Passar uns dias em Grimmauld Place trouxe mais ânimo a Rony. A maioria do dia eles se ocupavam ajudando Monstro na caça as pestes domésticas pelo casarão dos Black ou estudando Poções, Defesa Contra Artes das Trevas, dentre outras tantas matérias.
Certo dia haviam encontrado um bicho papão no sótão e este foi um momento bem constrangedor para Rony. Ao invés do ser assumir a forma de Aragogue como sempre, Hermione apareceu na frente deles, com um olhar de profundo desprezo. Harry foi discreto o bastante para não comentar o caso depois.
Aos Domingos iam almoçar na Toca e a Sra. Weasley dizia que esse era o único dia que Gina sorria de orelha a orelha. Num desses Domingos onde estavam todos reunidos a mesa, sua irmã perguntou:
— Vocês não têm mais notícia da Mione? – Rony sentia o olhar de Gina perfurá-lo enquanto perguntava. —Papai disse que o ministério já a localizou, mas até agora não recebi uma carta dela.
—Ela está bem. Me escreveu há alguns dias. — respondeu Harry para seu alívio, ou não: agora sua mãe entrara na conversa.
— Essa menina não veio mais aqui. Rony o que aconteceu aquele dia que a coitadinha saiu transtornada? Isso já faz um mês!
— Nada...— resmungou enquanto todos os Weasley viravam a cabeça em sua direção.
— Como nada?! Você andou chateando ela, Ronald Weasley? – a voz de Molly era inquisitória.
—Eu... Não! — olhou desesperado para Harry pedindo ajuda. Agora Fred e Jorge pareciam apurar os ouvidos na conversa.
— Aquilo foi um mal entendido, Sra. Weasley. Tá tudo bem agora. —adiantou-se Harry em defesa do amigo.
Gina semicerrou os olhos, sentindo a cumplicidade no ar.
—Então a chame para almoçar aqui, Rony! — disse sua mãe, mas não como uma sugestão e sim uma convocação.
***
O resto do Domingo transcorreu de forma curiosa. Rony ainda tinha que fugir das especulações da mãe, e evitar topar de frente com Gina e Harry se agarrando no sofá, no jardim, ou qualquer lugar solitário. Entretanto, o ruivo sentiu-se muito satisfeito em estar presente para ver uma cena, no mínimo interessante; Ela não chegara para o almoço, mas apareceu a convite de Fred para passar uma tarde tipicamente Weasley — era Angelina Johnson.
A ex-colega de Hogwarts e os gêmeos dividiram os céus dos jardins da Toca durante boa parte da tarde em competições animadas de Quadribol. Rony até se arriscou em duas partidas, mas havia comido tanta torta de frango no almoço, que achou melhor não abusar com piruetas no ar. Mas depois o que parecia um encontro de amigos, tomou um rumo peculiar. Rony viu exatamente o momento em que Jorge voltou solitário dos campos, com três vassouras em mãos, enquanto Fred e Angelina se distanciavam numa caminhada suspeita para depois do morro.
O ruivo tentou não se deprimir com o fato de que até os gêmeos estavam se dando bem no quesito amoroso, e ele não. Mas, embora aquilo fosse um fato a seu favor para zombar dos irmãos, o fim de noite dele foi péssimo.
“Como iria explicar para família, que viu Hermione crescer ao seu lado, que ela nunca mais visitaria a Toca?” As palavras vazias dela na carta criavam dentro dele um sentimento de desespero. “Será que nunca mais a ouviria pronunciando ou escrevendo seu nome?”
“Merlim...!” Ele morreria por dentro se nunca mais pudesse vê-la ou tocar-la.
Quando o sono veio depois de uma batalha com a mente, ele sonhou com ela como sempre. Neste sonho ela cuidava dele. Afagava-lhe o rosto com o dorso da mão, acariciava seu braço com os seus dedos graciosos. Fazia-lhe leve cafuné nos cabelos cor de fogo. Não era na verdade um sonho novo, mas uma lembrança de um momento deles... Um dos poucos que tiveram. Fora quando foi velado por toda delicadeza feminina dela, enquanto se recuperava depois de estrunchar numa aparatação mal sucedida, logo após a conquista do medalhão.
***
Rony foi arrancado do sonho, da presença dela, por Harry que o sacudia afoito. Já era dia, mas ele tinha de admitir que o casal tinha o dom de tirar-lhe de Hermione.
