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1. POÇÃO DO ESQUECIMENTO - T


Fic: POÇÃO DO ESQUECIMENTO - T


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Poção do Esquecimento



Eu sei que é errado. Terrivelmente errado. Eu poderia ser até expulsa da escola por isso. Expulsa, talvez não, pois minhas notas são sempre excelentes, e prof.Minerva sempre tente a me proteger. Mas provavelmente não escaparia de uma represaria. E uma suspensão. Talvez até meus pais fossem convocados á conversar com Dumbledore.
Então porque estou fazendo isso afinal?
Porque não posso me controlar. É mais forte que eu.
Terrivelmente forte.
Deveria estar louca quando comecei com isso! Afinal, o que deu na minha cabeça???
Olho para o caldeirão fervente a minha frente. Está pronto.
Bem, menos mal. Agora só falta usar. Não em mim, claro, embora eu sinta vontade às vezes, para abstrair minha mente de coisas nefastas.
É uma poção do esquecimento. Sei que poderia facilmente conjurar um belo feitiço de esquecimento, mas não conheço nenhum, com efeito, retroativo há tantos dias atrás. E também não tinha cara para perguntar aos professores sobre isso. Então, o único método, foi essa poção, que encontrei em um livro de magia avançada.
Perto da poção polissuco, essa foi facílima de fazer. Mesmo assim levou tempo. Quase duas semanas.
Agora, só falta encontrar minha vitíma.
Hermione Granger tampou o frasco com a poção ainda fumegante e guardou num bolso do casaco. Escondeu o caldeirão na mochila, e juntou suas coisas, saindo do banheiro da murta que geme cuidadosa. Não queria ser vista por ninguém, e aquele era o horário das rondas.
O lado bom de ser monitora era saber exatamente os horários mais propícios para cometer crimes sem ser pega.
Sorrindo aliviada, dobrou o corredor e deu de cara com alguém que vinha no sentido contrário. Rony.
Droga. Mil vezes droga. Ele era monitor. Na verdade era com ele que deveria estar fazendo as rondas.
-O que está fazendo aqui há essa hora?
-Estava usando o banheiro. Algum problema? – devolveu sua pergunta, petulante.
-O banheiro da murta? Você só vem aqui quando quer aprontar. E além do mais, Gina me garantiu que você não iria fazer a ronda, porque estava com dor de cabeça!
Hermione suspirou alto e em bom tom.
-Eu não lhe devo satisfações. Se me der licença, vou voltar a torre!
-Não vai não! Se estiver tão bem, vai terminar a ronda comigo!
-Por que?
-Porque é sua obrigação!
-Mesmo? Se bem me lembro eu fiz rondas sozinha nas últimas semanas, e não reclamei. Reclamei? Você ficou na sala comunal de agarramento com aquela outra e eu, EU estava fazendo as rondas, sozinha! Então porque uma vez só, VOCÊ não pode fazer sozinho?
-Porque não. Senão reclamou quando pode, não vem com essa agora! Tem vários corredores ainda para olhar...
Dizendo isso ele deu as costas e seguiu pelo corredor.
Hermione suspirou e o seguiu resignada.
Marchou ao lado dele, em silencio e com raiva. Porque ele tinha esse dom de tirá-la do sério? Porque? Talvez porque não seja por você que ele esteja apaixonado! Disse-lhe uma voz interior. Mas quando isso se tornara tão importante, afinal? Eram amigos. Quase como irmãos.
Mas não eram irmãos. Olhou para as paredes evitando olhar para as costas dele. Impossível.
Ele ia caminhando bem mais à frente.
Hermione se pegou olhando para a parte de trás da sua cabeça ruiva. Seus cabelos eram macios. Macios até demais. Tentadores. Mechas lisas e sedosas. Tão brilhantes e intensas. Seu pescoço era alongado, e proporcional a sua altura. Seus ombros assustadoramente maiores do que quando o conheceu, com onze anos. Talvez devido ao quadribol, mas isso era outra historia. O importante era os músculos das costas. Suspirou baixinho. Eram firmes e quando ele andava se retesavam. Seus braços tão longos. Antebraços fortes e isso se devia sim, ao quadribol. Desde que ele começara a jogar suas mãos havia ganhado calos e uma asperidade bem interessante...
Seus olhos inadvertidamente baixaram mais e ela sentiu-se corar.
Era difícil não olhar. Ele tinha um bumbum interessante. Redondo e firme. Mas isso ela já tinha notado bem antes do quadribol. Herança de família, já que seus irmãos também tinham. Mas o dele é que lhe chama a atenção. Suas mãos coçavam. O que será que ele diria se ela passasse as mãos no traseiro dele?
Já podia imaginar a cara dele...Seria cômico demais...
-O que foi?
Assustada, Hermione olhou para ele e o viu encarando-a.
-O que? – disse franzindo as sobrancelhas.
-Você estava rindo. Está rindo do que?
“Eu deveria dizer e ver sua reação” pensou maliciosa.
-Eu estava pensando, Rony. Só isso. – desconversando.
-Pensando no que para rir toda boba no meio do corredor?
-Não é da sua conta o que me faz rir como boba, Ronald!
-Estava pensando no Cormac McLaggen. Não é?
-E se estivesse, qual o problema? – disse indignada.
-Não sabia que ele te fazia ficar boba, Hermione. Achei que nada pudesse fazer isso.
