Lealdade
É um estar se preso por vontade
É servir à quem vence, O vencedor
É um ter com quem nos mata lealdade
Tão contrário assim é mesmo o amor
Acordou com um arrepio na espinha. Sentiu que mãos comprimiam sua cintura puxando-a.
– Cissa... – resmungou – Vá embora.
A mulher beijou-lhe nuca, aumentando os arrepios. As mãos dela passearam até a parte interna de sua coxa e ela não pode conter um leve ofegar.
– Você não quer que eu vá. – sussurrou a mulher – Você me quer Bella, como sempre quis.
Bellatrix virou-se desvencilhando-se das mãos dela.
– Você vai se casar amanhã com o estúpido do Lucius. Esqueceu? – disse ela fitando-a na penumbra.
– E você é minha irmã, esqueceu? – falou Narcisa irritada – O que você pretende? Casar comigo?
– O que pretende? Transformar-me em sua amante? – devolveu Bellatrix, havia mágoa agarrada a sua garganta, mas ela duvidou que Narcisa percebesse.
Um silêncio incomodo suspendeu-se no ar.
– E isso que quer? Nunca mais me ter, nunca mais me tocar? – perguntou Narcisa estreitando os olhos.
– Sabe que não. – murmurou Bellatrix – Eu te amo Cissa.
Narcisa revirou os olhos.
– Esse é o seu problema Bell – falou ela – Exterioriza demais as coisas.
– Você é muito insensível – acusou Bella.
Narcisa pegou a mão direita dela e colocou entre suas pernas.
– Não sou não. – disse de olhos fechados.
Ela beijou Bellatrix de forma súbita. Era um beijo lento, caloroso.
Ela se separou e seus olhos cravaram-se no rosto da irmã.
– Veja só. Você diz que me ama, mas quer se livrar de mim, eu não digo que te amo, mas nunca ficarei sem você. Então, qual é o amor mais forte? – disse.
– Só acho que isso é errado. Você está planejando enganar seu marido, antes mesmo de subir ao altar. – disse Bellatrix com a voz irritada – Isso é injusto comigo, é injusto com ele.
– Acha mesmo que seria possível lutar contra isso? Bell, meu amor, fomos amaldiçoadas ao nascer. No momento em que mamãe colocou-me no seu colo e você disse para todos ouvirem que eu era a estrelinha mais linda que você já vira – agora foi Bella quem revirou os olhos as palavras dela – Simplesmente sei que preciso de você, preciso.
Mais silêncio.
– Me ame. – pediu Narcisa.
Bella estendeu os dedos e tocou os fios loiros da irmã.
– Mais impossível. – disse pousando sua mão ao lado do rosto dela.
– Prove. – ordenou Narcisa.
Ela deslizou as alças da camisola de Bella, beijando-lhe o ombro, o pescoço, a morena puxou-a para si e beijou-a de um jeito faminto, possessivo.
Suas mãos rapidamente tomaram posse de cada parte do corpo alvo e delicado da irmã.
Havia alguma extasiante em ouvir a irmã gemer sob suas mãos, em sentir o corpo dela arrepiar-se, perpassando ao seu corpo aquelas sensações.
Era impossível resistir. Se pudesse manter Narcisa prisioneira de seus braços, de seu corpo, ela o faria sem demora.
Os olhos lhe saborearam lentamente. De uma forma ridícula, Bella se sentira corar. Entrara no quarto de sua mãe para ajudar Narcisa a se vestir. Agora essa a fitava de um jeito enlouquecedor.
– Bell...Já disse que verde é sua cor? – sorriu ela.
Bellatrix vestia um longo vestido frente única, verde garrafa, um rachado lhe subia até a coxa deixando visíveis vez após vez suas pernas torneadas. Seu vestido de madrinha. Os cabelos estavam presos em um coque, deixando o decote em “v” bastante visível. O salto completava a imagem.
A irmã, de lingerie vermelha, com o cabelo já pronto para a tiara, aproximou-se lentamente.
– Eu deveria proibi-la de ir ao meu casamento. – falou parando há poucos centímetros de Bella.
– Por que? – perguntou a morena fitando os lábios da irmã. Havia um imã neles que a atraia de uma forma enlouquecedora.
