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4. Reflexões e tristezas


Fic: SAVE ME - CONCLUÍDA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Pink - Long way to happy


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One night to you

Lasted six weeks for me

Just a bitter little pill now

Just to try to go to sleep

No more waking up to innocence

Say hello to hesitance

To everyone I meet

Thanks to you years ago

I guess I'll never know

What love means to me but oh

I'll keep on rolling down this road

But I've got a bad, bad feeling



Chorus:

It's gonna take a long time to love

It's gonna take a lot to hold on

It's gonna be a long way to happy, yeah

Left in the pieces that you broke me into

Torn apart but now I've got to

Keep on rolling like a stone

Cause it's gonna be a long long way to happy


Left my childhood behind

In a roll away bed

Everything was so damn simple

Now I'm losing my head

Trying to cover up the damage

And pad out all the bruises

Too young to know I had it

So it didn't hurt to lose it

Didn't hurt to lose it

No but oh

I'll keep on rolling down this road

But I've got a bad, bad feeling


(Chorus)

Now I'm numb as hell and I can't feel a thing

But don't worry about regret or guilt cause I never

knew your name

I just want to thank you

Thank you

From the bottom of my heart

For all the sleepless nights

And for tearing me apart yeah yeah

(Chorus- 2X)

‘Cause it’s gonna be a long long way to happy



Pink - Long way to happy (tradução)


Uma noite para você

Durou seis semanas pra mim

Só uma pílula amarga agora

Para eu tentar dormir

Nada de acordar para inocência

E sim dizer olá para hesitação

Para todos que eu conheço

Obrigado a você há anos

Acho que eu nunca irei saber

O que significa o amor pra você

Eu vou continuar a trilhar essa estrada

Mas eu tenho a péssima sensação de que...


Refrão:

Vai demorar muito tempo para amar

Vai custar muito para agüentar

Vai ser um longo caminho para a felicidade

Deixada aos pedaços em que você me quebrou

Despedaçada, mas agora eu tenho que

Continuar a rolar como uma rocha

Por que vai ser um longo caminho para a felicidade


Deixei minha infância para trás

Numa cama revirada

Tudo era tão mais simples

E agora estou perdendo minha cabeça

Tentando cobrir os estragos

E curar todos os machucados

Você soube que eu os tive?

Eu não te machuquei para não te perder

Não te machuquei para não te perder

Não, mas...

Eu vou continuar a trilhar essa estrada

Mas eu tenho a péssima sensação de que...


(Refrão)


Agora eu estou paralisada e não consigo sentir nada

Mas não se preocupe em lamentar ou sentir culpa

Por que eu nunca nem soube seu nome

Eu só quero te agradecer

Te agradecer

Do fundo do meu coração

Por todas as noites sem sono

E por ter me deixado em pedaços

(Refrão- 2 X)

Por que vai ser um longo caminho para a felicidade


*****************************************************

Capítulo 4


Reflexões e tristezas


Na manhã seguinte, Harry trouxera calmamente sua mala para baixo e, depois de um desajeitado adeus dos Weasleys (a Sra. Weasley tinha choramingado mais de uma vez), ele aparatou, com um sentimento de tristeza o perfurando. Balançando a cabeça para afastá-lo, Harry viu o pequeno pergaminho esperando-o em cima da mesa da cozinha.

Harry,

Ficarei trabalhando até tarde no Ministério hoje, o novo Programa de Treinamento de Aurores está sendo desenvolvido. Depois eu verei Remo. Tem comida na geladeira. Vá tomar um pouco de ar. Visite Rony e Hermione para não ficar trancado o dia todo.

Com amor,

Sirius


Colocando o pergaminho de volta à mesa, Harry foi à sala e jogou sua varinha em cima da mesinha. Exausto, estirou-se no sofá. Pensou em subir para seu quarto, mas o cansaço de uma noite agitada o impedia.

Bateram na porta violentamente. Harry olhou furioso para a escuridão que tinha tomado a sala por inteiro. Ficou de pé e foi abrir a porta. Gemeu quando Rony entrou.

-Que horas são?- Harry perguntou, bocejando contra sua mão.

-São só dez horas, seu preguiçoso. Você provavelmente deve ter dormido o dia todo, não foi?

Harry encolheu os ombros e viu Rony tirar uma garrafa de Uísque de Fogo de dentro do bolso da capa, colocando-a na mesinha de vidro em frente ao sofá. Sentindo seu estômago dar um solavanco, Harry sentou-se no sofá e pegou sua varinha.

-Lumus - Ele bocejou outra vez, satisfeito com as chamas que se formaram na lareira.

-Você está louco? Está um calorão lá fora - Rony falou, indo à cozinha para pegar copos.

-Não está tão calor assim - Com curiosidade, Harry viu Rony voltar com dois copos e colocá-los na mesinha antes de tirar sua capa e sentar-se na cadeira mais próxima - Mas de qualquer forma, o que você está fazendo aqui?

-Eu estou aqui para passar um tempo com o meu melhor amigo - Rony declarou, tirando a tampa da garrafa- Sirius está em casa?

Harry negou com a cabeça:

-Ele teve que ficar até mais tarde no Ministério... Depois ele vai para o St. Mungus.

-Visitar o Remo, então?- Rony perguntou, vendo os olhos de Harry ficarem nublados levemente. -Nós devemos ir visitá-lo logo, Harry.

Harry se mexeu desconfortavelmente na cadeira:

-É...

Suspirando, Rony colocou um pouco de uísque para Harry, depois colocou para si mesmo, tomando a liberdade de colocar mais um pouco do que no copo de Harry.

O cheiro da bebida deixou Harry nauseado, tomando em dois goles, pressionando os dentes quando o líquido queimou a sua garganta antes de explodir em seu estômago:

- Ao que, exatamente, nós estamos bebendo?