Era um elogio? Se for não pareceu, pensou ela. Por outro lado ele parecia magoado. Bem, problema dele,
-Como você disse antes, falta bastante para terminar a ronda. Vamos indo? – passou por ele na maior cara dura. Seu caldeirão, encolhido para caber na mochila, e mais leve, chocalhou fazendo um barulho que ecoou nas paredes.
-O que tem aí dentro? – ele perguntou emparelhando com ela.
-Nada. – disse evitando olhar para ele.
-Sei. – ele retrucou incrédulo.
Hermione ficou imaginando como seria fazer as rondas com ele se houvessem ido à festa do Slug juntos. Ela tinha o secreto plano de vencer a timidez dele e afogar o seu exagerado orgulho próprio em cerveja amanteigada e leva-lo para algum conta escondido. E se isso houvesse acontecido? Será que ele a teria rejeitado? Provavelmente, ou não estaria com Lilá agora. “É, mas ele não chegou de ir comigo. Tudo poderia ser diferente”. Sua mente começou a criar imagens do que poderiam estar fazendo naqueles corredores...
Sentiu a pele quente e formigante.
Notou que Rony havia parado e a encarava.
-Porque parou?
-Porque você está com a cabeça em outro lugar que não na ronda. Assim não dá.
-Porque não? Se não notou, não tem ninguém fora da cama. É só andar e fazer a volta. Não precisa pensar só nisso.
-Você está vermelha como um tomate. Em que estava pensando?
Sentindo-se culpada, Hermione pôs as mãos na face sentindo sua ardência. Olhou para ele e um pequeno sorriso se formou em seus lábios. Maneou a cabeça e disse:
-Nada demais, Ronald.
-Estava pensando nele de novo não é? Pensamentos quentes pelo jeito.
Tentando na se ofender, ela disse:
-Tanto quando os seus possam ser com a Lilá.
Continuou a andar e ele a seguiu. Sentindo-se vitoriosa, Hermione pegou-se imaginando como seria bom contar a ele o que a fazia corar. Mas não podia. Seu orgulho não deixava.
-Sabia que ele está ficando com uma menina da Corvinal?
-Ele quem? – se fez de desentendida.
-Cornac!
-Ah, sim. Ele estava ficando com a Alicia, sim. Ele me contou. – respondeu petulante. – Já terminaram. Bem, mas isso não é da sua conta, é?
-Não, claro que não. – ele disse rapidamente e calou-se.
Mais alguns minutos em silencio e ele falou novamente:
-O Harry sabe?
-O Harry sabe o que? – se fez de desentendida para provocá-lo.
-Ele detesta esse cara. Por acaso você teve a coragem de contar que gosta dele? – disse com desprezo.
Com sua melhor expressão de “não sei do que está falando” ,ela respondeu:
-É claro que o Harry sabe! E ele não se importa nem um pouquinho. Ele sempre respeita as minhas escolhas.
-Sei. – desdenhou.
-Porque? Tem algum problema contra Cornac?
-É claro que sim! Ele detesta o Harry! Vive dando opiniões onde não é chamado! Vive se metendo com o que não lhe pertence!
Notando um duplo sentindo, Hermione ficou intrigada. Ele estaria se referindo a ela? Bem, talvez pudesse provoca-lo um pouquinho e descobrir...
-Tudo bem, Rony. Eu já entendi. De qualquer forma, não é algo serio. Acho que vamos terminar logo, logo...
Ele parecia surpreso por ela estar falando isso, justamente para ele.
-Porque?
-Cornac é uma graça; - sentiu-se mal de mentir, mas não resistiu – Mas tenho outra pessoa em vista.
-Q-Quem?
-O mesmo que me faz boba. E me faz ter pensamentos quentes. – o fitou longamente como se o desafiasse a fazer suposições.
-È m-mesmo?
-É sim.
Ambos dobraram outro corredor, e Hermione conteve a respiração. Na mesma direção vinha Zacarias Smith e Anna About, também monitores. Só que da Corvinal.
-Oi, Hermione! Como está o lado de lá? – perguntou Anna.
-Tudo limpo. E o seu lado?
-Um pergaminho em branco. –estava dizendo para o Zacarias que é uma pena não podermos sair do castelo à noite. Está uma noite linda lá fora, não é, Zac?
-É. – ele disse olhando diretamente para Hermione – Está definitivamente linda.
Hermione corou da cabeça aos pés, agradecendo aos céus pela própria sorte.
-Então, vão voltar para a torre? – Rony perguntou nada bem encarado.
-Sim, nos vamos. Acho que já terminamos por hoje. E vocês?
-Também, Anna. Tenham uma boa noite.
Os quatro se despediram e passaram uns pelos outros. Zacarias manteve um olhar fixo nela, e em outra situação ela não teria retribuído a menos que sentisse o mesmo interesse que ele. Mas ali, naquela situação, manteve seu olhar e deu-lhe um pequeno sorriso de adeus, que soou como um convite.
Notou que Rony havia dito algo.
-Você disse alguma coisa?
-É claro! E teria ouvido se não estivesse se oferecendo para aquele idiota!
-Eu não me ofereço para ninguém, Ronald Wesley. – disse tentando não rir.
Recomeçou a andar como se não houvesse problema algum.
-Então é esse cara. O substituto do McLaggen?
-Se você está dizendo... – ela deu de ombros, fingindo indiferença.
-Porque eu não posso saber?
