FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

7. Montando o Cerco


Fic: A Canção da Meia Noite - Atualizado! Cap 24 #Tributo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Capítulo 7 – Montando O Cerco


 


“Um de nós tem coração gelado


Um de nós é frio como gelo


Um de nós está quebrando corações


E não sou eu”


Winterhearted – Xandria


 


   Estando ali, parada e repleta de tédio, difícil era não acreditar que algum feitiço foi jogado no tempo para fazê-lo passar devagar. Os minutos arrastavam-se com lerdeza, criando uma ilusão que a fazia acreditar, toda vez que consultava o relógio de pulso, que a hora do embarque já tinha chegado quando, na verdade, havia passado apenas um minuto ou outro.


   Soltou um suspiro ao descobrir que ainda faltavam vinte minutos para a primeira chamada. Repousou a cabeça no encosto atrás de si, o que fez algumas mechas de seu cabelo ruivo balançarem, e fechou os olhos com força.


   O que diabos faria para matar o tempo? Seu celular estava descarregado e o carregador encontrava-se numa das várias bolsas e mochilas espalhadas ao redor. Além disso, nenhuma tomada era visível num raio de metros. Se não houvesse emprestado a Ron seu iPad, poderia jogar um pouco de Angry Birds, embora o jogo lhe irritasse. Contudo, um pouco de estresse seria bom no meio daquela calmaria excessiva e entediante, pois aí se concentraria e, quando menos esperasse, os vinte minutos já teriam passado.


   Outro pensamento cruzou sua mente. Onde estaria o irmão? Ele prometera usar o aparelho por um curto período de tempo. Mas o que era curto naquele momento?


   Os olhos esquadrinharam o arredor. Viu Draco conversando com Blaise e as assessoras de imprensa no banco a sua frente. Ron estava na fileira atrás do baixista, mais à diagonal esquerda da ruiva, e, pelos movimentos que realizava, dava para ver que ainda tinha o iPad na mão, embora a maior parte de sua atenção estivesse destinada à partida de Uno entre Dean e os meninos.


   Opostos ao irmão, Hermione e Nick conversavam sorridentes entre si e vez ou outra trocavam carícias. Harry, o mais distante de todos, estava sentado no chão, as costas apoiadas nas bolsas espalhadas, uma das pernas esticada e a outra dobrada, onde apoiava um caderno. Nada escrevia, pois sua mão direita jazia imóvel ao seu lado e o olhar perdido mostrava que se encontrava numa dimensão diferente àquela.


   Ao ver o resto da equipe de apoio espalhada de um jeito meio desorganizado ao seu redor, algo lhe chamou a atenção. Os músicos da banda estavam bem distantes um do outro, tão concentrados em suas próprias atividades que não olhavam nem sequer para os lados – muito menos para os outros companheiros.


   Durante a turnê, vez ou outra se perguntou se havia algo de errado com o espírito de equipe do Paradise. Seus parceiros pareciam mais afastados, distantes, quietos, e até ela mesma não tinha entrado muito em contato com eles durante as viagens. O antigo clima de união e companheirismo, característico do passado, era visível basicamente nos concertos e mesmo assim parecia um tanto falso.


   Definitivamente havia algo errado.


   Por isso que se sentia entediada. Por isso o cansaço. Porque ninguém estava fazendo nada.


   Nas antigas turnês, sempre que o tédio ameaçava entrar em cena, alguém surgia com uma ideia de entretenimento e todos participavam. Agora, ninguém levantava um dedo sequer.


   Perguntou-se como e por que aquilo aconteceu, e seus olhos voltaram à figura sentada ao chão.


   A ideia de uma banda era justamente repelir uma hierarquia e prestigiar os músicos de forma igual. Mesmo assim, ainda havia seus destaques, e Harry era um deles. Era o mais próximo de um líder que o Paradise tinha por ter sido o fundador da banda e por ser seu principal compositor. Ele ostentava um porte de liderança naturalmente, suas decisões vinham com firmeza, além de ser um ótimo companheiro e amigo, que zelava bastante as amizades que tinha. Era a conexão principal da banda.


   No entanto, Ginny não conseguia ver nenhuma daquelas características naquele homem em frente a seus olhos. A distância física que ele mantinha do resto das pessoas era retrato de seu papel em relação aos outros amigos. Harry ultimamente agia mais quieto, observador e frio. Cada vez mais se excluía do meio da banda, aos poucos abdicava de seu papel de líder.


   A tecladista desviou o olhar, mirando-o no irmão. Onde estava o amigo inseparável que vivia grudado no guitarrista quase vinte e quatro horas por dia? Afinal, os dois eram melhores amigos, não?


   Uma risada fez Ginny olhar para a vocalista do Paradise e mais pensamentos lhe vieram. Será que Hermione, perceptiva e leal do jeito que era, não via nada? Absolutamente nada em qualquer aspecto?


- O que há contigo, ruiva? – alguém perguntou ao seu lado. Ela se virou e deu de cara com Lewis observando seu rosto.


- Só estou viajando. Sabe como é, ainda falta muito tempo para embarcar e o tédio começa a dar as caras. – respondeu com um sorriso.


- Pois então deveria estar no mundo da lua. A sua cara... – o homem ergueu a sobrancelha, divertido.


