A NOVIDADE
Precisaria de coragem. Muita coragem.
Hermione respirou fundo diversas vezes e entrou na enfermaria. Estava adiando aquele momento há vários dias. Na verdade, duas semanas. Mas agora o obvio tornara-se claro demais para se dar ao luxo de ignorar.
Hogwarts tinha regras e por mais que ela, Harry e Ron sempre as ignorasse chegava uma hora que tinha que encara-las.
Não fora premeditado. Para ser sincera tentara evitar e conseguira por quase um ano. Como e porque não saberia dizer.
Assim como não podia prever a reação de Dumbledore, ou da Prof.Minerva.
Sabia apenas que naquelas semanas aquela certeza vinha crescendo dentro de si. E passara a esperar ardentemente que fosse verdade.
Uma coisa estranha essa. Se confirmasse essa possibilidade sua vida mudaria drasticamente. Possivelmente teria de deixar a escola antes de completar o sétimo ano. E mesmo assim, se via todas as noites desejando que fosse verdade.
Presa nesses pensamentos viu Madame Polfrey vir apresada na sua direção. A enfermaria estava vazia, mas ela parecia bem ocupada.
-Srta. Granger! Algum problema?
-Eu... – saber era uma coisa, agora falar sobre isso era outra bem diferente – Eu precisava falar com a senhora, Madame Polfrey. Está muito ocupada?
-Um pouco. Mas vamos, diga, está se sentindo bem?
-S-Sim...Eu acho. Poderia lhe fazer algumas perguntas?
-Claro. Sobre o que? -ela pareceu confusa.
-E-Eu...Eu tenho uma desconfiança. Na verdade uma certeza. Eu só preciso confirmar antes de falar com a prof.Minerva.
-O que está havendo, srta. Granger? – ela fitava seu rosto sereno e não continha a preocupação.
-Faz treze semanas que eu tenho enjôos todos os dias pela manhã. E minha vista fica turva sempre que subo ou desço escadas. Meu humor também mudou. Eu choro toda hora. Sem falar que sinto sono e dores nos pés a cada minuto. Minha menstruação cessou a exatos três meses e eu mantenho relações com meu namorado. Estou grávida, não estou? -disse de um fôlego só.
Ela pareceu realmente chocada. Mas logo se recuperou.
-Bem... Sente-se aqui um momento. – sumiu atrás de uma porta e voltou com uma espesse de esfera nas mãos. – Isso se chama Estorcoco. Fazia tantos anos que não o usava...Basicamente você deve toca-lo por alguns segundos. Se ficar azul, não está grávida. Se ficar, vermelho, está e se ficar amarelo, você tem algum outro problema que deve ser investigado. Tome, segure-o.
Com medo, mas serena quanto a isso, Hermione pegou-o nas mãos. Levou apenas alguns segundos. Ali estava. Uma bola gelada, pequena e rubra.
-Sim, você está grávida. Quer que eu fale com a prof.Minerva, srta. Granger?
-Não. – disse sem conter um grande sorriso – Eu mesma falarei. A senhora me daria até amanhã para isso? Eu quero primeiro contar ao Rony.
-Sim, sim. Eu só não entendo, srta. Granger, como isso pode ter acontecido! É tão inteligente, tão cuidadosa com tudo que faz! – ela disse aparentemente inconformada.
Hermione sorriu abertamente e apenas disse antes de sair da sala:
-Não quando o assunto é Ronald Wesley!
Subiu para a sala comunal lentamente. Encontrou Harry e Rony sentados no chão, em frente à lareira fazendo os deveres de poções. Ela sentou-se no sofá de frente para eles.
-O que foi Mione? Aconteceu alguma coisa? – Harry olhou-a preocupado.
-Não. Está tudo bem, Harry. – sorriu olhando para Rony – Rony?
-Hum, fala, amor. – ele disse absorto em virar a página de um livro.
-Estou esperando um bebê. – disse de uma vez.
Harry deixou cair à pena e o pergaminho, sua boca aberta e a face incrédula.
Rony olhou para ela totalmente esquecido dos deveres. Levantou e sentou a seu lado, segurando sua mão. Olhos nos olhos. Ele sorriu ao dizer:
-Você está feliz, Hermione?
-Como nunca achei que pudesse ser na vida. – respondeu simplesmente.
Ele a puxou para um abraço que dizia mais que mil palavras.
-Eu vou ser o padrinho, não vou? – Harry perguntou quando os dois se afastaram. Hermione tinha o rosto sorridente coberto de lágrimas e embora Rony tentasse esconder, ele também tinha lágrimas nos olhos.
-Vai. – ela disse com voz embargada, enquanto tocava a barriga. – Você e Gina. O que acha Rony?
-Eu acho que você é a mulher mais maravilhosa do mundo e eu te amo tanto que poderia morrer de amor a qualquer momento. – foi sua resposta.
Ela riu, e passou a mão suavemente em seu rosto, emocionada e tocada bem fundo no coração.
-Morrer não, Rony. Viver. Sempre viver.
Dizendo isso seus rostos se encontraram para um beijo suave. Um de muitos que ainda dariam, vida a fora...
FIM!
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