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2. Hogwarts, here we come.


Fic: Turning Upside Down


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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POV Rose


 


Sentei na cama ofegante e confusa. Tive mais um sonho ridículo, no qual repassava aquele mesmo último dia de aula. Era estúpido, e eu nunca conseguia voltar a dormir, e isso era o que me dava mais raiva.


Olhei no relógio e vi que ainda era cedo, provavelmente ninguém havia acordado ainda. Fui até o banheiro, lavei o rosto e escovei os dentes. Troquei de roupa e desci as escadas com um livro na mão. Como eu já imaginava, não havia ninguém acordado além de mim. Andei até a sala de estar e abri uma janela para ver o sol nascer, sentei-me em uma poltrona para começar a ler. Se passaram alguns minutos, e então vi minha gata, Darah, entrar pela janela e vir quase saltitando até mim, ronronando. Ela subiu no braço da poltrona e eu fiz carinho nela.


– Eu sei que você não gosta muito daqui, mas não precisa sumir e só aparecer uma vez por semana. – falei a ela. Era estranho como ela me entendia, e vice versa. Ela lançou a mim um olhar de desculpas – Voltaremos à Hogwarts hoje.


Neste momento entrara uma coruja pela janela, deixando cair o jornal no meu colo. A ave pousou em cima de uma estante longe de Darah, que a olhava com cobiça. Peguei um nuque e coloquei a moeda em uma bolsinha que ela carregava presa à perna, então a ave levantou voo sem rodeios, saindo pelo mesmo local que entrou.


Abri o jornal para ver se tinha alguma notícia interessante, mas foi um desperdício de tempo, as pessoas ultimamente estavam mais interessadas no divórcio do vocalista da banda As Esquisitonas.


– Bom dia filha – ouvi minha mãe falar do alto da escada.


– Bom dia mãe – me levantei e levei até ela o Profeta Diário – o jornal chegou. Precisa de ajuda para fazer o café da manhã?


– Ahm... Não precisa Rose, apenas acorde Hugo e o ajude a ver se não esqueceu de pôr alguma coisa no malão – ela respondeu. Entendi o porquê da hesitação, eu realmente não me dou bem na cozinha, sou um verdadeiro desastre, até sem magia.


Subi até o quarto de Hugo e parei na porta, criando coragem para entrar no que eu sabia que seria uma bagunça sem fim. Abri a porta e andei alguns passos, já tendo que me desvencilhar de algumas coisas espalhadas pelo chão. Parei ao lado da cama dele e o vi dormindo, quando imediatamente um sorrisinho malicioso surgiu de canto. Eu poderia acordá-lo com um balde de água fria, seria divertido. Achei melhor não, eu poderia fazer isso em Hogwarts, além de que seria muito mais engraçado com Dominique junto.


– Ei, acorda – sacudi seu ombro, e em resposta recebi um profundo ronco, que me deu um susto e eu quase caí em uma pilha de roupas sujas. Me aproximei dele cautelosamente, e então – ACORDA!!


Ele deu um grito estranhamente fino e pulou de cima da cama, me olhando assustado e ofegante, começando a entender o que aconteceu, e provavelmente ficando com raiva.


– Por que você gritou no meu ouvido?! – ele perguntou aos berros, e eu dei uma risadinha divertida.


– Seu grito parecia com o de uma garotinha – debochei. Ele corou instantaneamente.


– Por que você gritou no meu ouvido?! – repetiu a pergunta, ignorando o que eu falei.


– Porque você não estava acordando – dei de ombros, entediada. Eu podia ter uma imagem de nerd certinha, mas isso não tem nada a ver com quem eu realmente sou, só a parte de ser nerd – mamãe mandou eu vir aqui te ajudar a ver se não esqueceu de por algo no malão, mas acho que você nem o fez.


– Vá embora, não preciso de sua ajuda – ele retrucou, e fui andando para fora do quarto.


– Ainda bem que não quer, não tenho disposição para ajudar grosseiros desorganizados – falei e fechei a porta, então sussurrei para mim mesma – nem quando se trata de Lily.


É, Hugo tem uma paixonite por Lily desde que eles eram pequenos, e como ele sempre foi tímido me mandava entregar os corações de papel e as florezinhas a ela.


Caminhei até meu quarto para pegar meu malão e o levei para baixo. Fui tomar café da manhã, estava morrendo de fome.


– Bom dia pai.


– dhia, Roghr – ele respondeu ao mesmo tempo em que comia ovos mexidos, velhos hábitos nunca passam.


– Onde está Hugo? – perguntou minha mãe.


