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2. Escolhas


Fic: Os Oito Predestinados


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Capitulo 2 - Escolhas


 


 


 


 Harry e Rony despertaram sentindo-se tontos, estavam deitados com os rostos para baixo, durante um bom tempo apenas ficaram prestando atenção no silêncio. Eles estavam completamente sozinhos. Ninguém os olhava. Não havia uma viva alma mais lá. Eles não tinham total certeza da presença de si mesmos e não lembravam-se exatamente do que tinha acontecido.


Um bom tempo depois, ou talvez tempo algum, perceberam que eles deviam existir, devia ser mais que pensamento sem corpo, porque estavam deitados, definitivamente estavam deitados sobre algo. Portanto, tinham uma sensação de toque, e a coisa sob a qual estavam deitados devia existir também.


Quase no instante em que chegaram a esta conclusão, Harry e Ronald se tornaram conscientes de sua nudez. Após um instante de total perplexidade recuperaram-se convencidos de sua solidão total, isto não os perturbou, mas os intrigaram ligeiramente. Eles imaginavam que, como podiam sentir, poderiam também ver. Ao abrí-los, descobriram que tinham olhos.


Após abrirem os olhos perceberam que estavam deitados numa névoa clara, embora não fosse como qualquer outra névoa a qual tivessem visto. O ambiente ao redor não estava coberto pelo vapor, aliás, o ambiente ao redor era formado pelo vapor. O chão em que eles deitavam parecia ser branco, nem quente nem frio, mas simplesmente estava lá, algo branco e achatado.


Eles se sentaram. Seus corpos pareciam ilesos, mas estavam completamente amortecidos. Eles tocaram em sua própria face. Não estavam mais como eram antes.


Então um barulho chegou até eles através do nada que os cercavam: perceberam quase no mesmo instante que era o barulho de água, um rio para ser mais específico, podiam ouvir o barulho da corrente de água. Virando-se para o outro lado perceberam ao longe um imenso rio, que eles não notaram antes, talvez devido a suas desorientações.


Olhando melhor Harry e Ronald perceberam que não era apenas um rio, mas havia várias correntes de água, que pareciam levar a lugares diferentes. Estavam muito ao longe, mas os dois amigos perceberam figuras indistintas próximas aos rios, pareciam sombras ou vultos.


Pela primeira vez, desejaram estarem vestidos.


Seus desejos mal se formaram em suas cabeças quando vestes apareceram numa curta distância. Passada a surpresa inicial, eles as pegaram e vestiram: elas eram macias, limpas e quentes. Foi extraordinário como elas apareceram, simples assim, no momento em que eles as quiseram...


Levantando-se olharam novamente ao redor com algumas perguntas martelando em suas cabeças. Será que eles estavam em uma grande Sala Precisa? E o que demônios havia acontecido? Quanto mais eles olhavam ao redor, mais detalhes apreciam para verem. Não havia teto no local, apenas um imenso vazio, que parecia infinito na escuridão. Talvez fosse um campo. Tudo estava silencioso e parado, exceto pelos barulhos das correntezas que ficavam cada vez mais fortes.


De repente uma vontade louca de saber o que estavam fazendo num lugar como aquele se fez presente na mente de Harry e de Ronald, queriam entender o que acontecera. Será que tinham morrido? O pensamento os assombrou de tal forma que eles sentiram a súbita necessidade da resposta.


Eles apressaram-se e começaram a caminhar de maneira rápida e decidida em direção as sombras que estavam ao longe. Quando estavam próximos puderam perceber que realmente eram sombras que embarcavam numa espécie de barco de aparência miserável, era de madeira de aparência apodrecida e que não inspirava nem um pouco de confiança, parecia ser grande o bastante para apenas seis pessoas embarcarem nele. O barco mal se sustentava nas agitadas águas esverdeadas, não se podia ver as profundezas do rio, pois eram escuras e sombrias como se escondessem segredos.


