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3. Chapter III-I


Fic: Harry Potter REWRITE - Rondo da ilusão e da Ressurreição


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Chapter III - Beauxbatons e Durmstrang


 


Logo cedo na manhã seguinte, Harry acordou com um plano inteiramente formado na cabeça, como se o seu cérebro adormecido tivesse trabalhado naquilo a noite toda.


Ele se levantou e se vestiu à luz fraca do amanhecer, saiu do dormitório sem acordar Rony e desceu para o salão comunal, àquela hora deserto. Ali apanhou um pedaço de pergaminho na mesa em cima da qual ainda se achava o dever de Adivinhação e escreveu a seguinte carta:


 


Caro Sirius,


Acho que imaginei a dor na minha cicatriz, eu estava quase dormindo quando lhe escrevi a última carta. Você não precisa voltar, vai tudo bem aqui. Não se preocupe comigo, sinto a cabeça completamente normal.


Harry


 


Depois, Harry passou pelo buraco do retrato, subiu as escadas do castelo silencioso (só foi detido brevemente por Pirraça, que tentou virar um enorme vaso em cima dele no meio do corredor do quarto andar) e finalmente chegou ao corujal, que ficava no alto da Torre Oeste.


O corujal era uma sala circular revestida de pedra; um tanto fria e varrida por correntes de vento, porque nenhuma das janelas tinha vidro. O chão era coberto de palha, titica de coruja e esqueletos de ratos e arganazes que as corujas regurgitavam. Centenas e mais centenas de corujas de todas as espécies imagináveis estavam aninhadas ali em poleiros que subiam até o alto da torre, quase todas adormecidas, embora aqui e ali um redondo olho cor de âmbar olhasse feio para o garoto.


Harry localizou Edwiges aninhada entre uma coruja-das-torres e uma coruja castanho-amarelada, e correu para ela, escorregando um pouco no chão coberto de excremento.


Levou certo tempo para convencê-la a acordar e olhar para ele porque sua coruja não parava de mudar de lugar no poleiro, virando-lhe o rabo.


Evidentemente continuava furiosa com a falta de gratidão que ele demonstrara na noite anterior. Por fim, foi a insinuação de Harry que ela poderia estar demasiado cansada e que talvez ele pedisse Pichirinho emprestado a Rony que a fez esticar a perna e permitir ao dono amarrar nela a carta.


- Acha ele, está bem? - pediu Harry, alisando o dorso de Edwiges enquanto a levava no braço até uma das aberturas na parede. - Antes que os dementadores façam isso.


Ela lhe deu uma mordidinha no dedo, talvez com mais força do que normalmente teria feito, mas, mesmo assim, piou baixinho de uma maneira que o deixou tranquilo. Em seguida abriu as asas e levantou vôo para o céu do amanhecer. Harry observou-a desaparecer de vista com a conhecida sensação de mal-estar no estômago. Antes tivera tanta certeza de que a resposta de Sirius aliviaria suas preocupações em vez de aumentá-las.


- Isso foi uma mentira, Harry - falou Hermione com severidade ao café da manhã, quando o garoto contou a ela e a Rony o que fizera. - Você não imaginou que sua cicatriz estava doendo e sabe muito bem disso.


- E daí? - retrucou Harry. - Ele não vai voltar para Azkaban por minha causa.


- Esquece - disse Rony com aspereza a Hermione, quando ela abriu a boca para continuar a discussão e, uma vez na vida, a garota atendeu ao amigo e se calou.


Harry fez o que pôde para não se preocupar com Sirius nas semanas seguintes. É verdade que não conseguia deixar de olhar para os lados, ansiosamente, toda manhã quando as corujas chegavam trazendo o correio; e tarde da noite antes de dormir, tinha horríveis visões em que Sirius era encurralado pelos dementadores em alguma rua escura de Londres. Mas entre um momento e outro, ele tentava não pensar no padrinho. Desejou que ainda tivesse o quadribol para distraí-lo; nada dava tão certo para uma cabeça preocupada quanto um treino exaustivo. Por outro lado, as aulas estavam se tornando cada vez mais difíceis e exigindo que se esforçassem mais do que nunca.


