Gina foi levada à ala hospitalar, mas saíra no mesmo dia apenas com algumas escoriações. Colin permanecia desacordado e Denis o acompanhava apesar da proibição de Madame Pomfrey. Voldemort não se conformava com o desfecho do jogo de quadribol. Estava impressionado com o comportamento de Draco, completamente sem escrúpulos, sem piedade alguma. Durante dias os alunos da Sonserina se tornaram mais insuportáveis que de costume, enquanto que os alunos da Grifinória andavam cabisbaixos pelos corredores da escola.
Preocupado que Colin pudesse acordar a qualquer momento e contar a todos que ele o havia enfeitiçado, Voldemort rondava a ala hospitalar todos os dias sempre que tinha um tempinho. Foi com essa preocupação que ele correu até lá no fim da partida, o que, convenientemente, Gina interpretou como preocupação do namorado em relação a ela. Percebendo que não poderia dar bandeira, Voldemort apenas confirmou.
Já fazia uma semana que Colin estava na enfermaria e ainda não acordara. Voldemort também não tivera oportunidade de ficar sozinho com o garoto e tomar as providências necessárias para sua segurança. A sala comunal estava lotada àquela hora. Os alunos tinham acabado de voltar de um farto jantar e alguns adiantavam seus deveres. Voldemort não fora jantar, tampouco fazia seus deveres, apenas pensava numa forma de se livrar de Colin. Agora, além de Draco, ele precisava se livrar do batedor, mas sem chamar atenção. Sentado em frente à lareira e mirando o fogo ele pensava no que fazer:
_ “Eu posso ir até lá usando a capa do Potter e matá-lo durante o sono! Todos vão achar que foi culpa da queda que ele tomou...”– ele se recostou no sofá refletindo sobre o plano: - “Não... Do jeito que as coisas andaram nos últimos meses muitos devem reconhecer alguém que morre pelo Avada kedavra... E se eu o sufocar? Não. Já que ele é um maldito sangue-ruim ainda é capaz dos pais mandarem examinar e aí saberão a causa da morte do garoto”. Droga! – ele se levantou e começou a andar em círculos em frente à lareira: - “Era bem mais fácil sob minha antiga forma... Era só chegar, matar e pronto. Todos me temiam a tal ponto que ninguém acharia estranho, mas agora é diferente! Potter é fraco, sentimental demais. Os bons sentimentos estão arraigados no corpo dele, não só na alma. Parece que a proteção que aquela sangue-ruim deixou nele fez algo mais do que só protegê-lo de mim. Eu preciso dar um jeito nessa situação...”
_Harry? – Gina, que junto com Rony e Hermione, assistia a preocupação do rapaz, foi a única que teve ânimo de se aproximar dele.
_Agora não, Gina, por favor! – ele respondeu impaciente.
_O que foi que houve, Harry? Faz dias que você está preocupado com alguma coisa. O que é?! – ela não se abalou.
_Não é nada!
_Como nada! – ela se aproximou. Pousou uma das mãos em seu ombro forçando-o a parar de andar. – Me diz o que está acontecendo! Talvez eu possa te ajudar...
Ele sorriu para ela, sarcástico: - Acredite! Você não vai querer me ajudar nisso!
_Ajudar em que?! – ela insistiu.
_É assunto meu, Gina! – falou firme.
Gina recuou um pouco, mas continuou encarando-o, um pouco chateada. Sem saber por que, ele se sentiu mal com a reação dela.
_Olha, Gi... – se aproximou acariciando o rosto dela, delicadamente. – Não é nada demais, ok? – falou docemente. – Eu estou um pouco irritado, mas não quero descontar em você... Eu só quero ficar um pouco sozinho... – sorriu, mesmo sem ter vontade.
_Me conta o que é, Harry! – ela segurou a mão que a acariciava. – Por que você ainda não confia em mim?! – disse visivelmente magoada.
_Do que você está falando?! – perguntou confuso.
_Eu tenho certeza que quando eu deixar o salão comunal você vai contar tudo para a Hermione e o Rony! Foi sempre assim! Você sempre me deixou de fora! Eu achei que isso ia mudar quando nos tornamos namorados! – seus olhos lacrimejavam.
