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2. Recordações


Fic: Harry Potter e o Prêmio de Riddle


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O relógio de Harry marcou meia- noite e um. Nesse exato minuto Harry acordou.
Apesar do vento gelado que percorreu seu quarto, Harry estava muito suado e ofegava, sentia-se abafado.
Ele sabia que algo estava diferente, sabia que algo nele havia mudado.

Harry juntou suas coisas na porta e acordou Rony que resmungou, mas logo se pós de pé.

- Já tá na hora? — Rony ainda esfregava o olho.
- Eles podem chegar a qualquer momento, então vamos descer e levar nossas coisas sem fazer barulho. — Disse Harry muito sério.

- A propósito cara, feliz aniversário. — Desejou Rony pegando e jogando para ele um embrulho que estava embaixo do travesseiro.

- Obrigado. — Agradeceu Harry embolsando o presente sem dar atenção. — Agora vamos, e lembre-se: sem fazer barulhos. Espero que Tonks não venha ou pelo menos tome mais...

Um barulho de louça estilhaçada fez Harry suspirar e dar um tapa na testa e escorrer a mão pelo rosto.
Tonks com certeza viera e quebrara algo. Isso com certeza acordara os Dursley.

- Que barulho é esse? Aquele menino e o pessoal da laia dele não têm respeito! — É, Harry estava certo isso acordara os Dursley. — Eu vou lá agora mesmo e mostro à eles...

- Válter, querido, calma. Ele vai embora agora e tenho certeza que estará tudo em ordem amanhã. —
Harry ouviu, mas não acreditou no que ouvia ao começar a descer as escadas e passar em frente ao quarto dos tios.

- Você amoleceu Petúnia. — Falou Válter parecendo desapontado. — Espero que esteja realmente tudo em ordem amanhã.

- Eu não estou amolecendo querido, o garoto nunca nos fez mal algum, pelo contrário, nós sempre fizemos mal a ele. Eu até entendo que você tenha medo do que ele é capaz, mas eu nunca tive medo, eu sempre tive inveja. Ele está indo embora hoje amanhã, poderemos ter nossa vidinha chata e normal de novo. Agora vamos voltar a dormir.

Harry ficou estático ao ouvir a conversa dos tios, mas logo voltou a si e desceu as escadas. Sem cumprimentar ninguém ele já foi perguntando a qualquer um que pudesse responder:

- Para onde vamos? E como vamos?

- Boa noite pra você também Harry e feliz aniversário. — Cumprimentou Tonks que estava com os cabelos rosa chiclete como antigamente.

- Vamos para A Toca como você já deve saber e dessa vez vamos de Noitebus. — Respondeu Moody quase tão seco quanto Harry.

- Então vamos logo, não quero acordar os Dursley — Harry puxou a varinha, apontou para Tonks que se espantou. — Pratos Reparo. Não quero deixar nenhum vestígio de que estiveram aqui, agora vamos.

Harry se precipitou para fora da cozinha arrastando o malão com a gaiola de Edwiges, abriu a porta da frente da casa e saiu. Parou do lado de fora e se virou para a gaiola e soltou a coruja branca que dormia com a cabeça embaixo da asa.

- Edwiges, vá para casa do Rony e me espere por lá. Eu chegarei lá em pouco tempo. Boa sorte grande amiga. — Acrescentou em despedida.

A coruja piou alto e deu uma bicadinha carinhosa no dedo de Harry antes de levantar vôo.
Harry foi até a calçada e esticou o braço da varinha onde instantaneamente um ônibus roxo berrante de três andares parou.

- A Toca. — Disse Harry secamente entrando no Noitebus sem dar atenção ao novo condutor.

A viagem foi tranqüila e em menos de duas horas estavam parando enfrente A Toca.
Harry desembarcou e foi andando em direção a porta de entrada.

- Espectro Patronum.

Um cervo prateado saiu da ponta da varinha de Harry e começou a galopar envolta dele. Ele bateu a porta e uma cabecinha surgiu na janela e ao ver que era Harry logo a porta se abriu.