—Nossa! O que foi? — perguntou rabugento.
— Recebi uma carta da Hermione! – respondeu Harry cheio de
entusiasmo.
— Quê? Ela perguntou de mim?— já esquecera todo o mau humor.
— Não, ela mandou o convite para o aniversário dela. Vai ser sexta-feira!
— Ah... Aquele do qual eu não fui convidado. — sentiu uma onda de desgosto.
— Pára com isso, Rony! Você vai... Você vai sim!
— Para ela me rejeitar na frente de todo mundo?! Ela não quer me ver nem que eu fosse um galeão de oitenta quilos. — sentenciou pesaroso.
— Escuta aqui, Rony, você vai e pronto! Se ela te rejeitar você ajoelha na frente de todo mundo e pede perdão. Ela não vai resistir a uma humilhação em público... Quero dizer, vai ser como uma declaração de amor na cabeça dela.
— Não tô preparado pra isso. Se ela me olhar daquele jeito... — murmurou.
— Hey! — Harry se aproximou e colocou a mão nos seus ombros — Lute por ela! Eu sei o quanto você anda sofrendo sem a garota que ama. Me senti assim por muito tempo também.
Harry tinha razão. Alguns dias eram verdadeiras provações. Então, ainda vacilante, Rony assentiu - aceitaria o desafio.
— Beleza! — exclamou o amigo socando-lhe o ombro — Vamos hoje mesmo para Londres. Temos que comprar um presente para ela e também roupas pra você.
— Mas eu tenho as roupas formais que Fred e Jorge compraram p...
— Você não espera aparecer na festa de vestes bruxas, não é Rony?! A família dela é trouxa!
—Tá vendo Harry, isso não vai dar certo!!! Eu não tenho grana... —choramingou.
—Chega de desculpas, Rony! Eu te empresto.—retorquiu um Harry impaciente.
— Mas... — e antes que completasse a frase foi interrompido pela terceira vez.
-Se troca e vamos! Tô esperando lá embaixo. — e sem ter tempo de responder viu o amigo sair pela porta e descer as escadas para o hall.
***
O centro de Londres era tumultuado e barulhento. Os carros não paravam de soltar um apito medonho, as pessoas iam apressadas de encontro a seus destinos, objetos esquisitos jaziam sobre as vitrines polidas parecendo se repetir na maioria das lojas.
Rony entrou com Harry numa loja grande, com escadas que se movimentavam sozinhas, e o amigo lhe jurara que aquilo não era mágica e sim “elequicidade”, ou seja lá com se chamava.
Ao contrário do seu mundo, ninguém vinha lhes atender e tirar suas medidas. Eles apenas ficavam procurando uma roupa que mais lhe ajustava ao corpo num varal de cabides, e ele tinha ainda que ficar atento a uma letra no canto superior da gola das camisas. Harry que tinha experiência na coisa disse para ele escolher as que tivessem um “G”.
Enquanto escolhiam, por vezes, o amigo resmungava alguma coisa:
— Hoje eu vou lá na Toca avisar a Gina e pedir pra sua mãe se ela pode ir...
Rony procurava manter um simples “Ah tá!”. Depois que levara uma cotovelada de Harry por falar alto coisas do tipo “Prefiro aparatar do que ir de carro” e “ Onde vou guardar minha varinha nessa calça?” achou que era mais prudente não se expressar muito.
Após uns quarenta minutos eles finalmente acharam o que lhes agradavam e Rony acreditou que nunca fora tão demorado a escolha de um vestuário. Harry confessou que as mulheres gastavam horas naquela tarefa e acompanhá-las neste momento era um martírio.
Na escolha do presente Harry demonstrou porque era seu melhor amigo e lhe doou privacidade para entrar na loja que quisesse, enquanto ele próprio ia escolher algo para a amiga. Dera-lhe alguma grana trouxa também. Rony sabia que Harry tinha uma fortuna bruxa, mas que no mundo dos trouxas também era pobre. Contudo, Harry o tranquilizou afirmando que havia um setor em Gringotes em que se podia trocar dinheiro bruxo por trouxa, facilmente.
De início pensou em procurar uma livraria, mas ao chegar à vitrine da primeira que encontrou, notou que os títulos eram confusos e ele já não tinha certeza se ela ia gostar de qualquer livro de lá. Podia estar comprando algo abominável no mundo trouxa, de se ler.
