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1. Inôcencia


Fic: INOCENCIA - Comentem Eu preciso de comentários!


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INOCENCIA



Ronald e Hermione terminavam seus deveres na sala comunal. Na verdade, Hermione fingia terminar seus deveres. Harry havia posto os seus em dia a umas duas semanas junto com ela, num sábado que Rony preferira dormir até mais tarde.
Hermione sentia que precisava desses momentos com Ron. Haviam passado por tantas coisas nesse ano. O medo de Sirius Black. Depois a descoberta da sua inocência. A traição entre amigos.
Talvez ele não sentisse o mesmo, essa vontade de estar perto. Ron possuía muitos irmãos, então era de se esperar que não cultivasse a mesma necessidade de atenção incondicional, que ela nutria em relação aos amigos.
Não queria perde-los de forma nenhuma.
Ou talvez fosse o único motivo que seu coração inocente conseguia encontrar para explicar essa necessidade. Ergueu os olhos do pergaminho que escrevia e reparou que o olhar de Ron estava distante, mirando um canto qualquer da sala.
-Ron? O que foi? – perguntou baixo com medo de irrita-lo. – Está tudo bem? Quer ajuda?
Ele a olhou como se medisse essa bondade toda. Era de desconfiar.
-Estava pensando no Harry. – ele revelou, também falando baixo.
Embora ninguém mais tivesse permanecido numa linda manha de sábado dentro do castelo, ele não queria falar mais alto. Era como se fosse algo só deles.
-Ele está bem, não está? – ela franziu a sobrancelha preocupada – Ele me pareceu melhor, apesar de tudo. Por acaso ele disse algo para você que...
-Não, não é isso, mione. – ele sorriu e ela respirou aliviada – Ele está conformado em não ficar perto do padrinho. De aquele rato imundo ter fugido. Eu estava era pensando na injustiça disso tudo. Porque Harry tem que sofrer tanto enquanto...
-Enquanto o que, Ron?
-A minha vida é tão simples, Hermione. Eu tenho uma família, irmãos, nós não temos muito dinheiro, mas é só. Não é algo que seja terrível, nem nada. Mas o Harry...
-Eu sei o que quer dizer. Às vezes me sinto tão mal em reclamar da vida...Parece tão vazio. – ela suspirou.
-Veja esse ano, quais os problemas que nos tivemos? De verdade? Que não envolvesse o Harry?
-Bem. Você me infernizou a vida por causa do Bichento... – ela sorriu sem jeito.
-Mas não é propriamente uma tragédia, é? – ele provocou.
-É, quando seu amigo briga com você a cada cinco segundos, por motivos bobos!
-Porque a gente faz isso? – perguntou Ron com expressão de quem não compreendeu. –A gente não era assim, era?
-Acho que sempre fomos...Mas não era tão...
-Freqüente?
-É. Isso mesmo, Ron. Freqüente. – baixou os olhos.
-Eu até estranhei que me ajudasse nas lições. Quero dizer...é meio obvio que você já fez as suas, Hermione...
-Ah, bem... – ela avermelhou e não soube para onde olhar – Eu...Achei que precisasse de ajuda e...
-E?
-Ah, Ron! – ela disse perdendo a compostura e a pose – Eu não queria que se afastasse de mim!
-E porque eu faria isso??? – ele pareceu horrorizado com a idéia.
-Estamos crescendo e brigando cada vez mais...e...bem...as vezes parece que eu dou mais atenção ao Harry que a você...
-Eu sei que você da mais atenção pro Harry. – ele disse seguro de si – Assim como Ginny dá mais atenção a você do que a mim. E eu dou mais atenção ao Harry que a vocês duas – ele riu quando viu sua cara indignada – Harry precisa mais de você, Mione, do que eu. Isso não quer dizer que eu não vá reclamar ou ficar chateado. Mas eu sei como é. Ano passado eu tinha planejado ficar em cima da Ginny. Era o primeiro ano dela aqui e eu sabia que ela precisaria de mim. Mas o que aconteceu? Ela virou melhor amiga, da minha melhor amiga. Isso é meio frustrante porque eu deixo de ser o alvo de atenção das duas. Mas não é algo ruim. Seria se eu fosse um egoísta.
