Harry abriu com dificuldade os olhos cansados. “O quê?” Ele rosnou.
“Fim de semana em Hogsmeade cara.” Disse Neville. “Você vem?”
Os quartanistas haviam começado a fazer os exames GCSE dos trouxas, e haviam passado a noite anterior fazendo um dos exames, dessa vez trigonometria, e quando o teste finalmente terminou Harry mal podia manter os olhos abertos. Ele se levantou e esfregou os olhos antes procurar pelos óculos na mesa de cabeceira apenas para descobrir Neville os segurando para ele. “Obrigado.”
“Então, como você acha que se saiu?”
“Bem.” Disse Harry.
De acordo com Hermione, os trouxas normalmente levavam até dois anos para passar completamente pelo processo do GCSE. Em Hogwarts eles faziam tudo em apenas um semestre, um semestre que para Harry era duas vezes mais difícil, pois ele também tinha o quadribol. Felizmente os outros professores se apiedaram dos quartanistas e reduziram significativamente a quantidade de dever de casa.
A exceção, é claro, era Snape, que tinha um olhar de alegria sádica no rosto ao atribuir tarefas absurdamente longas em todas as aulas.
“Sabe,” Disse Harry, “Eu não tenho certeza se eu quero ir. Eu vou só ficar deitado na cama em estado vegetativo por um tempo.”
“Desculpe cara,” Disse Neville, “Nós estamos vetando essa idéia.”
Rony apareceu atrás dele. “Esse é o primeiro fim de semana de visita a Hogsmeade no ano em que você não tem nem jogo de quadribol nem treino de quadribol.” Declarou o ruivo. “Sem treino de força, nem dever de casa, graças a Merlin. É um milagre você ainda não ter explodido por falta de tempo para relaxar.”
“Então você vem com a gente.” Disse Neville. “Vá tomar um banho, você está fedendo. Nós vamos pegar algum café da manhã pra você e nós comemos no caminho.”
“Odeio vocês.” Disse Harry sinceramente. “Odeio vocês dois.”
Rony riu enquanto Neville arrancou os lençóis de cima de Harry expondo ele ao cruel frio escocês do meio de março.
Meia hora depois, empacotado em um casaco, um cachecol e uma capa de chuva que Duda ganhou de presente, mas que não havia servido no garoto, Harry e seus colegas de dormitório enfrentaram a chuva e o frio do inverno escocês e subiram em uma das carruagens para Hogsmeade.
A chuva parou assim que eles chegaram na vila, mas o vento tomou o seu lugar. Ainda assim Harry estava agasalhado o suficiente — pra não falar dos feitiços de aquecimento — para não se importar muito com o vento enquanto eles caminhavam pela vila. A lojinha da escola tinha os itens essenciais a venda tais como penas, pergaminho, tinta e alguns outros suprimentos, mas comprar na vila além de mais divertido apresentava muito mais opções. Dada a sua falta de oportunidades de visitar Hogsmeade esse ano, Harry aproveitou a oportunidade para comprar algumas roupas para o verão. Ele não contava mais com seus tios para comprar roupas para ele desde sua primeira viagem ao beco diagonal.
Dadas suas experiências recentes, ele também passou por uma livraria e pegou um livro interessante sobre a Confederação Internacional de Bruxos, que também tinha detalhes sobre cada ministério dos países membros e uma lista das nações e regiões que não faziam parte da Confederação. Ele também procurou por qualquer livro com informações sobre a história dos Estados Unidos, já que a biblioteca de Hogwarts não parecia ter nada sobre o assunto, principalmente sobre os Estados Unidos da América do Oeste e sobre como a guerra civil separou a sociedade mágica americana. Mas ele não conseguia encontrar nenhum livro do tipo na livraria.
“Que é que está procurando rapaz?” Disse uma voz cheia de sotaque.
Harry quase pulou para fora dos sapatos, se assustando por causa da voz quase em sua orelha. Ele girou e viu um velho e enrugado olhando para ele através de óculos com lentes incrivelmente grossas, quase esféricas, que ampliavam seus olhos remelentos a quase o tamanho de uma bola de tênis. “Er, desculpe, só estava olhando.” Disse Harry.
