Após tomarem o café, passaram o dia sem conversar muita coisa.
Harry preferiu ficar no quarto que dividia com Rony, para não estragar a felicidade dos outros. Os dias se passaram assim, sem Harry esboçar um sorriso desde o dia do seu aniversário, até o dia do casamento, que Harry resolveu talhar um sorriso no rosto para não estragar as festas.
Harry reparou que Gui estava melhor e que várias de suas cicatrizes já estavam fechando. Gui ficara a manhã inteira andando de um lado pro outro, ele parecia muito nervoso e já estava vestindo um elegante traje a rigor sendo que o casamento só seria no finzinho da tarde.
O mais estranho para Harry, não era o fato de Gui já estar pronto, era o fato das mulheres terem ocupado todo o segundo andar para começarem a se arrumar.
Harry tomou seu café em silêncio como fazia todos os dias e se levantou, ele ia subir para o quarto quando trombou com Hermione na escada.
- Desculpe. — Pediu o garoto.
- Não foi nada, mas você não pode subir. —Inquiriu ela. Hermione parecia ser a única que não havia começado a se arrumar, exceto por alguma coisa que havia passado no cabelo que deixou seu cabelo escorrido e com a aparência de um verme bem gosmento. — Gina e eu estamos no seu quarto, todos os quartos estão ocupados.
- E como nós vamos nos arrumar? — Perguntou Rony chegando até eles.
- Mais tarde, vocês dois não levam mais que dez minutos. — Respondeu Hermione. — Agora me dêem licença que eu tenho que levar algo para mim e para Gina comermos.
A garota saiu, Harry e Rony ficaram se olhando, até que Harry decidiu dar uma volta. Quando estava a porta o Sr. Weasley o chamou:
- Harry, você não está pronto? — Perguntou o homem que parecia apressado.
- Eu vou me arrumar mais tarde. — Respondeu Harry sem dar muita importância.
- Não pro casamento, pro teste. — Falou o homem correndo e pondo o chapéu na cabeça.
- Teste? — Questionou Harry.
- Onde você está com a cabeça? O seu teste de aparatação e o de Rony foram marcados para hoje. —Harry deu um enorme tapa na testa e subiu correndo as escadas.
Chegando no quarto de Rony bateu apressado na porta e gritou:
- Mione, Gina, eu preciso me trocar, tenho o teste de aparatação agora. — A porta se abriu.
Harry passou por Hermione sem dizer nada, foi até seu malão passando por Gina sem nem reparar o que ela vestia e correu pro banheiro quando trombou em algo, ou melhor, em alguém.
- Ai. — Harry ouviu e quando levantou a cabeça viu uma linda garota massageando o topo da cabeça. — Arry? O Arry, que sodades, querria tanto rever você, como estás?
- Bem Gabrielle, mas sinto muito, estou com um pouco de pressa. Ah, você está linda. — Respondeu o garoto pondo-se de pé e estendendo a mão para a irmã de Fleur.
- Está indu salvar mais alguém? — Perguntou a garota com um largo sorriso e permitindo ser levantada pela mão de Harry.
- Não, só teste de aparatação mesmo, com licença. — E passou pela garota e entrou no banheiro.
Harry trocou-se o mais rápido que pôde e já ia saindo correndo do banheiro quando trombou em mais alguém. Dessa vez era Rony.
- Também me esqueci que o teste era hoje, vai logo que papai está te esperando lá embaixo perto da lareira. — Falou o ruivo o empurrando para fora do banheiro.
- Será que você consegue trombar em todo mundo antes que termina o dia? — Perguntou Hermione rindo.
- Não sei, a casa tá cheia, mas se eu me esforçar em não prestar atenção em minha volta, talvez eu trombe com alguém até no teste de aparatação. —Harry caminhou em direção a porta sem notar que alguém vinha em sua direção.
- Faltou trombar em mim, quem sabe assim você me nota. — Gina bateu de ombro com Harry e saiu pela porta. Harry olhou espantado para Hermione que lançou nele um olhar cansado e indicou a porta com um largo gesto.
Harry desceu correndo as escadas e foi ao encontro do Sr. Weasley.
- Onde está o Rony? — Perguntou o homem com o olho no relógio.
- Está terminando de se trocar. — Percebendo o quanto o homem tinha pressa.
- Você vai na frente Harry. Basta dizer “Ministério da Magia — Átrio” e logo em seguida mando Rony e aparato lá para levá-los a Seção de Transportes Mágicos, onde serão realizados os testes de vocês. — Harry pegou um pouco de Pó de Flú e entrou na lareira.
