Querer
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
Seu coração acelerou-se subitamente. As pernas tremeram e ela enfiou as mãos no bolso.
– Bom dia. – murmurou sentando-se a mesa.
– Bom díe. – respondeu a moça sem erguer os olhos da salada de frutas que comia.
Serviu-se de uma xícara de chá, ainda em pé.
– Onde estão todos? – perguntou depois de tomar um gole. O líquido quente desceu garganta abaixo acalmando-a.
– Forram vísitarr Georrgí. Tenterr convencé-lo a virr parra cá. – respondeu a moça levantando-se. Seus cabelos platinados brilharam a luz do sol ofuscando seus olhos quando ela começou a levar os pratos em direção a pia.
Sem mais palavra, ainda segurando sua xícara, virou-se para sair do cômodo.
– Herrmion. – chamou a outra quando ela saía.
A morena parou, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Aquela voz, baixa, contida, falando seu nome, era demais para o seu cérebro.
Ouviu os passos atrás de si, respirou fundo e tentou engolir, mas sua garganta não funcionava.
– Virre-se. – ordenou a moça.
Lentamente, com o coração estourando, ela se virou.
– Ache que já esta mais que na horre de vocé parrar de fugírr de mi. – disse cravando seus olhos azuis em Hermione.
– Eu não estou – pausou Hermione – fugindo de ninguém, Fleur.
– Eu soubé que vocé terrmina com Roní. – disse a loira.
– É só um tempo. – justificou Hermione – Está tudo muito tumultuado.
– Foí porr isse mesma? – questionou Fleur estreitando os olhos.
– E por que mais seria? – desafiou Hermione.
– Eu non te esquecí, saibe disse. – falou Fleur em uma voz abafada.
Hermione virou o rosto com um risinho doloroso.
– Mas se casou, Fleur. – falou ela.
– Foi um erre. – explicou Fleur. Havia um tipo de mágoa ressecada em sua voz, identificável mesmo sob o sotaque francês. Algo doloroso de se ouvir.
– Não. – disse Hermione – Nós fomos um erro, nós duas.
– Non digue isso. – irritou-se Fleur – Eu amo vocé.
– Ah, poupe-me, Fleur. – Hermione pousou a xícara na estante ao lado e virou-se para sair.
Sentiu Fleur prender seu pulso.
– Se qué vocé ainde me ama. – disse a loira.
– Está enganada. – declarou Hermione. Mas ela sabia que o tremor em sua voz a denunciaria. Os dedos de Fleur no seu pulso já eram o suficiente para tirá-la do eixo.
– Non, non estó. Sua pele esquente quande toca na minhé. – afirmou Fleur – Virre-se. Olhe parra mim e digue que non sente nade quande te toco.
Hermione virou-se lentamente, decidida a mentir, mas os olhos de Fleur fizeram seu corpo inteiro esquentar.
A garota puxou-a para si, deixando seus lábios muito próximos. Ela viu os olhos de Fleur irem até sua boca, e perfurarem novamente os seus.
– Esto lhe dande a chance de fugirr. – avisou.
- Não está não. – sussurrou Hermione antes que conseguisse se conter.
- Non? – falou Fleur confusa. A respiração da garota fez seu peito expandir-se.
- É impossível fugir de você, você nunca poderá dar essa chance.
A morena manteve seus olhos presos aos azuis da francesa, não por opção, mas por desespero.
Fleur levou as mãos à lateral do rosto dela e Hermione fechou os olhos ao toque.
Seu coração começou a bater enlouquecidamente, era uma dor física, inexplicável.
Quando sentiu a respiração de Fleur preencher seus pulmões, era como se não houvesse chão sob os seus pés, ou céu sobre sua cabeça, e quando os lábios dela tocaram os seus, doces e conhecidos, foi como se ela tivesse presa no limbo da aparatação. Era delicioso e ela nunca queria sair dali. Fleur beijava-a lentamente, como se o tempo fosse infinito, como se estivessem em um buraco negro, sendo puxadas lentamente para o nada.