-Tá... –ela avermelhou – Eu sei de tudo isso. Mas talvez eu...bem...talvez eu não queira compensar você, talvez eu queira me compensar. Dá para entender? É meio estranho.
-É estranho, mesmo! – ele riu da sua cara de brava. – Garotas são estranhas!
-Ron! – ela protestou ficando com falca raiva – Não dá para conversar com você quando está assim, impossível!
-E como eu não estaria assim? Hermione! Minha melhor amiga, a sabe tudo de Hogwarts, está perdendo uma manha inteirinha só para ficar perto de mim! Isso me deixa contente!
-É? – sem saber porque ela avermelhou.
Tinha um curto espaço entre eles, sentados frente a frente no chão, entre cadernos e penas, sem contar os livros. De repente seus olhos pareceram se encontrar pela primeira vez e ficarem ali, sem permissão para se afastarem.
-É sim.
Foi um curto dialogo. Eles não sabiam muito o que falar. Era novo para os dois. Meio instintivo talvez. Seus corpos se aproximaram bem de vagar e suavemente suas bocas se encontraram.
Foi um selinho muito rápido e suave. Ambos se afastaram de olhos arregalados.
-Oh, o que foi isso? – ela exclamou sem saber para onde olhar?
-E-Eu..Eu não sei. – ele embaralhou-se todo com os pergaminhos a sua volta e quase derrubou o tinteiro de tinta e a pena no tapete da sala – M-Me desculpe, Mione...isso..bem...eu não devia, você sabe...eu...
-Ron! – ela o fez parar de gaguejar e olhar para ela envergonhado – Você não fez nada errado. A gente...porque será que a gente fez isso? – ela perguntou séria.
-Eu não sei. Eu...quis fazer mas não sabia que estava fazendo até ter terminado.... – ele disse tenso.
-Eu também... – ela sorriu muito tímida e perguntou – Ron...foi seu primeiro beijo?
-Foi....
-O meu também...
-Acho que é normal não é? Beijar alguém..
-Normal é, ron! É claro que é! – ela disse tentando conter a indignação – O problema é...porque aconteceu com a gente?
-Porque a gente quis?
-Sim...mas eu não queria isso com o Harry, ou o Neville, ou...Eu nem pensava nisso, ron!
-Nem eu! Quero dizer...pensar eu pensava...mas não achei que seria agora e nem aqui...
-Talvez... – ela falou como se doesse admitir isso – Você gosta de mim como amiga e eu também gosto de você assim. Mas e se...isso cresceu?
-Daí a gente não pode fazer nada, né? Só esperar para vê no que dá.
-Você...vai contar para alguém? – ela perguntou meio apavorada.
-Não sei. Você vai?
-Se você contar...eu também conto. – disse insegura, mordendo o lábio. – Ron...muita gente diria que a gente...bem...deveria namorar depois de um beijo.
-É. Eu estava pensando nisso também. – ele falou bastante aliviado nela ter abordado esse tema.
-Eu não sei se estou pronta para namorar. Quero dizer...a gente é muito novo...
-Minha mãe e meu pai namoraram desde os doze, Hermione. Casaram com dezesseis e o Gui nasceu quando tinha dezenove. Idade não é o problema.
-Então qual é o problema?
-Nenhum. É só a gente querer. – ele disse tentando não corar.
Ela ficou quieta, medindo a responsabilidade desse ato.
-E você quer? – ela perguntou tomada pela coragem.
-Quero. E você? – ele rebateu.
Ela não era muito boa em responder a perguntas desse tipo. Ficou totalmente sem jeito. Apenas concordou com a cabeça.
-Então a gente está namorando. – ele concluiu com um sorriso no rosto.
Ela tentou não se irritar com esse sorriso e acabou sorrindo também.
Eles voltaram aos deveres em silencio, parecia que aquela tensão que sempre os rodeava havia desaparecido. Era quase meio dia quando terminaram e se levantaram para almoçar.
-Vou guardar os livros lá em cima. – ela disse.
-Deixa que eu guardo com os meus. Depois tem aula mesmo.
Ela entregou os livros com expressão boba. Então era assim ter namorado.
-Tá bom. Eu te espero aqui.
Ele concordou, e antes de subir lascou um selinho nela, que pega de surpresa, ficou em estado de choque.
