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2. Oclumência


Fic: Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oclumência


 


_Sapos de chocolate._ Lily Evans aguardou que a gárgula se movesse e subiu depressa as escadas que levavam a sala do diretor Dumbledore. Bateu a porta e aguardou alguns segundos antes de entrar.


_Boa noite Srta. Evans_ Disse Dumbledore sorrindo_ Como foram as férias de verão?


_Muito boas obrigada._Lily devolveu o sorriso ao diretor.


_Deve estar se perguntando por que eu a chamei aqui logo no inicio do semestre._ O professor Dumbledore inesperadamente agitou a varinha e uma taça contendo hidromel apareceu diante dela, Lily a pegou e sorveu seu liquido satisfeita.


_Imaginei que seriam instruções para o inicio do ano letivo.


Dumbledore sorriu outra vez, mas Lily percebeu que seus olhos por detrás dos óculos pareciam tão cansados que dava pena.


_Infelizmente os meus motivos não são tão simplórios querida._O professor sentou-se e ela o imitou. Ele parecia ponderar ou escolher as palavras que diria a ela. _A Srta conhece os perigos pelos quais passamos, sobretudo os de condição mestiça, ou aqueles que nasceram trouxas.


Ela assentiu com um movimento de cabeça e bebeu o hidromel, mas para se ocupar do que qualquer coisa.


_Muitas pessoas diriam que é crueldade de minha parte fazer o que estou fazendo agora, mas estou certo de que seria um desserviço e uma falta de respeito com a sua inteligência se não a alertasse a respeito dos perigos que a esperam. Preciso protegê-la Srta Evans. É a melhor forma de fazer isso é mantê-la atenta e ensiná-la a se defender da melhor forma que eu puder.


Os verdes olhos de Lily se encheram de lagrimas e seu coração descompassou-se momentaneamente.


_Obrigada professor._ Foi o que conseguiu dizer. _Mas você sabe quem é perigoso.


_Chame o de Voldemort. Esse é o primeiro passo. Não tenha medo de dizer o nome dele._Dumbledore fixou seus olhos nos dela e transmitiu-lhe uma incrível segurança._ E embora concorde com os que dizem que ele é perigoso, quero alertá-la para o fato de que ele não conhece todos os segredos da magia.


Lily esboçou um sorriso, contudo estava longe de se sentir confortável.


_Bem Srta Evans. Como eu disse, preciso ensiná-la a se defender. E preciso dizer que isso exigirá algum esforço de sua parte, maior do que o costumeiro. Ainda mais no que diz respeito às magias que Voldemort utiliza, sendo uma das mais poderosas dela a Legilimência. _Dumbledore fez uma breve pausa, como se esperasse que ela dissesse algo, no entanto, Lily guardou silencio.


"A legilimência é a capacidade que adquirimos de penetrar o ambiente de pensamento de outras pessoas e manipular determinados pensamentos para o bem ou para o mal conforme a vontade do legilimens. Voldemort é desde sua estada em Hogwarts um dos legilimens mais competentes que eu já conheci. E não duvido nada que alguns de seus comensais estejam seguindo rigorosamente os seus passos.".


_O senhor acha mesmo que alguns deles estão infiltrados em Hogwarts?_a voz dela emitiu mais confiança do que ela de fato sentia.


_Acho que alguns de nossos alunos simpatizam com a causa, e incentivados por alguns preconceitos arraigados em nossa comunidade, tendem sim para o lado das trevas.


_Como o senhor acha que posso me defender?



_A partir dessa semana a senhorita terá aulas extras para aprender oclumência, dessa forma espero que consigamos evitar ao máximo que Voldemort leve seus escabrosos feitos adiante.



 


Três dias depois às nove da noite Lily aguardava o professor Dumbledore junto à entrada do salão comunal da Grifinória. Todos os estudantes já haviam se recolhido ou assim deveria ser. O diretor não demorou a aparecer, cumprimentou a aluna e a guiou pelos corredores conversando sobre assuntos amenos até chegarem ao sétimo andar. Dumbledore parou e voltou murmurando algumas palavras, depois de ver o diretor fazer três vezes o mesmo movimento Lily viu surgir uma porta de parede, boquiaberta ela viu o professor abrir a porta sorrindo.


_Entrem. _Disse Dumbledore, Lily franziu o cenho, pareceu-lhe que o diretor estava se referindo a outra pessoa além dela._ Bom esta é a sala Precisa.


Antes que Lily pudesse perguntar ouviu uma voz conhecida atrás de si.


_Não tem essa sala no meu mapa_ James Potter despiu a Capa da Invisibilidade e guardou um pergaminho no bolso_ Boa noite Evans.


Lily não respondeu, não sabia dizer se estava mais intrigada por Dumbledore ter aberto uma porta do nada ou por Potter estar ali.


_Bem Srta Evans. _ Dumbledore ignorou o mal estar que se formou entre os dois alunos._ Combinei com o senhor Potter que ele cederia uma hora de seu tempo três vezes por semana para ensiná-la oclumência.