   A pianista revirou os olhos, soltou uma risadinha e virou-se para frente de novo. Mais uma vez, seu olhar foi parar no outro guitarrista.


- Lewis?


- Hum?


- Você acha que há algo com o Harry? – Ginny perguntou, virando-se mais uma vez para o companheiro.


   Ele franziu o cenho e abriu a boca, porém dali veio um suspiro.


- Então não estou ficando completamente louco? – disse mirando as mãos.


- O que quer dizer? – A ruiva ajeitou-se na cadeira.


- Quero dizer que ele está agitando de forma um pouco diferente, sabe, sem ser aquele Harry que conhecemos... – O olhar de Lewis recaiu sobre o amigo. – Ou conhecíamos. Ele está quieto demais, estranho demais. Na nossa folga, ele tentou se intrometer entre eu e Draco e, bem... Ele ficou muito frio e disse umas coisas nada legais.


   As lembranças da última ida a Londres voltaram à mente dela. Bem que percebeu o clima pesado assim que voltou do passeio com Hermione.


- E por que você e o Draco brigaram? – ele ia responder quando a ruiva esticou o braço. – ‘Tá, nem abra a boca. Ele é um idiota, não precisa de uma justificativa concreta.


   Lewis não pôde deixar de rir.


- Um idiota atrás de fama.


- Mais? – Ginny questionou enquanto se ajeitava no assento. – Todos nós já temos nossa fama. – completou com um sorrisinho maroto.


   A expressão que surgiu no rosto de Lewis não pôde ser interpretada pela tecladista. Ele a manteve durante dois segundos antes de se pronunciar.


- Parece que quanto mais você tem, mais fácil fica conseguir garotas.


   Ginny passou a língua pelos lábios, pensando numa lembrança antiga.


- Sim, sim, lembro de ele ter falado isso uma vez... Só não esperava que isso fosse se tornar verdade.


- Ele tem seu séquito. – Lewis balançou a cabeça levemente. – E isso está tornando-o insuportável.


- Mais do que já é. – a mulher soltou sem nem pensar.


   O olhar do homem ficou ainda mais intenso preso em seu rosto.


- Wow, ruiva! Esperava um pouco de malícia de você, mas isso chegou a ser quase cruel.


   Ginny soltou uma risada. Cruzou as pernas e virou o corpo para ficar mais de frente para ele.


- Eu gosto do Draco, mas convenhamos, não é? Ainda há um pouco dele da época de Hogwarts.


- E aparentemente quase nada do Harry. – Lewis disse num suspiro.


   As palavras dele pegaram a ruiva de supetão. O momento de descontração sumiu rapidamente. Ela demorou alguns segundos pensando antes de falar.


- E o que você vai fazer a respeito disso? – perguntou mais séria. Seu olhar também ficou mais intenso na direção do moreno.


- Eu? – ele apontou para si mesmo, um tanto chocado. Ela balançou a cabeça. – E onde diabos entro nessa história? Porque você é muito mais próxima dele do que eu.


- Pode tirar o “muito” daí, Ashbury. Nem sou tanto assim. – Ginny ponderou, seu olhar perdeu-se rapidamente do rosto do amigo pensando em Ron e Hermione.


- Mas você já foi a namorada dele. – o guitarrista contrapôs firmemente.


   Empurrar a resolução do problema para outro. Sempre era mais fácil – inconsciente também, afinal, nenhum dos dois ali sabia que era isso que faziam. E não significava que era correto.


   Mas também... O que agora era correto no conceito daquela banda que se encontrava à beira do precipício?


- Anos e anos atrás! – a ruiva exclamou, o olhar retornando ao dele.


- A questão é – Lewis continuou, tampouco tendo ouvido a interrupção. Ele aumentou a intensidade do contato visual, inclinou-se na direção dela e continuou. – O que você vai fazer, ruiva?


   O sorriso enigmático dela o fez ficar intrigado. Contudo, Lewis só soube do plano da amiga quase uma hora depois, quando todos já haviam embarcado no trem que os levaria ao próximo destino da turnê, Paris. Ela levantou da poltrona ao lado dele e seguiu andando pelo corredor até parar ao lado de Hermione e sentar-se de novo. A morena demorou alguns segundos para percebê-la de tão absorta no livro em suas mãos.


- Eu sei, não sou tão legal quanto o livro, mas será que posso receber um pouquinho de sua atenção? – a tecladista disse divertida.


   Hermione riu e pôs o livro na janela.


- Você é melhor que qualquer livro, Ginny. Estou à sua disposição. – falou, apoiando o cotovelo sobre o livro e apoiando a cabeça na mão de modo observar o rosto da outra melhor.


- Que amor. – Ginny inclinou a cabeça para o lado e riu de leve. – Bem... acontece que o quero conversar não é tão legal quanto parece. – Seu rosto ganhou uma expressão séria e fechada, e Hermione franziu o cenho. A ruiva suspirou antes de continuar. – Você notou que... que há algo... fora do comum com Harry?


   Hermione mordeu o lábio inferior e seu olhar desviou-se para a paisagem lá fora. A outra nem precisou de resposta.


- E você sabe o que é? – perguntou depois de ter meneado com a cabeça.