Todos os alunos do quarto ano haviam notado que decididamente houvera um aumento na quantidade de deveres exigida deles neste trimestre. A Prof.ª Minerva explicou o porquê, quando a turma gemeu particularmente alto à vista do dever de Transformação que ela passava.


- Vocês agora estão entrando numa fase importantíssima da sua educação em magia! - disse ela, os olhos faiscando perigosamente por trás dos óculos quadrados. - Os exames para obter os Níveis Ordinários de Magia estão se aproximando... - Mas não vamos fazer exames de nivelamento até a quinta série! - exclamou Dino Thomas indignado.


- Talvez não, Thomas, mas, me acredite, vocês precisam de toda a preparação que puderem obter! A Srta. Granger foi a única aluna desta turma que conseguiu transformar um porco-espinho em uma almofadinha de alfinetes razoável. Eu talvez possa lhe lembrar, Thomas, que a sua almofadinha ainda se encolhe de medo quando alguém se aproxima dela com um alfinete!


Hermione, que tornara a corar, parecia estar fazendo um esforço para não parecer cheia de si demais.


Harry e Rony acharam muita graça quando a Profa Trelawney lhes disse que tinham tirado a nota máxima no dever da aula anterior de Adivinhação. Ela leu longos trechos das predições que eles fizeram, comentando a impassível aceitação dos horrores que os aguardavam - mas os garotos não acharam tanta graça quando ela pediu que fizessem outra projeção para dali a dois meses: eles tinham quase esgotado as idéias para catástrofes.


Entrementes, o Prof. Binns, o fantasma que ensinava História da Magia, mandou-os escrever ensaios semanais sobre a Revolta dos Duendes no século XVIII. O Prof. Snape estava obrigando-os a pesquisar antídotos. A turma levou o dever a sério, porque ele insinuou que talvez envenenasse um deles antes do Natal para ver se o antídoto que encontrassem faria efeito. O Prof. Flirwick lhes pedira que lessem mais três livros, em preparação para a aula de Feitiços Convocatórios.


E até Hagrid aumentara a carga de trabalho de seus alunos. Os explosivins estavam crescendo em um ritmo excepcional, dado que ninguém ainda descobrira o que comiam. Hagrid estava encantado e, como parte da "pesquisa", sugeriu que fossem à sua cabana em noites alternadas para observar os bichos e tomar notas sobre o seu extraordinário comportamento.


- Eu não vou - disse Draco Malfoy com indiferença, quando o professor fez essa proposta com ar de Papai Noel tirando um brinquedo muito vistoso do saco. - Já vejo o bastante dessas nojeiras durante as aulas, obrigado.


O sorriso desapareceu do rosto de Hagrid.


- Você vai fazer o que mando - rosnou ele.


A única aula em que eles não tinham esse problema era em invocações, talvez pelo fato de não ser muito difícil


Naquele dia eles estavam aprendendo a convocar ferramentas de outras pessoas, Harry, Rony, Hermione e mais quatro pessoas estavam de frente para a turma, cada um deles tentando invocar uma das Sete Estacas do Purgatório


- Vamos Apareça... Uma das Sete Estacas do Purgatório... Lúcifer. – Assim que Harry terminara de falar, Lúcifer surgira em meio a borboletas douradas


- Lúcifer de orgulho... Presente. – Logo os outros seis conseguiram invocar cada um uma estaca.


Depois das mesmas desaparecerem, os alunos formaram pares e foram praticar.


Harry havia invocado Myrho, enquanto Rony estava tentando convocar Radamanthys.


Perto do final da aula, a maioria deles havia conseguido cumprir a tarefa, Beatrice havia aproveitado aquele tempo que estava sobrando para falar com os alunos.