_Não é nada disso, Gina... – ele tentou se explicar, sem entender por que fazia aquilo. – Eu não vou falar nada para eles! É algo que eu prefiro guardar só para mim! – ela o olhou, preocupada. – Por enquanto... – ele acrescentou.
_Tem alguma coisa a ver com Voldemort? – ela perguntou baixinho.
_O quê?! – ele se assustou.
_Você está estranho desde que acordou naquele hospital. – ela se sentou onde antes ele estivera. – Você não perdeu completamente a memória, mas tem agido como se fosse alguém completamente diferente! Não parece o mesmo Harry de antes! Eu diria que você está tão irritante quanto estava na época que fundamos a AD. Impaciente. Ás vezes até estúpido! – ela parou para respirar. Há muito queria desabafar com ele. – Naquela época Voldemort tinha voltado e todos entendemos, mas agora... Você tem tido pesadelos? Você anda tão nervoso! Você acha que não acabou, não é?! – ela segurou as mãos dele, como se implorasse por uma explicação.
_Do que você está falando, Gina? – ele ficou preocupado.
_Você acha que ele não se foi, não é?! Eu também acho! Essa história de não terem encontrado o corpo dele... – ela encarou as chamas da lareira. – Exatamente como da primeira vez... – suspirou. – E o Colin?! – ela o encarou. – Ele estava estranho naquele jogo... Eu o encontrei antes do começo da partida e ele parecia confuso, atordoado... E você ficou mais inquieto depois daquele dia... Não pára de ir até a ala hospitalar... Eu sei que você está desconfiado de alguma coisa, não está?! – ela se aproximou mais dele e cochichou: - Você acha que Voldemort ainda está vivo, não acha? Você acha que Colin sabia de alguma coisa... Que ele pode nos contar tudo depois que acordar, não é?
Por essa ele não esperava. Ficou imóvel tentando não transparecer seus verdadeiros sentimentos. Sorriu. – Você tem uma imaginação e tanto, hein pequena? - Gina se assustou. – Não tem como ele ter sobrevivido! É impossível! – sorriu nervosamente para dar ênfase a sua certeza. – Olha... – ele se levantou de repente. – Eu estou um pouco cansado, ok? Acho que vou me deitar... Boa noite! – deu-lhe um beijo rápido nos lábios e seguiu para o dormitório. Gina o observou mais confusa ainda.
_E então? – Rony perguntou, aproximando-se da irmã, acompanhado de Hermione.
_Me garantiu que não é nada do que pensávamos! – ela meneou os braços em sinal de desistência. – Acho que não vai adiantar pressionarmos.
_Eu concordo... – Hermione falou sentando ao lado da amiga. – O melhor que fazemos é continuar de olho nele...
_É... – Gina concordou. – Eu acho que vou dar uma volta, gente...
_Há essa hora?! – Rony protestou.
_Eu não estou com sono! Acho que vou até a cozinha pegar alguns doces... Eu não demoro!
_Mas Gina... Ta tarde! Você não p...
_Eu sei, Mione! – respondeu impaciente. – Mas eu preciso andar! – e saiu sem dar atenção aos protestos do irmão.
_Acho que você não deveria deixá-la sair, Rony... – Hermione falou preocupada.
_E fazer o quê? Amarrá-la no pé do sofá? Até parece que você não conhece Gina Weasley! – ele se sentou desanimado.
Ela o observou demoradamente. Queria dar uma bronca por ele desistir tão fácil, mas não teve ânimo de brigar com ele. Meio constrangida por ter percebido que estava sozinha com Rony, embora ainda existissem pessoas no salão comunal, Hermione ficou sem saber o que fazer. Pensou em ir se deitar, mas não estava com sono ainda e queria aproveitar a oportunidade de ficar ali com ele mais um pouquinho. Praticamente prendendo a respiração, ela se sentou ao lado dele no sofá.
Percebendo o silêncio estranho que se abateu sobre os dois naquele momento, Rony se mexeu desconfortável no sofá quando Hermione se sentou. Sentiu suas orelhas esquentarem, um desconforto na boca do estômago quando se deu conta de que só estavam os dois naquele canto do salão comunal.
_“Desde quando é tão difícil sentar ao lado dela/e?” – pensaram ao mesmo tempo.
