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1. Something to believe in


Fic: Algo em que acreditar - POSTADA


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Algo em que acreditar


 


 Eu me lembrava de tê-lo visto pela primeira vez nos jornais. Aparecia frequentemente no Profeta Diário, que relatava seus atos e suas crenças, os objetivos escondidos por trás de suas atitudes.


 Eu costumava acreditar que ele era o homem certo, aquele que mudaria os conceitos daquela sociedade bruxa pacata, aquele que faria as pessoas se importarem com alguma coisa. Alguém que faria as pessoas terem pelo que lutar, pelo que viver.


 


Well I see him on the TV


(Será que o vejo na TV)


Preaching about the promised land


(Pregando sobre terras prometidas?)


 


 Eu me permiti facinar por aquele homem curioso, que lutava pelos seus direitos – ou pelo que ele acreditava serem seus direitos – de uma maneira pouco ou nada ética. À mim ele disse que acreditava em Jesus.


 E apesar de todas as opiniões contrárias à minha decisão, me alistei para ser um Comensal da Morte. Nunca me senti tão decepcionado.


 


 


He tells me believe in Jesus


(Ele me disse que acreditava em Jesus)


Steals the money from my hands


(Rouba todo o meu dinheiro de minhas mãos)


 


 Alguns poderiam chamá-lo de terrorista, outros o consideravam o mais novo bruxo das trevas. A minoria apenas ignorava, assegurando à todos que aquele não passava de um louco que nada fazia.


 Todos aqueles que eram iguais à mim (Comensais da Morte) diziam que ele era um bom homem. Mas com o tempo, eu comecei à duvidar disso, principalmente depois das primeiras mortes decorrentes. Mortes causadas por ele. Mortes de gente inocente. Jesus, acho que ele não acreditava em você.


 Tudo piorou quando eu comecei a matar.


 


Some say he was a good man


(Alguns dizem que ele era um bom homem)


Lord, I think he sinned, yeah


(Senhor, eu acho que ele pecou)


 


 Várias vezes senti vontade de chorar, mas nunca consegui. Talvez fosse porque nunca quis que ele me visse chorar por coisas pelas quais nem ele choraria.


 Lembro-me que cheguei a me abrir com um de meus amigos (tambem um Comensal da Morte) sobre o assunto. Tarde demais, penso eu. Demorei vinte e dois anos para contar para alguém meu desagrado com o Lorde das Trevas. Se me arrependo? Sem sombra de dúvida. Principalmente depois que Regulus Black morreu, tentando encontrar uma maneira de se livrar do cargo de servidor, tentando voltar à fazer parte da sociedade que apoiava Dumbledore. Mas eles não o queriam de volta.


 Como eu, ele havia acreditado na pessoa errada.


 


Twenty two years of mental tears


(Vinte e dois anos de lágrimas mentais)


Cries a suicidal Vietnam vet


(Criam um suicida no Vietnam)


Who fought a losing waron a foreign shore


(Que luta por uma guerra perdida em uma margem estrangeira)


To find his country didn’t want him back


(Para encontrar o país que não o quer de volta)


 


 Não posso deixar de me sentir péssimo pela morte dele. Não quis ajudá-lo quando Regulus insistiu que eu o ajudasse à enfrentar Voldemort. Para mim, aquilo só nos ajudaria a morrer mais rápido. E aquilo era uma das coisas que eu não procurava no momento.


 Agora que ele está morto, me sinto o responsável. Afinal, Regulus Black fora meu melhor amigo. E estava morto por causa de Voldemort. Assim como várias mulheres e crianças que, mesmo tendo sido assassinadas, não conseguiram justiça. O Ministério fora tomado pelo Lorde.


 


Their bullet took his best friend in Saigon


(As balas deles colocam seu melhor amigo no Saigon)


Our lawyers took his wife and kids no regrets


(Nossos advogados colocam suas mulheres e crianças sem ressentimentos)


 


 Esse agora me parece um tempo tão distante, que quase não me lembro. Me parece uma outra vida, onde eu tinha certeza do que queria, sem dúvidas.


