Todos já haviam terminado o jantar farto de natal, e agora conversavam molemente uns com os outros. Victoire começara a se levantar para juntar a louça suja quando eu pigarrei, forçando minha voz para que todos me ouvissem.
- Gente... eu... tenho algo a dizer. – Comecei. – Se puderem esperar por um instante antes de caírem merecidamente na cama.
As pessoas ficaram imediatamente em silêncio, e Fred II soltou um longo assovio “Vai lá, Rosie!”. Albus e minha mãe me sorriram incentivadores, eram os únicos que sabiam.
Eu brandi a varinha e conjurei um palco improvisado. Subi, tentando não parar no caminho, e ampliei levemente a minha voz para que não precisasse gritar. Olhei diretamente para a Dominique, apertando os nós dos dedos ansiosamente.
- Nossa história data de muito tempo, mas foi só há exatamente nove anos que tudo realmente começou. Você lembra, Nic, como eu sempre te dizia que há uma magia no inverno? Mas não é essa magia que nós conhecemos. É uma magia diferente. Eu nunca concordei com a ideia de que a primavera é a estação dos amantes e amores. Você sabe. Quando só resta um horizonte branco a sua volta, você nota as cores que pintam nosso mundo. Seu batom vermelho sempre ficava mais bonito na sua boca durante o inverno. Seus olhos azuis brilham tanto, mas tanto, que eu poderia observá-los para sempre. E eu devo confessar, mesmo reclamando daquela brincadeira do anjo de neve, eu adorava quando você se deitava e balançava os braços e as pernas, sorrindo como se fosse uma criança. Na névoa mística do inverno nós sempre sorrimos como crianças. E nos deitamos no telhado para observar os flocos caírem vagarosos, ou ver aquela estrela que sempre reluz mais que as outras. Porque você sabe, ela reluz pra você.
Pigarreei novamente, nervosa. Minhas mãos tremiam agora que eu chegava mais perto do meu objetivo com aquilo tudo. Mas então eu encontrei seus olhos já marejados, e tudo entrou nos eixos. Sorri.
- Falando em estrelas, eu trouxe um poema, e gostaria de lê-lo para você, Nic.
“As pessoas têm estrelas que não são as mesmas.
Para uns, que viajam, as estrelas são guias.
Olhei para minha mãe e para Albus. Recordei-me de cada intervenção poderosa de mamãe quando tudo parecia desabar, e de cada conselho valoroso de Albus. Sorri emocionada por saber que, mesmo que tudo realmente desabasse, minha mãe seria minha fortaleza, e Albus a mão que me ajudaria a levantar. Durante todos esses anos... não foi nada fácil. Enfrentar os estranhos e, principalmente, os amados. Ouvir as reações negativas e aguentar os murmúrios reprovadores cada vez que entrava com Nic ao meu lado. Olhei para meu pai, e vi seus olhos me encarando orgulhosos. Uma lágrima ameaçou cair e eu soltei uma leve risada. Sempre fui uma chorona.
Para outros, elas não passam de pequenas luzes.
Lembrei-me de Scorpio... meu primeiro e último namorado. Como se fosse ontem, eu experimentei a confusão e a dor. A fuga e a omissão. A vergonha e, finalmente, o conformismo. Repassei mentalmente os meus sonhos com a floresta, e não havia um dia que eu não agradecia por eles. Muito embora eu soubesse que, mesmo se eu nunca fosse um lobo feito para a loba de Nic, nós sempre traçaríamos nossos caminhos uma para outra. Vi James entre as pessoas, encarando-me curioso. Sua reação havia sido engraçada. Primeiro ele não acreditou, achou que era uma grande pegadinha. Que Dominique estava tentando seduzi-lo. Soltei uma risadinha. Quando ele finalmente entendeu e aceitou toda a situação, nos apoiou. Era um Potter e, acima de tudo, um Weasley. E se tem uma coisa que os Weasleys entendem bem, é de lealdade.
Para outros, os sábios, são problemas.
Para o meu negociante, eram ouro.
Mas todas essas estrelas se calam.