Completamente desconfortável com a situação, Hermione puxou o livro de Transfigurações a seu lado e começou a folhear. Rony a observava. Queria começar um assunto, mas não sabia qual.
_E então? – Hermione começou sem ter achado assunto melhor. – Você já começou a estudar para o teste de Transfiguração? A prova já está próxima e você ainda não conseguiu transformar sua coruja num bule de café!
_Eu estou tentando, mas é muito difícil! Não sei como você consegue... – ele se endireitou no sofá. – Você bem que poderia me ajudar, né?
_Como se eu fizesse outra coisa! – respondeu sorrindo sarcasticamente. – Eu vou estudar com o Juan amanhã na nossa janela. Se você quiser pode estudar conosco... – ela ofereceu.
_O quê?! E atrapalhar o seu momento de “estudos” com o Juan? – falou cinicamente.
_O que você quer dizer? – ela perguntou ofendida.
_Você sabe muito bem do que eu estou falando, Hermione! – falou emburrado.
_Não sei por que a preocupação! Não foi você mesmo que falou que os garotos só me procuram para tirar dúvidas? – ela fechou o livro bruscamente e o encarou sorrindo vitoriosa.
_Acontece que a Gina me falou que vocês têm passado muito tempo juntos! Não acredito que fiquem estudando o tempo todo! – ele a encarou também, o rosto vermelho.
_E se não ficarmos? – ela desafiou.
_Só acho que você não deveria passar tanto tempo com ele!
_Por que você se importa com isso? – ela perguntou mudando ligeiramente o tom.
_Por que... Por que eu me preocupo com você! Sou seu amigo e não quero que te magoem! – respondeu estudando os desenhos do estofado.
_Você não precisa se preocupar tanto, Rony. – falou meio decepcionada. – Eu sei me cuidar muito bem... E o Juan é muito legal comigo...
Rony a olhou, transtornado: - Então vocês estão mesmo... ficando?
Hermione se espantou com a pergunta. O encarou analisando o teor da preocupação dele: - Ainda não! – respondeu meio ruborizada.
_Mas então você pretende ficar com ele? – perguntou meio desesperado.
_Não sei, Rony! Por que tanto interesse com a minha vida sentimental? – seus olhos brilhando de esperança.
Rony hesitou. Tinha a resposta na ponta da língua, mas não tinha coragem para expô-la. Seu coração batia acelerado e ele sabia que deveria estar pior que um pimentão. Chegou a abrir a boca, esboçar a primeira palavra, mas ela mudou de forma no meio do caminho: - Eu já te falei... – encostou-se no sofá derrotado. – Me preocupo com seu bem estar. Sou seu amigo, não sou?
_Claro que é... – Hermione respondeu suspirando decepcionada. Mais uma vez o silêncio constrangedor caiu sobre os dois.
_Hermione eu...
_Sim? - perguntou num fio de esperança.
_Acho... acho que eu... vou procurar a Gina! Ela está demorando muito...
_É melhor mesmo! Vou esperar aqui. Ainda não estou com sono, mas não demorem muito! – falou pegando o livro novamente.
_Ok... – e foi em direção ao buraco do retrato.
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No dormitório masculino, Voldemort caminhava mais perturbado ainda. – “Isso não poderia ter acontecido! Se aquela garota desconfia que eu ainda estou vivo... Pode ser que alguma hora ela se de conta! Não! Isso não pode acontecer! Não ainda!” – ele retirou os óculos e esfregou os olhos com impaciência. – “E aquele maldito garoto? Eu preciso dar um jeito nele, mas qual?! Se ele morrer as suspeitas vão aumentar. Pode ser que ela e os amigos resolvam falar com a McGonnagal, ou pior, com o Dumbledore! Não posso chegar perto daquele velho idiota. Ele vai ter certeza de que eu estou de volta. Vai saber que eu não sou o Potter. Não! Isso não pode acontecer... Eu tenho que dar outro jeito de silenciar o fedelho! E tem que ser agora!”
