POV Scorpius
Eu adentrei o apartamento preocupado, Rose já deveria ter voltado e eu não vi nem sinal do Alvo. Mas o meu apartamento estava completamente silencioso e escuro. Estranhei, mas continuei entrando pelos cômodos, cada vez mais apreensivo. E se Rose tivesse ido embora?
Foi então que eu ouvi o barulho do chuveiro. A porta estava levemente encostada, eu a alcancei com a mão e dei um leve empurrão, ela abriu sem som nenhum. Rose estava ali, sentada embaixo da água, com o box aberto e ainda de roupas, chorava desesperada.
– Scorpius...volta, por favor...me perdoa! – ela abraçava os joelhos enquanto se balançava para frente e para trás
Eu não resisti e me ajoelhei atrás dela e a abracei com os braços, não me importei com a água gelada e com nada mais, só em tirar toda aquela angústia dela. Rose se agarrou com tamanha força em meus braços que chegou a dor, mas tudo o que senti foi o quanto ela estava gelada.
Levantei-a ainda de costas para mim e ajustei a temperatura da água. Foi um alívio sentir a água quente escorrer por nossos corpos gelados. Ela chegou a estremecer com esse contato da água.
– Está tudo bem? – estreitei mais meus braços em volta dela e sussurrei em seu ouvido
– Alvo me disse que você tinha bebido e saído de carro! – ela disse baixinho – Fiquei com medo que pudesse ter acontecido algo!
– Não dirigi muito! Parei na praça da outra rua e fiquei lá! – expliquei no mesmo tom que ela, tê-la em meus braços sem ela querer sair dali era bom demais
– Scorpius? – ela me chamou um pouco mais alto
– O que foi? – a água já havia nos esquentado completamente
– Você me deseja? – ela se voltou para mim, mas ainda presa em meus braços, eu a encarei sem entender – Faria amor comigo aqui? – ela não me encarava, suas mãos percorreram meus ombros e ela retirou minha jaqueta completamente molhada
– Faria amor com você em qualquer lugar! – minha voz saiu rouca, eu a queria mais que tudo naquela hora, queria-a de volta, nem que fosse para ela levantar na manhã seguinte e ir embora, eu precisava tê-la
– Eu quero você! – ela sussurrou finalmente encarando meus olhos e então eu não resisti e a beijei
***
POV Alvo
Eu estava jogado no sofá fazia umas duas horas. A cabeça entre as mãos e pensando se eu fizera bem em deixar a Rose sozinha. Louise só me contara que ela estava grávida a hora que chegamos em casa e agora eu me sentia culpado.
– Al! – Louise sentou na mesa de centro e me entregou uma caneca com um chá preto fumegante, eu ergui as sobrancelhas
– É natural! – ela sorriu de leve – Só alivia a tensão!
– Obrigado! – segurei a caneca com uma mão e enquanto a levava aos lábios, eu segurei a mão dela
– Nós precisamos conversar! – ela suspirou, estava séria demais
– Vai brigar comigo pelo que fiz com a Rose? Já me sinto culpado demais! – abaixei a cabeça novamente
– Você sempre foi assim! Lembra de como ficamos juntos? – ela riu – Sei que não fez por mal! Mas não é sobre isso!
– O que foi então? Você está séria, então é algo importante! – eu me aprumei mais no sofá
– Fui promovida! – ela sorriu um pouco – Passei na residência e entrei para o hospital! Sou chefe do departamento de diagnósticos de medicina bruxa agora!
– Isso é fantástico! – eu sorri – Foi o que você sempre quis, porque não está feliz?
– Não poderei voltar a Londres sempre! – ela me encarou e os olhos dela estavam molhados – Eu sei que nossos amigos estão aqui, mas...Londres era minha casa! Sua família que se tornou minha também! Quando você for para lá, eu não poderei ir!
– E você está se preocupando com isso? – ergui as sobrancelhas – Se nós não formos até a família Potter, a família Potter virá até nós!
– E nosso tempo juntos Al? Vai diminuir muito! Terei plantão para fazer! – ela apertou minha mão
Apoiei a caneca na mesa ao lado dela e segurei suas duas mãos.
– Nosso tempo não vai interferir em nada! Se você estiver em meus braços e dizer que me ama, vamos continuar sempre juntos! Eu só acho que se você vai tomar raízes aqui e nós vamos passar a ter mais obrigações, acho que poderíamos nos casar!
Ela me encarou séria e compenetrada, parecia não acreditar no que eu havia dito.
***
POV Vincent
Eu levantei cedo aquele dia, Sophie ainda estava na cama e eu decidi fazer nosso café da manhã e levar para ela no quarto. Minha loira merecia agrados, porque eu a amava e porque ela me dera uma noite maravilhosa. Mas estranhei um pouco o fato de já serem dez da manhã de um domingo e ela não ter acordado ainda.
Arrumei uma bandeja e fui até a cama. Coloquei na mesa de cabeceira e então puxei as cobertas descobrindo-a. Mas foi então que eu me surpreendi. O lençol branco estava manchado de sangue, assim como minha camisa que ela vestia. Sophie estava suada e não acordava.
