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13. Como as Estrelas


Fic: Uma Semana Com Meu Melhor Amigo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Mandy Moore - Cry




Capítulo 13: Como as estrelas





Eu sempre me lembrarei, era fim de tarde, durou pra sempre, e terminou muito rápido.
Você era completamente sozinho, brilhando em um céu cinzento. Eu estava mudada.
Em lugares que ninguém encontraria, seus sentimentos estavam escondidos. Foi então que compreendi que para sempre estaria em seus olhos... No momento em que o vi chorar
Era final de setembro e eu o havia visto antes, você sempre foi frio, mas eu nunca estive certa disso. Você era completamente sozinho brilhando em um céu cinzento. Eu estava mudada.
Eu queria te abraçar. Eu queria fazer isso ir embora. Eu queria te conhecer. Eu queria descobrir tudo sobre você.




**


Eu nunca imaginei que o mundo fosse tão grande, antes de te perder...


O Sol do entardecer ainda trazia um pouco de calor, embora o vento frio causasse-lhe certo arrepio. A sua volta, tudo conspirava para um cenário de paz, que seria realmente perfeito, se ela tão estivesse tão absolutamente destruída.

Do alto do monte, viam-se as pequenas casas bem cuidadas, a fonte, todo um cenário já conhecido. Estivera ali mesmo, meses antes.
Era incrível como o tempo passava devagar quando se tinha um sofrimento para remoer.
Mais incrível ainda, era pensar que já se tinham passado sete meses desde que Harry partira.
Hermione o procurou por todos os lados. Voltou a Paris, ao hotel fazenda, ao Ministério, procurou Matt Johnson, estivera naquela pequena vila. Mas nada. Ele parecia ter mudado de mundo. Mas não importava... Pelo menos não no começo.
Passados três meses, ouviu rumores sobre uma palestra dele no Ministério de Serra Leoa. Sem hesitação alguma, rumou para o país desconhecido.
Soube que Harry cancelara a palestra ao saber de sua presença no local.
Suas esperanças foram reduzidas a pequenos cacos de vidro, que cortavam-lhe o coração e torturavam-lhe a mente. Enfim, ele encontrou forças para evitá-la, justo agora que tudo o que ela queria, era implorar perdão, humilhar-se diante dele, e declarar todo seu amor. Talvez fosse tarde demais. Mas ainda assim, não importava.

Havia pedido demissão do St. Mungus, e contratado um detetive para auxiliá-la em sua busca. Entrou em contato com todos os Ministérios possíveis, atrás de informação. Mas Harry não queria ser encontrado e isso estava bem evidente.
Cortou sua comunicação até mesmo com os Weasley.
Gina tentava animá-la, inflar algum animo na amiga, mas era a única. Todos concordavam que Hermione deveria seguir seu próprio caminho, e que ela e Harry jamais dariam certo.
Por mais de uma vez ficou inclinada a acreditar em tal afirmação, mas bastava fechar os olhos para sentir o gosto de seus beijos, o toque de sua mão firme, seu olhar quente e acolhedor.
Ela não poderia desistir, simplesmente não poderia. Depois de tanto tempo cega, tantas escolhas erradas, sentia que finalmente fazia a coisa certa. Harry era sua salvação, sua felicidade e amor. Como poderia abrir mão disso?

Envolveu os braços em si mesma, ao sentir uma nova rajada de vento. O inverno se aproximava sorrateiramente. Fechou os olhos e aparatou.

Seu apartamento ainda lhe parecia tão gélido como na noite que regressara de Paris. Sentia falta de uma companhia, alguém com quem fazer as refeições, com quem conversar. Ainda mais agora que saíra do St. Mungus.
Ainda trabalhava como medibruxa, claro, mas por conta própria. Resolveu tornar-se independente de todos seus medos. Infelizmente, demorou tempo demais para tomar tal atitude.

O escritório de seu apartamento encontrava-se em absoluto caos. Uma pilha de papéis sobre a mesa. Alguns, relatórios de pacientes, outros, de suas buscas por Harry.
Numa das prateleiras carregadas de livro, tinha uma foto deles. Estavam abraçados e sorriam docemente.
Como queria ter ele agora a seu lado...

Sentou-se na poltrona diante da mesa sobrecarregada. Começou a puxar um fila de documentos de uma enorme pasta amarela.
Ficou admirada ao descobrir a quantidade de pessoas que precisava de um simples atendimento médico. Durante todos os anos que trabalhou no St. Mungus manteve-se ocupada em pesquisas, enfurnada em laboratórios, e esqueceu que sua real missão, era cuidar de pessoas, devotar a sua atenção a eles, não a frascos e balões de experimento.
Um de seus pacientes chamava atenção.
Era um homem jovem, datava de 32 anos e possuía uma beleza hipnótica. Mas desde a morte de sua esposa (uma trouxa), era acometido de terríveis doenças.
A esposa havia sido assassinada num dos massacres comandados por Voldemort, e desde então, o jovem viúvo trancara-se em casa, aguardando pacientemente a morte.
Hermione realizou uma série de exames nele, mas fisicamente, nada era encontrado. Passou a visitá-lo todos os dias. No começo era taciturno, mal a respondia, isso quando não era indiferente a sua presença. Mas agora, já se permitia conversar, e até mesmo sorrir. Era um homem sofrido, a quem Hermione desejava ardentemente salvar, assim como um dia, Harry a salvara.
Analisou mais alguns documentos, antes de ser vencida pelo sono.
Com um ultimo pensamento de tristeza, conclui mais um dia em sua vida. Mais um dia sem ele!

**

No dia seguinte, como combinado, foi almoçar com Gina. Nos últimos meses ela havia se tornado sua mais fiel companheira, e Hermione esperava algum dia, poder recompensar a amiga.

Escolheram um restaurante trouxa, onde não seria reconhecidas e poderiam conversar mais à-vontade.

Gina irrompeu o silêncio que se apoderara delas.

- Então, como está?

- Bem. _ respondeu Hermione, os olhos fixos em suas mãos postas sobre a mesa.