Imediatamente, ele abriu o malão de Harry e pegou a capa de invisibilidade e o Mapa do Maroto, que Rony o ensinara a usar. Ele fechou o cortinado em volta de sua cama com a esperança de que Rony não percebesse que ele não estava lá. Colocou os óculos, pegou a varinha e, cobrindo-se com a capa, saiu do dormitório. No salão comunal teve que tomar cuidado para não esbarrar em alguns alunos que começavam a se recolher. Discretamente saiu pelo buraco do retrato esperando que ninguém notasse que a porta se abrira sozinha. Ele analisava o mapa de tempos em tempos para ter certeza de que não havia nenhum professor fazendo ronda pelo castelo.
Não demorou muito para que Voldemort chegasse até a ala hospitalar. Como esperado, àquela hora da noite, o lugar estava completamente vazio. Mme. Pomfrey já havia se retirado para seus aposentos e o único sinal da presença de alguém por ali era o cortinado fechado em volta de uma das camas. Procurando não fazer barulho, o bruxo se aproximou da cama de Colin e puxou o cortinado. O rapaz dormia tranqüilamente, alheio a tudo que o rodeava. Sua respiração era fraca, mas regular. Voldemort o observou por alguns instantes pensando em qual seria a melhor atitude a tomar no momento. Convencido, sacou sua varinha e apontou para o peito do rapaz. Com apenas uma palavra seu problema fora resolvido. Voldemort voltou a fechar o cortinado e saiu tão discretamente quanto entrara.
Mais aliviado, porém um tanto decepcionado, ele seguiu silenciosamente pelos corredores agora escuros, tomando cuidado de não esbarrar com nenhum fantasma, ou incomodar algum retrato mal humorado que resolvesse denunciá-lo. Em meio a sua cautela, e com os ouvidos muito atentos ele começou a ouvir alguns sussurros numa sala próxima. Achou que não passava de algum casalzinho aos amassos, mas uma voz familiar o fez se desviar do caminho e ver o que acontecia.
_E agora, Weasley? O que será que eu deveria fazer com você? – Draco estava parado de costas para a porta da sala, bloqueando a saída.
_Que tal sair do meu caminho, Malfoy?! – Gina respondeu insolente.
_Sair do seu caminho?! – Draco riu. – O que você acha, Pansy? A Weasley sai da sua torre há essa hora, se depara com o Monitor Chefe... – ele mostrou o brilho do seu distintivo. - ...e acha que vai sair impune...
Pansy riu alto e se aproximou da garota: - Nem que você fosse da Sonserina, queridinha! Sendo da Grifinória, então? Uma Weasley?!
_Namorada do Santo Potter! – Draco cuspiu as duas últimas palavras. - Você só pode estar brincando, Weasley! – Draco completou.
_Então vocês vão fazer o que comigo, hein? Levar-me para a direção?! Levem-me de uma vez então! – desafiou.
_Mas isso seria muito pouco... – Pansy falou empurrando uma mecha de cabelo do rosto de Gina com a varinha. – Até parece que você não nos conhece...
_Que castigo seria bom o suficiente para você, Weasley?! – Draco perguntou apontando para ela com uma varinha.
Da porta, Voldemort percebeu que Draco estava também com a varinha de Gina. Ela estava desarmada e parecia tentar se equilibrar apoiada na mesa: - “Feitiço da perna presa! Não acredito que ela foi pega nessa!”
_Podíamos te deixar trancada em um dos armários de vassoura... O que você acha, Draco?
_Leve demais! – Draco respondeu com um sorriso malicioso nos lábios. – Tem que ser algo pior... Bem pior... – ele se aproximou dela lentamente. – Algo que seja difícil de esquecer.
Gina sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não costumava sentir medo de Draco, mas o tom que ele usava não lhe parecia muito promissor. Além disso, ela não tinha como se defender. Eram dois contra um. Voldemort sentia que deveria ajudá-la, mas também estava curioso para saber até onde Draco seria capaz de chegar.
_Só para começar... – Draco apontou a varinha para a garganta de Gina e murmurou: - Silencio!
Gina gritou tentando pedir socorro, mas deveria ter pensado nisso antes, agora era tarde demais, nenhum som saída de boca. Ela gesticulava desesperadamente tentando recuperar sua varinha das mãos do sonserino, mas ele se afastara rapidamente. Sem poder mover as pernas ela se desequilibrou e caiu de joelhos. Draco e Pansy riam gostosamente.
