J.K.
é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por
favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço
a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E
como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
Capítulo
04A Saber demais.
"Enquanto eu viver "
Voltaram
para o arquivo à tarde .
Severus
não havia ido almoçar. Pelo menos, não enquanto ela estava lá.
Elas
tinham ficado a tarde inteira organizando e separando.
Quase
tinha colocado a mão num livro estranho. Foi impedida a tempo.
Era
o livro de registro dos professores. Sentiu um arrepio.
Mais
tarde, Minerva foi à pequena sala para pedir chá e sanduíches via flú. Pouco
tempo depois voltou.
Não
estava sozinha. Um homem grande. Uma enorme barba. Ela ficou parada. Olhando em
surpresa.
-
Este é Hagrid. - virou-se - Srtª. Ventur.
-
Olá. - ele sorriu - Já me falaram de você. Uma trouxa! Bem vinda a
Hogwarts.
Ela
riu do jeito dele.
-
Obrigada Hagrid. Me chame de Nina.
-
Vai gostar daqui. Eu moro perto da floresta proibida e dou aulas de Trato das
Criaturas Mágicas. Pode vir tomar um chá comigo quando tiver tempo.
Ela
riu de novo. Tinha esquecido como era isso. Minerva também parecia satisfeita.
-
Eu irei. Você também pode me visitar quando quiser.
Este
tinha sido seu encontro com o meio gigante.
*****
Os
dias estavam passando devagar para ela. Todas as coisas novas. O trabalho
diferente.
Não
era o mesmo com os outros. Eles pareciam bastante atarefados. Alguns tinham
voltado antes, das férias. Alguns nem tinham ido. Tempos difíceis. Tensão e
preparação. Voldmort não havia feito mais nenhuma ofensiva direta. Alguns
pensavam que seu poder havia diminuído com todas as baixas que teve. Apesar dos
dementadores soltos. Outros que ele só estava se preparando melhor. Mas ele
ainda tinha seguidores. E isso não podia ser ignorado.
Por
enquanto, todos estavam aguardando. Pelo que ela escutava as refeições, o
mundo bruxo estava agitado.
O
Profeta Diário com suas fotos moventes trazia notícias lá de fora. O Ministério
da Magia estava acionando os aurores e se comunicando com o resto do mundo mágico.
E Hogwarts estava bem mais preparada. Fudge estava sempre em contato com o
diretor. Apesar de não tê-lo encontrado na Escola. Ela imaginava que ele
estava sendo mais condescendente em relação à sua presença por Doumbledore.
Ela
se pegou preocupada com Harry.
Sacudiu
a cabeça. Tinha muito a fazer. Não podia se distrair assim. A tinta tinha
pingado de novo.
*****
Havia
ficado os primeiros dias em que organizavam tudo com o nariz vermelho de tanto
espirrar.
O
espelho, trouxa, que ela olhava antes de ir comer, lhe mostrou o que ela já
sabia. Não estava uma figura muito bonita. Que importava? Depois do primeiro
dia, ele não a havia olhado. Nem uma vez sequer.
Tinha
certeza que estava sendo vigiada. Nunca estava completamente só. Ou quando isso
acontecia, aparecia alguém. De surpresa. Até Hagrid tinha ido lá no meio da
tarde, convidá-la para um chá. Foi um erro ter aceitado um de seus biscoitos
por curiosidade. Eles eram realmente horríveis. Mas ele tinha ficado feliz.
Ela
suspeitava que os poucos momentos em que era deixada sozinha, os fantasmas
estavam por perto. O ambiente sempre parecia mais frio. E os arrepios eram
constantes.
Uma
noite uma armadura havia caído assustando-a, quando voltava do jantar.
Desconfiou
de quem havia feito aquilo.
Não
houve maiores incidentes.
Eles
tinham se acostumado à sua presença. Agora só faltavam os alunos.
******
Doumbledore
mandou chamá-la. Recebeu o recado depois do café. Ele não tinha estado
presente.
Quando
chegou até a águia não sabia o que fazer. As senhas mudavam toda semana.
Esperou.
Ela
viu Minerva vindo em sua direção.
-
Aconteceu alguma coisa?
-
Não. O diretor mandou me chamar e eu não sei a senha para entrar.
Minerva
sorriu.
-
Por favor, diga ao Albus que já recebi a resposta à coruja de ontem. E foi
positiva. - falou para a águia -Doce de abóbora.
Ela
agradeceu. Subiu. A porta foi aberta após a primeira batida.
