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1. REVELAÇÕES INDESEJADAS - T


Fic: REVELAÇÕES INDESEJADAS - T


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Revelações indesejadas


A sala comunal estava cheia. Alunos de todas as idades aproveitavam o calor gostoso da lareira para estudar, conversar, ou simplesmente ficar sentado sem fazer nada.
Harry por sua vez estava sentado junto com seu amigo Ron e sua namorada Lilá. Falavam sobre o jogo de quadribol do dia seguinte. Como era domingo não tinham aulas e simplesmente estar ali era reconfortante.
Do outro lado da sala, bem afastadas, estavam Hermione e Gina conversando. Normalmente nos últimos dias Hermione estava sempre sisuda e aborrecida. Motivos óbvios, ao menos para Harry que a conhecia muito bem.
Mas naquela manha seu humor parecia ter sofrido uma mudança radical. Sorria muito e ela e Gina cochichavam e então voltavam a soltar risadas.
Lilá notou que os dois meninos olhavam para elas e disse senhora de si.
-Ela está bem feliz mesmo.
-Ela quem? – Ron se fez de desentendido.
-Hermione. – Lilá disse aborrecida – Não é para menos, afinal...
-Como assim? O que você sabe que a gente não sabe, Lilá? – Harry perguntou curioso.
-Vocês não são os melhores amigos dela? – ela disse irônica – Até onde eu sei ela nunca pode dar atenção para ninguém, nem para nos, suas colegas de dormitório, porque estava muito ocupada com seus melhores amigos, Harry e Ronald. – debochou.
-Ah, fala de uma vez, Lilá! Que saco! – Ron disse mal humorado, deixando claro para Harry, mais uma vez, o quando ele não a suportava.
-Faz dois dias. – Lilá começou a contar – Ela recebeu uma carta misteriosa. Leu e se trancou dentro da cortina da sua cama. Mas a gente sabe que ela só faz isso quando quer chorar e ninguém pode saber. E na manha seguinte usou uma poção contra olheiras. Daí eu a Parvati esperamos ela sai e mexemos nas coisas dela. Achamos a carta. E achamos também a resposta que ela já tinha escrito para a carta.
-Não deveriam mexer nas coisas dela! – disse Harry indignado – Isso é desonesto, Lilá!
-Tudo bem, se vocês não querem saber mais....- deu de ombros.
-Bem, já que o estrago já foi feito, não tem problema nenhum na gente saber né, Harry? – disse Ron rápido.
-Sei... – ela disse escondendo um sorriso – A primeira carta era do Vitor Krum...
-KRUM??? ELA AINDA RECEBE CARTAS DELE????? – Ron exclamou irritadíssimo.
Lilá o olhou intrigada mas continuou:
-Na carta ele perguntava se poderia visitá-la na próxima ida a Hogsmose. Ele vai ter jogo aqui em Londres e queria vê-la. Disse que ainda era muito apaixonado por ela e se ela houvesse repensado seus sentimentos quem sabe poderia dar uma chance a eles...E essas coisas todas que os garotos dizem quando querem nos conquistar. E a segunda carta, era a resposta dela para ele. Dizia que infelizmente ela não poderia corresponde-lo por dois motivos. O primeiro era que ainda era apaixonada por um garoto e não iria enganar o Vitor e se enganar, uma vez que o amor dele é tão sincero e verdadeiro. E o segundo era que decidira esquecer esse cara saindo com outra pessoa. Alguém que não esperava dela nada mais profundo que alguns beijos roubados e abraços. E esse alguém, bem...É Zacarias Smith. Ele a convidou para ir a Hogsmose no próximo finde. Mas as risadinhas dela hoje são porque ele mandou um bilhete pedindo que ela o encontrasse no lago, às seis horas. Ele quer ficar, e vai ser a primeira vez que eles ficam. Bem...Que ela é sortuda ninguém pode negar. Vitor Krum, Cornac, Zacarias... – suspirou – E olha que ela é chata e nem é bonita. – disse despeitada. – Se eu tivesse essa sorte estaria dando risadinhas até o próximo século... – olhou a cara do Ron e sorriu sem jeito – Não que eu queira outro namorado! Estou felicíssima com o meu, Won-Won – disse melosa, acariciando o rosto dele com carinho e depois embrenhando as mãos nos cabelos dele. – Nenhum Krum, ou assemelhado se compara ao meu gatinho fofo. – se aproximou sussurrando coisas em seu ouvido e depositando beijinhos na orelha dele.