_Vou deixar as damas começarem. – Draco se afastou cavalheiresco, dando passagem à namorada.
Pansy se abaixou em frente a Gina e, ainda sorrindo falou: - Eu podia começar detonando seus cabelos, que tal?
Gina se assustou, mas tentou não demonstrar o nervosismo.
_Você não tem idéia de como o seu cabelo me irrita! Tão... tão... ruivo! É ridículo!
Gina mexeu os lábios em protesto. A única palavra que Pansy distinguiu foi ‘inveja’.
_Inveja?! – Pansy voltou a rir, acompanhada por Draco. – Inveja desse cabelo vermelho capaz de chamar atenção a quilômetros de distância? Faça-me o favor! – ela colocou as mãos na cintura, ofendida. – Vou começar por aí mesmo. Vou colocar fogo nos seus cabelos flamejantes!
Gina não pode disfarçar o medo. Arregalou os olhos e até pensou em pedir por misericórdia, mas seu orgulho Weasley não permitiu. Continuou encarando Pansy, como se ela estivesse apenas contando uma piada muito interessante.
_Vamos lá... – Pansy apontou a varinha, mas hesitou. – Como era mesmo o feitiço?!
_Ah, não! – Draco exclamou. – Deixa isso para lá! Não vai ser traumatizante o suficiente... – ele se aproximou dela afastando Pansy com certa impaciência. – Enquanto você faz seu cérebro pegar no tranco eu vou brincar um pouquinho com a Weasley! – ele parou em frente à garota pensando no que fazer.
_Nossa Draco! Também não precisa falar assim, né?! – Pansy se afastou ofendida, tentando a todo custo se lembrar do feitiço para atear fogo aos cabelos de Gina.
Voldemort já estava perdendo a paciência. Não gostava das torturas que se baseavam apenas em ameaças. Queria ver se os dois teriam mesmo coragem de machucar a grifinória. Já tinha resolvido voltar para o salão comunal e descansar, quando Draco começou a falar:
_Já sei! – exclamou. – Vou fazer com você o mesmo que o seu namoradinho fez comigo... – Voldemort, Gina e Pansy o olharam, intrigados. – Só que bem devagar... Para doer bastante!
_O que foi que o Potter fez com você?! – Pansy perguntou assustada.
_Você vai ver... Como era mesmo? Ah, sim: Sectusempra! – um jato moderado saiu da varinha de Draco, apontada diretamente para a perna de Gina. Um filete de sangue escorreu do ferimento aberto e Gina fez uma careta de dor.
Os olhos de Voldemort brilharam de excitação: - “Não é que o fedelho teve mesmo coragem?” – ele se acomodou para ver melhor a tortura.
_Draco! – Pansy gritou. – Onde você aprendeu esse feitiço? É esplendido!
_Potter me atacou com ele uma vez! – falou rancoroso, encarando Gina como se ela tivesse alguma culpa nisso.
_”Potter? Não é possível! Aquele imbecil não atacaria alguém dessa maneira gratuitamente...”
_Ele não sabia o que o feitiço fazia... – Draco completou como que sanando a dúvida de Voldemort. – Se o Prof. Snape não tivesse chegado eu teria morrido naquele dia! – Pansy abafou um gritinho de horror, ele voltou a se concentrar em Gina: - Que tal mais um pouquinho? – sorriu malévolo.
_No rosto, Draquinho! Corta o rosto dela! – Pansy sugeriu.
As lágrimas que começavam a secar nos olhos de Gina voltaram com mais força. Agora ela não duvidava do que eles seriam capazes de fazer.
_No rosto? – Draco limpou uma lágrima de Gina com a ponta da varinha. – Mas ela tem um rosto tão bonito... – sussurrou.
_O quê? – Pansy perguntou.
_Vou deixar o rosto por último! Você faz isso antes de queimar o cabelo dela, que tal? – ele sorriu para Pansy.
_Ótimo! – ela bateu palmas excitadas. – Vou adorar acabar com esse rostinho sardento!
Draco voltou-se para Gina sorrindo: - Preciso me lembrar de nunca deixar uma garota ressentida...
_Eu não estou ressentida! – Pansy protestou. – Eu tenho algum motivo para isso, Draco?! – perguntou desconfiada.