   Outro suspiro veio, porém esse veio da morena.


- Gostaria tanto quanto você. – ela respondeu, o olhar voltando para dentro do trem.


   Ginny ajeitou-se na poltrona, virou-se ainda mais para a amiga e cruzou as pernas.


- E já tentou falar com ele?


- Tentei mesmo. – Hermione riu tristemente. – Porque não tive sucesso algum. – Ela abriu a boca para continuar, e a ruiva manteve-se em silêncio, apenas esperando. – Estou dando todo o espaço e tempo do mundo para deixá-lo confortável para se abrir comigo, porém não está funcionando. Já perguntei, sabe, de um jeito tranqüilo, mas nada. Já vi que terei de tentar uma abordagem mais direta, ser mais insistente. – concluiu com mais um suspiro.


   As duas ficaram em silêncio por alguns segundos, o único som preenchendo a atmosfera sendo o do trem em contato com os trilhos. Ginny continuava a fitar o rosto da amiga, notando as tristes linhas de expressão em seu rosto enquanto o olhar mais uma vez perdia-se na paisagem lá fora.


- Você odeia vê-lo assim, não é? – questionou calmamente.


- Detesto. – A resposta veio direta. – Pior ainda quando ele cisma de guardar tudo só para ele, achando que não tem ninguém para ajudá-lo. Eu não tenho ideia do que se passa pela mente dele.


   A ruiva franziu o nariz ao ouvir aquilo. Um leve pensamento lhe veio, porém ficou quieta.


- Tem certeza? Nenhuma ideia sequer?


- Não. – a morena balançou a cabeça negativamente.


- Acho que deve ser mais dura com ele, Mione. Sério mesmo. Pelo bem dele... e pelo da banda. Porque... porque você é a única que consegue entendê-lo completamente.


- Não mais. – a outra baixou a cabeça.


- Ainda assim, é a mais indicada para falar com ele. E... – Ginny balançou a cabeça. – Não querendo botar pressão nem nada, mas... isso não pode esperar mais tempo.


   Um olhar determinado surgiu no rosto de Hermione quando ela se voltou para dentro do vagão e encarou algum ponto em sua frente.


- Farei isso quando chegarmos.


 


 


   As palavras ecoavam incessantemente em seus ouvidos. Sua reação a elas era de pesar por ter se dado conta de que não era a única que via algum problema. Mas não era isso mesmo que você queria saber? Se era tudo coisa da sua cabeça ou a verdade? E isso significava que, de fato, deveria fazer algo. Urgentemente. Deveria montar um cerco e não deixá-lo escapar de forma alguma.


   Olhar perdido, mente em outra dimensão. As memórias que começaram a lhe aparecer traziam uma leve sensação de nostalgia, de um tempo distante, embora não o fosse de fato. As imagens deixaram de ser aleatórias e o cenário delas tornou-se constante: a cidade onde estava.


   E aí uma ideia lhe veio. Agora só precisava de coragem. Muita coragem. Contudo, não poderia mais ficar pensando, tinha que agir.


   Num ritual que se tornando bastante comum em relação àquele assunto, Hermione respirou profundamente antes de levantar da cama, pegar um casaco e sair da suíte. Guardou as chaves no bolso da calça ao passo que contava três portas à direita que a separavam de seu destino. Caminhou até o quarto 837, sentindo o ritmo cardíaco aumentar consideravelmente e soltou mais um suspiro ao bater na porta.


   Harry surgiu com uma toalha na mão, secando os cabelos. Usava somente uma calça jeans escura, cujo cinto que a adornava encontrava-se aberto e um tanto caído. Um cheiro de loção pós-barba estava mesclado com seu já costumeiro perfume, prova de que se barbeado durante o banho. Algumas gotas de água rolavam pelo seu torso, deslizando pelas linhas de seus músculos fortes. Era uma visão que ela sabia que as fãs dele morreriam para ter.


   Assim que ele a viu, não conseguiu evitar que surpresa surgisse em seu rosto.


- Hey – ele fez ao largar os cabelos, que ficaram do jeito que foram largados, formando o despenteado que lhe era tão característico.


- Ótimo, você está meio pronto. – ela falou abrindo um sorriso e colocando as mãos na cintura. – Estava pensando em irmos a algum café do mesmo modo que fizemos da outra vez que viemos aqui. Vamos que Paris nos espera. – concluiu, pronunciando as últimas palavras em francês.


   Falar francês apenas entre eles era um costume que tinham adquirido em algum momento da longa amizade que se tornou bastante útil quando queriam dizer algo que não quisessem que os outros entendessem. Era um gesto que marcava a cumplicidade que tinham.  O sorriso que Harry abriu após as palavras dela mostrava o que o velho costume não morrera.


- Pronta para uma rodada de cafés e croissants? – ele perguntou também em francês. Hermione respondeu com um animado aceno de cabeça, o que o fez rir. – Sabia do seu vício por café, menina, não por salgados. – emendou, voltando ao idioma natal.


- Gosto de um legítimo croissant, é diferente. – ela se defendeu. – E aí? Vamos ou não?


- Vai ter que me esperar um pouco. – Harry disse abrindo passagem para que a cantora pudesse entrar.


