho, alegando que estava apagando um terrível incêndio. Ele estava pronto pra atirar água em mim, mas Snape foi mais rápido. Antes que me desse conta, ele tinha girado meu corpo em seus braços e me encostado contra a parede. Ficamos imóveis. Tão perto um do outro. Foi impossível não desejar que ele me beijasse. E como se ouvisse meus pensamentos, ele me beijou. De maneira violenta e faminta. Depois foi se acalmando, acariciando meus cabelos. Cedo demais o beijo terminou, ele me olhou nos olhos, mas parecia incapaz de falar. Depois de um tempo ele me soltou.
-Boa noite Granger. – Ele disse já se afastando.
-Boa noite. – Sussurrei de volta, antes de ir para o dormitório.