Gina soltou um longo suspiro enquanto observava o perfil da amiga.
Perdera alguns quilos, estava mais pálida, mas seus olhos mantinham um brilho intenso. Um brilho que há muito não se via. Hermione estava mudada.
Era como se de repente, aquela menina que lutou uma guerra, aquela menina valente e destemida, voltasse das sombras. E ela sabia que essa mudança se dava por Harry Potter.

- Foi o que eu imaginei.

- Você imagina coisa demais Gina.

- Talvez. Mas na maioria das vezes estou certa.

Hermione fitou pela primeira vez os olhos da amiga. Tinha um olhar sério e compenetrado. Sentiu vontade de chorar de desespero, mordeu o lábio com certo nervosismo, e piscou o olho com uma força exagerada.

- E o trabalho? _ cortou o assunto. Não queria falar sobre ela, estava frágil, sentida, ainda mais hoje, dia do seu aniversário.

- Na mesma. As coisas se tornaram mais monótonas com a sua saída.

- Eu sei que faço falta. _ falou fingindo alegria.

- Talvez, mas só um pouco.

- Vou fingir que não ouvi isso. Se bem me lembro, é você que vive correndo atrás de mim.

- Você tem dado muitos motivos para que eu me preocupe.

- Oh Gina, por favor...

Foram interrompidas pelo garçom, que lhes trazia o almoço. Durante alguns minutos, o silêncio voltou a reinar, embora a mente de ambas rodopiasse de idéias e sentimentos.

- Ora Hermione, pare com isso. _ exasperou-se Gina, soltando os talheres ruidosamente sobre o prato. Algumas cabeças viraram-se para olhar as duas amigas.

- Por favor... Não comece. _ suplicou a castanha com um fio de voz.

- Olhe para você. Não sorri, não sai, tem emagrecido, anda pálida como a Lua. O que você pensa? Que eu não noto? Que eu não sinto? Você superou tanto, foi capaz de vencer tantos medos e traumas impostos pela vida. Não imagino como possa se entregar justo agora.

- Eu não estou me entregando!

- Oh sim, você está. Mione, talvez seja o caso de parar com essa busca enlouquecida. Isso só tem lhe feito mal.

- Eu o amo. Ainda que ele não me queira, eu preciso fazer isso. Preciso mostrar a ele que mudei que a velha menina voltou. Não me peça para desistir disso.

- Ah minha querida, me preocupo com você. Seria tão melhor se você seguisse sua vida, sem essa loucura de vagar pelo mundo, em busca de um homem que não quer ser encontrado.

Hermione colocou as mãos sobre a boca, como para ocultar um grito de horror. Durante todo o tempo, Gina fora a única que a incentivou, era nela que se apoiava quando a dor e a solidão sobressaiam, fazendo-a a vacilar. Mas agora, essa mesma amiga, lhe dizia para parar, abandonar o que durante sete meses, fora a razão de sua vida.

Gina esticou o braço sobre a mesa, cobrindo a mão gélida de Hermione com a sua.
Sabia que suas palavras eram cruéis para a amiga, mas não suportava mais ver-lhe com tamanho sofrimento.

- Não... _ murmurou sem fitar a ruiva.

- O que?

- Eu disse não! _ seu tom adquirira um timbre mais elevado e sua cabeça erguida demonstrava claramente sua decisão. – Eu não vou parar, eu não vou desistir. E ainda que ninguém mais acredite, eu vou encontrá-lo.

Hermione resplandecia coragem e esperança. Seus olhos brilhavam intensamente, um pouco por lágrimas, e muito por emoção. Suas mãos frias e trêmulas soltaram-se do abraço da amiga. Gina a encarava num misto de admiração e medo. Temia que Hermione pudesse encontrar mais sofrimento, mas admirava com paixão aquele fogo de valentia que queimava em seu peito. Algo que ela pensou nunca mais ver.

Sorriu-lhe com grande afeição, buscando novamente o toque de suas mãos.

- Me perdoe Mione, não sei o que estava pensando quando lhe disse isso. Você está certa, não pode desistir, e eu estarei aqui, com você, sempre!

Hermione retribuiu-lhe o sorriso, o coração tomando de alento. A idéia de encarar o mundo sem Gina, era terrível, mas por Harry, seria capaz de tudo.

O restante do almoço transcorreu calmo. Hermione explicou a Gina os progressos da investigação, o que já tinha feito, e o que ainda iria fazer. Comentou alguns casos de seu trabalho, seus pacientes, e a emoção sublime de ajudar pessoas.

Serviam-se ainda da sobremesa, quando a castanha olhou, horrorizada, para o relógio.

- Mérlim, estou atrasada! _ falou rapidamente, enquanto usava o guardanapo e preparava-se para sair da mesa.

- Aonde vai?

- Combinei de ir ver John hoje.

- Ah sim... John!

Hermione parou por um momento seus movimentos, dedicando-se a encarar a amiga. Sua expressão era um misto de ironia, desafio e acima de tudo, desaprovação.

- Fala logo Gina! _ irrompeu secamente.

A ruiva por sua vez passou a encará-la mais desafiante ainda, a sobrancelha arqueada e um olhar que beirava o desprezo.


- Você não acha que devota muita atenção a esse homem?

Hermione soltou-se pesadamente sobre a cadeira, deixando que suas costas caíssem pra trás.

- Gina, ele é meu paciente , só isso!

- Nunca vi se dedicar tanto assim a um paciente.

- Ele é um caso especial. Satisfeita? _ respondeu irritada.

- Muito. Harry nem lhe é tão importante assim não é? Você apenas não quer perdê-lo. _ ironizou a ruiva, deixando que a raiva lhe sobressaísse.

- Ginevra Weasley, eu não admito que fale assim comigo. _ exasperou-se Hermione, e mais uma vez, tornaram-se o centro da atenção de vários outros clientes do lugar.

- Desculpe. _ murmurou Gina, soltando um suspiro alto, tentando acalmar seu gênio feroz. – Eu apenas acho que... Ah deixa!

- Termine! _ ordenou a castanha.

- Será que ele sabe que é apenas seu paciente?