Harry olhou para o outro lado enjoado, e pegou Hermione no flagra olhando a cena com lagrimas não disfarçadas nos olhos. Ela corou ao ser pega e baixou os olhos. Mas a raiva era maior e olhou de novo. Harry quase pode ver faíscas saindo de seus olhos. Gina parou de falar notando que a amiga não prestava atenção e também olhou. Suspirou inconformada. Eu olhar cruzou com o de Harry e ele viu algo meio maquiavélico nesse olhar.
Ela disse algo a Hermione e levantou-se indo ate eles.
-Oi, Harry. – abaixou-se para dar-lhe um beijinho nos lábios. – estava com saudades.
-Eu também. – disse meio envergonhado.
Ela maneou a cabeça e olhou para os outros dois aos beijos.
-E aí, rony? Tudo bem, Lilá?
-Ah, sim. – ela respondeu meio sem se importar. – Precisa de alguma coisa?
-Não – disse com um olhar mortal para a ‘cunhada’ insuportável que tinha ganhado de Rony. – eu só vim pedir pro Harry guardar esse brinquedo do Fred e do Jorge. É um Extensor. Tipo as orelhas extensivas. A mione está me ameaçando de confiscar, sabem, ela leva isso de monitor a sério. E o Fred me mata se eu perder. É o primeiro. Esta em teste ainda. Nem sei como usa direito.
-E pra que você quer isso? – perguntou Rony preocupado.
-Funciona como um comunicador, embora ainda não esteja pronto. Por enquanto da só para ouvir a conversa de quem a tocar. – disse dando um tapinha carinhoso na pequena caixinha que ela colocou sobre a mão de Harry – Já pensou que legal se der certo? Todo mundo vai poder conversar sem precisar de lareiras e cartas, pelo menos dentro do castelo, das casas. Bem, o importante é que não deixe a Mione por as mãos nisso!
-Porque não larga ela lá e vem sentar com a gente? – disse Rony maldoso olhando de relance para a menina que fingia ler seu livro do outro lado da sala.
-Porque ela é minha amiga e está me ajudando nos deveres! Rony, você é um insensível mesmo! Bom, até depois, amor. – com outro beijo, meloso, na opinião de Rony saiu de lá.
Lilá olhava curiosa para a caixa sobre a mão de Harry.
-Será que a gente pode ouvir mesmo? O que as duas estão conversando? – perguntou maliciosa.
-Bem...Não acho uma boa idéia... – disse Harry desconfiado.
-Deixa de ser bobo, Harry! – lilá pegou da mão dele e pôs perto dela no sofá. – revê-le! – apontou a varinha e tocou de leve na caixa.
No momento seguinte ouviram baixo, mas ouviram a voz da Gina.
-Nossa que saco aquela lá. É tão enjoada. Não sei como o Rony agüenta.
Silencio. Nada de respostas.
-Mione? Você não diz nada? Divide dormitório com a Lilá e a Parvati a seis anos? Não tem nada para dizer sobre isso?
-Não. Já acostumei. –deu de ombros.
-E alguém se acostuma a elas? – gina riu.
Lilá avermelhou de ódio e fúria, mas não disse nada.
-Bem... – Hermione suspirou ruidosamente – A Parvati é a pior a meu ver. Boba e fofoqueira. As vezes eu gostaria de silencia-la por apenas algumas horas. – riu suavemente – Já a Lavander...Bem...Ela não é de todo mal.
-Está brincando???? – Gina estava chocada – Ela é enjoada! Dependente!
-É...ela é meio melosa, mas todos temos defeitos não é? A Parvati é maldosa mesmo, então não tenho porque deixar de dizer, mas a Lavander me parece apenas vitima dos próprios conceitos machistas da menina fútil e dependente. Um dia ela cresce e muda.
-Eu achei que talvez você estivesse com raiva dela. – gina disse quase sussurrado.
-Porque? – sua voz tinha um tom mais alto.
-Ela e o rony...bem..você sabe...
-Porque teria raiva dela? Ela pode namorar quem quiser! – disse mais agressiva que o normal. – e se pensar bem, os dois combinam tão bem que é um pecado não ficarem juntos!
-Ah, o Rony não é como a Lilá! – gina defendeu-o prontamente. – Ele é mais esperto!
-Como um trasgo cego. – ela resmungou amarga.
-Porque diz isso? Não era você que passou os últimos meses elogiando como ele estava indo bem nas aulas, bem nas defesas de goleiro... – disse risonha.
-Isso foi antes.
-antes do que? – desafiou-a.
De longe viram ela comprar o olhar de Gina e ouviram sua voz dizer com todas as letras.
-Você sabe muito bem!
-Eu não sei nada! Você não fala, só insinua.