Rony encolheu os ombros e tomou sua própria bebida:

-Quem sabe? Quem se importa? Eu não fico bêbado com você há anos. Agora vamos pagar a dívida.

Harry não pôde evitar rir, devolvendo seu copo para Rony:

-Eu pensei que você queria ver o Simas hoje.

- É, bem, eu pensei em ficar aqui e você sabe... Conversar - Rony colocou mais bebida no copo de Harry.

-Conversar- Harry disse, vagamente, olhando para Rony suspeitosamente - Sobre o quê?

-Ah, você sabe... Coisas - Escondendo sua preocupação, Rony apertou mais o copo entre sua mão.

-Certo então. Às coisas - Harry ofereceu, sorrindo quando Rony levantou o copo para um brinde.

-Então, está havendo alguma coisa entre você e minha irmã?- Rony perguntou abruptamente, seus olhos se estreitaram levemente quando Harry cuspiu tudo o que estava bebendo, respingando várias gotas em sua roupa.

-Sobre o que está falando?- Harry perguntou, cauteloso, enquanto limpava o Uísque de Fogo de seu queixo. Fique calmo, ele disse para si mesmo, ele pode ser forte, mas você pode superá-lo.

-Gina. - Rony disse simplesmente - Vocês estão de caso ou algo assim?

Harry forçou uma risada, mas a sentiu evaporar quando Rony não sorriu.

-Você está falando sério?

Suspirando, Rony encolheu os ombros:

-Eu suponho que não, quero dizer, eu sei que você me diria se estivesse beijando a minha irmã.

-C... Certo... Claro que eu diria, Rony. Não seja tonto. Não há nada entre mim e Gina. - Não mais, ele completou silenciosamente.

-Eu sei como ela se sente sobre você, Harry. E eu estaria mentindo se não tivesse notado como você a olha às vezes, mas seria melhor para todos que vocês continuassem amigos - Rony explicou, desejando que o zumbido entorpecente do álcool fizesse efeito logo.

-Eu não tenho nenhuma intenção de importuná-la, Rony - Harry disse secamente.

-Ótimo! - Rony disse com entusiasmo - Então eu não terei que dar um pontapé em seu traseiro.

-Jesus Cristo!- Harry murmurou, seu coração começando a latejar em sua cabeça - Você não tem nada com o que se preocupar, Rony. Nada aconteceu e nada vai acontecer. Agora se amaldiçoe e deixe para lá.

Sorrindo, Rony passou mais um copo para Harry:

-Sem problemas.


Gina sorriu largamente quando Hermione abriu a porta de sua casa:

-Eu trouxe chocolate e vinho.

Rindo, Hermione deu um passo para trás para permitir a entrada de Gina, pegou a garrafa de vinho e o chocolate para que ela tirasse a capa:

-Sabe, eu me pergunto quem decide que a bebida de uma mulher seja vinho e a comida, chocolate.

Gina encolheu os ombros, pendurando a capa no elegante mancebo que Hermione tinha deixado ao lado da porta:

-Eu acho que chocolate é a nossa comida preferida... E vinho... Bem... Você sabe, é bom para você e para todos. Um copo de vinho ao dia, certo?

Hermione estudou a garrafa e ergueu uma sobrancelha para Gina:

-Eu acho que isso só cabe para o vinho tinto.

- Tanto faz -Gina sorriu e pegou a garrafa de Hermione- Pode pegar as taças?

-Claro! - Hermione respondeu e foi à cozinha - Obrigada por me fazer companhia hoje, Gi. Rony decidiu passar um tempo com Harry e então resolvi não trabalhar e ficar sem fazer nada. Eu não consigo um momento para falar a sós com você há anos.

Gina atravessou a sala e sentou-se no sofá branco, tirando os sapatos:

-Está tudo bem. Você tem ficado muito ocupada no Ministério. Quando eles irão te promover?

Rindo, Hermione voltou para a sala, dando a Gina a taça antes de se sentar no carpete:

-Eu acho que logo. Eu tenho trabalhado em alguns feitiços experimentais com o Sr. Whimple.

-Alguma coisa de interessante?- Gina perguntou, tirando a rolha da garrafa e colocando um pouco de vinho na taça de Hermione.

-Ah, você sabe, o básico. Mais feitiços curativos. Eu posso curar contusões dentro de três segundos. - Hermione disse orgulhosa - E eu tenho trabalhado, particularmente, em uma coisinha para as mulheres.

-Uma cura para cólicas?- Gina perguntou esperançosa, meio que brincando.

-Não, esse é o meu próximo desafio- Hermione respondeu com um sorriso- Estou cautelosa para começar isso ainda, mas se eu estiver certa, você conseguirá ter pernas lisinhas sem precisar depilar.

Colocando uma mão sobre seu coração dramaticamente, Gina suspirou:

-Me avise quando precisar de uma cobaia, tá?

-Eu prometo!- Ela respondeu, tomando um gole de seu vinho, pensativamente - Sabe, o Sr. Whimple estava, na verdade, me informando sobre uma oportunidade que talvez vá surgir.

-Oportunidade?

-Sim. A Professora Damina, em Roma, está pegando alguns estudantes para a próxima primavera.

-Professora Damina...?-Gina tomou um gole de seu vinho, os olhos se arregalaram quando se lembrou do nome familiar - A Professora Damina? Ela é provavelmente a bruxa mais poderosa que todo o Mundo Bruxo já viu.

Os olhos de Hermione brilharam e ela assentiu:

-Eu sei... É inacreditável, não é?

-Mas eu sempre ouvi que ela trabalha sozinha... As pessoas vêm tentando falar com ela para ensiná-las há anos. Por que só agora?

-Eu não sei- Hermione encolheu os ombros- Mas, por alguma razão, ela está decidida a ensinar. E o Sr. Whimple acha que eu tenho ótimas chances de ser uma dessas estudantes.