   Ela entrou na suíte e sentou na cama, sobre a qual havia um caderno meio surrado e uma caneta, os conhecidos materiais que testemunhavam em primeira mão os nascimentos das incríveis músicas daquele compositor.


- Mal chegamos e já está compondo? – perguntou, quase deitando ao inclinar-se na direção dos objetos. – Posso ver?


- Estive escrevendo desde a viagem para cá. – ele respondeu mexendo nas malas à procura de uma camisa. – E nem se atreva encostar os dedinhos.


   A morena voltou a sentar, um pouco frustrada. Harry sempre a deixava ver suas criações, mesmo que ainda estivessem pela metade. Era uma das poucas pessoas que detinham tal exclusividade.


- Por que não? – questionou cruzando os braços.


   Ele veio caminhando até a cama com uma camisa e uma jaqueta de couro nas mãos. Durante frações de segundo, o olhar dele recaiu sobre o caderno e o brilho de suas íris verdes, já bem enfraquecido e menos intenso do que aquele que ela conhecia, fraquejou e escapou momentaneamente.


   Num estalo, a mulher se deu conta de que deveria haver pistas sobre o estranho comportamento do amigo em suas letras, afinal, Harry era o tipo de pessoa que transmitia tudo o que acontecia em sua vida para a música.


   Mas como começar a procurar algo nelas se eram dotadas de complexidade, de um surrealismo que só fazia sentido para a cabeça de seu criador?


   Aliás, até já tinha dito isso. Quando ele a incitara a desvendar os mistérios de suas canções, ela dissera que a graça de um verdadeiro artista era justamente não tentar entender o que se passava em sua mente.


   Se tivesse lido... Se tivesse procurado...


   Como agora se arrependia de suas palavras!


- Por que eu só joguei as ideias no papel e por isso está tudo uma bagunça. – ele disse antes de jogar a jaqueta no colchão, fechar o cinto e vestir a camisa. – E você não vai entender nada.


- Já não consigo entender quando estão completas e organizadas. Grande diferença. – comentou divertida.


- Muito engraçadinha. – Harry retornou às malas para trancá-las. – Nem são tão complexas assim, ainda mais para você. Aliás, são muito mais fáceis de compreender do que- – e ele parou abruptamente.


   Hermione percebeu, pelo modo como os traços do rosto dele se retraíram, que ele havia ido longe demais, e rezou para que sua habilidade de lê-lo ainda funcionasse. Ficou ainda mais claro que o homem escondia algo de si. Mas o quê? E por quê? Droga, Harry!


- Do que... – ela repetiu.


   Harry pegou a toalha que usou nos cabelos e foi para o banheiro.


- Do que as pessoas. – respondeu lá dentro, e Hermione teve impressão de que não escutou direito.


- Pessoas? O... quê? – murmurou de novo. Sentia-se cada vez mais confusa. Seu plano de sair com ele para fazê-lo relaxar tomava rumos não calculados. Mais um sinal de que aquele homem estava deixando de ser seu melhor amigo para virar um forasteiro completo.


   O músico voltou ao quarto com um leve sorriso.


- É, pessoas. Não foi você mesma que me disse, anos atrás, que a contradição humana é tão grande a ponto de fazer com que nós sejamos donos do título de criaturas mais complexas do planeta? – ele parou na sua frente, deu uma piscadela e pôs a jaqueta. – Agora vamos que estou começando a ficar com fome. – e puxou-a pelo pulso, saindo do quarto.


   No elevador e durante a caminhada pelas ruas parisienses, a atmosfera estranha foi embora, dando lugar a assuntos banais. Logo os dois estavam rindo, agindo de um jeito bem próximo ao que faziam na época do colégio.


   Pararam em uma esquina com um típico café francês. Mesas do lado de fora, decoração que mesclava simplicidade e elegância, um ambiente deveras agradável e que atraía descontração. Os dois sentaram ao ar livre e fizeram os pedidos para um garçom que logo apareceu.


   A conversa durou até ser substituída pelo som de mastigação quando a comida chegou. Hermione começou a observar o ambiente ao redor. A maioria dos transeuntes eram casais que aproveitavam a tarde agradável. Ela olhou discretamente para Harry e viu que ele também fazia a mesma observação.


- Está pensando o mesmo que eu? – perguntou.


   Ele virou-se de novo para ela. Seus olhos se encontraram por alguns segundos. A morena ficou feliz ao notar que ainda havia um pouco da compreensão e da cumplicidade do típico meio de comunicação entre eles.


- Que praticamente está todo mundo saindo com seus parceiros e nós estamos aqui de amizade? – ele disse, abrindo um pequeno sorriso. – Maldito estereótipo de capital do amor.


 - Totalmente clichê. – Hermione também sorriu enquanto pegava seu café e tomava um gole.


   Os dois retornaram à análise.


- Mais algum tempo aqui e comecei a me sentir muito mal. – Harry comentou voltando a olhá-la. – Meu trabalho não me deixa muito aberto a relacionamentos. – concluiu num tom falsamente formal, o que fez a amiga rir.


- Porque o seu trabalho é muito chato, não é? – ela deu um sorriso provocador antes de morder um pedaço do croissant. O homem fingiu um suspiro dramático, arrancando mais risadas dela.