-Se uma garota convida um garoto para uma festa isso diz algo não diz? – Hermione disparou.
-Que ele é lerdo? – gina riu. Ela também.
-E se ele continua achando que ela gosta de outro, mesmo depois disso, ele é o que?
-um trasgo cego. – concordou Gina.
-Bem, ao menos chegamos num acordo. – disse amarga. Juntou seus livros e gina a olhou surpresa.
-Ei, aonde você vai?
-Daqui a uns minutos o Harry tem detenção com o prof.Snape e você tem aula. Então, suponho eu vai começar a cessão de amasso das quatro, e não estou disposta a perder meu tempo precioso ouvindo suspiros, gemidos e som de saliva. E alem disso, marquei com o Zacarias as quatro e meia nas pedras perto do lago. É melhor me apressar ou não chego a tempo!
-Mas Hermione... – Gina disse bem mais alto, como para ter certeza que ela ouviria bem – Acha que isso é certo?
-Porque não seria? – ela congelou incrédula.
-Me parece uma reação maluca e desnecessária. Quero dizer, o Rony não te convida e convida a Fler, e você vai com o Krum na festa, daí você o convida, ele te esnoba e começa com a Lilá, aí você sai com o Cornac, aí como não dá certo, você investe no Zacarias. Isso me parece uma bola de neve!
Hermione a olhou por um minuto e se refez dizendo com voz clara:
-Não me importa. Eu tenho todo direito de ficar com quem eu quiser. Já tem uns dois anos que venho fugindo do Zac, esperando seu irmão se decidir. E mesmo assim, o Zac continua insistindo. Talvez eu deva dar uma chance a alguém que se importa comigo.
-O Rony também se importa! Hermione eu já te disse. Ele só fica com a Lilá por que está mordido de ciúmes. Ele acha que você gosta do Vitor, só porque o beijou. Mas aposto que agora que ele sabe como é fácil beijar sem gostar, ele deve estar super arrependido!
-Problema dele. – disse séria – Lembra quando eu a aconselhei a desencanar do Harry, tocar a sua vida e se um dia vocês se acertassem seria algo natural e a seu tempo?
-É claro que lembro. Você tinha razão.
-Pois é. Vou seguir meu próprio conselho, mas sem a segunda parte, claro. – disse petulante.
-Então você vai mesmo? – ficou chocada ao vê-la pronta para sair.
-Vou. Só vou passar no banheiro dos monitores antes, quero me arrumar um pouco... – sorriu.
-Quer o meu gloss? É de morango. – ofereceu Ginny – O Harry adora. – disse maliciosa.
-Não. Eu tenho um com gosto de maça verde. Acredite, é acido, mas provocante. – disse maliciosa e então sorriu – Ao menos foi o que o otário do Cornac disse depois de me agarrar a força. Babaca. Como se eu quisesse provoca-lo. Se soubesse o que ele iria fazer teria passado gloss com gosto de cera de ouvido.
-Era o gloss que iria usar se fosse com o Rony?
-Bem...não. – disse envergonhada.
-Não? Então qual sabor você iria usar? – perguntou curiosa.
Hermione avermelhou tanto que Harry sentiu pena.
-Hermione?
-Eu não ia passar nada. Sabe, só o gosto da boca mesmo...aí, Ginny, você sabe o que eu quero dizer!
-Não sei não!
-Eu sabia muito bem que o Rony não tinha beijado ainda...eu ia encurrala-lo em algum canto e tomar a iniciativa...mas não queria que ele se sentisse perdido...ou assustado. E goss...bem, é...meio gelado, resvala...ele não estava pronto para maça verde.
-Mas agora está – Ginny disse maliciosa. – Tenho certeza que ele não se assustaria mais...
-E o que sugere? Que eu vá ate ele e o beije na frente da Lilá? – retrucou meio irônica.
-Porque não? Ela esta ouvindo tudo mesmo.
-O que quer dizer? – Hermione olhou dela, para o sofá onde os três a olhavam de queixo caído – Ginny? Porque eles estão olhando para cá?
-Porque eu deixei o brinquedo dos gêmeos lá, para eles ouvirem. – disse inocente.
Hermione ficou um minuto em silencio, olhando para as próprias mãos.
-Não vai dizer nada, Mione?
-Estou tentando decidir se eu estoporo você ou uso um feitiço do esquecimento neles todos. – disse com voz fria. – Mas como não quero uma detenção, acho que é melhor ir para o meu passeio.
-Como assim? Hermione! – Gina protestou.
-Você quer o que? Obrigou-me a contar coisas que eu não queria contar! Quer que eu fique aqui para que? Para esperar que comecem a rir de mim? Muito obrigado, mas estou atrasada!
