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3. Enigmático


Fic: A Canção da Meia Noite - Atualizado! Cap 24 #Tributo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 3 - Enigmático


 


"“Mas agora que sentido faz
Tentar e abraçar um passado mais puro
Olhando para frente eu assumirei o risco
Mas finalmente acho as respostas para os meus porquês”
Senzafine – Lacuna Coil

 


   Depois de tanto tempo de estrada, o Paradise Lust chegava à primeira folga da turnê, e os integrantes da banda aproveitariam para retornar à Inglaterra. Ao chegarem a Londres, puderam perceber que o outono estava indo embora, dando espaço para o inverno. As temperaturas aos poucos se tornavam mais amenas, o que fazia os londrinos retirarem gradualmente suas vestimentas mais pesadas e começarem a frequentar cafeterias com maior intensidade atrás dos líquidos que pudessem esquentar um pouco o corpo.


   Contudo, nenhum dos músicos ou equipe sequer pensava nas bebidas quentes, afinal, após considerável tempo, a festa de noivado de Nicholas e Hermione ocorreria oficialmente – festa que estava sendo organizada pelos parentes dos noivos com a ajuda dos Weasley e dos Potter, que consideravam a cantora como parte da família de tanto tempo que a conheciam.


   A noiva, a princípio, tinha desconsiderado a ideia, alegando que já tinha celebrado, porém Jane Granger – e, pelas palavras que saíram dela enquanto as duas estavam no telefone, ela poderia imaginar que havia um dedo de Molly Weasley e Lily Potter por trás – rebateu, dizendo que, devido ao trabalho da filha, pouco tempo lhe restava para curtir a família e que, justo por causa disso, não deixaria um acontecimento tão importante passar em branco, mesmo que já tivesse acontecido havia um tempinho.


   Ao contrário de Hermione, seus colegas de banda pareceram muito animados com a festa, talvez um pouco demais, considerando que ela era um dos motivos para a celebração. Por isso, a musicista começou a convencer-se de que festejar não seria uma má ideia, pois haveria a possibilidade de reavivar o espírito de equipe que queimara durante tanto tempo nas turnês passadas. E foi com esse pensamento que desembarcou com bom humor em sua cidade natal.


   Na manhã seguinte ao desembarque, Hermione rumou para o prédio onde se localizava a empresa onde o pai de Nicholas trabalhava, cujo salão fora reservado para a ocorrência da festa. Tinha feito a mãe prometer permiti-la ajudar nos preparativos, porém, ao chegar, viu que já havia um número considerável de pessoas ali, todas entretidas em carregar caixas, pendurar enfeites e montar mesas e cadeiras. Ergueu uma das sobrancelhas e, frações de segundo depois, revirou os olhos. Era de se esperar que sua mãe a enganasse, pois se lembrava de tê-la ouvido falar que ela, sendo a noiva, não deveria preocupar-se com a arrumação.


   Uma voz familiar, que passava instruções, chegou aos seus ouvidos. Olhou para a esquerda e viu Jane Granger caminhando, apontando para algo na parte superior da parede oposta. Hermione, tampouco interessada no que mãe fazia, caminhou até seu lado.


- Mãe, acho que você esqueceu-se de dizer o horário correto para o início da arrumação. – disse ao postar-se ao lado da outra mulher; as mãos na cintura e o olhar severo marcavam sua irritação.


   Jane olhou para o lado, surpresa estampada em seu rosto.


- Minha filha! – exclamou, tomando-a num abraço terno. – Ah, quanto tempo não te vejo, querida! Senti tanto a sua falta, você nem tem ideia. Sei que ama seu trabalho e não faria mais nada no mundo, mas às vezes eu me sinto incomodada com isso. Mas foi ótimo saber que você está noiva, e isso me deixou tão alegre! Seu pai quase não conseguiu me controlar nesses últimos dias de tão animada.


