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18. "Voldie"


Fic: Harry Potter e o Segredo de Sonserina


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ela mantinha o tronco debruçado sobre as pernas; as mãos apoiando a cabeça, de forma a esconder o rosto voltado para o chão empoeirado à sua frente.

Estava sentada em um sofá que já vira dias melhores. O pequeno aposento tinha vários deles, de todos os tamanhos, além de cadeiras. Devia ter sido onde os antigos proprietários recebiam os amigos mais próximos. Mas não importava o quão aconchegante a sala pretendia ser, as pessoas que lhe “faziam companhia” tornavam o local insuportável.

A única iluminação do local eram dois castiçais que suspendiam três velas, presos a paredes opostas, e mais um deixado sobre uma velha mesa de centro. “A luz mágica ou até mesmo a elétrica chamaria a atenção dos trouxas da vila”, dissera Lucio Malfoy, em tom de desculpas pelas acomodações dadas a ela.

Como se ela estivesse fazendo uma visita!

Fora trancafiada naquela sala junto com o pedante Malfoy e Rabicho. Quanto a este último, não precisou de nenhuma apresentação: a baixa estatura e a semelhança com um rato deram-lhe a certeza, antes mesmo de visualizar a mão prateada, de que se tratava do desprezível traidor Pedro Pettigrew. E não era somente física a semelhança com um roedor de esgotos: Pettigrew tinha a aparência de quem tinha comido comida estragada e que não tomava banho há um tempo considerável.

Nojento.

O silêncio apático no qual ela se pusera começou como uma maneira ostensiva de ignorar seus carcereiros. Todavia, sua mente foi aos poucos sendo dominada pelo número de coisas que poderiam dar errado em seu plano. Deu-se conta de todos os “a não ser”, “a menos que” e “se” dos quais sua vida dependia. Agora, um escuro profundo tomava conta de seu interior, enquanto sua esperança parecia-se cada vez mais com aquela que ficara no fundo da Caixa de Pandora, fraca e quase morta, quando todas as desgraças se espalharam pelo mundo.

- Pettigrew, seja um cavalheiro e traga algo para nossa convidada beber. O que ela vai pensar de nossos modos? - Lúcio Malfoy dissera em uma voz arrastada.

Rabicho fez uma careta indignada e estava a ponto de retrucar quando percebeu a intenção do outro. Sorriu maliciosamente e deixou a sala. Então, Malfoy se levantou e começou a se aproximar lentamente de Ana.

Ela estava tão perdida em seus pensamentos que sequer se deu conta da movimentação dos comensais. Meia hora... E nada. Alguma coisa tinha impedido Rampell de entregar o bilhete, só podia ser. Saíra de casa desnorteada, sem pensar direito. Esquecera-se de algo.

A voz aveludada de Lucio Malfoy a sobressaltou:

- Parece muito deprimida, minha cara... Não precisa perder as esperanças, especialmente se confiar em mim. Sou um dos seguidores mais próximos do Lorde. Posso... Interceder por você. – dissera a última frase em um tom que pretendia ficar entre a gentileza e a ameaça. E teve a audácia de tocar seus cabelos!

Subitamente entendera porque Lucio escolhera o manipulável Rabicho para ficar com ele. Lutando para controlar a raiva e não afastar imediatamente a mão asquerosa que brincava com uma mecha de seu cabelo, perguntou, a voz falsamente calma:

- E o que pediria em troca, Malfoy?

- Ora, apenas a sua... Amizade. – sorriu e disse a última palavra de uma forma tão arrastada e grave, que soou quase obscena. – Meu período em Azkaban me deixou muito carente de atenção.

- É mesmo? – debochou, não suportando mais. - Então vá procurar a sua esposa! – afastou a mão dele de seu cabelo com desprezo e se levantou, dando-lhe as costas.

- De fato, eu o faria... Mas Narcisa anda nervosa e esgotada pelos últimos acontecimentos. - a voz dele soou preocupada. Mas em seguida voltou ao tom de antes: - Então, parece que em respeito à indisposição dela, terei que aliviar minha tensão com outra pessoa...

