Lady Wilderness
Nem o melhor de ti me bastava.
Para mim era claro, simples de se ver
Que da minha pele unida à tua necessitava
Ou haveria de enlouquecer.
És a marca indolor para minh’alma,
A melodia débil que me acalma.
És a faísca incolor para minha chama,
A dona que dia após dia brota em minha cama.
És o meu amor e desamor, egoísta e narciso.
Oh, menina minha, não te demores,
Quero que meu corpo tu devores
E que me leves ao paraíso.
Permita que eu me deleite com teu rosto afogueado,
Como Eva com o fruto da Árvore do Conhecimento.
Como ela, eu caio no infortúnio eterno do pecado
E não sei se o desfruto ou se me lamento.
Na visão tua o deslumbramento, o embaço,
Passo ante passo.
Corações latendo em descompasso,
Esperando pelo torpe abraço.
E lá se foi o desembaraço!
Estou a desvendar teus mistérios mais recônditos,
Deixando a dose de Firewhisky borrar o carpete imundo
E o torpor do álcool
Para provar da pele de teu colo rubicundo.
O gosto da bebida âmbar em minha boca
Pouco parecia te incomodar,
Quando ao suor da pele de teu pescoço
Tinha o lúdico prazer de se misturar.
Precipite-se contra mim como margarida de pétalas tenras,
Com seu néctar diáfano que sabe ao doce mel.
É quando as línguas se facilmente se descobrem
E estremecem os alicerces da minha Torre de Babel.
És a dama, a feiticeira,
Que me cobiça e me acalora.
Em minha vida não a primeira,
Mas que a mim se achega em boa hora.
Roupas em desalinho e pensamentos petrificados,
O congelar da própria fala, que não mente, mas se cala.
Atos falam mais que palavras.
Amantes mudos.
Teu olhar e tuas mãos em minhas costas dizem tudo.
O teu mesmo vestido ousado,
Vermelho como o batom em teus lábios avantajados,
Junto ao sutiã a adornar tuas níveas pomas,
Logo me empenho em retirar.
Mãos habilidosas conhecem o caminho,
Do jardim de rosas repletas de espinhos
Que jamais haverão de me ferir,
Até o fastígio de prazer que há de vir.
Derrame em meus ouvidos
Palavras pouco refinadas,
A esquivarem-se do pudor, deliberadas,
Em compartilhados delírios irrefletidos.
Esqueça-se da despedida
Que sufoca e alucina.
Vou possuindo-te à surdina
Dessa noite incendida.
Os sussurros, sinais do teu desejo,
Entoados no encanto,
Substituindo aos prantos
De antes de provares dos meus beijos.
A paixão ardente, o desejo ígneo
Trescalam a essência que de ti dimana.
És a inocência deixada para trás,
Os desleixos, as vicissitudes humanas.
Sou teu amante, mestre, teu instrutor,
Que te ensina como é amar sem pudor...
Nem cerimônias
Ou parcimônias.
... Mas com volúpia, destreza.
Em cima de uma mesa,
Que sustenta o corpo teu
Sob o meu.
Versos banalizados, estrofes decadentes,
Deste professor que não um das Belas Línguas.
A língua que eu bem conheço é apenas uma:
De músculo quente e vocabulário devasso, insipiente.
Não nasci para ser poeta,
Não nasci para amar-te,
Tampouco nasci para a arte.
Nasci para ser alma incompleta,
Nasci para em desgraça viver.
Quem me dera ter nascido apenas para provar-te
Desde a noite até o amanhecer.
Da cabeça aos pés...
Culpado sou, pelo tamanho descaramento
De descrever nos versos de uma falida poesia
Algo que transcende o ardor da paixão tardia.
E quando essas modestas rimas sem primazia,
Do coração meu em morosa paralisia,
Esgotarem-se junto ao fogo em mim,
Será o nosso...
Fim.
P.S. Wild (adj.), do inglês, tem ‘selvagem’ como tradução. Wilderness seria algo como selvageria ou selva, no sentido mais cru da expressão. Também pode significar ‘imensidão’ ou ‘vastidão’.
PlayStation 2 P.S.² A ideia inicial para a poesia me veio, acreditem, ao ler algumas de Augusto dos Anjos. Inclusive através dessa leitura que aprendi algumas das palavras que utilizei no texto, que antes eram até de significado obscuro para mim há algum tempo atrás :B
P.S.³ Eu NUNCA escrevi algo desse tipo, então não me matem se tiver ficado péssimo. E, como devem perceber no decorrer da leitura, o poema é com POV do Severus.