Hermione hesitou por um momento. Lembrou-se da maneira terna como John a olhava da forma como ele sempre arranjava um jeito de tocá-la, e de como seus olhos brilhavam ao vê-la.

- Não se preocupe, tudo está em seu devido lugar. _ garantiu-lhe ela, embora não tivesse tanta certeza. Levantou-se da mesa, e abraçou a amiga.
Quando ia sair-lhe de perto, Gina a segurou pelo braço.
Tirou da bolsa, um pequeno embrulho, e o entregou sorridente.

- Feliz Aniversario Mione.

Hermione sorriu como criança diante do agrado. Abraçou novamente a amiga, dessa vez, um abraço mais forte e prolongado. E com os olhos tomados de emoção, agradeceu, saindo em seguida.
Era o primeiro presente que ganhara já com seus 28 anos.

**

Chegou exultante a casa de John.
John Smith foi um de seus primeiro pacientes logo após sua saída do St. Mungus. Ficou conhecendo seu caso por intermédio de um amigo em comum.
John era um homem marcado. Aos 32 anos, perdera a esposa, grávida, num atentado dos Comensais liderados por Voldemort.
Desde então, passou a viver recluso em casa. Volta e meia, era acometido por alguma doença, e embora seu físico refletisse um homem pálido e doente, ainda era surpreendentemente belo. Tratava-se de um ex-jornalista bruxo, um homem alto, quase imponente, de cabelos loiros brilhantes, e olhos castanhos profundo. Hermione encantou-se logo a primeira vista. E ele foi sem dúvida, seu caso mais difícil. John recusava-se a se tratar. Não comia, não tomava os remédios, e nem fazia exercícios. Era taciturno, e em geral, a tratava mal. Mas com o tempo, foi vencendo-lhe as barreiras, ganhando sua confiança. E hoje, tinha muito mais que um paciente, tinha um amigo.

John abriu-lhe a porta sorridente. Ela era a única pessoa que o visitava.

- Hermione. _ cumprimentou.

- Olá Jonh. Como tem passado?

O homem apontou para o próprio corpo como resposta, e Hermione pôde notar sua melhora. Era extasiante sabe que de alguma forma, tinha o ajudado.

- Fico feliz de o ver assim. Em breve meus serviços não serão mais necessários.

O semblante dele, repentinamente tornou-se sombrio, mas Hermione não percebeu. Estava ocupada demais contemplando uma coleção de livros, que há dois dias atrás, não existiam.

- Oh, você saiu!

- Na verdade, sim. Sentia falta de ler, algo com que passar meu tempo. É solitário demais ficar nessa casa sozinho.

- Ah John, você precisa sair mais. Voltar a trabalhar, quem sabe. Seria tão bom, tão benéfico pra você.

- Quem sabe... _ sorriu-lhe enigmaticamente. – E você, como vai?

- Bem, na verdade, muito bem.

- Ora, ora, a que devemos tamanha alegria?

- Hoje é meu aniversário! Se bem, que não estou certa, se é bom comemorar tal fato.
Estou ficando mais velha.

- Ora Hermione, este é um fato que deve ser muito comemorado. Ainda mais por ser seu aniversário. E o tempo com certeza, não exerce poder sobre você. Parece-me cada dia mais estonteante.

Hermione corou sob o elogio, mas envaideceu-lhe ouvir tais palavras. John sabia como agradar uma mulher, era um homem extremamente gentil.

- Devemos comemorar! _ propôs ele.

- Ah, John, não é necessário.

- Eu faço questão!

E assim, apos mais alguns minutos, saíram, destino a Londres – trouxa.
Assistiram um filme na matine. Tratavam-se como amigos de longa data, e aos olhos dos outros, parecia tratar-se um casal adolescente apaixonado.

Após, seguiram para um restaurante fino e discreto.
John postou-se como um verdadeiro cavalheiro, e Hermione sentia-se lisonjeada por dividir sua presença.

O restaurante era num bairro nobre de Londres. Tinha portas e janelas de vidro, um bar esplêndido que tomava boa parte do espaço térreo. A iluminação era clara e aconchegante, e os pratos eram um caso a parte. Beiravam a perfeição culinária.

- Eu gostaria de cozinhar para você. Tenho tentado aprender nas ultimas semanas, mas não tenho me mostrado muito apto para esse ramo. _ comentou o loiro.

- Bem, eu também não sou dada dessas qualidades caseiras. É engraçado, Harry se mostrou um ótimo cozinheiro, e eu nunca imaginei que ele pudesse ter algum talento como esse... Ele sempre me surpreendia.

Hermione não notou quando seus pensamentos vagaram, tornando a Harry e a falta que ele fazia. Gostaria de comemorar seu aniversário ao lado dele. Sabia que ele faria algo, que tornasse o dia inesquecível.
Suspirou, e só se deu conta do que lhe acontecia, quando a dor da ausência arrombou-lhe o peito, e o silêncio perfurou-lhe a mente.
John a encarava seriamente. E por um momento, ela envergonhou-se.

- Sinto muito. _ murmurou, sem saber ao certo, porque se desculpava.

- Não há o que desculpar. Você não fez nada.

- O introduzi numa noite que deveria ser nossa.

O homem esboçou um sorriso fraco.

- Bem, ele sempre existirá dentro de você não?

- Sim, sempre.

- Como tem andado suas buscas?

- Frustrantes. Não há sinal dele, em nenhum lugar.

- Eu sinto muito. _ respondeu calmamente. Mas não verdade, não sentia. Estava perdidamente apaixonado por Hermione. Não havia um minuto sequer que não pensasse nela. Ansiava desesperadamente por uma brecha, um espaço mínimo em que pudesse se infiltrar e assim, entregar-lhe todo o seu amor. Mas Harry Potter era um fantasma constante, uma lembrança persistente, algo que com o tempo, John passou a desejar desesperadamente, que se destruísse.

- É... Mas vamos, não falemos disso. Hoje é a noite do meu aniversário, quero embebedar-me e dançar até a exaustão.
John sorriu da idéia dela. Parecia-lhe tentador ter Hermione embriagada e em seus braços.

E foi exatamente o que aconteceu.