Eu me desesperei. Derrubei a bandeja no chão, joguei uma camisa por cima do calção que vestia e a peguei no colo desaparatando em seguida para o hospital. Coloquei-a numa maca na recepção e então dois medibruxos a levaram para longe de mim. Eu desabei numa poltrona e liguei para Louise, só deu caixa postal, mas eu deixei um recado.
Procurei por noticias na minha loira, mas ninguém sabia me informar para onde ela fora. Só que o caso era grave porque perdera muito sangue. Eu corri o hospital inteiro a procura dela, mas tudo o que consegui foi voltar para a maldita sala de espera.
Foi quando Alvo e Louise chegaram. Assim que me viram ali, Louise nem me cumprimentou e foi em busca da amiga pelo hospital. Al me entregou uma xícara de café fumegante e sentou ao meu lado.
– O que aconteceu? – ele perguntou de forma séria
– Ela estava sangrando! – eu disse simplesmente – Muito!
Nunca fiquei tão preocupado assim, só quando ela foi atacada pelo dementador, mas naquela época ainda estava descobrindo meu amor por ela. Agora eu só percebia que não existia vida sem a minha loira.
***
POV Rose
Scorpius me abraçava de forma possessiva. Era o que eu senti quando o dia clareou e a luz do sol me acordou. Ele estava com medo de eu que levantasse e fosse embora, ou o rejeitasse. Eu sabia disso, mas muitas coisas mudaram.
Minha insegurança continuava ali. Eu continuava achando que ele não me amava e nem me desejava. Mas aquela noite fora perfeita. Fizemos amor embaixo da água quente do chuveiro, depois ficamos em silêncio, apenas relaxando, na banheira. E fizemos amor mais uma vez na nossa cama.
Ele fora perfeito, carinhoso e disse que me amava tantas vezes que eu acabei perdendo a conta. Eu estava feliz, é claro que estava. Mas havia tantas coisas ainda. Será que Scorpius me entenderia? Será que ele jogaria a culpa em mim? Eu não sabia de mais nada agora.
Tentei me afastar, mas seus braços me apertaram mais, eu acabei rindo com isso.
– O que foi? – ele perguntou sonolento
– Posso ir ao banheiro? – perguntei ainda sorrindo
– Desculpa! – ele me largou, mas não me encarou em nenhum momento
Eu fui até o banheiro e então voltei ao quarto. Peguei a camisa dele jogada sobre uma poltrona e a deslizei pela minha pele nua. Adoro o cheiro dele. Quando me voltei novamente para ele, Scorpius me encarava de forma diferente. Havia um pequeno sorriso no canto de seus lábios.
– Quer ir fazer café comigo? – estiquei a mão, ele não disse nada, mas levantou comigo
Ele tomou a frente e continuou andando até a cozinha. Observá-lo de box preta somente era uma tentação. Como eu pude perder isso por tanto tempo?
Nós sempre tínhamos essa rotina juntos. Arrumar o café da manhã e então eu me sentava em seu colo e nós tomávamos café na varanda rindo e conversando. Havia meses que não fazíamos isso.
Eu fiquei receosa quanto a sentar no seu colo quando tudo estava pronto. Mas ele me encarou e abriu os braços. Tinha tanta vontade de me ter ali quanto eu e não ser rejeitada. Porém, não falamos uma única palavra ainda. Até aquele momento.
– Está com fome? – ele pegou torrada e geléia de morango, o que eu mais gostava
– Um pouco! – eu falei baixinho, será que as coisas entre nós se resolveriam?
O silêncio reinou novamente entre nós. Até que ele largou as coisas na mesa e suspirou bagunçando os cabelos.
– Não consigo!
– O que? – perguntei receosa
– Não posso fingir Rose! – ele me encarou, os olhos tristes
– Fingir? O que você está fingindo? – minha voz tremeu
– Nós fizemos amor, acordamos juntos, preparamos o café e estamos aqui, com você em meu colo! Tudo isso seria normal, se ontem você não estivesse assinando os papéis do nosso divórcio!
– Mas eu não assinei... – minha voz quase não saiu agora, eu tinha uma vontade incontrolável de chorar
– Então me diga a verdade! – ele parecia desesperado – Diga que não quer assinar ou então pegue aqueles papéis e assine de uma vez!
– Você já os assinou? – encarei ele finalmente, as lágrimas desceram pelo meu rosto
Ele ergueu as mãos e limpou as lágrimas, continuou segurando meu rosto.
– Não! – ele disse firme – E por mim, nunca assinaria!
Ficamos apenas nos olhando por um tempo, até que ele perdeu a esperança no olhar e abaixou a cabeça, suas mãos caíram do meu rosto e ele se preparou para levantar.
– Olhe para mim! – segurei seu rosto, agora era eu quem estava desesperada – Diga que me ama! Diga que me deseja! Diga! – as lágrimas voltaram a rolar
O olhar dele estava duro. Demais.