“Bem sim, eu pude ver isso, não sou cego ainda. Quase, mas não ainda.” Disse o velho com uma gargalhada. “Você está procurando alguma coisa, mas não consegue encontrar. Então, o que você está procurando?”
“Bem, eu estava procurando alguma coisa sobre a América. Digo, sobre a guerra civil deles?”
O homem piscou por de trás dos óculos antes de sorrir. Por alguma razão Harry esperava um sorriso cheio de dentes sujos e amarelos, mas a magia protegia o corpo, logo os dentes do velho eram perfeitos. “Qual delas?”
“Espera, o quê? Achei que a América tinha tido uma guerra civil. É isso que eles ensinam no primário.”
O velho gargalhou novamente. “Rapaz, aqueles americanos estão lutando entre si a mais de um século. Um homem é como um leão quando está determinado a proteger a causa que acredita. Mas livros falando sobre esse assunto são proibidos. Você não pode tê-los.”
Harry encarou o homem em choque. “Proibidos? Por que livros falando sobre a América são proibidos?”
“Por causa Daquele-Que-Não-Deve-Ser–Nomeado é claro.” Disse o velho bruxo. “Ele apoiava o que os Estados Unidos da América do Oeste fizeram. Antes das coisas começarem a ficar violentas entre ele e o ministério, no começo dos anos setenta, ele escreveu um artigo instigando os ingleses a adotarem o mesmo tipo de governo que a América do Oeste. A Suprema Corte dos Bruxos ordenou que ele fosse preso. Chamaram ele de traidor. As coisas ficaram bem sangrentas depois disso.”
“E então eles proibiram livros sobre a América?” Disse Harry. “Isso é estúpido.”
“Rapaz, para as pessoas no poder idéias podem ser mais perigosas do que uma varinha. Então vamos terminar suas compras e nada de livros proibidos ok?”
Harry saiu da loja após o velho embalar seus livros e colocá-los em uma sacola para ele, sempre sorrindo por detrás de seus óculos. Harry acenou em agradecimento antes de ir se juntar aos seus amigos no Três Vassouras carregando sacolas de roupa e de livros.
Os três amigos estavam saindo do Três Vassouras quando eles ouviram barulho de gritos e comoção. Curioso, Harry guiou os outros garotos mais adiante na rua procurando a fonte da confusão, quando eles viram três bruxas mais velhas — sendo que uma delas provavelmente já tinha mais de cem anos — lançando feitiços de baixo nível, porém dolorosos, em uma aluna com roupas da Grifinória.
“Pelas bolas Merlin, aquela é a Hermione?” Perguntou Rony se engasgando.
Harry viu chocado que era de fato Hermione, que estava chorando enquanto tentava se defender com um feitiço escudo ensinado pelo professor Lupin. Sem a menor hesitação, Harry passou para Rony suas sacolas com livros e roupas que ele tinha comprado e correu para a briga, irritado com os muitos espectadores imóveis na rua assistindo enquanto três bruxas atacavam Hermione.
Harry pulou entre Hermione e as outras três bruxas e levantou seu próprio escudo, gritando o encantamento do feitiço já que ele ainda não sabia como lançá-lo silenciosamente. O escudo apareceu com um forte brilho branco, absorvendo os feitiços das três bruxas. “Deixem ela paz!” Ele gritou para elas.
“Que impertinência!” Gritou uma das bruxas.
“Prova de que a garota enfeitiçou ele, provavelmente uma poção de amor.” Gritou outra bruxa.
“Melhor matar ela então.” Disse a terceira bruxa sorrindo e levantando a varinha.
Fúria e medo percorreram o corpo e a varinha de Harry. Ele gritou “Estupefaça!” e colocou cada gota de magia que conseguiu naquele feitiço. Ele não esperava pelas duas coisas que aconteceram logo em seguida: primeiro o que saiu de sua varinha não foi um jato de magia vermelha, mas uma verdadeira parede de magia vermelha que se chocou contra as três bruxas ao mesmo tempo, derrubando-as inconscientes e jogando-as no ar, empurrando elas vários metros para trás, enquanto a multidão estupefata e silenciosa assistia.