-E porque você tem que saber? – revidou.
-Pensei que fossemos amigos...
-Éramos amigos. E, além disso, você não pediu minha opinião quando arrumou aquela lá? Pediu?
-E se tivesse pedido? – ele sugeriu, pegando-a desprevenida.
-Eu teria dito que não era da minha conta. Assim como não é da sua agora.
Os próximos corredores foram feitos em silencio. Estavam quase chegando na Torre da Grifinólia quando uma sombra no meio do corredor os fez parar.
-Quem está ai? – perguntou Rony. Ambos sacando as varinhas.
-Sou eu. – disse uma voz na semi-escuridao.
Vindo para a parte mais iluminada, eles puderam ver Cornac sorrindo.
-O que está fazendo fora da cama há essa hora, Cornac? – Hermione perguntou já sabendo que não gostaria da resposta.
-Eu sabia que tinha ronda hoje então pensei...Pensei que a gente pudesse conversar um pouco...Sozinhos. – olhou para Rony de forma agressiva.
-Eu não posso. – ela disse irritada – Já terminei a ronda. E mesmo os monitores não podem ficar andando por aí, a noite!
-Eu não pensei em ficarmos andando por aí, Hermione. – sorriu sugestivo – Na verdade eu acabei de passar pela sala de arte das trevas, e esta vaziazinha... – aproximou-se um passo dela.
-Cornac... – antes que pudesse dizer algo, ele já havia envolvido sua cintura e a abraçava contra ele. – Eu não vou para nenhuma sala com você! Isso é contra as normas! – pelo conto dos olhos viu um Rony tão vermelho que poderia explodir a qualquer momento. Talvez ele devesse provar um pouco do próprio veneno... – Vem, vamos CONVERSAR no outro corredor! – sugeriu pegando na mão dele.
Ambos saíram quase correndo de lá. Pelo conto dos olhos, ela viu um Rony estático e furioso.
Aquela seria uma boa hora para por seu plano em pratica.
Mal chegaram do outro lado do corredor, Hermione sacou a varinha e disse:
-Imobillus!
Cornac ficou imóvel e fixo no lugar. Tirando o frasco do bolso, ela o destampou e levou até os lábios dele. Derramou um pouco até ter certeza que ele engolira. Desfez o feitiço que o deixara imóvel e esperou. Ele parecia meio confuso. Era exatamente isso que esperava. A poção fizera efeito.
-Cornac? Você está me ouvindo?
-Sim... – ele disse meio bobo, com a voz frouxa.
-Ouça o que eu vou dizer, ok? A Hermione terminou com você, e você aceitou bem. Ouviu? Você não vai mais persegui-la pelos corredores, nem tentar agarra-la sempre que a vê. Nem atormenta-la com sua ladainha de estar apaixonado. Ok? Você entendeu?
-S-Sim...
-Ótimo. – disse satisfeita – Agora volte para sua torre, e vá direto para o seu quarto. Durma e quando acordar, já vai ter esquecido o que sentia por mim.
O fez virar-se no corredor para que conseguisse achar o caminho certo.
Esperou uma meia hora no corredor, para não dar o gostinho ao Ronald de voltar tão rápido. Ele que ficasse pensando bobagens.
Disse a senha à mulher gorda e entrou sentindo como se o peso do mundo houvesse sido tirado dos seus ombros. Estava livre de Cornac. Finalmente. Agora bastava manter-se longe de Zacarias e tudo estaria bem. Ou nem tão bem. Sentando numa poltrona em frente a lareira, Ronald a olhava com ódio no olhar.
-Ainda não foi dormir? – perguntou tentando dar um ar desinteressado.
-Sabe que horas são? Passam das duas! Não é muito tarde para ficar de agarrando nos corredores???
-É muito tarde, sim, muito tarde para que você se ache no direito de me dizer isso! – revidou indignada.
-O que quer dizer?
-Nem amigos nós somos mais! E a escolha foi sua! Como pode achar que agora tem direito de me perguntar essas coisas?
-Não somos amigos porque você atirou aqueles pássaros idiotas em mim!
-Não tem nada a ver! Deixamos de ser amigos bem antes disso, quando você passou a me ignorar! E não adianta negar!
-Não estou negando nada! – ele levantou-se.
Estavam a menos de um metro um do outro. Furiosos.
-Ah, não? Tem certeza? – provocou.
-O que quer dizer? – ele franziu as sobrancelhas.
Tão inocente, pensou ela irônica.
-Que está tarde. Estou cansada. E temos um longo dia amanhã, por isso vou dormir agora. Se me der licença. – passou bem perto dele, para deixa-lo com mais raiva.
-Pelo menos teve a vergonha na cara de terminar com ele, não é? Antes de ficar com o outro.
-Ah, sim. Se te interessa tanto, nos terminamos, depois de...De conversarmos bastante. – sorriu sugestiva.
Acreditou ter ido longe demais pela expressão dele. Rony deu um passo a frente e fitou longamente, então sorriu e disse:
-Mentira.
-O que???
-Você está mentindo. – continuou sorrindo.
-P-Porque acha isso?
-Sem marcas, Hermione. Boca limpa, cabelo arrumado. Nenhuma dobrinha na roupa. Ou alguém tem que ensinar algumas coisas a ele sobre amassou, ou vocês realmente conversaram. – sorriu vitorioso.
-Acontece, Ronald – aproximou-se bem perto dele, quase sussurrando – Que tem certas coisas que a gente não usa só a boca...