O jantar servido era sublime, e Hermione o acompanhou com vinho. Algumas boas taças de vinho.
Quando sentia já a ponta dos dedos formigarem, chamou John para uma dança.

Dançaram abraçados, rostos colados. E ela ficou surpresa com a destreza dele. Por mais de uma vez, pisou-lhe o pé. Na verdade, sentia que todo o lugar dava voltas, e voltas, e a luz fraca do ambiente, só vinha como um complicador da situação.
Permaneceram juntos, naquele envolvimento de corpos e movimentos, por mais três músicas, até que Hermione não suportou o peso do próprio corpo.

Já do lado de fora, a noite intensa e fria os pôs a envolver. Não havia estrelas e nem mesmo a Lua mostrava-se no céu. Resolveram caminhar até em casa. E por algumas vezes, os passos hesitantes de Hermione encontravam-se com o de John, e ele parecia não se caber em risos.

- Meg, foi a única mulher que amou? _ perguntou ela repentinamente.

- Sim, a única. E ouso dizer, a amarei para sempre.

- Você não pode viver recluso do mundo sempre.

- Eu sei, e não pretendo fazer isso. Você me fez enxergar á vida novamente, e eu jamais poderei expressar o quanto sou grato.

- Oh John, não sabe como me alegro. _ e parando seus passos, o abraçou longamente.
John sentiu-se perdido naquela doce fragrância que Hermione emanava, bem como no calor de seu corpo que o envolvia.

- Sabe Hermione, depois que Meg se foi, eu não conseguia imaginar uma continuidade para a vida... Até que você apareceu. _ falou em seu ouvido, as mãos vagando levemente por suas costas. – Eu também achei que jamais seria capaz de me envolver novamente com alguém, até lhe conhecer.

Hermione sentiu as palavras entrarem em seu ouvido, mas o vinho a impedia de distingui-las corretamente. Tinha consciência da proximidade entre eles, da mão firme que lhe acariciava as costas, e do perfume maculo que perfurava suas narinas. Mas quanto ao resto, tudo parecia pesarosamente vago e distante.

- O que quer dizer com isso? _ foi a única coisa capaz de pronunciar.

E no segundo seguinte, John a apertou em seus braços, e a beijou, desesperada e apaixonadamente. A leveza de seu corpo fez com que fosse incapaz de reagir, e permitiu que a beijasse. Soltou um pequeno gemido quando ele aprofundou o beijo, um gemido de surpresa, que ele erroneamente interpretou como prazer.
O mundo lhe parecia ainda mais em disfoque. Estava na noite do seu aniversário, no meio da Londres - trouxa, beijando um homem que fora seu paciente, e a quem amava apenas de forma afetuosa, como um amigo. Foi incapaz de sentir qualquer coisa, não houve prazer, dúvida ou satisfação. Em contrapartida, John entregava-se deliberadamente aquele beijo, apostando todas as suas fichas naquele ato. Estava apaixonado, desejava-a ardentemente.
Quando enfim se separam, ele tinha os olhos brilhantes, o coração prestes a saltar-lhe do peito. Olhou Hermione buscando nela as mesmas sensações. Mas seu olhar era distante, sua respiração controlada, e ela não demonstrava nenhum sinal de envolvimento. Notando isso em si mesma, Hermione forçou-se a sorrir, e ele sorriu-lhe de volta.
Buscando alguma maneira de contornar aquela situação embaraçosa, olhou a sua volta. Do outro lado da rua, uma farmácia se erguia.
Pôs as mãos na cabeça, e voltou-se novamente para seu acompanhante.

- John, será que poderia buscar algum remédio para mim, sinto-me meio zonza. Acho que exagerei na bebida.

O loiro sorriu-lhe afetuosamente, e atravessando a rua, deixou-a sozinha.

Hermione escorou-se na parede de uma loja atrás de si. Seu corpo cambaleava meio enfraquecido. Fechou os olhos tentando por em ordem seus pensamentos.
“- Mérlim, ele me ama. Gina estava certa. E o que foi que eu fiz? Eu deixei que ele me beijasse. Oh droga. Tudo o que eu não queria era causar sofrimento a outra pessoa.”
Sua consciência não a deixava em paz. Permitiu que John Smith a beijasse, e ele agora devia estar esperando que ela correspondesse aos seus sentimentos. A culpa assombrava-lhe o peito.
Abriu os olhos vagarosamente. Pelos vidros da Farmácia, podia ver John, argumentando com o balconista. Afastou seus olhos dessa visão. Vê-o tentando ajudá-la, suprir um problema seu, fazia com que se sentisse ainda mais pobre.
Um pouco a esquerda, uma figura chamou sua atenção.
Era um homem, sem dúvida alguma, mas a iluminação fraca da rua, não permitia distinguir-lhe perfeitamente.
Forçou os olhos naquela direção. E mal pôde acreditar no que via. Depois de longos sete meses, o encontrara. Pálido, magro, os cabelos cumpridos cobrindo totalmente a nuca, a barba por fazer dando-lhe um ar selvagem, e os olhos nunca fora tão verdes... Nem tão frios.

- Harry? _ chamou com o fio de voz.

Do outro lado da rua, o homem que a encarava penetrantemente, mexeu-se desconfortável.

Hermione deu um passo a frente, e ele se pôs a andar em passos largos na direção contrária.

- Harry! _ dessa vez, sua voz era alta e angustiada. E antes que pudesse alcançá-lo, desaparatou.

Hermione ficou lá, parada, o coração na mão. Harry estava em Londres, esse tempo todo.
Não conseguia tirar a imagem dele de sua mente.
Todo seu corpo era acometido de dores fortes e repentinas, como se estivesse sendo atingida por raios a cada segundo. “Era ele”, essa frase não saia de sua cabeça.

John chegou pouco tempo depois. A encontrou ainda mais pálida e trêmula.

- Menina, você deveria tomar mais cuidado com bebidas!

Hermione o olhou repentinamente surpresa. O grau de emoção havia sido tal, que se esquecera completamente de John.

Olhou para a direção contrária, de onde Harry havia partido, e voltou-se novamente para o loiro.

