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25. ...


Fic: CAPÍTULOS DE UMA NOVA VIDA -25 ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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“Hermione e Ronny,


Me perdõem por ir embora assim, mas jamais teria coragem de explicar tudo isso a vocês pessoalmente. Estou indo atrás de pessoas que possam ajudar durante o julgamente de John, mas elas normalmente não gostam de aparecer pois ir contra o ministério ainda não é algo que as pessoas gostam. Espero voltar com boas notícias. Fiquem bem.


Atenciosamente,


Katharine”


     Hermione não conseguia acreditar que justo naquele momento haviam perdido uma das poucas pessoas que sempre cuidavam para que John estivesse em segurança. Era irracional eles sabiam, mas o sumiço de Katharine sem dizer nada a eles parecia ser um abando de barco o que os desesperava ainda mais. Depois de muito conversarem chegaram a conclusão que deveriam contar para Harry sobre o que estava acontecendo. Hermione enviou um pergaminho para o amigo pedindo que fosse até o local onde estavam escondidos, mas que não contasse a ninguém que estava indo.


   Era final de tarde quando Harry estacionou o carro no endereço em que a amiga havia lhe passsado e temendo o que estava por vir subiu as escadas procurando acalmar-se. A porta da casa estava apenas encostada e pela fresta o moreno viu John correndo pela sala com Ronny em seu calcanhar. Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Harry ao ver o afilhado bem e resolveu chamar por alguém.


   - Alguém em casa? –Ronny pegou o filho no colo indo até a porta para abrí-la.


   - Harry! –falou contendo as lagrimas. – Como você está? E a minha irmã? Tem visto meus pais, Harry?


   - Calma, cara. –falou sorrindo e pegando o afilhado no colo. – Está todo mundo bem e preocupados com vocês.


   - As coisas por aqui estão difíceis. –falou largando o corpo no sofá. – O ministério marcou o julgamento de John e tudo parece estar dando errado.


   Sem pensar duas vezes Harry abraçou o amigo que não conteve as lágrimas. Depois de explicarem ao moreno tudo que estava acontecendo decidiram que ele contaria ao resto da família. Assim que os Weasley foram colocados a par de todos os acontecimentos logo trataram de arrumar provas e se prepararem para dar depoimento no ministério defendendo o pequeno John. Os dias que precederam até o julgamente foram crueis para o casal que tentava encontrar meios de provar ao ministério que John não oferecia riscos.


   Hermione segurava o choro, sabia que aquela não era uma boa hora para deixar que o desespero tomasse conta de si. Precisava pensar em como tirar seu filho dali. Durante todo o julgamento, Hermione achou que as autoridades iriam ouvir a voz da razão e retirar todas as acusações que eles próprios inventaram e colocaram em John, mas nada disso aconteceu. Tudo estava indo contra ele. Seus familiares, medi-bruxos e alguns amigos estavam lá, alegando que John não demonstrava perigo algum à eles...Tentaram de tudo, mas nada fazia eles enxergarem o que e à quem estavam fazendo. Kingsley sempre estava com aquele sorrisinho debochado nos lábios; como quem pensava que aquilo tudo que diziam fora inventado para livrar o garoto - que segundo ele e a maioria das autoridades ali presentes - era extremamente perigoso, e que John se tornaria uma enorme ameaça aos bruxos. Só que nada daquilo que eles estavam dizendo era verdade. A verdade era que Kingsley sabia que o garotinho não era perigoso, mas como o mundo bruxo ainda estava assustado - mesmo quatro anos após a queda de Voldemort -, ele não podia deixar aquilo de lado, já que tudo sobre John havia sido exposto à todos.


   Rony olhou assustado para a esposa. Nunca tinha visto Hermione daquele jeito, nem mesmo na morte do pai. A mulher estava pálida, sem cor alguma nos lábios e trêmula, dexando Rony ainda mais espantando e sentindo-se impotente. Não sabiam o que fazer, não sabiam o que iria acontecer nos próximos minutos e isso deixava-os ainda mais desesperados do que já estavam. Estavam ali - sentados fora da sala - há alguns minutos, então significava que logo teriam que voltar para a frente do Ministro e receber a notícia que seu filho seria levado, porque Hermione e Rony previam que era isso o iria acontecer. 


   De repente, Rony - atordoado por ver a esposa daquele jeito e por não saber o que iria acontecer -, levantou-se puxando Hermione consigo e saiu praticamente correndo pelo corredor gélido. Já estavam quase chegando ao elevador quando ele percebeu que andava sozinho e a mulher estava parada, um pouco atrás dele.


   - Ron...- Falou com sua voz embargada pelo choro. - O que você está fazendo ? -Ronald caminhou de volta até Hermione e a pegou pelo braço, e continuaram seu trajeto.


   - Hermione, isso não está dando certo. Daqui a pouco nós vamos entrar de volta naquela sala e continuar ouvindo a mesma baboseira de que o John é perigoso e no final...- Rony sacolejou a cabeça, como se afastasse um pensamento ruim. - Temos que tirar ele daqui. - disse, convicto.


    Hermione olhou para o ruivo. Não conseguia pensar direito, parecia que todas as coisas que sabia ou conhecia haviam saído de sua mente. Eles não tinham muitas opções, então iriam fazer de tudo para que saísse dali com o filho à salvo daqueles idiotas. A mulher não disse nada, somente apertou ainda mais a mão do marido e começaram a correr. Os corredores por onde ambos já haviam andado durante horas de trabalho agora se tornavam labirintos a serem vencidos para chegarem a sala em que John estava. Chegaram no local onde John estava em alguns minutos. Dois guardas estavam à frente de uma grande porta de madeira, e isso deixou-os ainda mais apreensivos. Rony e Hermione andaram, tentando parecer tranquilos, até a entrada da sala, mas foram barrados pelos guardas. 


   - Com licença. - Hermione pediu, nervosa, olhando com raiva para o homem que entrou na sua frente. 


   - Vocês não podem entrar. - Respondeu o guarda loiro, com o tom de voz irritado.


   Ron colocou-se na frente de Hermione, estava nervoso e precisava tirar seu filho daquele lugar o mais rápido possível.


   - É o nosso filho que está aí dentro. – Falou, os dois homens se entreolharam, e depois balançaram a cabeça.


   - Sinto muito, mas não podemos deixar ninguém entrar. Ordem do Ministro. - o homem loiro respondeu novamente.


   Hermione teve que se controlar, porque sua vontade era de petrificar aqueles dois e sair correndo com John em seus braços. Ela respirou fundo e saiu de trás do marido. 


   - O Ministro quer vê-lo. - Mentiu.


   - E ele não mandou ninguém junto com vocês ? - inquiriu o homem negro, debochado.


   Num átimo Ron empurrou a mulher um pouco para trás, e distribuiu um forte soco na face do guarda loiro e depois fez a mesma coisa na face do homem negro. Os dois caíram no chão, gemendo de dor. Rony foi para perto da porta e chutou-a, que a abriu facilmente. Hermione nunca tinha visto Rony nervoso daquele jeito, mas agradeceu-o mentalmente por ter feito aquilo com os guardas, porque sua vontade era de fazer o mesmo. 


   Os dois entraram no local juntos e olharam em volta à procura do filho. John estava no colo de uma mulher - que aparentava ser uma enfermeira, pelas vestes que ela usava -, chorando. A mulher estava espantada e a cada passo que Ron e Hermione davam, ela andava para trás. Estava rente à parede, já sem lugar para se afastar. 


   - O que vocês estão fazendo ? - A mulher perguntou gritando, tentando alcançar sua varinha - que estava sobre a escrivaninha -. 


