_Gina...- ele se mexia muito. - Gina... – mas não conseguia abrir os olhos. - Gina...
_Como ele está? – um homem perguntou.
_Delirando... A febre está muito alta, eu não consigo baixá-la. Não só com esses panos molhados. – respondeu a mulher, enquanto trocava paninhos úmidos da testa do doente.
_Há uma poção muito boa, mas com ele inconsciente é perigoso ministra-la.
_O que faremos, senhor? – a mulher perguntou preocupada.
_Nada, minha filha... Temos que esperar... – o mais velho respondeu.
_Senhor... Será que lágrimas de Fênix não resolveriam o caso? – perguntou o mais novo.
_Eu coloquei lágrimas nos ferimentos que ele tinha, mas nem elas conseguiram baixar a febre. O feitiço que lançaram deve ter prendido a mente dele num pesadelo profundo. O próprio corpo não permite que a febre baixe.
_E o que faremos? A febre está alta demais. Se não baixar ele pode entrar em... como é mesmo que os trouxas chamam? – perguntou a mulher.
_Coma... – o homem respondeu.
_Isso! Que faremos, senhor?
_Teremos que esperar que alguém encontre as pistas que deixamos. Ir até eles ou mandar uma coruja seria muito arriscado. Só nos resta esperar e torcer para que o jovem Harry escape de mais esta. – terminou o velho.
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O dia nem havia clareado e vários aurores já estavam de prontidão. Todos uniformizados, com suas varinhas em punho e divididos em grupos pequenos. A um sinal de Gui os grupos começaram a aparatar. Hermione, Draco, Rony e Luna foram um dos primeiros. Cada grupo cobriria uma área pré-determinada. Todas ao redor do galpão em que o ataque havia acontecido. Eles tinham permissão para usar magia apenas em último caso. Eles vasculhavam todos os cantos minuciosamente. Dois grupos procuravam pistas dentro do galpão, outros dois estavam em lugares estratégicos cuidando para que não fossem surpreendidos novamente por comensais. O grupo de Hermione era o mais silencioso, o mais compenetrado e o mais tenso. Foi Luna quem quebrou o gelo.
_Hermione. – falou baixo.
_Sim.
_Preciso te contar uma coisa.
_Agora não, Luna.
_É importante!
_Rony, Malfoy, esperem um pouco. – ela se virou para Luna e perguntou. – Eles podem ouvir ou é particular.
Ela pensou no assunto, já que Draco ouviria também, mas continuou: - É... Acho que não tem problema.
Os dois se aproximaram e Hermione perguntou: - O que foi então.
_É que... Bom... Vocês devem imaginar que eu tenho conversado por cartas com a Gina...
_Você o quê?! – Rony se sobressaltou.
_Ela me fez prometer que a manteria informada de tudo. Ela estava preocupada!
_Quer dizer então que minha irmã já sabe que o Harry desapareceu?
_Sabe, mas não só ela...
_Do que você está falando, Luna? – Hermione se preocupou.
_Ontem eu vi as gêmeas Patil comentando com a Brown sobre o sumiço dele!
_ E o que tem isso? Eu mesmo falei para Lilá que o Harry havia sumido...
_Rony! Por que você fez isso?
_O Gui ainda não havia nos mandado guardar segredo nenhum. Muitas outras pessoas já sabem!
_Sabem o que isso quer dizer? – Hermione perguntou.
_Que nós já sabemos do desaparecimento do Potter! – a voz arrastada de Lúcio Malfoy foi ouvida. Todos se assustaram.
Os quatro se separam rapidamente e todos apontaram suas varinhas para o homem. Ele olhava sorridente para o grupo e, principalmente, para Draco.
_Que tipo de aurores são vocês que param para conversar e se esquecem de prestar atenção ao que há em volta?
_Vocês sabem onde ele está?! Responda! – Rony perguntou furiosamente.
_Se eu soubesse não acha que ele já estaria morto, Weasley?! – respondeu cinicamente.
_Por quem vocês souberam? – Hermione perguntou.
_Ah... Você não sabe, Granger? É tão óbvio!
_Ah! Cala a boca! – Draco atacou o pai com um estupefaça, mas um comensal apareceu do nada e o jogou longe com outro feitiço.