-Quando você descobriu?

-Há umas duas semanas, eu acho. E ele já inscreveu meu nome.

-Vai ser excitante ter uma amiga minha estudando com a Professora Damina. E ainda por cima, em Roma. - Gina exclamou, seus olhos vendo o sorriso de Hermione desaparecer levemente - O Rony sabe?

O resto do sorriso de Hermione desapareceu. Ela tirou os olhos de Gina e ficou olhando a fogueira que tinha acendido mais cedo:

-Não, eu ainda não contei para ele. Eu não acho que ele ficará muito contente.

-Ah, deixa disso, Hermione! Esta é uma grande oportunidade para você! Rony verá isso e irá te apoiar cem por cento - Gina lhe assegurou.

-É só que... Não é como se eu fosse ficar um mês ou dois, Gina. A Professora Damina vai nos ensinar por dois anos. Eu não sei se Rony vai querer ficar sozinho por tanto tempo. Quero dizer, eu também não quero ficar sozinha, mas eu penso que vai ser muito difícil para ele - Hermione murmurou, colocando a taça na mesa à sua frente.

-Hermione, Rony ficará orgulhoso de você. Ele vai querer que você faça isso. E se ele não quiser, por alguma razão boba, ele não é nada além de um idiota - Gina disse, sorrindo quando Hermione riu.

-Ele geralmente é um idiota. Mas eu acho que é por esta grande razão que eu o amo... Mas e você?- Hermione perguntou.

-O que tem? Eu também acho que o Rony é um idiota, mas crescendo com ele, eu certamente não o amo por isso - Ela respondeu.

-Não- Hermione deu uma risadinha- Eu quero dizer, o que está acontecendo com você? Além de Rony te voluntariar para trabalhar o resto do seu verão.

-Eu não me importei muito. Eu poderia usar o dinheiro e Rony está certo, eu poderia dar uma desculpa para ficar um pouco longe da Toca.

-Ah- A voz de Hermione foi baixando aos poucos, tentando pensar na melhor maneira para fazer a próxima pergunta- Então... O que você acha do Harry ter se mudado para a casa do Sirius?- Ela perguntou casualmente.

Ela pensou ter visto uma luz bruxuleante passar nos olhos de Gina, mas desapareceu rapidamente, substituída por uma máscara de aborrecimento:

-Ele precisava fazer isso. Rony estava muito triste, obviamente.

-Ele estava - Hermione concordou, colocando mais um pouco de vinho em sua taça - Mas passou, eu acho. Quero dizer, Rony está com ele agora, ficando bêbado, é claro.

Um toque de preocupação passou pelo rosto de Gina:

-Você acha que Harry deveria estar bebendo? Ele está fazendo isso um pouco freqüentemente.

-Eu acho que você deveria dizer ‘garotos são garotos’. É só a maneira deles afogarem a tristeza. Para te falar a verdade, eu acho que é o único jeito que Rony sabe para ficar um pouco com o Harry agora...

-Isso é terrivelmente lamentável - Gina murmurou, olhando entorpecidamente para sua taça de vinho.

-Sim. Mas se isso o faz se sentir melhor por agora, não há nada que possamos fazer além de estar aqui para ele - Hermione respondeu suavemente, olhando para Gina mais de perto.

-Bem, ele não faz nada para que fique mais fácil, faz?-Gina respondeu, tensa, inclinando-se para colocar a taça na mesa.

Agora sim, Hermione pensou, mas manteve sua expressão natural:

-Não, ele não faz. - Ela parou por um momento até que Gina se encostasse no sofá novamente- Gi... Alguma coisa aconteceu entre você e Harry?

Desconfortável, Gina desviou dos olhos de Hermione:

-Por que você acha isso?

-Por causa da sua reação todas as vezes em que eu menciono o nome de Harry - Ela falou, vendo Gina franzir as sobrancelhas - E porque eu vi o jeito que vocês dois se olhavam ontem à noite. A tensão estava esmagadora.

Gina esfregou sua têmpora com gentileza, e finalmente olhou para Hermione

- Eu acho que você poderia dizer que alguma coisa aconteceu. Mas não é nada, na verdade, uma discussãozinha.

-Estou vendo- Hermione murmurou- Você quer falar sobre isso?

Duvidosa, Gina estudou a amiga. Ela estava segurando todos esses sentimentos por tanto tempo, ela sabia que se aliviaria quando os tirasse de seu peito. Mas se Harry soubesse... Ou Rony...

-Rony não pode saber... - Ela começou.

-Gina, o que quer que seja dito nesta sala fica nesta sala - Hermione prometeu.

Seu coração começou a acelerar nervosamente enquanto procurava as palavras certas para descrever o que tinha acontecido entre ela e Harry.

Suspirando, ela escorregou do sofá para ficar com Hermione no chão, trazendo suas pernas junto ao peito e cruzando os braços em volta dos joelhos.

-Harry e eu... Dormimos juntos dois dias atrás.

Ela assistiu silenciosamente os lábios de Hermione se partirem levemente em surpresa antes dela balançar a cabeça em confusão:

-Então por que parece que vocês dois querem cortar a garganta um do outro quando se vêem?

-Bem, não foi exatamente romântico e com juras de amor - Gina falou, suas bochechas estavam ruborizadas.

Hermione franziu as sobrancelhas:

-Eu não entendo... Foi uma coisa que vocês quiseram?

-Não... Sim. Quero dizer, eu não sei exatamente. Eu acho que eu queria, mas não daquele jeito - Ela choramingou, olhando para cima- Quando acabou, ele decidiu que não me queria mais e me mandou embora.

Os olhos de Hermione cintilaram em surpresa, a raiva começou a crescer dentro de seu corpo:

-Harry te mandou ir embora?