   John que estava com o rosto repleto de lágrimas estendia os bracinhos em direção aos pais e os chamava, mas isso não fazia a mulher soltá-lo.


   - Me dê ele. - Hermione disse firme, olhando a mulher com uma raiva indescritível e a varinha apontada para ela.


   A mulher abaixou-se e o colocou no chão. John correu até os pais e Hermione o pegou no colo, abraçando-o fortemente. Pelo canto do olho Hermione viu a enfermeira indo em direção de sua varinha, mas antes da mulher conseguir pegá-la, Hermione a petrificou. Os três saíram da sala, correndo. John sorria no colo do pai, mal sabendo o que estava acontecendo ali.


   - Seus pais estão aonde, Ron? - Hermione perguntou ofegante, enquanto continuava correndo até o elevador mais próximo.


   - Eles estão muito longe, perto da área dos aurores. A gente tem que sair logo daqui. - Ron falou já entrando no elevador, com Hermione ao seu lado. 


   Logo chegaram no grande pátio que havia na entrada do Ministério. Foi espantoso para eles dar de cara com jornalistas, do Profeta Diário, que logo os cercaram e começaram a tirar inúmeras fotos e a fazerem perguntas. Era quase impossível andar. Ron empurrava algumas pessoas e com muita dificuldade eles conseguiram chegar à rede de flu do Ministério, mas grades apareceram do nada, impossibilitando a passagem deles. Hermione olhou para o ruivo desesperada, e ele a olhou da mesma forma. Rony olhou em volta e viu homens vestidos com aquela farda preta que ele já usara há algum tempo, cercando-os. Ele conseguia ver seus pais e Harry atrás da barreira que fora feira pelos aurores, tentando ultrapassá-la. 


   Hermione não pensou nas consequências. Ela pegou na mão de seu ruivo e tentou alcançar alguma parte do corpo do filho; e depois aparatou. Era a primeira vez que aparatava com John e aquela estranha sensação causada pela aparatação estava pior. Mais forte do que das outras vezes o que fez com que Ron perdesse os sentidos. O ruivo estava caído no chão. Olhou para o lado direito e não encontrou nada além de um lago. Ele se lembrava daquele lugar, mas não sabia o nome. Rony levantou-se da grama e olhou em volta, à procura de Hermione e seu filho. Escutou soluços vindo de trás de um grande arbusto, e - cambaleando - foi até lá. Ronald jamais imaginou ver aquela cena em sua vida. Hermione estava ajoelhada na grama, com os braços em volta do pequeno corpo totalmente ensanguentado do filho.  


     As lágrimas manchavam o rosto de Hermione que se contorcia em dor. Ela jamais imaginará que ter em seus braços o corpo do seu filho, seu único filho. Ron se aproximou cambaleante em meio a um choro compulsivo até ajoalher-se ao lado da esposa e abraça-lá. Era um único choro. Uma única dor. Por um instante Hermione teve a impressão de que o pequeno corpinho de John havia se movimentado. Era um sinal. Seu pequeno ainda lutava bravamente pela vida. Mas o que fariam? Como sairiam dali por um meio que não piorasse a situação de John? Ronny tentava acalmar-se para achar a melhor saída. Hermione e Ron olhavam para o filho, que dormia pesadamente na maca esverdeada do hospital, devido aos analgésicos e poções que havia tomado naquela tarde. Após aquele episódio desesperador na floresta, eles aparataram para o St. Mungus e com sorte, John ainda estava vivo. Mesmo depois de ser examinado e curado dos ferimentos de seu abdômen, John reclamava de dores fortes na cabeça, então estava claro que ele não estava bem. 


   Os dois esperaram durante cinco horas por um atendimento decente, já que nenhum dos médi-bruxos presentes concordaram em atender John. Agradeceram quando Matthew - um homem moreno e com o rosto jovial - apareceu no quarto 231, dizendo que iria cuidar do filho do jovem casal. O médi-bruxo estava sentado em umas das mesas do refeitório do hospital, com umas fotos cerebrais espalhadas pela mesma. Era um pediatra respeitado no mundo dos trouxas, exatamente pelo fato de colocar o trabalho sempre em primeiro lugar. Escolhera Oncologia Pediátrica por uma das fatalidades ocorridas em sua vida e, então, dedicava a mesma em curar as crianças trouxas e bruxas.


   Gostava delas. Eram puras, verdadeiras, sinceras... E, se não tinham essas qualidades, era por culpa dos adultos. Sorriu docemente ao avistar Hermione vindo em sua direção, o homem ruivo e grande demais a acompanhava de mãos dadas.


    — Olá, doutor. – Hermione cumprimentou, com um sorriso sôfrego no rosto.


   — Boa noite. – Respondeu o médico, se esforçando para que seu sorriso não transparecesse seu cansaço de oito horas de plantão. – Sentem-se. Eu... Posso ajudá-los? –  Matthew franziu o cenho para os dois, já que fazia apenas alguns minutos que ele havia saído do quarto em que eles estavam.


   Hermione sentou e puxou Rony para ele fazer o mesmo. Contaram o porquê de estarem ali e sobre as dores e sintomas de que John estava sofrendo. Matthew sentiu o corpo retesar quando Ronald lhe contou sobre as ânsias que eram seguidas das tonturas e dores. Ele já havia visto casos assim e sabia qual seria o desfecho, caso não fossem rápidos. John era novo demais e ele não permitiria que isso fosse longe demais. Os pais dela só tinham a ele como filho e ele não permitiria que isso fosse longe demais.


   — Será que vocês se importariam se adiantássemos os exames? – perguntou o médico, baixinho.


   — Não. De forma alguma – respondeu Ronald, temeroso da preocupação na voz de Matthew. – Tem algum problema, doutor?


   Hermione sentiu o tórax ficar pequeno para o coração que batia erraticamente. Agarrou o braço de Ron o apertou forte – como se só tivesse aquilo para se apoiar. Matthew suspirou e balançou a cabeça negativamente. Os olhos verdes pareciam estar em fogo, de modo como se escondesse um segredo enorme. Um segredo que acabaria com as estruturas do casal Weasley.


   — Precisamos ser rápidos. O tempo é nosso único aliado... Ou inimigo.


   A garganta de Rony raspou com aquilo. A frase foi dita de maneira tão sombria que provocou um embrulho inexplicável no estômago dele. John repousava tranquilamente na cama alta do quarto hospitalar. Os olhinhos abertos fitavam o nada e o único barulho no local era o dos pingos que de soro que caiam ritmada e preguiçosamente. O rostinho estava pálido e a aparência frágil, vulnerável. Novamente, o coração de Hermione constringiu com a cena. O filho estava sofrendo e ela parecia estar de mãos atadas. Queria arrancar aquela dor de seu menino e transferi-la para si. Queria vê-lo feliz novamente. 


   Logo que John avistou o pai dentre os adultos presentes ali, seus olhos chegaram a lacrimejar, de tão brilhantes que ficaram. Amava o pai. Amava o jeito brincalhão e, ao mesmo tempo, sério com o que convivia.


   — Papai – o menino murmurou, estendendo os braços pequeninos na direção de Rony para se acomodar no colo dele. Ele alisou as costas do filho e assentou um beijo nos cabelos encaracolados do menino. – Você demolou – queixou-se ele.


   Ronald riu fraquinho.


   — Desculpa o papai, mas os carros não me deixavam passar. – explicou ele inocentemente. o menino concordou um “Ah”, meio sem graça. 


   Ron sentou na beirada da cama com John aninhado em seu peito. Suspirou cansado, devido ao fato der ter feito uma longa viagem até a casa dos Granger e até a casa de seus pais. Felizmente, Harry, Molly e Arthur estavam bem, ninguém sob as ordens do Ministro fizeram algum mal à eles. Mas Ron já sabia disso, porque o que eles queriam estava em seus braços agora.