- Eu soube que alguns de vocês andaram usando suas ferramentas para... “Causar Problemas” E por algum motivo os outros professores estão reclamando comigo, eu realmente não entendo por que eu tenho que me responsabilizar por isso, afinal, as ferramentas são de vocês, e vocês podem fazer o que quiserem com elas, mas isso está começando a ser um problema para mim, eu já tive uma discussão com o prof Snape por... Como ele chamou mesmo? Eu me esqueci, mas tem algo haver com enfiar uma estaca na mão de um de seus alunos, que eu não me recordo o nome agora, então, eu gostaria muito se vocês não me dessem mais problemas, estamos entendidos? – A expressão, e o tom de voz da Ushiromiya quando ela disse que “gostaria muito” fez com que eles percebessem que o que ela realmente queria dizer é, “façam o que quiserem, mas se vierem me incomodar por isso, vocês irão se arrepender.” O que fez com que todos eles concordassem rapidamente, agradecendo aos céus quando a aula acabou.



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Quando o trio chegou ao saguão de entrada, viram-se impedidos de prosseguir pela aglomeração de alunos que havia ali, em torno de um grande aviso afixado ao pé da escadaria de mármore. Rony, o mais alto dos três, ficou nas pontas dos pés para ver por cima das cabeças à sua frente e ler o aviso em voz alta para os outros dois.


 


TORNEIO TRIBRUXO


As delegações de Beauxbatons e Durmstrang chegarão às seis horas, sexta-feira, 30 de outubro. As aulas terminarão uma hora antes...


 


- Genial! - exclamou Harry. - É Poções a última aula de sexta-feira! Snape não terá tempo de envenenar todos nós!


 


Os alunos deverão guardar as mochilas e livros em seus dormitórios e se reunir na entrada do castelo para receber os nossos hóspedes antes da Festa de Boas- Vindas.


 


- É daqui a uma semana! - exclamou Ernesto MacMillan da Lufa-Lufa, saindo da aglomeração, os olhos brilhando. - Será que o Cedrico sabe? Acho que vou avisar a ele...


- Cedrico? - repetiu Rony sem entender, enquanto Ernesto saía apressado.


- Diggory - disse Harry. - Ele deve estar inscrito no torneio.


- Aquele idiota, campeão de Hogwarts? - disse Rony, quando abriam caminho pelo ajuntamento de alunos para chegar à escadaria.


- Ele não é idiota, você simplesmente não gosta dele porque ele derrotou a Grifinória no quadribol - disse Hermione. – Ouvi falar que é realmente um bom aluno, e é monitor!


Ela falou isso como se encerrasse a questão.


- Você só gosta dele porque ele é bonito - respondeu Rony com desdém.


- Perdão, eu não gosto de pessoas só porque são bonitas! - retrucou Hermione indignada.


Rony fingiu que pigarreava alto, um som que estranhamente lembrava "Lockhart!".


A afixação do aviso no saguão de entrada teve um efeito sensível nos moradores do castelo. Durante a semana seguinte, parecia haver um assunto nas conversas, onde quer que Harry fosse: o Torneio Tribruxo. Os boatos voavam de um aluno para outro como um germe excepcionalmente contagioso: quem ia tentar ser o campeão de Hogwarts, que é que o torneio exigia, e em que os alunos de Beauxbarons e Durmstrang se diferenciavam deles.


Harry notou, também, que o castelo estava sofrendo uma faxina mais do que rigorosa. Vários retratos encardidos tinham sido escovados para descontentamento dos retratados, que se sentavam encolhidos nas molduras, resmungando sombriamente e fazendo caretas ao apalpar os rostos vermelhos. As armaduras de repente brilhavam e mexiam sem ranger e Argo Filch, o zelador, estava agindo com tanta agressividade com os alunos que se esquecessem de limpar os sapatos que aterrorizou duas garotas do primeiro ano levando-as à histeria.


Outros funcionários também pareciam estranhamente tensos.


- Longbottom, tenha a bondade de não revelar que você não consegue sequer lançar um simples Feitiço de Troca diante de alguém de Durmstrang! – vociferou a Profa Minerva ao fim de uma aula particularmente difícil, em que Neville acidentalmente transplantara as próprias orelhas para um cacto.



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Havia uma sensação de agradável expectativa no ar aquele dia. Ninguém prestou muita atenção às aulas, pois estavam bem mais interessados na chegada das comitivas de Beauxbatons e Durmstrang à noite; até Poções foi mais tolerável do que de costume, porque durou meia hora a menos. Quando a sineta tocou mais cedo, Harry, Rony e Hermione subiram depressa para a Torre da Grifinória, largaram as mochilas e os livros, conforme as instruções que tinham recebido vestiram as capas e desceram correndo para o saguão de entrada.