 Dumbledore chegara à me dizer uma vez, logo após a morte de Lily Evans, que eu havia contribuido para o começo de uma guerra e que era tarde demais para tentar me esquecer dela. Naquele momento eu soube que se quisesse me esquecer de tudo, teria de ajudar a acabar com aquilo.


 Foi por esses e outros motivos que me aliei à Dumbledore e à Ordem da Fênix, algum tempo depois.


In a time I don’t remember


(Por um momento eu não me lembro)


In a war he can’t forget


(De uma guerra que ele não pode esquecer)


 


 Em alguns aspectos da minha estada ao lado do Lorde das Trevas, eu me lembro de ter conhecido o que realmente era a covardia. Posso lhe garantir que não se resume em ter coragem ou não de convidar a garota dos seus sonhos para sair.


 Um dos exemplos de covardia entre os Comensais da Morte, foi Karkaroff. Aliado ao Lorde até a alma, ele foi um dos primeiros à se arrepender de tê-lo feito. Foi ele que fugiu do que viria e se entregou ao Ministério da Magia, dizendo tudo o que sabia e revelando os segredos mais obscuros sobre Voldemort e seus aliados. Karkaroff achava que, fazendo isso, estaria livrando a si mesmo da fúria da Ordem da Fênix e do próprio Ministério, exigindo perdão por cada palavra que dissesse.


 Alguns anos depois, Karkaroff conseguiu exatamente o desejado.


 


He cried “forgive me for what I done there


(Ele chorou: “Me desculpe pelas coisas que executei)


‘Cause I never meant the things I did” 


(Porque eu nunca pensei nas coisas que fiz”)


 


 Agora penso em tudo o que vi e em tudo que fiz. Não consigo me ver fazendo nada diferente. Não seria a pessoa que sou agora se tivesse dado ouvidos à voz da razão, quando esta clamou meu nome com fervor.


 Tudo era tão misturado naquela época, que se tornava impossível – para ele – encontrar uma separação coerente entre o bem e o mal. Talvez ela não exista. Afinal, o mal se combate com o mal. E o bem gera o bem. Se formos pensar assim, então, Dumbledore e todos que lutavam contra Voldemort eram também pessoas malignas: matavam pessoas (Comensais, é verdade, mas ainda assim pessoas) para acabar com o Lorde. Por muito tempo, não chegaram à lugar algum.


 Em quem acreditar?


 


And give me something to believe in


(E me dê algo em que acreditar)


If there’s a Lord above


(Se há um Deus superior)


And give me something to believe in


(E me dê algo em que acreditar)


Oh, Lord, arise


(Oh, Deus, apareça)


 


 Durante todo esse tempo, eu acabei por me tornar amigo de Dumbledore, assim que recebi a notícia de Lily Evans seria morta. Procurei-o e lhe pedi ajuda, ou quem sabe um consolo se tudo desse errado. Ele foi mais do que isso. Se tornou meu amigo, perdoou meus pecados e foi o único a acreditar que minha alma podia ser salva. Não sei como e muito menos o porque, mas fui eu que o matei. Eu o vi cair no chão, inerte e sozinho.


 


My best friend died a lonely man


(Meu melhor amigo morreu um homem solitário)


In a some Palm Springs hotel room


(Em algum quarto de hotel na Cidade de Veraneio no sudoeste dos EUA)


 


 Fora Dumbledore, meu amigo agora falecido, que me dera a notícia que Lily havia morrido. Eu ainda posso sentir a dor no meu peito, a falta de ar, os olhos lacrimejando, quando soube da notícia.


 Era outubro, dia do Halloween, quando Pettigrew havia contado à Voldemort os esconderijo dos Potter. Ainda imagino como deve ter sido, como eles reagiram quando viram o Lorde entrar pela porta de sua casa, quando souberam o que ia acontecer.


 Consigo visualizar Voldemort andando pelas ruas de Godric’s Hollow, o brilho em seus olhos quando avistaram a casa dos Potter, a vingança ardendo na ponta de sua varinha quando ele lançou a maldição sobre o corpo indefeso de Harry Potter.


