POV Edward
Tenho certeza que se a morena que me abraçava com tanto entusiasmo não fosse a Yvih, Daphinne teria me matado agora. Juro. Ela nos encarou com um olhar compenetrado e ciumento, mas acabou dando de ombros somente por ser Yvih.
– Fiquei com tantas saudades! – Yvih me olhou com os olhos marejados – Sinto tanto sua falta!
– Ei pequena, não precisa chorar, sempre estarei aqui ouviu? – eu acariciei seus cabelos – Aconteceu alguma coisa? Você dificilmente chora!
– Tye vai embora! – ela suspirou e desviou o olhar – Mas já conversamos sobre isso!
– Vocês não terminaram não é? – perguntei preocupado
– Não! Vamos tentar nos ver sempre que der! – ela voltou a me encarar de forma séria – Não posso pedir que desista do sonho dele!
– Mas você quer pedir! – eu sorri e acariciei o rosto dela, então olhei para Daphinne que já entrava na casa da minha mãe – Diga a todos que eu vou dar uma volta com a Yvih!
Minha irmã se enganchou em meu braço e fomos conversando até um parque próximo. Chegamos a uma árvore maior que as outras, em seu caule havia inúmeras escritas de pessoas que resolviam deixar seus nomes imortalizados. Mas meu nome e o da Yvih estava em uma raiz que aparecia.
– Faz anos que não vínhamos aqui! – ela me encarou surpresa – Por que agora?
– Porque vamos desenterrar nossa caixa! – eu sorri olhando a volta para ver se não havia ninguém e peguei a varinha
– Prometemos desenterrar só quando precisássemos muito lembrar disso! – ela segurou minha mão
– Você precisa! – eu sorri e beijei sua testa e então balancei a varinha para que a terra saísse e deixasse a caixa branca de papelão enrolada em um plástico a mostra
Yvih se abaixou e pegou a caixa, logo depois sentou na grama e eu a acompanhei. Retirou o plástico cuidadosamente e abriu a caixa. Ela já tinha os olhos marejados e quando viu a primeira foto ela caiu no choro. Nós dois brincando no parque, sorriamos e acenávamos para a câmera.
– Ei, você não precisa ficar assim! – eu a abracei de lado – Não brincamos mais, mas estaremos sempre juntos!
– Eu sei! – ela sorriu me encarando – Só me emocionei!
Ela voltou a revirar a caixa. Havia uma Barbie loira ali, ela riu um bocado a olhando. Fora eu quem colocara aquilo ali, simbolizando a Daphinne. Na época eu achava que nunca a alcançaria, que nós não tínhamos um futuro juntos. Por isso tranquei ela na caixa, para esquecer. Grande engano.
– Eu me lembro disso! Você queria odiar a Daphinne, mas a amava demais para isso! – ela colocou a boneca de lado e retirou um chaveiro com o nome dela
– Por que enterrou isso? – perguntei estranhando
– Porque eu queria ser outra pessoa! Naquela época eu achava que Tye era meu irmão e que não podia gostar dele como estava gostando! – ela sorriu fraquinho – Mas tem mais!
Ela retirou um papel amarelado e amassado de lá do fundo da caixa e me olhou de forma interrogativa.
– Isso foi Tye quem escreveu! – eu fiz uma cara culpada – Ele deixou no seu quarto, mas eu vi e peguei! Eu fiquei com ciúmes, desculpe!
– Você me escondeu isso? – ela arregalou os olhos – Não acredito que ficou com ciúmes! O que tem aqui para eu ficar com ciúmes?
– Abra! E então você entenderá tudo, até mesmo porque eu te trouxe aqui hoje! – eu beijei sua testa e a vi abrir o papel devagar
“Memórias perfeitas
Espalhadas por todo o chão
Alcançando o telefone porque
Eu não consigo lutar mais
E eu me pergunto se eu já passei pela sua mente
Comigo acontece o tempo todo
São uma e quinze da manhã
Estou completamente só e preciso de você agora
Disse que eu não ligaria
Mas perdi todo o controle e preciso de você agora
Eu não sei como sobreviver
Só preciso de você agora
Outra dose de uísque
Não consigo parar de olhar para a porta
Desejando que você entrasse arrebentando
Da maneira que fazia antes
E eu me pergunto se eu já passei pela sua mente
Para mim isso acontece o tempo todo
Acho que eu prefiro me magoar do que não sentir nada”
Ela chorava antes mesmo de terminar de ler a carta. Quando terminou por fim, ela me encarou e me abraçou apertado. Eu retribui pesaroso por não ter mostrado aquilo antes a ela. Tye a amava desde sempre e eu só atrasei esse romance.
