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3. Segredos Demais


Fic: A Origem dos Dementadores - A PEDIDOS CAP 8 ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Postagem em - 18/02/2012


 



 


 


 


 


   Apenas quando os últimos barris de vinho tinham acabado, as bandejas de assados reduziram-se a sobras e as vozes dos menestréis estavam roucas de tanto cantar, que foi proclamado o fim da grandessíssima festa de Ogden.


 


  O homem que plantou dúvidas e desejos na cabeça dele durante a festa com um audacioso convite de levá-lo para longe da rotina, evaporou-se com da mesma rapidez como surgira ― misteriosamente. Tão sumido quanto o tal Conde, era seu pai. O Duque de Bordon juntou-se ao filho no  saguão apenas quando chegara a hora de despedir-se dos convidados.


 


— Belíssima comemoração! — exclamou Sir Melborn dando um caloroso abraço em Ogden. — Reforço meus cumprimentos, Sir. Que goze plenamente seus vinte e seis anos e muitos outros que ainda virão! — desejou, numa gargalhada prazerosa que só o velho Melborn, antigo artesão de seu pai, possuía.


 


— Muito obrigado, senhor.


 


— Não me agradeça. Agradeça a seu pai. — disse, apontando para o Duque que acabava vir para postar-se ao lado do filho nas despedidas — Sempre generoso...


 


— Por favor, Melborn. Acho que andou tomando vinho demais. — brincou o Duque com um sorriso cansado, indubitavelmente abatido. Isso fez Ogden pensar o quanto velho seu amado pai estava se tornando para acompanhar todas essas festividades até o fim.


 


  Assim que Melborn e sua família, além de mais meia dúzia de convidados, despediram-se deles e foram embora, ele não pôde deixar de perguntar.


 


— O que houve com o senhor? Sumiu por metade da festa.


 


— Me encontrava um pouco indisposto. — mentiu o Duque, esfregando os olhos com os dedos — Acho que acabei abusando demais daquela safra que encomendei.


 


— Pai, preferiria que se cuidasse mais. — repreendo-o com ternura.


 


— Ah, pare com isso, Ogden! — resmungou, irritado — Esqueça as lamentações de um velho tolo e me diga se gostou ou não do que lhe preparei esta noite?


 


  Ogden respirou fundo o ar fresco da noite e olhou para o pai, pacientemente. Amável, mas nem por isso maleável, pensou.


 


— É simplesmente tudo que alguém pode desejar para seu dia. Eu adorei, meu pai. — confessou.


 


  O Duque disfarçou todo o orgulho que tinha de seu primogênito para si. Dar tudo e um pouco mais que estava ao se alcance para Ogden, significava felicidade na vida de Charles Carter. Por Ogden ele desvinculou-se do antigo ofício, aprendeu a ser negociante no lugar de oficial, se refez e fez todas as vontades dele, até mesmo a de se casar com a filha de um plebeu. Mas o pai de seu pai havia a ele ensinado, que ensinara a Charles depois, que um senhor para ser respeitado pela família não deveria demonstrar-se sentimentalista demais. Por isso, tudo que o Duque fez foi apertar o ombro de Ogden carinhosamente e segurar o nó na garganta para não se emocionar.


 


— Meu pai?


 


— Sim?


 


— Eu sei que pode soar desrespeitoso, mas acontece que nestas festas o senhor costume chamar pessoas demais, de forma que fico sem jeito quando não reconheço ou conheço metade dos nossos convidados.


 


  O Duque não se sentiu ofendido com aquela observação. Realmente ele próprio estava cansado de se rodear de tantos puxa-sacos nestes eventos, mas ao contrário de seu filho, ainda imaturo nestas questões, entendia a importância de contatos, em outras palavras, aliados.


 


 — Ogden, acredite, eu mesmo não lembro o nome de metade das pessoas que frequentaram nosso castelo hoje. — argumentou, rindo — Mas porque me toma com este assunto, filho? Quando não reconhecer alguém faça como seu velho pai: sorria e chame-o de companheiro.


 


— Só o senhor mesmo! — exclamou Ogden subindo de volta as escadas para dentro do castelo, junto do pai. A madrugada estava deixando de se tornar refrescante para se tornar levemente gélida. — Mas sabe o que é mais engraçado nisso tudo? — continuou — É que o senhor convida tantas pessoas, mas tantas pessoas, que até amigos seus de vinte anos atrás que nem me conhecem, aparecem.


 


  O Duque de Bordon estatelou onde estava e encarou o filho com olhos ansiosos. Ogden retribuiu aquele contato, sentindo que dissera algo de errado nas últimas palavras.