 


   Hermione sorriu e se aproximou dos dois. Deu um abraço apertado no filho e um beijo estalado na bochecha de Ron . Percebeu que o menino estava meio confuso com a presença do médico e soube que era a hora de explicar o porquê.


   — John, lembra dele? – Hermione perguntou, baixinho.


   John franziu as sobrancelhas, como se tentasse se lembrar de onde vira o homem. Ele arregalou os olhos um pouco quando finalmente as imagens lhe vieram na cabeça.


   — Ah! Esse aí é o doido que enfiou um palito na minha glaganta. – disse o menino, fazendo o Matthew soltar um riso tímido.


   — Foi pro seu bem.


   Com aquele jeito cativante que só pertencia ao doutor Matthew, ele explicou ao menino o que eles iam fazer na sala de exames. Explicou o procedimento da IRM e, de algum modo, fez o garoto ficar realmente animado em ir fazê-la. Não pelo fato de ficar praticamente de cabeça para baixo enquanto uma luz incomoda eram enfiada nos seus olhos, mas sim pelo fato de sair daquele quarto entediante. Quase quicando na cama, John disse que queria brincar daquilo também – sem fazer a menor ideia do que era. Matthew teve que fazer uma encenação para mostrar a criança o procedimento da IRM. Ficaram naquele ficção toda, até que um enfermeiro apareceu para avisar que a sala do exame já estava pronta. John nem se importou de ter que ir em uma maca até a sala do exame. Estava falante demais e os olhos de Hermione brilhavam com aquilo.


   Porém, quando John começou a realmente fazer a tal IRM, viu que nada daquilo era legal. Gritou desesperadamente quando fizeram a punção e sua lombar e depois ficou inquieto dentro da máquina. Hermione via John agoniado por uma parede de vidro, e lágrimas marcavam sua bochecha. Ronald mantinha uma mão pousada na cintura da mulher e a cabeça recostava no topo da cabeça de Hermione. Suas lágrimas eram silenciosas... Todo o sofrimento era dissipado de forma mais lenta e torturante. Quando o exame finalmente terminou, Hermione pegou o filho no colo e o abraçou quase que esmagadoramente.


   — Ta cholando, mamãe? – John perguntou num sussurro esganiçado. Hermione encarou o rosto do filho e sorriu debilmente entre as lágrimas, negando – eu já palei. Num vou mais chola, mamãe.


   Hermione inumou o rosto na curvatura frágil do pescoço do filho. Curiosamente, John começou a afagar os cabelos da mãe, tentando reconfortá-la. Matthew suspirou cansado segurando fortemente os papeis do resultado de John Weasley em sua mão. Todo seu cansaço, físico e psicológico, chegava a ficar pior quando pensava na notícia que ia dar aos pais de seu paciente. Depois da IRM, exames de sangue e tomografia finalmente descobriu o que tanto incomodava o pequeno. John não era mais especial do que seus outros pacientes – ele nem o tratava como tal –, mas algo na ligação entre ele, seu pai e sua mãe o comovia profundamente e deixava toda a situação ainda pior.


   Colocou a mão na maçaneta do quarto 231 e respirou fundo antes de bater fracamente. Uma risada fina e infantil ecoou acompanhada por outra, mais grossa e masculina. A porta foi aberta e revelou uma Hermione um pouco mais contente, com um brilho a mais nos olhos, aquilo só deixou o médico ainda mais apreensivo. No entanto, o sorriso de outrora murchou assim que avistou o doutor. A expressão não era animadora e nem o a tentativa de sorriso no rosto dele a acalmava. Notou um monte de papeis brancos na mão de médico e sentiu o coração perder uma – talvez duas – batidas.


   — Eu... Posso falar um pouco com vocês? – disse Matthew, tentando manter a frieza.


   Ronald retesou os músculos e se levantou da cama indo, por instinto, para o lado do filho – que tinha os olhos confusos e temerosos.


   — Cla-claro – Hermione não conseguiu conter a gagueira na resposta. – Deixe-me apenas colocá-lo pra dormir.


   Inventando uma explicação qualquer, Hermione e Rony ninaram John mais cedo e seguiram até a sala do doutor. Hermione insistira que poderia ir sozinha falar com o médico, mas Ronald queria estar por perto e apoiá-la naquilo. Seria rápido. Chegaram a sala do doutor de mãos dadas e gargantas secas. Matthew abriu os envelopes e anexou as fotos no quadro de luz, no canto leste do escritório. Fitou-as por incontáveis minutos com os braços cruzados no peito largo e as sobrancelhas franzidas.


   Hermione encarou as fotos também, mas não as decifrou. Eram incompreensíveis. A única coisa que via era um cérebro pequeno com uma sombra escura no lado esquerdo. Seu sexto sentido a informava de que aquilo não era bom. Nada bom.  Já sentia o desespero tomar-lhe e os soluços se formarem. Enterrou o rosto no ombro de Ronald e respirou fundo algumas vezes para tentar se acalmar. Matthew virou-se para o casal e se chutou mentalmente por ter ficado tanto tempo calado. Aquilo só aumentara a agonia da mãe ali.


   Depois de um suspiro resignado, ele começou a explicar aos dois que aquela mancha escura nas fotos poderia ser um coágulo, de fácil retirada. Quando viu o sorriso de alívio no rosto de Hermione, arrependeu por dar esperanças, visto que a coisa era mais séria. Explicou, então, que não se tratava de um coágulo, mas sim de uma massa celular, culpada, também, pelas dores de cabeça que eram constantes, por produzirem uma pressão intracraniana. Prosseguiu explicando que essas células estavam com vasos sanguíneos e que ele tinha quase toda a certeza de que eram cancerígenas. Ao ouvir a palavra relacionada a câncer, Hermione estremeceu e ofegou, fitando Matthew.


   — Câncer? – sussurrou, de forma inaudível, com medo de falar com voz alta e a suspeita do que ouvira ser confirmada.


   — Ainda não da pra saber se é maligno ou benigno, mas está bastante grande e isso pode ser perigoso... Talvez esse tumor exista há alguns meses...


   — Tumor? – foi Rony quem perguntara. 


   Matthew explicou rapidamente à Ronald o que era aquilo, o mesmo não foi feito com Hermione, pois a mulher já sabia o que era.


  — Doutor! Como?


  — Uma proliferação de células no tecido cerebral. – Respondeu Matthew simplesmente. – A ciência ainda não descobriu como surgem as células cancerígenas; existe uma corrente de oncologistas que afirma que algumas pessoas já nascem com elas no corpo e que o meio ambiente vai fazê-las acordarem. Existem pessoas que morrem com as células sem nem saber que possuíam... Acreditem, temos sorte por ter descoberto quase no início.


   Hermione sentia-se estapeada. Nada fazia sentido a ela. Há uma semana, John estava feliz e brincalhão, mesmo internado no CEMB agora, tem a notícia que seu menino esta com câncer. Era surreal demais. Doloroso demais. As lágrimas continuavam a inundar seu rosto, enquanto olhava para seu marido – tão atordoado quanto ela. Hermione fungou enquanto sentia a intensidade do olhar de Ronald queimar-lhe os olhos. Talvez acontecera pela agonia do momento, mas ela não soube como fora parar ajoelhada no chão chorando copiosamente.


   Queria chorar ou gritar.


   Socar ou abraçar.


   Queria John junto de si. Para sempre.