Marchou em direção ao quadro da mulher gorda.
Nunca na vida andou tão rápido. Mas não foi para o lago. Dirigiu-se, mesmo sem ter total consciência, na direção da sala de adivinhação. Era sempre vazia. Depois que as aulas acabavam, ninguém subia para a torre.
Deixou os materiais num canto e sentou-se entre as almofadas perto da parede. Juntou os joelhos ao corpo e escondeu o rosto neles, deixando as lágrimas virem.
Odiava aquela sala, desde o terceiro ano, mas de um tempo para cá, ela tornara-se seu esconderijo sempre que desejava chorar. O banheiro da murta tornara-se movimentado demais desde que a murta começara a aventurar-se por outros banheiros, liberando aquele.
Ouviu passos subindo a escada, mas imaginou que fosse algum professor indo para alguma sala.
-Hermione?
Gelou. Oh, não. Oh, não. Oh, não!
-Vai embora! – disse sem coragem de erguer o rosto e olhar para ele.
-Mas a gente precisa conversar.
-Me deixa em paz! Sai daqui!
-Eu...
-Sai, Wesley! – levantou-se furiosa – Ou saiu eu!
Ficaram se encarando por momentos.
-Pode sair, mas eu vou atrás! – ele revidou – E acho que a conversa que teremos não deve acontecer na frente dos outros.
-Que conversa? Enlouqueceu? Não temos nada para conversar! – disse furiosa. Apanhou os materiais no chão e passou por ele – Estou atrasada e não tenho tempo para perder aqui!
-Mas foi você veio aqui! – ele disse indignado.
-Sim, tem razão. Vou me corrigir então: não tenho tempo para perder aqui, com você! – disse ácida.
-Eu sei que a Ginny agiu errado, mas não precisa ficar desse jeito! Nós já sabíamos de tudo que foi dito entre vocês! – ele disse com raiva – Sabíamos que sou um idiota. Que estou com a Lilá por ciúmes. Que você vai sair com esse cara para me dar o troco. Qual a novidade?
-A novidade? A novidade? – ela ganiu, jogando os livros no chão com ódio e ficou bem perto dele, com o dedo em risque – A grande novidade, Ronald Wesley é que eu tenho sentimentos! E que eles não estão a sua disposição para serem magoados e espezinhados!
-Eu não fiz isso! – ele avermelhou, porém não pode negar com a veemência que desejava.
-Não? – ela ironizou, com raiva.
-Eu...me confundí, Hermione. Isso nunca acontece com você, porque parece que você é uma dessas pessoas que nascem seguras de si e repletas dessa auto-confiança que irrita! Você é como meu irmão, Guilherme, ou Fred e George. Ninguém precisa lhes dizer o que fazer, vocês sempre sabem! Mas eu não! Eu meto os pés pelas mãos sem nem notar! – ele esbravejou e ela amoleceu por um segundo.
Aproveitando-se de seu olhar mais ameno, ele continuou.
-Eu queria ir a festa com você. Mas não sabia administrar a vontade de te fazer sofrer. Eu queria que sentisse a raiva que eu estava sentindo. Mas eu achei, de verdade, eu achei que você não sentiria. Que talvez ficasse recalcada e brava, mas não que ficasse magoada! Como eu poderia saber que você...que você...por algum motivo inexplicável gosta de mim?
Ela abriu os lábios pronta para negar. Mas se calou. Era claro como água. Nem valia a pena negar.
-Éramos amigo, Mione. Não é fácil dizer essas coisas. Não para sua melhor amiga. Sua melhor amiga, que além disso é o orgulho da prof.Minerva, a mais esperta, a mais inteligente. Quem não quer ser como Hermione Granger? – ele disse e ela o olhou surpresa.
-Ron! Eu não sou isso...todos caçoam de mim por ser inteligente! Você mesmo já ouviu! – disse chocada.
-Apenas por que todos somos imaturos demais para administrarmos o quanto temos inveja de você.
-Isso é tolice, e não tem nada a ver com o que você fez comigo! – ela disse tentando tomar conta da situação e não desviar a atenção de sobre o foco principal.
-Como não? Eu estou tentando explicar como eu me sinto! Será que o que eu sinto não tem a ver com isso??? – ele disse chateado.
-Como eu posso saber? Nos últimos meses eu só sei o que eu sinto, Ron. Nós nem nos falamos. Você não quis mais falar comigo!!!
-Porque eu estava com raiva! E quando estou com raiva eu faço coisas idiotas! Como se não soubesse disso, Hermione!
Ela olhou para ele por longos minutos, pensando.
