Oi, oi povo! Eis mais um capítulo e nele as consequências....
Carla Ligia: DÊ um desconto pra Mione, ela está confusa, é o efeito morcegão!rs
É também acho que quem deveria correr era ele, mas....
Sobre a vida do Snape, aos poucos você vai conhecendo e entendendo.
Bjs e uma boa leitura.
*****
Possivelmente esta é a forma que Deus tem de me castigar.
Severus Snape
Houve uma espécie de vibração. Um som de necessidade, de angústia. Era o nome dela. Sossegado em seus lábios. Nos dela.
Umas mãos fortes rodearam a sua cintura. Apertou-a contra ele e seu peito sentiu o calor e a dureza do dele. Desejava segurá-lo, rodeá-lo com os braços e colocar as mãos dentro de sua jaqueta. Mas não se atrevia, porque este era seu primeiro contato verdadeiro com o desejo. Senhor, seu primeiro contato com os homens.
Parecia-lhe tão impossível, tão improvável. Severus Snape a estava beijando. A ela.
Era a primeira vez que a beijavam. Porque a tentativa de Ronald Weasley, na realidade, não contava. Tinha conseguido evitá-lo, graças a Deus.
Mas Hermione não era diferente das demais mulheres. Tinha sonhado com isso. Imaginado o tremor dos lábios quentes de um homem sobre os dela... perguntou-se como seria. Quem seria...
E seu primeiro beijo — este beijo — não a desiludiu.
Sentiu-se como se fosse cair. Flutuava. A sensação era incrível. Intensa. Levantou as mãos para segurar seu colete. O instinto a guiava. Seus sentimentos a guiavam. Era como se uma força poderosa levasse seu corpo. Jogou ligeiramente a cabeça para trás, abriu a boca e lhe deu permissão para que fosse ainda mais dentro.
Quando sua língua tocou a dela, todo seu corpo tremeu. Assim era como beijavam os homens? Estava segura de que era uma pergunta estúpida. Ela não era uma dissimulada. Era uma mulher que tinha viajado, que tinha lido e que tinha recebido uma boa educação. Entretanto, nunca tinha sonhado que algo assim fosse possível. Mas parecia tão bom, tão natural. Quis gritar quando ele afastou a boca. Sentiu o sopro de sua respiração na pele, a pressão de seus lábios contra sua face. Mas então sua boca voltou. Suas mãos, fortes e cálidas, afastaram a estola dos ombros. Apertou-a contra ele. Depois afundou seus lábios nela, com força, transmitindo uma sensação faminta que ela não acabava de compreender.
E tampouco se importava. Deus, sentia-se tão bem! Era como se o mundo que os rodeava tivesse deixado de existir.
Estava tão entregue à febre do beijo que não ouviu o movimento de saias detrás dela. Tampouco Snape o ouviu.
O golpe da porta lhes chegou como uma nota discordante. Hermione sentiu que ele ficava tenso. Lentamente, levantou a cabeça. Com os olhos entrecerrados, dirigiu o olhar para a luz deslumbrante que provinha da casa.
—Maldição! —sussurrou ele.
Os lábios da castanha tremiam. A sua cabeça dava voltas. Levantou os olhos para ele meio atordoada.
—O que acontece? —disse levemente.
Colocou-lhe a estola sobre os ombros. Seu tom era severo.
—Havia alguém aqui.
Hermione demorou um tempo para compreender... mas não seu irmão. Quando se repôs, Heitor já estava ali; e Lavander Brown estava ao seu lado com um sorriso de suficiência na cara. Soube então que a moça fez de propósito, que tinha seguido ela e Snape... e depois tinha ido contar a Heitor.
Seu irmão disse algo a Lavander. Ela assentiu levemente, com uma careta, e depois levantou a saia e voltou a entrar na casa.
O olhar de Heitor passou das faces rosadas de Hermione às de Snape, e depois de volta a ela.
—Que demônios está acontecendo aqui?
A castanha ficou gelada. Os dedos de Snape roçaram as suas costas como se assim pudesse protegê-la.
Heitor entrecerrou os olhos.
—Agradecer-lhe-ia que tirasse as mãos de cima dela.
O silêncio caiu sobre eles, um silêncio como nenhum outro.
Snape baixou a mão.
—Heitor? Heitor, o que está acontecendo?
