''Carolina, nesses olhos fundos... guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo. Eu ja lhe expliquei que nao vai dar. Esse pranto nao vai nada ajudar. Eu ja convidei para dancar, e hora ja sei, de aproveitar''
Logo chegam as ferias. Para Maria nao fazia muita diferenca, pois ela nunca descancava. Em Bristol as coisa eram corriqueiras, sempre as mesmas dificuldades, a mesma luta. As vezes era de encher o saco. Porem ela ja se perguntara varias vezes o que faria caso um dia todo o mal fosse expurgado do planeta, o que faria? Tudo que ela sabia se baseava em lutar... e sem usar magia. So contava com suas abilidades e com sua espada. Passava muito tempo com Wanda Sumerfield, uma mulher muito talentosa que trabalhava em Bristol criando pocoes, antidotos, soros, a maioria deles tendo como seu ingrediente principal a prata. Era auror quando mais jovem, mas depois acabou ficando cega, o que nao diminuiu em nada sua credibilidade, Wanda era muito inteligente. E era com uma mae para Maria.
(...)
Chega o dia de retornar a Hogwarts.
Snape havia passado as ferias na escola, pensando no que sua vida tinha se tornado, e TORNADO era uma boa palavra para definir o que houve. Como se nao bastasse a desgraca que era ter que proteger o Potter, depois que aquela garota havia pisado em Hogwarts, sua vida virou um inferno. Vida, se e que podia chamar aquilo de vida. Nunca ele teve o que quiz, e o que chegou mais perto disso foi quando estava com o Lord das trevas. Nunca ele teve amigos de verdade, e o que chegou mais perto disso foi a amizade falsa de Lucio Malfoy. Nunca ele teve alguem que o amasse como homem, e nada achegou perto disso.
Entao ele comecou a raciocinar, as pessoas quando bebem comecam a pensar nas ''verdades'' da vida, e ele estava na beira da lareira com seu copo de wisky de fogo, lembrando dela, dos seus labios carnudos, dos seus cabelos cacheados e longos, com mexas descoloridas nas pontas tentando parecer rebelde... do corpo frio daquela noite em que encontrou-a no corredor, um corpo que ansiava por calor, e como ele queria dar esse calor. Ele jogou sua existencia ao leu quando jurou proteger o filho da mulher que amou. Nao poderia seguir sua vida ate aquele fedelho tomar juiso, e isso irira demorar. Comecou a se arrepender disso, antes tinha um motivo, mas agora... Ele nao queria admitir nem para si mesmo mas a muito olhos verdes tinham dado lugar a cor-de-onix, cheiro de jasmim ja nao o agradava tanto quanto aquele perfume sensual, misterioso e perigoso de Maria. E ele pode comprovar isso quando teve a ideia de cheirar um vidrinho contendo ''amortentia''. Lilian era doce, meiga, linda... mas por ela ele perdeu o melhor de sua vida. E quando pensava em Maria ele sentia uma vontade louca de voltar atras, de viver algo com ela , como uma pessoa normal, que nao precisasse ter medo, nem receio. Que pudesse descobrir o que existia dentro daqueles olhos fundos e tranparentes, decifrar labios que sorriam e olhos que choravam sem derramar uma lagrima. Porque quem quizesse notaria que ela nao era tao feliz quanto parecia, era uma felicidade forcada, mas para disfarcar. So o que era ele nao sabia.
(...)
''La fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou... uma estrela caiu. Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ai que lindo... mas Carolina nao viu!''
Um dia na sala de pocoes, ele, Severo Snape tentando ser mais gentil, o que ele nao sabia direito como fazer, ate porque ela era uma insolente. Mas ele tentaria. Explicou como fazer a pocao do dia para todos os alunos. E como ela encontrou dificuldade em usar o conta-gotas, ele segurou a mao dela tomando uma certa distancia de seu corpo, mesmo assim alguns alunos ainda notaram o gesto, que ele nunca havia feito sob os olhos de ninguem. Alguns ate pensaram:''Safado, isso so porque ela e gostosa, hein morcegao?''
Maria, ao sentir o toque, teve um ataque de hormonios, primeiro, o coracao quase parou, o mundo girou, foi como se ela levasse um choque. Depois a sensacao de ve-lo tocando sua pele a fez ficar totalmente mole, ela achou que iria desmaiar... Um homem daquele tao perto... Ele lhe disse algo, que ela nao ouviu, nem respondeu. Ele, que ja era mais experiente pode notar o quanto seu contato com ela estava lhe deixando descontolada, e foi ai que ele se sentiu o dominador, e ela estava perdendo. Ele conseguiu retomar sua pose. Deixou-a terminar sozinha e saiu como se nao tivesse acontecido nada.
Ela se perdeu no que estava fazendo, nao sabia mais que ingrediente havia colocado, ou o que faltava, saiu colocando o que achou que deveria e se esqueceu que no inicio ele havia dito para deixar a tampa do caldeirao com saida de ar. E foi ai o maior erro: ela achou que era para tampar bem, nao deixando espaco para o ar sair ou entrar. Entao alem de tampar completamente, ela usou travas de seguranca.
Passados cinco minutos...
O caldeirao comecou a inflar... e inflar... e quando alguem se deu conta...
BUUUUUUUMMMMMMM
Nao deu nem tempo de gritar, ou pedir socorro. Tudo aconteceu tao rapido que so puderam tentar se proteger. Alguns ficaram abestalhados. Um menino continuou no mesmo lugar que estava segurando a alca do caldeirao tentando se situar. Uma explosao daquele porte nunca tinha acontecido nas aulas de Snape, entao...
Maria, ja prevendo o que aconteceria, tentou sair de mansinho, mas ele a abordou no fim da sala:
_Voce!!!