E então a segunda coisa aconteceu, sua varinha quebrou com um enorme barulho de Crack. Não houve calor na varinha ou dor na mão de Harry, a varinha simplesmente se quebrou, como se fosse uma pequena bomba que havia acabado de explodir lançando lascas de madeira para todos os lados. Ele encarou chocado a varinha quebrada em sua mão, e enquanto os bruxos na rua pareceram não entender o que havia acontecido com a varinha, todas as bruxas na rua começaram a gritar em desespero ao ver a varinha quebrada.
“Harry.” Disse Hermione atrás dele. “Venha, nós precisamos ir.”
“Mas minha varinha...”
“Nós precisamos ir agora Harry!” Ela insistiu. Ela agarrou a mão dele, e através do toque e do contato com a magia dela Harry pode sentir o absoluto e esmagador terror que ela estava sentindo, não apenas pelo fato de ter sido atacada, mas principalmente pelo fato de Harry ter explodido a própria varinha.
O terror dela foi o bastante para convencê-lo a ir com ela, enquanto as bruxas da vila resmungavam e olhavam sombriamente para Harry, ao passo que os bruxos não pareciam estar entendendo nada. Eles alcançaram Rony e Neville, ambos estavam muito pálidos. “Caramba, o que aconteceu?” Perguntou Rony.
“Harry quebrou sua varinha.” Disse Hermione. Ela ainda não havia soltado a mão de Harry e continuou arrastando ele em direção as carruagens que levavam os alunos de volta para Hogwarts.
“Quebrou? Pisou em cima dela ou algo do tipo?” Perguntou Rony.
“Não Rony.” Respondeu rispidamente Hermione olhando para trás. “Ele quebrou ela com magia. Ele usou tanta magia num único feitiço que sobrecarregou ela e ela explodiu na mão dele, e agora...” Ela parou abruptamente, soluçou uma vez e limpou as lágrimas do rosto. “Nós falamos disso mais tarde. Agora nós temos que voltar a Hogwarts.”
“Eu ainda não entendo por que todo esse alvoroço. Ele pode pedir outra varinha pro Coven dele...” Disse Rony enquanto trotava atrás deles.
Neville, no entanto estava encarando Harry com olhos arregalados. “Harry você realmente fez isso?”
Harry ergueu a varinha quebrada para que ambos os garotos pudessem vê-la, enquanto Hermione puxava sua outra mão. “Nós precisamos voltar a Hogwarts agora!!!” Gritou ela desesperada.
Ela estava quase correndo agora, forçando os três garotos a correr para acompanhá-la, até que eles alcançaram as carruagens. Ela entrou em uma e se sentou, cobrindo o rosto com as mãos em tristeza e desespero enquanto os garotos subiam na carruagem atrás dela. A frente da carruagem o testrálio relinchou querendo saber por que eles haviam voltado tão cedo.
Harry relinchou de volta pedindo ao testrálio para voltar depressa para o castelo. Não eram exatamente palavras, já que testrálios se comunicavam mais transmitindo idéias do que palavras especificamente falando. “Eu nunca vou me acostumar com esse negócio de omniglota.” Disse Rony antes do testrálio se por bruscamente em movimento, lançando o ruivo para trás e forçando os outros a se segurarem.
“Desculpe.” Disse Harry. “Eu disse pra ela que estávamos com pressa.”
De fato, a carruagem se movimentou a velocidades que se aproximavam as de um automóvel trouxa, muito mais rápido do que o usual. Apenas os feitiços na carruagem impediram que eles saíssem voando. “Então, alguém pode me explicar o que está acontecendo?” Perguntou Harry.
Hermione balançou a cabeça limpando a última de suas lágrimas. O rosto dela estava vermelho e ela tinha marcas na bochecha e no queixo. “Eu não tenho autorização para contar a vocês sobre isso. Todas as bruxas sabem sobre esse assunto, mas só alguns bruxos sabem — geralmente membros do governo — e nenhuma bruxa que não seja uma Dama tem autorização para contar a um bruxo.” Disse ela.
“Mas você vai nos contar de qualquer modo.” Disse Neville. “Eu já tenho uma idéia do que é, mas Harry precisa ouvir a explicação.”