Era sua mãe. E agora Ginevra tinha saído também.
Por Deus bendito, Brown haveria dito a alguém mais? A ideia passou pela cabeça de Hermione como um raio.
Não deveria havê-los encarado. A nenhum deles. Mas não pôde evitá-lo. E quando o fez, seu rosto ficou vermelho da vergonha.
—Mione —disse Jane fracamente— Oh, Mione!
O pouco aprumo que ficava a jovem começou a desvanecer-se. Tirou forças do interior para não chorar.
O rosto de Heitor era como uma rocha. Ginny e sua mãe seguiam sem reagir. Heitor olhava com o cenho franzido a Snape, os lábios apertados em sinal de desaprovação.
Na realidade, era quase como uma competição para ver quem rompia antes o silêncio. Foi Snape quem por fim falou com uma voz tranquila e mortal.
—Acredito que deveríamos trocar umas palavras, excelência.
—E o faremos. Claro que faremos, senhor. Mas este não é o momento. Nem o lugar, nem a ocasião para discutir sobre... este assunto.
—Estou de acordo. Amanhã pela manhã?
Heitor assentiu.
—Em minha casa — disse, seco — Enviarei a minha carruagem.
—Não é necessário. — Snape foi igualmente seco. Mas não fez gesto de ir embora. A castanha reconheceu o instante em que voltou a olhá-la.
Clareou a garganta.
—Lady Hermione...
A jovem não podia respirar. Não podia mover-se. E certamente não podia olhar para ele.
—Eu me ocuparei de minha irmã — atalhou Heitor — Não tem do que preocupar-se.
Hermione teria jurado que ouviu como se fechava a mandíbula de Snape. Era consciente do longo confronto que se estava acontecendo entre os dois homens. Tinha a estranha sensação de que estavam somente a uns passos de chegar às mãos.
A mandíbula de Heitor se contraiu.
—Se for amável, senhor.
Por fim Snape se despediu com uma reverência e saiu.
Heitor a olhou friamente com seus olhos azuis. Levava as mãos agarradas às costas. A castanha pensou quase histérica que era a única maneira de que não as pusesse no seu pescoço.
Levantou seus olhos cheios de lágrimas para olhá-lo.
—Heitor — disse, sentindo-se impotente — Mamãe...
—Acredito que já disse o bastante, Hermione. Acredito que já fez o bastante. — Heitor a olhou fixamente.
Ela queria que a terra a tragasse e desaparecesse nas profundidades para sempre. Uma vergonha intensa e quente a consumia.
Foi Ginevra quem se aproximou para segurar sua mão.
—Vamos, querida —disse amavelmente— Te ajudarei a se deitar.
Em seu quarto, a ruiva dispensou a criada e ajudou sua prima a despir-se. Ela não disse nada. Mas ao meter-se na cama, o tumulto das últimas horas lhe veio em cima de repente.
—Ginny —disse, desesperada— Ai, Ginny...
Fez algo que nunca teria esperado, algo que fazia muito raramente.
Começou a chorar.
A prima se abraçou a ela.
—Acalme-se, Mione — a embalou — Tudo sairá bem. Já verá que sim.
Deus permitisse que fosse certo. Mas de repente, Hermione não podia estar segura de que tudo ficasse bem de novo.
****
Era cedo quando ouviu um toque na porta. Hermione se levantou ao ver Jane entrar no quarto. Com as faces rosadas e o cabelo recolhido sob um gorro, sua mãe parecia completamente descansada, pensou a jovem com uma espécie de aborrecimento. Ela, pelo contrário, tinha os olhos apagados e exaustos. Pouco tinha dormido.
A senhora afofou um travesseiro dos que tinha nas costas.
— Beba o chá, querida, antes que se esfrie. Ah, e te trouxe um desses croissants que tanto você gosta.
Hermione aceitou a xícara e bebeu dela sem muita convicção. Não queria chá. Pensar em comida dava vontade de vomitar. Como podia sua mãe agir como se nada tivesse ocorrido? Como se a noite anterior tivesse sido um sonho! Ah, como queria meter-se debaixo das mantas e não sair nunca mais.
Ela nunca foi uma covarde. Mas, nestes momentos, queria se comportar como tal.
Jane revoou pelo quarto, puxando as cortinas, dobrando com cuidado a toalha de banho e chamando a criada para que preparasse o banho.