Na proa do velho barco estava um ser que mais parecia um cadáver, era tão magro que os ossos quase perfuravam a carne, o rosto encovado e os olhos negros saltando pelas órbitas, em sua face um sorriso que demonstrava alguma espécie de alga verde entre os dentes, não havia um fio de cabelo em sua cabeça e mal se cobria com pedaços de pano que pareciam ser de um velho short podre.


A surpresa deixou os dois paralisados, que tipo de lugar era aquele? O que eram aquelas sombras e aquele ser estranho que mais parecia a descrição da morte? As perguntas voltavam com força a mente dos dois amigos. Foi então que eles perceberam um movimento com o canto de seus olhos. Virando-se rapidamente, viram-nos.


Um homem e uma mulher caminhavam em suas direções lado a lado, não, eles corrigiram, não pareciam um simples homem e uma simples mulher. O poder irradiava de ambos, se eles acreditassem poderiam dizer que estavam na presença de dois deuses, pensaram com sarcasmo.


A mulher possuía cabelos da cor do ouro, que brilhavam com a aura prateada que a rodeava, os olhos prateados de um tom nebuloso pareciam que podiam ver alem de tudo e de todos, aparentava ter vinte anos, a pele tão alva que emanava um leve brilho, ela parecia sorrir enquanto caminhava em suas direções.


Ao lado da loira, um homem de cabelos loiros platinados que lhe chegavam aos ombros, os olhos prateados como o frio do aço, sua pele era tão branca quanto à neve, como se não visse o sol há muito tempo. Também aparentava não ter mais que vinte anos. Uma aura azul arroxeada e praticamente sem vida o circulava, o que causou arrepios na espinha de Harry e Ronald.


Eram perigosos, foi o que pensaram um instante antes dos estranhos seres pararem a cerca de dois metros deles, o homem os olhava com os olhos frios como o aço e uma expressão séria, a mulher tinha um ar mais amigável e parecia sorrir para eles, mas também aparentava seriedade.


- Quem são vocês? - Perguntou Harry calmamente, escondendo todo o receio que sentia. Era uma das grandes habilidades que ele havia aprendido em seu treinamento, Snape fora ótimo nesse aspecto, apesar do caráter sombrio.


- O que vocês querem com á gente?- perguntou Rony.


- Sou Baha. - Respondeu a mulher, o tom de voz era longínquo como se ela falasse de um lugar muito distante, mas mesmo assim era bela e continha sabedoria.


- Sou Hades. – o homem disse, a voz era tão fria quanto eles imaginavam e sua expressão parecia avaliativa.


- O que querem? - Perguntou o moreno.


- Lhes oferecer uma oportunidade que nenhum mortal jamais recebeu. - Falou Baha se aproximando, eles notaram que ela era alguns centímetros mais baixa que eles.


- Só se vocês forem deuses. - Disse Rony calmamente achando aquilo uma droga, não sabia o que estava acontecendo, e não gostava disso.


- Como adivinhou? - perguntou Baha em tom divertido, chegando mais perto do ruivo. - Eu estou aqui para lhes oferecer uma nova vida. - Falou Baha em tom de voz profundo e poderoso.


Harry reparou que o homem era calado, falava pouco, apenas o necessário.


- Não procuramos uma nova vida. - Falou Harry, pausou um momento e então uma revelação surgiu em sua mente – Nós morremos, não foi?


- Sim. – Hades respondeu seco e direto.


O dois amigos forçaram a mente, tentando se lembrar de como acontecera suas mortes. Como um raio as imagens surgiram em suas mentes, rápidas e dolorosas. Lembraram-se do ataque que Voldemort empreendera contra o castelo, as lutas sangrentas que se seguiram, sua batalha com o Lorde das Trevas que perdurara por toda a noite, reviram os corpos de seus amigos, Luna toda ensangüentada, Neville pálido e frio estirado no chão, Gina fora praticamente esquartejada, e havia Draco e Hermione, ambos haviam sido torturados e mortos.


Novamente a dor de verem os amigos mortos voltaram com força, a impotência diante do inevitável, a desolação e o ódio, seguidos pela resignação e a apatia quando eles desistiram de lutarem e se entregaram a morte. O vazio deixado pela morte deles, Harry e Ronald sabiam que jamais teriam suportado viver num mundo sem os amigos.


