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8. Capítulo VIII


Fic: O que vem depois do fim


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Eu já assumira meu lugar à mesa quando Ron trouxe o vinho que estivera gelando na geladeira desde que retornamos ao chalé após as compras realizadas pela manhã.


Tudo fora preparado com muito cuidado por mim após termos passado a tarde aconchegados na enorme cama da suíte do chalé. Assistimos a um bom filme enquanto chovia torrencialmente do lado de fora.


Ao final da tarde, nevara por conta de uma queda brusca de temperatura. E percebera que entre o momento em que saímos para as compras e a volta para o chalé a temperatura subira consideravelmente. Talvez isso tenha provocado a chuva.


Quando Ron finalmente sentou-se à mesa, o vinho já estava aberto e ele imediatamente pôs-se a servir as taças. Com a varinha, fiz com que fosse aceso o fogo sob a panela do fondue. Eu já enchera as outras taças com água e trouxera o pão francês cortado em rodelas para a mesa, bem como os queijos e a carne devidamente cortada em pequenos cubos.


Eu havia feito questão de comprar azeitonas, batatinhas e palmitos em conserva, ovos de codorna para serem cozidos e cenourinhas para que tivéssemos alguma variedade de tira-gostos. Preparara pão com alho e queijos para Ron, sabendo que ele gostava e, para a sobremesa, separara alguns morangos e uvas para serem mergulhados no chocolate que derreteríamos. Além disso, mais cedo eu comprara biscoitinhos caseiros e fizera uma calda de chocolate para ser aquecida na hora que desejássemos comer – e eu bem sabia que não seria naquele jantar.


- Espero que esteja tudo ao seu gosto – eu disse.


- Sempre está – ele disse, afagando a minha mão por sobre a mesa.


Eu segurei o riso e nada disse. Aquele era Ron tentando me agradar por eu estar tentando agradá-lo. Apesar da persistente impressão de que aquilo tudo estava parecendo pouco natural, eu queria acreditar que nada era forçado. Percebi que nós sempre agimos assim, buscando agradar um ao outro sempre que possível e me perguntei por que nunca me parecera algo forçado antes.


- Acho que podemos colocar a carne – eu comentei, observando o ponto do óleo que fervia dentro da panela.


- Eu coloco – Ron se ofereceu e eu comi uma cenourinha enquanto o observava espetar os cubos de carne e colocar os espetos na panela. Ao terminar, ele pegou um pão de alho e enfiou-o inteiro na boca.


Remexi os espetos, cuidando para retirar a carne quando estivesse no ponto. O jantar correu tranquilo. Após cozinharmos a carne, separei o óleo em uma vasilha e coloquei os queijos dentro da panela, de modo que derretessem. Então mergulhamos a carne ou as rodelas de pão nos queijos derretidos e nos pusemos a comer, regando toda a refeição ao excelente vinho português que Ron escolhera mais cedo.


- Estava tudo divino – eu disse após terminarmos de comer. Então beberiquei a taça de vinho que tinha em mãos.


- Sim, um jantar maravilhoso – Ron concordara.


- Acho que nunca o vi reclamar de uma comida que fosse, Ron – eu comentei. – Para você tudo está sempre muito bom, desde que esteja com apetite.


Ron riu.


- Não é verdade – ele negou. – Comida com muito sal sempre é ruim, assim como sucos muito adocicados.


- É, verdade – eu concordei e servi-me do último ovo de codorna disposto na mesa.


- Fazia muito tempo que nós não tínhamos mais de duas horas só para nós – Ron fez, mudando completamente o rumo da conversa. Agora ele estava de pé e estendia a mão para mim.


Eu fora pega de surpresa pelo ato dele, mas descansei a taça de vinho sobre a mesa e aceitei o convite dele, também me colocando de pé. Ele me puxou para si e me segurou firmemente pela cintura, seus olhos capturando os meus.


- Tem sido um fim de semana maravilhoso, Mione.


Eu nada disse, apenas esbocei um sorriso. Ele então me beijou com gentileza. Aliás, assim eram os beijos de Ron: gentis, suaves, pouco invasivos. Não havia neles a urgência dos beijos de Viktor Krum, sempre tão invasivos e sem pudor.


Quando senti os dedos de Ron percorrerem as minhas costas rumo à base de meu pescoço, soube como e aonde aquilo terminaria. Talvez o meu casamento não estivesse de todo falido. Eu ainda tinha esperanças.


◊ ◊ ◊


Ao final da tarde de domingo, retornamos a Londres. Enquanto eu cuidava de desfazer as malas, Ron fora buscar Hugo na casa de Harry e Ginny.