– Por dois motivos: – começou a explicar Cissa. Sua mão se postou nas costas nuas de Bella. – Primeiro, eu deveria ser a mulher mais linda hoje, mas só vão olhar para você como sempre, isso vai me irritar. Segundo, como posso me casar com o aguado do Lucius com essa perfeição ao meu lado?
A outra mão dela deslizou pela abertura do vestido, acariciando as pernas de Bella. Seus lábios tocaram o pescoço dela, deslizaram depois para a curva dos seios. Bella deixou a cabeça pender para trás com um suspiro.
Narcisa separou-se dela e trancou a porta.
– Eu deveria estar ajudando você com o vestido. – disse Bellatrix com um meio sorriso.
– De onde você acha que veio a tradição da noiva demorar? – perguntou Narcisa divertida.
– De onde? – perguntou Bella.
– De transar com a madrinha, claro. – sussurrou Narcisa roçando seus lábios nos dela.
Seus lábios foram novamente à curva dos seios de Bella. Demoraram-se ali, fazendo a morena estremecer.
Narcisa empurrou-a para a cama.
– Lembra dessa cama? – perguntou.
Bella corou. Havia tirado a virgindade de Narcisa quando esta tinha quinze anos, na cama dos pais.
– Eu criei um monstro aquele dia. – falou.
Narcisa riu.
– Pode ter certeza. – disse forçando Bella a se sentar.
A morena sorriu quando as mãos de Narcisa subiram constatando que ela estava sem calcinha.
– Ora, ora que surpresa...Planejava transar com o padrinho? – perguntou a irmã maliciosa ajoelhando-se na cama sobre ela.
– Tradição, não é? – zombou Bella.
– Eu duvido. Isso era para a noiva. – sorriu a irmã.
– E alguma vez você me viu de gala e me deixou em paz? – perguntou Bella apoiando as mãos na cama. Seu corpo ficou inclinado e os lábios de Narcisa tocaram seu pescoço.
– E alguma vez você se arrependeu? – sussurrou a loira em seu ouvido enquanto acariciava seu sexo.
Bella gemeu.
– Acho que isso é um não. – sorriu Narcisa.
Bella fechou os olhos sentindo os dedos da irmã percorrerem seu sexo de forma provocante. Arfou quando ela fez um círculo em seu clitóris e deixou-se cair por completo na cama. Narcisa aumentou a velocidade do movimento fazendo Bella se contorcer. A morena adorava aquela sensação.
– Cissy... – sussurrou – Mais.
Narcisa prontamente atendeu. Bella sentiu-a suspender seu vestido, e logo após a língua dela substituir seus dedos.
As unhas de Narcisa cravaram-se em suas coxas, enquanto sua língua forçava caminho fazendo Bella gemer alto. Era como se a língua de Narcisa a queimasse. Era uma sensação absurda. Deixou-se afundar lentamente, até que seu corpo todo começou a fugir ao seu controle. Arrepios percorriam todo o seu corpo, e era quase impossível não gemer. Teve que morder os lábios com força para não gritar, e quando achou que não ia suportar, derreteu-se em um delicioso orgasmo.
Botões.
Um.
Dois.
Três.
Botões.
E os relances das costas nuas de Narcisa. A pele alva, branquinha, pequenas marcas que ela conhecia com a ponta da língua.
E o maldito vestido branco.
– Não acredito que você vai se casar.
– Acostume-se. Eu vou.
- Isso é patético. Sou mais velha e ainda não casei. – falou Bella lhe entregando o buquê de lírios brancos.
- Pois não tardará. – sorriu Narcisa suavemente – Gostou? – perguntou Narcisa indicando o buque com um olhar.
Bellatrix deu de ombros.
- Escolhi por que são suas favoritas. – explicou Narcisa levemente indignada.
- Não são mais. – disse a morena simplesmente.
Ela tinha uma expressão serena, parecia um pouco, um pouco não, ela parecia feliz. Bellatrix quis matá-la por isso. Condená-la à morte por aceitar um branco azedo patético como marido.