– Arrumando as malas – respondi no duro. Sabe, eu adoro quando Hugo se ferra, mamãe passando um sermão à ele é como música para os meus ouvidos.


– Olá família – Hugo entrou na cozinha alguns minutos depois, um pouco ofegante.


– Eu não falei para você arrumar as malas ontem?! E agora você me vem arrumá-la vinte minutos antes de sairmos de casa?!


– Hum... Desculpe, eu esqueci.


– Ah, esqueceu? Mas eu não esqueci das suas notas do ano passado!


– Hermione, acalme-se – meu pai interveio, e graças a Merlin ele não estava com a boca cheia – tenho certeza de que isso não se repetirá, não é mesmo, Hugo?


– É...


– Então pronto! Tudo resolvido, vamos. – Hugo protestou que não havia tomado café da manhã, mas não chegou a terminar de falar quando papai colocou o máximo de torradas que cabiam na mão dele, o calando imediatamente.


 


A plataforma nove e meio estava cheia de gente, e era difícil enxergar com toda a fumaça que havia. Então eu me despedi dos meus pais e fui à caça a Dominique. Sorte que ainda tinha tempo, então me embrenhei no meio das pessoas e segui. Estava olhando para os lados, quando esbarrei em algo duro.


– Olha por ode anda, idiota – ralhei quando vi que era um garoto, mas seu rosto ainda estava oculto pela fumaça. Ele me estendeu a mão e me ajudou a levantar. E aí eu pude ver Scorpius Malfoy na minha frente, imediatamente senti o coração acelerar, mas ignorei.


– Procurando por alguém, Rose? – ele perguntou sorrindo galanteador, um sorriso que levaria qualquer garota aos céus.


– Pra você é Weasley – respondi friamente. Não seria um sorrisinho barato que me conquistaria – E sim, eu estou procurando por alguém, mas não é da sua conta.


– É a outra Weasley, não é? É só andar uns vinte metros em frente que você irá acha-la – ele piscou o olho e foi embora. Como ele sabia que eu estava procurando a Domi? Geralmente não sou previsível, é o que as pessoas dizem.


Andei para onde ele disse, e para minha surpresa Dominique estava lá, bem no lugar onde ele disse, pelo menos ele falou a verdade dessa vez.


– Hey.


– O que aconteceu? – ela perguntou desconfiada. E essa é uma das razões de ela ser minha melhor amiga, sempre sabe quando algo está errado comigo. E não adianta mentir, ela sempre sabe.


– Nada demais, só um dos estrupícios na minha vida.


– E por acaso esse ser é o Malfoy?


– Exatamente.


– Conte-me mais – ela adora ouvir minhas histórias, é uma ótima ouvinte.


– Afe, eu preciso mesmo falar? – perguntei fazendo uma careta.


– É sobre o beijo? – ela perguntou, ignorando completamente o que eu tinha dito.


– Que beijo? – perguntou alguém atrás de mim, foi Louis, o irmão mais novo da Domi que eu adoro tanto – Oi Rosita. – ele me deu um beijo na bochecha, e eu revirei os olhos por ele ter me chamado pelo apelido de infância – Mas que beijo?


– Ahm... O beijo do dementador, ela me perguntou sobre uma questão que caiu no N.O.M. de Defesa Contra a Arte das Trevas – respondi, não me culpem, foi a primeira coisa que me veio na cabeça. Dementadores? N.O.M.? Querido cérebro, eu não sou nerd em tempo integral, okay?


– Rose, você é uma péssima mentirosa. Mas de qualquer jeito acho melhor Hugo não ficar sabendo, se não ele terá uma crise de ciúmes. – Louis me aconselhou, mas logo mudou de assunto – E por falar nele, onde ele está?


– Não sei, vá procura-lo – respondeu Dominique de mau gosto, o empurrando levemente pelas costas. Ele fez uma careta e foi embora. A loira se virou para mim – E então? Tem a ver?


– É, tem, em parte. – respondi como se estivesse falando do tempo – e ele vai pagar por aquilo – dei um sorriso maquiavélico, e Domi entendeu bem o que eu disse. Nós somos bem diferentes, praticamente a única coisa que temos em comum é que adoramos uma bela confusão, não tenho a mínima ideia de como me tornei monitora. Tenho cara de certinha e comportada, mas na verdade sou capaz de arrumar a pior briga do colégio, além de que devo lembrar, nunca faça algo contra mim, minha vingança é três vezes pior. Sou a prova viva de que as aparências enganam.