Continuou por uma rua menos movimentada e entrou numa loja pequena, cheia de espelhos e mostruários que exibiam anéis, colares, pulseiras e brincos. Alguns brincos eram grandes demais ou coloridos demais, pesados demais. Definitivamente decidiu que aquela sessão pertencia a Lilá e Luna. Depois começou a ver os anéis e foi impossível não pensar na professora Sibila Trelaway. Também não vira Mione muitas vezes com um anel, portanto se desinteressou por tais bugigangas.
Foi somente quando ao chegar aos colares que se lembrou de vê-la uma vez com um cordão dourado num pingente de flor. Naquela ocasião ela usava uma blusinha que deixava pequena parte de seu colo à mostra. Estava linda!
Ao correr os olhos azuis pelo mostruário, buscou algo tão delicado quanto uma flor e ostentou um pingente angelical de onde um cupido, de perfil, mantinha a flecha em punho na busca de um coração solitário. Rony não precisou de muito esforço para imaginá-lo nela e pediu a atendente do balcão que o queria. Na verdade não sabia sequer se a morena abriria aquele presente, quanto mais chegaria a usá-lo, mas, ao visualizá-la sorrindo com o cordão entre as mãos, seu próprio coração agora tão solitário, se aqueceu de felicidade.
***
A semana, claro, passou de forma tensa. Ele a todo instante se via projetando na mente como seria esse encontro. Desde o que ela estaria usando no corpo até como o humilharia sob azarações e palavras mordazes.
Harry afirmara que certamente azaração não, já que eles estariam vivendo numa noite dos trouxas. Menos mal, porque ele não tencionava sair cravado nas costas por dezenas de pintassilgos.
Na noite de sexta-feira ele já estava tão transtornado que as vozes de Harry e Gina ao seu lado eram ecos do além. Sua irmã viera pela Rede de Flu, já que era menor de idade e por isso não podia aparatar. Ela e o amigo pareciam bem animados, Rony só conseguia ficar mais apavorado.
Ao invés de voarem ou usarem chaves-portal no endereço que Hermione passou, Harry achou mais sensato irem de táxi — um carro que deslocava os trouxas em troca de dinheiro—, já que a casa dela não ficava tão longe de Grimmauld.
***
Pouco antes de o carro estacionar numa rua já apinhada de tantos outros, na frente da casa branca ladeada por uma varanda, Gina olhou para o irmão e disse:
— Vê se faz as coisas certas dessa vez, manezão!
Rony nem pensou em argumentar. Neste momento seu estômago disputava um campeonato com seu coração pra ver quem ia saltar pela sua boca, primeiro.
Pararam em frente da porta e já se podia ouvir falatório e música alta de dentro da casa. Harry tomou as rédeas da situação já que era o único entre os três que pertencia aos dois mundos, apertando um botão circular ao lado da porta. Rony sentia que ia nausear de ansiedade quando Mione abrisse - tinha que controlar os nervos. Entretanto, quando a porta escancarou-se segundos depois, eles depararam com uma mulher magra e de rosto delicado. Era a mãe de Mione. Rony se lembrava dela todos os anos na plataforma da estação King Cross entregando a filha à Hogwarts.
— Ah... Olá! Mais amigos da Hermione! — disse ela entre risos e ao que parecia, também os reconheceu. - Bem, só vou pedir para não mencionarem nada sobre... magia, afinal nossos parentes não sabem...
— Claro, sem problemas Sra. Granger. — respondeu Harry prontamente.
Ela abriu espaço pelo vão da porta e os três passaram. Os cômodos estavam cheios de gente, dentre jovens e adultos e ninguém parecera notar que eles também integravam a festa agora. As paredes e o teto estavam decorados com balões e fitas lilases e a música era alta e contagiante.
Rony olhou apreensivo para todos os lados esperando um vaso errante ou um murro no braço, mas por onde quer que olhasse não encontrava Mione. Talvez até estivesse julgando-a mal, ela provavelmente não ia perder as estribeiras na sua festa na frente de tanta gente conhecida. Poderia estar agora mesmo espiando e esquivando-se dele. Mas não, definitivamente não a via em parte alguma, e se não fosse pela Sra.Granger juraria que aquela festa não era de Hermione.
Foi nessa de medir cada convidado a sua volta que viu duas figuras perdidas no meio daquele mar de trouxas. Luna e Neville estavam acuados perto da cozinha, cada um com um copo na mão.