Levantaram os olhos cheios de dor e desolação para os estranhos a sua frente. Quando falaram suas vozes estavam vazias e sem emoções, contrastando com o seus semblantes que se encontravam turbulentos pelas lembranças recentes.


- Acho que não quero mesmo uma nova vida. – falou Harry pausadamente, como se falar fosse doloroso.


- Eu também não quero uma nova vida sem minha família e tudo mais. -Falou Rony.


- Não há de vocês. - Disse Baha em tom profundo e sábio. - Harry Potter e Ronald Weasley, nós podemos trazer todos os seus amigos e conhecidos de volta, podemos fazer a última batalha de Hogwarts nunca ter ocorrido.


- Quem você pensa que é para brincar com uma coisa dessas? - Urrou Harry em fúria.


- É mesmo, vocês não podem fazer isso conosco. – gritou Rony.


A dor era grande, quem eles pensavam que eram para brincarem com a memória daqueles que eles amavam. Os seres pareceram não ligar para a repentina explosão dos garotos.


- Sou Baha, guardiã das eras, senhora do tempo! Eu sou a observadora do passado, presente e futuro. - Disse a mulher em tom firme e forte, o brilho dos olhos prateados parecia aumentar de intensidade. - Eu já vi diferentes futuros e passados, já observei o futuro de cada escolha que os humanos fizeram e vão fazer, vi centenas de mundos ruírem e caírem na escuridão das trevas como o de vocês e outros sendo criados. Eu posso mudar o passado e o futuro dos homens, mas nunca posso mudar o meu.


- Eu sou Hades! Sou o senhor dos mortos e do submundo!Sou o guardião da alma dos mortos. – o homem falou com sua voz fria e gelada como o aço, seus olhos tambem brilhavam com mais intensidade – Já vi milhões de almas passando por esse mesmo lugar para atravessar o rio Aqueronte.


- Deuses não existem. - Falou Harry. - E mesmo que existissem, eles não passariam de seres superficiais e cruéis que têm inveja de sua própria criação, divertindo-se enquanto a vêem se auto-destruindo.


- Você percebeu Harry eles são manipuladores querem tirar vantagem de nós em alguma coisa! – disse Rony.


- Vocês descreveram bem alguns deuses. - Falou Hades, sua voz soou mais fria, demonstrando que estava levemente ofendido. – Alguns deuses realmente são assim, mas isso não quer dizer que todos somos ruins.


- Você disse que as almas passam por esse lugar para atravessar o rio Aqueronte. – observou Harry após refletir sobre as palavras do tal Hades. Ainda não estava convencido de que eram realmente deuses. Hades concordou – Então me diga que lugar é esse.


- Ao contrário do que vocês pensam, eu não sou o deus da morte, mas sim do pós-morte. – Harry e Ronald ficaram levemente surpresos ao verem que ele percebera o que estavam pensando – Eu não sou inimigo da humanidade, como é o caso de Ares, deus da guerra. Esse lugar em que nos encontramos não possuí um nome próprio, cada um o descreve da maneira que achar melhor, é a entrada para o reino dos mortos. É aqui que todos os mortos, bons ou maus, chegam.


Harry e Rony ouviram aquilo quieto, então eles estavam no lugar para onde iam as almas dos mortos. Hades os observava, assim como Baha, não conseguiam ver o que aqueles mortais pensavam, era como se houvessem uma espécie de barreira ao redor deles, sabiam o que aquilo significava por isso os haviam escolhidos e decidido interferirem no destino dos humanos.


- Os mortos pegam a balsa de Caronte para atravessar o rio Aqueronte, também conhecido como rio das dores. Ele transporta os heróis. As crianças, os ricos e os pobres para o Hades, ou Mundo Inferior. Na outra margem do Aqueronte fica Cérbero, o cão de guarda de três cabeças do Hades. Ele é muito dócil e gentil com as almas que chegam, mas demonstra sua face violenta caso elas tentem fugir.