Sentiu quando as mãos dela puxaram-na para si, uma em sua nuca, outra na sua cintura, prendendo-a, queimando-a. Uma força absurda moveu seus dedos até os fios longos de Fleur, puxando-a, fazendo seus corpos se pressionarem um contra o outro.
Um barulho, que Hermione reconheceu imediatamente como Bichento lutando com os anões, a trouxe de volta à realidade.
- Não. – murmurou tentando se soltar, mas Fleur apenas puxou-a para um abraço. A morena sentiu seu coração desesperado bater de encontro ao dela.
Desvencilhou-se e saiu dali o mais rápido possível, ignorando que Fleur chamava seu nome. Só parou para respirar quando sentou na cama em que dormia no quarto de Gina.
- Herrmion. – chamou Fleur através da porta fechada – Isso é muite imaturre de sua parrte.
As mãos de Hermione fecharam-se em punhos.
- Eu sou imatura?! Eu sou imatura?! Ah faça-me o favor Fleur Weasley! Fui eu que me casei às pressas por que me apaixonei por uma garota? – gritou de volta.
- Alorromora – Fleur entrou – Colloportus.
Silêncio.
- Vamos agirr de forrme racional. – pediu a loira.
- Concordo. Então vá embora. – disse Hermione rabugenta.
- Je t'aime – disse Fleur sentando-se ao lado dela na cama.
Seus cabelos reluzindo sob um único raio de sol que se esgueirou pela abertura da janela, como alguma coisa muito preciosa, muito valiosa.
E Hermione só conseguia pensar que ela se quebrara, que a perdera, seu maior tesouro.
- Eu te perdi. – expressou sem conseguir se conter.
Fleur pegou a mão dela e a beijou.
- Non. Non perrdeu. – colocou a mão sob seu peito, onde as batidas de seu coração reboavam – Eu sou sua e isse me enlouquecé.
As duas ficaram em silêncio por alguns momentos.
Fleur deslizou a mão pelo pescoço de Hermione, afastando os fios castanhos, arrepiando a pele de leite dela. Hermione sentiu novamente seu coração querer desesperadamente desertar ao corpo e explodir em um pulsar.
E o pior foi quando os lábios de Fleur alcançaram seu pescoço. Aspirando, roçando, e fazendo com que o estômago de Hermione se contorcesse em um enorme espasmo. Arfou levemente, já esquecida de todo o resto.
- Eu sentí tante falta do seu cheirre. – falou Fleur apoiando o rosto na curva de seu pescoço.
- Por que está fazendo isso? – a voz de Hermione saiu rouca, irreconhecível até para ela mesma.
Como resposta Fleur apenas a puxou, deixando seus lábios muito mais perto do que o adequado, muito mais perto do que o suportável. Aqueles olhos azuis novamente arrancaram qualquer coisa de dentro de Hermione, alguma coisa que saiu sangrenta e pulsante. E como única forma de defesa ela fechou os seus.
- Me beíja. – sussurrou Fleur levando a mão ao rosto.
Não houve resposta.
- Porr favorr...
O pedido foi interrompido. A boca de Hermione tateou pela dela, pedindo passagem docemente, entregando-se de forma suave e dolorida.
Suas mãos arderam incômodas, eram donas de si, e atendendo à um desejo compreensível apenas à elas puxaram o corpo esguio de Fleur para si. Tocando a pele suave da cintura sob a camiseta, fundindo-se aos fios platinados de sua nuca.
Por um longo momento Fleur ficou imóvel, apenas sua boca e seu peito trêmulo se moviam, e Hermione permitiu-se um sentimento absurdo de tê-la em suas mãos. Mas logo a pressão das mãos de Fleur a puxou em um único movimento colando seus corpos. Sua boca deslizou pelo rosto da loira até chegar a seu pescoço arrancando um minúsculo suspiro.