   Ronald soluçou e abraçou Hermione fortemente. Estava quase sendo esmagada pelos braços fortes dele, mas não se importava. Precisava descontar sua raiva, sua dor, e tentar retribuir o abraço de urso de Rony parecia ser uma boa forma de fazê-lo. Matthew apenas os fitava, deixando que toda a raiva e dor deles fossem extravasada. Foi até sua mesa e preparou alguns papéis, referentes a autorização da biópsia.


   Tudo passava na cabeça de Hermione enquanto manchava a camisa de Ronald com suas lágrimas espessas. Rony envolveu os braços fortes na cintura fina e delicada dela, tentando fazer uma transferência de dores. Preferia sofrer duas vezes mais a ter que ver a esposa daquele jeito deplorável.


   — Tem cura, não tem? – Ronald perguntou.


   Matthew apenas olhou Rony e Hermione abraçados no chão de seu consultório e começou a lhes explicar sobre a biópsia e sobre os riscos da mesma – que eram muitos, já que tirariam uma amostra do tecido cerebral –, falou sobre os tratamentos do câncer e expôs sua visão sobre este. Sem realmente ler, Ronald assinou a autorização da biópsia, pois queria todos os meios possíveis para a cura de John. Matthew garantiu que a biópsia seria feita, no máximo, em três dias – tempo suficiente para encontrar um neurologista disponível.


   Naquela noite, para Hermione, foram precisas algumas tentativas frustradas até o sucesso de parar de chorar. Ver John acomodado na cama hospitalar, com o dedo, ainda gorducho, dentro da boca delineada e vermelha, só fez começar mais uma rodada de tortura. Chorou até que em seus pulmões faltaram ar, e em seus olhos não existiam mais lágrimas.


  Ronald Weasley poderia ter feito o mesmo.


   Poderia gritar, chorar, odiar o mundo.


   Mas não o fez.


   A única coisa que homem de cabelos ruivos e sorriso encantador fez foi deitar-se desconfortavelmente na grande cama do hospital e dormir abraçado as duas razões de sua vida. O dia amanhecera com um sol tímido, quase inexistente. Uma brisa fria banhava as folhas molhadas pelo orvalho e a quietude dos animais parecia em sincronia com demasia tristeza de Hermione. Estava sentada na poltrona observando as feições pacíficas do marido e da filha. Estava aturdida demais para tentar dormir, e toda a exasperação que sentia não ajudava na inconsciência.


   Na ponta dos pés, ela caminhou até a cama e acariciou os cabelos ralos de seu menino. Agora, ele parecia ainda menor. A cama era desproporcionalmente grande demais para o corpo esguio do menino e ele parecia desaparecer entre os lençóis brancos. O cabelo estava ficando ralo e mais fino; os ossos mais proeminentes. Dormia a maior parte do dia e, quando estava acordado, chorava copiosamente, devido a dor.


   A porta do quarto 231 foi aberta sorrateiramente revelando uma enfermeira com ar materno. O cabelo cor de milho era amarrado num coque disciplinado no alto da cabeça. A pele morena contrastava com o uniforme branco e os olhos, semicerrados por conta da escuridão do quarto, eram de um negro brilhante. Nas mãos calejadas, uma prancheta com anotações e no rosto enrugado, uma expressão de solidariedade.


   Sorriu para Hermione e foi até a cama de John, checar os sinais vitais do menino. Foi meio desengonçado fazê-lo, pois o corpo de um homem enorme repousava na cama, abraçado o paciente.


   – Acho melhor descansar, querida – a enfermeira recomendou – o café da manhã chegará apenas às sete.


  – Eu não... Consigo – Hermione balançou a cabeça negativamente.


  A enfermeira suspirou e, antes de sair do quarto, deu tapinhas compreensivos no ombro da mulher. Hermione respirou fundo e voltou a se sentar na poltrona ao lado da cama hospitalar. Ficou a observar as caretas inconscientes que Ron fazia em seu sono e a sorrir com elas.


   – Por que não tenta dormir um pouco? – Hermione se sobressaltou ao ouvir a voz masculina e sonolenta de Ronald. Mirou o rosto amassado dele e sorriu.


   – Acha que eu consigo? – a pergunta era retórica.


  O silêncio foi predominante no quarto pelos segundos seguintes. Só se ouvia os passos de Rony, que se levantara da cama e caminhava na direção da esposa. Meio hesitante, ele a pegou pela mão e levantou-a da poltrona. Abraçou-a de forma sufocante, inalando o perfume doce que emanava dos cabelos dela. Mãos femininas o agarraram nos ombros e se apertaram ali. De forma inconsciente, os corpos dos pais começaram a se movimentar de um lado para o outro, como se fosse uma dança calma.


   Ficaram abraçados no meio do quarto 231, numa bolha particular, até que uma tosse engasgada de John os fez despertar. Hermione correu até o leito hospitalar e levantou a cabeça do menino, para que ele não engasgasse. John resmungou alguma coisa, mas voltou a adormecer.


  – Hoje Harry e Gina virão nos visitar – Ron informou, depois do suspiro de Hermione. Ela sabia que ele queria arranjar um assunto que não fosse a doença de John.


  – Espero que eles tragam algum açúcar – Hermione brincou e Ronald riu.


O silêncio predominou novamente. 


E o silêncio deixava tudo mais sombrio.


 Hermione se virou na direção da cama de John e ficou a acarinhar os cabelos dele. O sono era o melhor amigo do menino, pois era só desse jeito que a dor cessava.


   – Ainda não sei... Como contar a ele – Hermione murmurou. Teve de piscar algumas vezes para afastar a ardência dos olhos.


   – Talvez... Falar com verdade. – Ron sugeriu, incerto. A ficha dele, quanto à doença do filho, ainda não havia caído, então ele mesmo não sabia como contar a ele... Talvez preferisse não contar. – Ele está reagindo bem a quimioterapia... Isso vai acabar, Mione.


   – O cabelo dele esta afinando...


   Isso já era notável. 


   Os efeitos colaterais da quimioterapia estavam cada vez mais presentes. Os vômitos eram quase rotineiros, mas as dores não detinham. Há três dias, o pequeno chorou tanto, que chegou a ficar com falta de ar, e a febre chegou a um nível tão absurdo que o banho frio fora a única saída. Por Deus! Nem palavra de consolo de Hermione tinha mais para usar! Nem dizer vai passar ela conseguia. Tinha medo do presente. Não, não era o futuro que a acometia, pois este poderia ser alterado, mas o presente era doloroso. Era o presente que acabava com ela e com suas esperanças.


   – O Doutor Matthew disse que vai ter um teatro mais tarde, na sala de recreação. – Ron disse.


   Hermione suspirou e circundou os braços na cintura do marido. Inalou o perfume que ele exalava e fechou os olhos.


   – Você... Poderia ficar um pouco com ele... Só pra eu ir comer alguma coisa? É que eu não comi nada e...


  – Tudo bem. Mione, parece que você está falando com um estranho – Ronald riu.


  Hermione riu baixinho e assentiu. Espalmou as mãos no peito másculo de Ron e mirou os olhos azuis dele.


   – Tudo bem, então – ela respirou fundo. – Vou comer alguma coisa.


   As horas que se arrastaram até que o momento do teatro chegasse foram tediosamente lentas. Naquele quarto, não havia nada que Ronald pudesse fazer para distrair John – que acordara cinco minutos depois de Hermione sair –, e não que John estivesse com disposição para brincar de qualquer coisa com o pai. Estava quieto demais e bastante abatido. Ronald tentava, a todo custo, colocar alguma animação no filho, não obtendo muito sucesso. A dor havia voltado novamente e a dose do remédio prescrito teve que ser aumentada. John vomitou muito, antes de voltar a chorar.