- Sinto muito Jonh, aconteceu uma emergência, e requerem a minha presença. Nos falamos depois. _ disse apressadamente, antes de aparatar.


**

A noite estendia-se impetuosa e cada vez mais fria. Ainda assim, Paris mantinha um ar de extremo romance e luxo, que embriagavam até os mais vis dos céticos.

Hermione aparatou na capital Francesa, e dessa vez não vacilaria.
Aquele encontro com Harry fez seu mundo girar. Em parte, sentia-se feliz por tê-lo reencontrado, mas por outro lado, o gélido olhar que ele lhe lançou causava arrepios até agora.

Caminhou decididamente pelas ruas vazias e bem iluminadas. Sabia reconhecer quando tinha sido enganada, mas isso não aconteceria novamente. Só sairia daquela cidade com a informação concreta do paradeiro de Harry.

Chegou a uma enorme casa, na esquina de uma pacata ruela. Do outro lado da rua, uma praça se erguia. Um lugar perfeito para quem preza paz e sossego.
Bateu com força descomunal na madeira da porta verde. Não houve resposta. Pôs-se a bate mais energicamente.
Em alguns instantes a porta foi aberta, não esperou nenhum cumprimento, ou algum convite para entrar, impôs sua presença tempestuosa, parando no meio da sala de estar.

Matt Johnson vestia pijamas e tinha os olhos semicerrados de sono, mas ainda assim a olhava num misto de curiosidade e indignação. Não se lembrava de conhecer Hermione tão bem, para que ele tivesse a intimidade de adentrar em sua casa com tamanha ousadia.

- Eu exijo que me diga onde ele está!!! E não aceitarei mentiras dessa vez, só sairei daqui com essa resposta! _ proclamou furiosamente, cruzando os braços a sua frente.

Matt permaneceu impassível. A olhava de forma tão indiferente, que Hermione teve duvidas quanto a clareza de suas palavras.

- Eu não sei do que está falando. _ respondeu ao final, a voz rouca e lenta, mal disfarçando a sonolência.

- Ora Sr. Johnson, não está mais na idade de fazer brincadeirinhas. Tão pouco eu tenho paciência para suportá-las. Quero que me diga agora, onde afinal se meteu Harry?

O silêncio pesou sobre o cômodo. Nos olhos do velho homem, um turbilhão de sentimentos se expressava, e Hermione mal conseguia puxar o ar, tamanha era sua expectativa.

- Hermione? _ uma voz graciosa irrompeu do topo da escada. Cho Chang descia lentamente os degraus, encarando-a sem se dar o trabalho de esconder a surpresa.

Hermione olhou atônita aquela cena. Da ultima vez que a vira, ela e Matt eram noivos, mas agora, como podia verificar na mão da oriental, o relacionamento progredira enfim para o casamento. Voltou sua atenção para Matt, e encontrou uma aliança de grande semelhança a que Cho carregava. Foi então que seus olhos recaíram sobre uma moldura na estante a frente. Na foto, Cho trajava um belo vestido de noiva, abraçada a Matt, sorria-lhe docemente. Ao lado dos dois, Harry, em um elegante terno, se exibia.
Ele compareceu ao casamento

Sua ira tornou-se voraz. Havia sido deliberadamente enganada pelo casal, com certeza a pedido do próprio Harry.
Olhou com frieza de Cho para Matt, antes de falar.

- Vocês foram baixos. Todos vocês. Eu exijo uma resposta, e se não a der por bem, encontrarei outros meios de persuadi-lo. _ ameaçou.

Cho tomou a frente, postando-se ao lado do marido.

- Você não tem direito nenhum para exigir alguma coisa! _ falou entre os dentes.

- Oh sim, eu tenho. Conheço-o há muito mais que vocês. Não é justo que o separem de mim!!!

- Oh minha “querida” mas não fomos nós que os separamos, foi você mesma!

A ironia e frieza das palavras delas fizeram com que o coração da castanha afundasse alguns quilômetros, parando muito perto, de onde deveria ser o fim do poço.

- Ele não quer vê-la. Não quer nada que diga respeito a você. Acho melhor você desistir Granger. _ pronunciou-se finalmente o homem.

- Nem que se passassem mil anos. Vocês não entendem, eu o amo. Eu o amo demais.

- Tarde demais Hermione, Harry não pertence mais a sua vida.

- Não cabe a você dizer isso. Eu o vi hoje, sei que está em Londres. Por favor, eu imploro.

Cho e Matt trocaram olhares significantes e prolongados, até que o marido fechando o robe sobre si, soltou um longo suspiro falando:

- Sente-se Hermione. Há muito que você precisa saber.

Hermione sentou-se prontamente, seu coração dava saltos, e sua respiração era difícil e entrecortada.

Cho retirou-se para preparar-lhes um chá, e Matt pôs-se a contar a ela, o que afinal, acontecera com Harry.

- Harry está há quatro meses morando em Londres, desde que você foi atrás dele em Serra Leoa. Largou tudo o que dizia respeito ao mundo bruxo, afastou-se de velhos amigos, do emprego. O único que conhece seu paradeiro sou eu, mas ele me fez jurar não dizer nada a ninguém, principalmente a você. Harry a quer distante, você não faz idéia do mau que o causou. Bem, ele vem trabalhando como advogado, num escritório simples, é o que eu sei.

Hermione levou alguns minutos tentando digerir aquelas palavras. Todo esse tempo, ele estava tão próximo.

- Advogado? Harry não é formado. Onde ele mora? Por que Londres?

- Ora Granger, vocês passaram oito anos separados, Harry fez coisas que você sequer imaginaria, advocacia foi uma delas. Há alguns anos ele comprou uma casa em Londres, na parte trouxa. Ele sempre teve um fascínio por esse tipo de vida. E Londres é a cidade dele, creio que ele achava que jamais o procuraria tão perto.

- De fato, jamais me passou a idéia de tê-lo a poucos quilômetros. _ desabafou a castanha.

