POV HERMIONE
No dia seguinte, acordei um pouco tarde por ficar me remoendo de madrugada para não ler o dário do dono misterioso. Quando o ônibus chegou eu estava colocando minhas coisas de qualquer jeito na minha bolsa por estar atrasada.
- Filha, o ônibus já está esperando.
- Eu sei, pai. Já estou indo - disse me despedindo dos meus pais e saindo para o ônibus.
Quando entrei, dei um leve acenar para Harry e pendurei minha mochila no banco. Após um tempo, Ron e Gina entraram. Ron deu um sorriso fraco e eu mexi minha cabeça nervosamente.
- Fala, vadia - disse Gina me cumprimentando.
- Já falei que não gosto desses seus apelidos? - disse meio que sorrindo.
- Sim, mas eu não me importo.
- E você se importa com alguma coisa, Ginevra?
- Não, mas eu não me importo - Ela disse sorrindo. - E aí, recuperou o tempo perdido com seu querido diário? Escreveu muito sobre - agora ela abaixou a voz - sobre o meu irmão?
- Ah Gina, não enche - disse tristemente - Na verdade você não vai acreditar no que aconteceu.
- Então me explique.
- Tudo bem. Eu cheguei em casa e... - comecei a falar mas fui interrompida pela chegada inesperada de Harry.
- Hãn.. Olá meninas como vão? - ele começou a falar rapidamente e sem parar - Vocês gostaram daquela prova de física? Estava péssima e... - Ele parecia estar nervoso e nós começamos a virar a cabeça para trás, pois ouvimos um barulho - ...e eu não sei se fui bem e... - ele disse mas nós estávamos virando a cabeça de novo por causa do barulho. Mas de repente ele fez algo inesperado - ...e GINA, VOCÊ QUER IR AO BAILE COMIGO? - ele realmente gritou e todos olharam para os dois. Eu abri um pequeno sorriso.
- Eu.. claro! - Ela estava muito feliz.
- Tudo bem, te pego às nove - ele disse dando um beijinho nela. Perto demais da boca. Dei um sorriso de eu te disse.
Quando Harry saiu eu não resisti:
- Então....eu sabia!
- Ah se ele não convidasse, eu convidava! Eu te falei! - Ela disse de uma maneira tão feliz que eu não via à algum tempo. Então o ônibus estacionou e nós descemos.
Eu ia contar para Gina o ocorrido do diário quando chegássemos à sala, mas todos os professores que tivemos aula são muito rigorosos e não pudemos trocar uma palavra sequer antes do almoço. Quando ouvi a sirene indicando que podiamos ir, peguei o diário da bolsa e me dirigi à uma mesa onde só eu e Gina estávamos.
Antes que começasse a falar, a curiosidade me venceu e eu abri o diário. Mas o que eu vi era totalmente familiar. Aquele era o meu diário. Sem dúvidas!
- Impossível! - Eu disse.
- O quê? - Gina disse ocupada demais com sua comida e mal prestando atenção em mim.
- Meu diário...err... não era ele que nós pegamos ontem. Era parecido com ele, eu vi quando cheguei em casa. E agora é ele de novo.
- Vai ver você se enganou ué - ela disse dando de ombros.
- É, talvez. - Eu disse olhando sugestivamente para a mesa de Ron e logo depois para ele. Ele tinha um diário idêntico ao meu na mão e depois afastou o olhar. Eu não entendi muito bem.
O resto da semana passou normalmente e, estranhamente, Ron começou a falar muito mais comigo quando me via. No começo eu e ele estávamos meio tímidos, mas depois até nos acostumamos com a companhia frequente um do outro. Todas as vezes que Gina nos via conversando a sós, ela dava alguns sorrisinhos perversos. Ninguém tocou no assunto do diário.
Quando sábado chegou, meus pais iriam jantar à noite, pois eu e Gina iríamos fazer compras para o baile. Quando eram umas duas horas ela ligou cancelando.
- Porquê, Gina?
- Bem, a mamãe não gostou muito de receber uma ligação do diretor Dumbledore por eu ter colocado pó-de-mico na roupa de educação física da Lavender, então...Bem, ela não deixou eu ir.
- Mas, Gina, os meus pais fizeram uma reserva em um restaurante caríssimo às sete horas pois achavam que eu não voltaria tão cedo para casa.