– Desculpa Yvih! Eu estava cego de ciúmes na época! Você era minha irmãzinha de doze anos e eu com meus míseros dezesseis me achei no dever de te proteger!
– Eu te amo Edward e isso só demonstra que se importa comigo! – ela sorriu entre as lágrimas – Acho que precisamos voltar! Tye precisa receber uma carta de resposta!
***
POV Scorpius
Rose dormia sobre meu colo no sofá da casa dela. Toda a família fora chamada ali somente para nos parabenizar por nosso filho e ela acabara cansando demais. Eu fiquei a observando apenas, mexendo em seus cabelos, acariciando seu rosto. Ela parecia muito mais serena agora.
Depois de tantas brigas eu estava gostando de tê-la assim tão perto e tão carinhosa. Estive a ponto de perdê-la e agora tudo o que queria era provar a ela que podia confiar, que eu jamais a magoaria. Por isso mesmo nunca mais saí do seu lado, nem para ir até na esquina. Tudo o que eu queria era que ela se sentisse segura.
– Scorpius! – Vick parou ofegante em minha frente
– O que foi? – vi Chuck aparatar na varanda atrás dela
– Querem fazer uma despedida de solteiro para o Chuck! – ela disse com uma voz extremamente aguda
– Quem quer fazer? – eu franzi o cenho
– Todo mundo! – ela choramingou – Até o papai está metido nisso!
– E o que eu tenho haver com isso? – eu sorri de canto
– Scorpius! – ela reclamou, Rose resmungou no meu colo
– O que quer que eu faça? – perguntei ainda sorrindo, Rose sentou devagar ao meu lado, ainda sonolenta
– Quero que vá a despedida de solteiro e não desgrude do Chuck! – ela disse com as mãos na cintura
Eu arregalei os olhos de forma surpresa. Como ela podia pedir isso? Rose jamais me perdoaria e eu não podia brigar com a minha ruiva agora. Se fosse em uma situação normal, Rose me deixaria ir e confiaria em mim, mas agora era diferente.
– Eu não vou! – eu disse convicto
– Mas Scorpius! – ela deixou a feição desabar agora – Você é o único que eu confio para cuidar do Chuck!
– O papai vai estar lá! Ele pode cuidar! – eu disse rapidamente
– O papai não anda com o Chuck o tempo todo, mas você anda! – ela sorriu, satisfeita
– Não Vick! Eu sinto muito! – eu fiquei com pena dela, afinal era minha irmã, mas eu precisava pensar em mim também
– Por favor... – ela quase suplicou
– Vick... – eu balancei a cabeça negativamente
– A Rose deixa! – ela olhou para minha esposa, Rose estava tão surpresa quanto eu – Não é, Rose?
– Eu... – Rose me encarou, em seus olhos havia dúvida – Claro...ele pode ir! – ela abaixou a cabeça rapidamente
– Vick! – minha irmã me encarou – Eu vou, mas Rose vai comigo!
– O quê? – foi Chuck quem exclamou, a primeira coisa que falara desde que chegara atrás de Vick
– Só vou se ela for! – eu disse sorrindo de lado, esse sempre seria meu jeito – Entendam uma coisa, não vou deixar a Rose um minuto sequer sozinha! Eu quase perdi ela e não quero que isso volte a acontecer, então eu irei e cuidarei do Chuck, mas Rose vai estar comigo!
Rose suspirou e segurou minha mão de forma firme. Se eu precisava provar que só quero ela na minha vida, acabei de fazer isso.
***
POV Vincent
Sophie estava radiante agora que sabia que estava realmente grávida. Ela não tinha nenhum sinal físico ainda, mas Louise e Hermione disseram que iria aparecer logo, afinal ela já estava de quatro meses.
Agora ela lia um livro de nomes de bebês e eu apenas a observava da porta da cozinha. Harry apareceu vindo do jardim e tocou meu ombro. Ele sorria também.