-
Ah, Nina. Entre, entre. Eu já ia descer. Esqueci de lhe enviar a senha
- foi em direção à sua mesa.
-
A professora McGonagall pediu para avisá-lo que a resposta da coruja de
ontem foi positiva.
-
Muito bom! - ele riu feliz - Vamos, sente-se. - ele mesmo
sentando-se - Receberemos um grande amigo de volta. Lupin. Pedi permissão ao
Ministério para que ele volte a dar DCAT. Só até acharem outro professor. -
ele a olhou por sobre os óculos, um sorriso maroto - E eu espero que demore.
Ficou
feliz por Lupin. Mas sentiu um aperto no coração. Não disse nada.
-
Como você está? A professora Minerva tem me falado de seus progressos.
-
Estamos nos entendendo bem.
-
Que bom. - sorriu - Bem, eu a chamei para conversarmos mais sobre
aquele assunto, se você não se importar.
Ela
já esperava.
-
É claro que não me importo.
Quem
mais ela poderia dizer?
-
Estive pensando: a pessoa que escreveu aqueles livros, tem que ter tido
acesso direto. Ela tem que ter falado diretamente com um dos envolvidos. Então,
o lógico, é que estivesse próxima a Hogwarts. Mas, nenhuma aluna se encaixa
na descrição que você deu. - ele balançou a cabeça, olhando-a - E eu não
acho que seja importante impedi-la. - ele parou - O que eu gostaria que você
fizesse é tentar se lembrar de algum fato importante, algum indício... que
pudesse nos ser útil. - ele parecia ver através dela - Alguma informação...
que você não tenha falado. Como você percebeu, os eventos do passado alteram
diretamente o futuro.
Então
ele realmente tinha entendido o que ela tentou fazer na outra vez.
-
Veja bem, em quaisquer outras circunstâncias eu não ia querer saber o
que aconteceu. - falava devagar - Mas talvez a sua presença faça parte
disso. Talvez haja algo que você possa nos dizer que deveríamos saber.
Ele
acreditava nela. Isso a deixou melhor.
Ela
pensou no que ele disse. Tentou lembrar.
-
Eu sinceramente não me lembro de nada... - franziu a testa - Talvez um
outro rumor, mas... a maioria pode não ser verdadeira. Algo sobre uma nova
professora de DCAT.
'Alguém
que ficaria com o coração de Severus.'
Ele
não desviava os olhos.
-
Nada que realmente pareça importante. - suspirou - Mas eu posso pensar
sobre isso e avisá-lo.
Ele
sorriu.
-
Tenho certeza que sim. E agradeço.
Ele
tinha um jeito especial de te fazer sentir comprometido.
Ela
se levantou.
-
Então eu já vou indo. A professora Minerva me pediu para ajudá-la com
as cartas de Hogwarts desse ano.
Ele
imitou-a.
-
Não trabalhe demais.
Ela
sorriu.
-
Não trabalho.
*******
Minerva
tinha feito cópias das cartas com magia para enviar aos alunos.
Mas
ela e Filch tiveram que colocá-las nas corujas.
Apesar
de elas serem dóceis e parecerem entender quando se falava com elas, ela estava
com as mãos arranhadas quando acabou. E cansada.
E
amanhã. Amanhã os alunos retornariam. Tentou não ficar ansiosa.
*****
Era
tarde. Mas ela sentia-se ansiosa, sufocada. Não conseguia parar de pensar. Em
tudo que ela tinha perdido. No que ela estava fazendo ali. Em que essa não era
a sua vida.
Tentou
a porta.
Bom,
ela não era mais uma "prisioneira". Não completamente.
Os
corredores estavam escuros apesar das tochas. Era incrível como elas se
acendiam enquanto ela andava.
Pelo
menos as tochas não estavam ligando se ela era uma trouxa.
'Onde
será que ficavam as masmorras?' - pensou distraída.
Podia
ter prestado mais atenção ao mapa do maroto.
Foi
andando por rumo. Descendo. Eram as masmorras, não?
Escutou
seus próprios passos.
Isto
estava se pondo ridículo. Ela provavelmente ia se perder.
Depois
de virar para outro corredor, ouviu um barulho.
Encolheu-se
nas sombras. Ficou a espera.
Ele
apoiou-se de costas para ela, calmamente, na mureta à frente.
-
Acredita mesmo que pode se esconder de mim? - perguntou sem se voltar.
Ela
suspirou. Deu um passo à frente. Encostou-se na mureta e como ele, olhou a
escuridão.