Ele não demorou muito. Só o tempo necessário para seu coração normalizar e suas mãos pararem de tremer. Nossa. Ele estava namorando Hermione. Não apenas a menina mais esperta da escola, mas a sua melhor amiga. E vejam, ele, justamente, ele, o Wesleyzinho pobre e sempre a sombra dos outros tinha uma namorada. E não qualquer uma. A menina eu ele secretamente queria e só descobrira agora.
Contrariando todas as perspectivas ele era um cara de sorte.
Desceu a escada ansioso para voltar a sala comunal. Hermione tinha sentado numa das poltronas e olhava para o tapete.
-tudo bem, Mione? - ela parecia triste.
-Sim. Esta tudo bem, Rony.
-Você está triste. Se você se arrependeu...eu...vou entender. –ele disse rápido, certo de que tanta sorte, só poderia dar nisso mesmo.
-Não! – ela levantou rápida – Não é nada disso! Ron, eu...demoro para me adaptar a coisas novas...e...estou feliz que tenhamos decidido isso. Estava apenas pensativa. – explicou – Estava lembrando da nossa amizade, desde que entramos aqui na escola. De nos três. – sorriu – você lembra?
-É claro que sim! – disse aliviado. – Vamos descer e almoçar?
-Vamos.
Ela estendeu a mão para ele, num convite.
Saíram pelo retrato da mulher gorda de mãos dadas. A figura do quadro arregalou os olhos de surpresa, mas teve a compostura de não tecer comentários.
Os corredores estavam praticamente vazios, provavelmente os outros alunos já estavam almoçando. Resolveram apurar o passo e pararam frente a porta do salão do refeitório.
-Tudo bem? – ele perguntou vendo que ela parecia mais pálida que o normal.
-Tudo ótimo. – ela respondeu com um sorriso de derreter geleira.
Mãos fortemente unidas, eles adentraram. Não era de se espantar que pouco a pouco virassem o alvo de todos os olhares.
Chegaram próximos a Harry e Neville, e nada discreto, Harry se afogou com seu suco de abóbora chamando ainda mais atenção para o fato deles dois estarem juntos.
-Hum...Oi, Harry. – Hermione disse meio sem graça, sentando entre ele e rony, que sentou a seu lado. Ficaram meio espremidos, mas não queriam se separar e dar a volta em toda a mesa era impensável naquele momento.
-Oi, Hermione. – Harry disse olhando de um para outro, com espanto – E aí, Rony, fez as lições?
Os dois coraram tanto que Harry quase sorriu, mas se conteve.
-Está tudo pronto...Nunca mais vou deixar os deveres atrasarem assim. Da muito mais trabalho.
-É. Dá mesmo.
Eles começaram a comer, e ocasionalmente notavam Harry olhando estranho para eles dois.
Agüentaram todos os olhares heroicamente até o meio do almoço quando Fred e Jorge apareceram para almoçar. Neville cochichou algo para Fred que imediatamente cochichou para Jorge. Ambos fizera, expressão de choque e surpresa.
-O que foi? – Rony perguntou mal encarado quando notou que os dois olhavam insistente para ele. – Nunca viram não?
-Oh, Fred, olhe para ele! Nosso menininho está crescendo! Já tem até uma namoradinha! – Jorge imitou a voz da mãe deles e pôs a mão no coração em falso sofrimento.
Hermione poderia mata-los se não estivesse tão envergonhada.
-E olhe, só, Jorge, que norinha doce e meiga... – estendeu o braço para acariciar os cabelos de Hermione, como se ela fosse uma criancinha. Ela quase rugiu para os dois, e ele se afastou com um solavanco - ...tão DÓCIL. – ironizou.
-o casal do ano. – completou Jorge.
Toda a mesa da grifinólia ria, incluindo Harry. As outras mesas também pareciam interessadas no assunto. Tanto que um menino da Corvinal, mais corajoso que os demais primeiralistas, comentou talvez mais alto que o previsto, o bastante para muita gente ouvir.
-Agora não é mais Harry Potter o menino que sobrevive. É Harry Potter o – segura-vela – que – sobreviveu..
Mais risos.
Hermione sabia que seria alvo de piadas e estava preparada, mas queria sumir dali.
-Não liguem, é só brincadeiras sem graça – disse Ginny, sentada ali perto, cortando um pedaço de carne. – Vocês estão namorando mesmo?