   Ron queria arrancar aquela coisa ruim que crescia na cabeça do filho. Queria ter a certeza de que, no futuro, ele morreria tranquilamente ao lado de Hermione, sentado numa cadeira de balanço, enquanto via seus netos correrem pela sua casa. Por mais que tivesse esperança, sabia como seria difícil. Mesmo não entendo direito, não era idiota ao ponto de acreditar que aquilo seria curado da noite para o dia. Céus! Queria que a percepção do futuro não fosse tão assombrosa para ele. Esse tipo de sofrimento não poderia ser infringido nem ao pior dos adultos.


   O Doutor Matthew visitara o quarto 231 e tentara aplacar o sofrimento do pai, dizendo que, talvez, os remédios começassem a fazer efeito. O meduloblastoma era de ocorrência mais freqüente em crianças e, apesar de ser maligno, tinha cura. Depois da cirurgia, os riscos seraim poucos. Mas ainda havia riscos. Já se passavam das três horas da tarde quando, de um jeito nada sutil, a porta do quarto 231 foi aberta revelando um Harry e uma Gina animadíssimos; a mulher meio desengonçada por conta de sua enorme barriga de quase nove meses de gestação. Os sorrisos dos dois eram tão verdadeiros que até deixavam Hermione sem graça, por não poder retribuí-lo. 


      Ron bateu no ombro do cunhado, como um tipo de cumprimento masculino para depois dar um abraço em sua irmã. Harry apenas sorriu ternamente para Hermione e depois pegou John no colo, abraçando-o fortemente e girando-o no ar. Gina suspirou e fitou Hermione. Estendeu os braços frágeis e deu um abraço reconfortante na amiga. A mulher  viu o fogo da aflição queimar os bonitos olhos castanhos de Hermione e afagou o rosto dela sussurrando um ‘tudo vai ficar bem’. Hermione sorriu pesarosamente como se respondesse ‘eu queria acreditar nisso’.


     Gina percebeu que, mesmo tendo o sofrimento estampado no rosto, Hermione conseguia sorrir, nem que fosse um pouquinho, com as gargalhadas do filho. Quando John pediu para que o tio parasse com os giros, pois já estava ficando com a cabeça rodando, Gina notou Hermione apertar fortemente os olhos, impedindo as lágrimas. Ela sabia que nenhuma palavra de consolo seria suficiente para aplacar a dor.


     Hermione encolheu os ombros, compreendendo do que Gina falava. Fitou o filho sentado no sofá, com as pernas magras rodeando a cintura do tio, com o cabelo castanho fino e ralo... Os olhinhos cansados e sem brilho... Sua garganta fechou forte com a cena. Hermione piscou algumas vezes, afastando as malditas lágrimas, e fingiu estar muito interessada na arrumação das roupas de John.


     – O melhor para John... – Hermione lutou com as palavras. – Será somente o melhor para ele – fungou – Só ele não vai sofrer com isso... Você sabe.  -Gina colocou a mão pequenina por cima da mão de Hermione.


      – E não é isso que você quer? – a mulher perguntou retoricamente, com a voz embargada. – Fazer com que o sofrimento dele pare.


     Hermione arfou e apertou os olhos. Gina pegou as mãos de Hermione e as apertou, tentando passar compreensão. A morena sentiu os olhos encherem d’água, enquanto, subitamente, sua garganta ficava seca.


     Harry e Gina ficaram a tarde toda fazendo bagunça no quarto 231 junto com John. Ronald, para não desapontar o filho, participou das brincadeiras infantis, gargalhando sonoramente. Hermione apenas ficou sentada na poltrona do quarto, sorrindo para a felicidade do pequeno. Ela queria simplesmente congelar o momento.


   No meio da noite daquele dia, John acordou chorando desesperadamente de dor. Ron chamou a enfermeira, que veio e aumentou, novamente, a dose do remédio. As súplicas que John fazia para que a mãe fizesse a dor passar eram de cortar o coração de qualquer um. Até a enfermeira não aguentou e saiu do quarto com o rosto banhados em lágrimas. Todos do hospital acabaram se solidarizando com a pequena família que passava por problemas sérios.


   Hermione se deitou na cama e apertou seu menino, num abraço de aço, derramando suas próprias lágrimas. Tímidas e dolorosas. O sol tímido nascia lá fora e era visto por Ronald Weasley de dentro do quarto 231. Ele queria mesmo era ir para casa e tomar um banho decente. A barba por fazer já incomodava. Encostou-se na parede e suspirou pesadamente, observando o corpo do filho adormecido nos braços da esposa. Sabia que Hermione, provavelmente, teria dores quando acordasse, mas não iria impedi-la de dormir abraçada ao filho.


   Notou as lágrimas silenciosas que Mione derramou durante a noite e sentiu o coração constringir. Sabia que a sua irmã tinha falado algo a ela, e sabia aquele algo tinha acabado com as estruturas, já frágeis, de Hermione.


   – Ron? – ouviu. Viu que Hermione o olhava com os olhos abertos minimamente.


   – Oi, Mione – Ron sorriu.


   – Hoje... Vai ter outro teatro... E acho que, agora, John vai poder ir – ela disse, ajeitando a criança na cama e se levantando. O menino não fora no outro teatro que houve, por conta de um exame que ele tinha que fazer. Não deu tempo. – É João e Maria. Ela vai gostar.


   Num ato impulsionado, Ron abraçou Hermione fortemente. Ela acariciou a nuca do marido, e agarrou a barra da camisa dele. Ele percorreu as mãos pela lateral do corpo dela, inalando o perfume que o cabelo dela exalava.


   – Ron, vai pra casa... Toma um banho... E durma decentemente por mim – Hermione pediu, com ar de brincadeira, tentando minimizar a carga de tensão do quarto.


   – Não –  Ronald foi decisivo. – Eu vou ficar.


   Hermione suspirou e fitou o rosto cansado de Ron. Eles ficaram em silêncio apenas fitando-se. Ronald elevou as mãos e limpou uma lágrima solitária que caia pelo rosto da esposa.


   – Não precisa chorar – Ron sussurrou. – Tudo vai acabar bem.


  Ele suspirou e colocou seus lábios na testa dela. Não fora um beijo propriamente dito, mas transmitira tanta compreensão e companheirismo, que fez Hermione estremecer.


   – Eu estou com você – ele garantiu. Mione respirou fundo enquanto distribuía beijos pelo peito do marido. – Você vai ver, Mione – Ronald continuou, agora mirando os olhos dela, com um sorriso sapeca – a gente ainda vai brigar muito com o John, por conta das artes que ele ainda vai fazer... Vamos chorar de felicidade no casamento dele... Vamos paparicar nossos netos...


   Hermione sorriu, ao ver como Rony era bem mais forte que ela. Como ele ainda acreditava num final feliz. Ronald passou os lábios carnudos e vermelhos pelo pescoço de Hermione, até chegar aos lábios dela. A corrente elétrica, tão conhecida por ambos, já estava presente enquanto os beijos sensuais não cessavam. O momento do casal foi interrompido por uma gargalhada infantilmente gostosa. Era John que havia acordado e olhava cena. Eles se afastaram, subitamente envergonhados.


   – Mamãe! Tamém quero bejo! – John pediu.


   Ronald sorriu travesso e foi até a cama. Deu vários beijos no filho e fez cócegas ao mesmo tempo. John se contorcia, rindo e pedindo para que o pai parasse. Hermione se juntou na bagunça, desfrutando do momento feliz – raro naquele hospital. Desejou fervorosamente que aquele tipo de momento não acabasse. E que, de alguma fora milagrosa, fosse rotineiro. Instantes depois Matthew entrou no quarto 231 para ver seu paciente.