Gina assentiu e levantou o queixo, respirando profundamente:

-Ele mandou. Ele tentou se desculpar ontem, mas eu não podia mais ouvir que ‘tinha sido um erro’.

Desabafando vagarosamente, Gina deu um pequeno sorriso para Hermione:

- Você não imagina o quão aliviada estou... De ter contado isso para alguém.

Hermione se inclinou e colocou as mãos em cima das de Gina:

-Isso não está certo, Gina. Harry sabe como você se sente sobre ele e eu não estou conseguindo acreditar como ele pôde tirar vantagem disso. Foi errado da parte dele.

-A culpa não foi totalmente dele, Hermione. Se eu quisesse que ele parasse, eu tenho certeza que ele o faria - Gina disse, mas houve aquele áspero medo e dúvida de que talvez ele não teria.

Hermione se endireitou e estudou a expressão de Gina:

-Ele foi o seu primeiro?

Ruborizando novamente, Gina desviou os olhos de Hermione:

-Eu sempre quis que fosse ele.

-Caramba, Gina!- Hermione exclamou, ignorando o choque nos olhos de Gina - A sua primeira vez foi com Harry, como uma rápida transa, nada mais. E depois disso ele prontamente te mandou embora. Você não vê o quão idiota ele está sendo?

Gina recuou levemente com a afiada descrição:

-Eu sei, Hermione...

-Ah, aquele idiota. Eu poderia matá-lo, agora mesmo - Hermione enfureceu-se, ficando de pé - Se Rony soubesse...

Erguendo-se rapidamente, Gina sentiu o pânico a invadir:

-Você não pode dizer a ele, Hermione. Lembre-se: o que quer que seja dito nesta sala...

Hermione olhou para Gina enquanto andava raivosamente:

-Não vou dizer a ele, Gina. Mas isso é... Eu não posso acreditar que Harry pôde fazer uma coisa dessas.

Rigidamente, Gina se sentou novamente no sofá, suas mãos sobre o colo:

-Acabou, Hermione. Não há muita coisa que eu possa fazer agora, só tentar esquecer o que aconteceu e seguir em frente.

Hermione parou, sua raiva diminuiu um pouco quando viu a dor passar no rosto de Gina. Sentando-se próxima a ela, Hermione sorriu simpaticamente:

-Você o ama, não é?

-Sim - Rindo do absurdo que era isso, Gina balançou a cabeça - Eu realmente não deveria. Eu não posso evitar. Isso parece tão natural, como se tivesse nascido junto comigo.

-Confie em mim, eu sei como se sente. Nós não temos muita escolha por quem nosso coração decide se apaixonar - Hermione disse suavemente, pensando em Rony.

-Eu vou esquecer isso- Gina disse, não se convencendo- É mais fácil esquecer alguém que deixou bem claro que não quer você.

Como sabia que era mentira, o coração de Hermione doía por sua amiga enquanto a observava colocar mais um pouco de vinho:

-É sempre difícil quando seu coração é partido pela primeira vez, Gina.

Forçando um sorriso, Gina deu a taça para Hermione:

-Eu sei. Eu vou ficar bem. Vamos falar de outra coisa que não seja tão deprimente. Me conte mais sobre esses feitiços que você está desenvolvendo.

Entendendo que precisava mudar de assunto, Hermione sorriu e começou a discutir sobre alguns feitiços que ela estava desenvolvendo em seu tempo livre do trabalho. Gina tentava escutar tudo, mas sua mente estava viajando.

Ela não queria dizer, mas essa não tinha sido a primeira vez que Harry partira seu coração, e ainda continuava doendo. Tomou um gole de seu vinho enquanto sua mente voltava para a lembrança que tinha tentado esquecer. A noite em que Harry deixou Hogwarts... E Gina para trás.



11 de Junho de 1998



Gina abriu a porta da Torre de Astronomia, tirando a Capa da Invisibilidade de seus ombros e correndo uma mão em seu cabelo. Isso é idiota, ela pensou, por ficar tão preocupada sobre a sua aparência quando Harry chegasse. Ele nunca tinha se importado como ela deixava o cabelo, ou quanta maquiagem ela usava. E ele nunca a fez sentir como se precisasse se preocupar com isso.

Seu coração deu um solavanco, como sempre fazia quando lhe via. Ele estava perto da janela, olhando para o lago, em direção à Hogsmeade. Gina deixou a Capa da Invisibilidade numa mesa próxima e foi até ele, colocando os braços em volta de sua cintura e sua bochecha em suas costas.

Ela o sentiu contrair um pouco, depois relaxar de novo. Ela fechou os olhos e respirou o perfume dele. Era tão intoxicante...

As mãos dele deslizaram para cobrirem as dela gentilmente, antes dele sair de seu abraço e virar-se para olhá-la. O sorriso dela desapareceu quando viu os olhos dele. Estavam cansados e vermelhos, mas através das camadas de cansaço ela viu a distância neles.

- O que foi?- Ela perguntou rapidamente, a preocupação tomando conta dela. Quando ele não respondeu, ela deu um passo em sua direção e tocou-o no braço gentilmente. - Harry?

Os olhos dele desviaram para a mão que ela tinha colocado em seu braço antes de erguê-los para estudá-la.

- Eu tenho que ir embora.

As sobrancelhas dela se contraíram em confusão.

- Mas eu acabei de chegar aqui..

- Não...- Ele a interrompeu com um ar de impaciência. - Eu tenho que ir embora de Hogwarts.

Gina gelou, tentando segurar suas emoções. Ele parecia completamente infeliz.

-Você vai embora de Hogwarts? Quando?

Sem nenhuma resposta, Harry passou por ela e pegou sua capa, que tinha colocado em cima da mesa momentos antes de Gina chegar. Ela girou nos calcanhares e bloqueou a passagem da porta, seu coração começando a acelerar dentro do peito.