Os diretores das Casas estavam organizando os alunos em filas.


- Weasley, endireite o chapéu - disse a Prof Minerva secamente a Rony. - Srra. Patil, tire essa coisa ridícula dos cabelos.


Parvati fez cara feia e retirou o enorme enfeite de borboleta da ponta da trança.


- Sigam-me, por favor - mandou a professora -, alunos da primeira série à frente... Sem empurrar...


Eles desceram os degraus da entrada e se enfileiraram diante do castelo. Fazia um fim de tarde frio e límpido; o crepúsculo vinha chegando devagarzinho e uma lua pálida e transparente já brilhava sobre a Floresta Proibida. Harry, postado entre Rony e Hermione na quarta fileira da frente para trás, viu Denis Creevey decididamente trêmulo de expectativa entre os colegas da primeira série.


- Quase seis horas - comentou Rony, verificando o relógio e depois espiando o caminho que levava aos portões da escola. - Como é que vocês acham que eles vêm? De trem?


- Duvido - respondeu Hermione.


- Como então? Vassouras? - arriscou Harry, erguendo os olhos para o céu estrelado.


- Acho que não... Não vindo de tão longe...


- De chave de portal? - aventurou Rony. - Ou quem sabe apatando, talvez tenham permissão de fazer isso antes dos dezessete anos no lugar de onde vêm?


- Não se pode aparatar nos terrenos de Hogwarts. Quantas vezes tenho que repetir isso a vocês - falou Hermione com impaciência.


Os garotos examinavam excitados e atentos os jardins cada vez mais escuros, mas nada se movia; tudo estava quieto, silencioso, como sempre. Harry começava a sentir frio. Desejou que os visitantes chegassem logo... talvez os estudantes estrangeiros estivessem preparando uma entrada teatral... lembrou-se do que o Sr. Weasley dissera no acampamento antes da Copa Mundial de Quadribol: "Sempre os mesmos, não resistimos à tentação de fazer farol quando nos reunimos...


E então Dumbledore falou em voz alta da última fileira, onde aguardava com os outros professores:


- Aha! A não ser que eu muito me engane, a delegação de Beauxbatons está chegando!


- Onde? - perguntaram muitos alunos ansiosos, olhando em diferentes direções.


- Ali! - gritou um aluno da sexta série, apontando para o céu sobre a Floresta.


Alguma coisa grande, muito maior do que uma vassoura - ou, na verdade, cem vassouras -, voava em alta velocidade pelo céu azul-escuro em direção ao castelo, e se tornava cada vez maior.


- É um dragão! gritou esganiçada uma aluna da primeira série, perdendo completamente a cabeça.


- Deixa de ser burra... é uma casa voadora! - disse Dênis Creevey.


O palpite de Dênis estava mais próximo... quando a sombra gigantesca e escura sobrevoou as copas das árvores da Floresta Proibida, e as luzes que brilhavam nas janelas do castelo a iluminaram, eles viram uma enorme carruagem azul clara do tamanho de um casarão, que voava para eles, puxada por doze cavalos alados, todos baios, cada um parecendo um elefante de tão grande.


As três primeiras fileiras de alunos recuaram quando a carruagem foi baixando para pousar a uma velocidade fantástica - então, com um baque estrondoso que fez Neville saltar para trás e pisar no pé de um aluno da quinta série da Sonserina -, os cascos dos cavalos, maiores que pratos, bateram no chão. Um segundo mais tarde, a carruagem também pousou, balançando sobre as imensas rodas, enquanto os cavalos dourados agitavam as cabeçorras e reviravam os grandes olhos cor de fogo.


Harry só teve tempo de ver que a porta da carruagem tinha um brasão (duas varinhas cruzadas, e de cada uma saíam três estrelas) antes que ela se abrisse.