    – A febre voltou? – perguntou Matthew a Ronald, enquanto Hermione dava um banho em John, para poder descer até a sala de recreação e ver o tal teatro. O banheiro devia estar a maior bagunça, pois as risadas deles eram ouvidas por todos que passavam no corredor.


   Matthew fora no quarto 231 para ouvir dos próprios pais do menino se as melhoras eram visíveis, pois a tomografia feita no dia anterior mostrou que o tumor não estava nenhum um pouco menor.


   – Não, mas a dor continua constante. -Matthew suspirou cansado.


   – O tumor não diminuiu... E não podemos aumentar mais a dose da medicação...


  – Doutor, por favor... – Ronald praticamente implorava.


  – Senhor Weasley, se quisermos John saudável, não podemos continuar com esses remédios... São evasivos demais.


   – O que quer dizer, doutor?


   – O tumor é grande demais... Está em um lugar delicado, para ser retirado por cirurgia ... E, sinceramente, tenho medo que ele cresça demais e acabe afetando alguns sistemas.


     – Fale de uma vez!


    – Podemos tentar radioterapia, para diminuir o tumor e só depois tentar retirar com cirurgia.


   – Radioterapia?


   – Ele só vai passar por quimioterapia depois... Para limpar as células cancerígenas.


   – Onde eu assino? – Ron já estava desesperado.


   Matthew riu baixinho e encolheu os ombros.


   – Vou pegar o termo de autorização. Os efeitos colaterais vão ser coceira na área afetada, e talvez queda de cabelo. Senhor Weasley, vai parecer psicótico, mas temos sorte por John não ter o crânio totalmente formado... Porque se ele já fosse adulto e o crânio não expandisse para acompanhar as células ele poderia...


   – Eu já entendi, doutor. – Rony interrompeu, balançando a cabeça negativamente.


   Hermione, que ouvia toda a conversa, sentiu os olhos marejarem quando ouviu a frase inacabada do médico. Ela enrolou John numa toalha e o abraçou fortemente. O teatro fora divertido, afinal. John gostou bastante, pelo fato de poder interagir com outras crianças. Hermione olhava em volta da sala infestada de pequenas pessoas com suas mães e pais e viu que seu caso não era o pior.


   Conversou com uma moça, que tinha um filho de cinco anos, diagnosticado com leucemia. Os médicos deram apenas um mês para ele. Naquele momento, ela se pegou agradecida pelo seu filho ainda ter chances. E, naquela noite, Hermione não chorou. Dormiu abraçada ao seu menino e ao seu marido, acreditando, pela primeira vez, fervorosamente num final feliz.


  John não teve melhoras significativas nas semanas que se arrastaram, porém, em recompensa, também não obteve pioras. O tumor não regredia e não progredia. Tal como a dor. Hermione se preocupava com isso, mas sabia que a dor não cessaria até que o tumor ficasse menor. Sua carga de esperança estava renovada, já que o doutor Matthew dera algum destino. Algo que ela pudesse apegar-se.


   No dia 12 de fevereiro, Harry aparecera no hospital, trazendo a notícia de que seu filho, James,  finalmente havia nascido. O homem estava completamente bobo e feliz. Ron e Hermione não puderam visitá-los, mas por fotos, viram o lindo garotinho de cabelos negros. 


   Agora, a mulher de cabelos castanhos encontrava-se velando o sono de John e esperando Ronald voltar com notícias sobre o último raio-x. Ela sorria para o garoto adormecido, enquanto acariciava os cabelos dele com ternura. Sobressaltou-se quando sentiu as mãos de Ronald lhe acarinhando a barriga e seus lábios quentes traçando um rastro em seu pescoço. Virou-se com um sorriso sincero nos lábios e se viu surpresa com o fogo que avistou nos olhos de Ron..


   Afastaram-se aos sons dos pigarros encabulados do homem.


   – E aí, o que o doutor disse?


   – Diminuiu – Ron disse simplesmente e Hermione sentiu os olhos marejarem, enquanto os fechava e fazia um agradecimento silencioso.


   – Vamos marcar a cirurgia para duas semanas, no máximo.


  – Aí acabou?


   – Aí ele vai passar por quimioterapia... E acabou. – Ele afirmou com um sorriso aliviado.


  Hermione sentiu como se estivesse vendo um filme de terror se encaminhar para o fim. Como se o assassino sanguinário estivesse prestes a ser aniquilado. Ela ansiava que isso acontecesse logo. E sem maiores danos. Passaram-se mais sete dias completos e finalmente os dois viram John numa maca, trajando um robe verde, rumando para a sala de cirurgia. Hermione sorriu para seu menino, tentando encorajá-lo, mas suas lágrimas acumuladas denunciavam seu próprio medo.


   A cirurgia demorou exatas quatro horas e, enquanto isso, Hermione torcia a barra da camisa de Ronald nervosamente, tentando aplacar a agonia. O doutor Matthew saiu da sala cirúrgica revelando uma careta nada animadora ao tirar a máscara esverdeada. O médico de aparência terna acabou por arrancar mais lágrimas do jovem casal dizendo que o tumor era maior do que pensavam e que, por isso, não fora possível a retirada completa. Teriam de voltar à radioterapia, mas com a quimioterapia também, para não correrem o risco do tumor progredir. A cirurgia fora cansativa para todos, mas a diferença era que Hermione ainda tinha que lidar com a dor, enquanto seu pequeno ainda não estava sofrendo, de dores, pelo menos.


    – Tudo vai acabar bem – Ron prometeu, com um sorriso triste.


    – Eu acredito em você.


   Com um suspiro forte e cansado, Hermione apertou o botão do elevador que a levaria para o quarto 231. A mulher balançou a cabeça negativamente e, enquanto abria a porta do quarto, sorriu abertamente ouvindo as gargalhadas do filho Seu sorriso tornou-se travesso com a ideia de encher John e Ron de cócegas, entretanto, seu sorriso desapareceu, assim como todas suas forças quando os olhos castanhos focaram a cena.


   Um rastro de cachos escuros estava espalhado pelo chão fantasmagórico do quarto hospitalar levava o olhar até um garoto magro, pálido, sem cabelos, sentado na cama assistindo animadamente uma enfermeira acabar com os últimos fios de um homem com olhar desmoronado. Ron estava sentado numa cadeira no meio do quarto, tendo sua cabeça segurada por uma enfermeira desconhecida que, por sua vez, segurava uma máquina de barbear. John gargalhava gostosamente a cada fio ruivo que caia no chão. Ronald mirou a mulher, que tinha os olhos arregalados piscando-os insistentemente, e sorriu.


   – Olha, mãmãe, o pai num ta lindo? – perguntou John sorrindo inocentemente – eu to bunito que nem ele!


   – Lindo... – Hermione concordou rapidamente.


   Sentindo-se estapeada, ela fechou a porta do quarto e saiu dali, a fim de assimilar as coisas. Ver seu pequeno sem cabelos fora a cartada final para que suas forças, dolorasamente agrupadas, fosse aniquiladas. Era o inferno.


   – Mione, me desculpa – A voz de Rony surgiu de repente, enquanto ele inumava o rosto na curvatura do pescoço da mulher. – Ele não ia cortar se um de nós não o fizesse primeiro... Ia ser pior se deixássemos que tudo caísse aos poucos...


   – Eu amo você – as três palavras sussurradas voaram pelo ar antes de pousarem, feito música, nos ouvidos do homem.


   Ronald riu debilmente, distribuindo beijos por toda a extensão do rosto dela até, delicadamente, chegar aos lábios. O beijo, apesar de urgente, durou pouco e transmitiu tudo o que eles precisariam dali pra frente: força.