Ron estava demorando um pouco a retornar, o que me fez pensar que talvez estivesse conversando com Harry. Os dois pareciam sempre ter assuntos a tratarem entre si.


O fim de semana com Ron fora extremamente agradável e esclarecedor para mim. Sem discussões, sem grandes preocupações com tudo o que deixáramos em Londres... Porém, já não podia negar que havia, sim, algo errado com a nossa relação. Ron parecia um tanto quanto inseguro e eu me perguntava se teria algo a ver com o nosso distanciamento forçado pelo meu trabalho.


Deixei de lado os meus devaneios de lado e me concentrei em apenas colocar as roupas sujas na máquina de lavar roupas.


A porta dos fundos, que dava para a garagem se abriu e Hugo veio de encontro a mim. Ron vinha logo atrás, segurando a mochila de nosso filho em uma mão. Sorria ao assistir a cena.


- Como vai o meu pequeno herói? – eu fiz, abraçando Hugo.


- Nós fizemos uma porção de coisas legais ontem, mamãe! – Hugo contou e seus olhinhos azuis esverdeados brilhavam intensamente. Estava radiante.


- Que tal você me contar tudo enquanto me ajuda a preparar o jantar? – sugeri.


- Legal! – Hugo fez.


- Ótimo – eu disse. – Mas primeiro o senhor vai pegar a mochila com seu pai, levar para seu quarto e lavar as mãos bem direitinho para poder me ajudar – instruí.


Quando Hugo pegou a mochila nas mãos de Ron, este me fitou com um sorriso nos lábios e veio até mim, dando-me um rápido beijo.


- Vou subir para tomar um banho quente, tudo bem?


- Claro. Pode ir – eu concordei e o observei deixar a cozinha logo atrás de Hugo.


◊ ◊ ◊


Eu estava cansada. Cansada como eu nunca estivera em meus três meses trabalhando como chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia.


Agradecia imensamente por saber que teria duas semanas de folga para as festas de fim de ano, a começar pelo dia seguinte. Isso significava que não faltava muito para que eu pudesse ver a minha Rose de novo.


Assinei o último dos formulários e fiz com que tudo o que estava sobre a minha mesa desaparecesse, indo para os seus devidos lugares nos arquivos que eu tinha dentro de minha própria sala. No instante seguinte, o barulho do abrir e fechar das gavetas inundou a sala, parando de forma brusca em poucos segundos.


Terminei de arrumar a minha sala agora sem o auxílio de mágica e chequei o relógio de pulso. 16h59. Pela primeira desde que assumira aquele cargo, eu estava saindo no horário normal do expediente.


Suspirei, satisfeita, ao ver que estava tudo devidamente arrumado. Estava livre e pronta para ir buscar Rose na plataforma 9¾ e só teria de voltar àquela sala no ano seguinte, após o recesso.


Vesti meu sobretudo e apanhei a bolsa, retirando dela o gorro e as luvas. Quando tranquei a porta da sala, segui rapidamente para o Quartel General de Aurores. No caminho, desejava prosperidade a todos por quem passava e boas festas. A maior parte dos funcionários já deixava seus departamentos rumo ao átrio.


Quando cheguei ao Quartel General de Aurores, encontrei Harry deixando a própria sala acompanhado de Draco Malfoy.


- Malfoy – cumprimentei brevemente meneando a cabeça em um breve aceno.


- Granger – ele retribuiu o cumprimento da mesma forma, então voltou-se para Harry, cumprimentaram-se brevemente com um aperto de mão. – Bom recesso, Potter.


- O mesmo para você, Malfoy – Harry disse e nós observamos o loiro se afastar.


- Bom recesso para você também, Malfoy – eu resmunguei e Harry riu.


- Não te incomoda quando ele a chama de Granger? – ele me perguntou.


- Na verdade, não – admiti. – Mesmo após todos esses anos casada com Ron, não me considero realmente uma Weasley.


- É, acho que o Granger é a sua marca – Harry concordou.


- Decididamente.


- Quero dizer, é como todos te conhecem – ele acrescentou rapidamente, ao mesmo tempo em que eu concordara com ele.


Eu ri.


- Vejo que conseguiu sair a tempo de buscar Rose – ouvi a voz de Ron e me virei para fitá-lo.


Ele vinha atravessando o corredor enquanto vestia o sobretudo.


- Não achou mesmo que eu ia deixá-lo buscá-la sem mim, achou? – indaguei.


- Antes que vocês embarquem em longa discussão, devo avisar que já estamos atrasados – Harry nos interrompeu. – É melhor nos adiantarmos.


- Harry está certo – concordei e nos pusemos a caminhar para fora do departamento.