_Não da minha parte... – apontou para outra perna. – Sectusempra! – mais uma ferida aberta.
Gina se contorceu mais uma vez de dor, e o coração de Voldemort se contorceu em seu peito também. – “Agora já chega, não?!”– pensou. – “Já chega por quê?! Eu mesmo faria isso com prazer... E pelos mesmos motivos que esses dois!”– ele continuou olhando, lutando contra sua vontade de ajudá-la, mas a coisa perdeu totalmente a graça. – “Já chega!”– ele se adiantou tomado, inexplicavelmente, pela raiva, mas desistiu na última hora: - “Se eu aparecer agora todos vão saber que eu estava fora da Torre! Quando todos souberem do Creevey, Gina vai relacionar as coisas... Não! Eu não posso me arriscar!” – ele a olhou novamente. Ainda chorava silenciosamente e agora tinha também um corte no braço. – “Ela bem que merece por gostar daquele idiota...”– falou tentando abafar o sentimento estranho que tomava conta dele.
_Mais, Weasley?!
_Minha vez agora, Draco! – Pansy se adiantou. – Como é mesmo?
_Sectusempra. – explicou.
_Ok! – Pansy apontou a varinha, mas antes que pudesse desferir o feitiço ela voou de sua mão. – O quê?!
Parado na porta, ao lado de um Harry invisível, estava Rony, corado de raiva: - Eu acabo com você, Malfoy! – gritou, e cumpriu a promessa, mas não com a varinha, com o punho.
Draco se desequilibrou e teve que se apoiar em uma carteira para não se estatelar no chão. Assustada e sem a varinha, Pansy não sabia o que fazer, apenas assistia Rony encher Draco de socos e tapas enraivecidos. Olhando para todos os lados em busca da varinha de Draco ou de Gina ela avistou a vara de madeira que os professores usavam para fazer apontamentos na lousa. Agarrou-a e partiu para cima de Rony, mas Gina se jogou para frente e segurou as pernas dela, fazendo-a cair de cara no chão.
A gritaria não demorou a chamar atenção, mas quem apareceu foi, ninguém menos que, Pirraça.
_BRIGA! BRIGA NO SEGUNDO ANDAR! ARRUACEIROS! ARRUACEIROS DA SONSERINA E DA GRIFINÓRIA!
Pegos de surpresa, os quatro pararam de se bater imediatamente. Rony, com a mão vermelha e dolorida de tanto bater em Draco, olhou furioso para o fantasma e falou:
_Cala a boca, seu fantasma idiota! Onde você estava que não viu o que esses dois estavam fazendo com a minha irmã?!
_Quem disse que eu não vi? HAHAHAHA!!!!! – e saiu flutuando desabalado para escapar de um feitiço de Rony.
_Isso não vai ficar assim, Weasley! – Draco falou aparando um dente que se soltara de sua arcada.
_Não vai mesmo Malfoy! – Rony avançou para ele outra vez.
_Pára com isso, seu imbecil! – Pansy gritou e tentou se soltar de Gina, mas ela estava agarrada aos seus cabelos e o movimento fez alguns fios se soltarem em sua mão. – AI!!! Sua...
_Impedimenta!
Pansy ficou paralisada a meio caminho de Gina. Assustados os outros três olharam para a porta e viram Hermione parada ali. – O que diabos está acontecendo aqui?! – ela perguntou nervosa. – Vocês demoraram tanto... Gina! O que houve?!
Gina fez uma série de gestos para sinalizar que não podia falar. Rony, que ainda segurava Draco pela gola da camisa olhou para ele com um ódio absurdo. – Seu porco! O que você ia fazer com ela?! – ele perguntou levantando o punho em ameaça.
Draco escondeu o rosto com as mãos, mas Rony não chegou a desferir o golpe porque Hermione não permitiu.
_Pare de bater nele, Ronald! – seguindo até Gina ela desfez os feitiços e limpou os ferimentos dela. – O que você estava fazendo aqui com eles?
_Eu estava voltando da cozinha! – Gina falou tentando se acalmar. Pansy saiu do feitiço, mas Hermione a ameaçava com a varinha e ela não ousou se mexer. Agora eram três contra dois! – Eles me pararam no corredor com o feitiço da perna presa, me trouxeram para cá e roubaram os doces que eu estava levando para vocês! Depois começaram a me torturar! Essa louca ia queimar o meu cabelo! – falou estupefata, apontando para Pansy.