Harry e Ronald lembravam-se de ter lido algo sobre o mitológico Cérbero que guardaria os portões do Tártaro, um enorme cão selvagem que era mais forte que cem homens.


- O que acontece com os mortos após atravessarem o rio? – perguntou Rony, não sabia exatamente por que perguntara, mas queria saber.


- No Hades as almas são julgadas por três juizes, com responsabilidades específicas: Minos tem o voto decisivo, Éaco, julga as almas européias e Radamanthys, julga as almas asiáticas. Nem mesmo eu interfiro no julgamento deles, a não ser em algumas raras ocasiões. Quando um morto cai no Tártaro ele recebia uma punição específica. Os juízes não são deuses e sim mortos que devido à sua forte personalidade e seu senso de justiça tornaram-se juízes. Em algumas versões eu presido o tribunal dos mortos.


Harry e Ronald reconheciam vagamente algumas informações que eles leram na escola, mitologia era a matéria preferida dos dois. Lembravam-se da primeira vez que o professor de história citara algo sobre deuses em sua aula, foi como se uma chama se acendesse no interior dos dois amigos. No intervalo da aula eles foram á biblioteca e pediram um livro sobre o assunto, que eles levaram para casa. Fora a única coisa que realmente chamara suas atenções na aula deste professor. Voltaram á prestar atenção nas palavras de Hades ao perceberem que ele voltara a falar.


- O mundo inferior possuí um largo portão de bronze que é fechado por dentro, cercado por muralhas triplas que rodeiam todos os condenados, ninguém nunca conseguiu escalá-lo para fugir. Lá os mortos são julgados por diferentes deuses e juízes, existem apenas três caminhos para onde os mortos são enviados. O primeiro caminho leva a um lugar chamado de Campo, uma região de nevoeiros e de árvores assustadoras. É tambem conhecida como Planície dos Narcisos, para onde são mandados os mortos menos afortunados, não recebem nenhuma punição especial, a não ser a tristeza.


Harry viu Baha mexer-se de maneira desconfortável, como se não gostasse de ouvir o que Hades explicava aos dois.


- O segundo caminho leva aos Campos Elísios, é o que os humanos chamam de paraíso, onde estão às almas dos heróis, santos, poetas e outros. Nele corre o rio Estige (rio da imortalidade), é onde o sol brilha e existem cascatas de vinho, onde ninguém fica bêbado. Os mortos dos campos elísios podem voltar à Terra por um curto período de tempo, mas como sua nova vida é tão boa, raramente o fazem, mesmo por pouco tempo. – Harry e Rony ficavam cada vez mais interessados no que Hades falava, era como se estivessem hipnotizados – O terceiro caminho leva ao chamado Tártaro, possue um largo portão de bronze que é cautelosamente fechado por dentro. O Tártaro seria o inferno dos humanos, um lugar de penas, castigos e danação eterna, é reservado apenas as pessoas más ou aqueles que desafiaram os deuses. Os gritos de angústia ecoam nas altas muralhas triplas que rodeiam os condenados. É onde os Titãs, os antigos deuses que foram aprisionados por Zeus, por mim e por Poseidon. Estas três “prisões” são rodeadas por cinco rios, Aqueronte (o rio da dor), Cócito (lamento), Flegetonte (fogo), Lete (esquecimento) e Estige (ódio), que fazem a fronteira entre os mundos superiores e inferiores. – termimou o relato Hades.


Harry e Ronald ficaram imersos em pensamentos por alguns segundo até que a voz de Baha voltou a soar, surpreendendo Rony e Harry que se esqueceram dela.


- Já chega de perdermos tempo com coisas que não são importantes. – a voz dela soou levemente irritada – Vamos ao que interessa.


- Certo. – concordou Hades – Como Baha disse, nós podemos lhes oferecer uma nova vida, onde seus amigos ainda estão vivos, assim como seus pais também.


Os olhos de Harry brilharam de interesse quando Hades falou sobre os amigos e principalmente os pais, aos quais ele secretamente sempre desejara conhecer.