   Hermione mordeu o lábio inferior, sentindo-se automaticamente mal por sua frustração quando ouviu as palavras da mãe. Era a primeira vez em meses que a via e justo quando a encontrava tinha que ter sido tão mordaz? Afinal, também tinha sentido falta de Jane e lembrava-se de como seu coração saltara quando ouvira a voz dela pelo telefone, o nervosismo subitamente invadindo-a quando se vira prestes a dar a notícia da mudança de seu estado civil.


- Também senti saudades, mãe, de você, do papai, do Aaron e de todo mundo. – respondeu, correspondendo ao abraço. – E saiba que agradeço muito por essa festa, pois poderei rever todos. – completou, observando o rosto da mais velha.


- Ah querida, nem agradeça. Você é que merece por ser essa ótima filha... Ou melhor dizendo, por sendo essa mulher maravilhosa que está prestes a se casar. – Jane sorriu, repousando uma mão sobre o ombro dela. – Aliás, o que faz aqui tão cedo? – perguntou, erguendo a sobrancelha numa cópia perfeita da cantora, instantes atrás.


   Hermione devolveu com um olhar estranho.


- Lembra que você me deixou ajudar com a arrumação?


- Ah! – Jane exclamou. – As coisas estão meio confusas aqui que eu até esqueci, que cabeça a minha! – Mais um sorriso formou-se em seus lábios. – Eu deixei não, você me obrigou. Como você pode ver, os preparativos já estão sendo feitos e está tudo indo de acordo com o programado, então acho que pode voltar para a casa e descansar da viagem até de noite.


- Mãe! – repreendeu a morena mais nova. – Não posso aceitar que todos façam isso, sendo que o noivado é meu e não posso contribuir com nada.


- Esqueci essa sua mania de sempre querer ser prestativa e independente. – Jane murmurou. – E agora você vai continuar argumentando comigo até que eu ceda, não é mesmo?


   A musicista riu.


- Exatamente. E sabe que eu não costumo perder discussões...


- Porque você sempre as vence com seus argumentos completamente lógicos. – a mãe completou, cruzando os braços. – Pois bem, pode dar uma caminhada por aí, fazer uma coisa e outra, porém se eu ver que está se esforçando demais, irei impedi-la de fazer mais uma coisinha sequer e nem mesmo sua inteligência vai me amolecer. – Jane apontou um dedo para ela. – Até mais, querida. – beijou-a na bochecha e saiu andando.


   Ainda sorrindo, Hermione acompanhou os movimentos da mãe até ela sumir de vista. Depois, virou-se para frente.


   Encontrava-se num salão amplo e bonito. A parede à sua frente era metade recoberta por vidro, deixando à vista uma visão espetacular de Londres. À sua esquerda, toda a parede era vidro e havia uma grande porta dupla que dava acesso à sacada. As outras paredes encontravam-se conectadas a outros aposentos da firma. Sorrindo, a cantora foi em direção à janela a sua frente e ficou a olhar a paisagem. Imaginou quando fosse de noite, e as luzes de sua querida cidade conferissem um charme ainda maior àquele evento já especial.


   Ficou ali durante uns dois minutos até que resolveu sair dali para ajudar com algo. Ainda um tanto distraída, acabou esbarrando numa jovem que carregava três caixas em seus braços. Ela sambou nos pés, mas manteve o equilíbrio e as caixas intactas. Hermione ia se desculpar quando reconheceu o longo cabelo loiro-platinado ondulado e os olhos azul-claros.


- Luna! – exclamou, abrindo um enorme sorriso. – Não acredito que é você!


   A loira visivelmente tinha ficado mortificada por encontrar-se prestes a cair, mas, assim que ouviu seu nome, abaixou um pouco a pilha de caixas, e um sorriso também surgiu em seus lábios com um leve ar sonhador, característica dela.


- Hermione, que bom vê-la. – Luna cumprimentou. – E sou eu sim, em carne, osso e, principalmente, espírito. Sei que é difícil de acreditar, ainda mais depois de ter passado tanto tempo viajando pelo mundo... Aliás, você já foi ao México?


   Hermione abriu a boca para questionar, mas, como conhecia Luna e seu jeito único de agir, resolveu ficar quieta.