- Nossas noções de respeito são evidentemente diferentes, Malfoy.

Possesso, Malfoy puxou-a rudemente contra si, mantendo-a presa ainda de costas para ele:

- Acho melhor não me provocar, senhorita. Sou incomparavelmente mais forte do que um quase aborto como você. Principalmente um sem varinha. – ele sussurrou ameaçadoramente em seu ouvido: - Posso lançar maldições com um movimento de varinha, sem falar... Apenas com um pensamento...

Esse era o momento, ela sentia. Iria dar o troco. Sempre soube que ter assistido “Miss Simpatia” não tinha sido desperdício de tempo:

- Então eu vou ter que impedi-lo de se mover... – pisou com toda força no pé dele, fazendo-o gritar de dor. - ...de falar... – atingiu-lhe o estômago com um cotovelo, deixando-o sem ar - ...e até mesmo de pensar! – socou-o entre os olhos, atordoando-o.

Malfoy caiu, sem chance de reação.

- Isso foi pelo Dobby. E isso... – pisou em certa região bem sensível dele. - ...Isso foi por mim.

Ana sentiu que alguém abrira a porta e se voltou naquela direção.

Severus Snape olhava sem parar de Malfoy para Ana, e de Ana para Malfoy – este último na posição mais humilhante de sua vida. Finalmente, ele fixou-o em Ana, erguendo uma sobrancelha.

Apesar de sentir-se gelar, como sempre acontecia quando encarava o olhar indiferente de Severus Snape, Ana devolveu o erguer de sobrancelha, e disse, indicando Malfoy com um leve movimento dos olhos:

- Patético.

Um brilho divertido passou pelos olhos negros. Mas durou tão poucos segundos que Ana duvidou que realmente o tivesse visto.

- O Lorde acaba de chegar e deseja vê-la, senhorita.

Ana engoliu em seco. “O Lorde acaba de chegar”.

Era isso. O lorde chegou e seria Snape quem a conduziria até ele. Ana, que ainda tinha esperanças no velho professor de Poções, sentiu-se traída, e a constatação disso a fez responder, mordaz:

- Chegou de onde? De algum vilarejozinho desprotegido ou de uma grande metrópole onde o genocídio seria maior? - não pode evitar o tom sarcástico e decepcionado: - Estava com ele, professor? É por isso que não estava aqui para me... “Recepcionar”? Deve estar satisf...

Ela se interrompeu, assombrada, quando viu pela primeira vez uma emoção no rosto de Severus Snape. Uma verdadeira. Nada de sarcasmo ou calculado desdém. Não. Snape parecia chocado, como se tivesse visto um fantasma.

Desviando sua atenção, uma mulher pálida e com os cabelos de um loiro muito claro e escorrido entrou na sala. Impossível não reconhecer aquela aparência de afogada: Narcisa Malfoy.

Viu que Rabicho não estava na sala, e que Snape tinha acabado de chegar. Narcisa não precisou de muito para entender o que tinha acontecido ali. Lançou um olhar magoado para o marido (que tratou de se levantar, ainda que lentamente, quando viu a esposa); e em seguida um outro olhar, este mortal, para Ana.

Snape não deu tempo a Narcisa. Pegou Ana pelo braço e a conduziu para fora do aposento.

Ambos não pronunciavam uma palavra enquanto avançavam pelos corredores embolorados. Ana teria questionado o que tinha acontecido momentos antes se não fosse um detalhe que sobrepujou o resto:

“Voldemort...”

Ela iria defrontar-se com... A sensação de inevitabilidade deste pensamento fazia um frio percorrer seu corpo e entender porque, afinal de contas, os bruxos o chamavam de “Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado”.

Viu-se em uma sala ampla, imponente. Sem dúvida era a sala principal. E estava escura, exceto pela fraca iluminação de castiçais. A poeira acumulara-se por tudo, sendo que alguns móveis ainda estavam cobertos por lençóis brancos. A decadência era evidente em toda a parte.

“Meu Deus”, Ana pensou. “Ele faz isso de propósito! Odeia tanto os Riddle que sequer suporta a idéia de que a casa deles saia de sua lenta degradação...”.

