POV HERMIONE
Querido diário,
Hoje tudo foi tão perfeito! Ron foi muito cavalheiro, até conquistou meus pais! Ele não passou dos limites sem meu consentimento, mesmo estando sozinho comigo na sala. Ele é muito melhor do que eu esperava, ele é o certo para mim. E agora ele é oficialmente meu namorado! Não tinha como ter sido mais perfeito. O pedido fez meu coração falhar. Eu acho que o amo muito, demais até.
Guardei meu diário e deitei em minha cama. Não conseguia tirar aquele sorriso besta do rosto, tamanha era a minha felicidade. Meus devaneios foram interrompidos com alguém batendo na porta.
- Entra - eu disse.
- Pode ir contando tudo! - Minha mãe disse antes de fechar a porta atrá de si com um sorriso um tanto quanto safado no rosto.
- Mãe!
- Ah, qual é, Hermione. Você me deixou super curiosa para saber o que aconteceu atrás daquela porta. Minha curiosidade só aumentou ainda mais quando você entrou dando pulinhos e dizendo que o dia está lindo.
- Tá. - eu sorri. Gostava de contar tudo para minha mãe. - Foi tudo maravilhoso. Ele foi muito gentil, parece que conquistou o papai. A melhor parte foi o pedido.
- Pedido? - ela disse um pouco confusa - Achei que ele já tivesse lhe convidado para o baile.
- E ele já tinha. Esse foi outro pedido.
- Que pedido?
- De namoro. - eu disse enquanto enrubescia.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! - ela deu um gritinho igual à uma adolescente. - Filha que legal, seu primeiro namorado!
- Na verdade é o segundo. - eu disse um pouco tímida.
- Segundo? E como eu não soube do primeiro?
- Nós mantivemos em segredo. - Eu falei e um medo passageiro me invadiu. - Mas não gosto de lembrar. Foi horrível e ele era um idiota, continua sendo.
- Então não lembre. - ela filosofou. - Não vai acontecer de novo, se foque no agora, tudo vai dar certo. Você encontrou a pessoa certa.
- Eu sei - Falei antes de ela se retirar para dormir.
Pensei na conversa que tive com minha mãe. Nada tirou a terrível lembraça da minha cabeça: Senti aquele arrepio e recordei de tudo.
- Flashback -
Estava no primeiro ano do ensino médio, ou melhor, no inferno. Não conseguia suportar o fato de quão idiotas algumas pessoas podem ser, um bom exemplo disso se chama Lavender Brown. Ela é a garota mais insuportável que já tiveram a ousadia de colocar no mundo, se acha só por ter dinheiro e um rostinho bonito. Eu a odeio.
Pensava nisso enquanto tentava inutilmente tirar a mancha preta que se encontrava em minha blusa. Aquela biscate fez o favor de derramar refrigerante nela, justamnte no dia em que os Weasley não vieram para a aula, nosso terceiro dia no ensino médio. Achei tudo aquilo inútil e saí com uma cara horrível do banheiro.
Avistei um garoto loiro vindo em minha direção no corredor e achei que o conhecia de algum lugar.
- Ei! - ele disse agora mais próximo. Tive certeza, ele estudava em outra turma, mas no mesmo ano que eu. A escola não podia comportar todos os alunos em uma só sala e os mandava para turmas diferentes que seriam as mesmas até o final do ensino médio. Eu era da turma B e o garoto era da turma A. - Está tudo bem?
- Sim. - eu respondi quase sussurrando.
- Bem, não parece. - ele disse apontando para a mancha em minha blusa e sorrindo educadamente antes de estender a mão e dizer: - Draco Malfoy.
- Hermione Granger.
- Lavender Brown? - ele perguntou ainda apontando para a blusa.
- Sim.
- Então vamos aos achados e perdidos procurar algo descente para você vestir. Vem. - ele me puxou pelo cotovelo. Eu educadamente o segui.
Depois daquele dia, eu e Malfoy passamos a andar juntos. Eu ainda não tinha feito amigos naquela escola e ele me pareceu o mais próximo disso. Sempre que estávamos juntos, estávamos escondidos, pois ele dizia que se Pansy Parkinson me visse com ele, faria algo muito pior do que Lavender nunca sonhou em fazer, pois ela o perseguia e não se importava se nós éramos só amigos ou não.
Se outras pessoas soubessem de minha amizade com Malfoy, diriam que eu estava apaixonada por ele. Porém, por mais gentil e adorável que ele fosse, eu não conseguia tirar Ron Weasley da cabeça. Ele simplesmente me cativou desde o primeiro momento em que nos vimos e não consigo mudar isso.
Após duas semanas, eu e Draco andávamos juntos com cada vez mais frequência, mas sempre assim: escondidos. E foi dessa mesma maneira que ele me levou para um corredor isolado da minha escola e me beijou. Achei estranho no começo, já que nunca o tinha feito, mas pude me acostumar. A idéia que eu tinha de beijar alguém envolviam fogos de artifícios e estrelas piscando dentro de você. Eu não senti nada disso.