Quase não percebeu a cerimônia discorrer. Um patético juiz de paz discursava para a linda e brilhante Narcisa, e um abobalhado e também patético Lucius Malfoy de smoking preto.
- Bella? Posso me sentar?
- Não.
Houve três segundos de silêncio em que Rodolphus Lestrange fitou a mulher sentada e Bellatrix não desviou os olhos de seu Martini nem por um milésimo deles. Ele pareceu decidir-se por não contrariá-la e se afastou.
Virou o copo.
Levantou-se.
Estava bêbada, provavelmente. E isso era bom.
Aproximou da irmã, o vestido longo de Narcisa, bordado de forma luxuriosa era muito bonito. Os olhos azuis cinzentos, céus deliciosamente nublados, fitaram-na não com apreensão, mas como um aviso.
Desvencilhou-se dos outros, ignorou o olhar reprovador da mãe e sussurrou ao seu ouvido:
- Me encontre nos jardins.
Minutos depois, um novo copo – agora firewhisky – ela aguardava entre rosas, petúnias e orquídeas.
As belezas das flores murcharam quando a moça loira se aproximou.
- O que foi? – questionou Narcisa, um copo de champanhe nas mãos.
- Não vá. – pediu a morena.
- Não comece Bells – um gole – Você está bêbada.
- Não vá. – repetiu baixinho.
Narcisa se aproximou dela.
- Meu amor – sussurrou – Eu já fui. O que não significa que você irá me perder. Você não vai.
Ela tocou os lábios da irmã levemente e então a abraçou prendendo-a fortemente.
- Eu ainda sou leal à você e sempre serei. – beijou seu pescoço de forma obscena. Bella arrepiou-se. As mãos deslizaram em suas costas nuas. – Por isso, continue leal a mim.
Os lábios se uniram mais uma vez. Bellatrix foi tomada por uma enorme vontade de absorver todo o livre arbítrio da irmã. Não era a primeira vez que sentia algo assim. Isso sempre acontecera, em festas que ela ia com os amigos, nos namoros. Sua mão esquerda pressionou o seio dela, beijando-a ainda mais fortemente.
- Toque-me. – pediu a loira em seu ouvido – Como nunca fez antes.
E que outra opção além de obedecer?
As mãos invadiram os vestido puro da noiva, tocaram com lascívia e desespero a lingerie vermelha, até chegar à um ponto onde Narcisa gemeu e suas pernas vacilaram.
Bella empurrou-a contra uma fonte inútil que havia àquele canto, tocando-a possessivamente, absorvendo-a através de suas digitais, sorvendo-a pouco a pouco através dos lábios, possuindo sua mente de forma brutal, enquanto Narcisa se derretia de prazer sob seus toques.
- Diga que você é minha. – pediu Bella.
- Eu sou sua Bells – gemeu Narcisa jogando a cabeça para trás – sua.
- Elas são muito ligadas, não é? – ouviu alguém dizer.
Havia alguma coisa na maneira formal com que a mãe concordou com o comentário da pessoa que divertiu Bella.
A morena fechou suas mãos em punhos. Tentando inutilmente conter as lágrimas que lhe caíam borrando a maquiagem.
A noiva, depois de cumprimentar à todos aproximou-se dela.
- Pare com isso Bella. – falou ela aborrecida, mas Bella viu seus olhos úmidos.
- Boa viagem. – foi tudo que Bella conseguiu dizer.
- Tome. – Narcisa pegou uma orquídea azul, beijou-a e entregou à irmã – Está na hora de começar a gostar de outras flores.
Bellatrix pegou a flor nas mãos.
- Encantei-a para que nunca morra. Ela é o que eu sou. A minha parte que é sua, e nunca morrerá. – sussurrou Narcisa quando a abraçou.
Bellatrix ficou olhando enquanto ela dava o braço à Lucius e desaparatava.
Alguma coisa foi arrancada de seu estômago.
- É tão bonito ver irmãs que se amam tanto. – falou novamente a infeliz que não ficava quieta.
Dessa vez a Senhora Black sequer respondeu. Apenas apertou os lábios enquanto fitava a filha morena ainda distraída fitando a orquídea.
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N/A: Adorei escrever essa *-* e aí ficou bom?