Minha mente voou imediatamente para as lembranças de minha tia Fleur e de tudo que ela fez para impedir que eu e Dominique ficássemos juntas. Ela foi a maior antagonista de nossa história. Não foi meu pai, meus avós, meus tios, ou qualquer outra pessoa. Ela tentou interferir mil vezes no nosso amor. Tentou ainda que Nic fosse para Beauxbatons, tentou ir com a família para a França, tentou até mesmo renegar Dominique. Ressaltava constantemente de que não éramos normais, uma vez que a sociedade jamais nos aceitaria. Que nosso relacionamento seria um impedimento para vivermos normalmente, para nos darmos bem em qualquer emprego que escolhêssemos, para sermos feliz. E agora eu a via entre as pessoas, com uma careta descontente, mas finalmente nos aceitando – ou desistindo de lutar contra. Porque eu sabia. Eu sabia que ela podia fazer qualquer coisa, podia até colocar o céu e o inferno entre nós, que mesmo assim isso não seria o suficiente para diminuir um milésimo do nosso amor. Então eu percebi sua importância. Fleur Delacour Weasley era a prova viva de que eu e Dominique realmente éramos para ser. E que, enquanto fossemos, seriamos capaz de superar qualquer obstáculo, vencer qualquer barreira. E continuar sendo. Sendo nós. E tudo que nos mantinha juntas. Amor. Fleur, a cada tentativa frustrada de nos separar, apenas nos aproximava. E era a prova viva de que eu e Dominique éramos verdadeiro amor.
Tu porém, terás estrelas como ninguém...
Então meus olhos convergiram para os de Nic, e todo o resto pareceu sumir. Será que seria sempre assim? Será que eu sempre sentiria como se um fio invisível me puxasse pelo umbigo – fazendo meu estômago se desfazer em borboletas – levando-me gravitalmente para onde Nic estava? Será que eu sempre sentiria esse calor crescente dentro de mim, liquefazendo meu coração, expondo todos os vales secretos que haviam na minha alma, e me obrigando – na mais deliciosa das dominações de quem consente sem consentir – a nunca, nem por um segundo, me afastar dela? Acho que apenas não precisava ter uma resposta para essas perguntas. Porque, no fim do dia, ela ainda estava ali. E eu também não planejava deixa-la ir para qualquer outro lugar.
Quero dizer: quando olhares o céu de noite,
(porque habitarei uma delas e estarei rindo),
então será como se todas as estrelas te rissem!
E tu terás estrelas que sabem sorrir!
Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido”
Terminei de declamar o poema, meus olhos nunca desviando dos dela.
- Eu... eu agradeço todos os dias por ter te conhecido, Nic. Acordo e durmo pensando em você, e te incluo em cada detalhezinho da minha vida. Não consigo me planejar mais sem pensar no que você gostaria, sem lembrar do som da sua risada, ou do seu bico descontente quando algo não sai como você espera. Acho que meu futuro sempre esteve ligado ao seu. Até porque, sem você, o que seria dele? Você é meu futuro. E eu espero poder ser o seu também. – Molhei os lábios, mais ansiosa do que nunca. Desci e fui até onde ela estava. Sorri marotamente para ela e me ajoelhei. Suas orbes azuis cobertas por lágrimas olharam-me com surpresa, muito embora eu soubesse que não era pelo fator principal. Nic era capaz de prever cada ação minha, e, no momento que pisei naquele palco improvisado, ela sabia o que eu faria em seguida. Talvez apenas não esperasse que eu fosse toda tradicional com aquilo. – Dominique Delacour Weasley. Você... você quer se casar comigo?
Eu tirei uma caixinha do meu bolso e mostrei as delicadas alianças, enquanto Nic abria o maior sorriso do mundo.
- Você não precisaria nem perguntar. – Ela sussurrou antes de me levantar e me beijar. As borboletas bateram as asas freneticamente, e minhas mãos tremiam quando eu coloquei a aliança no seu dedo, e quando ela a colocou no meu. Minhas pernas estavam tão moles que eu sabia que a única coisa que ainda me mantinha de pé era Dominique. A mulher da minha vida. E minha futura esposa. Sorri bobamente ao testar a palavra na minha cabeça. Ela, assim como todo o resto, soava... certo.
As palmas e os assovios começaram, e eu me vi abraçada por muitos braços, sem, no entanto, deixar de segurar a mão de Nic. Vi as lágrimas que meu pai tentava ocultar, e um amor tão grande nos olhos da minha mãe. Bill me abraçou e murmurou para mim: “Faça ela feliz”; no que eu respondi: “Não poderá ser de outra forma”. Depois que tio Jorge tirou sabe se de lá de onde uma deflagração de luxo dos fogos Weasley, e nós resolvemos que era hora de ir para casa. Nic e eu morávamos juntas há dois anos, e já tínhamos, na realidade, uma rotina de casadas. Eu apenas precisava oficializar.
Dominique estava sentada na nossa cama e analisava a aliança com um sorriso.
- Ela é linda, Rose.
- Não tanto quanto você. – Respondi em um flerte antigo e piegas. – Desculpe, não resisti.
Nic riu deliciada, enquanto tirava os saltos e enrolava os braços no meu pescoço.
- Por favor, nunca resista. – Ela pediu, a boca a um centímetro da minha.