— Luna e Neville, ali! — disse para os outros e eles foram ao encontro dos amigos em meio a esbarrões e música alta.
— Harry! Rony!Gina! Que maneiro encontrar vocês aqui! — Neville gritava para que pudesse ser ouvido em meio à barulheira. Parecia aliviado de ver rostos conhecidos.
— Não sabia que Hermione tinha convidados vocês. Que bom estarem aqui! — saudou Harry também gritando para ser ouvido.
— As velas na casa da Hermione são esquisitas. Elas apagam e acendem quando se aperta um negócio chamado interruniptor. Perguntei a uma menina...
— Não Luna, isso é eletricidade! — respondeu Harry — Cadê a Hermione?
— O Sr. Granger disse que ela vai aparecer a qualquer momento pela escada. — respondeu Neville.
***
Hermione sentou de frente para o espelho da penteadeira e se olhou. As vozes no andar debaixo eram abafadas pela música alta. Quantas pessoas estariam esperando vê-la despontar pela escada?
Enrolou um cacho do cabelo entre os dedos enquanto decidia que perfume usar. Pegou o perfume que ganhara de Rony anos antes, ainda restava metade do frasco da fragrância. Tinha muito cuidado em usar, escolhendo ocasiões importantes para destilá-lo sobre seu colo desnudo. Conservá-lo era como conservar uma parte física de Ron.
O sentimento seguinte foi ódio... não queria pensar nele mais... Não ia usar o perfume! Mas gostava do cheiro e dane-se que fora ele quem lhe dera - era só um presente, não era?
Estilou sob o pescoço e próximo ao decote sem remorso do quão rápido o perfume acabaria. Aquela noite era dela e não podia se dar ao desprazer de pensar nele. O mais próximo que chegaria de Rony agora era olhar para Harry e imaginar sua sombra.
Ficou em pé estando centímetros mais alta com o sapato de salto. Seguiu pelo corredor, o vestido Lilás se ajustando a suas curvas graciosamente a cada passo, o perfume inebriando o ar. Parou no patamar da escada, então vagarosamente começou a descer para que houvesse tempo de seu pai percebê-la ao topo da escada e colocar “Misunderstood” do “Bon Jovi” a tocar por toda sala. Mal desceu seis lances de escada, hesitou...
Ele estava lá. Os cabelos ruivos levemente jogados para trás. Uma camisa social preta de risquinhos brancos marcando-lhe levemente o tórax rígido e os ombros largos. Calça branca ajustando-se com perfeição as coxas torneadas... Ron nem precisava fazer esforço para ser lindo. Chegou a imaginar que talvez viesse a encontrá-lo algum dia, só não esperava que fosse esse sentimento que se apoderaria dela - desejo.
Vacilou ao notar que todos além de Rony a olhavam. Deveria estar com uma expressão perplexa, ou, quem sabe, sádica. Tentado tirar o foco da visão extasiante que era ele e continuou com o plano de descer a passos delicados, apesar de perceber que seu corpo todo tremia rijo, de choque e paixão.
***
Quando Rony ia experimentar a cerveja dos trouxas que Neville garantia que era mais amarga que a amanteigada, mas igualmente boa, foi sobressaltado por um tumulto em torno da escada.
Rapidamente acotovelou quem pode para garantir um bom lugar no pé da escada, o que não foi difícil, já que era alto, e então esperou.
Não estava tão nervoso quanto a minutos atrás, apenas esperançoso de que ela pelo menos o notasse entre o aglomerado de pessoas. Uma música suave dedilhada a violão invadiu a sala e milésimos antes que o cantor irrompesse o vozeirão, ela surgiu... Angelical como o presente... Os cabelos presos num coque de onde escorriam os sedosos cachos acastanhados. Um caindo rente a sua têmpora e indo repousar perto dos lábios.
Seu vestido de tecido delicado, e levemente transparente, comprimia-lhe o busto, empinando de forma sensual e não vulgar, os seios contra o decote. A partir do quadril estreito e curvado o tecido era mais solto deixando as pernas esbeltas trilharem o caminho com realeza.
De início achou que era ilusão, mas não... Ela o havia notado e pode sentir sendo fitado com o mesmo desejo que corria nas suas veias naquele momento. Queria subir correndo na sua direção e tomar-la nos braços, beijar-lhe na boca, amar-la ali mesmo.