Ele manteve a cara de bobo, sem saber o que responder. Achando ter ido longe demais, Hermione deu o braço a torcer.
-Tá bom, você está certo. Nos apenas terminamos. Só isso. Eu não ficaria com alguém é depois Dario o fora. Seria maldade. – acabou sorrindo da expressão de alivio dele – você realmente acreditou que eu...Que eu...Faria essas coisas no meio de um corredor??? E se Fitchi aparecesse????- sentiu uma vontade de rir gigantesca. Talvez de nervoso. –Eu insinuei aquilo só para irrita-lo.
-E conseguiu. – ele sussurrou, mais para si mesmo, do que para ela. – O que você disse para ele?
-Como assim?
-Que desculpa você deu para ele?
-Desculpa? Não dei desculpa nenhuma. Olha, Ronald. Essa conversa já passou dos limites, certo? Não temos mais nenhum laço de amizade que nos de liberdade para esse tipo de perguntas ou cobranças. Então, boa noite.
-Hermione? – ele a chamou, antes que chegassem as escadas do dormitório feminino.
Ela apenas virou-se e o encarou.
-Porque a gente não volta a ser amigos?
-Porque não dá. – foi só o que pode responder, antes de sair correndo em direção ao seu quarto. Era isso, ou chorar na sua frente.

Na manha seguinte, silenciosa manha, pensou, Hermione, tomando café da manha sozinha. Sabia que rony e Harry precisavam conversar sobre o jogo daquela tarde, por isso resolveu não obrigar Harry a ficar com ela.
Era triste. Como Gina era namorada do Harry, e o Harry acabava sempre ficando perto do Rony, ela ficava sozinha. Tristemente sozinha, nas longas tardes enfurnada naquela biblioteca.
Deu uma mordida na sua torrada e bebeu um gole longo de café. Precisava achar algo para fazer, ou acabaria enlouquecendo naquela biblioteca. Mas o que? Seus olhos avistaram Zacarias e pensou se ele não seria uma oportunidade de esquecer da vida.
Ele era muito simpático e sempre respeitava suas namoradas, ou ao menos era isso que diziam sobre ele. E sempre era tão doce com ela.
Viu que ele a observava e baixou os olhos. Não deveria faze-lo se iludir. Mas e se pudesse gostar dele? Quem sabe ele a fizesse esquecer de Rony? Assim poderiam até voltar a ser amigos, já que não pensaria em arrancar a pele dele toda a vez que ele estivesse com a namorada.
-Oi, Hermione. – era Zacarias.
-Oi, Zacarias.
-Zac. Meus amigos todos me chamam de Zac.
-Ah. Tá legal, Zac. – sorriu para ele. Era um sorriso verdadeiro apesar dos pesares.
-Eu estive penando se você não gostaria de ir comigo a Hogsmose? Sei que todos os alunos vão, mas a gente poderia ir juntos? O que acha?
-Eu... – olhou de esguelha para onde Rony e Lilá se agarravam. Aquela dor a pegou de novo – Eu adoraria, Zac.
-Tá. Ótimo. – ele sorriu tão bonito, que ela sorriu de volta. Era gostosa a sensação de poder fazer alguém feliz, mesmo quando ela sentia-se incapaz de sentir o mesmo – A gente se encontra nas carruagens amanhã. Pode ser?
-Claro! Até lá!
Ele apressou-se para suas aulas, e ela ficou meio sem ação. Tinha um encontro. Um de verdade. Não uma bobagem para irritar Rony. Ou um grande baile para esfregar na cara dos outros que ela também era uma garota afinal, mas sim um encontro com alguém que a queria bem de verdade. Alguém normal, comum, e dedicado.
-O que foi, Hermione?
Assustada quase derramou o suco que estava sobre a mesa. Era Harry. A seu lado um contrariado Rony e uma Lilá dependurada no seu braço.
-N-Nada...
-Você estava com a cabeça em outro mundo...
-Ah...Bem...Eu estava pensado na aula de poções... – tentou desconversar.
-Qual é, Hermione? – Lilá perguntou com aquele seu sorrisinho idiota, que ela tinha que agüentar todos os dias no dormitório – Acabamos de ver Zacarias saindo daqui. O que foi? Ele te deu o fora?
-Na verdade, ele me chamou para ir a Hogsmose com ele – disse altiva – e obviamente eu aceitei!
-Você e Zacarias Smith? – Lilá duvidou numa depreciativa incredulidade que a machucou terrivelmente – Tudo bem, Cornac não era lá essas coisas, dava para entender...Gostar de você. Mas Zacarias? Não acha que anda exagerando nas suas poções do amor não?
-Eu não uso poções do amor, Lilá.– revidou altiva, embora seus olhos brilhassem de lágrimas – jamais ficaria com alguém me enganando sobre seus sentimentos. Se me derem licença, tenho que ir!
Irritadíssima Hermione levantou-se, decidida a ignorar as risadinhas dela, mas a raiva foi maior, e virou-se na sua direção com o rosto fervente:
-Porque você não para de rir da minha cara e tentar me convencer que sou um nada e vai cuidar da sua vida, heim?
-Calma Hermione. Eu só estava brincando... – disse ainda rindo, levando sua raiva na brincadeira. – Não precisa ficar nervosinha só porque eu sei seu segredinho!