Um garoto de vestes azul-claras saltou da carruagem, curvado para a frente, mexeu por um momento em alguma coisa que havia no chão da carruagem e abriu uma escadinha de ouro. Em seguida, recuou respeitosamente. Então Harry viu um sapato preto e lustroso sair de dentro da carruagem - um sapato do tamanho de um trenó de criança - acompanhado, quase imediatamente, pela maior mulher que ele já vira na vida.


O tamanho da carruagem e dos cavalos ficou imediatamente explicado. Algumas pessoas exclamaram.


Harry só vira, até então, uma pessoa tão grande quanto essa mulher: Hagrid; ele duvidou que houvesse dois centímetros de diferença na altura dos dois. Mas, por alguma razão - talvez simplesmente porque estava habituado a Hagrid -, esta mulher (agora ao pé da escada, que olhava para as pessoas que a esperavam de olhos arregalados) parecia ainda mais anormalmente grande. Ao entrar no círculo de luz projetado pelo saguão de entrada, ela revelou um rosto bonito de pele morena, grandes olhos negros que pareciam líquidos e um nariz um tanto bicudo. Seus cabelos estavam puxados para trás e presos em um coque na nuca. Vestia-se da cabeça aos pés de cetim negro, e brilhavam numerosas opalas em seu pescoço e nos dedos grossos.


Dumbledore começou a aplaudir; os estudantes, acompanhando a deixa, prorromperam em palmas, muitos deles nas pontas dos pés, para poder ver melhor a mulher.


O rosto dela se descontraiu em um gracioso sorriso e ela se dirigiu a Dumbledore, estendendo a mão faiscante de anéis. O diretor, embora alto, mal precisou se curvar para beijar-lhe a mão.


- Minha cara Madame Maxime - disse. - Bem-vinda a Hogwarts.


- Dumbly-dorr - disse Madame Maxime, com uma voz grave.


- Esperro encontrrá-lo de boa saúde.


- Excelente obrigado - respondeu Dumbledore.


- Meus alunos - disse Madame Maxime, acenando descuidadamente uma de suas enormes mãos para trás.


Harry, cuja atenção estivera focalizada inteiramente em Madame Maxime, reparou, então, que uns doze garotos e garotas - todos, pelo físico, no fim da adolescência - haviam descido da carruagem e agora estavam parados atrás de Madame Maxime. Eles tremiam de frio, o que não surpreendia, pois suas vestes eram feitas de finissima seda e nenhum deles usava capa. Alguns tinham enrolado echarpes e xales na cabeça. Pelo que Harry pôde ver de seus rostos (estavam à enorme sombra de sua diretora), eles olhavam para o castelo, com uma expressão apreensiva.


- Karrkarroff já chegou? - perguntou Madame Maxime.


- Deve estar aqui a qualquer momento - disse Dumbledore. - Gostaria de esperar aqui para recebê-lo ou prefere entrar para se aquecer um pouco?


- Me aquecerr, acho. Mas os cavalos...


- O nosso professor de Trato das Criaturas Mágicas ficará encantado de cuidar deles - disse Dumbledore - assim que terminar de resolver um probleminha que ocorreu com alguns de seus outros... Protegidos.


- Explosivins - murmurou Rony para Harry, rindo-se.


- Meus corrcéis ecsigem... hum... um trratadorr forrte - disse Madame Maxime, com uma expressão de dúvida quanto à capacidade de um professor de Trato das Criaturas Mágicas em Hogwarts para dar conta da tarefa. - Eles son muito forrtes...


- Posso lhe assegurar que Hagrid poderá cuidar da tarefa - disse o diretor, sorrindo.


- Ótimo - disse Madame Maxime, fazendo uma ligeira reverência -, por favorrr inforrrme a esse Agrid que os cavalos só bebem uísque de um malte.


- Farei isso - respondeu Dumbledore, retribuindo a reverência.


- Venham - disse Madame Maxime imperiosamente aos seus alunos e o pessoal de Hogwarts se afastou para deixá-los subir os degraus de pedra.


- De que tamanho você acha que os cavalos de Durmstrang vão ser? - perguntou


Simas Finnigan, esticando-se por trás de Lilá e Parvati para falar com Harry e Rony.