Voldemort não estava ali... Ainda.

Mas a sala não estava vazia. Pessoas com vestes negras e máscaras brancas estavam de pé, observando-a. Eles descobriram seus rostos quando os fitou. A atitude fez o ar escapar com mais rapidez dos seus pulmões: não tinham medo de que ela os visse. Isso significava...

Isso significava que não sairia viva dali.

- Diga a ele o que o bracelete te revelou. – Snape aconselhou indiferente. – Não o faça esperar, não o irrite e, sobretudo, não o desafie.

- O bracelete não me revelou nada. – Ana respondeu secamente, embora tivesse a impressão que as batidas de seu coração estavam tão fortes que poderiam ser ouvidas pelos demais ocupantes da sala.

- Mentira! – Narcisa, inflamada por seu recente ódio por Ana exclamara.

- Ora, nada que um bom legimens não dê jeito, não é mesmo Severus? - Bellatrix, até então em um canto mais escuro da sala, adiantou-se.

“Não!”, Ana pensou horrorizada. As coisas que ela sabia... Eles não podiam ter conhecimento! Fechou os olhos com força e deixou-se ficar no meio da sala, o coração querendo saltar pela boca. Eles não poderiam ler sua mente se não a olhassem nos olhos.

- Ah, não mesmo, sua... – Narcisa começou. – Impér...

- Não! – Snape a interrompeu bruscamente. – A Maldição Imperius vai esvaziar a mente dela. Ela precisa estar consciente para servir aos nossos propósitos.

Foi então que Ana ouviu passos descendo as escadas. A sala ficou sepucralmente silenciosa. Ela podia sentir o perigo no ar, perigo PARA ELA. “Não importa o que aconteça, não abra os olhos!”, ordenou a si mesma.

Os passos se aproximaram. Ouviu o som de pessoas se afastando, como que dando passagem ao novo ocupante daquela sala lúgubre. Os passos pararam em frente a ela:

- Você não se parece com uma Smith. – aquela voz não era humana.

- Duvido que se pareça com um Gaunt, tão pouco. – Ana respondeu sentindo o coração disparar de medo e ansiedade. “Controle” ordenou-se mais uma vez.

Ele gargalhou. A gargalhada mais horripilante que ela já ouvira na vida. Ana podia jurar que o sangue em suas veias havia congelado.

- Por que não olha para mim e se certifica? – ele disse cruelmente.

- Vá pro inferno, Riddle! – Ana exclamou, com todo o desdém que sua garganta seca podia impor.

Segundos depois Ana se viu lançada contra a parede. Bateu a cabeça e caiu sentada. Sem querer, em reflexo de defesa, abriu os olhos e visualizou seu agressor.

Era estranho, mas não sentiu medo de Voldemort. Sentiu asco. Aquela figura pálida como a morte, o rosto de veias translúcidas com um nariz viperino, mais lembrava um cadáver do que um ser humano.

- Nunca... Mais... – Voldemort exalava todo o seu ódio na voz, as palavras pronunciadas bem lentamente. – Nunca mais me chame assim! – inflexivelmente exclamou: - “Crucio”!

Não há dor que se compare a aquela provocada pela Maldição Cruciatus. E Ana descobriu isso da pior forma possível: sentindo-a. A dor não tinha origem, simplesmente era sentida em cada milímetro de seu corpo. Sentir tamanha dor a estava levando ao auge do desespero.

Então, a dor cessou. Voldemort se aproximou da parede onde ela estava largada. Ana estava tão fraca que a morte agora não lhe parecia tão ruim. Sentiu mãos gélidas erguerem seu queixo, forçando-a a fitar o dono delas. Por um átimo de segundo lembrou-se que não poderia fazê-lo, mas Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado já estava buscando sua mente.

- Diga-me o que está pensando, minha criança... – Voldemort falou zombeteiro, divertindo-se em atormentá-la.

Não conseguia desviar os olhos, como uma presa hipnotizada por uma serpente.