   De repente, um pensamento veio à tona na mente da morena.


- Falando nisso... E a Megan? Nunca entendi de verdade o que aconteceu entre vocês. Realmente pensei que fosse a garota certa para você. – disse, referindo-se a Megan Kraller, a bela loira de descendência alemã que foi a última parceira dele. Os dois engataram um namoro sério, tanto que Harry a apresentou para os colegas de banda, que a adoraram, e até chegou a convidá-la para um acampamento que eles fizeram. Ele nunca tinha feito algo parecido antes.


   Harry demorou a responder, o olhar percorrendo a rua ao redor deles enquanto comia distraidamente o croissant.


- Bem, acabou que eu descobri que tínhamos prioridades diferentes quanto aos nossos respectivos futuros e aí... aí resolvemos terminar.


   Os olhos castanhos da morena examinaram-no minuciosamente enquanto ele, distraído com o olhar voltado para baixo, mexia no café. A súbita seriedade que os traços de seu rosto adquiriram a fez perceber algo.


- Você realmente gostava dela, não é? Quer dizer... você estava apaixonado por ela, não estava? – questionou, inclinando-se um pouco para frente.


   O olhar de Harry encontrou o seu durante dois segundos antes de se desviar mais uma vez e ele dar de ombros.


- Acho que sim. – Um suspiro triste escapou dos lábios dele.


- Bem que notei. – Hermione pegou mais um pedaço de seu salgado. – Você até chegou a compor para ela.


   O guitarrista ergueu a sobrancelha, um tanto confuso. Ela olhou para ele com uma expressão interrogatória.


- Megan não foi a primeira namorada para quem compus. – ele disse após vários segundos, tendo compreendido o olhar dela. – Além disso, já saí depois dela.


- Saiu, mas foi só por diversão, nada sério. E você não compôs para suas outras ex com a mesma frequência que fazia com a Megan... principalmente depois que vocês romperam. Você não teria feito nada disso se Megan não tivesse sido especial.


   O tom que Hermione usava era tranquilo, descontraído. Mas quando pronunciou as últimas palavras, uma ideia surgiu em seu cérebro. Agora sim poderia começar o cerco. Não havia convidado-o somente para desfrutar de sua companhia.


   Afinal de contas, ela encontrava-se numa Paz Armada, certo? Precisava de estratégias de sobrevivência, precisava de aliados antes que alguma jogada fosse feita no tabuleiro que deflagrasse o caos no meio do jogo.


   Não pôde deixar de respirar profundamente antes de falar.


- É por isso, não é? É por isso que está assim. – Continuou com o tom relaxado, porém adicionou uma pitada de seriedade e firmeza.


   Harry franziu o cenho enquanto mastigava. O brilho de uma pergunta silenciosa surgiu em seus olhos e, por uma mísera fração de segundo, algo dentro de Hermione vibrou por ainda conseguir ler um pouco daquelas misteriosas íris verdes. Todavia, ela tinha de se recompor.


- Assim... desse jeito. – ela tomou mais fôlego. – Sabe, um tanto calado, distante. Quase não fala mais com ninguém sobre outro assunto a não ser que envolva algo sobre a turnê. Agindo mais sarcástico do que você já é naturalmente, um tanto frio...


- Espere aí! – ele interrompeu, erguendo a mão direita na direção dela. – É o quê? Mas que diabos? Eu agindo desse jeito?


   A brusquidão com que ele pronunciou as palavras a fez acanhar-se um pouco e perder o fio do raciocínio.


- É. – afirmou num volume mais baixo. Recomponha-se, Hermione, recomponha-se. Você é quem tem que ter o controle aí. – E não adianta dizer que não, Harry. Eu já te disse naquele dia do clube, lá em Milão. Sinto que tem algo que está escondendo de mim. Odeio isso, odeio quando resolve se excluir do mudo. Eu te conheço, Harry... Pelo menos é o que eu acho.


- E também acha que pode simplesmente tirar conclusões desse tipo sobre mim sem nem ao menos me perguntar? – ele disparou sem esconder o sarcasmo e um pouco de irritação.


   Hermione freou mais uma vez. Abriu a boca, porém não pronunciou nada. Até que finalmente sua mente processou as entrelinhas dele.


- Perguntar a você? E o que acha que estou fazendo agora?


   O brilho no olhar dele se tornou mais forte, perigoso. A intensidade com que Harry o sustentava também aumentou, o que fez a morena balançar mais uma vez. Terceira vez.


- Você está simplesmente lançando acusações sem nenhum tipo de fundamento. – As palavras dele vieram frias, letais. Era de se espantar que algum tipo de veneno não estivesse escorrendo de um dos cantos dos lábios dele.


   Alguém aparentemente esquecera-se de avisar a Hermione que aquele era o jogo da vida. Qualquer guerra nesse meio poderia subitamente virar o tabuleiro e mudar de rumo sem nenhum aviso ou explicação plausível.


   Isso indicava que teria de fazer uso do improviso. Algo que, na maioria das vezes, acabava abandonando a razão e voltando-se para a emoção.


   E era o que estava prestes a descobrir.


- Acusações? Sem nenhum tipo de fundamento? – ela repetiu, alterando-se ligeiramente. – O que acha que estou fazendo? Um interrogatório para te mandar para uma prisão?