 


— Como assim? — perguntou o Duque entre os dentes. Charles Carter desejava imensamente que aquela tivesse sido uma frase casual num momento inoportuno.  


 


— Eu iria deixar para falar isto amanhã...


 


— Isto o que??? — interrogou Charles, rispidamente.


 


— Eu recebi uma proposta de um antigo amigo seu. ― disse Ogden se esforçando para esconder a irritação por estar sendo interrogado como uma criança levada. — Não sei se o senhor teve o prazer de revê-lo porque sumiu por metade da festa, mas nós conversamos sobre alguns assuntos. Na verdade me senti honrado de conhecer alguém da envergadura dele.


 


― Mas que droga de meias palavras são estas, garoto?! — ralhou o Duque sentindo os pés formigarem de tensão. As palavras de Finningham “Ele voltou. Ele sobreviveu há todos esses anos e voltou...” latejavam em sua mente assim como o álcool ingerido naquela noite. — Com quem falou, afinal?


 


  Ogden atribuiu o comportamento repentinamente hostil dele a todos os excessos do qual um velho deveria ser poupado numa noite – bebida, agitação, intranqüilidade –, mas nada disso justificava o olhar temeroso, um semblante que ele nunca vira no pai.
 


— Como disse, é um amigo antigo do senhor. Tanto que o conhecia por oficial Carter e não por Duque de Bordon.


 


— O nome, Ogden! Eu quero o seu nome! — disse aos brados.


 


— Conde,Conde de Durham! — respondeu-lhe o filho, irritado.


 


  Conde de Durham?Esse nome não lhe dizia nada. Pensou o Duque, ignorando o olhar perplexo e indignado que seu filho lhe inferia pelos gritos impacientes. Os ressentimentos de Ogden que esperassem, ele tinha de raciocinar. Girando os calcanhares e rumando para dentro do salão, Charles queria um momento de solidão para tentar juntar as peças daquele quebra-cabeça exposto pelo Marquês Finningham há algumas horas. Ele bem queria estar enganado em relação a tudo, mas coincidências demais costumavam não serem coincidências.


 


— O que há de tão importante nisso tudo para gritar comigo dessa forma? — inquiriu Ogden não parando de segui-lo.


 


  O Duque virou-se para o filho.


 


— Vá para seus aposentos. Amanhã conversamos, e tenha uma boa noite de sono. ― ordenou mecanicamente, sem lhe dar muita atenção. Tal reação fez o sangue do jovem inglês esquentar.


 


— Não me mande ir me deitar como se eu tivesse cinco anos de idade! ― rebateu.


 


  Charles quase desacreditou que seu primogênito iria bater de frente com ele ali, agora. Disse calmamente ao filho:


 


— Não estou te tratando como uma criança. Sei o que você é, o que se tornou, mas agora preciso ficar sozinho e gostaria que se retirasse, meu filho.


 


  Gostaria que se retirasse? Como uma frase mal articulada poderia ser o estopim para uma explosão de sentimentos raivosos , Ogden e Charles, descobririam agora.


 


― Eu não sou um lacaio para me retirar após uma ordem. — disse, os pulsos cerrados. - E tem mais. O Duque de Durham me fez um convite do qual estou pensando seriamente em aceitar.


 


̶ Que convite? - quis saber Charles, voltando aquele tom inquisidor que despertou a ira no filho.


 


̶ Diferente do senhor, ele quer que eu explore novos mundos. Quer que eu viva um pouco, e respire outros ares além dessa maldita Bordon! O Conde é um capitão do mar. - Charles sentiu a cor sumindo do seu rosto e o coração pulsando rapidamente, apertando os pulmões e tornando sua respiração mais pesarosa - E com muita benevolência me chamou para conduzir sua terceira nau.


 


 Charles Carter teve medo... inicialmente. Depois, contudo, venho resoluto e desesperado, o instinto de um pai – proteger seu filho! Já não havia dúvida. Era absolutamente seu passado mal resolvido submergindo em seu presente, se enveredando a sua volta, furtivamente.


 


̶ Está proibido de conversar com este homem outra vez! - ordenou - Não mais encontrará ele, e se um dia o vir, não lhe de atenção, caminhe na direção oposta e não olhe para trás. 


 


 Se o filho do Duque de Bordon não estivesse tão embevecido em revolta, iria notar que apesar de nas palavras do pai pairarem autoridade, em seus olhos passavam terror. E embalado nessa coragem única de desabafar, depois de anos de submissão, Ogden viu que não poderia mais parar.


 


̶ Eu já me decidi. Eu vou!