- Harry... Quando? Por quê?- Ela perguntou novamente quando Harry vestiu a capa.

Ele a olhou por cima do ombro brevemente antes de se concentrar no fecho da capa.

- É a primeira coisa que irei fazer amanhã. Eu acho que não voltarei...

Ela franziu as sobrancelhas com a estranha voz fria dele e a bola de pânico começou a crescer em seu estômago. Por que ele estava agindo tão indiferentemente? Era como se ele não ligasse que estava deixando Hogwarts... Ou a deixando.

- Eu não entendo. - Ela disse suavemente, a guerra de emoções começou a batalhar dentro dela.

Ela se assustou quando Harry bateu com força na mesa, com as mãos. Seus olhos arregalaram-se de choque vendo a raiva dele e, cuidadosamente, deu um passo em sua direção.

- Harry...

Ele ergueu a cabeça e capturou os olhos dela.

- Gina, Voldemort irá aparecer logo. Para mim. E se eu ficar aqui, todos estarão em perigo.

Ela engoliu em seco, passando as mãos nervosamente sobre o cabelo.

- Mas... você não pode aparatar nos terrenos de Hogwarts... Ele não pode...

- Ele encontrará um jeito, Gina. - Harry disse, endireitando-se. - Eu vou para um esconderijo amanhã. E não sei por quanto tempo.

- Esconderijo?- Ela sussurrou, a cor desaparecendo de seu rosto. - O feitiço Fidelius?

- Nós decidimos hoje que isso seria melhor. Será mais seguro para todos. Para você. - Ele explicou, sua voz e seus olhos acalmado-se.

Ela deu mais um passo em sua direção, parando somente quando o viu recuar, como se quisesse manter uma distância entre eles.

Alguma coisa está errada aqui, ela pensou fechando os olhos depressa para esconder a dor.

- Me desculpe se eu não te contei antes, Gina. - Ele disse baixinho, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça. - Eu realmente não deveria estar te contando nem agora. Mas eu não poderia partir sem você saber que eu ficarei bem.

Seus olhos marrons ergueram-se, perfurando-o do outro lado na sala. Ela sentiu as ameaçadoras lágrimas e deu uma piscadela, tirando-as.

- Seu Fiel do segredo...

- Eu não posso te dizer isso. - Harry disse precisamente. - Você sabe que eu não posso.

- Eu sei.- Ela sussurrou, a estúpida dor começando a pulsar em sua têmpora. Respirando profundamente, Gina atravessou a sala e colocou suas mãos gentilmente nos lados do rosto dele. Ficando nas pontas dos pés, colocou seus lábios suavemente contra os dele.

Ela sentiu os lábios dele responderem por um momento antes dele endurecer e se afastar.

Ela sentiu a dor fervilhar por todo o corpo, mas se recusou a se mexer.

- O que é, Harry? Alguma coisa foi omitida desde quando eu cheguei. Há alguma coisa que você não está querendo me dizer.

Inclinando a cabeça para trás, Harry pegou os pulsos dela e os tirou de seu rosto suavemente.

- Eu contei tudo que eu podia contar, Gina...

- Pare de mentir para mim!- Ela gritou desesperadamente. - Se alguma coisa está acontecendo, eu tenho o direito de saber.

- Não, você não tem. - Ele disse simplesmente, vendo os olhos dela cintilarem de dor e depois de raiva. - Isso não tem nada a ver com você.

Ela engoliu forte, sentindo as lágrimas caírem de suas pálpebras para suas bochechas.

- Tem tudo a ver comigo... Eu te amo, Harry.

Um músculo contraiu-se em seu maxilar antes de seu rosto ficar sem nenhuma expressão.

- Eu não te pedi para me amar, Gina.

Ela esfregou os olhos rapidamente, horrorizada por estar tremendo na frente dele.

- Não, você está certo. - Disse intensamente. - Você não pediu. Mas eu não tive muita escolha na verdade.

- Me desculpe. - Ele murmurou, sua voz repentinamente encheu-se de emoção. - Eu só pensei que seria melhor se eu partisse sem despedidas tristes.

Ela enxugou as lágrimas com a mão, depois esta ficou sobre o coração.

- Despedidas tristes? É isso que eu sou?- Quando ele não respondeu, um pensamento aterrorizante entrou em sua mente. - Harry... Você está terminando comigo?

Seus olhos verdes perfuraram os dela, e sua boca ficou inflexível.

- Gina, eu te amo. Mas não do jeito que você me ama. Eu não posso.

Gina se virou em desespero, ásperos soluços de choro explodindo dentro de si. Ela se escorou numa mesa próxima enquanto tentava se acalmar. Ela estava enfraquecendo miseravelmente.

Completamente impotente, ela ergueu a cabeça e o observou mover-se em direção à porta, aparentemente indiferente às suas lágrimas.

Em desespero, ela gritou o nome dele, e o viu hesitar por um momento antes de abrir a porta e desaparecer.

Com o coração pesado, ela foi para a janela, deixando o ar quente entrar em seus pulmões. Escorregou contra a parede, colocou a cabeça entre as mãos, molhando suas vestes com lágrimas.

Um peso repugnante instalou-se em seu estômago, cortando e corroendo até ela estar certa de que ficaria fisicamente doente. Sentindo como se uma parte de sua alma fosse rasgada, ela ficou ali sentada se perguntando se era, de fato, possível morrer de coração partido. Naquele momento, ela sabia que se não fosse possível, seria agora, e ela seria a primeira vítima.

Ele realmente não poderia ter mencionado aquilo, poderia? Uma pequena parte de sua mente simplesmente não acreditava nele. Quando eles estavam juntos, ele era tão aberto com ela, tão honesto. Harry tinha lhe dito que a amava nessa mesma janela alguns dias antes, mas ela não precisava das palavras. Ela podia ver em seus olhos sempre que ele olhava para ela.