Um mês depois.


  – Mamãe? – o menino chamou, com a voz arrastada.


   – Oi?


   – Quero fazê pipi.– John pediu pela centésima vez.


   Hermione olhou para o filho embrenhado nos lençóis brancos do quarto e teve de engolir em seco, para segurar as lágrimas, pois a visão que estava tendo era exatamente a realização de todos os seus pesadelos, desde que chegara naquele hospital, materializada em sua única razão de viver. O menino tinha um pano fino cobrindo-lhe a cabeça sem cabelos e adornando um rosto pálido, abatido. A fraqueza do pequeno chegara a um nível tão elevado que nem mais andar sem o auxílio de uma cadeira de rodas ele conseguia. Para completar, John tivera uma falha leve no fígado, devido aos tratamentos evasivos.


   No último mês, Ron e Hermione tiveram que tomar uma decisão importante, que poderia interferir em toda a frágil saúde do menino: parar com os tratamentos, e dar tempo para que o fígado maltratado dele se regenerasse, ou continuar com os tratamentos, já que faltava pouco para a retirada completa das células restantes. Mesmo com as advertências do doutor Matthew, eles optaram por continuar com o tratamento, o que acabou sendo a pior opção, já que o fígado dele era frágil demais e não estava conseguindo se recuperar. O que causou duas pequenas falhas seguidas.


   – Eu sei, meu amor, mas lembra que temos que esperar a enfermeira vir com o potinho? – Hermione respondeu por final, acarinhando as bochechas febris do menino.


   Ele assentiu fracamente e se aconchegou ao peito da mãe, que, por sua vez, quase derramou as lágrimas contidas quando sentiu a quentura extrema do pequeno. Hermione apertou fortemente os olhos, ao ouvir o choramingo esganiçado de John.


   – O que foi, meu amor?


   – Fiz pipi – admitiu envergonhado, esfregando as pernas magras uma na outra.


   Rose suspirou e afastou os lençóis, a fim de tirá-los, para que John não ficasse deitado no molhado, mas acabou arfando desesperada ao ver a coloração escura que tingia o tecido.


   – Tem certeza que fez pipi? – Hermione perguntou.


   – Tem! – John confirmou.


   Hermione já estava desesperada quando, por força do destino, Matthew estava passando pelo corredor, parando no quarto 231 para checar os sinais vitais de John A mulher explicou o que acontecera e o médico, depois de fitar longamente a mancha escura, recomendou exames de sangue ao garoto. Hermione observava o médico falar com as enfermeiras de uma maneira rápida e incógnita com os olhos arregalados e brilhando em angustia, quase implorando para que o doutor confirmasse que aquilo eram fezes. Mas, antes que ela pudesse de fato fazê-lo, dois homens de verde adentravam o quarto, para carregar John numa maca, para o laboratório de exames.


    Matthew encontrou mais pontos de sangue no corpo de John, e não pode dar outro diagnostico, se não uma hemorragia, que avisava uma falha hepática grave, caso não fosse contida. Matthew impediu que Hermione acompanhasse, já sabendo que seria melhor ao notar o semblante perdido da mulher.


   – Fique aqui. – Ele recomendou. – Vai ser melhor.


  Hermione assentiu de forma automática, sem forças nem para enxugar as lágrimas. E foi só quando viu seu menino arfar agoniado, antes de começar a tossir incontrolavelmente que ela pressentiu que algo de muito ruim iria acontecer que, novamente, ela não poderia fazer nada. Sentiu o coração constringir ao ter que comunicar ao marido a repentina hemorragia. Ela viu o estranho sorriso de Ronald desaparecer lentamente, dando lugar a lágrimas acumuladas. Ela engoliu em seco antes de abraçar Ron, tentando reconfortá-lo – o que não deu muito certo, já que nem ela mesma conseguia se acalmar. Era desesperador ver tudo desmoronando. Mione soluçou e abraçou o marido fortemente, mesclando as dores.


   – Ron, ele vai ser curado, não vai? Por favor, promete pra mim – Hermione pediu debilmente. A voz abafada pelo choro e pelo tecido da camisa de Ronald quase inaudível.


   – Mione... Ele vai... Prometo.


   E, mesmo sabendo que, naquelas circunstâncias, o cumprimento da sua promessa seria quase impossível, ele tentou colocar o máximo de segurança na voz.Uma hora e meia depois Matthew apareceu no quarto 231. Com o rosto inchado, jaleco amassado e sozinho.


   – Unidade de Tratamento Intensivo – o médico disse simplesmente. 


   – Por quê? – Hermione sussurrou.


Matthew suspirou cansado e passou a mão pelos cabelos, não sabendo realmente como dar aquela notícia aos pais.


   – O fígado dele parou de funcionar.


   O coração forte e destemido do doutor apertou forte em seu peito ao ouvir o ofegar incrédulo e fraco da mulher. Lamúrias incoerentes eram murmuradas por Hermione, enquanto, como sempre, Ronald, sem entender muito, a amparava, tentando mantê-la sã.


   – Nós... Vamos tentar limpar o organismo dele, tirando todas aquelas substâncias fortes, mas, se não conseguirmos... Teremos que colocá-la na lista de doadores.


   Lista de doadores. E, assim, toda a raiva que Hermione sentia, tornou-se um desespero sem tamanho, porque ela vira tudo ruir diante de seus olhos e não fizera absolutamente nada. Desespero por, agora, ter que simplesmente assistir a razão de sua vida definhar na espera de um fígado.


   – Teste o meu,... – Hermione implorou, quase incoerentemente. Um fígado, um pulmão, um coração... Ela doaria sua vida, se fosse preciso, para John ficar bem.


   Matthew per engoliu em seco e fechou os olhos, evitando olhar para o fogo contido nos olhos da mãe. Ele era experiente, mas não era frio. Tinha sentimentos. E, por isso, poderia afirmar que aquele caso estava acabando com suas forças. O caso mais grave que pegara naqueles cinco anos de experiência na oncologia, fora o de uma menina que tinha apenas 5% de chance sobrevivência, mas, ainda assim, conseguira a cura de uma leucemia grave. O caso de John era o pior, pois ele sabia que, bem provavelmente, esses 5% não existiam.


   Diferentemente do todos pensavam, a estadia de John na UTI só piorou tudo. O fígado dele não estava mais suportando mais – tendo duas falhas seguidas Matthew ordenou a diminuição do remédio da quimioterapia para dar tempo do fígado se recuperar de verdade das toxinas. Mas o órgão já estava debilitado demais e, sobrecarregado, falhou por completo. No meio tempo em que a medicação fora diminuída, o tumor cresceu e com mais força, já que ele adquiriu certas defesas contra os princípios médicos.


   Ronald e Hermione estavam entorpecidos.


   Viam a morte eminente do pequeno com uma raiva mesclada ao desespero. Raiva deles mesmos por terem feito a escolha errada ao optar pela continuidade do tratamento evasivo. Desespero por não poder voltar atrás. Matthew, desesperado, foi a diretoria do hospital e pediu uma recomendação de transplante para o menino para que, dessa forma, eles avançassem significativamente na fila de espera. Mas a atitude do médico fora em vão. John, por ser criança, tinha vantagens sobre outras pessoas, mas o fato de estar com um câncer maligno, por estar parcialmente cego e por ter tido uma falha completa do fígado, sem contar várias falhas leves, deixava-a numa lista de menor prioridade, já que, de qualquer forma, para eles, John já estava morto.


(...)


  – Ele está vomitando sangue – Hermione sussurrou três dias depois da internação na UTI.