-
Eu não pretendia me esconder de você. Ouvi passos e não sabia quem
era.
-
E ao invés de perguntar onde está e como voltar, você se escondeu? -
ele a olhou.
-
E porquê eu ia querer perguntar isso?
-
Por acaso você sabe onde está? - falou irônico.
Ele
era irritante.
-
Não. Mas isso não quer dizer que eu não saiba como voltar. - tentou
blefar.
-
Então, não vai se importar se eu me for. Boa noite. - Ele se moveu.
'Seu
...'
-
Oh, está bem. Eu saí para andar um pouco e parece que exagerei.
Ele
parou. Virou-se devagar. Cruzou os braços.
-
E agora você quer a minha ajuda. - ele estava adorando aquilo.
-
Como você sabia onde eu estava? - tentou desconversar olhando o escuro
- Colocou um feitiço que avisa quando eu saio? - provocou.
-
Na verdade o feitiço avisa quando alguém toca a maçaneta.
Não
podia acreditar. Ela o encarou. Seu rosto mostrava o horror que sentia. Ele
estava se divertindo?
Sacudiu
a cabeça. Fingiu não tê-lo ouvido.
Encostou-se
mais na mureta. As mãos sentiram a pedra fria.
Olhou
a escuridão.
Os
sons da noite.
O
silêncio.
Suspirou.
-
Eu estava me sentindo sufocada. - falou baixinho.
Ela
não se importava se ele não estava prestando atenção.
-
Estava... Já se sentiu assim? - parou - Com o passado impelindo o
presente. Sem poder ser alterado. O futuro... vazio. - ela divagava - Não ser
realmente importante para ninguém. Exceto pelas informações que só você
tem, ou pelas que podem conseguir através de você. - estava triste -
Importantes para outras pessoas. Não para você. E mesmo isso, - engoliu em
seco - você perderá num futuro próximo. Elas deixarão de ser importantes.
Você deixará de ser importante. - acabou baixinho.
Percebeu
sua voz que começou a ficar embargada. Parou.
Sentiu
pena de si mesma. Solidão. Tentou se acalmar.
-
É melhor você voltar. - ouviu a voz estranha. Rouca.
Fechou
os olhos. Sentiu-se magoada. Ele a tratou como se fosse nada.
-
Por que você age assim? - virou-se para ele, olhos angustiados - Entendo
demonstrar seu desprezo por trouxas como eu na frente dos outros. Mas não há
ninguém aqui agora. Não é possível que você seja realmente assim! - parou
- No passado você nunca se importou com... trouxas. Mas não é possível que
nada tenha mudado. E que você não sinta nada. - seus olhos mostraram confusão
- Então porquê?
Ele
não disse nada. Viu raiva. Então ela entendeu.
-
É o poder! Poder desprezar. Fingir que não se importa com nada e com ninguém.
- falava devagar - Só porquê, você pode. - ela sacudiu a cabeça em
descrença, olhou o vazio - Sempre pensei que mais poder queria dizer mais
responsabilidade. E um bruxo... Deus! - hesitou - E eu nunca quis ser uma médica,
ou uma advogada. - respirou - Ter poder sobre as pessoas. De vida e de morte.
- viu o chão de pedras sem realmente ver, os olhos brilhantes - Eu só me
lembrei da responsabilidade. - olhou para ele - Você só lembrou do poder.
Ele
respirava rápido. Carvão que brilha. Parecia que estava se segurando para não
agredí-la.
-
Quem você pensa que é? - falou entre os dentes - Porquê acha que pode
chegar aqui e me analisar?
Ela
sentiu tristeza. Sentiu-se velha. Distante. Falou devagar.
-
Sou um trouxa, que sabe que conhecimento e inteligência não fazem sabedoria.
- os olhos nublados - É a compreensão que faz a diferença. - deixou que a
lágrima caísse.
Riu
sem graça.
-
Eu te admirava. - secou a lágrima - Seu grande tolo. - a voz baixa - Pensei
que você era um... sobrevivente.
Ela
virou-se sem se importar para onde ia.
Ele
voltou-se para a escuridão. Escutou um barulho. Não se importou.
Muito
tempo depois sentiu as juntas dos dedos doerem. Ainda apertava a mureta com força.
-
Inferno!
*****
Noctivague -
Obrigada pelas suas palavras. - abaixando-se num cumprimento - Foram uma
honra.
Sett - Valeu o
incentivo. De todas as mensagens! Você já viu o que alterei em sua homenagem?
Alison Black -
Obrigada mesmo.
Espero que vocês
revisem de novo.