Uma serpente! Ah, não. Não com ela. Texugos também sabiam morder. Ana buscou forças não sabia de onde, e desviou o olhar, cerrando os olhos o mais forte que pôde.

Ela ainda sentia as náuseas provocadas pela visão do Lorde das Trevas. E foi nesta sensação que se concentrou antes de desviar os olhos, certificando-se que era isso a única coisa que ele iria descobrir dela.

“Mantenha-o irritado”! Sua mente gritava. Fez mais um esforço, e murmurou:

- Estou pensando que sua mãe se sacrificou à toa para fazer você vir ao mundo com o rosto de seu pai. Tanto trabalho para no final das contas você se transformar nesse monstro! Meu caro... “Voldie”.

Um momento de silêncio surpreso. Ainda sim, ela conseguia perceber a fúria maquiavélica crescer, condensar-se e ser jogada contra ela. Tudo em uma seqüência tão rápida que se confundiu com o próprio ato de lançá-la novamente contra a parede.

Dessa vez ela tinha certeza que tinha quebrado algo. Uma constela, talvez.

Voldemort tentou aproveitar o momento de dor e desespero para entrar novamente em sua mente. “Diga-me... Mostre-me o que tanto sabe de mim? Como descobriu?”

“Não!”, a mente torturada de Ana rebelou-se. Voldemort era muito forte, e sua presença na mente dela provocava um desespero jamais sentido. Era como uma dor alucinante, a versão mental de uma cruciatus. E o Lorde das Trevas não demonstrava clemência enquanto buscava o que queria na mente dela.

Ela era muito fraca em comparação. Não iria conseguir se o enfrentasse diretamente. Tinha que ir por outro caminho.

Usando um resquício de sanidade que lhe sobrara, Ana se lembrou do que tinha lido nos livros de Oclumência. “Saia de seu corpo, fuja. Prenda sua mente em uma imagem segura. Algo sem ligação com o que quer esconder”.

Um lugar seguro, belo. Onde nenhum mal a atingiria e onde se sentiria feliz... A imagem subaquática e tropical de Fernando de Noronha se formou em sua mente. Estava lá, mergulhando, em paz com as criaturas marinhas, contemplando o belo desfilar dos peixes brilhantes, vendo o balançar exótico das plantas multicoloridas.

O Lorde das Trevas insistiu ainda por mais alguns segundos. Então, com uma exclamação ao mesmo tempo furiosa e impaciente, disse:

- Ela fugiu para o Mundo Etéreo! Tem o dom dos Mestres dos Sonhos... Malditos ameríndios e seus descendentes!

Então um sorriso cruel e demente apoderou-se de seu rosto:

– Mas... É uma questão de ter paciência, minha cara. Não poderá ficar aí por muito tempo.

***

Ana abriu os olhos lentamente. Ao mover-se sentiu uma pontada de dor nas costelas, mas não era nada como o que sentira anteriormente. Ou, pelo menos, ela achava que sentira. Não se lembrava de muita coisa.

O quarto estava em penumbra e seu olhar pousou sobre a única fonte de luz existente: uma singela vela em fronte à janela. Ela fornecia iluminação para um homem que olhava através da janela, fitando a noite perdido em seus pensamentos sem realmente notar o véu negro que cobria o firmamento.

Severus Snape.

Ana lembrou-se do que tinha acontecido no mesmo instante. Ainda assim, permaneceu em silêncio, observando o velho professor, ela própria imersa em seus pensamentos.

Severus Snape estava sob o feitiço do Voto Perpétuo naquela fatídica noite em o diretor da escola morrera. Teria que ajudar Draco em sua missão, e cumpri-la caso o garoto não o fizesse. Era fato que a missão de Draco era matar Dumbledore, e que o diretor sabia disso. Ele e Snape haviam discutido na Floresta Proibida sobre isso, e foram ouvidos por Hagrid que, apesar de não entender do que se tratava, contou a Harry.

Uma pergunta passava constantemente pela mente de Ana agora. A mesma a pergunta que todos os que tinham lido o sexto livro se faziam: se Dumbledore sabia que iria morrer (teria sido por causa da maldição que enegrecia sua mão, quem sabe? Estaria morrendo, de qualquer forma?), e que queria que Snape o fizesse, por que deixar acontecer quando Hogwarts estava sendo atacada? Por que paralisar Harry, para que ele não pudesse fazer nada?