Ela passou pelos destrocos tao rapido que ele ate tentou agarra-la(no bom sentido, por enquanto), mas foi em vao. Ela esquivou-se dele facilmente correndo pelos corredores. Ele, antes de ir atras dela, ainda gritou:
_Volte aqui menina dos diabos!
Todos ja estavam prontos para ver o que houve e ela, ainda correndo, encontrou o professor Lupin no corredor acima, agarrou-se nele:
_Professor, me salva. O Snape quer me matar.(exagero)
Nisso ele chega furioso e os tres comecam a ''dancar'', Lupin tentando protege-la e Snape tentando... vai saber o que ele queria fazer com ela! O fato e que estava ''cuspindo fogo''.
_Saia da frente Lupin.
_Severo, calma...
_E, Severo, calma...-disse ela repetindo o que Lupin falou.
Mas nao funcionou muito. Snape ja estava a ponto de explodir. Fez uma jogada de corpo, puxou-a para si com firmeza e a levou pelo braco. Antes de sairem ela ainda disse se virando para Lupin:
_Meu heroi...
''Carolina, nesses olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que ja nao existe! Eu bem que avisei, vai acabar... de tudo lhe dei para aceitar, mil versos cantei pra lhe agrdar... Agora nao sei como explicar!''
Ja na sala do diretor, ele a acusava com fervor, tanto como a desejava.
E... ela ouviu o diabo! So nao ficou com os ouvidos doloridos porque Dumbledore interviu. Disse que nao poderia expulsa-la porque foi um acidente. (E na verdade, ca entre nos, a culpa foi dele.) Snape ficaria de arranjar uma detencao que coubesse a ela.
Ele nao entendia, por mais que fizesse tentar agrada-la ou se aproximar dela, algo dava errado.
''Nao e possivel-pensava-essa garota e... ai!'' Nem ele sabia mais de que nome chama-la.
Segurou entre os dedos a pena dourada que estava sobre sua mesa. Observou como as plumas dancavam leves pelo ar. Lembrou de como a conseguiu: havia tomado dela, que a estava usando para importunar um aluno nas aulas, no terceiro aviso ele tirou das maos dela e nao quis devolver, ate porque a pena era muito boa de escrever. Largou-a em um gesto de desanimo e saiu pelos corredores ate a sala de pocoes para ver melhor o estrago. A sala estava um horror. So sobraram coisas quebradas e queimadas.
Mal se deu conta e chega Maria devagar, sorrateira, com cara de anjo.
_Ah, voce esta ai, santa Maria.
_Sim, eu vim para saber em que posso ajudar e pedir desculpas. Nao foi minha intencao causar nenhuma explosao.-disse ela meio se jeito
_Sei...
_O que o senhor esta fazendo?
_Admirando sua arte.
_Hum...-ela escondeu as maos para tras e torceu os labios.
_Mas ja que esta aqui, comece a limpar.-ele estende para ela uma vassoura-depois que voce fizer isso eu vou tentar reconstituir.
_Oh, Severo...-uma voz ao longe o chama
_Diretor, eu...
_Esta vendo o que pode fazer pela sua sala?
_Sala? Ruinas, o senhor quiz dizer?!
_Ora, nao e para tanto. E nao ha necessidade de limpar nada.
Dizendo isso o diretor ergueu sua varinha e em menos de dois minutos, a sala estava como antes, menos o caldeirao, esse tinha virado um ''balao''.
''La fora amor, uma rosa morreu... uma festa acabou... nosso barco partiu! Eu bem que mostrei a ela: o tempo passou na janela, so Carolina nao viu.''
''Essa essa garota e louca, nao da para entender...-pensava- como eu pude me interessar por alguem assim? E a maior insensatez!''
Ele decidiu que uns dois meses de detencao a faria repensar seus atos.
E no primeiro dia de detencao com ele... os dois na sala de pocoes, sozinhos. Ela vestida com uma calca preta, uma blusa tambem nessa cor, um bolero branco grosso dobrado ate os cotovelos com abertura frontal, e as tradicionais botas, que ela quase sempre usava.
Quando ela chegou ele a analizou de um modo geral. Apravou, claro. Ela tinha estilo, isso ninguem podia negar. E as roupas que ela usava eram simples, mas a deixavam muito elegante. E ele nao se lembrava de te-la visto exibindo joias caras, apesar de saber que seu pai poderia lhe dar tudo. Ela era simplesmente linda, nao precisava de adornos.
Ficaram sem se falar, ele atras dela a olhando e ela meio desageitada em cortar os ingredientes que ele havia pedido. Isso varias vezes o fazia rir, sem ela perceber, claro! Ela era do tipo engracada. E ele nao deixava de notar as mancadas dela. Ele se sentia muito a vontade perto daquela criatura desmiolada.
A detencao acaba e ela sai da sala notando o olhar sexy dele em sua direcao. E corou de novo, sentiu seu rosto queimar. Pediu licenca e saiu.
Ele achou no chao uma flor-de-maio azul que ela sempre usava no cabelo. Aspirou o perfume e sentiu uma vontade louca de ir atras dela. E foi o que fez. Com a desculpa de que iria comecar a ''patrulha da noite''.
Mal virou os corredore e encontra ela conversando com Cedrico Diggory. Ele, atrevidamente a puxa para um selinho, ela se vira, mas acaba deixando ele beijar seu pescoco. Snape ferveu de raiva. Iria atrapalhar os dois desavergonhados naquela mesma hora, mas ela se desgrudou de Cedrico e saiu. Foi direto para seu salao comunal, deixando-o babando. Snape o repreendeu e voltou aos seus afazeres. Colocou a flor em um livro com uma substancia conservadora.
''Logo viram outras detencoes...''-pensou ele com malicia.