- Como assim, meus pais que foram mortos na guerra também vão voltar junto com os do Harry? - Perguntou o ruivo.


- É complicado explicar o complexo do contínuo de tempo e espaço e da morte para humanos. - Falou Baha com descaso. - Mas pensem bem vocês dois, para termos de trazer seus amigos e seus pais de volta, vocês terão de pagar um preço, talvez alto demais para vocês.


- Nenhum preço seria alto demais. – Falaram juntos Harry e Ronald, não importava quem eles fossem, eles jamais desperdiçariam a oportunidade de terem seus amigos e pais de volta.


- Nós teríamos de apagar suas existência desse mundo. - Falou Hades calmamente. – Desviaríamos a linha temporal onde seus pais não estavam em casa na hora em que você foi atacado pelo Lorde Negro e criaríamos uma nova zona temporal, algo parecido com uma nova dimensão. Nessa dimensão seus pais não morreram, Voldemort caiu, mas retornou durante seu primeiro ano na escola, ao roubar a pedra filosofal. Seus amigos também estariam vivos, vocês teriam seus pais e também você Potter teria uma irmã.


Harry estava com um olhar distante, como se apreciando o que eles ofereciam para ele e Rony, a chance de serem novamente felizes.


- Nesse novo mundo Voldemort voltou mais poderoso do que nunca, continuando seu reino de terror, ele conquistou vários países e está em uma guerra com o mundo que ainda é livre de sua influencia.


Harry e Ronald arregalaram os olhos incrédulos, Voldemort conquistou países inteiros, e esta ainda mais forte segundo ela. Como eles deteriam algo assim?


- Vocês podem detê-lo nesse mundo, podem impedir que ele vença dessa vez, terem a oportunidade de salvar seus amigos, afinal vocês conhecem melhor do que ninguém o jeito do Lorde pensar e agir, do que ele gosta de provar. - Disse Hades, sua voz saía fria e calma como se tentasse explicar uma coisa simples a uma criança.


- Mas como nós poderiamos vencer Voldemort se nesse mundo ele esta ainda mais forte? - Perguntou o ruivo confuso com tudo aquilo. Não sabiam se ficavam cheios de esperança ou se ficavam desolados pelos lados negativos e da derrota certa nesse novo mundo.


- Vocês estarão ligados a Voldemort da mesma maneira. - Falou Baha calmamente. – Como ele está mais forte vocês também estarão mais poderosos, poderiam lutar contra Voldemort, conseguir a vingança que vocês sempre desejaram reconstruir suas amizades com seus amigos e impedirem que a destruição se espalhe por todo o mundo como ocorreu em vosso mundo.


- E o que vai acontecer a dimensão em que nós morremos? - Perguntou o moreno confuso.


- Será totalmente obliterada, destruída, será apagada. Por isso dizemos que suas escolhas são sem volta. - Disse Hades, agora mais perto ainda dois amigos.


- Como eu sobrevivi ao ataque de Voldemort se minha mãe não se sacrificou para me dar a proteção? – perguntou Harry curioso.


- Você tem um poder oculto muito grande, seu potencial mágico é superior a de qualquer humano que já vi. Como ele o atacou quando ainda era uma criança inocente seus poderes agiram de maneira instintiva se defendendo e o protegendo. – vendo que o moreno de olhos verdes iria formular uma pergunta continuou – Sua mãe nunca precisou se sacrificar para salva-lo, mas como ela o fez da primeira vez seus poderes não se manifestaram uma vez que você já estava protegido.


- O que eu tenho á ver com tudo isso?- perguntou o ruivo para Baha.


- Você terá suas próprias batalhas e segredos á serem desvendados e tambem terá que cumprir o seu destino ao lado de seu melhor amigo que é combater as trevas.


- Quer dizer que nesse mundo nós já temos nossos poderes ativos desde pequenos? – perguntou Harry intrigado.