A Sra. Weasley trajava um pijama e por cima um casaquinho de lã. Na cozinha da casa havia muitas pessoas, mas Harry entrou e deu apenas um cumprimento geral.
A Sra. Weasley o abraçou. Mas logo soltou quando viu seu filho, Rony, chegando. Harry falou que estava cansado e disse que iria se deitar, Rony também falou a mesma coisa entre bocejos.

- Deixem seus malões aí, que depois alguém leva lá pra cima pra vocês e Harry, querido, Edwiges chegou faz mais de uma hora, não se preocupe com ela, ela está no poleiro com Errol.

- Obrigado Sra. Weasley. Boa noite a todos.

Harry subiu sem dar atenção a muito dos comentários e entrou no quarto de Rony antes de ver Hermione e Gina subindo as escadas gritando por ele.
Ele se atirou na cama no instante que elas entraram no quarto.

- O que houve? Por quê você não falou com ninguém? — Questionou Hermione.

- Só estou cansado. — Falou Harry com sinceridade. Ele sentia o corpo muito pesado. — Por favor, apaguem a luz quando saírem...

Harry adormeceu instantaneamente. Sua noite mais uma vez foi perturbada por taças, serpentes e outros objetos que Harry não podia identificar.


Harry acordou no dia seguinte sentindo-se mais disposto.
Levantou e viu que era bem cedo, Rony ainda dormia. Harry desceu e foi até a cozinha, ninguém na casa havia acordado.
Ele não estava com fome, então só passou por lá e foi até o poleiro de Errol para ver como estava Edwiges. Ela e Errol dormiam com a cabeça embaixo da asa.

Depois de ver que Edwiges estava bem, Harry resolveu ir para o quintal e ver como estava o dia, não queria ficar perambulando pela casa para não acordar os outros.

O sol estava acabando de nascer, podia-se ver ainda algumas nuvens alaranjadas no horizonte acima das montanhas, que ficavam ao redor dos terrenos dos Weasley.
Harry ficou, sem saber por quanto tempo, ficou ali, só com seus devaneios. Harry não pensava em nada exatamente, ficou somente observando o sol acabar de nascer e o dia ir clareando.

- Harry, querido, você já acordou tão cedo? Venha, vou preparar o café.

A Sra. Weasley havia aparecido depois de uma hora mais ou menos que Harry estava lá do lado de fora. Harry entrou e se sentou a mesa sem dizer uma palavra.

- Então querido, o que você vai querer? —Perguntou a senhora.

- Ovos e bacon já está bom.

- Mas querido, hoje é seu aniversário, você tem que comer algo especial. Por falar nisso, meus parabéns, o que você achou dos seus presentes? — A Sra. Weasley parecia muito animada.

- Gostei, obrigado. — Mentiu Harry, que reparou, mas nem olhou o montinho de embrulhos que tinha no pé de sua cama.

- Que bom, que bom, então eu vou fazer umas panquecas pra começar.

A Sra. Weasley começou a cantarolar uma música que lembrava a Harry festas de aniversário e começou a preparar as panquecas. Minutos depois Hermione apareceu.

- Bom dia Harry, feliz aniversário. —Cumprimentou animada.

- Bom dia e obrigado. —Respondeu sem dar atenção ou importância a amiga.

- Bom dia, Sra. Weasley.

- Bom dia Hermione. Onde está a Gina? —Hermione olhou para Harry antes de responder.

- Ela já vai descer, acordou agora. — Hermione sentou-se à mesa e encarou Harry. — Então Harry, o que você achou?

- Achei do que?

- Do meu presente.

- Ah, claro. Gostei.

- Já começou a ler?

- Já dei uma folheada.

- Que bom que você já deu uma folheada no livro que eu te dei no ano passado. Eu to querendo saber o que você achou do presente que eu te dei esse ano.

- Tá Mione, você ganhou, eu nem abri. Mais tarde eu abro, tá bom! — Harry havia levantado a voz sem perceber, a Sra. Weasley olhou assustada para ele, Hermione pareceu chocada e desapontada.
— Me desculpem, eu estou sem fome, vou subir.