A resposta mais plausível é que, pura e simplesmente, Snape sempre fora, de corpo e alma, um Comensal da Morte.

Que ele era um assassino.

Snape percebeu que ela estava acordada e se voltou para Ana. Pegou o castiçal com a vela e dirigiu-se até a cama.

- Finalmente acordou. Modéstia à parte, minha poção curativa é muito boa.

Ana tocou suas costas, percebendo que tiras de gazes envolviam seu tronco.

- Quem... – começou a perguntar timidamente.

- Narcisa e Bellatrix aplicaram a poção que preparei, não se preocupe. – ele respondeu em seu costumeiro tom de desdém. – E lamento informar que não fizeram isso com a maior gentileza do mundo, já que foi uma ordem do Lorde.

- Entendo. – ela fez uma pausa e completou: - Ele me quer viva. Ao menos até conseguir o que quer saber.

- O que me faz lembrar... Não o provoque. – ele falou cada palavra bem pronunciadamente.

- Posso manter minha mente longe... – Ana começou.

- Não pode agüentar por muito tempo. Ele é mais forte e sabe disso. – ele disse secamente. – Se o fizer vai acabar com a consciência perdida, ou morrer.

- Se não houver alternativa...

- Diga a ele o que sabe. – Snape ordenou.

- Eu não sei de nada. – ela ergueu o queixo.

Ele a encarou através da escuridão e, após alguns momentos, disse:

- Acredito em você.

- Por quê? – Ana estava surpresa. – Por que acredita em mim?

- Por que VOCÊ acredita em mim? – Snape devolveu a pergunta, deixando-a sem reação.

Após de alguns segundos prendendo a respiração, soltou-a em um suspiro vencido, e respondeu:

- Porque bruxos não aparatam sem varinha.

A declaração provocou um quase-sorriso em Snape e a satisfação era evidente em seu rosto.

- Então... Você percebeu. É bom saber que a idiotice do Potter e dos amigos dele não a contaminaram.

- Não fale assim deles. – Ana ordenou, o que provocou um esgar desdenhoso do outro.

Naquela noite do ataque dos lobisomens, Snape tinha colidido com um deles e estava caído no chão, com sua varinha jogada a alguns metros de distância. Portanto, aparentemente desarmado.

Aparentemente. Porque ele APARATOU. Logo, devia ter uma varinha com ele. Aparatou e fingiu que pegava a sua varinha e voltou a aparatar. E, em seguida, desapareceu.

- Feitiço ilusório? – Ana perguntou.

- Sim. Recuperei a consciência alguns segundos antes e fiz o feitiço. Esperava que o Potter ou a aberração amaldiçoada do Lupin chegassem até mim primeiro. Mas foi você.

- Porque não me atacou?

Ela ainda não acreditava. Estava conversando com SNAPE! Se bem que, as perguntas diretas que faziam um ao outro e o tom seco com que as respondiam não poderiam ser chamados, exatamente, de “conversa”.

- Posso fazer a mesma pergunta.

Ana não sabia o que responder. Ou melhor, sabia que não poderia responder. E a lembrança do “porque” acreditava em Snape fez com que a expressão agressiva sumisse de seu rosto. Fitou-o no fundo de seus olhos. Tarde demais, percebeu que fora um erro. Snape já tentava ler a mente dela.

- Não! – Ana exclamou angustiadamente, lançando sua consciência na escuridão, em uma tentativa desesperada de escapar.

Mas algo inesperado aconteceu. Snape retrocedeu e, quando ela se deu conta, ELA estava lendo a mente dele. Imagens desconexas vinham sem controle. Até que reconheceu uma.

A pior lembrança de Severus Snape.

Lá estavam todos eles, ainda adolescentes, mas se podia reconhecê-los perfeitamente. Os Marotos, conversando animadamente, perto das árvores. Snape, concentrado e revisando as respostas de seu teste. Então, Tiago Potter parou de brincar com o pomo dourado e fez um sinal cúmplice para os amigos. Levantou-se e foi em direção à Snape.