  Lembro-me de ter contatado Dumbledore para uma conversa, quando ele me disse o que havia acabado de ocorrer. Uma sutileza penetrava sua voz, enquanto eu tentava não chorar.


 


 


I got the call last Christmas Eve


(Eu consegui a ligação um dia antes do Natal)


And they told me the news


(E eles me contaram as novidades)


I tried all night not break down and cry


(Eu tentei a noite toda não ter um ataque de nervos e chorar)


As the tears rolled down my face


(Então as lágrimas rolaram na minha face)


I felt so cold and empty


(Eu me sentia tão frio e vazio)


Like a lost soul out of place


(Como uma alma perdida fora do seu lugar)


 


 Poucos - ou nenhum – acreditaram em como eu sentia muito por tudo o que acontecera. Aliás, uma das piores coisas em ser um Comensal da Morte, eu descobri mais tarde, é o fato de que ninguém vai confiar em você novamente. Exceto alguém como Dumbledore, é claro.


 Depois da morte dele, eu fui completamente excluído do que chamava de casa. Por algum tempo, eu não voltei à Hogwarts.


 E minha esperança morreu com ele. Exatamente como meu coração morrera com Lily.


 


And a mirror on the wall


(E como um espelho na parede)


Sees my smile it fades again


(Veja meu sorriso perdendo a força de novo)


 


 Foi difícil encontrar-me de novo. Não consegui achar a paz novamente durante um ou dois anos. Foi pior do que eu poderia imaginar, principalmente porque voltei à Hogwarts para acabar com a paz que lá habitava.


 O lugar que chamara de lar, agora me assombrava. E ainda assim, era obrigado à andar pelos corredores sob olhar acusador daqueles que se mantinham fiéis à Harry Potter e à Ordem da Fênix.


 Mas nenhum deles me deu a chance de mudar de crença.


 


And give me something to believe in [and give me something to believe in]


(E me dê algo em que acreditar [e me dê algo em que acreditar])


If there’s a Lord above


(Se há um Senhor superior)


And give me something to believe in [and give me something to believe in]


(E me dê algo em que acreditar [e me dê algo em que acreditar])


Oh, Lord, arive


(Oh, Deus, apareça)


 


 Ás vezes eu gosto de imaginar que não sei de nada. Que não ouvi aquela profecia ser dita. Que não transmiti seu conteúdo à Voldemort. Gosto de pensar que sou apenas um garoto, cuja única preocupação é a nota dos N.I.E.M.S. Chego à desejar isso todas as noites, antes de dormir, para ter esperança de ser apenas um sonho.


 Se de nada eu soubesse, nada teria acontecido, nada eu teria a lamentar e, se pensar mais adiante, nada teria acontecido à Lily Evans.


 


Sometimes I wish to God I didn’t know now


(As vezes eu rogo para Deus “eu não sabia”)


Things I did know then


(Coisas que eu sei agora então)


Road you gotta take me home


(Você consegue me levar ao caminho de casa?)


 


 Eu, agora, parado nesta sala do diretor, dentro de Hogwarts e me lembrando de coisas desconexas e sem sentido, consigo ver o quanto eu errei. Desde o principio errando, nunca fazendo a coisa certa e tentando concertar os erros da forma errada.


 Posso ouvir os gritos vindos de fora, posso sentir os feitiços sendo lançados à minha volta, a fúria das pessoas lutando. Quase posso ver as pessoas morrendo e aquelas que estão tão perto da morte. A guerra começou havia anos, mas a batalha estava ocorrendo naquele segundo. Senti-me culpado. Até mais do que deveria.


 Sinto minha Marca arder e a olho com raiva. Voldemort está me chamando, mas não quero ir até ele.


 Devagar, levanto-me e olho em volta, antes de sair pelo gabinete do diretor e andar pelos corredores destruídos de Hogwarts, minha eterna casa.


 Há destruição por todos os lados. Pessoas deitadas no chão, mortas, desmaiadas ou chorando. Alguns correm para lá e para cá, concentrados na batalha, sem nem reparar na minha presença. Dói, mas obrigo-me à não desviar do caminho. Quero ver tudo o que está havendo, pois machuca e eu mereço a dor.