E agora estava acabado, tão rapidamente... E a pior parte era que Gina nem soube o por quê.

Ela deixou as lágrimas caírem por ele, até ter certeza de que estava esgotada de qualquer emoção. Olhando fixamente para a noite, ela sentiu a insuportável exaustão começar a passar por todo seu corpo.

Ela se mexeu e abaixou a cabeça, colocando-a no braço enquanto fechava os olhos. Ela descansaria, só por um momento, e recuperaria suas forças, antes de voltar pelo longo caminho até a Torre da Grifinória.

Mas a sonolência e a tristeza a dominaram, e deitando em baixo da janela que Harry tinha dito que a amava, Gina caiu num sono profundo e agitado.




Harry se encontrou segurando os lados de sua cintura, que estava doendo de tanto dar risada àquela noite. O estranho era que Harry e Rony nem se lembravam do motivo de tanta risada.

Sua mente estava agradavelmente confusa, seus olhos estavam turvos e cheios de lágrimas de tanto dar risada. Rony estava pior... Seus olhos estavam vermelhos, a sua pele pálida. O sorriso largo era um sarcástico contraste em seu rosto.

-Sabe, eu não ia dizer para ninguém até antes... Mas eu posso te dizer, porque você é meu melhor amigo - Rony falou molemente, se inclinado como se a informação fosse muito importante.

Rindo, Harry arranhou a nuca e esperou:

-O que é?

-Eu vou pedir Hermione em casamento - Rony disse triunfante, recostando-se novamente na cadeira.

Harry sentiu a risada borbulhar dentro de si e enxugou as lágrimas de seu rosto. A risada foi desaparecendo aos poucos quando estudou o rosto de Rony, que não mostrava nenhum sinal de que ele estava brincando, exceto pela expressão sonhadora:

-Você está falando sério?

-Sim - Rony respondeu, levantando seu copo- Eu tenho um anel e tudo...

Confuso, Harry ficou de pé, apertando os olhos brevemente, tentando limpar a visão:

-Mas por quê? Eu quero dizer, vocês são tão jovens...

Rony ficou silencioso por um momento, como se ele estivesse considerando a pergunta de Harry. Seus olhos ergueram-se, pensando em uma resposta decente:

-Porque nós nos amamos- Ele disse orgulhoso- Essa é a única razão que nós realmente precisamos, certo?

Balançando a cabeça com um pouco de incredulidade, Harry sentou-se de volta no sofá:

-Uau...

-Ei!- Rony disse, sua voz estava triste - Era para você dizer ‘parabéns’ e todas aquelas coisas felizes.

Rindo de novo, Harry levantou seu copo em saudação:

-Parabéns e todas aquelas coisas felizes!

Rony bebeu o que sobrou no copo e fechou os olhos:

-Estou feliz que tenha te contado, Harry. Você é o meu melhor amigo. Você será o padrinho do nosso casamento... Quando eu casar com a minha Hermione.

O sorriso desapareceu do rosto de Harry enquanto considerava as palavras de Rony:

- Você também é o meu melhor amigo, Rony.

Harry fixou-se no fogo, que começou a diminuir desde que tinha o acendido uma hora atrás. A necessidade de fazer a coisa certa estava irresistível e Harry praguejou o Wiskey de Fogo silenciosamente para a sua importuna consciência.

-Rony... Eu vou te contar uma coisa que provavelmente irá te deixar irritado. E se você quiser chutar o meu traseiro depois, eu deixarei, mas quero te contar agora porque se eu não fizer isso, eu possivelmente perderei a sua amizade e não conseguirei continuar sem ela- Pausando, Harry respirou profundamente- Eu menti para você mais cedo... Eu dormi sim com a Gina.

Esperando os gritos e os murros, Harry fechou os olhos, abrindo-os levemente quando o silêncio continuou à sua volta. Um pouco de irritação e alívio se misturaram dentro dele quando viu Rony dormindo na cadeira. O copo que segurava estava caído de sua mão mole e rolou alguns centímetros no tapete.

Suspirando, Harry pegou o cobertor que estava atrás do sofá e vagarosamente colocou-o por cima de Rony antes de colocar a cabeça na almofada do sofá. Harry sabia que acordar acordando Rony no momento e contar-lhe tudo, mas ele não estava certo se estaria fazendo isso mais para Rony ou mais para ele.

A raiva e a culpa estavam o rondando nos últimos dois dias, parecia que logo não conseguiria mais controlar o ponto de ebulição.

Ele só queria Gina para esquecer tudo o que havia acontecido... Ele desejava mais do que outra coisa poder voltar no tempo e mudar o que tinha acontecido, mas a áspera realidade era que ele não podia. Voldemort tinha mudado tudo... E mesmo que ele tenha sido derrotado, ainda continua tendo uma pequena vitória, por ferrar a vida de Harry.

A vida tinha sido quase perfeita quando tinha dezessete anos. Ele era o capitão do time de Quadribol, estava na verdade passando em Poções, e Gina o amava. Então junho chegou, aquela maldita terça-feira quando Sirius e Dumbledore tinham-no informado que ele teria que deixar Hogwarts e ir para um esconderijo por sua segurança, da escola e de seus amigos.

Ele fizera relutantemente a única coisa que poderia fazer para proteger Gina. Fechando os olhos, Harry bloqueou os sons dos roncos de Rony e dolorosamente reviveu a noite em que tinha partido o coração de Gina.



11 de Junho de 1998



Harry olhava a noite, vendo entorpecidamente as estrelas brilhantes refletidas no lago negro abaixo dele. O vento estava uma brisa macia, passando contra suas bochechas, e apesar do ar de junho, ele sentiu um calafrio descer por sua espinha.