A castanha pôs a um lado a xícara de chá.
—Mãe — disse.
—Sim, amor? — a senhora se sentou na beirada da cama e segurou suas mãos.
Hermione se fixou nos dedos de sua mãe, tão finos e delicados, entrelaçados firmemente com os seus. Como era possível que esta mulher tão pequena irradiasse uma fortaleza semelhante? Pensou em seu pai, na maneira em que sua mãe tinha secado a sua testa, em como tinha cuidado dele e animado nos momentos mais difíceis. Como podia manter-se tão firme e tão forte inclusive nos momentos mais dolorosos de sua vida? Mas a sua era uma resistência que não podia ver-se, pensou ela de repente, uma força de espírito e uma fé... que residia somente no interior.
Engoliu em seco.
—Mãe — disse em voz baixa— Eu gostaria de te explicar...
—Não é necessário — Jane apertou a sua mão — Sei o que vai me dizer, pequena. Bom, talvez não as palavras, mas faço uma ideia e... Não podemos mudar o que passou, Mione. Ontem já passou, e passou para sempre. Não podemos voltar atrás. Não podemos mudá-lo. E, portanto, devemos pensar que o que nos espera será melhor. Devemos confiar em que os dias que nos esperam serão mais luminosos. Devemos fazer o que pudermos para fazer que assim seja.
A castanha mordeu o lábio. Em sua mente, não era tão simples fazer desaparecer de um sopro todas as dúvidas e os medos.
—Mãe... —e se deteve, incapaz de continuar.
—Mione, Mione. Não tenha medo, querida. Sabe que te amo. Sabe que Heitor te ama e Hélio também. E sabe que nada nem ninguém fará que isso mude.
Uma dor enorme encheu a garganta de Hermione.
—Agora, coração, por que não se veste? Suponho que seu irmão quererá falar contigo esta manhã.
A jovem lhe dedicou um ligeiro sorriso.
—Mãe — sussurrou — tenho tanta sorte de tê-la...
—Ah, amor — sorriu Jane — precisamente era o que eu ia dizer.
****
A mãe tinha razão. Inclusive antes de terminar de vestir-se, recebeu uma mensagem de que seu irmão queria vê-la as dez em ponto. Sua casa não estava tão longe para não poder ir andando. Mas o chofer, disse que seu senhor tinha insistido em que a acompanhasse. Hermione estava zangada. O que pensava Heitor? Que ia escapar?
Assim tinha sensação de rebeldia quando o mordomo de seu irmão a conduziu ao escritório. Heitor estava já ali, sentado atrás de uma grande mesa de mogno que tinha pertencido uma vez a seu pai. Estava ocupado assinando alguns papéis. Não levantou a vista quando ela entrou, e seguiu arranhando o papel com a pluma.
Quando por fim terminou, afastou o montão de papéis.
O couro rangeu ao reclinar-se sobre a cadeira. Então a olhou. Hermione e seus irmãos sempre gostaram de brincadeiras; não era normal que se encontrasse incômoda com nenhum deles. Mas nesse momento, invejou a tranquilidade de Heitor. Invejou sua posição social. Não era justo, pensou ressentidamente, que ela tivesse que sentir-se como uma menina travessa só porque ele era mais velho. Porque era o duque. Porque era um homem.
A jovem pretendeu tirar um fio do vestido. Colocando os pés debaixo da cadeira, levantou o queixo.
Seu irmão seguia olhando-a, com a sobrancelha levantada.
—Bem, Mione — disse brandamente — o que pode dizer em sua defesa?
Seus ares de superioridade a puseram furiosa. Podia ser todo arrogante e impositivo quanto quisesse, mas a ela não podia intimidá-la.
—Ah, para que me incomodar! — disse irritada — Quem você pensa que é para me falar desse modo?
—Sou o homem que está tentando salvar sua irmã de um escândalo. Um escândalo que poderia arruinar sua reputação para sempre — seu tom era tão gélido como seu olhar.
—Não se dê esses ares comigo! — gritou — Você tampouco é nenhum santo e sabe!
—Mas não é de mim de quem falamos aqui, Hermione. Mas sim de você.
Seu olhar era fulminante. A castanha odiava ter que discutir com seu irmão. Quando eram pequenos, ela sempre ia um passo por atrás de Heitor e Hélio, sempre tentando estar a sua altura. Mas a brutalidade de Heitor era muito dolorosa.