- Interrogatório? – Harry deu uma risada irônica. – Está mais para um monólogo, afinal, você só acusa, mas não me pergunta nada...


   A irritação atingiu Hermione com uma força imensa. Veio dos confins dela, de tão longe que ela nem imaginava que já era algo guardado dentro dela, que veio crescendo ao mesmo tempo em que Harry mudava e afastava-se dela e dos outros amigos. O impacto foi tão grande que lambeu suas entranhas, quase como fogo em brasa.


- Então o que diabos está acontecendo contigo?! – exclamou sem conter a exaltação. Naquele momento, tampouco ligou se alguém olhasse para eles, não entenderiam mesmo. – Por que você não fala comigo? Por que você está agindo desse jeito? Por que está se afastando de mim? O que deu em você? – ela parou para respirar um pouco e tentar controlar as fortes agitações dentro de si. – Era isso que você queria, perguntas. Então! Agora cadê as respostas?


- Com esse jeito controlador, não conseguirá resposta alguma, Hermione. – Harry disse com a voz mais controlada, porém repleta de ironia.


   A morena apertou os olhos, que àquela altura já faiscavam perigosamente. Uma voz lhe disse para se acalmar, retomar o autocontrole e tentar ser mais amigável; outra falava para continuar com as palavras ríspidas, pois era o que Harry merecia depois de ter se esquivado todas as vezes em que ela foi gentil. Ela, racional do jeito que era, obviamente optaria pela razão. Contudo, não conseguia distinguir o que era razão e emoção.


   Mas algo era certo. Suas investidas e todo o propósito do encontro estavam indo por água abaixo.


- Deixe de agir como um idiota arrogante! – gritou sem se conter mais por um segundo sequer.


- Então é essa sua opinião sobre mim? Um idiota arrogante? – Harry, por outro lado, parecia manter a calma e o controle, mesmo que suas palavras viessem totalmente frias e sarcásticas. – Interessante, e ainda quer me ajudar...


- Ah, eu quero sim! – dessa vez foi Hermione quem interrompeu. – Seus amigos também querem. É sim, porque, ao contrário do que você pensa, eu não sou a única que notou sua mudança de comportamento. Não vê que os está machucando? Que está me machucando? Que está acabando com o clima da banda?


   Os lanches já não eram mais consumidos. Vez ou outra um olhar francês se lançava àquela mesa. Poderiam não entender o que estava sendo dito, porém a atmosfera pesada era claramente notável. Contudo, nem Harry, nem Hermione ligavam para alguma coisa que não fosse eles próprios.


- Ah, a banda! – Harry disse, finalmente soltando a raiva em meio ao escárnio. – Você quer falar sobre a banda, Hermione? Então vamos, vamos sim. Está tão preocupada comigo que não vê o que está ao seu redor. Eu não estou acabando com o clima da banda coisa alguma, eles que estão se acabando. Os seus amiguinhos, Hermione, a cada dia se tornam mais superficiais, mais tolos, mais manipulados pela mídia. E o que você diz sobre eles, Hermione? Nada, não é? Porque tudo parece normal para você.


   Os olhos dele faiscavam letais. Nunca Hermione tinha visto aquele verde com um aspecto tão ameaçador quanto naquele momento. Essa foi uma observação feita num lugar quase esquecido de seu cérebro, a qual ela nem prestou tanta atenção.


- Se você viu tudo isso, por que não fez nada? Grande líder que você é! Aliás, isso não é sobre a banda, nem mude de assunto, é sobre você. – a vocalista alfinetou, ainda mantendo o olhar nele.


- Engraçado... Não foi você mesmo que acabou de insinuar, ou melhor, dizer com todas as palavras que eu sou o culpado por estar acabando com o clima da banda? – o músico devolveu ironicamente.


   O cansaço do bate-boca atingiu Hermione. Ela soltou suspiro longo. Estava tudo saindo errado, tudo. O feitiço contra o feiticeiro... O tiro pela culatra... Tudo. Seus planos, já nem lembrava mais quais eram. As estratégias, todas destroçadas pela alta e impenetrável muralha construída ao redor do homem por ele mesmo.


- É isso que você vai fazer? – disse após alguns segundos, com a voz mais calma, porém ainda com rispidez. – Ficar usando e abusando da ironia? Como se tudo isso fosse uma brincadeira? – Ela pausou; soltou um muxoxo de reprovação e balançou um pouco a cabeça ao ver que ele nada dizia, continuava a manter uma das sobrancelhas erguidas com o olhar irônico. – Ah, eu deveria saber... Deveria saber que isso não daria certo...


- Então é por isso que você me chamou! – Harry explodiu mais uma vez. Ele bateu na mesa e se inclinou na direção dela, cada vez mais frio e perigoso. – Eu é que deveria saber. – riu amargamente, repleto de sarcasmo. – Você não faria isso se não tivesse outras intenções. Bem que eu estava achando você escolher sair comigo quando poderia muito bem... Mas não, vamos brincar de segundas intenções com o Harry, vamos arrastá-lo e tentar ajudá-lo...