   Segurou a bacia novamente em frente ao filho, chorando copiosamente. Ela achava que era impossível sofrer mais, porém, todo dia que passava ela percebia quão errado aquele pensamento era. Matthew fazia tudo que estava em seu alcance para tentar salvar John, mas ele sentia-se impotente ao ver que nada resolvia. O organismo do menino fora parcialmente limpado, mas o fígado não se recuperava. Estavam num beco sem saída. Não podiam para com a quimioterapia, porque, com isso, corriam o risco do tumor progredir até a área que comandava a visão, mas não podiam continuar ministrando esse tratamento porque o fígado não aguentava mais. Naquele último dia 9, John teve sua primeira parada cardíaca, e, quando se achava que nada mais podia acontecer, o mesmo ocorreu duas vezes seguidas.


   – Meu amor... – Ronald começou, entre soluços contidos. Ele simplesmente soube, junto com seu repentino gelo na barriga, que não mais veria o sorriso contagiante do filho. E que, nunca mais, o carregaria nos braços.


   – Chame o Matthew, Ron... Por favor... – Hermione pediu. Ou implorou. 


   Hermione abraçou John com todas as forças, sabendo que aquilo poderia ser uma despedida.  Via que não podia mais lutar pela vida do filho, porque ele mesma já não aguentava mais lutar. Ela não podia mais obrigar John a continuar vivendo, sabendo que aquilo era doloroso. Não podia ser egoísta, mantendo-o viva em condições agonizantes só para ela mesma manter-se inteira.


   Céus! Ela não podia aceitar essa ideia!  O ciclo natural seria Hermione não ver a morte do filho! Hermione sentia-se morta. Sem razões para continuar.


   – Mamãe... Tá doendo... – John reclamou agoniado.


   Hermione negou veemente com a cabeça, já vendo os batimentos cardíacos do menino diminuírem e os olhinhos lutarem para continuarem abertos.


   – Por favor, meu anjo... Ainda não... Fica com a mamãe... – Hermione implorou, abraçada ao corpo quase inerte de John.


    Foi quando tudo aconteceu, o aparelho começou a soar aquele barulho que Hermione jamais desejou escutar na vida.


   Hermione enterrou o rosto na curvatura do pescoço do menino, lembrando-se dos primeiros meses com John e de como tudo o que aconteceu a partir dali. Hermione tentou imaginar como seria sua vida agora. Derramou suas últimas lágrimas pesarosas em cima do corpo inerte de John.


   – John... – ela balbuciou acarinhando o peito paralisado do garotinho. John estava imóvel. Morto.


   Sua razão de viver estava morta.


  Quando Ronald retornou ao quarto acompanhado do doutor Matthew, já era tarde. Ele viu sua esposa jogada sobre John e já soube o que estava acontecendo ali. Já soube que tudo acabara. Ronald viu desespero. Viu agonia. E viu lágrimas. Muitas lágrimas.


  – Ela... Não está respirando, Rony... – Hermione disse incoerentemente, olhando para todas as direções perdida em si mesma. Arrastou-se até o homem e o agarrou, manchado toda a camisa dele com a água  que caia de seus olhos castanhos e sem vida.


   Ronald assentiu, com os olhos marejados perdidos, sem coragem de mirar seu menino morto naquela cama.


   – Matthew, traz meu filho de volta, por favor... – a mulher pediu, como se tivesse a certeza de seu pedido poderia ser realizado.


   Matthew sentiu as lágrimas caírem e ele não se preocupou em limpá-las.


   – Traz! – Hermione gritou, esmurrando o peito do marido. 


  – Shi... – Ronald disse apertando uma Hermione desesperada contra si.


  Matthew observou o casal desesperado na sua frente, sentido-se perdido também. Sentia-se derrotado. Mesmo tendo salvo várias crianças desse fim trágico, aquela vida não fora salva. E isso o matava. Estava se sentindo culpado pelo sofrimento, mesmo sabendo que aquilo era inevitável. Era como se ele pudesse fazer algo, mas tivesse se negligenciado a fazê-lo.


   Demorou algum tempo até que tudo pudesse ser acertado quanto ao enterro de John. Quem cuidara de tudo aquilo fora a mãe de Hermione, pois a mesma havia se fechado para o mundo. Parecia que ela ainda não havia assimilado tudo o que ocorrera, e ninguém ousava abrir os olhos da mulher para a realidade. Ronald ficava com ela o tempo todo, tendo que suportar sua dor multiplicada duas vezes.


   Toda a família Weasley e Granger estava de luto. Algumas lágrimas eram torrenciais, outras contidas e outras compreensivas. Naquele dia 16, Ronald estava deitado ao lado da esposa na cama de seu quarto, observando-a enquanto ela olhava para uma foto de John, sem sorriso e sem lágrimas dolorosas. Os ossos da mulher estavam proeminentes, os olhos desfocados e o coração despedaçado.


   – Não vou viver sem ele, Ron... Não vou suportar...


   – Eu sei...


   – Não dói em você?


   – Dói, mas eu não deixo sangrar.


   – Então, me ensina a estancar meu sangue?


  Ronald mirou os olhos avermelhados de Hermione, e depositou um beijo cálido na testa dela, derramando as lágrimas silenciosas que tanto guardara naqueles últimos três dias, tentando manter-se são.


   – Vou ficar com você – ele prometeu.


   – Não me deixa também... Não vou aguentar.


   – Eu não vou.


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(n/a): Olás pessoal... desculpem-nos pela falta de um comentário no capítulo passado e pela demora dos capítulos. Estamos um poquinho apertadas e tivemos sérios problemas para escrever esses dois capítulos. John... como foi difícil escrever, ler, reler e corrigir. A cada vez que mexiamos no capítulo tinham lágrimas escorrendo pelos nossos rostos. O porque de termos decidido pela morte dele? Eu e Carol conversamos bastante antes de chegar a essa decisão, mas na opinião de ambas ele estava um pouco fora do nosso contexto o que dificultava muito escrever. Para os próximos capítulos podem esperar por cenas meigas, fofoas e talvez um pouco tristes ainda. Espero que tenham gostado. Até... ;)


Respostas:

Hogwands - Babi: Nos desculpe a demora. Lilá maldita terá o que merece em breve pode apostar. Eu e a Carol odiamos ela ainda mais depois do desfecho desse capítulo. Até... ;)

Lumos Weasley: Um encosto??? Ela é mais que isso, mas vai pagar pelas consequências que a atitude dela teve em breve. Causou algum estrago neh?? Até... ;)

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Comentários: 3

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Enviado por Pamela Cardoso Vilela em 12/03/2013

Qdo vão postar novamente, esta fic realmente me prendeu, e os últimos capítulos foram emocionantes... Parabéns! mto bem escrito!

Nota: 5

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Enviado por Janayna von Uckermann em 15/09/2012

Como assim fora do contexto? Isso não tem sentido!!!! Eu já imagina um bruxo brilhante que ajudaria todo o mundo bruxo, mas vocês realmente não podiam ter feito isso.... é muita maldade...

Nota: 5

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Enviado por Babi Valerio em 13/09/2012

COMO VOCÊS ME VEM COM UM CAPITULO DESSES!!!!!!!! EU NUNCA CHORO CARA! E TO CHORANDO MUITO AQUI AGORA! MEU, QUE DÓ! VÉI, QUE MALDADE!!! SÉRIO, NÃO DAVA PRA MERLIM TER AJUDADO NÃO? SEI LÁ, POÇÕES? CARA!!!!!!!!!!!! To sentindo a dor deles mano... Serio, posta logo e faz a dor desse capitulo passar... Claro, vocês escrevem bem, mas escrevem melhor ainda cenas felizes... D: Beijos 

Nota: 5

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