Ela lançou um olhar longo e duro para Neville e então se virou para Harry. “Varinhas não servem apenas para lançar feitiços e servir de foco para ligações mágicas. Elas têm uma terceira função que não é contada para os bruxos. As varinhas permitem que a magia das bruxas flua normalmente e sem restrições quando elas lançam um feitiço, mas elas limitam o poder e a quantidade de magia que os bruxos podem usar. Varinhas são designadas não apenas para focar o poder, mas para bloquear o poder dos bruxos. Mas em algumas raras vezes acontece de um bruxo ficar poderoso demais e a varinha não consegue bloquear o poder dele. Quando isso acontece a varinha explode e se quebra. A professora Hooch disse que quando isso acontece os Covens normalmente forçam o bruxo a se ligar a uma bruxa para diminuir o poder dele.”
“O que?” Disse Rony espantado. “O que acontece se ele se recusar?”
“Azkaban, ou talvez elas simplesmente façam ele se ligar a força.” Respondeu Neville. “Pensem nos Comensais da Morte que se recusaram a se ligar. Onde eles estão agora?” Ele esfregou o próprio rosto. “Bem, primeiro de tudo, eu juro para você Hermione que eu não vou contar a ninguém que você nos contou sobre isso. Eu sempre ouvi que as aulas de Estudo dos Bruxos dadas para as garotas eram muito diferentes das que são dadas para os garotos.”
Harry balançou a cabeça, atordoado demais para falar, até que ele pensou no que aconteceu. “Por que elas estavam atacando você Hermione?”
“Porque eu sou uma sangue-ruim que se atreveu a tentar roubar o menino-que-sobreviveu das bruxas puro-sangue que mereciam ele por direito de nascença.” Ela zombou.
“Isso é bem imbecil.” Disse Rony.
“Diga isso para a Gina.” Disse Hermione. “Sua irmã tem me lançado olhares furiosos desde que ela descobriu que Harry me convidou para o baile. Ele me enfeitiçaria ela mesma se ela pudesse se livrar da punição que ela receberia.”
“Isso é tão injusto.” Murmurou Harry sentido aquela velha raiva latente voltar a crescer. “Quem eu escolho pra me acompanhar num maldito baile não é da conta de ninguém. E por que a quantidade de magia que eu tenho é da conta de alguém? Isso tudo é estúpido!”
"Harry," Disse Hermione cuidadosamente com um olhar de urgência no rosto. “Você não viu como a maioria das pessoas agiu perto de Dumbledore em Geneva? Como só emanando magia ele quase fez a Umbridge mijar nas calças no fim do baile? Ele é o bruxo mais poderoso do mundo porque atualmente ele não está ligado a nenhuma bruxa. Ele poderia explodir facilmente a própria varinha se quisesse, e há rumores de que ele pode até mesmo fazer magia sem usar uma varinha, que é uma coisa que o ministério classifica como arte das trevas. As pessoas têm medo de bruxos poderosos não ligados a nenhuma bruxa. Lembra a eles de Você-Sabe-Quem, ou de Grindelwald, ou de Merlin. Nós somos ensinadas que Merlin foi um vilão por matar Rowena e por tentar destruir o segredo das bruxas portadoras de varinhas, e somos ensinadas que Morgana foi uma heroína por matar ele. Elas vão forçar você a se ligar, eu sei disso. Eles vão ligar você a alguma bruxa mais velha para manter você sobre controle.” Ela soluçou novamente e cobriu o rosto. “Eu nunca devia ter aceitado o seu convite para o baile, eu não devia!”
Antes que os garotos pudessem dizer qualquer coisa a carruagem chegou ao castelo. “Caramba, isso foi rápido.” Murmurou Rony.
Por mais rápida que a viagem de carruagem tivesse sido, de algum modo as notícias viajaram mais rápido. Na entrada principal do castelo já estavam esperando por eles Alvo Dumbledore com uma expressão sombria no rosto e a professora McGonagall ao seu lado. Estranhamente ela estava vestindo uma faixa com dois brasões sobre o peito.
“Vocês foram inteligentes ao voltarem rapidamente ao castelo.” Disse o diretor em um tom calmo que não combinava com sua expressão. “Sr. Weasley, Sr. Longbottom, acredito que seria sábio vocês dois retornarem a torre da Grifinória. Rogo-lhes para que não falem sobre os eventos de hoje para ninguém, por nenhum motivo, nem mesmo para suas famílias.”