- E eu tentei! – Hermione interrompeu, a voz crescendo uma oitava mais uma vez. Então, ela sentiu os olhos arderem e as lágrimas embaçarem um pouco a visão, pedindo para serem liberadas. Não, não na frente dele, dizia veementemente a si mesma. – Só Deus sabe o quanto estou fazendo para te ajudar! Estou tentando de tudo, como a boa amiga que eu prometi que era desde os tempos de escola! Aparentemente você não quer ser ajudado, quer ficar por aí, como que quer que seja. Mas, sabe Harry, vai chegar uma hora que irei cansar. – A morena se levantou de súbito e deu dois passos para longe da mesa quando o ouviu.


- Mas o que diabos você quer?


   Ela girou nos calcanhares e voltou. Colocou as duas mãos sobre a mesa e aproximou-se dele, colocando seu rosto bem perto do dele para que visse seus olhos.


- Eu quero meu melhor amigo de volta! – E, sem mais nenhuma palavra, saiu dali, abandonando um Harry confuso, irritado e bagunçando impacientemente os cabelos enquanto esmurrava a mesa.


   Hermione caminhava pela rua com passos firmes. Esmagava o ciumento sob os pés na esperança de que a bola incandescente dentro de seu peito que simbolizava sua raiva apagasse ou apenas esfriasse um pouco.


   Pensamentos incoerentes percorriam seu cérebro na velocidade da luz. Não se prendia a nenhum deles, pois sabia que, caso pensasse naquele momento, iria enlouquecer.


   Não demorou muito e logo entrava na recepção do hotel. Ia para o hall dos elevadores quando vozes a chamaram, e ela, após conter um longo suspiro de irritação e cansaço, mudou seu rumo para o lobby.


- Hermione, conseguimos! – Lewis exclamava sorridente sentado no sofá. Junto com ele, havia alguns membros da banda.


- Conseguimos o quê? – Ela franziu o cenho.


- Ora, o quê! – Draco exclamou, levantando-se num salto. – A viagem para Ibiza! Vamos passar Ano-Novo lá. Imagine só! Deus, vai ser o verdadeiro paraíso. – concluiu com os olhos brilhantes.


   De repente, seu cérebro lhe informou que a banda, algum tempo atrás, tendo em vista o sucesso que estavam fazendo e o clima bom, tivera a ideia de viajar para um lugar exótico para as festividades de fim de ano.


   O único problema era que a atmosfera não estava mais a mesma do começo da turnê.


   A morena abriu um sorriso forçado.


- Parece que Ibiza vai ser seu presente de Natal atrasado, não é mesmo Draco? – ela deu uma risada breve.


- Vai ser o máximo! – o baixista exclamava. Hermione sentiu-se um tanto bem ao ver que alguém estava feliz de verdade naquele dia.


   Lewis ficou de pé também e lançou um olhar reprovador ao amigo.


- Mas ele só vai lá para satisfazer os sórdidos desejos sexuais dele com as turistas. – contrapôs balançando a cabeça.


- Você também, Ashbury. – respondeu Draco cruzando os braços e revirando os olhos.


- É, é tudo isso aí, mas, acima de tudo, vai ser uma ótima oportunidade para vocês relaxarem após um ano intenso e muito proveitoso. Trabalharam muito e agora merecem descansar. – disse Milena Vallerie, uma das assistentes técnicas, que se aproximou deles naquele momento.


- Quando iremos? – Hermione perguntou, ainda sustentando, com uma força incrível, o sorriso falso.


- Dia vinte e seis. E como o último show de vocês esse ano é em Londres mesmo, vai dar para passar Natal com a família.


- Teria sido muito mais fácil se nosso último show fosse em algum lugar da Espanha. Viagem muito mais curta. – o baixista comentou.


- É, mas o planejamento da turnê foi feito muito antes de vocês terem tido a ideia de Ibiza. – Milena redarguiu.


- Ah, mas o que isso interessa? O que importa é que vamos ter um o fim de ano, para comemorar esse ano maravilhoso que a banda teve! – Lewis exclamou dando um pequeno soco no ar.


   A língua ferina de Hermione, ainda em ativa desde a discussão com Harry, propôs uma resposta nada agradável, porém seu autocontrole, com uma intensidade não esperada, entrou na frente antes que qualquer dano fosse causado.


- É, vamos sim. – concordou, sentindo que as perturbações desencadeadas no café continuavam agitando-se intensamente dentro dela. – Bem, se vocês me derem licença, vou para meu quarto descansar um pouco da viagem.


   Ela estava quase na porta da saída do aposento quando Lewis a interrompeu.


- Aliás, viu o Harry? Só falta contarmos para ele.


   A simples menção do nome dele fez a fúria voltar a queimar seu corpo. Conteve um rosnado e mais umas palavras rígidas, respirou profundamente e girou nos calcanhares, estampando outro sorriso que não chegava a seus olhos.


- Não, não o vi. Provavelmente deve estar fazendo algo por aí porque há um tempo que ele não tem compartilhado as coisas dele com o resto de nós. Afinal, isso aqui é uma banda não? - disse, sem conseguir esconder o evidente sarcasmo, resultado da raiva flamejante que ainda lhe ardia e que implorava para ser liberada de alguma forma.