Fechou os olhos, deixando o dia explodir em sua mente. Ele lembrava-se vivamente da Professora McGonagall tirando-o da aula de Poções e levando-o para o escritório de Dumbledore. Sirius e Remo estavam lhe esperando, com sérias expressões.

Ele lembrou do medo, como o fel subiu em sua garganta, quando eles lhe contaram que Voldemort estava agindo, já começando a matar várias famílias bruxas, que o contrariaram anos atrás. Era uma questão de “tempo” até que todo o Mundo Bruxo ficasse sabendo que Voldemort voltaria ao poder mais uma vez.

Depois, como esfregar sal em uma ferida, Sirius lhe contou que teria que deixar Hogwarts para sua própria segurança, e a segurança dos outros. A ameaça de Voldemort estava muito grande.

Ele teria que deixar o seu lar, seus amigos... E Gina. Tudo porque ele teve o infeliz destino de ser Harry Potter. O Menino-que-Sobreviveu. O último descendente de Godric Gryffindor, e o único a atrapalhar o caminho de Voldemort a predominar todo o Mundo Bruxo.

Depois, Dumbledore tinha calmamente explicado o feitiço Fidelius e se Harry concordasse com ele, Remo iria executá-lo pela manhã, antes de Hogwarts acordar para um novo dia.

Harry tinha concordado a contragosto, mas que escolhas ele tinha? A única escolha era quem seria seu Fiel do Segredo. Sem hesitação, Harry escolheu Sirius, que ele sabia que poderia tomar conta das coisas se acontecesse algum problema. E ele não queria que Rony, Hermione e Gina estivessem em perigo extra.

Então, pensando nas coisas que haviam acontecido naquele dia, Harry não ouviu a porta se abrir, ou os leves passos atrás dele. Seus olhos se abriram rapidamente quando sentiu braços o envolverem na cintura e a macia bochecha encostar-se a suas costas. Relaxou quando sentiu a familiar essência de flores selvagens. Harry descruzou os braços e colocou as mãos em cima das dela, revelando o conforto que ela lhe dava só de estar por perto.

Depois, respirando profundamente em determinação, Harry afastou-se, livrando-se do abraço dela, antes de virar-se para olha-la. Imediatamente ele viu os olhos dela encherem-se de preocupação.

- O que foi? Harry?

Seus olhos inclinaram-se para o toque dela, que queimava através de sua pele para seu osso. Ela nem imaginava as coisas que seu toque poderia fazer com ele. Harry mesmo não sabia explicar as sensações que ela invocava dentro dele.

Engolindo em seco, ele ergueu os olhos para os dela.

- Eu tenho que ir embora.

Ele viu a confusão passar pelo rosto dela quando ela retirou sua mão.

- Mas eu acabei de chegar aqui...

Harry esfregou a testa firmemente, tentando fortemente desatar o nó que começava a se formar atrás de sua têmpora.

- Não, eu tenho que ir embora de Hogwarts.

Falar as palavras em voz altas e ver a pele pálida de Gina sob a luz do luar fizeram a realidade ficar muito mais cruel.

- Você está indo embora de Hogwarts? Quando?

Ele começou a responder, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Harry passou por ela rapidamente e foi para o outro lado da sala pegar sua capa. Ele precisava se focar em alguma coisa... Qualquer coisa que não fosse Gina.

- Harry... Quando? Por quê?

Ele ouviu o frio pânico na voz dela e distraiu seus dedos trêmulos no fecho de sua capa. Harry olhou por cima do ombro, vendo a luz do luar brilhar contra o cabelo dela.

- É a primeira coisa que irei fazer amanhã. Eu acho que não voltarei...

Ele observou a dor rodopiar nos olhos dela antes de virar-se rapidamente. Ele queria abraçá-la, e dizer que tudo ficaria bem. Mas ele queria que ela dissesse que tudo ficaria bem. Faltavam poucas horas para ele deixar Hogwarts, e ele queria que essas horas fossem gastas com ela. Mas sabia que seria um erro... Sabia que ficando com ela, conseqüentemente a magoaria. E isso não era um risco que ele queria correr.

- Eu não entendo. - Gina murmurou calmamente, sua voz começou a falhar.

Repentinamente ele sentiu a raiva e a angústia de sua vida se elevarem dentro dele e bateu com força na mesa, com as mãos. A dor queimou através de seus ossos, mas ele não se importou. Dane-se se ela iria tornar isso mais difícil para ele.

- Harry...

A súplica na voz dela só aumentou a raiva. Ele levantou a cabeça e olhou para ela.

- Gina, Voldemort irá aparecer logo. Para mim. E se eu ficar aqui, todos estarão em perigo.

- Mas... Você não pode aparatar nos terrenos de Hogwarts... Ele não pode...

- Ele encontrará um jeito, Gina. - Harry disse, endireitando-se. Ele queria contar a ela que sentia muito. Que não estava bravo com ela, ele estava bravo com Voldemort e com ele mesmo. E com toda a maldita situação. E isso o matava. - Eu vou para um esconderijo amanhã. E não sei por quanto tempo.

Ele viu com tristeza quando as mãos dela caíram para os lados.

- Esconderijo? O feitiço Fidelius?

Ela parecia tão estupidamente frágil, como se fosse quebrar como vidro se ele a tocasse. Ele sabia que iria machucá-la, e tinha aceitado isso. Mas ele queria fazer isso o mais fácil possível para ela esquecê-lo.

- Nós decidimos hoje que isso seria melhor. Será mais seguro para todos. Para você.

Ele fez uma careta quando ela deu um passo em sua direção, e sentiu seu pé imediatamente ir para trás.

- Me desculpe por não ter te contado antes, Gina.- Ele disse rapidamente, quando ela franziu as sobrancelhas.- Eu realmente não deveria estar te contando nem agora. Mas eu não poderia partir sem você saber que eu ficarei bem.

Quando ela ergueu seus lindos olhos, Harry ficou horrorizado quando os viu cheios de lágrimas.