Tirou da bolsa de aula um frasco de cor azul clara, que Hermione lembrava-se de ter esquecido sobre sua penteadeira, na noite passada. A poção do esquecimento.
-Pensei em levar isso para a prof.Minerva. Deve ser proibido usar poções do amor em colegas de aula, não é?
-Lilá... – Rony tentou tirar o frasco da mão dela, mas ela afastou-se.
-Qual o problema? É verdade não é?
-Se você acha que é, paciência. Pode levar para Prof.Minerva. Não estou nem aí! – disse dando de ombros.
-então o que é? – Lilá voltou a rir – Poção alizante? Está pensando em abaixar isso aí na base de poções é???
-Não, Lilá. Quando quero alisar o cabelo eu uso loção capilar, alías, da mesma marca daquela loção que você usa para seu cabelo castanho ficar com essa cor, dourada, disponível em três tonalidades diferentes, não é? – disse sádica.
-Lilá, você pinta o cabelo? – Rony olhou-a surpreso. Ela bufou.
-É claro que não! É mentira dela! –gaguejou. – Mas e isso aqui, heim? Você deu para o Zacarias, não foi?
-Você quer saber? Quer saber mesmo? – disse louca de raiva- Eu dei para o Cornac beber ontem a noite, para ver se ele esquece de mim e larga do meu pé! Satisfeita? - lágrimas vieram aos seus olhos e ela tentou conte-las inutilmente.
Lilá olhou dela para o frasco e achou que a graça acabara. Estendeu o vidro para ela. Hermione recusou e disse com a voz mais dura que pode:
-Não. De ao Rony. Talvez ele precise mais disso do que eu!
Dizendo isso foi embora sem mais demoras.
Harry conteve um sorriso. Rony estava tão chocado que quando Lilá o olhou indagador ele deu de ombros e pegou a poção dando-a ao Harry.
-Livre-se disso, Harry. – sussurrou para ele enquanto arrastava Lilá dali.

Durante a aula de poções, Snape, tão insuportável quanto era possível, abusou do tom autoritário ao separa-los em duplas e exigir a execução de uma poção contra pragas e infestamentos.
-Isso não é matéria de Herbologia? – cochichou rony contrafeito para Harry.
-Sei lá...O jeito é fazer... – deu de ombros, percebendo o olhar do professor.
Na mesa ao lado, Hermione fazia dupla com Anna About.
Atrás delas, Lilá e Parvati. Ambas cochichavam sobre Hermione.
-Ô...Rony? – Harry disse depois de certificar-se que o professor não estava prestando atenção neles – Você não deveria pedir para a Lilá parar com essa implicância com a Mione?
-Como? Ela também não para de irritar a gente!
-Mas a Mione nem fala mais com você, rony! Se ela pudesse, duvido que viria nas aulas que você está! Ela saiu do seu caminho, agora você tem que tirar a Lilá do caminho dela, ou decidir logo essa situação!
-O que quer dizer? – disse meio em pânico.
-É obvio porque a Lilá odeia a Mione. Ela deve ter percebido que você gosta dela.
-Do que está falando, Harry? Você enlouqueceu??? – Rony quase derrubou seu caldeirão.
Prof.Snape se aproximou e ambos ficaram quietos. Ele afastou-se e Harry disse contendo um sorriso:
-Como amiga Rony. Eu quis dizer que a Lilá vai ter que aceitar que você gosta dela como amiga. O que você pensou que eu disse afinal?
-E-Eu não pensei nada...Nada mesmo! – olhou para o outro lado vermelho e sem jeito.
Harry ficou rindo ainda um bom tempo, enquanto Rony não tinha nem coragem de olhar para ele.
Mas a bomba só estourou no final da aula. Rony e Lilá saíram juntos e mais atrás, enquanto Harry ia à frente, com Hermione.
No meio da escada para o segundo andar, Zacarias, a esperava.
-Oi, Hermione! Acabei de sair da aula de aparatação e achei que precisasse de ajuda com os livros! – disse com um sorriso gigantesco.
-Ah, bem... – olhou dele para os livros sem saber o que responder.
-Ela não precisa de ajuda nenhuma! – veio uma voz de trás. Uma voz rouca e ameaçadora – Na verdade, ela está acompanhada, você não viu?
-Por você ou pela sua namorada? – ele provocou.
Hermione abriu a boca chocada. Não precisava virar-se para saber que toda a turma de poções estava parada na escadaria assistindo ao espetáculo.
-Então? Posso ajudar? – ele insistiu quando não obteve resposta de Rony.
-Eu estou indo para a Torre da Grifinólia, Zac. Não pode ir comigo. Espero que me desculpe por isso. – disse baixinho e envergonhada. – A gente conversa no sábado, ok?
-Tá bom. – ele disse engolindo em seco. – No sábado a gente se vê.
Hermione passou por ele quase correndo nas escadas. Quando chegou na sala comunal, jogou os livros na primeira poltrona que viu e sentou-se pesarosa em outra. Lagrimas vieram a seus olhos. Porque tinha que ser assim? Porque? Porque essa dúvida? Essa incerteza?
Porque ele tinha que confundir tudo dentro dela? Uma hora parecia que a odiava. Noutra, que nem sabia que existia, e então quando menos esperasse lá estaria ele, morrendo de ciúmes!
Ouvir o quadro abrir-se e limpou as lágrimas levantando-se, sem querer saber quem era. Pegou os materiais e começou a andar em direção a escadaria feminina.