Tudo como descrito no livro. Potter começou a implicar com Snape e lhe lançou o “Levicorpus”. Ana sabia o que viria em seguida.

Ou achava que sabia.

Envolta em névoa, mas perfeitamente reconhecível, sua mãe. A viu no grupo de garotas em que Lily Evans estava. A algazarra lhes chamara a atenção. Elizabeth, com uma expressão aflita, toca no ombro de Lílian e lhe fala rapidamente, o olhar súplice. Foi tudo muito rápido, a cena toda não durou mais que três segundos. Em seguida, a ruiva se dirigiu até Tiago Potter, ordenando que parasse... E tudo continuou como Harry vira na penseira de Snape em seu quinto ano.

Mas aqueles segundos faziam toda a diferença.

Ana estava se sentindo mal, mas não sabia como fazer para a torrente de imagens que vinha de Snape pararem. Era como se nenhum dos dois soubesse como recuperar o controle.

Imagens dele e de sua mãe se encontrando. Ana podia não só ver como sentir o que estava se passando na mente dele. Bonita... Inteligente... Rica... E, sobretudo, de uma família tradicional, descendente de um dos fundadores. Ela era a resposta para tudo o que ele queria alcançar. Através dela, firmaria sua posição social.

Em seguida, alguns anos mais tarde. Uma discussão. Ana não reconheceu o local.

“Onde estava, Severus?”, Elizabeth lhe questionava, furiosa. “Estava com ele, não estava? O que andaram fazendo?” Uma lágrima correu por seu rosto: “Meu Deus, Severus, o que você está fazendo? Inocentes...” Um jovem Severus tentava acalma-la, convence-la de que não era o que estava pensando... E o olhar decepcionado de Elizabeth.

Mais flashes.

Um bilhete. Elizabeth partira. Dor. Snape sentia a perda, o remorso... Solidão. Ana podia sentir na própria pele isso. Uma carta, algum tempo depois. Vinha do Brasil. “Severus, meu amigo... Escrevo-te para informar que me casarei em breve. Não podia deixar de fazer isso. Estou muito feliz, Severus. Espero que sejas também...” Havia mais, mas as frases se diluíram em dor, raiva... Angustia.

E, finalmente, uma capa de jornal: “Mortos por comensais Elizabeth Smith e o marido... Assassinados no Brasil...” A dor era quase insuportável. Nunca mais a veria... Frio... Muito frio. Estava mais só do que nunca. Ela morrera. Ela, tão bela... Tão gentil. Nunca mais... Solidão. Ninguém mais importava. A única coisa boa do mundo tinha morrido. Raiva... Ela o deixara. Por que não lutara por ela? Por que não foi atrás dela? Humilhação... Ela não o amava mais... Um comensal... Assassinada... Remorso.

Como se tivesse sido jogada de volta à realidade, Ana se viu de volta ao quarto escuro. Seu rosto estava banhado em lágrimas.

Snape, mais pálido do que nunca, exibia uma expressão totalmente angustiada e sofredora. Ele revivera todos aqueles momentos de uma só vez.

- Snape... – Ana começou a dizer, buscando algo que amenizasse aquela aflição, mas não sabia o quê. Ela mesma tinha recebido um baque muito forte, estava confusa. Sua mãe... Snape...

- Não sinta pena de mim! – ele estava se recuperando e voltava a ser, mais do que nunca, o Professor de Poções.

- Eu não...

- Você está melhor. Desça imediatamente, Smith. – ele a cortou e saiu do quarto o mais rápido que pôde.

Ana permaneceu fitando a porta muito tempo depois dele a fechar. As lágrimas desceram grossas por seu rosto.

Snape se apoiou na porta fechada por algum tempo, tentando recuperar a antiga frieza. Não podia voltar à presença do Lorde assim. Tinha levado tantos anos se preparando, mantendo tudo aquilo morto. Não podia se abalar agora.