– Sente-se feliz? – ele perguntou enquanto voltava para a cozinha e se servia de um copo de suco
– Muito! – eu me servi de suco também – Não agüentava ver Sophie sofrendo, agora ela está tão feliz!
– Ela seria feliz com filhos ou não! – ele me encarou e ergueu as sobrancelhas – Ela seria feliz porque você a faz feliz!
– Não tenho tanta certeza! – eu dei de ombros – Talvez eu tenha feito escolhas erradas!
– Está falando de quando escolheu a vida dela? – ele sentou-se a mesa e me indicou outra cadeira
– Sim! Talvez eu devesse ter escolhido um filho, acho que ela ficaria mais feliz! – eu sentei e dei de ombros
– Acho que não! Porque aí, ela veria você sofrendo e sofreria ainda mais! Ela está bem agora e feliz! – ele sorriu
– Tomara! – eu suspirei – Porque não sou ninguém se não tiver ela feliz ao meu lado!
– Para quem odiava ela, você está completamente apaixonado! – James entrou na cozinha rindo – Lembra do quanto se odiavam?
– Lembro sim, mas lembro de como a conheci direito! – eu sorri – Nunca fiquei tempo suficiente com Sophie para amá-la antes, mas acabei amando-a quando a conheci de verdade!
– Totalmente ao contrário de Mel e eu! – ele riu – Nos odiávamos, mas éramos obrigados a conviver já que fomos seqüestrados e então perdi o controle e morri de ciúmes dela, a maior surpresa foi ela me querer também!
– E porque não iria querer? – Mel entrou rindo junto com Luka – Eu já sabia que você me daria esse principezinho!
– Ah então se casou comigo pelo Luka somente? – ele ergueu as sobrancelhas, mas abraçou a loira
– Claro, haveria algum outro motivo que eu não conheço? – ela piscou para mim e Harry
– Talvez porque você me ama? – James sorriu
– Hum...é tenho de concordar! Eu te amo! – ela lhe beijou os lábios de forma casta
– Oh que fofo! – Sophie veio sentar-se ao meu lado – Amor? O que acha de Lya?
– Lya? – perguntei estranhando, porque aquilo me lembrava algo?
Uma dor aguda atingiu minha cabeça, cenas aleatórias passaram pela minha mente. Harry nos entregando alianças. Sophie com medo de me contar que estava grávido. Um quarto para uma menina. Sophe deitada na mata. Lya em meu colo. Sophie morta.
E então tudo ficou claro. Um ano inteiro que fora apagado da minha mente, mas que ao mesmo tempo fora substituído por outro.
– Vin? – Sophie me chamava preocupada
– Eu...não estou me sentindo bem! Preciso...me deitar eu acho! – eu me levantei, mas Luke, Lylian, Ághata e Matt apareceram na porta
– O que aconteceu? – Lylian perguntou vendo que todos estavam preocupados comigo
– Você! – eu apontei Matt – Eu conheço você e foi muito antes de você ficar com a Ághata naquele bar!
– Vincent! – Luke protestou tentando me calar e então eu confirmei, aquele ano realmente acontecera, só que de algum modo ninguém mais lembrava
***
POV Alvo
Tomei um banho antes de Louise acordar e fui preparar o café. Novamente eu ouvi barulhos na porta e desta vez eu abri sem interrupções. O pai de Louise estava ali. Parado na porta e perceptivelmente bêbado.
– O que você quer? – perguntei de forma séria, a raiva já tomava conta de mim
– Não era para você estar aqui! – ele disse entrando sem mais nem menos no meu apartamento
– Saia daqui agora! – eu o segurei pelo braço – Vou denunciar você!
– Não você não vai! – ele riu descontrolado – Minha filha não vai deixar!
– Ela não ama você! Olha tudo o que fez a ela! – eu o chacoalhei – É melhor sair daqui! – empurrei-o para fora
– Cuide muito bem da sua loirinha, porque a qualquer momento um acidente pode acontecer! – ele deu mais uma gargalhada e saiu cambaleando pelo corredor
Eu fechei a porta com força e encostei a testa nela. Eu tinha de tirar Louise dali. Agora.
N/A: Obrigaaaada Vanessa! Adoooro seus comentários! *-*