Cho voltou trazendo três xícaras de chá fumegantes. Hermione agradeceu-lhe, sentindo o aroma de camomila penetrar as narinas. Todo seu mundo voltou de repente, ao mesmo lugar. E agora, que enfim poderia dizer a Harry o quanto se arrependia, o quanto o amava, temeu. Não conseguia esquecer a frieza de seus olhos, o modo grosseiro como a encarava. Doía-lhe a perspectiva de que Harry não mais a amasse. Antes mesmo que pudesse controlar, as lágrimas irromperam de seus olhos, e em poucos segundos, todo seu corpo tremia num choro angustiante e desesperado.
Sentiu mão suaves a abraçar-lhe, tirando a xícara de sua mão, e embalando-a como um bebê saudoso dos pais.
Agora que estava diante da realidade, sentia um desespero enorme assombrar-lhe. Talvez não fosse forte o suficiente para agüentar a rejeição de Harry.
Cho a acalentava docemente. Era estranho pensar que a mulher que tanto ignorou, agora a consolava sem restrições. Era absurda a forma como seu orgulho reduziu-se a migalhas.

Chorou por um longo tempo, onde não foi pronunciada nenhuma palavra. Matt e Cho permaneceram a seu lado, em silêncio e compreensão. Acalmando-se voltou a perguntar mais sobre Harry, sobre sua nova vida.
Quando partiu da casa deles, a manhã já estendia seus primeiros sinais de claridade.

Aparatou diretamente em seu apartamento.
Duas corujas e esperavam logo na sala.
Uma, trazia uma carta de Gina, dizendo-se preocupada. Segundo ela, John havia entrado em contato, questionando seu paradeiro, e como os dois nada sabiam, temeram pela segurança da amiga.
A outra coruja, trazia uma segunda carta, esta de John, renovando as mesmas preocupações de Gina, só que de forma mais exagerada.
Hermione suspirou. Pensou em deitar e dormir, mas não conseguiria. Embora seu corpo estivesse cansado, seus sentimentos ainda eram tumultuados demais para permiti-lhe algum descanso.
Tomou um banho rápido, e sem nada comer, saiu novamente.

Caminhou pelas ruas agitadas de Londres. Passos lentos e discretos, sua própria aparência era apática. Tinha profundas olheiras, e uma palidez preocupante. O Sol das 11h00min era ameno, comparando com os dias anteriores, e para Hermione, tudo parecia demasiadamente sem cor e sem brilho. Durante toda sua caminhada, fitou os pés, numa posição de cansaço e derrota, que em nada condiziam com a personalidade forte que revivera nos últimos meses. Talvez, porque agora sabia, estaria cara-a-cara com seu maior medo... O amor.

Parou defronte a uma bela árvore. Sua copa larga, seus galhos bruscos e folhas de um verde ainda muito vivo.
Adiante, uma casa simples e bela se apresentava. De paredes brancas e janelas azuis. Um jardim pequeno e bem cuidado a frente, e um portal em forma de arco separavam o mundo do interior daquele pequeno castelo.
Hermione hesitou por alguns minutos, contemplando o lugar agradável onde Harry morava. Ficou imaginando uma porção de coisas a dizer, caras a fazer. Uma forma direta e irresistível de declarar seu amor. Mas tudo lhe parecia fraco demais, tão fraco quanto ela se sentia naquele momento.

Reunindo toda sua coragem, adentrou pelo jardim simples, cortado por uma pequena trilha de pedras que conduziam a entrada da casa.
Parando em frente a porta, bateu fragilmente, esperando em terrível angustia alguma resposta.
Sem nenhum aviso prévio, a porta foi aberta. A sua frente, o homem que carregava todos os seus medos e desejos se erguia. Harry Potter, sete meses depois, ainda era uma figura imponente.
Sentiu um frio terrível no estomago, suas pernas fraquejaram, suas mãos tremiam, seu coração mal cabia dentro do peito, e tudo a seu redor dava voltas infinitas.
Ele realmente estava pálido. Os cabelos pareciam mais cumpridos do que percebera na noite passada, o rosto agora se mostrava barbeado, e Hermione soube naquele momento, que jamais o deixaria de amar.
Harry a olhava com indiferença e frieza, e Hermione tentou convencer a si mesma, que isso se dava unicamente por cansaço.
Tentou sorrir-lhe, mas fracassou.

- Você! _ pronunciou-se ele. E Hermione sentiu um arrepio correr por sua espinha ao som daquela voz tão melódica.

- Harry. Eu o procurei tanto... _ suspirou com um fio de voz.

- O que faz aqui? _ indagou ele fingindo não ouvir os suspiros nervosos de Hermione.

- Oh meu querido, eu vim por você.

- Não há nada que você possa fazer por mim. Vá embora!

- Harry, por favor... _ suplicou ela, mas ele a impediu de prosseguir.

- Você não me ouviu? Eu quero que vá embora! _ gritou furiosamente.

Hermione sentiu as lágrimas formarem em seus olhos.

- Por favor... Você precisa me ouvir.

- Não, eu não preciso, e nem quero! Agora saia!

- Mas eu preciso lhe dizer, é algo muito importante. _ suplicava Hermione. Naquele momento, não existia orgulho, vergonha, ou qualquer outro sentimento que não fosse o seu amor por ele. Não importava o quão difícil seria, ela agora iria até o fim.

- Eu sei muito bem o que veio me falar. Eu vi. _ bradou ele, ainda furioso.

- Viu? Viu o que?

- Vocês formam um belo casal. _ respondeu secamente, e Hermione sentiu o chão lhe faltar.

- Oh céus, não era para acontecer. _ murmurou cobrindo o rosto com as mãos, não podendo mais ocultar o choro.

Harry a observa impassível, sem expressão ou sentimento algum.
- Eu sei bem o veio me dizer Hermione. Veio me informar de seu novo namorado não? Não ficou em paz enquanto não me encontrou. Por quê? Gosta de me torturar tanto assim? Quer que eu me humilhe novamente por você? Mas isso não acontecerá. Não importa o que faça você saiu da minha vida, quando partiu por aquela porta. Agora faça um favor a si mesma, vá embora! _ bradou ele, um ultimo instante, antes de bater-lhe a porta na cara.