Desde o começo não acreditara naquela conversa de que a moça era filha de Elizabeth. Conhecia as datas de cor. Ela não podia ser filha dela. Mas desde que ouvira sua acusação pouco antes de levá-la à presença do Lorde... As mesmas palavras. O mesmo olhar. Aquela mesma aura de justiça que parecia emanar de Elizabeth...

Ela era filha dela. Não tinha dúvidas disso agora. Não entendia como, mas sabia que parte de Elizabeth, de sua essência, vivia naquela moça. Na filha de SUA Elizabeth com outro homem.

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(N/A): Aí está. Espero que não tenha saído muita viagem. Na realidade, eu estava com este capítulo na cabeça desde o início da fic. Bem, de qualquer forma estou postando sem a correção da minha betha. Qualquer coisa eu atualizo o capítulo...

O capítulo me esgotou. Não sei o que escrever... É uma passagem sombria. Tinha que ser assim. E o próximo, será cheio de aventura (ai, eu NÃO sou boa em cenas de ação... Seja o que Deus quiser!).

Vamos aos comentários individuais:

Kika: Obrigada por ter comentado aqui! Nossas conversas pelo MSN tem sido muito legais, eu agradeço do fundo do coração estar acompanhando e espero que também goste deste que postei.

Sally: Que bom que gostou. É... Você me pegou. Sou caidinha pelo Jason Isaacs! Louca mesmo, desde “O Patriota”, com o Mel Gibson (lembra, ele fazia aquele capitão inglês, o vilão). Há, há! Tê imaginando vc quase caindo da cadeira quando leu a parte do Carlinhos! *Sally vc é impagável*. Obrigada, obrigada, obrigada!

None: Vou tirar um tempinho para sua fic, pode deixar. Acho que vai gostar do próximo capítulo. Vai ter muita ação.

Morgana Black: *sem palavras e ficando vermelha*. Nossa, valeu mesmo! Ana é o meio pelo qual eu realizo a vontade de todos os fãs (principalmente a minha). E, como eu disse para a Sally, demonstro toda essa coisa – bonita e louca ao mesmo tempo – que é a relação dos fãs com Harry Potter. Esse nome é mágico! Basta lembrar dele para um sorriso se estampar em nossos rostos, não é mesmo? Sim, o Carlinhos é o homem que 10 em cada 10 mulheres gostariam de ter para si. A Tia JK deixou o personagem em aberto, então me aventurei a trabalhar com ele. Fiquei pensando: quem seria esse homem, que escolhe os dragões como profissão? E que saiu daquela família louca e maravilhosa que são os Weasleys? Daí, surgiu o Carlinhos, assim como está na fic... *suspiros* Eu tb queria um assim para mim. Não me incomodei pelo tamanho do comentário, não! Que isso! Muito pelo contrário! Estou dando pulinhos de alegria! E mais: descobri, lendo a sua fic, que temos duas coisas em comum: Avalon (amo Marion Zimmer Bradley) e tb... Legião Urbana! Pode ter certeza que o sentimento é recíproco porque eu estou simplesmente EN-CAN-TA-DA com a sua fic! Mais tarde eu te mando um e-mail, para a gente trocar umas idéias sobre algumas coisas que eu estou “maquinando”. Bjs, e muuuuuito obrigada!

* A V I S O: Esta é a primeira fic de uma série que eu pretendo escrever. "SÉRIE SEGREDOS DOS FUNDADORES". Alguns dos personagens que vão aparecer nas próximas fics - assim como a Ana - estão na fic da SALLY OWENS, "Harry Potter e o Retorno das Trevas". Criamos alguns juntas alguns personagens (temos um caso raro de transmissão de pensamento e resolvemos acertar logo os detalhes - está muito divertido, vcs vão ver). As fics, conforme combinamos, continuam independentes. Mas vocês vão perceber a conexão entre elas. Bem, por enquanto é só.

Gentes, a fic está no finalzinho, espero que esteja valendo a pena ler. E... COMENTEM! Não é porque está acabando que esta escritora de primeira viagem não precisa de opiniões! POR FAVOR COMENTEM!

Brigadão. Até a próxima e mil beijinhos!

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