-Seu Fiel do Segredo...

A culpa o corroia por dentro.

- Eu não posso te dizer isso. - Harry respondeu com um tom de desprezo em sua voz. - Você sabe que eu não posso.

-Eu sei.- Gina murmurou e começou a andar em sua direção. Ele sentiu sua garganta se fechar, enquanto o pânico passava por ele. Tentou dizer a ela para não tocá-lo, mas se encontrou sem palavras, quando ela ergueu as mãos e colocou os lábios contra os dele.

Os lábios dela eram macios e doces. Tinham gosto de caramelo. Ele começou a corresponder ao beijo e parecia não ter forças para parar.

Então se lembrou do que Sirius havia falado momentos atrás. “Rony e Hermione não devem saber que você se foi. Para quem quer que seja que você conte, colocará essa pessoa em perigo, Harry. Me prometa que você vai deixá-los fora disso.”

Ele já tinha quebrado a promessa contando para Gina que estava partindo... Mas certamente ele faria com que ela ficasse protegida. Ele só teria que lhe fazer ver que ficaria melhor sem ele. Ele afastou-se dos lábios dela, virando a cabeça, seus olhos se recusando a encontrar os dela.

- O que é, Harry? Alguma coisa foi omitida desde quando eu cheguei. Há alguma coisa que você não está querendo me dizer.- Ela disse, um tom de irritação e impaciência borbulhando para a superfície.

Quando ela não tirou as mãos de seu rosto, Harry pegou os seus pulsos em suas mãos e tirou-os gentilmente.

- Eu contei tudo que eu podia contar, Gina...-

-Pare de mentir para mim! - Ela gritou, sua voz falhando com a emoção. - Se alguma coisa está acontecendo, eu tenho o direito de saber.

Respirando profundamente, o olhar de Harry encontrou o dela..

- Não, você não tem. - Ele disse firmemente, e começou a sentir o seu coração morrer por dentro. - Isso não tem nada a ver com você.

Os olhos dele tornaram-se frios quando viu a primeira lágrima escorrer pelo rosto dela, quando ela balançou a cabeça.

- Tem tudo a ver comigo... Eu te amo, Harry.

Ele contraiu os lábios para não responder o mesmo. Sabia que Gina não o deixaria partir como ele queria. Ele queria chacoalhá-la e dizer que ela ficaria melhor sem ele, que precisava ficar longe dele se quisesse sobreviver. Mas sabia que ela iria abraçá-lo e se recusar a sair do seu lado. Ele sabia que se ela fizesse isso, ele iria quebrar e arriscar tudo para ficar com ela.

Determinado, Harry lutou para não deixar a emoção transparecer em sua face.

- Eu não te pedi para me amar, Gina.

Cristo, ela estava tremendo muito, esfregando os olhos com impaciência, como se estivesse envergonhada de estar chorando na frente dele.

- Não, você está certo.- Ela respondeu, sua voz cheia de tristeza. - Você não pediu. Mas eu não tive muita escolha na verdade.

- Me desculpe. - Harry disse, gaguejando. - Eu só pensei que seria melhor se eu partisse sem despedidas tristes.

Ele assistiu quando a mão dela caiu de sua face molhada para seu coração. Ele podia ver a horripilante revelação nos seus olhos enquanto ela tentava compreender as palavras dele.

- Despedidas tristes? É isso que eu sou?

Ele abaixou os olhos e não respondeu.

- Harry... Você está terminando comigo?

Harry apertou as mãos dentro dos bolsos da calça. Só iria parar quando sangrassem. Ele ergueu os olhos e capturou os dela, lutando contra a voz dentro dele que lhe implorava para que parasse.

- Gina, eu te amo. Mas não do jeito que você me ama. Eu não posso.

Ele era um tremendo idiota.

Ele viu com desânimo quando ela se virou, sua respiração falhando por causa das lágrimas que estava tentando segurar desesperadamente. Um flash de miséria passou por ele quando ela se escorou em uma mesa. Deu um passo, dando uma piscadela para remover as lágrimas que estavam se formando nos cantos dos olhos.

Vá embora agora, disse a si mesmo, porque se ela te olhar mais uma vez, você irá falhar.

Rapidamente ele se virou nos calcanhares e foi para a porta, parando de repente quando a ouviu gritar seu nome em desespero. Fechando os olhos firmemente contra as lágrimas, Harry se forçou a abrir a porta e passar por ela rapidamente, sem olhar para trás.

Ele podia ouvir os choros dela ecoando no corredor e apressou o passo. Mais rápido e mais rápido até que se encontrou correndo. Ele correu até que não pôde ouvir nada além dos baixos murmúrios dos quadros.

Resmungou a senha para a Mulher Gorda e foi para a Sala Comunal. Tentando respirar, caminhou até o dormitório dos garotos.

Harry tirou a roupa e estremeceu quando viu suas mãos que realmente ficaram machucadas. As unhas deixaram pequenas formas ensangüentadas nas palmas, muito doloridas.

O quarto estava silencioso, exceto pelos sons dos roncos de seus amigos. Harry se deitou. As ameaçadoras lágrimas se foram, deixando nada além de um vazio muito grande por dentro. Ele continuava dizendo a si mesmo que isso fora a melhor coisa a se fazer e que ela, no fim, o perdoaria e tudo voltaria ao normal quando tivesse acabado.

Se ele sobrevivesse.

Mas Harry ficou acordado, seus olhos fixados inexpressivamente no outro lado do quarto. O peso em seu coração logo cresceu ainda mais. Tampou os ouvidos para bloquear os sons dos roncos. Pouco tempo depois, só algumas horas, Remo veria e o acordaria. Harry caiu no sono, finalmente conformado com o fato de que a tristeza dentro dele era permanente, tragando o lugar onde Gina costumava ficar.



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