- Então fica só em casa. Você sabe que os castigos de Molly Weasley envolvem prisão domiciliar. Eu não poderia ir para sua casa.
- Mas o que eu faço então? Meus pais não deixam eu ficar só em casa, tem medo de assaltantes ou algo do tipo. E eu também não quero estragar a noite deles.
- Eu não sei o que fazer, me dá um tempo para pensar - ela disse logo antes de se despedir e desligar o telefone.
- Filha, tudo certo para hoje? - Minha mãe perguntou um pouco mais tarde.
- Não mamãe. Gina está de castigo e não vai poder vir para cá.
- Ah então nós cancelamos o jantar e marcamos para outro dia e...
- Não, mãe. Sem essa. Eu não vou estragar a noite de vocês.
- Mas Hermione você sabe que...
- Sim, mãe, eu sei. Gina disse que vai arranjar uma saída. Olha ela está ligando. - disse apontando para meu celular.
- Oi, Gina.
- Já está tudo resolvido. Eu vou mandar uma babá.
- O quê? Uma babá? - exclamei.
- Sim. E é surpresa! Manda um beijo pros seus pais por mim. Tchau!
- Gina espera! Eu... - começei a dizer mas só ouvi o som indicando que ela tinha desligado o telefone.
- E então? - Minha mãe perguntou.
- Ela disse algo sobre mandar uma babá, eu não entendi direito. Aquela garota é doi...
- Não ouse chamá-la assim mocinha. Ter se tornado amiga de Gina foi uma das melhores coisas que você já fez. Você sabe que confio totalmente nela.
- Isso que dá ser um anjinho na frente da mãe da melhor amiga - resmunguei baixinho.
- O quê? - perguntou minha mãe confusa.
- Nada não.
- Então está tudo certo? - ela disse.
- Está. - Disse reunindo coragem suficiente para confiar um pouco naquela doida.
Ás cinco e meia ouvi meus pais no andar de baixo:
- Filha, já vamos - disse meu pai.
- Comporte-se, querida. E seja educada com quem quer que Gina mande para cá.
- Tudo bem, mãe. Bom jantar pra vocês.
- Obrigada filha. - disse meu pai enquanto fechava a porta.
Eu tinha meia hora para me arrumar até que a suposta babá chegasse. Pensei que Gina tivesse ligado para Luna, mas depois de refletir melhor, tenho certeza que ela usou toda a sua criatividade malévola e mandou a pessoa que eu ficaria mais nervosa com a companhia sozinha em casa em todo o mundo.
Tomei banho e me certifiquei de passar um perfume que não ficasse tão ousado, mas que não fosse tão calminho. Verifiquei se tudo estava no lugar e se minha roupa estava adequada. Tudo certo.
As seis horas em ponto, a sinistra campainha tocou. Respirei fundo algumas vezes antes de abrir a porta e de confirmar minhas suspeitas: Ron. Ele estava vestido e se portando de uma forma tão leve, casual, e um tanto quase imperceptível nervosa que acabei até me acalmando na medida do possível.
- Olá - ele disse com alguns livros nas mãos - Bem... a Gina furou com você e eu pensei que pudesse vir "cubrir" e aproveitar para cobrar aquele reforço em matemática que você me prometeu. - Ele disse com aquele sorriso de canto que me cativou.
- Ah, claro. Entre. - disse com um tom entre ansiedade e nervosismo.
Ele entrou e eu fechei a porta. Não é tão fácil agir normalmente quando o garoto que você é apaixonada está bem na sua frente enquanto vocês estão sozinhos em uma casa fechada.
- Vou pegar meus livros. Pode sentar no sofá enquanto eu vou lá.
- Tudo bem.
Subi as escadas e peguei os livros. Respirei profundamente e voltei para a sala. Para minha surpresa, Ron não estava sentado no sofá: Ele estava com o pescoço arqueado enquanto olhava algumas fotos numa estante. Quando percebeu minha presença ele falou:
- Você era uma criança linda.
- Obrigada - disse sabendo que estava um pouco corada.
- Não que você não seja mais. Acho que a passagem de alguns anos fizeram muito bem para você. Te deixaram, se isso for possível, ainda mais adorável.
- Você está me deixando sem jeito - disse mandando às favas as boas maneiras e dando uma risadinha nervosa que ele logo acompanhou.