Fixou os olhos em um ponto justo por detrás da orelha de seu irmão e apertou os lábios.
—Hermione, está-me escutando?
Sua recriminação a partiu em dois. Uma parte dela desejava tampar os ouvidos com as mãos.
—Tenho que fazê-lo? — murmurou.
—Hermione! Sei que sempre foi difícil. Sempre foi a que se atreve com o desconhecido. Mas nunca esperei isto de você! Pensei que teria que recusar toda uma lista de propostas de casamento. Mas isto superou todas minhas expectativas!
Ela levantou a cabeça.
—Não sou nenhuma menina, Heitor. Assim por favor, não me trate como se fosse. Além disso, isto só aconteceu porque Lavander me odeia.
—Não — disse ele com voz tranquila — Não é uma menina. Mas estou seguro de que entende a gravidade do que ocorreu ontem à noite. Esse comportamento conduz consequências. Não teve nenhum cuidado. E a descobriram. Pedi a Lavander que guardasse silêncio, mas não acredito que vá fazê-lo. De fato, acredito que já deve estar na boca de todos.
A jovem tratou de manter a tranquilidade. Lavander Brown devia estar saboreando o triunfo.
Heitor se deteve.
—Mione — disse com amabilidade— não posso te salvar desta vez. Não posso fazer que isto desapareça. Não é algo que possa ser escondido sob o tapete. Deve remediar antes que se converta em um escândalo. Pode aceitá-lo? Poderá aceitá-lo?
A castanha o olhou com seus enormes olhos. Um pressentimento começou a tomar forma em sua mente. Não, pensou aturdida. Não podia ser certo. Não podia ser verdade que ele estivesse sugerindo...
Abriu a boca, para fechá-la um instante depois.
—Heitor — disse desesperada — Não vou mentir. Eu... nós... juro que só foi um beijo. Não houve nada, nada mais... — baixou a cabeça. Não podia olhá-lo nos olhos. Não podia dizer nada mais. Tremia-lhe o queixo.
Soube sombriamente que se levantou.
—Mione — lhe pôs uma mão no ombro — Ah Deus, Mione, não chore! Eu não gosto absolutamente desta solução, mas não tenho mais remédio! Se houvesse outra forma, sabe que moveria céu e terra para que se fizesse.
Ouviu-se um toque na porta e depois se abriu de um golpe.
—Excelência, o senhor Snape está aqui.
Ah senhor. Então era certo. Hermione tentou não deixar-se vencer pelo pânico.
—Mione — disse Heitor — se importaria de esperar no salão?
Não houve necessidade de que o repetissem. Ela já estava de pé e saindo da sala.
****
O duque foi muito civilizado quando Snape entrou em seu escritório. Severus não esperava que fosse de outra maneira. Heitor parecia relaxado, mas ele não podia se enganar. As formalidades que trocaram eram forçadas, a tensão flutuava no ar, intensa e cortante.
Snape não tinha nenhum desejo de postergar o inevitável. Enfrentou o duque de frente.
—Sejamos francos, excelência. Minha conduta de ontem à noite com sua irmã merece todas suas recriminações.
Heitor se recostou sobre a cadeira. Sua expressão era severa.
—Tem minhas mais sinceras desculpas — disse.
—Suas desculpas não são suficientes, senhor. —O tom de Heitor era cortante.
Snape não retrocedeu ante seu implacável olhar. O que podia dizer? O que era o que devia dizer? Inclusive agora, não sabia por que nem como tinha ocorrido. Nunca deveria ter acontecido. Mas aconteceu, e já não havia volta atrás. Tinha brincado com uma senhorita, com uma mulher solteira. Pelo amor de Deus, com a irmã de um duque! E em sua própria casa!
Provocou-lhe. Provocou-lhe de uma forma que não tinha acreditado possível, de uma forma em que nunca sonhou que pudesse acontecer. O certo é que se tornou — por um momento — um pouco louco.
No mais profundo de seu ser, sabia que não era culpa de Hermione. Ela era jovem. Inexperiente. Ele, pelo contrário, não tinha desculpa.