-Hum-Hum... – foi só o que Hermione conseguiu responder.
-Legal. Alem de amigas, seremos cunhadas. – Ginny que não era santinha, aproveitou para tirar o seu sarro particular.
Hermione ficou indignada.
-Porque todo mundo está curtindo com a nossa cara? – sussurrou Rony para ela – Não é o fim do mundo!
Esse sussurro fez Harry rir de novo.
-O que foi, Harry? Porque esta achando graça??? – Hermione ficou furiosa e bastante ofendida.
-Desculpe. É que..,é...bem...
-O que??? – ela segurava a faca como se fosse realmente usa-la contra alguém.
-A cara de vocês. Parece que estava sendo torturados em publico.
-Todo mundo esta fazendo piadas, se não notou – Rony disse indignado – Como se fosse o fim do mundo!
-É só sarro, rony. – disse Ginny entendida do assunto – Daqui a pouco todo mundo esquece. – riu – Ou não. Vai lá saber...
-Obrigada. Valeu a força, Ginny – ironizou Hermione.
-Vocês não vão ficar...o tempo todo se agarrado, vão? – perguntou Harry – Preciso saber para me defender.
Mais risos. Ela bufou indignada e Rony corou.
-Ah, vamos deixar o casalzinho do ano, em paz. – disse Fred – Eles já vão ter bastante entertimento quando a mamãe souber disso.
-Porque? Sua mãe não vai aprovar? – Hermione ficou horrorizada. Ela gostava muito de toda a família, e imaginava que fosse recíproco.
-A mamãe sempre odeia as namoradas dos meus irmãos. – disse Ginny – Não importa o quanto elas sejam boas, nunca são boas o bastante para a mamãe aprovar. Ela morre de ciúmes dos meninos.
-Ótimo. – ela sussurrou, amarga. – era só o que faltava.
-Não se preocupe, Hermione. – disse um Neville bem mais conciliador. Ela quase ficou agradecida pelo tato dele – do jeito que vocês dois brigam , nem vai dar tempo dela ficar sabendo do namoro.
Mais risos.
-Ótimo. – resmungou Rony – Vamos se chacota de todo mundo para o resto da vida. Algo poderia ser melhor que isso???
Hermione sorriu maquiavélica e cochichou algo em seu ouvido. Rony sorriu da idéia e ela também.
-O que foi? – Harry ficou curioso na hora.
-Nada. – Hermione baixou as mãos para baixo da mesa e moveu os lábios sem dizer palavras. Feitiço sem voz.
Momentos depois ela e rony começaram a rir. Pouco a pouco todas as mesas notaram e começaram a rir.
-O que aconteceu?- Harry olhou para uma assustada Ginny e leu a palavra “ENCALHADA” escrita em enormes letras pretas na testa dela. O mesmo havia em Neville, nos gêmeos.
Ele pôs a mão na testa e não sentiu anda. Obviamente que eles não se vingariam dele. Ou vingariam???
Usando o copo da água como espelho ele se olhou e ficou horrorizado.
-Hermione! Tire isso da minha testa!
-Não! Isso só vai sair quando pararem de fazer piadas de nos dois! – disse tentando ficar séria. Mas era impossível.
Na grande mesa, os professores notaram todo o alvoroço e Alvo Dumbledore ergue-se um pouco para ver o que fazia Harry Potter esfregar sua testa com tanto desespero.
Ao ler a grande palavra “encalhado” ficou aliviado.
A seu lado Minerva ficou irritadíssima com a brincadeira , mas ele gargalhou e fez com que todos que não houvesse notado vissem.
Vingados, Rony e Hermione saíram da mesa de mãos dadas, para buscarem seus matérias para a próxima aula. Harry foi atrás, inconsolável ,tentando cobrir com a franja aquela palavra indesejadas e se escondendo sempre que uma menina passava por ele.
Mais a frente, Rony e Hermione sorriam um para o outro. Era um começo para os dois, e quem sabe, como os pais de Rony, eles também tivessem uma vida juntos.
Do futuro eles nada sabiam, mais o que o presente os oferecia era o bastante para deixa-los com o coração leve e prontos para o que viesse. Mesmo que antes tivessem que correr de um irritado Harry, que ameaçava azara-los se não desfizessem o feitiço.

FIM

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