“Especialmente as suas famílias.” Disse McGonagall. “Potter, Granger, venham conosco, por favor.”
Hermione acenou, os olhos vermelhos e uma expressão conformada no rosto. Neville e Rony olharam para Harry como que se desculpando. “Vou levar as suas sacolas de livros e roupas para a torre.” Ofereceu Rony em uma voz suave.
Eles se separaram e em poucos minutos Harry e Hermione se viram na sala do diretor com a porta se fechando atrás deles. “Antes de nós começarmos,” Disse Dumbledore, “vocês devem estar cientes de que a professora McGonagall está aqui agora agindo como a Dama do Coven Dumbledore e não como diretora da Grifinória. Seus status de estudantes não serão levados em conta nesse assunto. Outras duas pessoas se juntaram a nós em instantes.”
A lareira no outro lado do escritório se iluminou com chamas verdes e Harry ficou tenso quando de lá saiu a Dama Délia Griffin, Dama do Coven do qual os Potter faziam parte, vestindo uma faixa muito parecida com a da professora McGonagall, apenas com brasões diferentes. Quase ao mesmo tempo, a porta do escritório se abriu e por lá entrou Severo Snape.
“Obrigado por vir Dama Délia.” Disse Dumbledore. “Dama Minerva está aqui representando meu Coven. Professor Snape está aqui como guardião mágico escolhido pelo Sr. Potter.”
Délia Griffin estreitou os olhos ao ver Hermione. “E por que essa jovem moça está aqui?”
“Um assunto diretamente relacionado que eu gostaria de resolver primeiro.” Disse Dumbledore. “Por favor, sente-se. Chá será entregue em breve.”
O estômago de Harry estava se revirando. “Primeiro de tudo, Sr. Potter,” Disse Dumbledore, “por favor, entregue sua varinha para a Dama Minerva.”
Lutando para controlar o tremor em sua mão, Harry passou a varinha para a professora. A expressão de desânimo da professora McGonagall ao ver a varinha não o fez se sentir nem um pouco melhor. McGonagall acenou a própria varinha sobre o que sobrou da varinha de Harry antes de se levantar e entregá-la para Dama Délia Griffin.
A Dama do Coven Griffin fez o mesmo antes de estalar a língua. “Entendo.” Disse ela. Ela jogou os pedaços da varinha por cima do ombro e eles voaram direto para a lareira onde os pedaços estalaram e queimaram com um fogo azul. “Vou perguntar novamente.” Disse ela. “Por que essa criança está aqui?”
“A Srta. Granger foi atacada por três bruxas mais velhas em Hogsmeade.” Explicou Dumbledore. “Foi em defesa dela que o Sr. Potter sobrecarregou sua varinha.”
Griffin lançou um olhar para Harry e Hermione. “Essas bruxas foram machucadas de alguma forma?”
“Eu fui informada de que elas foram estuporadas apenas.” Disse McGonagall. “Dadas às circunstâncias e as idades envolvidas, eu voto para que todas as acusações de agressão sejam descartadas.”
“Essas bruxas...” Continuou Délia ignorando as palavras de McGonagall. “Ele as estuporou individualmente?”
“Todas as três foram estuporadas simultaneamente.” Disse Dumbledore. “Foi isso que destruiu a varinha.”
Délia acenou, como se ele tivesse meramente confirmado o que ela já sabia, e então se virou para encarar Hermione especulativamente.
“Garota, me disseram que você é muito inteligente, então eu vou ser franca. Você é uma nascida-trouxa. Depois do fiasco que foi Lílian Evans, os Covens não irão tolerar outra nascida-trouxa se ligando a um Potter. Foi o egoísmo de Lílian que resultou no fato de haver restado apenas um único herdeiro da linhagem Potter ainda vivo, sendo que Tiago Potter tinha o potencial para mais duas ou três parceiras de ligação e conseqüentemente mais filhos. Estou disposta a esquecer o papel que você teve em toda essa situação contanto que você me dê sua palavra de que ficará longe de Potter. Vou até mesmo oferecer um acordo — vou deixar que seja a segunda bruxa a se ligar a um bruxo avaliável do Coven Griffin. No momento nós temos três bruxos com poder o bastante para se ligar a mais uma bruxa — um dos quais tem apenas trinta anos. Mas me permita ser clara — você não é apta para ser parceira de ligação de Potter e não permitiremos que você se ligue a ele. Fui clara?”