-Chorando pelo namoradinho?
Ela parou incrédula. Como ele tinha coragem de magoa-la assim? Como?
-Não é da sua conta!
-Claro que não é!
Hermione virou-se e o viu, parado logo adianta na sala, cabelos revoltos, a pele do rosto tão vermelha quanto um frango assado. Suas orelhas estavam pegando fogo. Tolo. Burro. Idiota! Porque sentia tanta vontade de dizer a ele que estava tudo bem e que gostava era dele e não de outro? Porque depois de tudo que ele lhe fizera!???
-Olha, Rony. – disse tentando ser racional – Não somos mais amigos, mas também não precisamos ser inimigos. Você tem sua namorada e estão bem, não estão? Sendo assim, fique na sua e aceite que eu também tenho uma vida própria, independente de você e do Harry!
-E porque isso agora? Até alguns meses atrás você não ficava desfilando com garotos por aí!
-É claro que não! Eu estava muito ocupada, com os meus amigos! Só que agora, eu só tenho o Harry e Gina, e eles estão namorando, e eu mal os vejo! Acha que gosto de passar o dia todo sozinha! – lágrimas correram pelo seu rosto – Tem garotos que gostam de mim, e eu vou sim, deixa-los se aproximarem! E se você não gosta...
-...Então devo tomar coragem antes que outro garoto o faça. – ele completou a frase por ela – Já ouvi isso antes!
-Ouviu, mas não entendeu! – retrucou. Fechou a cara e a toda a piedade que sentia pelos sentimentos que ele poderia sentir foram embora num segundo - Quero que me deixe em paz, ouviu? Da próxima vez que se meter com algum namorado meu eu juro que vou azara-lo, Ronald! Está avisado!
-Nossa estou com tanto medo, Hermione. Você não teria coragem, de qualquer forma. E duvido que seus namoradinhos sem cérebro possa saber alguma azaração!
-Você quer falar sobre cérebro? Tem certeza que o garoto que namora Lilá Brown realmente quer falar sobre inteligência?
-Lilá é muito inteligente... – ele disse meio hesitante recebendo um olhar de mortal dela -...Ela só tem outros interesses.
-Sim, eu sei. – suspirou – A gente estava bem melhor até alguns dias atrás, não estávamos, a gente não se olhava, não se falava, e também não brigava. Por que isso mudou agora????
-Porque...Porque... – ele pareceu preste a dizer algo, mas mudou de idéia – Tem razão. Vamos voltar ao que éramos. Não da para sermos amigos e nem como inimigos nos saímos bem.
-Tem razão. – ela concordou. – Você me deixa em paz e eu deixo você na sua.
Ambos ficaram em silêncio por alguns minutos. Hermione queria dizer ao contrario, pedir desculpas e implorar para voltarem a serem amigos. Mas seu orgulho não deixava.
-Hermione? – ele chamou em voz baixa, como se tivesse medo de enfurece-la.
-Fala...
-E se a gente tentasse voltar a ser amigos? Só uma tentativa.
-Pra que? Foi você quem...
-Se cobranças! – ele a interrompeu – Sem brigas. Sem maldade de um com o outro. Só amigos de novo.
Hermione procurou sinceridade nos seus olhos e achou. Era provável que estivesse sendo tão difícil para ele quanto era para ela.
-O que você sugere? – também manteve a voz baixa.
-Sábado. Em Hogsmose. A gente pode conversar e se entender. O que você acha? Sem ninguém pegando no nosso pé.
-Mas, rony...Você vai com a Lilá. E eu com o Zacarias. – disse desconfiada.
-Sim...Mas e se a gente perdesse a hora? Depois a gente pegava um atalho do mapa do maroto. Ninguém ficaria sabendo...
Ela ficou desconcertada. E tentada. Fazer as pazes, e sozinhos...
-A gente não pode contar pra ninguém, Rony. Eu não quero magoar o Zac.
-Zac? Que tipo de apelido é esse? – ele desdenhou. Então se arrependeu ao ver sua expressão – Ok. Ninguém fica sabendo. Eu despisto a Lilá, e você o ZAC.
-Certo...A gente se encontra aqui na sala comunal, amanhã depois das nove, quando todo mundo tiver ido embora.
-Tá...
-Eu vou subir...Tenho uns deveres para fazer...
-Eu também tenho...Vou fazer aqui embaixo... – ele disse com um tom de sugestão na voz.
-Acha...Que precisaria de ajuda? – ela sugeriu como se doesse falar isso.
-Pode ser. Se alguém realmente inteligente pudesse me ajudar. – insinuou e ela deu a sombra de um sorriso para ele. E foi mais que recebeu ao longo daqueles meses todos.
-Vou pegar alguns livros lá em cima...
-Certo... – disse abobalhado vendo-a sair apressada para o andar feminino.

Muitas horas depois, quando Harry e Gina decidiram acabar com a sessão de agarramento do dia, e voltar a sala comunal, não esperavam de forma alguma encontrar, Rony e Hermione fazendo seus deveres na mesma mesa, e aparentemente em paz.
-Perdemos alguma coisa? – sussurrou Gina.
-Acho que perdemos tudo. Será que fizeram as pazes?
-Parece, Harry. Vamos lá?
-Não. É melhor a gente ir dormir e deixa-los aí...
os dois subiram e caíram nas camas.