- Não. – respondeu Hades rindo levemente – Seus poderes apenas os defenderam, para desperta-los é necessário um treino intenso, ao qual vocês já realizaram antes de morrer, isso será o bastante para despertar uma grande parte de seus poderes ocultos.


- Grande parte? – disparou o ruivo em seguida.


- Sim, seus poderes adormecidos são grandes e será necessário muito treinamento para desperta-los completamente. – Baha respondeu calmamente. – Mas nesse mundo as coisas são um pouco diferentes do que vocês podem estar imaginando. – continuou Baha de maneira cautelosa.


Aquilo pareceu despertar a atenção dos dois, que viraram seus olhos para olhá-la com curiosidade e receio.


- Como assim? – perguntou cheio de suspeitas.


- Como explicamos, também haverão conseqüências, que podem ser dolorosas e grandes demais para vocês. – Hades disse.


- Nenhum preço seria grande o bastante para ter meus pais e amigos de volta. – respondeu Harry de maneira confiante. – Mas o que vocês ganhariam com isso? – perguntou Ronald novamente cauteloso.


- Estamos cansados de ver mundos destruídos por causa de loucos, queremos ver um destino feliz, sabemos que vocês poderão trazer esse final, afinal você é aquele que carrega o mundo em suas costas e você disse apontando para o ruivo está destinado ao mesmo destino de seu amigo, vocês sofreram e viram o lado ruim da vida, vocês compreendem o sofrimento e a alegria, vocês são uma espécie de líderes e podem guiar os humanos para o lado certo. Antes vocês não estavam preparados, achamos que vocês podem estar agora. Aceitem seus destinos escolhidos. – Baha completou suavemente.


- Aceito. - Harry respondeu sem pestanejar. As coisas podiam não ser como eram, mas seus pais e amigos estariam vivos e se certificaria que isso acontecesse.


- Eu também aceito. - Rony respondeu sem titubear na resposta, pois teria sua família e seus amigos de volta.


- Bom, faremos isso. - Disse a deusa. - Não se esqueçam que as coisas mudaram, pessoas que morreram talvez estejam vivas, outras não. Também nunca diga nada sobre de onde vocês realmente vieram apenas uma pessoa para cada um dos dois pode saber sobre isso, portanto escolham bem para quem compartilharão esse segredo.


- Vocês recomeçarão na época em que vocês e seus amigos estão para ingressar no sétimo ano, estudarão em Hogwarts, mas não se esqueçam que lá a guerra ainda continua e Hogwarts é solo intocável, mas vocês dois terão que ir a busca dos segredos que nem seus familiares sabem e muitas coisas além.


- Intocável? - Perguntou Harry curioso. – Quer dizer que os filhotes de comensais vão estar por lá?


- A escola será intocável, nenhum dos lados pode interferir nela. Alunos de todos os lados vão pra lá, de países conquistados por Voldemort e de países livres, que lutam contra Voldemort e outros tipos de pessoas que podem ajudar ou até ser aliada á outro tipo de perigo , usem isso ao seu favor e aproveitem. – Baha respondeu.


- Isso é um presente para ajudar em seus treinamentos. – Hades estendeu a Harry uma corrente totalmente negra e a Rony Baha deu uma corrente dourada, que os dois pegaram – Usem-na sempre, é um selo divino, usado para deter os poderes de um deus ou alguém muito poderoso. – Ele explicou.


- E o que eu vou fazer com ele se ele vai inibir minha magia? – perguntou Ronald confuso.


- Apenas a corrente é usado como selo, mas se ela for usada com estes pingentes, se tornarão algo completamente diferente. Apenas serão sugadas suas magias extras, a que vocês ganharão conforme forem evoluindo em seus treinamentos, sempre aumentando o nível de magia em seus corpos, é também uma espécie de treinador. Não podemos lhes dar conhecimentos, mas vocês precisam aprender a lutar com espadas e outras lutas corporais, enquanto usarem a corrente vocês aprenderão diariamente coisas novas e vocês terão que irem em busca de segredos que envolvem praticamente todos ao redor de vocês dois, as correntes darão suporte para começarem á busca pela verdade e conhecimento além de outras coisas.