- Só estou falando a verdade - disse tentando mudar um pouco de assunto - Então... vamos às matrizes*? - disse com um sorriso que me derreteu.
- Matrizes. - Eu confirmei acompanhando o sorriso.
Algumas horas depois estavamos debruçados sobre a mesa de jantar com folhas que continham inúmeros cálculos.
- Então eu só precisava somar número por número da matriz transposta*? - ele disse com uma expressão de quem descobriu algo.
- Exatamente - eu disse sorrindo. Acho que estou fazendo isso demais ultimamente.
- Você é realmente brilhante, Hermione. Conseguiu fazer o que nenhum professor de metemática conseguiu em éons: Me fazer aprender esse assunto.
- É fácil quando o aluno é esforçado.
- E é fácil quando a professora é tão atenciosa e perfeita.
Dei um sorriso. É praticamente a unica coisa que consigo fazer quando ele é tão gentil e me elogia tanto.
- Vem cá, eu deixei alguns macetes sobre alguns assuntos que nós estudamos em alguma gaveta ali. Me ajuda a procurar. - disse me levantando. Ele fez o mesmo.
Quando estávamos passando pelo tapete da sala, eu acabei escorregando. Ron me segurou antes que caísse no chão, mas isso resultou em uma queda dupla, mas sem dor.
Rimos histericamente. Acho que nunca ri tanto em minha vida, nem mesmo em minhas travessuras com Gina. Já estavamos vermelhos e com a respiração ofegante, quando fomos diminuindo devagar o ritmo de nossas risadas. Quando elas finalmente cessaram, percebemos a posição constrangedora em que estávamos: eu estava levemente deitada no chão enquanto Ron ainda segurava em minha cintura por tentar me proteger da queda enquanto estava levemente curvado em minha direção.
Ficamos totalmente sérios. Ele foi se aproximando do meu rosto. Tirou uma mexa do meu cabelo que estava cobrindo meus olhos. Chegou mais perto. Sussurrou:
- Hermione, você não faz ideia do quanto eu... - ele disse tão próximo de mim quanto poucos já estiveram - ... eu relmente tenho que te dizer que....
DING DONG!
A campainha soou. Demos um pulo e olhamos um para o rosto do outro. Eu não acredito! Nosso primeiro beijo foi interrompido por um entregador de pizza! Meu primeiro beijo com o cara que eu amo! Que raiva! E o pior de tudo é que eu não sabia se ia conseguir olhar para o rosto dele de novo. Eu não tinha beijado muitos garotos. Somente dois, na verdade. Era normal ficar nervosa.
- A pizza - eu disse finalmente - vou atender.
- Aqui está - disse o entregador me passando a pizza depois que eu atendi à porta e o paguei. - Tenha uma boa noite.
Depois do quase beijo fiquei totalmente sem graça perto do Ron. Desviei o assunto e disse que estava com muita fome e fui para a cozinha servir a pizza. Demoramos quase um século para terminar de comer e depois levei os pratos para a pia. Quando voltei, tentei achar alguma coisa para ocupar o tempo para que não falássemos sobre o que quase aconteceu.
- Você pode esperar um poquinho enquanto deixo meus livros no meu quarto? - disse como a única opção que pude encontrar.
- Na verdade... - ele começou - Acho melhor não. Senta aqui do meu lado. Eu realmente preciso falar com você sobre o que ia acontecer antes do entregador de pizza chegar.
- Tudo bem - disse rendida.
- Hermione - ele disse com um olhar que eu achei muito, muito fofo - Já faz um tempo que eu estou tentando me expressar, mas não consigo e a minha timidez atrapalha. Mas eu decidi que vou superar tudo isso. Só para te dizer que... - Ele ia dizendo, mas foi interrompido por um barulho de chave rodando na porta.
Ficamos em pé rapidamente, justamente na hora em que meus pais apareceram na porta.
- Olá filha. Você é... - começou meu pai com um olhar desconfiado.
- Ronald Weasley, senhor. Sou amigo de Hermione e irmão de Gina. Vim a pedido dela e não pude perder a chance de passar um tempo com Hermione. Espero não ter atrapalhado em nada - Ron disse corajosamente para meu pai. Preciso dizer que quase morro por causa da forma que ele disse para meu pai que gostava de estar perto de mim?
- Entendo... - disse meu pai - E quais são as suas intenções com a minha filha, Ronald?