Então ela desviou o olhar e começou a descer os degraus, evitando-o deliberadamente.
***
Hermione buscou o autocontrole quando começou a cumprimentar os parentes que aproximavam-se a fim de parabenizá-la.
Buscou distância dos colegas de escola, tentado deixá-los por último, pois onde Harry e os outros estivessem, Rony estaria, e nem sabia do que seria capaz quando sentisse o perfume dele.
“Autocontrole” ficava repetindo mentalmente, e quase entrou em pânico quando viu um vulto vermelho se aproximando.
— PARABÉNS MIONE! — para seu alívio era Gina que lhe deu um forte abraço. Logo atrás dela Harry, Luna, Neville e RONY!
—Ah... Obrigada! Oi Harry! — deu um abraço tímido no amigo que também parecia sentir falta dela dando-lhe um forte abraço fraternal.
A seguir Neville e Luna, que antes de parabenizar-la soltou:
—Sua casa é estranha, Hermione! — olhava em todas as direções, principalmente os lustres, enquanto falava isso — Aliás feliz aniversário!
Então chegou a vez de Rony... E sim, ele estava descaradamente mais provocante cara a cara.
O que aconteceu a seguir foi embaraçoso. Eles simularam um abraço, mas recuaram antes que os braços se erguessem e então apertaram a mão um do outro de forma tão rápida que era preciso um olho muito atento pra perceber que suas mãos se tocaram.
—Hã... Parabéns Mione... — ele tinha a voz um pouco embargada.
Talvez fosse pra ela não perceber, mas foi meio impossível não ver Harry acotovelando suas costelas.
— Digo, Feliz Aniversário Hermione! — a situação estava ficando esquisita, pois Harry lhe aplicou outro golpe no mesmo lugar só que desta vez Rony fitou-o com a expressão abobada, sem saber como agir.
— Oi galera... Vou pegar a Mione de vocês! — ela fora salva pela sua prima, Stefanie, já um pouquinho alterada pelo álcool, que meteu a cabeça entre eles e saiu puxando-a pelo braço.
— Depois a gente se fala. Fiquem a vontade! —gritou Hermione entre a música alta, já sendo arrastada para cozinha.
Quando estavam a uma distância razoável do grupo a prima baforou na sua cara:
— Quem é aquele gato ruivo com quem tava falando?
O sangue de Hermione ferveu. A seguir exclamou rangendo os dentes:
— Cala a boca Stefanie! Você namora!
— E daí? — essa era sua prima Stefanie, volúvel do início ao fim.
—Não enche! — disse Hermione se desvencilhando dela na busca de companhias melhores.
***
—O que vocês queriam? — Rony estava zangado, enquanto cochichava com Harry e Gina sobre instantes atrás.
— Aquele era o momento para você pedir desculpas a ela, antes de tudo! – disse Harry irritado.
—Mas é aniversário dela também!
—Numa festa que você tá de penetra! —lembrou Gina esquecendo que devia falar baixo —Antes de tudo uma desculpa pelas grosseiras caía bem.
—E o que vocês sugerem? —Rony se tornara carrancudo.
— Que tal ir atrás dela para falar isso? Ou você espera que ela chegue até você e fale: Abre essa boca e soletre “desculpe por ser um trasgo!”
Gina tinha um vocabulário cruel. Harry devia ser beatificado por aguentar aquele gênio.
***
Não porque Gina estava mandando nele, mas Rony acreditou ser mais sensato buscar por Hermione antes que a festa acabasse e ele perde-se a oportunidade que esperava há semanas.
“Não! Não iria passar mais noites remoendo sobre o que devia ter feito”
Era fácil achar-la no meio das pessoas por que era radiante em qualquer aposento da casa, destacando-se facilmente dentre outras garotas tantas da sua idade que também aproveitavam a festa.
Tentou chegar nela uma, duas, três, quatro, várias vezes, mas ela estava sempre rodeada de muitas pessoas e nunca ficava sozinha por um segundo. Quando terminava de falar com um grupo, era porque fora arrastada por alguém a deslocá-la a outro contingente. Era frustrante.
Duas vezes mirou Gina e Harry do canto oposto dos aposentos fazendo caretas e apontando pra ele chegar em Hermione.
“Que vontade de tacar uma bomba de bosta nesses dois!” pensou consigo.