- Não. – respondeu, franzindo o cenho. – Por quê?


- Soube que descobriram pistas sobre um artefato das comunidades antigas que retrata o fim do mundo. – respondeu; em seus olhos havia um brilho onírico. – É que eu estava vendo um site de notícias ontem e... Ah, esqueça. – suspirou ao ver a expressão no rosto da amiga. – O importante é que está aqui de volta, e eu queria te dar um abraço, mas nesse estado – ela balançou de leve as caixas – não tem como. Mesmo assim, até hoje à noite cumprimentarei você adequadamente. Agora é melhor eu dar isso às meninas antes que elas venham atrás de mim com tacapes.


- As meninas estão aqui? – a cantora perguntou, sentindo uma animação contagiar seu peito. – Quero tanto vê-las! Vamos, vamos sim. E, por favor, deixe-me ajudá-la com as caixas...


   Depois de Hermione ter pegado a caixa mais pesada, as duas rumaram para o canto oposto do salão. Viu três mulheres fazendo uma decoração diferente das demais, uma pendurada em uma escada e as outras duas no chão, carregando um grosso pano bege. Alguém próximo a elas informou-lhe de que ali ficaria a mesa do buffet, o que explicava a pompa a mais.


- Meninas, vejam quem eu achei! – Luna exclamou sonhadoramente depois de colocar as caixas no chão junto com Hermione.


   As três viraram-se para trás e abriram sorrisos enormes.


- Mione, quanto tempo! – exclamou a mais próxima, que segurava a ponta esquerda do pano. Seus cabelos negros, cujo brilho intenso contrastava com seu tom de pele moreno, quase sufocaram a noiva quando ela a abraçou, mas Hermione já estava acostumada com a quantidade frenética de energia que Parvati Patil carregava.


- Vejo que não mudou nada, Parvati. – a morena respondeu depois que soltou-se, sem deixar de sorrir.


- Se com isso você quer dizer que ela continua sem limites e louca, então é pura verdade. – A segunda jovem também se aproximou. Era loira assim como Luna, mas de um tom mais natural, quase beirando ao castanho claro. Seus olhos castanhos também demonstravam o quanto estava feliz de ver a noiva.


   Hermione sorriu e abraçou Lavender Brown. Um flash de memória passou por sua mente, lembrando que, em um momento no passado – mais precisamente nos tempos de escola –, a jovem partilhou seu mais profundo desgosto e raiva na conquista do coração de seu primeiro namorado. Porém, o tempo passou, mostrando-a que os sentimentos ruins só tinham aflorado devido a ciúmes e que Lavender era, no fundo, uma ótima pessoa.


- Será que dá para vocês me ajudarem aqui? Se não perceberam, essa escada está meio defeituosa e treme toda vez que me mexo. E também quero falar com Hermione! – ralhou a mulher que estava na escada com extrema irritação.


   Hermione riu enquanto Lavender e Parvati, após revirarem os olhos, foram segurar a escada. A longa cascata de cabelos negros encobriu o rosto durante a descida, mas assim que a jovem virou-se e seus intensos olhos cinza foram vistos, Hermione saiu em disparada para abraçar uma das pessoas que, sem dúvida, sentira mais falta.


   Alyssa Milles era vizinha de infância de Hermione que também fora junto consigo para Hogwarts, onde a amizade aflorou e tornou-se ainda mais forte. A musicista só seu deu conta do tamanho de sua saudade por sua “rainha de gelo” – como Alyssa geralmente era conhecida pela imensa beleza devido ao constaste magnífico de seus cabelos negros, sua pele e seus olhos claros e seus lábios avermelhados – naquele momento, quando estava abraçada a ela.


   Alyssa, não diferente das outras ali, não era parecida consigo psicologicamente. Bastante inteligente, mas extrovertida, formava com Luna, Lavender e Parvati o grupo de tresloucadas preferido de Hermione, que sempre conseguia arrancar boas risadas dela, mesmo que já tivesse repreendido-as pelos comportamentos loucos e irracionais e pelas palavras que saíam sem pensar – afinal, ela era Hermione Granger, uma amante das regras e da cautela.