- Bom, se eles forem maiores do que esses, nem Hagrid vai ser capaz de cuidar deles - comentou Harry. - Isto é, se ele já não foi atacado pelos explosivins. Qual será o problema com eles?


- Talvez tenham fugido - arriscou Rony esperançoso.


- Ah, não diz uma coisa dessas - falou Hermione, com um arrepio. – Imaginem aqueles bichos soltos pela propriedade...


Eles continuaram parados, agora tremendo um pouco de frio, à espera da delegação de Durmstrang. A maioria das pessoas contemplava o céu, esperançosa. Durante alguns minutos, o silêncio só foi interrompido pelos cavalões de Madame Maxime que resfolegavam e pateavam. Mas então...


- Vocês estão ouvindo alguma coisa? - perguntou Rony de repente.


Harry prestou atenção; um barulho alto e estranho chegava até eles através da escuridão; um ronco abafado mesclado a um ruído de sucção, como se um imenso aspirador de pó estivesse se deslocando pelo leito de um rio...


- O lago! - berrou Lino Jordan apontando. - Olhem para o lago!


De sua posição, no alto dos gramados, de onde descortinavam a propriedade, eles tinham uma visão desimpedida da superficie escura e lisa da água – exceto que ela repentinamente deixara de ser lisa. Ocorria alguma perturbação no fundo do lago; grandes bolhas se formavam no centro, e suas ondas agora quebravam nas margens de terra - e então, bem no meio do lago, apareceu um rodamoinho, como se alguém tivesse retirado uma tampa gigantesca do seu leito...


Algo que parecia um pau comprido e preto começou a emergir lentamente do rodamoinho... e então Harry avistou o velame...


- É um mastro! - disse ele a Rony e Hermione.


Lenta e imponentemente o navio saiu das águas, refulgindo ao luar. Tinha uma estranha aparência esquelética, como se tivesse ressuscitado de um naufrágio, e as luzes fracas e enevoadas que brilhavam nas escotilhas lembravam olhos fantasmagóricos. Finalmente, com uma grande espalhação de água, o navio emergiu inteiramente, balançando nas águas turbulentas, e começou a deslizar para a margem. Alguns momentos depois, ouviram a âncora ser atirada na água rasa e o baque surdo de um pranchão ao ser baixado sobre a margem.


Havia gente desembarcando, os garotos viram silhuetas passarem pelas luzes das escotilhas. Os recém-chegados pareciam ter físicos semelhantes aos de Crabbe e Goyle... mas então, quando subiram as encostas dos jardins e chegaram mais próximos à luz que saía do saguão de entrada, Harry viu que aquela aparência maciça se devia às capas de peles de fios longos e despenteados que estavam usando. Mas o homem que os conduzia ao castelo usava peles de um outro tipo; sedosas e prateadas como os seus cabelos.


- Dumbledore! - cumprimentou ele cordialmente, ainda subindo a encosta. – Como vai, meu caro, como vai?


- Otimamente, obrigado, Prof. Karkaroff.


O homem tinha uma voz ao mesmo tempo engraçada e untuosa; quando ele entrou no círculo de luz das portas do castelo, os garotos viram que era alto e magro como Dumbledore, mas seus cabelos brancos eram curtos, e a barbicha (que terminava em um cachinho) não escondia inteiramente o seu queixo fraco. Quando alcançou Dumbledore, apertou-lhe a mão com as suas duas.


- Minha velha e querida Hogwarts! - exclamou, erguendo os olhos para o castelo e sorrindo; seus dentes eram um tanto amarelados, e Harry reparou que seu sorriso não abrangia os olhos, que permaneciam frios e astutos. - Como é bom estar aqui, como é bom... Vítor, venha, venha para o calor... Você não se importa Dumbledore? Vítor está com um ligeiro resfriado...


Karkaroff fez sinal para um de seus estudantes avançar. Quando o rapaz passou, Harry viu de relance um nariz grande e curvo e sobrancelhas escuras e espessas.


Não precisava do soco que Rony lhe deu no braço, nem do cochicho na orelha para reconhecer aquele perfil.


-Harry, é o Krum!

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