- Ministério da Magia — Átrio. — E desapareceu nas chamas verdes esmeralda.
A última visão de Harry foi de Rony descendo as escadas, apressado. Harry se viu passando por várias lareiras, até que viu as estátuas dos Irmãos Bruxos e caiu no chão.
Harry se levantou e começou a espanar a fuligem.
- Ora, ora, Harry. Creio que esse incômodo acaba hoje. — Harry ouviu a última voz que queria ouvir naquele momento ou em qualquer outro.
- Ministro, a que devo a honra? — Falou Harry com um tom de sarcasmo, que o Scrimgeour fingiu não perceber.
- Estava de passagem aqui pelo átrio e o vi. —“Uma explosão de labaredas verdes chamou a atenção do Ministro, isso quase nunca acontece por aqui” pensou Harry com sarcasmo. — E vejo que está com seu fiel escudeiro.
- Nós somos fieis a Dumbledore, caso não se lembre. — Falou Rony se levantando e espanando a fuligem.
- Claro, claro, você também é um homem de Dumbledore! — Afirmou o Ministro já ficando mais irritado. — Posso acompanhá-los até a Seção de Controle de Transportes Mágicos?
- Não é necessário, o Sr. Weasley já vai nos acompanhar, e nós já sabemos muito bem o caminho. — Respondeu Harry secamente ao perceber a chegada de algumas pessoas do Profeta Diário — O senhor deve ter muitos afazeres e não queremos incomodá-lo.
-Mas não seria incômodo algu...
- Crack!!!
- Vamos meninos, já estamos atrasados. — O Sr. Weasley acabou de aparatar e quando se virou e viu o Ministro, o cumprimentou. — Bom dia Ministro, desculpe-nos a pressa. — E saiu com os garotos em seu encalce.
Harry e Rony apresentaram as varinhas para o bruxo que guardava a entrada e entraram no elevador desembarcando somente no andar do Controle do Transporte Mágico.
Foram direto no fim do corredor, onde muitas placas avisavam serem os testes de aparatação.
Harry e Rony se despediram do Sr. Weasley e ficaram na fila de espera.
Passaram-se horas até que chegou a vez de Rony e mais horas para a vez de Harry.
Harry não viu Rony sair e nem o viu dentro da sala. Quando entrou, não sabia como o amigo havia se saído.
- Boa tarde Sr... Potter. — Cumprimentou o velho com a lista muito próxima ao nariz. — O seu teste será simples, basta você desaparatar aqui e aparatar dentro daquele aro a dez metros. Você só tem uma chance e se não conseguir passar só daqui a seis meses poderá tentar de novo.
Harry se concentrou, girou o corpo e com dois cracks estava dentro do pequeno círculo que mal cabia ele.
- Muito bem Sr. Potter, aqui está a sua licença, agora queira sair por aquela porta. — E indicou a porta ao fundo da sala. Harry passou pela porta e tomou o elevador enfrente indo para o átrio, lá pegou a sua varinha e caminho na direção do amigo que conversava com o Ministro.
- Ah, Harry e como foi o seu teste? — Perguntou o Ministro dando um largo sorriso.
- Passei e como foi o seu Rony. — O amigo sorriu.
- Também passei.
- Que bom que todos estamos satisfeitos, que tal tomarmos alguma coisa para comemorar? — Sugeriu o Ministro.
- Sem querer lhe faltar com o respeito, senhor, mas o senhor não tem mais o que fazer não? —Perguntou Harry encarando o Ministro.
- Harry, Harry, sempre tão estourado. — Falou Rufos com um tom paternal e levando a mãos no ombro do garoto e sorrindo.
Um flash sinalizou a Harry que haviam tirado uma foto.
- Ainda tentando fazer parecer que apóio o Ministério? — Perguntou Harry de cara fechada.
- Harry, estou tentando fazer a coisa certa. — Falou o Ministro acenando para mais uma foto.
- Você está tentando fazer o que é fácil, e não o que é certo. — Sentenciou Harry. — Você já soltou o Lalau? — Perguntou já prevendo a resposta.
- Harry, não posso soltar assim alguém que foi acusado de ser Comensal. Não pegaria bem para a imagem do Ministério.
- Venha, eu vou dar seu furo de reportagem, mas antes quero chamar uma pessoa. — Falou Harry e Rony se assustou.
- Tudo bem, quem você gostaria de chamar? —Perguntou Rufos.
- Uma amiga. — Respondeu.
- Então tome esse pergaminho e mande o seu recado pela lareira. — Disse entregando uma pena, tinteiro e um rolo de pergaminho a Harry.