- Não acredito que vocês todas estão aqui. – Hermione disse, sentindo-se extremamente bem pela companhia das amigas. – Não mesmo. Tudo bem, esperava que vocês aparecessem para a festa, mas não para os preparativos...


- Bem, depois que você contou a novidade para sua família, sua mãe imaginou que, devido ao pouco tempo que passa em casa, você iria querer suas amigas queridas na sua festa de noivado. Aí ela entrou em contato com a gente e, como ficamos super animadas, nos oferecemos não somente para vir à festa, como também para ajudar a prepará-la como uma compensação por você ser essa pessoa tão legal. – Luna respondeu com um ar de uma criança que acabou de ganhar o maior presente de sua vida.


- Ah, vocês são incríveis! – Hermione suspirou, lançando sorrisos a cada uma das presentes. – Nem tenho como agradecer.


- Simples. Apresente-nos seus amigos gatos e coloque um garçom permanente atrás de nós sempre nos oferecendo drinks e aí estamos quites. – Alyssa respondeu matreira.


- Com certeza. – Lavender concordou com um sorriso maroto.


   Hermione ergueu uma sobrancelha, suprimindo a vontade de rir. Havia esquecido como as amigas poderiam ser... alvoroçadas quando se tratava de homens.


- Amigos? Como se eu conhecesse vários! – a vocalista riu-se. – E quem eu conheço, vocês também conhecem, embora eu não possa, de fato, chamar de amigos, talvez o pessoal que está mais em contato com a banda... Além de Harry e Ron, é claro.


- Que podem muito bem entrar no perfil de “gatos”. – Parvati emendou, olhando de esguelha para Hermione.


   A morena revirou os olhos.


- Vocês são loucas!


- Ah Mione, não me diga que está com ciúmes dos seus melhores amigos. – Alyssa ponderou.


- É mesmo. – Lavender concordou balançando a cabeça. – Você já tem o seu para sentir ciúmes...


- Eu não tenho ciúmes do Nick. – Hermione interrompeu, jogando o peso do corpo para a perna esquerda.


- Interessante. Tem ciúmes dos melhores amigos e não do noivo. – Luna murmurou com um tom de voz etéreo.


- Pois é, Hermione! – Alyssa exclamou. – E se eles dois não estão saindo com ninguém, qual é o problema?


- Eles não estão, não é? – Lavender concluiu.


   Hermione abriu a boca para responder, mas nada saiu. Sentiu-se ligeiramente afetada pela velocidade com que as garotas falavam e pelo jeito que o pensamento de uma era completado pelo da outra. Contudo, antes que pudesse pensar no que dizer, Jane aproximou-se do grupo.


- Agora vi porque as senhoritas pediram para ajudar. – disse com os braços cruzados numa postura ríspida, mas seu rosto exalava bondade e divertimento.


- Sra. Granger! – Parvati ofegou como se tivesse acabado de sair de uma maratona. – Ah... Não, não é isso. É que Hermione acabou de chegar e viemos cumprimentá-la.


- Só que aí nos distraímos um pouco. – Lavender completou, diminuindo o tom de voz progressivamente.


- É, desculpe. – Alyssa finalizou, crispando os lábios.


   Jane descruzou os braços e sorriu caridosamente.


- Não tem por que se desculparem, queridas. Eu entendo... por isso mesmo que acho que posso dispensá-las dessa confusão toda daqui de dentro para irem lá fora, colocarem a conversa em dia.


- Não! – exclamaram as cinco ao mesmo tempo.


- Não precisamos, não é mesmo? – Lavender virou-se para as amigas.


- Claro que precisam. – Jane discordou ainda com o tom maternal. – Vamos, vocês podem ir lá para a sacada. O que tivemos de arrumar já foi feito, e lá há cadeiras e bancos para vocês se acomodarem.


- Mãe – Hermione chamou com um tom de voz notoriamente derrotado. – Eu nem fiz nada...