-Viu? Isso me assusta. – ele disse de repente.
-O que? – ela disse sem compreender.
-Você pensa, quando deveria agir. Eu sei o que esperar da Lilá. Se eu disser que ela é bonita, ela ri e me abraça. Não tem surpresas, Hermione. Mas você...é sempre mais que elas. Eu nem tenho idéia se agora mesmo, você esta pensando em como eu sou burro, ou idiota. Ou se está premeditando uma vingança ou...
-Eu estava apenas pensando que... – ela sussurrou, finalmente endentando que metade da culpa era dela – Que você tem razão – vendo sua expressão surpresa ela se corrigiu – Em parte, claro. Eu tenho reações diferentes das outras meninas, mas nos conhecemos a tempo suficiente para saber como eu sou.
-E você, para saber como eu sou. – ele cruzou os braços e ela fez o mesmo.
Ele a desafiava a ter um argumento que o culpasse. Ela não encontrou nenhum. Suspirou e soltou os braços.
-Ok. Eu também tenho culpa. E agora? Como ficamos? – disse com aquele tom que o fez sorrir.
-Do jeito que você fala, me dá até medo.
Ela viu seu olhar divertido e tentou não sorrir. Tolo. Imaturo. Ele a fazia se divertir e isso era quase inadmissível depois de tudo que falaram.
Vento que ela estava quase rindo ele disse:
-Ah, vamos lá, Hermione! Sorria um pouco! Não é o fim do mundo gostar de mim!
-Você fala como se só eu gostasse! – ela disse indignada.
-Tem razão, a Lilá também gosta! – ele disse rindo.
Ela abriu a boca incrédula.
-Isso é realmente demais para mim! Está zombando de mim, Ron???
-É, eu estou zombando de você. Querendo que você ao menos sorria ao ouvir uma declaração. E não fique com essa cara de morte! Hermione, se você estivessem com sua varinha em mãos, eu já teria saído correndo daqui!
Ela virou-se de costas, para que ele não a visse rir consigo mesma. Mas essa ele não venceria, pensou maldosa. Ah, não venceria mesmo!
-Tudo bem, Ron. – ela disse mais dócil e ele a olhou intrigado – Você tem razão e eu também. A gente se perdeu na nossa imaturidade. Mas agora, discutimos isso e nos perdoamos, certo? – ele maneou a cabeça empolgado com ela estar finalmente cedendo – Porém, - ela andou pela sala o fitando desafiadoramente e ele esperou a facada final. Sabia que viria. Ela não deixaria barato ter sido posta contra a parede. – você também tem que tomar decisões. Bem mais que eu. Seremos amigos – chegou bem perto dele, um tanto corada – ou você se resolve com a Lilá e seremos...mais que amigos. É você quem decide.
Ele ponderou que ela desejava que ele escorregasse. Fosse o Ron imaturo de sempre e a magoasse. Aí, ela se vangloriaria e diria que estava certa desde o começo. Mesmo sofrendo, Hermione, não aceitava perder. Ainda mais uma discussão. E com ele, ainda por cima!
-Eu já decidi. – disse e ela o olhou com um meio sorriso. – Terminei com a Lilá antes de vir aqui.
-C-Como? – ela ficou desconcertada.
-Eu andei notando que você vem bastante para cá ultimamente e quando saiu da sala comunal e achei que estivesse aqui. Daí eu virei para a Lilá com toda a sensibilidade que você sempre admirou em mim – ela ergueu as sobrancelhas recriminativa, pois ele era um bruto – e disse que estava terminando com ela e ficaria com você, se me quisesse. Como você mesma disse, agora é a sua vez de tomar decisões.
Vendo-a olhar para baixo e não dizer nada ele se aproximou.
-Acho que eu vou tomar a iniciativa, então.
Ela olhou sem compreender onde ele queria chegar.
-Hermione, você quer ficar comigo?
-Quero – ela confessou.
Quando ele se aproximou, ela se afastou.
Ele a olhou sem compreender.
-Está achando que é assim? Tão fácil? Você vai ter que me conquistar, ron!
-O que?
Agora era ela quem ria.
-Sabe, acho que você precisa de um tempo para pensar no melhor jeito de me convidar para sair. Um passeio no jardim...uma ida ao lago...não sei...- juntou seus materiais no chão e olhou-o desafiadora antes de sair da sala. –Mas não vai ser tão fácil.
Ele ficou sem reação.
Sorriu um pouco porque finalmente eles se entenderam e eram, subentendidos, um casal.
E como sempre, ela venceu mais uma discussão com Ronald Wesley!
E quem disse que ele se importava dessa vez???

FIM




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