2.Encurralada
Draco bateu a porta do quarto com violência entrando transtornado, com uma das mãos na têmpora e a outra apertando um pergaminho.
Eu nunca havia visto Draco desse jeito.
-O que houve? - perguntei me virando do espelho de onde estava examinando seu reflexo.
-Minha mãe está morta - ele respondeu com uma voz muito baixa se comparada ao soco que lançou a parede.
Levantei-me e corri para tentar alcamá-lo. Ele estava em estado de choque.
-Mas como?Foi um acidente ou..
-Ela foi morta, - Draco disse num esgar - a maldição da morte.
Todo seu corpo tremia, os olhos se transformaram em fendas. O jovem carinhoso que eu conhecia foi substituído por um clone de Lucius Malfoy. Foi perturbador assistir a metamorfose acontecer diante de mim.
E ele não chorou. Agora me ocorre que nunca o vi chorar. Nenhuma vez.
-Mas eu juro, vou encontrar o responsável por isso. E quando estiver com ele ali na minha frente vou matá-lo da maneira mais dolorosa que existir. Assim como o resto de sua família.
Aquelas palavras me alarmaram ainda mais e sem saber o que fazer,o abracei com força.
-Calma Draco,você está nervoso e não sabe o que está falando..
Ele se afastou balançando a cabeça.
-Está enganada, nunca falei tão sério. Eu vou até o fim do mundo para cobrar essa dívida.
Eu tentei abraçá-lo de novo, mas ele se desviou do meu aperto.
-Há um lugar que eu preciso ir, não espere por mim.
E lançando um último olhar vazio, saiu do quarto antes que eu pudesse impedi-lo, tão violentamente como entrou.
Eu queria correr atrás dele e dizer que ia ficar tudo bem, que íamos superar aquilo sozinhos.
Mas eu não mentiria.
Narcisa era praticamente a única ligação que Draco tinha com o mundo real, que o impedia de ser frio como o pai. Que o impedia de se entregar aos fantasmas e a obscuridade que seu sobrenome carrega. Ela era sua fonte de sanidade, o seu porto seguro, chame do que quiser.
Mas foi a partir daquele dia que tudo começou a desandar e como uma bola de neve os problemas foram se acumulando até a catástrofe a que estou presa.
Lembro de ter sentido medo naquele dia. Medo de não ser o suficiente para reerguer Draco. Medo de perder o marido que eu conhecera. Medo do futuro.
Eu nem podia imaginar o quanto meu medo estava certo.
-/-
-Astoria,estamos atrasados!
A voz de Draco fez com que eu abotoasse o meu sobretudo mais rapidamente e me precipitasse escada abaixo. Com exceção de Narcisa, a família de Draco era um tanto..incomum, na falta de termo mais apropriado. De qualquer forma, a melhor maneira de sobreviver entre eles é ser o mais discreta possível.
E esse papel eu tinha desempenhado com perfeição nesses dois anos, muito obrigada.
-Tinha esquecido do casaco - me desculpei, mas isso não pareceu importar a ele que sacudiu os ombros e andou em direção a lareira para desaparecer segundos depois.
Toda essa indiferença estava começando a me incomodar, contudo preferi relevar. Suspirando derrotada, eu o segui prevendo que aquela seria uma longa tarde.
Eu não tinha ideia o quanto minha vida mudaria depois dela.
-/-
Quando chegamos ao local do velório que era a Mansão Malfoy, havia algumas pessoas recebendo Draco.
Lucius Malfoy, mais frio que de costume o abraçava e Alexander Malfoy, o tio sinistro de Draco observava a cena. Ele era apenas alguns anos mais velho que Draco, pelo visto Abraxas teve uma vida muito movimentada.
Eu nunca me pus no caminho de Alexander, e também nunca fui muito amigável. Era o tipo de pessoa que simplesmente não me despertava confiança.
Engoli em seco quando acabei invadindo seu campo de visão, busquei o olhar de Draco e senti aliviada sua mão puxando a minha.
-Astoria - Alexander me cumprimentou e fiz um imenso esforço para encará-lo como se só tivesse me dado conta de sua presença naquele momento.
-Alexander - respondi num tom de voz que julguei ser neutro.
E então o homem se adiantou e abraçou Draco com alguns tapinhas em suas costas e falou algo em seu ouvido.
Reprimi o meu impulso infantil de cruzar os braços e exigir saber o que estava acontecendo. Qualquer plano que Alexander planejava para Draco não devia ser boa coisa.
Eles finalmente se separaram e Draco me levou para ver pela última vez o corpo de Narcisa. Ela seria cremada e em seguida deixada na propriedade dos Malfoy, de onde nunca quis partir.
Draco ficou observando a mãe preso naquela expressão confusa quando a pessoa está diante de algo fora do seu alcance de compreensão.
Percebendo que ele precisava de espaço, lancei um último olhar para minha sogra e observei o resto do salão sombrio. Algumas mulheres sentadas,a de Alexander me lançou um olhar depreciativo que não entendi e tampouco retribuí.