- E nem precisa. Além do mais, – a mulher abaixou a cabeça, inclinando-a em direção às meninas. – essas pessoas aqui estão sendo pagas para arrumar tudo. O esforço de vocês foi bom, agradeço muito, mas acho que está na hora de se divertirem de verdade.


   Sorrisos enigmáticos iluminaram os rostos de Alyssa e Lavender. Parvati trocou um olhar com Luna, um sorriso maldoso brotando de seus lábios, o que fez a loira soltar um leve muxoxo de indignação para logo em seguida abafar uma risada. Hermione apenas fitou as amigas, consciente de que aproveitariam o tempo livre muito bem.


- Já que insiste, Sra. Granger. – Alyssa disse, tomando um passo a frente para segurar o antebraço de Hermione.


   Hermione respirou fundo, procurando paciência enquanto as amigas iam em direção à sacada do salão. Quando se acomodaram nas cadeiras lá fora, desataram a falar sem parar e de modo desorganizado. A empolgação delas era tamanha que exalava de seus corpos, não demorando a atingir Hermione, cuja leve frustração logo foi embora, fazendo-a desfrutar da conversa.


   Quando a musicista saiu de lá, tomou nota de que a falta que aquelas garotas faziam em sua vida diária era indescritível. Precisava bastante delas e rezava silenciosamente para que sempre estivessem lá quando desejasse.


 


 


   A festa começou no início da noite. Hermione confirmou seus pensamentos anteriores em relação ao charme do local quando a paisagem do lado de fora das paredes mostrava uma visão magnífica de uma Londres iluminada, porém ela não pôde passar mais do que alguns segundos admirando porque os convidados começaram a chegar e iam logo cumprimentá-la, parabenizando ela e Nicholas, que se encontrava ao seu lado, pelo noivado.


   Reviu familiares que não encontrava havia muito tempo, ex-colegas de Hogwarts e da faculdade, surpreendeu-se até mesmo quando viu sua professora de canto mais querida e outros integrantes da escola de música na qual passara tanto tempo estudando. Não pôde esconder a imensa emoção ao ver esses últimos, contudo o que a deixou realmente mais feliz foi o fato de que os integrantes da banda pareciam mais como eles mesmos, do jeito que lembrava, quando vieram cumprimentá-la, fazendo até piadinhas sobre o fato de estarem comemorando naquele momento algo que eles fizeram havia pouco tempo atrás.


   Quando James e Lily Potter chegaram, mais um sorriso enorme surgiu em seu rosto. Adorava os Potter, considerava-os praticamente seus segundos pais pelo carinho que nutria por eles. Enquanto falava com eles, uma voz leve e discreta no fundo de sua mente a fez lembrar-se de como Harry era espantosamente parecido com pai, quase como uma cópia, exceto pelos olhos, que pertenciam à mãe.


- Achava que essa vida de turnê, vivendo de hotéis em hotéis não fosse tão benéfica assim para a aparência, mas cada dia que vejo está cada vez mais bonita. – Lily disse com um sorriso amável.


   Hermione sorriu e reparou na ruiva, que usava um belo vestido bege. Quem era ela para dizer que estava mais bonita quando continuava bastante atraente para uma mulher que já tinha dois filhos adultos?


   Mas Hermione nem pôde fazer tal comentário quando se surpreendeu mais uma vez. Os Potter não estavam sozinhos, como pensava, logo atrás deles havia uma mulher alta, com longos cabelos castanho-escuro presos num penteado elegante e que cuja beleza lembrava a da ruiva à sua frente, embora alguns traços de seu rosto, juntamente com os olhos castanho-esverdeados, viesse do homem que a acompanhava. Um sorriso matreiro estampava o canto de seus lábios.


- Delinda! – exclamou indo em direção a mulher para abraçá-la.


- Wow! – a outra morena exclamou enquanto correspondia. – Quem diria que você iria sentir tanta falta de mim assim, não é?