“Perfeitamente clara Dama Délia.” Disse Hermione por entre os dentes cerrados.
“Então pode ir embora criança. E se lembre das minhas palavras.”
Hermione se levantou e caminhou com dificuldade, porém rapidamente, em direção a porta pela qual ela saiu. Após ela ir embora Griffin encarou Harry. “Então, primeiro ele rejeitou o que me foi dito que teria sido uma ligação mágica poderosa e extremamente vantajosa com uma descendente dos Medicis na Itália, então ele ataca fisicamente uma bruxa na Austrália, e agora ele explode a própria varinha enquanto estupora três bruxas adultas. E se isso não fosse o bastante ele teve a ousadia de nomear um bruxo em vez de uma bruxa como seu guardião mágico. Ancião Dumbledore eu estou vendo um padrão aqui, e é um padrão bastante preocupante.”
“Você está procurando por árvores em uma floresta Délia.” Disse McGonagall. “O Sr. Potter defende seus amigos. Eu já vi fazer isso várias vezes. Ele não se importa se seu amigo é um bruxo ou uma bruxa, nem se a ameaça a seu amigo é um bruxo ou uma bruxa. Ele simplesmente os defende. Ele se importa com o que é certo. Quanto ao jogo contra a Austrália — você sabe muito bem que aquilo é uma falta tática usada em jogos profissionais, e foi uma muito bem feita por sinal. Se ele fosse uma bruxa as pessoas estariam aplaudindo ele por isso.”
“Mas ele não é uma bruxa. E ele recusou se ligar a uma MEDICI!” A última palavra saiu como um sibilo enfurecido. “Você tem idéia da honra que ele poderia ter trazido para o Ministério Britânico, para o Coven Griffin e para esta escola se ele tivesse se ligado a uma Medici?! Como diabos ele sequer conseguiu recusá-la? A Dama dela me disse que a garota era bruxa mais poderosa e bem treinada que ela já viu na vida, que a garota tinha o poder e habilidade para se ligar a qualquer um que ela escolhesse mesmo que o bruxo tentasse recusar!”
“Eu não posso dar a minha opinião sobre isso?” Disse Harry.
“Cale a boca, seu garotinho estúpido!” Rosnou Délia de repente. “Eu sou a sua Dama! Você não fala comigo a menos que eu fale com você primeiro! Eu estou seriamente considerando as opções de te colocar em estado vegetativo ou de te eliminar de uma vez antes que cause algum dano permanente a uma bruxa.”
“Você não vai fazer tal coisa!” Rebateu Minerva. “Nem mesmo os Covens das Trevas iriam permitir isso!”
“Ele vai estar morto antes mesmo que os Covens das Trevas tenham a chance de ouvir sobre isso.” Rosnou Délia.
“Não madame, ele não vai.” Disse Dumbledore calmamente.
Délia se virou e olhou surpresa. Até mesmo McGonagall pareceu surpresa. Dumbledore se sentou imóvel, sua magia cuidadosamente contida e controlada. “O Sr. Potter tem apenas quatorze anos, e ele estava defendendo uma amiga. Não é uma questão de ligação, mas de amizade, e como Ancião e diretor eu não irei permitir que ele seja morto ou machucado de qualquer forma.”
“Eu sou a Dama dele, a decisão é minha.” Disse Délia estreitando os olhos.
“Então talvez ele devesse trocar de Coven.” Disse Dumbledore.
“Ele é menor de idade. Não pode tomar essa decisão.” Rebateu Délia. “E Severo, se você como guardião do garoto sequer pensar em trocá-lo de Coven eu vou garantir que você volte para Azkaban tão rápido que Aurora nem vai saber que você foi embora... e Rolanda vai me ajudar!”