 


̶ NÃO, NÃO VAI! - rugiu o Duque.


 


̶ E por quê??? - ergueu os braços e fitou tudo em volta com desprezo. Cada tijolo, cada porta de madeira, cada degrau da elegante escadaria e tudo mais que compunha o salão principal do castelo - Porque eu tenho deveres com cada centímetro desse lugar? Porque eu tenho de fazer companhia ao senhor em cada jantar e festa? Porque tenho que zelar por seu título e patrimônio?


 


̶ Tudo isso é seu, Ogden.


 


̶ Não, é seu. O senhor mesmo disse que nada que não é conquistado por nós mesmos é realmente nosso.


 


̶ Mas eu sou seu pai...


 


̶ Que não me deixa trilhar meu próprio caminho. - desabafou - Quero minhas próprias conquistas.


 


  Charles molhou os lábios e pensou numa forma de mudar de tática. Bater de frente com o filho estava apenas o afastando mais.


 


̶ Certo, o que você quer, filho? Viajar? Eu posso programar uma maravilhosa excursão pelo nosso país na melhor diligência que temos. Poderia levar Mademoiselle de Paxton e alguns lacaios para aumentar o conforto, e quem sabe...


 


̶ Meu Deus! - interrompeu o filho, perplexo - O senhor é incapaz de entender, não? Passei esses anos todos admirando-o e tentando não pensar em todas as formas, todos os artifícios que usava para me prender a você. Mas agora eu vejo tão claro quanto água numa taça de vidro que na verdade me quer bem perto, debaixo dos seus olhos, como um escravo. Esta festa e tudo mais que anda me dando todos esses anos são formas de me prender aqui... para sempre.


 


  Aquelas palavras foram pancadas de ingratidão na alma do velho Charles. Fora pelo primogênito que ele quebrara a ligação antiga dos Carter em servir o Rei pela profissão de oficial. Escolheu estabelecer-se numa casta abastada e esnobe, abandonou as origens, visando sempre o bem de Ogden. Que bela forma de me retribuir isto pensou sem encontrar argumentos para derrubar o ímpeto destemido do filho.


 


̶ Tudo que fiz e faço é por amor. - confessou o velho, deixando a conduta de não ser sentimentalista diante da família, para trás.


 


  Uma frase realmente sincera era capaz de desestabilizar um coração rebelde e de fato surtiu tal efeito em Ogden, que diminuiu o tom elevado da voz.


 


̶ Desculpe... meu pai. Mas preciso deste momento só meu. Preciso me ausentar por semanas, quem sabe alguns meses, e isso tem que ser por meus meios, ainda que o convite tenha vindo de um antigo amigo seu.


 


̶ Escolha qualquer outro capitão em qualquer outro porto, mas não vá com ele. Não vá. - disse o Duque, num gesto que apenas o amor era capaz de incitá-lo a fazer: Implorar.


 


̶ O que há de errado com o Conde de Durham?


 


  Era uma pergunta simples, diferentemente de sua resposta. Charles não teria apenas que se enveredar no passado para respondê-la. Teria que expor seu relacionamento com Ogden em risco para isto. Trazer fatos dantescos à tona, acontecimentos cometidos por um homem diferente daquele que ele moldara e enfeitara para o filho enxergar. Foram décadas trabalhando neste novo homem, neste novo caráter, mas tudo estaria arruinado em algumas horas de revelações. Não, Charles poderia viver alguns dias ou semanas com um filho desaforado e revoltado, mas jamais suportaria conviver com um filho que soubesse de toda a inescrupulosa verdade sobre sua personalidade.


 


̶ Isto não é assunto para você, filho. - disse calmamente.


 


̶ Então é só isso que tem a me dizer? - perguntou um Ogden inflado pela mágoa.


 


̶ Por hoje é. Boa noite, Ogden. - e finalizando a discussão, subiu as escadas para seu aposento onde sabia que passaria a noite em claro, refletindo em como repelir o passado que, de fato, ressurgira.


 
  Ogden permaneceu alguns instantes no salão, fitando incrédulo os passos do pai, até este sumir para o andar de cima.



  “Então era assim” se torturou mentalmente, lutando para não gritar de ódio “Para seu pai ele continuava sendo imaturo demais para saber dos segredos dos adultos. Pois bem, ele mostraria que podia ser adulto o suficiente para tomar decisões sozinho sem o consentimento do excelentíssimo senhor Duque de Bordon”.    