   E era verdade. Embora Hermione tivesse uma conexão profunda com Harry e o conhecesse por grande parte de sua vida, Delinda esteve presente em alguns momentos com sua presença marcante e personalidade forte, o que a fez afeiçoar-se bastante a ela. A ligeira nostalgia que vinha sentindo desde que desembarcara em Londres também contribuía para que se desse conta da falta que sentira daquela mulher.


- Você é uma pessoa difícil de esquecer, Delinda. – disse, observando o rosto da amiga.


- Ah, que linda! – Delinda exclamou, o sorriso aumentando. – Bem que valeu o esforço de vir até aqui.


- Esforço que incluiu alugar os pais, mas enfim. – James comentou divertido. – Incrível como os filhos, quando saem de casa, quase festejam, juram a Deus e ao mundo que não dependerão mais dos pais, mas, no fim, sempre acabam retornando por qualquer motivo.


   Delinda revirou os olhos.


- Você fala como se eu tivesse voltado a morar com vocês. – falou num tom levemente irritado, o que era característico dela. – Só passarei essa noite. Não fiquei em casa porque, mesmo tendo tirado o resto do dia de folga, alguém do escritório com certeza ligaria para me perturbar.


- Isso que dá ser uma excelente advogada. – Hermione murmurou sorrindo.


- Sei que vocês adorariam que eu fosse modesta agora e respondesse que não, – Os outros riram. – mas quero saber onde está meu irmão idiota.


- Às vezes acho que você ainda tem dezesseis anos, Delinda. – Lily disse num tom reprovador.


   James riu.


- Ah querida, por que se preocupa com isso? Ela é a irmã dele, ela pode chamá-lo de idiota. Sabe que, se fosse outra pessoa, ela não permitiria. Além do mais, – O homem olhou para a filha rapidamente. – isso mostra que ela está morrendo de saudades dele, coisa que tem negado desde que chegou lá em casa.


- Desde que eu a peguei revirando os antigos pertences dele, você quer dizer. – Lily corrigiu, a expressão mais suavizada.


   Delinda apenas revirou os olhos e suspirou.


- Então, Harry já chegou? – a ruiva disse.


- Está lá, entretido numa conversa com Ron, Ginny e mais uma loira que eu não conheço. – uma nova voz falou, e seu dono apontou para algum lugar à diagonal deles.


   Hermione olhou para um lado e viu Nick com um copo de bebida na mão e um salgadinho em outra.


- Nick. – ela sorriu, puxando o braço do noivo em direção aos Potter. – Quero que conheça James e Lily, os pais de Harry, mas que eu também considero como parte meus – Os dois sorriram de leve. – e a Delinda você já conhece, pois passou um considerável tempo conosco na gravação do novo álbum. – Dessa vez, foi a advogada que sorriu.


- Prazer, James e Lily. – Nick disse depois que apertou a mão de James e depositou um beijo nas costas da mão da mulher ruiva.


- Incrível como já conhecemos seus pais e não você. Justamente por isso que já temos a impressão de que o conhecemos. – Lily disse, virando-se para o loiro.


- Verdade. – o marido dela concordou. – E parabéns pelo noivado, Nick, espero que tenha noção da jovem maravilhosa que tem em mãos.


- Impossível não ter, não é? – Nicholas virou-se para a noiva, com os olhos brilhantes. – Já dá para ter noção disso na primeira vez que a você a vê. – Ele beijou-a na testa e voltou-se para os convidados. – Sintam-se à vontade para fazerem o que quiser, mas já aconselho que os salgadinhos estão ótimos e meus pais acertaram na escolha dos barmen.


   Com mais alguns cumprimentos, os Potter se afastaram, deixando Nicholas e Hermione sozinhos.


   Durante mais quase uma hora, os noivos ainda receberam mais alguns convidados. Depois, conversando e rindo entre si, foram em direção ao bar, onde cada um pegou um drink.


   Enquanto olhava ao redor do salão, um leve brilho chamou sua atenção. Vinha da blusa de Delinda, que estava junto com Harry e Dean Thomas entretidos, pelo que podia ver, numa conversa divertida, pois os três riam. Segundos depois, ela e o engenheiro de som se afastaram, deixando o compositor sozinho. Um pensamento surgiu na cabeça da morena, algo que queria falar com ele desde que chegara à festa. Ela virou-se para Nick, disse algumas palavras e foi em direção ao melhor amigo.