“Estou certo que ela iria.” Disse Snape. Ele se virou para Harry. “Eu te disse que era um erro me pedir para ser o seu guardião mágico.”
Harry acenou com a cabeça, lutando com todas as forças para não atacar a bruxa odiosa. “Se você renunciar eu poderia pedir a outra pessoa para me representar?”
“Se ele renunciar, eu como sua Dama vou ser a sua guardiã mágica.” Rebateu Délia.
Harry olhou para ela, ainda lutando para controlar o tom de sua voz. “Dama Délia eu posso ver a sua mágica. Com todo o respeito, eu não acredito que você tenha meu melhor interesse em mente. Se o professor Snape deseja renunciar o cargo de meu guardião mágico, eu peço que Amélia Bones assuma a posição se ela estiver disposta. Eu me encontrei com ela e conversei com a sobrinha dela. Eu acredito que ela seria uma guardiã justa.”
Délia recuou como se tivesse levado um tapa, e do lado dela a boca de McGonagall se contraiu no que poderia ser um sorriso ou uma careta, era difícil dizer.
“Já que o pedido do garoto me colocou em uma situação insustentável, eu decido renunciar ao cargo de guardião mágico dele.” Disse Snape rapidamente. “Dama Minerva, Dama Délia, eu aceitei a posição porque o garoto precisava dos meus serviços para lidar com os duendes de Gringotes, mas nessa área eu seria incapaz de representá-lo propriamente. Por tanto eu me desculpo e me retiro.”
Com isso, o professor de Poções passou andou rapidamente para fora da sala e desapareceu.
Por detrás de sua mesa, Dumbledore manteve uma expressão extremamente neutra enquanto escrevia um pequeno bilhete em um pergaminho. “Fawkes, entregue isso a Madame Bones por favor.”
Harry olhou para a fênix quando ela apareceu sobre a mesa em uma bola de chamas brancas e amarelas cantando a mesma música que cantou quando o diretor apareceu para salvá-lo dos dementadores. A fênix pegou a carta e desapareceu em outra bola de chamas.
Quando o pássaro se foi, Délia Griffin olhou com ódio para Harry. “Você está fazendo um inimigo perigoso hoje Sr. Potter.”
“Eu não faço inimigos madame.” Disse Harry com firmeza. “Eles parecem surgir muito bem por conta própria.”
Momentos depois a lareira rugiu novamente em chamas verdes e Amélia Bones saiu de lá. A mulher usava um monóculo no olho, vestes elaboradas e calças de cetim. “Então os rumores são verdadeiros.” Disse ela ao entrar na sala. “Ele realmente atacou aquelas bruxas?”
“Com um bom motivo Amélia.” Disse McGonagall. “Elas atacaram uma amiga dele, e ele simplesmente defendeu ela com um feitiço estuporante.”
“Um feitiço estuporante de área ampla que explodiu a varinha dele.” Continuou Bones. “Sim, a história já está se espalhando e chegou no ministério. Podem esperar por um artigo de tamanho considerável sobre isso no Profeta Diário amanhã — e não vai ser bonito. Dama Délia, espero que você esteja bem. Então, por que eu estou aqui?”
“O guardião mágico do Sr. Potter renunciou ao cargo.” Disse Dumbledore. “Na ausência de tal guardião o Sr. Potter pediu para que você assumisse o cargo. Ele explicou que já se encontrou com você e sentiu que você seria uma guardiã justa.”
Bones fungou de forma distintamente deselegante. “Agora eu sei como Snape se sentiu. Então Sr. Potter, você está tentando me arrastar para o meio de uma briga entre Covens?”
“Madame eu apenas...” Havia muitas emoções em ebulição em seu peito no momento fazendo com que ficasse difícil para ele falar. Finalmente ele disse, “Antes de morrer, a professora Burbage me ensinou que para viver nesse mundo mágico algumas vezes os bruxos precisam da ajuda de uma bruxa. Madame, eu preciso de ajuda.”
“Bem dito Potter;” murmurou McGonagall.
A expressão dura de Amélia suavizou ligeiramente enquanto ela caminhou pelo resto da sala até parar atrás dele. “Muito bem Harry. Eu aceito o posto de sua guardiã mágica. Chefe Warlock?”