Logo o grupo todo lutava contra uma série de comensais que apareceram de todos os lados. Outros aurores se juntaram a batalha e uma grande confusão de feitiços aconteceu, mas desta vez eles estavam preparados, além disso, o número de comensais era bem menor, já que eles estavam ali apenas para confirmar o desaparecimento de Harry. Lúcio logo fez sinal para que eles recuassem, mas ele ficou. Avistou de longe Hermione derrotar um comensal com um feitiço bem feito. Era sua chance de acabar com ela. Ele seguiu em sua direção com um feitiço preparado. Rony e Draco que estavam ali perto, mas também duelando, avistaram a cena. Rony gritou tentando avisar a garota. Draco correu em direção ao pai e o atacou a tempo de salvar Hermione. Quando Lúcio se deu conta de quem o havia atacado resolveu não revidar. Ele sorriu para Draco e desaparatou sendo seguido pelos demais comensais.
Rony correu em direção a amiga: - Mione! Você está bem?
_Estou. Obrigada. – ela olhava confusa em direção a Draco.
_O que fazemos agora? – Simas perguntou. – Vamos embora?
_Não! – Rony respondeu. – Vamos continuar! Estão todos bem?
_Não. Neville foi atingido! – Dino falou desesperado apoiando Neville para que ele não caísse.
_Mais alguém?
_Eu também, Rony. E minha irmã. – falou uma das gêmeas.
_Ok. Vocês conseguem aparatar?
_Sim. – responderam os três.
_Ótimo. Então voltem para Ordem. Nós continuaremos em frente. Os grupos que ficaram desfalcados se rearrumem. Não sairemos daqui enquanto não encontrarmos alguma coisa que nos diga onde Harry pode estar.
_Mas Rony! E se eles voltarem?! – Simas perguntou preocupado.
_Nós os enfrentaremos de novo! Eu só vou embora quando não estiver agüentando mais, ou quando achar uma boa pista.
_Eu também. – Hermione falou decidida. – Mas não acho justo forçarmos os demais a continuarem. Se algum de vocês quer ir embora, mesmo sem estar ferido, vá logo. Todos os que estiverem aqui tem que ter certeza de que farão o melhor. Estar aqui só porque o Gui mandou não vai nos ajudar. – ela esperou que alguém se manifestasse. Mas todos permaneceram em silêncio. – Devo aceitar então que ninguém vai embora? – ninguém respondeu. – Ok. Então, Patil e Neville voltam e avisam o que aconteceu. Nós continuaremos.
O grupo seguiu. Passaram-se horas e nada. Muitos já tinham desistido e aparatado de volta a Ordem. Hermione e Rony continuavam porque se recusavam a abandonar o amigo, Luna ficou, pois prometeu isso a Gina, Draco ficou porque não queria levantar suspeitas e nem deixar Rony e Hermione sozinhos. Eles pararam um pouco para comer algo e beber um pouco de água. Foi um descanso de poucos minutos. Como havia poucos eles se dividiram em duplas e voltaram a vasculhar o lugar. Quando o sol começou a se por e todos já estavam perdendo a esperança Draco pisou em algo que se quebrou sobre seus pés.
_Droga! – excalmou.
_O que foi? – Rony perguntou.
_Pisei em algo. - Draco se abaixou e viu que havia pisado em algo que tinha lentes. Pegou aqueles óculos na mão, olhou-os com nojo e os jogou para Rony. – Veja você mesmo!
Rony pegou a armação nas mãos. Estava chocado. Mil coisas passaram por sua cabeça. – São os óculos do Harry! – ele imediatamente levantou a varinha e soltou fagulhas verdes para chamar atenção dos demais.
Antes que todos pudessem se direcionar para as fagulhas de Rony, fagulhas vermelhas foram vistas de dentro do galpão. Sem pensar duas vezes todos correram para lá. Num dos corredores do galpão a cena era triste. Dino Thomas estirado no chão e Simas ajoelhado a seu lado com cara de desespero. Fred e Jorge foram os primeiros a chegar, mas ninguém sabia o que fazer.
_Ele está morto? – perguntou Fred.
_Não sei. – Simas falou tentando reanimar o amigo.
_O que foi que houve? – Rony e Draco se aproximaram da cena.
_O que é isso? – Jorge se abaixara para pegar um colar caído no chão.
_Não toque nisso! – Draco gritou de repente.
_Por que, Malfoy?! Se eu o tocar estrago seus planos? – ele continuou para pegar o colar.
_Não seja estúpido, Jorge! Não toque nesse colar! – Hermione gritou.
_Por que não? – Jorge perguntou.
_Esse é o colar que eu coloquei em Hogwarts ano passado. Tem um feitiço muito poderoso, mas eu achei que estivesse com Dumbledore.
_Então isso é coisa sua? – Simas perguntou partindo para cima de Draco.
_Era coisa minha! Eu já disse, isso estava com Dumbledore.
_Dumbledore está morto! Graças a você, aliás! – Rony disse furioso.