Como havia uma quantidade considerável de funcionários aguardando o elevador, eu fui a primeira a seguir para as escadas. Eu me desacostumara àquela movimentação de fim de expediente, uma vez que sempre saía pelo menos três horas após àquele horário, então não teria paciência para aguardar. Além disso, como Harry bem colocara instantes atrás, estávamos atrasados para buscar as crianças na plataforma 9¾.


Harry e Ron me seguiram e logo alcançamos o átrio. Uma vez em local apropriado para aparatar e desaparatar, cada um seguiu o seu rumo. Trocamos um breve aceno e desaparatamos quase que ao mesmo tempo.


◊ ◊ ◊


Enquanto aguardava a saída de Rose do Expresso de Hogwarts, meu peito palpitava de ansiedade. Ao mesmo tempo, recordava-me dos tempos em que era eu a descer daquele trem. Bem verdade que eu retornara no Natal duas ou três vezes, sempre envolvida em aventuras e investigações ao lado de Harry e Ron.


- Ali está ela! – Ron apontou. – Ali está a minha princesa!


Rose nos avistou e acenou. Ela estava acompanhada de Albus e Scorpius vinha logo atrás dos dois, algo que eu esperava que Ron não tivesse tido tempo de notar.


- Mamãe! Papai! – ela fez e veio correndo ao nosso encontro e nos abraçamos, os três. Afastou-se rapidamente e seu sorriso se desfez. – Onde está Hugo?


- Está na casa de sua avó Jane, querida – eu respondi. – Nós vamos todos jantar lá hoje, o que acha?


Ela voltou a sorrir:


- Legal! – disse e tornou a me abraçar. – Estava com saudades, mamãe.


Eu a apertei contra mim e sussurrei em seu ouvido:


- Eu sei, querida. Eu também estava com saudades.


Seguimos todos para fora da plataforma, atravessando o portal. Harry viera logo em seguida, acompanhado de James e Albus.


- Nós já vamos – anunciou.


Ainda abraçada a Rose de modo que estivéssemos lado a lado, voltei-me para fitá-los, girando-a comigo.


- Tem certeza que não quer ir jantar conosco? – perguntei, sabendo que Ginny estava viajando para finalizar uma matéria esportiva que sairia na semana seguinte.


- Tenho, Mione, mas agradeço o convite. Ginny deve estar chegando hoje à noite. No mais tardar, amanhã pela manhã – ele disse.


- Tudo bem, então – eu assenti.


Ron, que se juntara a James e Albus e agora brincava com os sobrinhos, voltou-se para nós, abraçado aos dois, e dirigiu-se a Harry:


- Nos vemos amanhã? – fez.


- Claro – Harry assentiu. – Almoço na casa de Molly.


- Almoço na casa de Molly – eu concordei. – Vamos, Ron? Mamãe deve estar nos esperando e essa mocinha aqui deve ter uma porção de novidades para nos contar.


- Tudo bem – Ron assentiu. – Até mais, pessoal.


- Até – Harry, James e Albus se despediram e se afastaram na direção oposta à nossa.

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Comentários: 5

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Enviado por Toddynho em 15/01/2014

Hermione não se considerar uma Weasley? Tem algo errado nesse casamento. Muito errado.

Pelo visto a propria Hermione ja acha que o casamento dela esta falido.

O que esta havendo entre Harry e Gina? 

Nota: 5

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Enviado por Jéssica J em 09/04/2013

Isso! Eu sempre achei que Hermione nunca ia se considerar uma Weasley!

Nota: 5

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Enviado por Lara em 23/02/2012

fondue é muito bom. fala sério. vei. enfim, essas cenas fofas entre ron e hermione são muito estranhas, porque TÁ ERRADO RON SAI DAÍ. embora hermione tenha notado que tava/sempre foi forçado etc. e 'parece que meu casamento não está falido' aham, claro claro. óbvio. hermione, você sempre foi tão inteligente, não me decepcione, tá. 

Nota: 5

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Enviado por quitxi em 01/02/2012

A cada capítulo eu me pergunto como é que se leva uma vida de casado desse jeito. Forçado ainda é pouco pra forma como tudo acontece entre o Ron e a Mione. Chega da agonia. Desse jeito naum tinha como a Mione não reclamar que a vida dela tava parada. Minha nossa!

Harry, cadê vc meu filho pra movimentar essa parada aí?!

 

Nota: 1

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Enviado por Léo Mota em 31/01/2012

Espero que o site não resolva impedir que eu poste comentários de novo ¬¬' Foi tenso no capítulo 7 :P É,parece que nada consegue salvar o casamento de Hermione e Rony...minha aposta vai subir xD Acho que eles terminam lá pelo 11º capítulo.Hahahahaha.

Nota: 5

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