_Mas eu pensei que o senhor me ensinaria...


_Ah minha cara eu gostaria muito. Mas não disponho deste tempo._Dumbledore sorriu brandamente.


_Talvez outro professor pudesse.


_Mas não há quem possa._Dumbledore manteve o tom de voz firme, mas com uma delicadeza que deixou Lily inexplicavelmente tranqüila. _Além do mais eu confio no Sr Potter, conheço bem a pessoa que o ensinou. _Piscou para James_ Vou indo agora. A professora Minerva virá buscá-los em uma hora.


O professor saiu. Um silêncio extremamente desconfortável prolongou-se por um ou dois minutos, mas que para ambos pareceram uma eternidade.


_Bom Evans lamento não ser o professor que você esperava, mas posso garantir a você que desconhecia a identidade de minha futura quando aceitei a incumbência.


Lily nada disse apenas procurou sentar-se de modo confortável em uma das poltronas disponíveis na sala antes de indagar contrafeita:


_podemos começar logo?


_Podemos, mas antes eu preciso esclarecer algumas coisas._Ele parecia tão aborrecido quanto ela_ Oclumência não é algo que se aprenda do dia para a noite, portanto Evans se eu te aborrecer demais, você pode pedir a Dumbledore para me substituir sem problemas.


_ Típico de você Potter. Fugir dos compromissos antes mesmo de começar.


James bufou e sentou-se, visualizando a dificuldade que teria pela frente.


_Bom então comecemos._Ele sentiu-se repentinamente muito seguro de si ao dizer_ presumo que o professor já tenha dito a você o que é oclumência e legilimência. Então podemos ir direto ao ponto sem nos preocuparmos com delongas.


Lily gostou dessa ideia, mas manteve se quieta para incentivá-lo a falar.


_ para ter uma breve noção de como começar gostaria que você me dissesse o que conversou com o diretor.


Ela contou à conversa que tivera com o professor no escritório. James a ouviu paciente, sem demonstrar qualquer tipo de reação.


_Entendi_ Ele ergueu os olhos quando ela terminou de falar_ Antes de tudo preciso contar a você uma estória que meus pais me contaram logo que os ataques a trouxas começaram. Pouco depois do casamento dos meus pais eles viajaram de férias para um condado na Itália onde morava um bruxo conhecido por seus hábitos reclusos e temperamento difícil. As pessoas que moravam no condado contavam estórias a respeito da vida desse homem, alimentavam lendas sobre a sua sanidade mental e outras coisas. Bem, pra encurtar a estória, meus pais acabaram sem querer indo parar dentro de uma das propriedades desse homem e ele ficou muito zangado e nervoso e acabou expulsando os dois de lá. Mas minha mãe sempre foi muito sensível em relação a certos tipos de magia e pediu a meu pai para que fossem a casa do homem outra vez, mas pedindo permissão. Por três dias seguidos ele se negou a recebê-los até que minha mãe enviou-lhe um presente e uma mensagem dizendo-lhe que iriam embora e que aquela era a ultima chance de perdão que ele teria. O homem os procurou no hotel aquela noite e de muito boa vontade contou-lhes que não suportava mais a viver, disse-lhes que sua esposa fora brutalmente assassinada por uma pessoa em quem ele confiava muito, meu pai ele mesmo. Meu pai surpreso questionou suas razões e ele disse que uma mulher invejosa penetrara sua mente e instilara terríveis imagens a respeito do comportamento de sua esposa, forjara cartas em que ela dizia o quanto desejava livrar-se dele. Convencido de sua culpa e num rompante de raiva ele a matou. Ao descobrir a farsa da mulher, sua dor foi tão grande que o incapacitou e ele se fechou em sua mansão desejando que a morte viesse buscá-lo. Queria pedir perdão à esposa. Minha mãe disse-lhe que se ele amasse sua esposa de fato tentaria de todas as formas redimirem-se ajudando as pessoas do condado.


Lily ouviu a estória impassível, porém seu coração bondoso compadecera-se do homem fraco e atormentado.


_Sei que isso não tem a ver com você, mas preciso antes de continuarmos que você esteja preparada para enfrentar e suportar coisas muitíssimo desagradáveis e até terríveis.


A jovem assentiu. Teve medo por alguns instantes, mas logo o ignorou.


_Podemos bloquear nossas mentes a invasão de três formas diferentes. A primeira e mais simples delas é esvaziando a mente dos pensamentos mais íntimos.


_como assim?


_se você quisesse fazer mal a alguém não tentaria descobrir os pontos fracos dessa pessoa? _James indagou.


_sim._ Ela afirmou depressa._Você quer dizer que nossos pensamentos são nossos pontos fracos.


_Não, mas dependendo de que tipo de pensamento e como são expostos e utilizados pelos legilimente. _James a fitou com intensidade e prosseguiu._ se os seus pensamentos estão sempre voltados para pessoas queridas o aquele que invadir sua mente poderá utilizar o afeto dedicado a tais pessoas e de alguma forma fazer algum tipo de maldade.