 Sinto meu coração parar de bater ao ver uma garotinha com o uniforma da Sonserina, encolhida no chão, abraçando as pernas, provavelmente esquecida do grupo que foi acuado para fora do castelo. Ouço sua voz fina, chamando Jesus, baixinho, como uma prece.


 


I drive by the homeless


(Eu vou na direção do mendigo)


Sleeping in a cold dark street


(Dormindo em uma rua fria e escura)


Like bodies in a open grave


(Como corpos em uma sepultura aberta)


Underneath the broken old neon sign


(Embaixo da velha placa de neon quebrada)


Used to read “Jesus saves”


(Usada para ler “Jesus salva”)


 


  Na minha caminhada para fora de Hogwarts, vejo quantos grifinórios há em comparação com as outras casas. Não há ninguém da Sonserina – exceto a garotinha deixada para trás -, o que me deixa envergonhado de pertencer aquela casa em particular. Vejo que todos eles são covardes, fogem em vez de lutar e vão para a casa, dormir em camas macias, enquanto a metade dos grifinórios vai passar a noite em macas duras, no hospital St. Mungus.


 Abaixo a cabeça e deixo de pensar nisso. Não vale à pena.


 


A mile away way live th rich folk


(Uma milha distante do caminho das familias ricas)


And I see how they’re living it up


(E eu vejo como eles estão vivendo)


But while the poor they eat from hand to mouth


(Mas enquanto o pobre come da mão para a boca)


The rich are drinking from a golden cup


(O rico está bebendo em um copo de ouro)


And it just makes me wonder


(E isso só me espanta)


How so many loose and so few win


(Como muitos perdem e tão poucos ganham)


 


 Com um último olhar, eu aparato. Deixo a Marca me levar para onde Voldemort precisa de mim.


 A Casa dos Gritos? Não me parece um lugar muito original.


 Voldemort saí das sombras e me encara com seus olhos vermelhos. Não consigo deixar de sentir medo.


 Ele começa a falar e eu escuto. Respondo e escuto. Faço minhas considerações e finalmente entendo que chegou a minha hora. Sinto alívio.


 Gostaria de saber que irei para o céu, como muitas pessoas fazem, com uma frequencia incompreensível. Mas eu sei que fiz coisas erradas demais para morrer com esta certeza. Assim, encaro a cobra ser solta de sua gaiola mágica.


 A única coisa que queria agora era acreditar em alguém para quem eu pudesse rezar antes de morrer.


 


Ha, and give me something to believe in [and give me something to believe in]


(E me dê algo em que acreditar [e me dê algo em que acreditar])


I said the Lord above


(Eu disse Senhor superior)


Give me something to believe in


(Me dê algo em que acreditar)


Oh, Lord, arise


(Oh, Senhor, apareça)


 


 Existem momentos em que eu gostaria de não saber, coisas que eu sei agora.


 


There’s sometimes I wish he didn’t know now


(Há alguns momentos em que eu desejo que ele não soubesse)


Things I did know then


(Coisas que eu sei então)


And give me something to believe in


(E me dê algo em que acreditar)


 


 


N/A: pessoal, isso aqui ficou um lixo. Eu tentei, juro que tentei, pensei até em cancelar, mas acabei postando. A música usada foi “Something to believe in” do Poison. Eu recomendo.

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Comentários: 2

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Enviado por Larissa Batalha em 01/12/2012

Vc diz qe isso ficou um lixo ?! Eu discordo completamente , eu achei maravilhoso , é um outro lado da historia pra parar , pensar e refletir . Muitas pessoas condenam Snape por suas escolhas e atitudes , a maioria delas nao pensa qe seus atos , creio eu , deixaram marcas e dores nele proprio . Vc transmitiu na sua fic maravilhosa esses sentimentos e dores ... eu amei e vc esta de parabens !!

Nota: 5

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:: Página [1] ::

Enviado por Neuzimar de Faria em 20/10/2012

Você pensou em cancelar?! Por quê?! Snape era um homem cheio de solidão e sofrimento e você descreveu isto com tanta sensibilidade e competência! Parabéns!

Nota: 5

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