_Seus cretinos! – Rony gritou. – Se eu não chegasse a tempo! Eu não te falei para não sair da torre, Gina?!
_Você vai brigar comigo agora, Ronald?! – ela se indignou. Lágrimas nos olhos.
_Não! Eu vou é quebrar a cara desse desgraçado!
_Não vai quebrar a cara de ninguém! Nós temos que voltar para nossos salões comunais! – Hermione falou. – Não demora até Pirraça trazer alguém até aqui!
_O quê?! E deixá-los impunes?! Olha o que eles fizeram com a Gina! – Rony exclamou.
_E o que podemos fazer, Ronald?! Denunciar para McGonnagal?
_No mínimo!
_Como vocês vão explicar que estão fora da torre há essa hora, Weasley?! – Draco perguntou com insolência.
_Cala a boca!
_Ele tem razão, Rony! – Gina falou. – E depois, contar para um professor é o tipo de coisa que ele faria! Nós não! – ela pegou sua varinha do chão e juntou-se a Hermione e Rony. – E acho que você já fez o Malfoy sentir tanta dor quanto ele me fez sentir. Quero ver ele explicar para Mme Pomfrey como foi que perdeu um dente! – disse com ódio. – E quanto a você! – Pansy recuou assustada. – Queria tanto estragar meus cabelos! Quero ver como você vai tampar esse buraco na sua cabeça! – e jogou uma mecha significativa de cabelos na cara dela. – Vamos embora! E é melhor ninguém contar isso para o Harry!
_Não contar?! Mas é claro que eu vou contar! Eu quero só ver o que esse idiota vai fazer quando o Harry vier atrás dele! – falou com raiva.
_Não Rony! O Harry anda muito estranho! É melhor ele não saber mesmo... – Hermione interferiu.
Mas ele já sabia... Voldemort permaneceu em silêncio encostado em uma das paredes e assistindo tudo de camarote. Ele não estava preocupado com o que Draco e Pansy haviam feito com Gina. Tampouco caçaria Draco para se vingar se Rony viesse contar para ele o que havia acontecido. Sobrara muito pouco da raiva momentânea que o invadira por ver Gina sofrendo. Voldemort estava admirado com a crueldade de Draco, com sua frieza.
Os três deixaram a sala, apressados. Quanto antes chegassem ao salão comunal, menores seriam as chances de se depararem com um professor acordado por Pirraça. Rony ia bufando de raiva e inconformado por não ter batido mais em Draco. Hermione seguia amparando Gina que ainda sentia um pouco de dor. Voldemort vinha logo atrás, perdido numa linha de raciocínio macabra.
_ “É disso que eu preciso!”– pensou enquanto seguia silenciosamente os colegas para a Grifinória. – “É de alguém como Draco que eu preciso! Sem fraquezas, sem sentimentalismo!” – sorria. Seguiu distraído, perdido em pensamentos. Mal percebeu quando deixou os amigos e a namorada discutindo no salão comunal e seguiu para o dormitório. Nem trocou de roupa antes de se deitar. Jogou a capa, o mapa e a varinha no chão de qualquer maneira e continuou refletindo: - “Eu tenho que dar um jeito de trocar de corpo com o Draco! Tenho que sair desse corpo fraco e tomar o corpo de Malfoy! Sim! Um sonserino de verdade! Alguém com ambição, muito ódio, jovem como o Potter, mas sem suas fraquezas! Só assim vou poder me reerguer. Só assim vou voltar a ser quem era antes, e sem o Potter para estragar tudo, porque certamente o corpo dele vai se perder na troca! Assim como aconteceu com o meu!”– ele virou de lado, eufórico, e fez esforço para abafar a risada triunfante. – “Eu só preciso de um lugar para armazenar a alma do Draco! Quem sabe a própria horcruxe onde está o Potter? Assim eu não preciso nem enfeitiçar outro objeto! Um só é melhor do que dois. Mais fácil de controlar. É isso! Só preciso descobrir como...” – virando-se mais uma vez na cama ele pegou no sono. Um sono tão reconfortante como ele não tinha há uma semana.
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