- Hey. – disse quando chegou perto dele.


- Oi Mione. – ele respondeu com um sorriso. – Agora vai ter tempo para seus amigos é?


- Acho que todos os convidados já chegaram, então não serei interrompida cada vez que quiser fazer alguma coisa. Quero dizer, é bom ver essas pessoas, mas ter que parar de fazer algo às vezes pode incomodar. – a morena falou, mordendo o lábio inferior.


- Entendo...


   Harry continuava com o mesmo sorrisinho e justamente pelo leve quê de diversão que ele exalava que ela percebeu algo.


- Vai, diga que isso não condiz com uma anfitriã. – murmurou, batendo de leve no braço dele.


- Verdade, ainda mais uma como Hermione Granger... – ele ponderou, tomando um gole de um drink em sua mão.


   Hermione revirou os olhos.


- E então? – perguntou, com um tom de quem muda de assunto. – Viu o que estou usando? – e apontou para si mesma.


   O vestido que usava tinha a cor vermelha e ia até levemente acima dos joelhos. Era um tanto justo, que marcava seu corpo, dando um enfoque e outro a algumas de suas curvas e na região do busto. Não tinha enfeite nenhum, o tecido era liso e simples, e justamente por isso era elegante.


   Hermione já tinha aquele vestido havia um bom tempo, porém não tinha tido tempo ou ocasião para usá-lo. Lembrou que o adquirira quando arrastara Harry para a Oxford Street, muito a contragosto do moreno, que reclamou durante a maior parte do passeio, alegando que aquilo era coisa de menina e que Ron o tinha deixado na mão, e ela o puniu, fazendo-o carregar suas bolsas de compras. Depois de uma pequena discussão, um tanto mais acirrada, dentro de uma loja, ele se sentiu culpado pelo mau humor e acabou pagando por aquele vestido, e fez questão de fazê-la dizer que era um presente dele, muito embora ela tivesse escolhido.


- Claro que vi. É meu presente. – ele disse depois de dar uma breve olhada nela.


   Hermione revirou os olhos, mas riu em seguida.


- Você que diz.


- Eu que paguei por ele, Mione, então fui eu que te dei. Tenho até o bilhete do cartão de crédito.


- Mas fui eu que escolhi. – ela contrapôs, cruzando os braços.


   Harry sorveu um pouco do líquido.


- Nada disso. Você gostou de três, experimentou todos, depois eu falei que pagaria naquela vez, aí você disse para eu escolher qual ficava melhor para poder levar, embora eu tivesse dito que poderia levar os três. Eu escolhi e paguei, então foi meu presente. – explicou, apontando para ela.


- Mesmo assim, quando estava passeando pela loja, eu o vi e escolhi. – a morena argumentou, bebendo de sua própria taça.


- Talvez seja, considerando o fato de que, quando estava com os três vestidos na mão, seus olhos brilharam mais por esse vermelho aí, o que me fez deduzir que você gostou mais dele... Se bem que também eu gostei mais dele. – concluiu, ponderando.


   A cantora sorriu.


- Tem um bom gosto para roupas femininas, Sr. Potter.


- Talvez tenha. – ele devolveu com um olhar desafiador.


- Viu?! – Hermione exclamou. – Por isso que te convidei para ir comigo. Você e Ron!


- Que convite para se fazer para um homem! – o moreno disse, aparentemente frustrado. – E Ron logo tirou o dele da reta. Duvido muito que ele tenha tido um encontro mesmo.


- Também duvido, porque do jeito que ele trata as mulheres às vezes... – Hermione ponderou, mordendo a borda do copo.


- É um legume insensível. – Harry murmurou num tom divertido, o que a fez rir.