Harry ainda não havia adormecido quando viu Rony voltar e pe´ante pé, procurar a capa de invisibilidade e o mapa do maroto no lugar que sempre ficavam escondidas.
Intrigado, Harry decidiu que perguntaria sobre isso amanhã em Hogsmose.

Na manhã seguinte, eram quinze para as nove quando Lilá perguntou pela décima vez:
-Cadê o Rony afinal?
-Ele disse que precisava ir ao banheiro e era para a gente esperar ele aqui, nas carruagens. – disse Gina entediada.
-Mas cadê ele???
-Sei, lá. – ela deu de ombros. – Deve ter entrado em outra por engano. Veja, já vamos partir. Ele encontra a gente lá.
As portas foram fechadas e todos partiram.


Na sala comunal, Hermione desceu devagar. Uma parte dentro dela estava morrendo de medo dele ter mentido para ela. E se Rony houvesse se vingado? Ela ficaria ali como uma idiota enquanto todos se divertiam...
Seu coração se aquietou quando viu a cabeça vermelha dele, por trás de uma poltrona. Mais foi uma quietude momentânea. Logo começou a bater desesperado.
-Achei que não vinha mais... – ele disse baixo assim que a viu.
-Eu estava esperando que todo mundo houvesse saído. São nove e dez ainda... – respondeu, tentando não parecer meio desesperada.
-Eu peguei a capa do Harry e o mapa. EMPRESTADO.
-Meio pequena para nos dois, não é? – apontou a capa.
-Meio pequena para mim, Hermione. Você esqueceu de crescer, lembra?– ele riu suavemente e ela avermelhou.
-Não, quem esqueceu de parar de crescer foi você! – retrucou em tom amistoso.
-Vem, vamos indo, se não a gente perde o melhor do dia!
Os dois saíram pelos corredores andando cuidadosos,. Quando chegaram perto do lugar onde Harry sempre usava para fugir, que dava diretamente na loja dedos de mel, eles se cobriram com a capa, para não serem vistos.
Hermione teve vontade de desistir. Ele estava tão perto. Tão quente. Tão perfumado. Ficaram de frente um para o outro e seus olhos se encontraram por um momento. Foi constrangedor, mas nenhum deles notou.
Deveriam se mexer, mas nenhum deles pode. Era obvio o que ia acontecer, e mais obvio que devessem se afastar. Mas nenhum fez sequer um movimento nessa direção. E quando Rony baixou a cabeça na sua direção, tudo que Hermione pode fazer foi fechar os olhos e esperar. O contado foi suave. Ele não podia abraça-la porque segurava a capa no lugar, então foi ela quem envolveu os braços ao redor do pescoço dele. Seus lábios eram quentes e macios. Muito macios. O calor da pele do pescoço dele indicava que ele sentia o mesmo, e quando ela espalmou um das mãos sobre o coração dele, pode confirmar que seu coração batia tão rápido quanto o dela.
Era um beijo quase inocente. Mais aos poucos ficou possessivo, quente e molhado. A língua dele tocou seu lábio inferior e Hermione gemeu. Ela nunca havia gemido durante um beijo, pensou assustada, ainda mais num quase beijo. O que estava acontecendo com ela?
A resposta veio quando ele soltou a capa para longe e a puxou pela cintura contra ele. Imediatamente ela perdeu a capacidade de pensar e seus lábios se abriram e o convidaram a entrar. O primeiro toque das línguas foi meio hesitante, descobridor.
Seu gosto, seu toque.
Aquilo que deveria ter sido um beijo suave, estava crescendo rápido demais.
Forte demais. Intenso demais.
-Ronnnny... – ela se ouviu gemer de novo incrédula.
Era ela mesma???
Ele pareceu acordar e precisar respirar. Afrouxou o abraço, sem soltá-la e desgrudou os lábios dos dela. Mas não se afastou. Recomeçou a dar-lhe beijinhos doces e molhados nos cantos dos lábios, mas maças do rosto. Ela apenas conseguiu ficar ali entregue, segura em seus braços.
-Ainda vamos a Hogsmose? – ele perguntou um pouco sem ar.
-Você não quer mais ir? – havia um tom alarmado na sua voz, e nos seus olhos quando olhou para ele.
-Quero. Mas achei que você iria querer me azarar por ter te beijado. – sorriu meio sem graça.
Ela sorriu e fechou os olhos por um minuto. Então se encheu de coragem e disse:
-Vou fazer isso se você não me disser por que me beijou?
-Porque...Porque eu gosto de você. – disse e a soltou. Ele também estava chocado com a própria coragem.
-Mas esta namorando a Lilá.
-Eu não gosto dela. Fiquei com ela só para...Para fazer ciúmes para você. – sorriu sem graça.
-Porque isso? Nos íamos à festa do Slug juntos... – disse ficando vermelha de vergonha.
-Eu sei. Mas achei que era como amigos...E...Aconteceu coisas, Hermione, que me deixaram com raiva e enciumado e...Daí descontei em você, e quando vi não dava mais para concertar... Você me desculpa por tudo isso? Pela Lilá?
-E você vai terminar com ela, não vai?
-É claro que vou! – indignou-se como se fosse obvio. – E você vai mandar aquele cara idiota pastar, não vai?
-Vou...- disse com um meio sorriso.
-E agente vai...Vai ficar junto?
-Juntos como?
-Namorando? – ele sugeriu.
-Acha que agüentas as piadas dos seus irmãos sobre isso?
-Agüento qualquer coisa para que a gente namore!