Harry se levantou e subiu as escadas para o quarto de Rony, passou em frente ao quarto de Gina e ouviu uma enorme movimentação lá dentro. Passou pelo antigo quarto dos gêmeos e ouviu alguns gemidos de dor e agonia, achou estranho, mas preferiu não investigar.
Entrou no quarto de Rony e dirigiu-se a pilha de presentes e começou a desembrulhá-la.
A Sra. Weasley deu a ele o costumeiro suéter verde com um H no peito e algumas tortas de frutas secas.
Os gêmeos mandaram para ele um kit de Fogos Weasley Premium e uma mochila magicamente aumentada.
Hagrid mandou petiscos para coruja e algumas tortinhas enlatadas de chocolate.
Hermione, por incrível que pareça, não deu a Harry um livro, mas sim, um presente trouxa, um camafeu. Só que quando Harry abriu o camafeu, percebeu que ele não era totalmente trouxa, já que as fotos que continham nele se mexiam.

Harry sorriu ao ver as fotos, uma delas, Harry não sabia como Hermione conseguiu, era dos pais dele, Sirius e Lupin e nos braços da mãe ele se viu no bebe adormecido. A outra foto ele sabia como ela havia conseguido, Colin havia tirado deles no ano passado no salão comunal da Grifinória. Nela estavam ele abraçado a Gina, seguida de Hermione e Rony que se apoiava no ombro da garota.
Harry não conseguiu deixar de sorrir ao se lembrar que naquele dia ele e Gina ainda estavam juntos. Mas se entristeceu ao se lembrar que no dia seguinte, ele estaria saindo com Dumbledore em busca da horcrux falsa, e Dumbledore morreria pelas mãos de alguém em quem ele confiava a vida.

Harry colocou no pescoço o camafeu e se lembrou, ao olhar para Rony, que ainda roncava alto na cama ao lado, que faltava abrir o presente que ele lhe dera na noite anterior.
Harry apalpou o bolso e encontrou o pequeno embrulho. O embrulho era pequeno e estava muito amassado. Harry achou que em parte a culpa era sua já que dormiu com o presente no bolso e desejou não ter estragado o que o amigo lhe dera.

Harry tirou o papel de presente e não conteve o “Uau”, que quis sair quando ele viu aquele brilho dourado. Um brilho dourado que há muito tempo ele não via, um brilho que ele imaginou que não voltaria a ver: O Pomo de Ouro.

- No último jogo eu pedi a Gina que afanasse o pomo, porque eu achei que já que você não tinha podido jogar, pelo menos teria o pomo de recordação. — Rony havia acordado e sorria ao ver que o amigo gostara do presente. — Era pra ela ter te dado no dia, na festa, mas vocês tiveram muito a conversar depois e ela esqueceu.

- Eu achei que nunca mais fosse ver um pomo de novo. Obrigado, obrigado a você e a ela.

- Que isso, na verdade ela não tava muito confiante, quando eu falei pra ela pegar o pomo pra te dar, foi que ela começou a jogar de verdade. Eu acho que se não fosse esse estímulo, a gente não teria ganhado aquela taça.

- Bem, obrigado assim mesmo.

- Você já tomou café? — Perguntou Rony levantando e começando a se trocar.

- Ainda não, tava esperando você. — Mentiu Harry.

- Harry e Rony, sua mãe está chamando os dois...

- Hei, Mione, não pode ir entrando aqui assim, não vê que eu estou trocando de roupa. — Antes de Rony falar, Hermione realmente não havia visto que ele estava trocando de roupa, mas quando ele falou, ela acabou olhando e ficou muito vermelha assim como Rony que tentou se esconder atrás das cobertas.

- Ai, desculpa Rony. — Hermione virou de costas e tampou o rosto com as mãos. Harry nunca a vira tão vermelha.

- Bom dia Harry. Feliz aniversário. — Gina entrava no quarto e vinha em direção a Harry.

- Gina, você não vê que estou me trocando? —Gritou Rony que já parecia furioso.