As explicações prosseguiram e logo James ensinava Lily a esvaziar a mente de determinados pensamentos, explicou brevemente a respeito de como bloquear a mente através de um pensamento fixo e mencionou a legilimência como a maneira mais eficaz de manter longe os invasores. Uma hora passou depressa e eles marcaram a segunda aula para dali a dois dias.



 



 


Duas semanas depois Lily e James tornaram a se encontrar na sala precisa. As aulas progrediram muito e ela já era capaz de bloquear investidas medianas, mas ainda se cansava demais quando ele exigia dela maior esforço e concentração de sua parte. Por essa razão Lily sentia-se vulnerável, mas passara a perceber melhor determinadas situações que aconteciam ao seu redor, parecia supersensível e propensa a compreender certas coisas ao seu redor.


A despeito do que ela pensara no principio James era um excelente professor. Seu tom de voz era calmo e suas maneiras de ensinar objetiva e assertiva. Sempre sabia o momento certo de parar, corrigia suas falhas de maneira gentil e elogiava educadamente seu progresso. O fato é que ambos estavam muito satisfeitos com o resultado de tanto esforço, sem mencionar que estavam mais próximos do que já haviam sido em sete anos, em que o diálogo nunca fora amigável. Lily começava a perceber que sua opinião a respeito do caráter e da personalidade de James Potter, que fora baseada somente nas experiências de quadribol e na maneira repugnante como ele tratara Severo Snape desde o primeiro embarque em King's Cross, não poderia ser considerada acertada. O que pode ser comprovado no dia seguinte a uma aula particularmente complicada.


A mesa da Grifinória Lily tomava café com Marlene e Maria. Logo Sirius, James e Remus se juntaram a elas. Discutiam alegremente os esforços empreendidos na realização das tarefas solicitadas pela Professora Sprout de herbologia, quando Lily sentiu uma leve perturbação seguida de uma dor na parte de trás da cabeça, voltou-se para trás e percebeu que Severo Snape a fitava intensamente, a dor em sua nuca aumentou e ela repentinamente teve ânsias de vômito.  Sentiu que iria desmaiar quando os braços de James a envolveram e quase correndo a levaram para a sala precisa. Inesperadamente ela vomitou quase sobre as roupas dele, James pacientemente aguardou que o mal estar e o desconforto dela passassem enquanto conjurava grandes almofadas para que ela se recostasse. Lily apertou os olhos como se pudesse fazer sua dor passar. Viu entre as pálpebras semi cerradas um cálice pequeno com um liquido claro. James aproximou a borda da taça de seus lábios.


_Bebe Lily. _ pediu ele com calma_ É água.


Ela obedeceu e bebeu um golinho.


_Tente esvaziar sua mente agora. Fique calma._ Pediu ele com uma voz tão terna e ela jamais ouvira alguém falar com ela daquela forma e sentiu que ele pousava sua cabeça no travesseiro com carinho enquanto sussurrava uma promessa de que tudo acabaria bem.


Horas depois ela acordou ainda sentindo um gosto amargo na boca, mas a dor havia acabado e sua mente estava milagrosamente clara. Ergueu-se devagar. James não estava na sala. Pressurosa e preocupada ela saiu da sala, mal chegou ao corredor de acesso ao salão comunal da Grifinória deparou-se com Severo Snape. Estava sozinho dessa vez, seus olhos negros encontraram os olhos dela e estes refulgiram um verde intenso e feroz como ele jamais vira.


_Por que Severo?_indagou Lily com um tom de voz grave e irreconhecível._Não é a primeira vez. Você leu a minha mente quantas vezes? O que descobriu? O que contou a eles a meu respeito?


_Por quê? _ele indagou num tom de voz tão frio que fez com que ela se arrepiasse. ainda assim ela não demonstrou medo._ Você sabe porque. Ele gosta de você. Não...


_E o que tem de mais se ele gostar de mim?


_O problema é se._Ele parou, sentiu um nó na garganta, mas corajosamente prosseguiu_ O gostar problema é você gostar dele como ele gosta ou como eu gosto de você.


A declaração dele deixou Lily apavorada. Ela teve vontade de correr e de gritar para que ele se afastasse, contudo não foi capaz de se mover até Sirius aparecer no corredor com Lupin e James em seguida. Ele estacou ao vê-los juntos e tentou voltar, mas Almofadinhas o deteve.


Lily passou por Snape e foi até ele, seus olhos se cruzaram por um momento longo se aproximaram. Havia um brilho resignado de lagrimas nos olhos esverdeados de James e a única coisa que ela conseguiu pensarão encará-lo é que ele era tão lindo.


_ Srta Evans_ ninguém percebeu a aproximação de Minerva McGonagall._ O diretor deseja falar com a senhorita.


Lily a seguiu deixando pra trás o corredor repleto de rivalidade.


 


Nota da autora: Su Weasley Potter. Muito obrigada. Continue acompanhando e tenho certeza de que não se decepcionará.


 


Aos outros comentem por gentileza.


 

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