—Não posso tolerar que minha irmã caia em desgraça — assegurou Heitor — Não o farei. Esta não é a forma em que deveria buscar-lhe um marido. Mas não posso permitir que seu nome fique manchado. Não posso permitir que a humilhação e a vergonha caia sobre minha mãe. Sobre toda minha família. Devo pôr remédio a esta situação. Só você, senhor, pode fazê-lo.
Snape o olhou, mantendo sua expressão sob controle.
—Você é um cavalheiro — seguiu Heitor— posso confiar que atuará como tal?
O moreno ficou calado, mas sua mente não parava de pensar. Sabia muito bem o que era que Heitor estava sugerindo... de fato, tinha esperado. Mas não tinha parecido uma realidade até agora. Casar-se com ela... Sua mente não o aceitava. Era algo inconcebível para ele. Impossível.
E inevitável.
Sentou-se com as mãos nos joelhos. Tinha que deixar de golpear-lhe com os punhos. Fervia-lhe o sangue. De alguma forma, tinha sabido que aconteceria. Teve um pressentimento... Entretanto, agora que o momento tinha chegado...
Snape tinha um gosto amargo na boca.
Se as circunstâncias fossem ao contrário, teria pedido o mesmo. Entendia o sentimento protetor de Heitor. Supunha que não tinha outro recurso. Mesmo assim, a ideia o engasgava. Não tinha por que agradar-se. Nenhum homem gostava que o obrigassem a casar.
Sentia a necessidade de esclarecer seus sentimentos.
—Não desejo me casar...
Heitor entrecerrou os olhos.
—Deveria ter pensado nisso antes de pôr as mãos sobre minha irmã.
—Deixe que termine — disse Snape com frieza.
—Certamente. — O tom de Heitor era amável; seu tom frio, não.
—Por muito que não tenha considerado a possibilidade — sua boca se torceu em um sorriso sombrio — parece que não tenho outra opção do que me casar com sua irmã.
Era consciente de que o duque não apreciava nem o tom nem as palavras que estava utilizando.
O duque inclinou a cabeça.
—Me encarregarei, certamente, de que receba um generoso dote...
—Não quero dote. — as palavras soaram definitivas. Deus, tampouco a queria.
O tom de Heitor foi frio.
—Devo supor que retornará a sua casa no norte?
Snape assentiu.
—Tenho sua palavra de que a tratará bem?
Ficou rígido. Mal moveu os lábios ao dizer:
— A pergunta me ofende.
Heitor assentiu. A tensão começava a desaparecer de seu rosto.
—Certamente. Perdoe-me. É só que... isto foi tudo inesperado. Não imaginei que tivesse que ver-me em uma situação assim.
Nem ele tampouco, pensou amargamente.
—Há outra coisa — disse Heitor lentamente — Acabo de recordar por que seu nome me era tão familiar — fez uma pausa— Por favor, entenda que não quero incomodá-lo — disse, devagar.
Mas o fez. Snape esticou o corpo. Sabia o que vinha a seguir. Sabia o que o futuro cunhado ia dizer. Demônios, pensou. Demônios!
—Embora sejam tardias, por favor, saiba que tem minhas condolências.
—Obrigado — ele teve quase que obrigar-se a responder.
Houve uma pausa incômoda.
—Hermione sabe?
—Não. — a resposta foi inexpressiva e pouco comprometedora.
—Deveria — disse Heitor em voz baixa.
—E eu lhe agradeceria, excelência, que deixasse me ocupar desse assunto. —Apesar de ter a boca contraída e séria, o moreno conseguiu manter a expressão.
—Como quiser, então. — o duque observou-o um momento. Depois, levantando-se, rodeou a mesa e lhe estendeu a mão.
Snape não poderia ser chamado de cavalheiro se tivesse recusado o gesto. Não o fez a propósito, mas foi o primeiro em retirar a mão.
— Bem — disse Heitor — Mione espera. Peço que entre?
— Certamente — disse com secura.
Heitor saiu do escritório.
Uma vez sozinho, fechou os olhos brevemente.
“Inesperado”, tinha chamado o duque. Deus, pensou com uma risada negra e silenciosa, mas não era a verdade? Nunca tinha imaginado que sua estadia em Londres seria tão longa. Ontem há esta hora, pensava que já estaria longe da cidade. Só agora compreendeu que de maneira nenhuma deixaria Londres nesse dia!
E quando o fizesse, seria com algo que não tinha esperado em um milhão de anos...
Com uma esposa.