Hermione ainda chorava. O coração dilacerado. Humilhada, sozinha e sofrida. Seu choro tornou-se ainda mais desesperado. Não esperava que fosse fácil, mas também não estava preparada para tamanha hostilidade. Com um ultimo resquício de dignidade, saiu dos jardins de Harry, e aparatou.

**

Seguiu direto para a casa de John. O loiro viu-se surpreso e preocupado ao deparar com Hermione no centro de sua sala, aos prantos.
Sem pronunciar nenhuma palavra, abraçou-a intensamente, até que se acalmasse.
Sentou-a no sofá, e pacientemente, esperou até que ela dissesse algo.

- Eu o encontrei. _ houve silêncio. John a encarava como se a incentivasse a prosseguir. – Ontem, na rua. Enquanto você estava na farmácia. Ele apareceu, e ele nos viu. Passei essa madrugada em Paris, na casa de um amigo dele, que me disse tudo. E eu fui atrás. Mas... Oh John... _ soluçou, as lágrimas voltando aos olhos. – Ele não me ama. DÓI-me tanto, tanto.

John a abraço novamente, afagando-lhe os cabelos com carinho supremo.
Ergueu o rosto, e com a ponta dos dedos, secou-lhe as lágrimas.

- Se acalme criança. Tudo ficará bem.

- Ele foi tão frio, tão cruel...

- Ele está sofrido Hermione.

- Mas eu só queria dizer que o amava. Ele sequer me deu essa chance.

- Oh minha querida, não fique assim. _ tomou-a nos braços novamente.

Hermione pôde sentir o coração dele batendo num ritmo fraco e descompassado, e entendeu naquele momento o que acontecia.

- Eu sinto muito John, se de alguma forma lhe dei esperanças. Aquele beijo não deveria ter acontecido. Não quero que guarde mágoas de mim.

Ele afastou-se para olhá-la nos olhos.

- Não guardarei. E não diga isso sobre a noite passada. Foi sem duvida, uma das melhores da minha vida, que manterei sempre com muito afeto na lembrança. Eu sempre soube que você o amava. _ e dando de ombros, sorriu-lhe sem grande animo.
Pegou em suas mãos gentilmente, fazendo-a levantar, e sem nenhum esforço, ergueu-a nos braços. Hermione escondeu o rosto sob a curva do pescoço alvo de John, quando deu por si, ele a colocava cuidadosamente sobre a cama.

- Descanse Mione. Você está exausta.

Sentindo-se fraca e desgastada, Hermione sucumbiu a maciez daqueles lençóis e adormeceu.

**

A noite aproximava-se rapidamente quando Hermione despertou.
Esticou o corpo preguiçosamente sobre a cama, lembrando-se lentamente dos últimos acontecimentos.
Vozes no andar debaixo, chamaram sua atenção.
Levantou e desceu as escadas. Gina e John conversavam seriamente na sala, e Hermione sentiu-se surpresa pelo fato.

- Gina?

- Oh Mione, que bom vê-la bem! Não sabe o susto que me passou. _ falou a ruiva, abraçando-a fortemente. – John me contou o que aconteceu, e eu tratei de me informar sobre o resto. Imagino a dor pela a qual está passando.

- Foi tão cruel... Murmurou fraca.

- Eu sei querida, mas você não pode desistir.

- Ah eu posso. E vou. Não agüentaria ver tamanha rejeição novamente.

- Mione, Harry não desistiu no primeiro ‘não’. Não faça você isso!

Hermione a olhou pesarosa. Embora sua mente recuasse temerosa, reconhecia a razão nas palavras da ruiva.

- Você vai voltar lá, e dessa vez, só saíra depois de lhe dizer tudo que tem pra falar.

- Não sei se posso.

- Querida, não tenha dúvidas quanto a isso.

- E se não me amar mais?

- E você acha que Harry Potter é do tipo que esquece um amor? _ desta vez, foi John que se pronunciou.

Hermione o olhou ternamente, grata por todo o carinho que o amigo, ex paciente, vinha lhe ofertando.

- Suba se arrume, que você irá voltar!

E como uma criança obediente, Hermione o fez.
Tomou um banho, arrumou os cabelos, deixando os cachos soltos pelos ombros, comeu pela primeira vez no dia, e sentiu-se mais forte, principalmente sob os olhares atentos de Gina e John.

Após a refeição voltaram para sala, Hermione tinha as mãos frias e o coração palpitante.

- Harry está fora até às 19h30min. Ou seja, você tem 35 min, para voltar lá, e o esperar dentro da casa dele.

- Gina!!!

- O que? Quando John me disse o Harry estava fazendo, eu mexi meus pauzinhos e descobri certos fatos. Agora me escute Mione, é a sua chance, volte lá, e ainda que não saia ao lado do príncipe, tenha certeza, será sempre uma vitoriosa. _ falou inflando animo na amiga.

- Queria ter mesmo essa certeza.

- Acredite Mione. _ e dizendo isso, beijou-lhe a face carinhosamente.
A castanha voltou-se para John abraçando-o com emoção indisfarçável. E sorrindo nervosamente, saiu da casa.

**

Voltou ao mesmo jardim, simples e bem cuidado que estivera naquela manhã. A casa estava fechada e escura, e a movimentação da rua era quase nula.
Fechando os olhos, Hermione aparatou para dentro da residência.

A casa se expandia num tamanho muito maior do que o demonstrado exteriormente. E Harry se mostrava um homem muito organizado.
Havia um cheiro peculiar de flor, que tornava todo o ambiente, clássico.
As paredes em tons claros, os móveis contrastando o rústico com o moderno. As prateleiras enormes de livros, os quadros e almofadas exóticos, e as fotos... De Rony, dos Weasley, de Cho e Matt entre outras pessoas que deviam ser queridas e ela não conhecia.
De fato, em lugar algum havia sinal de algum sentimento por ela.
Hermione continuou explorando a casa, até que às 19h35min ouviu o tilintar de chaves na porta. O coração bateu forte, os joelhos amoleceram e todos os sentidos do seu corpo entraram em alerta.