A mão de Hermione abandonou a cintura de Fleur indo parar em seu seio esquerdo tocando-o preguiçosamente, tateando devagar, Hermione sentiu quando o pescoço de Fleur arrepiou-se e acompanhou o percurso que um gemido fez através da garganta dela.
Aquilo foi o estopim. Aquele minúsculo gemido.
Hermione deslizou mão por debaixo da camiseta de Fleur querendo mais daquilo, sua mão alcançou um seio nu e Fleur arfou alto puxando Hermione de forma súbita, marcando seus lábios no pescoço dela. Então tudo saiu de órbita.
Antes que Hermione percebesse estava deitada na cama com Fleur sobre ela, beijando, lambendo, sorvendo cada parte de seu corpo que podia alcançar. A mão de Hermione deslizou sob sua saia, arrepiando a pela, fazendo Fleur suspirar ainda mais e logo depois voltou para livrar a loira da camiseta. Hermione puxou-a, fazendo com que ela se deitasse e pondo-se sobre ela, roçou os lábios pelos mamilos pálidos. Fleur se contorceu embaixo dela e ela aprofundou o toque. Sua mão deslizou pela coxa dela chegando à calcinha que ela tirou sem cerimônia, tocando Fleur com ânsia. Um gemido mais alto chegou aos seus ouvidos incentivando-a e ela aprofundou o contato.
Logo Fleur tremia descontroladamente até chegar ao orgasmo chamando por Hermione.
A morena beijou seu corpo trêmulo, úmido e lindo até chegar em sua boca. Beijou-a suavemente, o prazer queimando todo o seu corpo, exceto pela parte que queimava pelo erro.
Por um segundo os olhos se encontraram. Os olhos azuis de Fleur escurecidos sorriram para os agora quase pretos de Hermione. Então ela girou ficando sobre ela.
- Te querro... – sussurrou em seu ouvido sem necessidade.
Hermione sentiu as mãos quentes dela livrarem-na da roupa, deixando-a apenas com a lingerie. Sentiu também quando a boca dela começou a passear pelo seu colo, parando no sutiã. Fleur livrou-se dele e Hermione gemeu quando o quente de sua boca alcançou seu mamilo. Fleur demorou-se naquilo pelo que poderia ser uma eternidade, ou apenas um segundo. Desceu depois pela barriga parando na borda da calcinha, arranhando com as unhas a cintura da morena.
A calcinha também foi arremessada à um lado e Hermione sentiu a língua de Fleur tocá-la. Era uma sensação absurda, ela gemeu.
Deixou-se afundar entre os lençóis absorvendo todas aquelas sensações. As unhas de Fleur agarrando-se às suas pernas. Sua respiração invadindo-a. E a sua língua...
Hermione gemeu alto fazendo Fleur aumentar o ritmo, cravando as unhas nos lençóis. Alguns minutos depois sentiu-se rachar por dentro, mergulhando naquele oceano de sensações. Apenas uma parte de seu cérebro teve consciência de que Fleur a beijava. Mas as palavras dela atingiram-na com força.
- Vem comigue? – pediu a loira.
- Para onde? – perguntou enquanto a envolvia em um abraço.
- Quálquerr lugarre. Falarrei com Bill, terrminarei com ele, podemes ir parra a France, o que achí? – de súbito a voz de Fleur ficou entusiasmada – Qualquerr lugarr...onde eu possa estarr com vocé.
Houve alguns segundos de silêncio.
- Vocé só prrecise dizerr sim. – sussurrou Fleur por fim.
Hermione tocou seu rosto fazendo com que ela se voltasse para si. Beijou-a lentamente, docemente, beijou-a como se houvesse todo o tempo do mundo.
- Sim. – sorriu quando afastaram os lábios.
E havia.
____________________________________________________________
N/A: Ah, viu? Final feliz rsrshua Para quem sempre diz que minhas Hermiones não se permitem ser felizes, a minha primeira vai para você Bruna ;)