Logo após o beijo, Draco Malfoy declarou todo o seu amor por mim e pediu para namorar comigo. Eu, atônitamente, aceitei.
Mais três semanas se passaram e eu achei estar vivendo o melhor período da minha vida: Tinha um namorado perfeito que eu gostava muito, por mais que não conseguisse tirar aquele ruivo da cabeça. Também fiz um novo amigo: Vitor Krum, primo do meu vizinho que mora ao lado da minha casa. Vitor está passando um período de férias aqui antes de voltar para a faculdade, na Bulgária, seu país de origem. Ele é companheiro para todas as horas e sempre me faz rir.
No final da quarta semana de namoro com Draco, estava relaxada em minha cama. Já eram dez horas da noite de um sábado, quando ouvi meu telefone tocar.
- Alô?
- Hermione? - Draco falou com uma voz estranha.
- Sim, o que foi? - respondi com sono.
- Você precisa me ajudar, estou naquela casa com diferença de uma casa da sua, a que os vizinhos se mudaram ontem. Estou no jardim dos fundos e preciso da sua ajuda, só você pode me ajudar. Por favor, Hermione, Vem para cá agora. - ele termionou com aquela voz estranha e desligou o telefone.
Pensei no pior e coloquei um casaco e desci as escadas o mais rápido que pude. Disse para minha mãe queia devolver o casaco que Vitor tinha esquecido mais cedo em nossa casa. Ela disse que eu podia ir, mas que voltasse logo pois já era tarde. eu concordei e saí porta afora.
Corri o mais rápido que pude e entrei na casa vazia, que estava com o portão aberto. Me dirigi ao jardim dos fundos.
- Draco? - eu perguntei, mas não veio resposta alguma. - Você está aí? O que aconteceu?
Nada.
- Draco, você está aí? - tentei quase saindo dali.
Ouvi um barulho, me virei.
- Draco se você não estiver aqui eu vou embora.
Como ninguém respondeu, descidi andar para o portão. Mas antes de dar o segundo passo, as luzes se apagaram de repente.
- Draco?! - eu meio que gritei. - Você está aqui?
- Sim, docinho. - aquela voz estranha respondeu.
Da noite escura uma figura me abraçava por trás enquanto eu tentava inutilmente soltar.
- O que foi, Hermione? Sou eu, Draco. - ele disse com um sorriso diabólico sem me soltar por um segundo.
- Sim - eu disse sentindo seu hálito - E você está bêbado. Agora me solte e nós conversaremos melhor na segun....
- Não - ele falou seriamente.
Me empurrou para a parede e prendeu seu corpo ao meu. Dava beijos que eu não queria aceitar e chegou a passar as mão em meus seios.
- Draco, pára! - eu gritei. - Você está bêbado! Não quer fazer isso!
Não adiantou nada. Ele continuou com aquilo e começou ar asgar minha blusa.
- Eu posso ter bebido um pouco. Mas estou plenamente consciente de tudo. - Disse com o sorriso mais perverso que já vi em sua face.
- Você não é o Draco que eu conheço.
- O Draco que você conhece? - ele disse debochadamente. - Pois até onde eu sei, esse Draco apostou com Crabbe e Goyle que faria a nerdzinha chata se apaixonar por ele e que a faria transar com ele em menos de um mês, logo antes de chutar a bunda dela e rir da carinha triste dela. Bem, este sou eu.
Não pude acreditar. Era tudo uma farsa, não passava de uma aposta. Fiquei paralizada enquanto ele terminava de rasgar minha blusa. Pude ver um vulto correndo sobre a escuridão e acertando Draco diretamente no rosto.
- Vamos ver que vai rir agora. - Vitor disse antes de começar a encher Draco de chutes e socos.
Observei tudo sem me importar muito. Ele merecia. Foi um cafageste que só queria se aproveitar de mim. Quando dei por mim ele já não estava quase reagindo aos socos.
- Vitor - eu falei - Pare, por mais odiável que ele seja, você vai matá-lo. Você não merece ter uma morte nas costas, muito menos a desse crápula. - Ele me obedeceu.
Aos poucos e sangrando muito no rosto, Malfoy se levantou. Ele olhou diretamente para mim.- Hermione me desculpa, eu realmente não quer...
- Cala a boca. - eu disse quase gritando. - Você não tem o direito a nada aqui.
- Mas a gente pode conversar na segunda e...
- ACABOU! - eu realmente gritei. - Sai daqui antes que eu mude de ideia e o mate com minhas próprias mãos! Nunca mais olhe na minha cara e faça o possível para não me lembrar de nada do que aconteceu! Seu idiota. - disse desferindo um tapa em sua cara imunda. Ele saiu dali correndo.
Comecei a chorar e Vitor me confortou em seus braços dizendo que tudo ficaria bem.