Harry observou mais atentamente a corrente, percebeu que era de prata enegrecida como ele nunca havia visto, o pingente era uma cruz também negra, não era muito grande. Rony fez á mesma observação, mas sua corrente era de ouro e diamantes e o pingente era uma cruz feita de ouro e diamantes.


Harry e Ronald colocaram no pescoço e imediatamente uma energia diferente percorreu seus corpos, era como o sopro da morte ou como se o próprio Anjo vingador e o Anjo Elemental estivessem presentes.


Harry e Ronald olharam para Hades e Baha e perceberam que eles os olhavam assombrados e completamente surpresos. Não entenderam exatamente o porquê, mas sentiam-se mais forte, como se poderes ocultos e conhecimentos raros houvessem despertados.


Baha e Hades se recuperaram da surpresa de verem que os garotos possuíam almas divididas em seus sangues ancestrais. Eles se afastaram de Harry e Ronald, este os observaram baterem o que parecia ser palmas, de repente o ambiente ao redor desapareceu, não estavam mais as margens do rio Aqueronte, agora estavam em um lugar longínquo, o céu era estrelado e vermelho, ao redor milhares de imagens começaram a passar muito rapidamente, de maneira tão rápida que eles apenas perceberam poucas coisas, como a última batalha ou a época que seus pais morreram. Quando chegaram a essa parte, a imagem parou no ar, eles viram como se tivesse de fora de tudo. Os pais em uma casa aconchegante, sendo atacados pelo Lorde negro, então a imagem se despedaçou como vidro e as imagens recomeçaram uma após a outra serem destruídas, caindo como estrelas, lembranças foram perdidas e que só Harry Potter e Ronald saberiam que uma vez existiram. Por fim eles voltaram a ver o ataque a suas casa, mas dessa vez estava apenas eles e Voldemort, viu a luz verde irradiar e chocar-se em sua testa formando a cicatriz em forma de raio, em seguida uma aura negra o rodeou e devolveu a maldição a Voldemort que desapareceu em uma explosão que destruiu praticamente toda a casa, na Toca antes do ataque á casa de Harry Voldemort tentou matar Rony, mas também uma aura verde enegrecida o envolveu e o salvou da morte.


Então os dois amigos sentiram que estavam sendo sugados por uma espécie de portal que apareceu em frente dos dois, olharam chocados para Baha e Hades que os observavam com expressões serias e compenetradas, foi a última coisa que Harry e Ronald viram antes de mergulharem na escuridão do infinito.


Depois de alguns segundos de silêncio Baha falou com a voz enrouquecida.


- Você sentiu o mesmo que eu quando os garotos colocaram as correntes? – perguntou ela com um tom estranhamente leve.


- Sim. – respondeu Hades – Nunca imaginei que fosse voltar a vê-los, não depois de terem sido destruídos por Chronos naquela era negra que se abateu naquela dimensão oculta.


- A maioria de nós possuí descendentes humanos, por que eles também não possuiriam? – a voz de Baha voltou a ser sábia – Eu sabia que eles tinham algo oculto neles, só não imaginei que pudessem ser algo grandioso.


- Há mais. – disse Hades – Posso estar enganado, mas eles possuem algo ainda mais primitivo e oculto nas profundezas de suas almas.


- Acredita mesmo que cada um dos dois possa carregar mais de duas essências divinas? – perguntou a deusa espantada.


- Sim, eu realmente acredito. Agora pode me dizer por que escolheu justamente eles, se não sabia sobre todos esses poderes que eles encerram.


- Por alguma razão que eu não entendo não consigo ver o futuro deles, mesmo quando eles morreram seus destinos eram incertos e interligados. – respondeu Baha. Virando-se para Hades continuou com voz calma – Vamos observar e ver se realmente fizemos a escolha certa.


Baha desapareceu em seguida, mas Hades continuou por um momento observando ao longe, depois virou e também desapareceu. Iria observar os passos dos escolhidos, só desejava que eles não sofressem muito ao descobrirem como eram suas vidas nesse mundo.

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