- Pai! - disse com muita vergonha - Ron é meu amigo!
- Mas filha, eu... - ele começou mas Ron o interrompeu educadamente.
- As melhores senhor. Faria de tudo pela Hermione.
- Deixe-os, querido. Ele é um Weasley. E pela amostra de quão boa Gina é, não posso duvidar que Ronald também seja.
- Tudo bem.
- Err... desculpe a falta de educação Sr. e Sra. Granger, mas tinha ligado para meu irmão vir me buscar e ele já deve estar chegando. Então acho que já vou indo.
- Não se preocupe, querido - disse minha mãe - nós entendemos. Hermione, seja educada e leve-o à porta.
- Tudo bem, mãe.
- Tchau Sr. e Sra. Granger. Foi um prazer conhecê-los.
- O prazer foi nosso.
Depois disso levei Ron á parte da frente da casa e fechei a porta.
- Seus pais são muito gentis - Ele disse.
- Sim... e praticamente te fizeram um interrogatório - disse sarcasticamente.
- Nada que eu não esperasse quando se tratasse de você. Seus pais só querem te proteger e pensam no melhor para você. Além do mais, sempre sonhei em ser interrogado pelo pai da garota que mais gosto nesse mundo.
- Ron...
- Shiii... Não fala nada. - ele disse roucamente enquanto se aproximava mais de mim - meu irmão está dobrando a esquina. Posso contar com você no meu aniversário, daqui a algumas semanas? Estou perguntando logo porque sua presença é ilustre. Todos te adoram lá em casa.
- Claro - eu disse um pouco atordoada.
O irmão dele estava quase chegando.
- Nós conversamos melhor na escola segunda, pode ser? - ele disse.
- Claro - completei.
- Posso pedir um abraço? - ele disse com um sorriso e logo depois me abraçando. Nunca pensei que senti-lo tão perto de mim fosse tão bom e aconchegante quanto é.
- Tchau - ele disse por fim depositando um beijo muito perto da minha boca.
Quando ele saiu, entrei em casa e fui direto para meu quarto. Me encostei na porta e fui descendo até ficar sentada no chão. Estava com o sorriso mais bobo da história dos sorrisos bobos.
Depois de um tempo, continuei morgando em minha cama, quando ouvi alguem batendo em minha porta.
- Pode entrar.
- Filha, - minha mãe disse - não quer me contar nada do que aconteceu hoje? - ela completou com um sorriso.
- Nada mãe. Nada que dois amigos normais não façam - disse mas dei um sorrisinho.
- Amigo... sei - ela disse piscando um olho.
- É mãe... na verdade não aconteceu nada do que você está pensando.
- E eu posso perguntar porque?
- Ah mãe.... eu já gosto dele á um tempão - disse de uma vez pois gostava de contar as coisas para minha mãe - e agora que nós nos aproximamos... parece perfeito. Mas toda vez que algo mais emocionante parecia ir acontecer, nós éramos interrompidos.
- Uma dessas vezes foi quando seu pai e eu chegamos?
- Bem... sim - admiti.
- Querida, desculpe-me! Não foi nossa intenção e...
- Não, mãe. Está tudo bem. Até porque as vezes eu me acho tão covarde que acho que nunca algo vai acontecer.
- Não fassa isso, Hermione! Se você gosta dele, invista nele! Esse é o melhor conselho que posso te dar!
- Tudo bem mãe. Ele disse para nós conversarmos na segunda feira. Vamos ver o que acontece.
- Só... seja você mesma, Hermione Ele não irá resistir. - disse minha mãe enquanto se retirava - Boa noite, durma bem.
- Tudo bem... e obrigada pela força, mãe.
- De nada, querida - ela disse enquanto fechava a porta.
Fui dormir refletindo sobre o que aconteceu e sobre o que minha mãe disse. Me acalmei bastante.
- Amanhã será um novo dia - falei comigo mesma antes de fechar os olhos e sonhar com manhãs ensolaradas e fios de cabelos ruivos tão próximos a mim.
________________________________________________________________
*Matriz: Uma materia de matematica
*Matriz transposta: Um tipo de matriz
N/A: UFA! Capítulo grande para meus padrões! Lana, Obrigada por fazer a capa. Obrigada também às outras leitoras que comentam, são a única forma de eu poder continuar. É isso!
Beijos,
Carla Granger Weasley