“Sim.” Disse Dumbledore. “Assim, a saber, Harry explodiu sua varinha. Dama Délia quer que uma medida mais rigorosa seja aplicada porque ela diz perceber um padrão de violência do garoto contra bruxas.”
“Padrão?”
“Ele quase matou a apanhadora australiana.” Falou Délia bruscamente. “E ele atacou três bruxas adultas. E mais ainda, ele recusou se ligar a uma Medici!”
Amélia balançou a cabeça. “Com todo o respeito Dama Délia, aquilo foi uma tática de apanhador brilhante. O time nacional da Irlanda usou a mesma tática para vencer a final do campeonato contra os americanos ano passado. Eu joguei quadribol profissional por dois anos antes de me juntar ao ministério, e eu garanto a você que aquilo não foi um ato de violência, mas uma falta tática extremamente bem pensada que levou o time de Hogwarts para as semifinais. Quanto ao ataque a aquelas bruxas — apesar das concepções de pureza de sangue, agressão ainda é um crime, e aquelas bruxas estavam agredindo uma garota de quinze anos. Três bruxas adultas, uma bruxa adolescente. O Departamento de Execução das Leis da Magia já determinou que as ações do Sr. Potter foram justificáveis já que ele usou um feitiço não letal para salvar sua amiga. Nenhuma acusação criminal será feita.”
Harry não pode evitar suspirar de alívio.
“Há ações civis, e preocupações maiores do que apenas a lei.” Disse Délia. “Ele explodiu a varinha enquanto atacava bruxas!”
“Sim, eu estou ciente das implicações.” Disse Amélia acenando. “Não posso dize que estou feliz sobre isso. O que você está exigindo então?
“Que ele seja ligado à força imediatamente a uma bruxa adequada escolhida em uma reunião de emergência do Sabbat. Provavelmente duas bruxas, dado o poder que ele demonstrou. Caso contrário ele precisa ser eliminado. Ele é claramente um perigo para todas as bruxas.”
Bones olhou longamente e duramente para Harry antes de dizer, “Sim, eu posso ver que ele é um estuprador lunático e delirante atacando bruxas por todo o país. Honestamente Dama Délia, você está realmente tentando afirmar que o Sr. Potter é uma ameaça? Ele nem prestou os N.O.M’s ainda. Ele é poderoso, mas ele não tem treinamento, e quando ele finalmente tiver treinamento o bastante para ser um ameaça ele já vai estar ligado por meios normais a muito tempo.”
“Não é bom o bastante;” Gritou Délia. “Como Dama dele é isso que vai acontecer pela minha autoridade civil!”
“O que nos trás ao nosso segundo ponto.” Disse Dumbledore. “O Sr. Potter não acredita que Dama Délia tenha o seu melhor interesse em mente, e ele deseja mudar de Coven.”
“Eu me pergunto o que o fez querer isso.” Disse Amélia com um sorriso irônico.
“Os Potters têm sido parte do Coven Griffin desde a fundação de Hogwarts.” Disse Délia. “Nós não vamos simplesmente deixar ele ir embora.”
“Então parece que vamos ter uma reunião de emergência do Sabbat no fim das contas.” Disse Amélia. “Francamente Dama Délia, eu concordo com o Sr. Potter que você não tem o melhor interesse dele em mente. Por mais poderoso que ele possa ser ele só tem quatorze anos. No mundo trouxa isso seria considerado estupro e como guardiã mágica dele eu não posso concordar com tal ação.”
“Então eu chamo uma reunião do Sabbat.” Disse Délia. “Dama Minerva?”
“A disputa é grande o bastante, tenho que concordar.” Disse a professora. “Eu também chamo uma reunião do Sabbat. Deixemos os Covens se reunirem para decidir esse assunto.”
“Até lá o Sr. Potter permanecerá no castelo sem uma varinha.” Disse Dumbledore. “Essa escola reconhece o direito da Dama selecionar a varinha para os bruxos de seu Coven. Se o Sr. Potter for autorizado a mudar de Coven, será sua nova Dama quem selecionará uma nova varinha para ele.”
“Até lá.” Disse Délia antes de se levantar e andar diretamente para a lareira desaparecendo nas chamas verdes momentos depois.