Por hora alguém da festa perguntava de qual lado da família ele pertencia, porque nunca tinha existido ninguém ruivo entre os Grangers e “Estupefaça” lhe parecia cair bem naquele momento.
Entretanto, o auge do aborrecimento foi quando aquela menina magrela e com cheiro de cerveja de trouxa que puxara Hermione deles, no início da festa, se aproximou com cara de bode e baforou perguntando se ele tinha namorada.
Quando ele disse “NÃO” a maluca tentou deliberadamente apalpar suas partes íntimas fazendo-o dar um pulo para trás, quase derrubando um vaso ao pé da escada.
Se tivesse com sua varinha seria a primeira vez que Rony experimentaria uma das Maldições Imperdoáveis... Ah sim!
Agora além de fugir de uma, tinha que procurar outra, porque Hermione definitivamente sumira. Procurou na cozinha, esperou ao lado do banheiro, vasculhou a sala de estar e a de jantar e estava prestes a abusar da hospitalidade que nem lhe fora concedida, subindo as escadas, quando se lembrou de olhar na varanda que ladeava a casa.
Cruzou a sala de estar alcançando a porta de vidro que dava acesso à varanda, e foi então a viu, lá fora, debruçada sobre o parapeito de madeira, fitando a rua noturna e para seu alívio - sozinha. Era agora ou nunca.
***
— Oi. — disse Rony chegando tímido, o passo vacilante à espera de qualquer hostilidade.
—Hmmm... Oi...— ela virou rapidamente, endireitando-se, com os braços apoiados sobre o parapeito seguramente.
“O que ele estava fazendo ali?Por acaso adivinhara que ela estava pensando nele?”
— Bonita à noite, não? — Rony não queria começar aquela conversa falando do clima, mas era inevitável.
— O que você está fazendo aqui? — sua voz estava um pouco trêmula, mas enérgica, não podia vacilar. Aqueles dias na Toca ainda a corroíam em algum lugar dentro de si.
— Eu... Tinha que vir!- Rony quis ser modesto, não tencionava brigar.
Hermione estava a ponto de perdoá-lo só por aquele tom de voz, mas tinha que manter-se forte, não era assim que as coisas funcionavam. Ela tinha orgulho ferido!
— Como assim, tinha que vir? Eu não te convidei! — ao mesmo tempo em que as palavras eram proferidas ela esperava que ele reagisse bem a elas, não se zangando. Apenas para que ele percebesse que Hermione Granger não era fácil e descartável como Lilá Brown, por exemplo.
Rony continuava a se aproximar, passo a passo, fazendo seu peito palpitar, os pêlos da nuca arrepiar.
— Você nunca precisou de um convite formal e escrito pra ir à Toca! — A voz dele se alterara como ela não quisera, estavam perdendo o controle.
Já estavam tão próximos que se Rony a tocasse podia abraçá-la. Mas ela não parecia querer ser abraçada, já que tinha um olhar inquisidor ao erguer a cabeça para encará-lo, por que mesmo ela estando de salto, ele ainda era maior.
—Não seja por isso Ronald Weasley! Eu não pretendo mais ir à Toca!
Aconteceu antes que Hermione pudesse reagir. O perfume a engolfou primeiro, então os braços musculosos dele envolveram-na num laço sem desate e ele caçou seus lábios até pararem num beijo selvagem, forçando sua língua indócil contra a boca dela.
Ele afrouxou o abraço um pouco, mas ela não tentou se livrar da quentura do seu corpo, pelo contrário, deu vazão ao sentimento luxurioso que quase beirava ao tesão e deixou sua língua entrar enquanto buscava esfregar seus lábios contra os dele.
Os lábios que ela desejou por dias a fio, por pelo menos cinco anos.
***
Era bom demais o gosto daquela garota. Gosto de paixão. Sua boca delicada e macia buscava a dele com ardor.
O beijo era gostosamente molhado e escorregadio, e, enquanto ele apertava com as mãos a cintura dela de encontro ao seu corpo pulsante, sentia um enorme tesão dominá-lo.
Nas últimas das esperanças imaginava um beijo doce e delicado em Mione, mas aquilo superava deliciosamente suas expectativas.
***
Foi Hermione quem desatou a tensão carnal que surgia na varanda da própria casa. Delicadamente afastou-se para não perderem a cabeça de vez.