_Parem com isso! Não adianta ficarmos nos acusando. – Hermione fez todos se silenciarem. Seguiu em direção ao colar e o colocou numa urna conjurada no momento. – Isso pode ser uma pista. Quem foi que soltou as fagulhas verdes?
_Fui eu. – Rony respondeu. – Malfoy achou isso. – ele estendeu a mão e mostrou os óculos.
_São os óculos do Harry! – um dos gêmeos exclamou.
_Não são não! – Hermione afirmou. – Os óculos dele não tinham esses cacos pretos na armação. – ela analisou.
_É mesmo. Eu nem tinha notado! – Rony concordou. – Mas é igualzinho ao dele. Que estranho.
_Será que não é uma armadilha dos comensais? Para nos distrair? – Jorge falou.
_Ou então é um objeto enfeitiçado que eles esperam que levemos para Ordem para poder nos rastrear. – Fred concluiu.
_Ou pode ser uma pista que o Harry, ou quem está com ele, deixou.
_Ei! Pessoal! Tem alguém ferido aqui! Precisamos fazer alguma coisa! – Simas lembrou.
_Ele tem razão! Rony conjure outra urna e guarde os óculos. Vamos voltar para Ordem. Acho que já é o bastante para todos nós. – falou Hermione.
Em pouco tempo Fred e Jorge conjuraram uma maca na qual amarraram Dino. Rony conjurou a urna e todos aparataram para Ordem. Lá, nos dias que se seguiram, os itens encontrados foram analisados com vários tipos de feitiço. O colar foi isolado e os óculos, foi comprovado depois de uma análise dos vários feitiços de concerto utilizados nele durante os últimos anos, assim como um feitiço impermeabilizante, era mesmo de Harry. Eles constataram também que aqueles cacos haviam sido colados ali há pouco tempo, depois do desaparecimento de Harry. Pesquisas foram feitas a respeito do colar e dos cacos, mas ninguém descobria nada que pudesse ajudar. Nem mesmo Hermione, que ficava horas na biblioteca atrás de pistas, conseguia resolver aquele mistério.
_Isso não faz sentido! Como pode não haver nada em livro nenhum sobre essas jóias? – Hermione perguntava a si mesma em voz alta.
_Hermione, eu já falei. Aquele colar...
_Eu sei, eu sei, mas o que quer dizer? – ela se perguntava bagunçado sem querer os cabelos enquanto pensava no assunto.
_Será que eu posso ir embora? Estou cansado... – Draco resmungou diante da falta de atenção de Hermione.
_Ok... Vá sim. Preciso ir com você? – ela perguntou.
_Até que horas você vai ficar aí em cima desses livros? Você já revirou todos eles! Não tem nada aí!
_Eu não vou conseguir dormir, Draco. Preciso descobrir que tipo de pistas são essas.
_E se for só uma coincidência?
_Não é. Tenho certeza!
Ele suspirou impaciente. – Ok. Eu vou dormir. Não agüento mais.
_Tá. Boa noite. – ela nem mesmo o olhou. Folheava freneticamente um enorme livro que falava de pedras preciosas modificadas magicamente.
Depois de muito tempo Hermione se convenceu de que não adiantaria nada. O que quer que ela estivesse procurando não estava ali, mas uma sensação de que ela devia continuar tentando não a deixava em paz. Ela afastou um pouco a cadeira. Estava exausta. Aproveitou que estava sozinha, afastou os livros e colocou as pernas sobre a mesa. Apoiou a cabeça no encosto da cadeira e fechou os olhos. Ficou assim por um bom tempo.
_Ela não vai desistir tão cedo. Pior que eu não agüento mais. Droga de garota persistente. Deixa para amanhã, Granger!
De repente, Hermione quase caiu da cadeira. Arregalou os olhos espantada. – Como não me lembrei disso antes?! É claro! – ela bateu a mão na mesa. – As horcruxes! – Ela saiu correndo em direção aos dormitórios. Seu observador correu também.
Ela chegou ofegante a porta do dormitório masculino. Correu direto para a cama de Rony e começou a sacudi-lo. – Rony! Rony! Acorda! – ela falava razoavelmente baixo, tentando não acordar os demais.
_Hum? Mione? – Rony levou um susto quando viu que não estava sonhando. Era ela mesma. – O que você faz aqui? – ele se cobriu encabulado, pois estava sem camisa, mas Hermione nem notou isso.
_Eu já sei o que é! – Draco se mexeu na cama ao lado.
_Já sabe o que é o quê?!
Ela sabia que o sono bloqueava a inteligência de Rony, então não perdeu o controle: - As jóias!
