Enlevar, arrebatar e extasiar: Três passos para a conquista
2º passo: arrebatar
Até que a morte nos separe
Era incrível. Minto. Era irritante. Sempre que ela resolvia relaxar, Harry a procurava para que fizesse alguma coisa.
Mal se sentou no sofá e ele a berrou da cozinha. Mas afinal, o que ele fazia na cozinha?
– O que foi? – perguntou ainda sentada.
E ela não se levantaria dali para nada.
– Mione, tem certeza que o bolo não passou do ponto? – perguntou, coçando a cabeça.
Bolo?
– Que bolo? – disse confusa.
– Isso que está dentro do forno é um bolo, não é? – comentou olhando para dentro do forno.
– Meu deus, o bolo! – gritou correndo até a cozinha – Era para a Srª Weasley – informou, vestindo luvas e tirando a assadeira do forno.
Colocou a mesma sobre a pia e encarou a roda preta que o bolo havia se tornado.
– Por que você não me avisou? – indagou a ele.
– Mas... – falou mexendo as mãos nervosamente – Era isso que estava tentando dizer. Só que você não queria nem me ouvir porque a sua novela já ia começar.
– E a culpa é minha? – questionou, jogando fora o bolo.
Harry ergueu as mãos para cima sem acreditar.
– Eu não vou discutir com você, Mione – ele retomou, decidido.
Droga! As discussões com Harry perdiam a graça quando ele não revidava.
Fechou o lixo e colocou a assadeira dentro da pia. O bolo da Srª Weasley ficaria para outro dia. Voltou-se para ele. Harry tinha os braços cruzados e a encarava. Estava esperando. Com certeza estava. Mas ela não daria esse gostinho a ele. O homem não podia ter razão. Hermione suspirou. Mas ele tinha.
– Desculpe-me – pediu.
– Por você ser teimosa e orgulhosa? – ele brincou, descruzando os braços e lhe roubando um sorriso – Está perdoada então.
Aproximou-se e a beijou, puxando-a pela cintura. Ela escorregou as mãos até a sua nuca e fincou alguns dedos nela, acariciando sua pele macia. Ele apertou sua bunda direcionando seus beijos para o pescoço. Subiu a mão pela perna erguendo o vestido até parar em um de seus seios, afagando-o. Mordeu levemente seu lábio inferior e beijou o canto da sua boca, ouvindo-a arfar.
– Harry? – ela disse baixinho.
– Sim? – perguntou em seu ouvindo sentindo-a estremecer.
– Mais tarde – pediu.
– Você é irritante – comentou em seu ouvido.
Ela sorriu marotamente e ele se afastou. Abriu os olhos, o encarou – ele estava encostado na mesa e tinha os braços cruzados – caminhou até ele, apoiou uma mão em sua barriga e sussurrou em seu ouvido:
– Você sabia disso quando me pediu em casamento.
E seguiu até a sala.
Situação: jantar de noivado.
Harry tilintou na taça com o garfo. Eu observei a cena, nervosa, mas não pude deixar de pensar no quanto ele gostava de clichês. Ele tossiu após todos terem feito silêncio e pousou a taça e o talher sobre a mesa.
– Como é de conhecimento de todos, eu e Hermione estamos juntos há cinco anos – começou solenemente.
– Enrolão! – um primo meu berrara.
Eu sorri. Nem tanto pelo comentário, mas sim pelo rubor que atingiu a face de Harry instantaneamente. E sorri mais ainda quando percebi que o texto que ele decorara havia se perdido a partir do momento em que ele fora interrompido.
– É por isso que hoje eu anuncio que iremos nos casar – disse.
O texto? Bem, o texto deveria ter quase uma lauda mas, em suma, era exatamente isso que ele queria dizer.
O burburinho recomeçou. Meus tios foram até Harry e deram um tapa em suas costas quando o abraçaram. Outras pessoas também o abraçaram e bateram em suas costas. Após o sexto tapa, ele passou a preferir um simples aperto de mão. Minha mãe veio até mim entre lágrimas. Chamem-me de insensível, mas ela fora a primeira pessoa a saber do noivado e chorou tanto quanto antes. Meu pai deu um forte abraço no meu noivo. Olhei para os dois, ambos sorrindo, contentes, bobos. Ali, sim, tive vontade de chorar.
Situação: cerimônia de casamento.
Fora estranho notar que a minha vó beijara o Harry antes de mim, que sou a noiva, mas fora isso tudo ocorria bem. Eu estava linda dentro de um simples vestido branco de noiva, isso segundo minha mãe, mas ela era muito suspeita para falar. Afinal, qual mãe não acharia sua filha linda no dia do seu casamento? Talvez uma mãe sincera.
Uma prima vinha com a caixinha que continha as alianças. Harry a pegou e a abriu com um sorriso. Eu não sou adivinha, mas sabia que algo tinha acontecido quando o sorriso em seus lábios se desfez.
– As alianças... – disse, sem acreditar – Elas não estão aqui.
– Rony! – quase gritei.
O ruivo se aproximou de mim cauteloso.
– Onde estão as alianças? – perguntei desesperada.
– Eu... eu não sei – gaguejou, nervoso – Elas estavam na caixinha. Eu as deixei na caixinha.
Price, filho de Fred Weasley subiu ao altar discretamente. Isso depois de Angelina, a mãe dele, ter lhe dado um puxão de orelha.
– Aqui, tio – falou entregando uma caixinha igual a que Harry segurava.
Era de se imaginar que o Price tivesse algo haver com isso. Infelizmente havia herdado do pai o gosto pelas armações e brincadeiras.
Ronald a abriu e lá estavam as alianças. Sorriu aliviado. Ser morto por mim era a última coisa que queria na vida.
– Perdão, padre – Rony pediu, quase da cor dos seus cabelos.
Encarou-me com receio mas eu depositei um beijo em seu rosto, deixando-o relaxado. E a cerimônia seguiu sem mais interrupções.