- Fim do Flashback -
Hoje me lembro de tudo aquilo com um peso na consciência por ter tomado decisões erradas e confiado em quem não deveria. É lógico que depois do incidente, Vitor e eu ficamos cada vez mais próximos, até chegarmos a trocar alguns beijos. Mesmo achando que ele era um dos caras mais especiais que eu já tive o prazer de conhecer, esclareci para ele que não queria nada mais que sua amizade. Ele entendeu perfeitamente e somos amigos até hoje. De vez enquando nos falamos no telefone e as vezes ele vem passar as férias em Londres. É o tipo de pessoa maravilhosa que você pode levar consigo para o resto da vida.
Pensando em pessoas maravilhosas, vi que uma nova mensagem tinha chegado em meu celular:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Pode ir desembuchando, Mione! Explica o porquê do Ron estar todo alegre, saltitante, dançante, cantante pela casa e dizer que a explicação de tudo é que o dia está lindo? Estou super curiosa aqui! Gina.
Sorri. Gina é uma daquelas pessoas que você leva para todo lugar, que sempre vai ceder um ombro para chorar ou que vai abrir os ouvidos para todo e qualquer tipo de fofocas. Ela é simplesmente a melhor amiga mais maravilhosa do mundo, o mesmo caminho em que Harry estava se metento em relação à mim.
Pensando nisso, comecei a responder á mensagem, contando tudo de novo que tinha acontecida. Porém, fui interrompida pelo meu telefone que começou a tocar.
- Alô? - eu disse.
- Hermiooooooooooooooone! - Gina gritou do outro lado. - Você demorou a responder e eu liguei! Estava curiosa!
- Mas você me mandou a menagem á uns três minutos, Gina.
- E daí? Tempo é tempo, amiga. E pode ir falando.
- Tá... - eu comecei.
Contei tudo para ela, desde o brigadeiro até o pedido. Ela disse que eu estava apaixonada pelo cabeça de cenoura e eu revidei dizendo que era parecido com o que ela sentia pelo quatro-olhos. Rindo histericamente, nos despedimos e desligamos o telefone. Fui dormir com uma sensação feliz de que só as pessoas que você ama podem proporcionar.
-/-
Acordei cedo no dia seguinte, estava muito ansiosa para ver Ron novamente, a saudade já batia à porta.
Corri para o ônibus assim que pude. Acenei para Harry e sentei em um banco atrás do seu. Não conseguia parar de pensar em qual presente iria dar para o Ron, já que seu aniversário estava tão perto. Diversas ideias passavam por minha cabeça e fiquei tão distaída que não percebi uma cabeleira ruiva sentando ao meu lado e dando um beijo estalado em minha bochecha. Todos os devaneios e complicações de minha cabeça saíram com o tempo de um piscar de olhos.
- Oi, namorada. - ele disse sorrindo.
- Como vai, namorado? - eu brinquei também.
- Bem melhor agora que você está aqui. - Ele respondeu antes de me beijar.
O dia se passou normal, aulas, conversas entre amigos (leia-se: eu, Gina, Ron e Harry), brincadeiras e distrações rotineiras de namorados. No final da aula, estávamos todos sentados no pátio, esperando o ônibus chegar. Estávamos dando risadas à toa quano Draco Malfoy passou de repente e me lançou um olhar de escárnio usual. Não dei a mínima.
- O que foi aquilo? - Harry perguntou. - Eu sei que ninguém consegue aguentar o Malfoy, mas me pareceu que ele tem um ódio descomunal por você.
- Ah - eu disse um pouco vermelha. - Isso é uma longa história que eu realmente não quero lembrar.
- Ah, Hermione. Somos seus amigos, pode se abrir conosco.
- Não é tão simples assim, Gina. É nojento, incompreensível.
- Mas somos seus melhores amigos - Ron se manifestou pela primeira vez. - Você pode confiar plenamente, por mais cabeluda que seja a situação. Nós sempre estaremos aqui.
Aquilo me deu forças para continuar. Contei tudo á eles, desde a conversa perto do banheiro, até a tentativa de estupro.
- Eu vou matar aquele desgraçado! - disse Ron muito vermelho quando terminei a história.
- Eu arranjo a arma e você me deixa dar o segundo tiro. - Harry completou com uma fúria similar.
- Ninguém vai fazer nada. Já passou e Hermione prefere não tocar no assunto, certo? - ela disse olhando para mim.
- Certo - eu confirmei. - É um passado obscuro que eu não gosto de lembrar. Vai ser melhor se eu tiver certeza de que de agora em diante só vocês estarão ao meu redor e me protegerão de tudo.
- Estaremos á disposição. - Harry disse sorrindo e batendo continência. O dia pareceu melhor, com amigos perfeitos e conversas mais empolgantes.
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N/A: Mil perdões pela demora, tive que ler um livro de 500 páginas para a escola. Mas compensou, o enredo é ótimo.
Então, o que acharam da história macabra? e do capítulo? Meio tristes, né? Mas fazer o quê....
Sugestões para o presente do Ron? Apesar de eu já ter algumas ideias na cabeça...
Comentem! Senão o próximo capitulo não vem :)
PS: Ninguém se interessou em me ouvir cantar e tocar kiss me :x
Carla Granger Weasley