_Shiiii! Fale baixo!- ele apontou para a cama de Draco. - Ele acabou de deitar! – ele sussurrou. – O que elas são afinal?
Hermione olhou rapidamente para o lado de Draco. Ele parecia estar num sono profundo. Ela voltou sua atenção ao sonolento Rony: - São as horcruxes! Você se lembra?
_Horcruxes? Hum... Vagamente.
_Ai, Rony! – ela sentou-se na cama. – Você não se lembra que Dumbledore havia dito que Harry deveria destruir todas as horcruxes antes de duelar com Voldemort?
_Lembro... – falou depois de uma careta ao ouvir aquele nome.
_Então! Harry nos disse que Dumbledore havia destruído um anel de pedra preta que pertencia à família Slytherin! Os cacos nos óculos dele! Só podem ser deste anel!
_Será?! – Rony exclamou mais interessado.
_Tenho certeza.
_Mas o anel não estava com Dumbledore? Quem mais sabia sobre isso?
_Eu, você, Harry, Dumbledore e... Snape.
_Você acha que ele está com Harry?! – dessa vez ele não se conteve e acabou falando alto demais. Automaticamente levou uma das mãos à boca e olhou para a cama de Draco. Ele nem se mexia.
_Ou ele, ou... Ah não... Não poderia ser...
_Ser o que, Mione?
_Nada! Precisamos contar isso ao Gui!
_Agora?!
_Agora! Vem! – ela o puxou da cama sem nem notar que ele estava só de samba canção.
_Calma aí Mione! Deixa-me pegar um roupão pelo menos!
Só então ela notou. Ficou um pouco encabulada, mas não era o momento para isso. Saiu do quarto sendo seguida por Rony que amarrava o roupão e tentava não perder os chinelos pelo caminho por causa da pressa. Draco abriu os olhos e se revirou na cama...
Eles chegaram ao quarto de Gui e a discussão era sobre quem entraria primeiro. Resolvido o caso eles contaram tudo que se lembraram.
_Mas no que vocês acham que isso pode nos ajudar? – Gui levava os dois para fora do quarto para não incomodar o sono de Fleur.
_O que quer que seja, tem a ver com as horcruxes. Na minha opinião Harry deixou estas pistas para que fossemos ate o lugar em que a última horcruxe foi encontrada. O lugar onde ele e Dumbledore foram no dia do ataque a Hogwarts. Com certeza Voldemort não pensaria em procurá-lo lá, não? – ela falou empolgada com a descoberta. – Tenho certeza que foi isso que Harry quis dizer quando nos deixou estas pistas. Ele tinha certeza de que, pelo menos eu e o Rony, iríamos atrás dele!.
_Você pode ter razão, Hermione! Vocês sabem onde fica este lugar? – perguntou esperançoso.
Os ânimos decaíram. Ela respondeu: - Não...
Um silêncio chato se formou. Até que Rony teve uma luz: - Espera aí! – ele começou a andar de um lado para o outro. – É claro, Mione! Dumbledore e Harry só chegaram ao lugar depois de entrar nos pensamentos de Você – Sabe – Quem. Lembra-se?! Harry sempre nos contava o que via nas sessões na penseira!
_Lógico! Gui, precisamos ir a Hogwarts! Esses pensamentos certamente estão lá! Precisamos encontrá-los e assisti-los. Só assim descobriremos onde o Harry está!
_Vão com calma, garotos! Eu sei que vocês estão esperançosos, mas pode ser uma armadilha. Ou apenas deduções equivocadas!
_Ainda assim temos que tentar, Gui! O Harry nunca nos deixou na mão! Precisamos encontrá-lo agora. De qualquer jeito!
_Concordo... Agora é melhor voltarmos para cama. De qualquer maneira não posso simplesmente mandá-los para Hogwarts. Temos que avisar o diretor. Pedir permissão...
_Resolva isso o quanto antes! Tenho certeza de que estamos na pista certa! – Hermione falava excitada.
_Bom... Boa noite, e parabéns aos dois! – Gui se despediu.
Rony apreciava Hermione e sorria. Ela só percebeu um tempo depois.
_Do que é que você está rindo? – perguntou entre encabulada e ofendida.
_Você está com a mesma cara que fez quando descobriu o enigma das garrafas, lembra? – ele sorria mais ainda se lembrando da ocasião.
_E você está com a mesma cara de bobo que fazia quando não entendia como eu sempre resolvia tudo! – ela riu também.
_Ok, ok! Tenho que admitir! Se não fosse você... Até petrificada você resolveu o caso...
Era um dos poucos momentos de alívio e divertimento que os dois tinham depois de mais uma aventura. Só faltava o Harry para tudo ficar completo...
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