- Não tem nada aí que eu queira ver maninho, a não ser o mini pufe.

- Eu devia passar a trancar a minha porta magicamente, agora que já fiz dezessete. — Resmungou Rony.

- Eu só vim trazer o seu presente, Harry. — Gina se encaminhou até Harry e empurrou um embrulho muito bem feito para ele. — Espero que goste. — Ela se virou para sair do quarto. — Ah, mamãe mandou chamar vocês três pro café.

- Então. Vocês vão descer para o café ou não? —A Sra. Weasley acabou de aparecer na porta do quarto.

- Ah não! — Rony deu um tapa na testa. — Sim mamãe, assim que vocês derem licença do meu quarto pra eu trocar de roupa.

- Ah, Rony querido, eu estava querendo saber se era verdade o que Gina falou a respeito de você ter feito uma tatuagem? — Rony olhou feio para Gina,
Harry segurou-se para não rir e viu que Hermione fazia o mesmo.

- Não, mamãe, eu não coloquei nenhuma tatuagem. — A Sra. Weasley olhou para Harry.

- Eu também não tenho nenhuma do Rabo Córneo Húngaro, Sra. Weasley. — Harry viu que Gina riu antes de sair do quarto, acompanhada por Hermione, ainda com a mão no rosto, e a Sra. Weasley.

- Se a Gina não parar de espalhar por aí que eu tenho uma tatuagem de um mini-pufe, eu vou falar pra todo mundo que ela ainda faz xixi na cama. — Falou Rony irritado enquanto terminava de trocar de roupa.

- Mas ela faz? — Perguntou Harry curioso.

- Eu também não tenho nenhuma tatuagem, mas todo mundo acha que eu tenho.

Harry olhou para o presente que Gina acabara de lhe entregar e viu que pelo formato deveria ser um livro. “Mione deve a ter contaminado” Pensou Harry.
Ele começou a desembrulhar o presente e viu que era realmente um livro. Um livro de capa verde que estava intitulado, com letras verdes e brilhantes, “Olhinhos Verdes Como Sapinhos Cozidos”.
Harry sorriu ao se lembrar do cartão que ela lhe enviara no segundo ano dele, primeiro dela.

Ele começou a passar as páginas do livro e viu que era uma espécie de álbum só que as imagens iniciais foram tiradas de jornais antigos que continham manchetes como: “A História do Menino-que-Sobreviveu: Onde ele foi parar depois da queda daquele-que-não-deve-ser-nomeado?” Ou “Teorias de como o Menino-que-Sobreviveu sobreviveu à maldição suprema.”

Tinha ali várias fotos de jornais dele quando era criança, tinha até algumas fotos dele com seus pais, algumas fotos que ele nunca havia visto.
Passando mais algumas páginas, ele viu fotos do seu primeiro ano em Hogwarts que ele sabia que eram do Rony e da Hermione e algumas do guarda-caças Hagrid.
Mais algumas páginas, e ele viu fotos que ele não sabia da existência, fotos dele tomando café da manhã, fotos dele jogando quadribol e até fotos dele trocando de roupa no dormitório.
E passando as páginas, foi vendo fotos dos próximos anos dele em Hogwarts, até o último ano terminando com a mesma foto do camafeu onde ele estava abraçado a Gina, Hermione ao lado e Rony se escorando no ombro da garota.

- Eu não disse que ela era sua fã. E você até hoje não deu um autógrafo a ela. Tsc tsc tsc tsc. —Comentou Rony fingindo desaprovação.

- Onde ela conseguiu essas fotos?

- Não faço a mínima idéia, ela pediu pra mim todas as fotos que eu tinha da gente, e copiou e pediu pra Mione também, mas as outras eu não sei como ela poderia conseguir.

- Quando ela te pediu?

- Ela me mandou uma carta quando eu estava na casa dos seus tios e eu mandei as fotos pra ela.
Harry olhou para a contra capa de trás do álbum e viu uma dedicatória.

“Para que você veja, em momentos difíceis, que você já passou por momentos ruins e que depois vieram momentos felizes”.

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