Harry rabiscou rapidamente chegou até a lareira e gritou:
- Casa dos Lovegood.
Alguns minutos depois, uma bela garota loira, com brincos de nabo e colar de rolhas de cerveja amanteigada, saiu da lareira e veio em direção aos garotos.
Rufos ergueu uma sobrancelha sem entender nada e Rony ergueu as duas.
- Oi Harry, olá Rony. — Cumprimentou Luna.
- Olá. — Respondeu Harry sorridente.
- Oi Luna. — Respondeu Rony ainda sem entender nada.
Mais uma labareda e um homem loiro e alto de aspecto excêntrico saiu da lareira e vem em direção aos garotos.
O sorriso de Scrimgeour amarelou e o de Harry se acentuou.
- Harry, eu gostaria de apresentar o meu pai, papai esse é o Harry. — Apresentou-os Luna — Esse é o Rony.
- Prazer, Luiz Lovegood. — O homem estendeu a mão e cumprimentou Harry e depois Rony sem dar a mínima atenção ao Ministro — Então, vamos a exclusiva?
- Claro, mas quero fazer isso junto do pessoal do Profeta Diário, caso o senhor não se importe. — Falou Harry.
- Por mim tudo bem, com certeza eles não poderão publicar essa reportagem. — Falou o senhor com um ar avoado igual ao da filha.
Harry sorriu e se encaminhou para os repórteres do Profeta Diário e Scrimgeour foi junto se preparando para o pior.
- O Ministro os convidou aqui para que vocês presenciassem um ato de colaboração e aprovação de minha parte aos atos do Ministério e do atual Ministro. — Começou Harry. — Eu acabei de perguntar ao Ministro se ele havia soltado Stanilau Shunpike e ele disse que não.
“Lalau, como todos sabem, foi acusado de ser Comensal da Morte e, como todos sabem também, ele era o condutor do Noitebus.
“Lalau foi preso injustamente, ele jamais seria um Comensal, e foi preso simplesmente por falar demais.
“Eu afirmo que não concordo com nenhuma das medidas que o Ministério anda tomando, para que a população pense que está segura.
“O antigo Ministro tentou esconder a verdade para que ninguém entrasse em pânico, e o atual Ministro está fazendo a mesma coisa, de maneira um pouco diferente.
“Eu quero que todos saibam que essa baboseira de ‘o Eleito’ e de que estou com o Ministério foi pura invenção, para que vocês tenham a falsa segurança de que ele está fazendo algo.
“Mas a verdade, é que nada realmente está sendo feito e tudo saiu do controle do Ministério pela falta de organização e administração do atual Ministro. —Harry olhou para o Ministro e voltou aos repórteres. — Ficarei feliz em responder qualquer pergunta”.
Harry sorriu ao ver a cara de Rufos Scrimgeour, e os repórteres do Profeta Diário de queixo caído.
Quanto ao Sr. Lovegood, ele só estava anotando tudo que Harry disse, e levantou a caneta como se quisesse fazer algumas perguntas.
- Ainda não acredito que vi você fazer aquilo! —Dizia Rony às gargalhadas na cozinha d’A Toca, meia hora depois. — Você viu a cara do Ministro? Provavelmente ele irá proibir que você ponha os pés lá, até o fim da carreira dele ou vai te prender sob acusação de ser um Comensal.
Harry ria junto com Rony e os gêmeos, mas parou de rir ao encontrar o olhar severo de Hermione e ela começou a dizer:
- Eu não tô acreditando no que você fez. Como você pode fazer isso, Harry? Vai espalhar o pânico geral, todos vão entrar em desespero, vai ser um holocausto, essa foi à atitude mais imatura... mais infantil... — Hermione parecia tentar encontrar a palavra certa. — idiota... A atitude mais burra que você já tomou. Como você pôde fazer isso?
- Agora Mione pelo menos as pessoas sabem o que realmente está acontecendo. — Falou Harry ficando sério. — A verdade pode ser dura, mas se eles não souberem não estarão preparados para o que está por vir.
“A falsa sensação de paz pode ser melhor, mas não é seguro, eu simplesmente fiz o que eu achava que era certo. Se você acha que estou errado, pode ir lá no Ministério agora e tomar partido do Rufos Scrimgeour. Provavelmente os repórteres ainda estão lá para tomar explicações”.
- Eu não quis dizer que ele está certo Harry, eu só acho que você foi precipitado ao fazer uma declaração dessas.
Harry não ouviu a garota, simplesmente subiu e foi se trocar para a festa que começaria dali a algumas horas.
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