-Eu vou acreditar...Mas se você desistir quando encontrar a Lilá...! Eu não respondo por mim!
-Vou precisar de proteção depois que falar com ela, mas não me intimido se estiver com a melhor bruxa do século. – disse galante e a puxou para outro beijo. Mas não ouve tempo. O som de passos se aproximando os fizeram se apressar.
Saíram pelo alçapão da loja Dedos de Mel entre risadas. Havia sido muito engraçado atravessarem o túnel, apertados, meio se agarrando, meio se beijando, meio caindo e pisando no pé um do outro.
-Pronto, estamos salvos. – ele disse dramaticamente, quando saíram e tiraram a capa.
-E eu que achei que você estivesse gostando de ficar apertado lá embaixo comigo... – ela sugeriu maliciosa.
-E gostei! Mas prefiro espaço! – a puxou para um abraço por de trás de uma estante de doces.
-Rony, para! Aqui não! - ela riu e retribuía seus beijos sem pudor nenhum. – E se alguém ver?
-Deixa ver! – ele riu – eu quero mais é que todo mundo saiba!
-Bobo! – riu passando a mão pelos cabelos dele. O clima descontraído foi embora e ficou aquele calor todo, aquela coisa séria que os fazia arfar.
Em segundos haviam esquecido do mundo num beijo de tirar o fôlego.
Mas o mundo não esqueceu dos dois. Pelo contrário.
-Ronald Wesley! – uma voz inconfundível os fez se soltar de olhos arregalados.
Entre tantas pessoas no mundo para pegarem os dois no flagra, justamente tinha que ser molly Wesley, a mãe dele?
Ela os olhava como se não acreditasse no que via.
-Ronald Wesley, espero que você saiba que sua namorada está procurando por você como uma desesperada !?????
-Bem, mãe...Eu...Eu vou falar com a lilá. Depois...
-Ronald!
-Tá, agora! – mudou de idéia rapidamente, olhando de esguelha para Hermione. Eles ainda seguravam as mãos e ela apertou a sua para dar-lhe coragem. – Estou indo!
Hermione quase sentiu pena dele, mas só ate se ver frente a frente com a mãe dele, a olhando e esperando uma explicação.
-Sra. Wesley eu...Eu queria saber o que dizer...
-Você gosta do meu filho? De verdade?
-Gosto. – não pode evitar um sorriso. Era tão fácil admitir isso agora, depois de ter dito a ele! – De verdade!
-E ele sente o mesmo?
-Ele disse que sente e eu...Acredito nele.
-Então quem sou eu para dizer qualquer coisa? – ela sorriu, e Hermione ficou aliviada. – Seja bem vinda a família, Hermione.
Totalmente envergonhada, ela saiu de trás das prateleiras com a mãe do Rony. Viu Harry e gina a olharem como se ela tivesse duas cabeças e Zacarias que estava com eles fazer o mesmo.
-O que aconteceu? – Gina perguntou assim que ela se aproximou.
-O que sua mãe esta fazendo aqui? – perguntou vendo a mulher ir até o outro lado da loja.
-Ela veio fazer compras e aproveitar para nos ver. Porque? Aconteceu alguma coisa? A gente viu o Rony sair dali com uma cara...
-Ai! Nem me lembra! – cobriu o rosto vermelho só de lembrar.
-Vocês estavam brigando?
-Não.
-Conversando?
Hermione maneou a cabeça negativamente.
-Então estavam fazendo o que?
-Nós...
Foi interrompida pela porta da loja que se abriu como um raio. Uma loura em prantos adentrou e rony logo atrás. A menina mirou Hermione e veio como um furacão na sua direção.
-Você! – apontou para ela ameaçadoramente – Sua fingida!
-O que você quer Lilá?
-Você roubou o meu namorado!
-Eu não roubei nada! Ele veio de boa vontade até mim – revidou sorrindo. Sabia que os olhos de Harry e Gina pareciam pires de tão surpresos. – Se me der licença . com a cara mais inocente do mundo, pegou rony pela mão e o levou para fora da loja.
Lá fora, cruzaram com Rosmerta, que os cumprimentou olhando surpresa para suas mãos unidas.
-Você me salvou da Lilá. Nem sei como te agradecer. – ele disse falsamente aliviado quando começaram a andar pelas ruas em meio aos alunos.
Ela parou e olhou para ele.
-Se você não tiver certeza que gosta de mim, a gente para agora, só não quero ser iludida como a Lilá foi.
-Hermione, eu nunca te iludiria. – ele disse sério – Namora comigo?
Ela conteve um sorriso e olhou para ele mandona.
-Certo. Mas se aquela outra se aproximar de você de novo...Eu transformo os dois em doninhas! – disse ameaçadoramente.
-Não tem perigo. Eu seria a doninha mais feliz do mundo se pudesse ficar perto de você... – disse galanteador. – Vamos voltar lá para dentro? Como namorados?
-Ela ainda deve estar furiosa, Rony!
-Dane-se a Lilá. Eu e você somos mais importantes.
Com essas palavras eles voltaram para a loja de mãos dadas e sorrisos imensos. E quem poderia contesta-los? Quem poderia dizer que Hermione Granger e Ronald Wesley não tinha nada para darem certo?
E quem por ventura pudesse argumentar, perderia a razão tão logo os vissem se olhar. Porque havia amor. Muito amor.

FIM








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