- Nunca. – Prometi antes de capturar seus lábios vermelhos, mordendo levemente o inferior para pedir passagem. Passagem que foi logo concedida, permitindo que eu sugasse levemente a língua da minha mulher. Então a dança começou. Maravilhosa como sempre. Nic soltou um gemido no fundo da minha garganta, e desviou-se para arrastar a língua pela minha mandíbula, deixando beijos quentes pelo meu pescoço, provocando meu lóbulo esquerdo...
Deitei-a na cama, ficando por cima. Nic lançava mil arrepios pela minha espinha, os dedos traçando círculos pela parte inferior da minha coluna. Desci seu zíper lateral, e expulsei seu vestido para fora do corpo. Naquele momento, tudo que eu precisava era sua pele. Sua pele macia e homogênea. Pele que sempre parecia uma erupção sob meus dedos, correspondendo involuntariamente a cada toque. Sorri para Nic, que agora lutava contra minha roupa. Quando fiquei, assim como ela, apenas de lingerie, gemi com o contato dos nossos corpos. Coloquei um braço de cada lado de Dominique, e pressionei meu quadril para baixo, apreciando a sensação.
Ela segurou meu pescoço e me beijou, as mãos correndo, em seguida, pelas minhas costas, abrindo o fecho do meu sutiã. Sorri contra sua boca, abaixando para morder suavemente seu queixo, beijar sua garganta e lamber sua clavícula. Não havia pressa. Abri o fecho frontal de seu sutiã e olhei para seus seios, o desejo já pulsando forte nas veias. Senti uma contração no baixo ventre quando beijei o vale dos seios. Encostei os lábios entreabertos em um mamilo, esfregando-os lentamente para cima e para baixo. Fechei a mão em concha no outro seio, pressionando-o enquanto mordia seu mamilo, contornando a língua por ele. Nic soltou um gemido, inconscientemente levantando o quadril. Desci minha boca pelo seu abdômen, ajeitando-me melhor entre suas pernas, segurando uma delas e arrastando as unhas por sua coxa. O abdômen de Dominique contraia enquanto eu o beijava, passando os dentes pela lateral da sua cintura, sentindo a pele arrepiada. Coloquei a outra mão sobre sua calcinha, e gemi ao perceber que estava úmida.
- Eu estou tão molhada. – Nic sussurrou para mim, os olhos fechados enquanto eu pesava os dedos na ultima peça de roupa que restava em seu corpo. – Eu te quero tanto.
- Você me tem. – Murmurei com a voz rouca de tesão.
- Prove. – Ela gemeu quando eu comecei a tirar sua calcinha, e abaixei o rosto para sua intimidade. – Me toma para você. Eu sou sua, mon amour.
Ofeguei, sentindo o cheiro da sua excitação. Lambi-a levemente, passando a língua do seu clitóris à sua entrada. Fechei os olhos. Seu gosto era tão bom. Tirei minha própria calcinha e sentei no meio das pernas de Nic, encaixando perfeitamente nossas pernas para que o contato fosse estabelecido. Gemi sofregamente quando nossos clitóris se roçaram.
- Rose... – Dominique gemeu, e eu comecei a movimentar meus quadris.
Meu clitóris estava inchado, e latejava contra o de Nic. Ofeguei irrefreável enquanto as ondas de prazer se espalhavam pelo meu corpo. Doía de tanto prazer. Senti que chegaria ao ápice e aumentei os movimentos até achar um ritmo mais adequado. Eu já não conseguia controlar os sons que escapavam pelos meus dentes, e me deliciava ao ver o rosto corado de Dominique. Fios de seu cabelo loiro grudando contra a testa, seus lábios entreabertos e seus olhos se revirando. Sua expressão de êxtase adiantou o meu gozo, e só o que eu pude fazer foi pedir:
- Goza comigo, amor. Por favor.
Senti nossos orgasmos se misturando enquanto um gemido estrangulado saiu pela minha garganta. Rolei para o lado, o corpo ainda mole. Nic se recuperou mais rápido. Sorriu para mim e me beijou com paixão.
- Eu te amo. – Ela disse, encarando-me com os olhos em brasa. Olhos que me derretiam por dentro.
- Eu te amo. – Repeti, e entrelacei sua mão direita com a minha, como se estivéssemos selando um pacto.
Ela deitou no meu peito, a orelha virada para meu coração, os dedos desenhando pela minha pele nua. Senti-me tão preenchida de amor, mas tão preenchida de amor, que não sabia como meu corpo pequeno conseguia suportar. Ainda segurando a mão de Nic, olhei para a aliança, especificamente para a frase que mandei gravar, em uma caligrafia minúscula e delicada.
“Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé”
“"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."