 


***


 


   Enquanto o sol preenchia, caudaloso, os céus durante o dia, a Abadia de Paxton era um lugar sagrado onde os fiéis que moravam ao redor fossem nobres ou plebeus, repletos de títulos e posse, ou mesmo sem nem um vintém, se encontravam. O padre Anthony, uma espécie rara de clérigo, que enxergava primeiro o coração de seus seguidores para depois reparar em quanto pesado eram seus bolsos, rezava todo dia pontualmente às sete da manhã e às três da tarde uma missa repleta de ensinamentos do mestre Jesus Cristo. Os devotos vinham de todas as partes de Bordon e até o Duque em pessoa dava as caras na pequena igreja do padre Anthony, mas apenas aos Domingos. Até quem não pertencia ao condado poderia aparecer nas missas que, ainda assim, seria bem vindo pelo bom e rechonchudo padre.


 


  Essa característica amigável e sem preconceitos do padre Anthony fazia com que aquele homem dedicado a Deus ganhasse mais amigos do que inimigos. Claro, os senhores de casta elevada não apreciavam dividir o mesmo teto com desdentados camponeses nas missas, mas também não conseguiam detestar um homem que por tantas vezes servia de intermediário nas negociações fosse de posse de terras ou no requerimento de algum trabalho entre eles e os camponeses.




  Para os ricos, padre Anthony era útil, para os pobres, um santo, mas ambos lhe agradeciam da mesma forma: com presentes. Peças de valor apenas sentimental ou donativos para igreja, não importava, toda semana um lacaio ou o próprio presenteador vinha agradecer ao padre com algo nas mãos além do terço e meia dúzia de pecados.




  Mas ninguém pode ser amado por todos. E o padre Anthony tinha um inimigo ferrenho, alguém por qual ele rezava todas as noite sabendo que este estava praguejando-o na mesma intensidade.


 


  Marquês Finningham não era corajoso o suficiente para tirar de uma vez por todas aquele risinho fácil do rosto rosado do padre. Nem queria provocar uma revolta para si se o acolhedor de mendigos não acordasse numa manhã de Domingo que não fosse por causas naturais. Na verdade, Finningham gostava daquela rivalidade, ela lhe trazia alguns benefícios como, por exemplo, não ter remorsos em invadir a Abadia na madrugada para atacar o estoque de vinho da igreja. Vinho de boa qualidade, diga-se de passagem, presente anual do Marquês Hamilton, o melhor vinícola da região.  


 


  Como dito, de dia a Abadia era movimentada, mas a noite tudo ao redor tornava-se um túmulo, e nesses momentos Finningham se regozijava da ideia de que o cretino clérigo não passava de um homem tão infiel quanto seus seguidores. Porque raios um padre teria medo de ficar sozinho, isolado e solitário na Abadia de Paxton durante a noite? Medo, ora. Sim, todos tinham medo daquele lugar durante a noite. Porque Anthony não teria?


 


  A Abadia fora construída quilômetros longe de qualquer moradia, dentro do vale mais escarpado de Paxton. Seus paredões de rocha davam a impressão de segurança, mas quem passasse uma noite que fosse dentro dos cômodos clérigos, ou mesmo diretamente na casa do Senhor, se surpreenderia com a quantidade de barulhos horripilantes que o lugar podia produzir.




  Tudo culpa do vento.




  Na madrugada, a brisa das planícies era arrastada para dentro do vale criando um redemoinho ao redor da Abadia. As tábuas das janelas e das portas batiam violentamente ainda que bem trancadas, criando sons soturnos que era somente madeira trepidando, mas para as mentes mais assustadas e criativas poderia ser vozes suplicantes, uivos agudos e até o ressonar de um imenso monstro bíblico à espreita do lado de fora.  


 


  Finningham não iria se intimidar pelo vento. Enquanto o padre Anthony tremia os esqueletos de medo da brisa vigorosa da sua paróquia noturna, preferindo morar na aldeia mais próxima, o Marquês invadia a adega da igreja despreocupadamente.


 


  Naquela noite, após sair da festa de Ogden, não foi diferente. Ele tinha um motivo a mais para se embriagar. Estava apavorado.


 


 Cruzando o vale a cavalo, o Marquês tentava não pensar na conversa que tivera com Charles. Precisava de bebida para esquecer de vez as preocupações que de nada adiantariam alimentar. Havia até a possibilidade daquele sujeito no porto ser um impostor, afinal ele estava muito, muito diferente.


 


 Forçando o animal a equilibrar os cascos na descida até a Abadia, Finningham quase caiu do lombo da montaria por duas vezes, mas enfim chegou à terra firme, deixando o morro escarpado para trás. Desceu do cavalo num salto, levantando poeira para todo lado e amarrou o animal pelo cabresto na barra de madeira em frente ao centro paroquial.