Já Dominique não tem nada a ver comigo. Ela é a garota mais bonita do nosso ano, e tira um pouquinho de proveito disso, beem pouquinho. Não tira as notas mais altas, mas são boas, e não tem e nunca terá imagem de comportada. Sempre se mostra confiante, por vezes é um diabinho com as inimigas, e sempre as desbanca, de um modo admiradamente maduro, mas faz isso por diversão da desgraça alheia. Dominique Weasley definitivamente não namora, e segundo ela, não irá. Provocante, ela é capaz de mexer com qualquer garoto de Hogwarts.


– Vamos logo para o trem, quero pegar uma cabine vazia – Dominique me arrastou pelo braço até a última cabine vaga, e não me deixou nem parar para falar com Lily, disse que eu falaria depois.


– Agora eu posso ir falar com ela? – perguntei irritada quando chegamos. Ela deu de ombros e se jogou no assento acolchoado.


– Claro, mas o trem está começando a andar, acho melhor você ir depois.


Bufei e sentei também, fui meio que jogada no banco pela velocidade que a locomotiva foi ganhando. Lembrei de que sou monitora, então saí e deixei Dominique lá. Andei até o vagão dos monitores, não foi muito longe. Mal abri a porta e um comentário veio da pessoa que eu menos gostaria que estivesse ali.


– Finalmente, Weasley. Achamos que tinha se esquecido das suas responsabilidades como monitora – Quem você achou que disse isso? Façam suas apostas, rufem os tambores. Okay, não é pra tanto. Se você disse Scorpius Malfoy acertou. E como ele também é monitor?! Isso já é perseguição, onde eu vou ele está, daqui a pouco está até entrando na torre da Grifinória.


– Claro que não, Malfoy. Esse tipo de atitude pertence a você – falei com uma cordialidade que não me pertence, mas a imagem diante dos outros monitores é tudo. Vi aquele sorrisinho irônico desaparecer de seu rosto, quase sorri vitoriosa, mas fui obrigada a fingir que não me importava.


Sentei na última cadeira da longa mesa, ao lado do monitor da Grifinória, Mathew Wood. Na minha frente sentava o Malfoy, e ao lado dele se encontrava Alisha Lewis, uma sonserina estranha com cara de rata.


– Bem, inicialmente quero dar a vocês os parabéns por conseguirem o cargo de monitores, é uma honra que poucos têm. E para manter essa honra, vocês devem cumprir deveres... – blá, blá, blá... Nossa, esse Marcus MacMillan é muito pomposo, não vou nem repetir aqui para não dar sono. Fingi que prestava atenção ao que ele dizia, mas minha mente estava no carrinho de doces. Me perguntava a que horas seria liberada dali, estava com fome.


Quando MacMillan finalmente terminou seu discurso de duas horas e meia, nos liberou. Claro, ainda tínhamos que fazer a ronda, eu faria mais tarde com Mathew. Voltei para a cabine onde Dominique estava, e abri um sorriso ao ver os doces que ela provavelmente tinha comprado pouco tempo antes. Uma coisa: não nos importamos de comer muito. Somos Weasleys, e Weasleys sempre comem muito. Então sempre comemos, comemos e comemos, por incrível que pareça não engordamos, e somos felizes assim. Nunca nos importamos com peso, nunca precisamos.


Um grupo de sonserinas risonhas passou ao lado alguns minutos depois, tendo no meio Phoebe Foster – a namoradinha histérica do Malfoy, que tem uma voz tão aguda que chega a doer os ouvidos – e Emily Russell, que pelo que pude perceber pintara o cabelo de loiro dourado, com uma mexa rosa ao lado.


– Essa Russell é uma vadiazinha – comentou Dominique revirando os olhos – pintou o cabelo de loiro, pelo que ouvi falarem foi para se parecer comigo, mas o meu cabelo é loiro platinado, não dourado. E você viu aquela mecha rosa? É espetacularmente ridícula, tem gente que não sabe ser original.


– Essas garotas querem ter a mesma atenção que você recebe, Domi, só ignore.


Mathew me chamou para fazer a ronda, então tive que ir com ele e deixar Domi mais uma vez sozinha.


– E então... – Wood tentou puxar assunto, mas evidentemente não tinha nenhum – Aquele MacMillan é chato, né?


– Nem me fale – suspirei cansada. Nossa, que assunto, hein? – tive que fazer esforço para não dormir enquanto ele falava.


– É... Mas então, como foram suas férias? – ele perguntou, e eu pude perceber que a voz dele saiu um pouco tremida.


– Não foram as piores. E as suas?


– Normais, a mesma coisa de sempre.


E a conversa se seguiu assim, com perguntas fúteis e respostas vazias. Eu preferia ter feito a ronda sozinha, o clima com Wood estava tenso. Ele parecia sempre estar querendo me falar algo, mas durante todo o trajeto não falou.

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