   Hermione nem esperou os amigos processarem suas palavras. Deu meia volta e afastou-se, de repente sendo mais uma vez assaltada pela irritação. Pouco prestou atenção aos seus pés e, quando se de conta, encontrava-se no piano bar. Uma melodia calma ecoava pelo ambiente, conferindo-lhe uma atmosfera agradável.


   Música. Era disso que precisava. Tamanha era sua ligação com a música que essa tinha a capacidade de personificar suas emoções e acalmá-la quando necessário. E, naquele momento, com suas perturbações mais fortes e afiadas que nunca, precisava relaxar.


   Sentou-se no bar e soltou um suspiro. Passou a mão nervosamente pelo cabelo, num gesto que seu cérebro traíra lhe disse, num tom meio longínquo – mas ainda sim provocativo –, que lembrava muito um conhecido.


- Gostaria de algo para beber, senhorita? - a mulher que trabalhava no bar perguntou em francês com um pequeno sorriso singelo.


   Hermione tentou imitar o gesto.


- Se você tivesse um elixir que me fizesse esquecer literalmente tudo e o que quer que esteja me perturbando, eu agradeceria. – respondeu na mesma língua.


   O sorriso da outra aumentou.


- Essa é nova. Nunca tinha ouvido antes. – falou, limpando distraidamente um copo. – O que quer dizer que há algo realmente ruim acontecendo com você.


   Uma onda súbita invadiu Hermione. Ela, que sempre foi uma pessoa racional e calculista, via-se prestes a colocar tudo para fora com uma estranha qualquer.


   Deveria ser mais um efeito da discussão com Harry. É, tinha de ser...


   A morena ajeitou-se no banco, inclinou-se para frente e pôs o cotovelo na bancada, apoiando o rosto na mão.


- Eu sei que Paris é uma cidade incrível e perfeita, mas... – começou a dizer, mordendo o lábio inferior pensativa. – Você já teve a sensação ou o desejo de que, pelo menos uma vez, ela não fosse?


   A mulher não respondeu de imediato. Um fiapo de sanidade voltou a Hermione naquele segundo, dizendo-lhe que a mulher simplesmente se viraria e iria embora, com certeza cansada de historinhas dos clientes. Contudo, ela manteve o sorriso e respondeu tranquilamente.


- Depende. O que você quer dizer com isso?


- Saí agora há pouco com um amigo meu, como sempre fazemos quando estamos aqui. Só que ultimamente ele vem agindo muito estranho... Muito mesmo. Eu o conheço há mais de uma década e sei dizer quando há algo errado com ele, embora não queira me dizer. E hoje, justamente hoje, justamente numa cidade que eu adoro, as coisas resolvem finalmente explodir e sair do pouco controle que tinha. Maravilhoso.


- Justamente numa cidade que você adora? – a outra repetiu, escancarando o sorriso. – Paris? A capital do amor?


    Hermione bufou e revirou os olhos, controlando a máximo os impulsos irritantes de querer esmurrar a superfície de vidro do balcão.


- E ainda tem esse estereótipo... O pior de tudo é que não há nada... – ela parou, procurando as palavras para dizer. – disso entre nós. Não! Ele é meu melhor amigo... ou pelo menos, ainda acho que é. Enfim, é o que disse, somos só amigos que resolvemos sair para aproveitar uma tarde agradável. Não é como se todo mundo que sai por aqui em que obrigatoriamente ter algo romântico no meio.


- Não sei, senhorita, mas sou daquelas que acredita que Paris realmente tem um quê de mágica. E sou daquelas que acredita que muitos saem por ai como amigos quando, no fundo, formariam um par para qualquer um admirar, mas sem exageros ou, como você mesma disse, estereótipos. Casais que... Bem, vamos dizer que seriam a imagem da perfeição. E é justamente por causa do fato de que desde que nascemos somos forçados a acreditar que nada é perfeito que justamente essas pessoas não vão além ou sequer se dão conta dessas entrelinhas, digamos assim. Pense nisso. – a mulher deu ma piscadela. - Agora, vai realmente querer algo para beber?


   A mente de Hermione encontrava-se mais focada em si do que no mundo afora enquanto esperava o drink que pediu. Por algum motivo desconhecido, aquelas palavras finais entranham-se nela, fazendo-a pensar. E quanto mais isso acontecia, mais confusa ficava.


   Confusão. Falta de respostas. Era a segunda vez que isso ocorria.


   Estava começado a desgostar da Cidade Luz.


 


 


--


N/A: Eu comecei shippar seriamente Ginny e Lewis com esse cap XD Quem acha que essa viagem pra Ibiza não vai prestar? \o/ Sinto cheiro de ano novo intenso. Odiei o fim, mas enfim... As coisas estão quentes, me sinto muito bem com isso haha Notaram meu amor por confusões né?


E um aviso importante: faculdade tá ocupado meu tempo praticamente todo, então sem previsões de att. Posso demorar ou não. E se houver alguém lendo minha outra fic, ela vai entrar em pausa pq é uma fic mais elaborada. Essa aqui é mais fácil e eu já tenho tudo na cabeça. Já peço desculpas!


Pessoal que tá lendo e favoritando, muitíssimo obrigada :D Isso continua a não ser betado. Qlqr erro, avisem. Beijões!

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.