Havia poucos homens no salão, fato que estranhei. Segui para o banheiro onde pretendia passar uma água no rosto e colocar meus pensamentos em ordem. Eu não conhecia muito a Mansão Malfoy, mas deduzi que não deveria ser muito difícil encontrá-lo sozinha.
Até porque eu não estava especialmente ansiosa para ter que perguntar esse tipo de informação para algum dos presentes.
Comecei a me arrepender depois de infrutíferas tentativas de achar o banheiro e passei a procurar algum rosto familiar a quem pudesse recorrer.
Passei por uma porta fechada e ouvi vozes. Respirando fundo levei a minha mão para a maçaneta e antes de girá-la ouvi uma frase que mudou a minha intenção.
-...Draco não pode saber...
Quem falava era Alexander e curiosa, encostei a orelha na porta naquele corredor vazio da Mansão.
-Ele nem tem ideia?
-Já disse que não, Zabini. E imagine se ele descobrisse que fui eu quem matou sua mãe.
Minhas mãos cobriram minha boca com a surpresa. O tom de voz saiu leve e claramente sem arrependimento pelo que fez. Aquele era definitivamente Alexandre.
-Mas se você contasse o motivo, talvez Draco entendesse, Alex.
-Não se iluda, meu sobrinho seria contra.
Contra o quê? Perguntava-me naquele silêncio angustiante.
-Ele não teria escolhas - o outro argumentou.
-É verdade - Alexander cogitou - Ainda assim, essa informação é perigosa demais para se saber. Quem descobre,corre perigo de vida. Veja o exemplo de Cissa, se ela tivesse sangue Malfoy correndo em suas veias nada disso teria acontecido.
Eu podia sair correndo, mas escutar o resto da conversa se mostrava essencial a minha existência. Eu precisava saber. Não conseguiria virar as costas e não me torturar a cada dia pelo que deixara de saber.
Alexander estaria falando de um Pacto de Sangue?
-Então por que não estou morto? - perguntou Zabini curioso.
-Ora, por que matar um parceiro tão útil? - comentou Malfoy num tom que deixava muito claro que assim que acabasse a utilidade de Zabini, ele iria pelo mesmo caminho de Narcisa.
-Se Draco desconfiar de algo,o que fará? - Zabini questionou buscando mudar de assunto.
Garoto esperto.
-Ele não vai desconfiar. Pensa que foi o Potter que fez isso por vingança a Bellatrix por ter matado o traidor do Black.
-Deixe eu recapitular: Draco pensa que Potter, o grande salvador do mundo matou Narcisa para se vingar de Bella. Ele realmente acreditou nisso?
Agora quem falava era Joshua Parkinson, outro amigo de Draco.
Alexander soltou uma risada fria que fez meu cabelo se arrepiar.
-Para você ver como meu sobrinho é ingênuo, não sei como não saiu um maldito sonserino. Se ele soubesse, se ao menos desconfiasse sobre a volta dos Lord das Trevas..
O QUÊ?! Esse só podia ser Voldemort..mas não tinha como,Potter havia destruído todas as partes de sua alma. Eu mesma pesquisei toda a sua trajetória, podia não ir com a cara do homem, mas tinha que admitir que ele não deixou nenhum detalhe passar.
Concentrei-me na voz de Alexander.
-...mas não, Draco está planejando sua vingança contra Potter. O que só torna tudo mais fácil para todos nós.
-E quanto Astoria? - Parkinson perguntou em tom de desagrado.
Ninguém da família Parkinson ia com a minha cara e eu sabia que era porque Pansy queria ocupar o meu lugar, ou seja, a cama de Draco.
-Ela não sabe de nada, pedi para que Draco mantesse tudo em segredo.
-Boa ideia, Alexander.
Eu estava absorta na conversa que só percebi a maçaneta se mover tarde demais. Lancei-me para o lado da porta que cobriu meu corpo quando foi aberta, mas o deixou sem proteção ao se fechar.
Petrificada, vi as costas de Alexander dar alguns passos na minha direção contrária até parar e lentamente se virar para mim.
-Escutando atrás da porta, Astoria?
N/A:Gente,capítulo bem pequeno né,ele vai crescendo aos poucos,vocês vão ver!
Desculpe a demora,eita férias corridas..
Enfim,a fic ainda está no início e ela não começa já pegando fogo,como "Síndrome de Estocolmo",sem grandes tramas revolucionárias.
Mas esse é apenas o começo.Hahahahah
Respondendo aos coments:
* nathália luiza:Espero que tenha gostado desse capítulo tanto quanto gostou do prólogo!A resposta do que ela ouviu está aí!!Brigada por comentar,Beijoo!!
* M.Black:Demorei um pouco para postar mas é a vida,como a fic não deve ser muito longa,no máximo 15 capítulos..vou postar com mais freqüência.Brigada por comenta,beijo!!
Estou de férias então sei que postarei em menos de uma semana SE souber o que vocês acharam!
Brigadinha a todos os que vem e lêem!!!
Fuui!Até a próxima!
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