Ele a fitou, confuso, não entendendo por qual motivo ela interrompera aquele momento delicioso. Hermione deslizou as mãos, que antes estavam apoiadas no seu tórax, para o parapeito da varanda.
— Desculpa...— Rony disse baixinho acariciando o queixo pequeno dela, com a polegar. Era uma sensação maravilhosa tê-la na sua frente, corada e sensual.
— Ron... — sua voz saiu como um miado manhoso. Uma gata selvagem e meiga, mesmo as duas qualidades sendo tão antagônicas.
Ele a abraçou com força, sentindo o perfume que fora um presente dele, exalar pela pele alva dela. O coração batia loucamente em algum lugar dentro do peito. Era pequena e magra dentro dos seus braços que se tornaram grandes demais ao longo dos anos.
“Aquela era a amiga sabe-tudo com quem se engalfinhava pelos corredores de Hogwarts ou a mulher da sua vida?” Ele esperava que as duas coisas.
—Eu corri atrás de você aquele dia na Toca. Eu não consegui parar de pensar em você Mione... Achei que nunca mais ia te ver. —desabafou.
—Você bem que mereceu, Rony. — sua voz não era dura, apenas firme — E essas roupas?
Agora ela olhava-o da cabeça aos pés de forma divertida, tentando esconder o quanto excitada ficara com o vestuário másculo “alá” trouxa, que ele exibia. Os primeiros botões da camisa estavam soltos mostrando sua pele clara e levemente sardenta pescoço abaixo.
— Isso foi coisa do Harry. Ele disse pra eu procurar as que tivessem um “G” na gola, que é algo com grande, acho, mas mesmo assim ainda tá pegando um pouco no ombro.
Rony pareceu distraído nesse momento, tentando ajustar a camisa que julgou apertada. Hermione agradeceu no seu íntimo por a camisa não ter mais pano do que merecia, assim dando destaque aos ombros do rapaz.
—Você nem parece bruxo. Ficou muito bom!
— Se você gosta... – falou ele levemente consternado pelo elogio.
Rony sentiu vontade de comentar sobre o vestido de Hermione com mais detalhes, mas teve medo de ficar hipnotizado pelo decote de onde os seios redondos queriam escapar, talvez para suas mãos... ou lábios.
— Seu vestido é bonito! — ele recuou um pouco, mas sem tirar as mãos da cintura dela — estava ficando excitado. Mione fazia explodir dentro dele vários desejos que ficaram enrustidos nos últimos dias, melhor, nos últimos anos.
Então lembrou que havia algo no seu bolso. Era o seu presente para ela, o colar.
—Mione, eu... Comprei isso pra você — tirou de dentro do bolso um envelope celofane vermelho.
“Como era desajeitado... Oembrulho havia amassado”.
Ela o tomou entre os dedos e procurou, com delicadeza, a abertura do lacre. O colar deslizou do embrulho para palma da mão. O cordão era fino e dourado. O seu pingente, um cupido voando na busca de almas para apaixonar. Já era seu presente preferido. Algo de Rony para ela, que podia usar sem gastar.
—Põem para mim! —pediu, e virou-se de costas para ele, o instigando com a nuca desnuda.
Rony afastou-lhe levemente as madeixas soltas e passou o colar em seu pescoço, desejando na verdade tocá-lo com os lábios, ardentemente.
—Pronto.—havia ficado linda, como ele imaginara.
— Adorei! — disse ela envolvendo-o pelo pescoço. Ele retribuiu o abraço e ainda procurou seus lábios novamente, extasiado com a grandeza daquela noite. Mione só pra ele, sem interferências.
“Há quantos dias, meses ou anos desejavam aquele momento íntimo?” Sem famílias, amigos ou instituições a lhe impedirem. Melhor, sem amarras, correntes invisíveis da insegurança ou hesitação. Confessando abertamente em beijos e carícias o quanto se desejavam, o quanto se amavam.
Naquela noite Hermione teve certeza: Rony era o melhor presente de aniversário!
As mudanças deste capítulo: Para este capítulo, basicamente não houve grandes mudanças. Eu já havia revisado ele diversas vezes, mas sempre tem algo que deixamos escapar. O adicional mesmo, foi a cena em que Fred e Angelina vão "passear" para além dos limites da Toca. Posteriormente estarei criando um oneshot sobre o que houve entre eles neste momento. Estarei linkando aqui assim que postar, de forma que quem tiver interessado é será só acessar.
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//}
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