 


   Ao olhar em volta sentiu que exclusivamente naquela noite o vento parecia mais arredio e misterioso. Se ficasse bem quieto e prendesse a respiração por alguns segundos podia ouvir claramente os ares do vale tentando prevenir-lo de algo.


 Segurando sua boina com força para não perdê-la na imensidão de negrume, pensou que talvez estivesse ficando tão supersticioso quanto padre Anthony.


 


̶ É apenas o maldito vento, Andrew. - resmungou para si.


 


  Conhecendo o caminho da adega de cor, Finningham foi até os fundos da paróquia e puxou a tábua que obstruía o porão usando de moderada força. O sistema de proteção das instalações era precário porque ninguém se embrenhava por dentro do vale depois das seis da tarde.


 


 Uma escuridão impenetrável o esperava lá dentro. Mas Finningham tinha tanto medo da falta de luz quanto do vento, e pisando vagarosamente nos frágeis degraus rangentes para não escorregar, chegou ao chão de terra do porão. Ele já conhecia todos os caminhos, cada estante e mesa que tinha de contornar no escuro para chegar à porta da adega.


 


  Sem demora tateou a maçaneta e quando a girou todas as cismas foram embora no momento que o cheiro de vinho curtindo em barris de carvalho, invadiu suas narinas. Uma vez lá dentro acendeu o candelabro, que padre Anthony sempre guardava na terceira gaveta da escrivaninha, e deixou o bruxuleante fogo iluminar o aposento.


 


  Cobiçoso, Finningham se lançou para o barril de 1423, um dos mais deliciosos da coleção da Abadia. Encheu sua taça de barro até quase transbordar e tomou três goles de uma só vez derramando um bocado pela barba amarelada.

 
 O estoque da Abadia de Paxton, seu melhor remédio para qualquer pensamento que tivesse incomodando-o. Seu alívio, seu entorpecente fácil e relaxante.


 


 Passou a meia hora seguinte sentado ao pé do barril bebendo e bebendo, mantendo a cabeça vazia. Então, num repente, um estrondoso barulho o fez pular da cadeira. Seu sangue gelou e os músculos se enrijeceram antes dele identificar que aquele era o barulho da portinhola do porão batendo pela força do vento. Irritado e praguejando por ter se esquecido de fechar a porta ao entrar, Finningham se arrastou molemente até ela, pelo corredor escuro. A trancou por dentro e voltou, ainda com a taça nas mãos, para sua confortável cadeira ao pé do barril e então viu o candelabro tremeluzir pela primeira vez e distorcer sua sombra na parede. Deu um longo gole na bebida e focalizou a parede mais uma vez, estava zonzo e feliz. Estava bêbado.


 


  Outro gole. As chamas no candelabro tremeluziram com mais força e quando voltaram a se restabelecerem havia mais de uma sombra além da sua na parede. Havia um vulto grande ao seu lado. 


 


  Finningham nem olhou para trás, no fundo ele sabia que esse dia chegaria. Sabia que pagaria por aquele pecado e tantos outros, e sentiu-se feliz porque estava bebendo o vinho do maldito padre Anthony, o mesmo que o encontraria com o olhar horrorizado na manhã seguinte, quando abrisse a Abadia para mais uma das suas santas missas.


  
  Finningham sorriu e deixou calmamente que seu passado viesse lhe dar o troco. 


 ***




OBS: A segunda parte deste capítulo não tem nenhum cunho religioso por parte minha! As citações sobre igreja, Jesus, senhor, padre, entre outros, são meramente ilustrativas.


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Inomináveis: Muito feliz com seu comentários.Realmente o mundo HP abre um leque quase infinito de possibilidade, e para nós fãs, só resta explorar, né?! Abraços!


Janaína Ferreira:Sim, uma avalanche de acontecimento ainda estão por vir.  Obrigada pelo interessante, me esforço para agradar vcs, amados leitores. Abraços!


 


 

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Comentários: 2

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Enviado por Van Vet em 19/02/2012

Obrigada Louyse! Então, sim. Ela ilustra uma das personagens que ainda vai aparecer, será uma das protagonistas, inclusive. Acho que no final do próximo capítulo ela já terá sua primeira aparição.

Mais uma vez, obg por acompanhar!!!

 

Nota: 5

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Enviado por Louyse Malfoy em 19/02/2012

Incrível esses dois últimos capítulos. Realmente incríveis. Me diga, a Megan Fox ilustra uma personagem que ainda não apareceu? Poderia oferecer mais detalhes?

Nota: 5

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