– Venha comigo! – ele me puxou pela mão e me levou para nosso quarto
Ele parou em frente ao espelho, se posicionou atrás de mim e começou a desabotoar a camisa que eu vestia. Eu segurei suas mãos.
– Confie em mim, vou responder suas perguntas! – ele disse sério, eu abaixei as mãos devagar depois de uns segundos
Ele continuou abrindo os botões até a camisa descer pelos meus braços e parar nos meus pés. Suas mãos firmaram a minha cintura. Logo elas desceram paras as minhas coxas.
– Observe as minhas mãos! – ele sussurrou, isso me causou um arrepio
Suas mãos subiram pelas minhas coxas, passaram pela parte interna delas, tocaram meu ventre liso, subiram pela minha barriga passando pela frente do meu umbigo e então subiram em direção aos meus seios. Suas mãos os apertaram levemente e depois subiram para meu pescoço, meu rosto e por fim meus cabelos acariciando de leve.
– Agora me diga Rose. Quem em sã consciência não desejaria você?
Eu levei as mãos ao rosto desatando no choro, ele me virou para ele, suas mãos novamente em minha cintura. Então ele pegou uma mão minha e levou até seu próprio coração. Ele estava disparado.
– Eu fico assim sempre que olho para você! – ele sussurrou – Agora me diga, eu não amo você?
Ele chorava também. Eu o abracei pelo pescoço apertado. Ele retribuiu por um tempo, então se abaixou e juntou a camisa me ajudando a vestir.
– Eu preciso lhe contar uma coisa! – eu suspirei, ele me encarou confuso e me puxou para sentar na cama
– Pode falar! – ele segurava minhas mãos
– Ontem, quando conversei com a Louise, ela me lembrou que há muito tempo, antes de nós ficamos juntos ainda... – suspirei – eu tinha dores, muitas dores aqui! – levei minha mão até meu ventre
– Por que nunca me contou isso? – ele ergueu as sobrancelhas
– Porque eu me tratei! Fiz um tratamento longo e tudo deu certo! Se eu não fizesse o tratamento eu nunca poderia ter filhos! – encarei os olhos arregalados dele
– Você pode ter filhos agora, não pode?
– Por quê?
– Eu só acho que eu deveria saber se não pudesse! – ele abaixou a cabeça
– Me deixaria por isso? – minha voz embargou
– Não! – ele respondeu de forma firme e decidida – Mas é algo que eu deveria saber!
– Eu posso ter filhos sim! – dei um leve sorriso – O problema é que o tratamento que eu fiz foi à base de hormônios! Eles mudaram meu comportamento na época, mas eu achei que havia passado! Segundo a Louise, algo no meu corpo fez esses hormônios entrarem em ação novamente e por isso eu comecei a ver coisas onde não tinha, por isso comecei a desconfiar de você e do que você sentia por mim! Ela disse que forma uma espécie de depressão!
– Mas você vai ficar bem! Tudo vai voltar ao normal! É isso o que importa! – ele estava esperançoso
– Scorpius! – eu mordi meu lábio – Sabe o que me fez mudar?
– O quê? – ele me encarou confuso
– Isso! – peguei sua mão e levei até meu ventre, ele pareceu não entender, até que me encarou sério e surpreso
– Você está grávida! – ele constatou por fim
Eu dei um leve sorriso e olhei para baixo, para a mão dele que não saiu do meu ventre. Quando voltei a olhar para ele, ele olhava compenetrado para mim.
– Diga que me ama! – agora fora ele quem perguntara, eu não entendi – Diga que isso é por mim e não pelo nosso filho! Diga que está comigo aqui e agora por nós!
Meus lábios se abriram em um sorriso e eu me joguei sobre ele fazendo-o deitar sobre a cama. Suas mãos me enlaçaram em um abraço apertado.
– Eu te amo! E preciso de ajuda! – sussurrei entre as lágrimas e o sorriso
– Você tem a mim! Sempre terá! – ele beijou meus lábios – E eu amo você!
***
POV Chuck
Faz duas horas que levei Vicktória ao aeroporto para pegar um avião para a Austrália. Eu não esperei ela embarcar porque não queria me despedir assim.
Eu sei que prometi que daríamos um jeito e eu vou fazer de tudo para que dê certo, mas eu não posso negar que isso me machuca, não posso fingir que estou feliz por ela, porque não estou.
Joguei-me na cama olhando o teto. O cheiro dela ainda está nos lençóis. Como eu a amo. Se não fosse por isso, nós nem estaríamos juntos.
Foi então que eu ouvi o clique da porta. Levantei e fui até a porta que dava para a sala. Vicktória estava ali, o rosto molhado de lágrimas e com a mala ao lado.
– Eu não quero o emprego! – ela disse baixinho, mas decidida – Quero isso se ainda estiver de pé! – ela colocou sobre a mesa de centro a caixinha com as alianças que eu jogara no dia da briga
N/A: Vanessa minha flor, espero que goste do novo capítulo! Beijos