Quando a luz da sala foi acesa, Hermione pôde contemplar toda a surpresa que Harry exibia.
Olharam-se durante um longo momento, onde não houve frieza, indiferença, ou nenhum outro sentimento que não fosse a curiosidade pelos sentimentos do outro.

- Como entrou? _ perguntou Harry diretamente.

- Aparatei

- Mas...

- Mas a casa só é protegida contra pessoas que venham para lhe fazer mal.

- E você está no topo da lista. _ ironizou.

- Oh Harry não seja tão duro!

- O que? Você faz tudo àquilo comigo, me abandona, e me diz para não ser duro?

- Não quer saber por que eu vim? _ perguntou docemente.

- Não! Quero que vá embora, e que vá agora!

- Mas... _ dessa vez foi ele que a interrompeu.

- Mas você invadiu a minha casa! E agora, por favor, Hermione, retire-se. Será que não vê o mal que me faz? _ desabafou finalmente.

- Oh Harry, eu sinto tanto. Apenas me olhe, por favor, me olhe. _ disse ela aproximando-se e tomando-lhe o rosto na mão. – Não faz idéia de como senti sua falta.

Harry engoliu em seco. Por mais que tentasse ser forte, aquilo era desumano demais. Ter a mulher que amava tão próxima, tão doce e submissa, era quase uma tortura. Mas o medo de ser ferido novamente impedia-o de falar, tanto mais quanto agir.

- Eu o procurei incansavelmente durante esses sete meses. Rodei o mundo a sua procura. Larguei meu emprego e tudo o que me prendia ao medo. E o fiz por você. Por que você despertou em mim, a velha menina. A menina que esqueci algum dia em meu passado. E eu não me importo de humilhar-me por você, porque eu o quero Harry Potter. Eu o quero demais.

Harry não teve resposta. De repente, foi como se um sonho de anos, caísse pesadamente sobre sua cabeça. Pôde sentir simplesmente as mãos trêmulas e o coração sobressaltado.

- Hermione, eu a vi com outro. _ lembrou-se de repente.

- Quero que acredite em mim, porque estou sendo sincera. Aquilo não significou nada. Estava bêbada e triste, porque não o tinha na noite do meu aniversário. Foi um erro sim, mas não altera em nada o que eu sinto.

- Como pode? Eu implorei tanto para que ficasse, fiz de tudo para conquistá-la. Você nunca me quis, nunca me amou... Não brinque desse jeito comigo Hermione.

- Não estou a brincar. Só percebi o que tinha feito, quando acordei longe de você. Quando não o tive mais na mesa para tomar café, e nem seus olhos para me guiar. Fiquei tão desesperada. Oh Harry, eu fui uma cega, uma tola. Todo esse tempo... Você esteve diante de mim. Eu o amo tanto.

E como seu uma brisa de primavera soprasse pelo lugar, Harry sentiu o peito aquecer. Seu desejo de anos, concretizar. Em sua mente, ainda havia certo reboliço, um temor de que ela estivesse novamente a se enganar, e que ele fosse terminar a semana sozinho, como aconteceu antes. Mas por mais insistente que esse sentimento fosse não pôde sobressaia-se a felicidade de ouvi-la declarar-se.

- O que disse? _ perguntou como que para ter certeza.

- Que eu o amo Harry Potter. Que eu o amo com todas as minhas forças, e como jamais amarei alguém.

Ele abriu a boca para dizer-lhe algo, mas sutilmente, Hermione tocou seus lábios com os dedos.

- Não diga nada meu amor, eu posso ver tudo em seus olhos. _ e sorrindo, tomou-lhe a mão. – Venha, quero ser sua de corpo e alma.

E como se movidos por uma força superior, caminharam juntos até o quarto.
Uma cama espaço erguia-se ao centro, e uma enorme janela, expunha o esplendor daquela noite.

Hermione o beijo na ânsia que a consumiu durante aqueles sete meses. E sem resistência alguma, Harry correspondeu. Entregando-se cada qual, ao amor do outro.
E não foi preciso muito para que seus corpos, sedentos e apaixonados, clamassem por mais.
Aos poucos, as barreiras foram sendo eliminadas. Peça por peça de roupa, sendo retirada, como num jogo sensual e sem pressa.
Bocas e mãos exploravam corpos amados, buscando ambos o prazer do outro.
Numa sensualidade quase infinita, perderam-se nos gemidos e tremores do outro, e quando enfim tornaram-se um só, a alegria irrompeu em ambos, na forma de um gemido, puro e extasiado.
Permaneceram naquele envolvente abraço, naquela dança de corpos e movimentos sincronizados, até que juntos, encontraram o êxtase. E ainda juntos permaneceram, enquanto seus corpos se acalmavam regozijados.

Harry sorriu-lhe ternamente, beijando-a na testa com carinho extremo.

- Esperei demais por isso. _ sussurrou, a voz rouca e a respiração entrecortada.

- Eu o amo. Oh, como o amo. _ e beijou-o os lábios tão queridos. – Não o deixarei jamais Harry.

- Não sabe como me alegro ouvindo isso. _ respondeu, as mãos acariciando-lhe os cabelos sedosos.

- Então aceita ser para sempre meu? _ sussurrou envolvendo-se ainda mais nele.

- Está me pedindo em casamento Hermione?

- Sim, eu estou!

Harry sorriu-lhe de forma tão alegre e prazerosa, que Hermione achou ter enfim encontrado o paraíso.

- Oh minha menina. Serei sempre seu, tal qual as estrelas pertencem ao céu. E não importa o tempo ou o que quer aconteça você será parte de mim, e eu serei parte você. Até o fim dos tempos. _ e beijou com paixão inigualável.

O maior desafio da vida, nem sempre é encontrar o amor, mas aceitá-lo. Fora preciso que Hermione o perdesse para que pudesse compreender o que realmente sentia. Algumas pessoas precisam tomar o caminho mais difícil para a felicidade, mas isso só faz mudar o trajeto. Há um pote de alegrias, esperando por cada um ao fim do arco íris.

E tal qual as estrelas pertencem ao céu, o amor de Harry e Hermione prevalecerá por toda a eternidade.






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