 


 


   Os olhos percorreram toda a extensão da parede. Garrafas e mais garrafas de inúmeras bebidas enchiam a estante. Surpreendeu-se, não somente com a quantidade, mas também com a qualidade. Além dos costumeiros ingredientes para fazer drinks, havia bebidas mais formais, incomuns e de outros países. Bastava nomear e estava ali. Estava surpreso para alguém que já tinha visto uma quantidade considerável de álcool em sua vida.


   Se aquilo estava disposto para uma simples festa de noivado, o que diabos teria para o casamento de verdade?


   Um leve incômodo atingiu seu peito e tentou ignorar. Seus olhos abaixaram-se em direção ao copo que tinha na mão. Balançou-o, fazendo as pedras de gelo no fundo se agitarem e baterem umas nas outras. Depois de dois segundos fitando o fenômeno, ergueu a bebida, sorvendo um grande gole.


   Ligeiramente aéreo à realidade, nem percebeu uma figura que se aproximou e sentou no banco ao seu lado.


- Não acha que é melhor se segurar um pouco? – perguntou uma voz feminina ao seu lado que carregava certa ironia.


   Um sorriso meio sarcástico surgiu em seus próprios lábios quando virou a cabeça e deu de cara com um par de olhos levemente esverdeados de uma mulher que estava sentada de lado, o cotovelo direito apoiado no balcão.


- Não sei do que está falando, maninha. – respondeu, abrindo um pouco mais o sorriso. – Só estou no meu quarto-


- Quarto só daqui. – a mulher interrompeu. – Mas já vi você botando para dentro mais duas taças de espumante. Cuidado, daqui a pouco vai realmente estar querendo achar uma lagoa azul para dar um mergulho. – terminou, indicando a bebida azulada em seu copo com o olhar antes de voltar a depositar seu olhar sobre seu rosto.


   O sorriso morreu em seus lábios, sua cabeça virou para frente de novo e um olhar de viés foi lançado à mulher.


- Está controlando o que estou bebendo? – perguntou, erguendo a sobrancelha.


- Alguém tem, não é? – ela devolveu com uma rapidez surpreendente, quase como se não tivesse pensado.


   Segurou um grunhido. Tanto tempo sem vê-la que esquecera como ela agia numa conversa; tinha um raciocínio rápido, sua língua poderia mais veloz que um raio e suas palavras eram sua maior arma. Incrível o poder que ela tinha no que dizia, era capaz de transformar um simples bate papo num jogo de palavras ácido e letal em alguns segundos sem que a outra pessoa soubesse – e quando soubesse, seria tarde demais, e já estaria presa, sua saída dependendo do que a mulher quisesse. Era raro quando ela cometia um deslize, estava sempre atenta, não somente no que saía das palavras do adversário, mas também o que seu corpo anunciava silenciosamente, só para tentar tirar vantagem. O que aquela mulher fazia era fenomenal.


   Extremamente o contrário de si. Às vezes não conseguia acreditar que pudesse ser sua irmã. Tudo bem que a conhecia e o jeito como agia, mas mesmo assim não conseguia deixar de se surpreender, e isso acabava, por vezes, arrastando-o para a teia dela como mais uma vítima. Se não tomasse cuidado, sofreria as consequências, sabe-se lá qual fossem.


- Afinal, você está dirigindo, não é? – ela perguntou.


   Lançou mais olhar inquisitivo na direção dela.


- Por que não posso ter vindo com algum amigo meu? – devolveu, sem conseguir tirar completamente a irritação da voz.


- Eu sei que você não veio com um amigo seu ou com qualquer outra pessoa. – ela disse enigmaticamente.


   Franziu a testa de novo. Ela queria alguma coisa dele e estava usando sua destreza social para alcançar seu objetivo. Mas ele a conhecia e tinha sua própria experiência nos jogos com palavras para bloqueá-la.


- Você não nenhuma vítima para fazer, Delinda? – perguntou, mudando de assunto. – Nenhum homem que caiu nos seus encantos de modo que fique entretendo-a a noite inteira?


   E ele não falava aquilo com total escárnio, claro que não. Tudo bem que aquela mulher era sua irmã, contudo não podia negar que ela era extremamente atraente. Delinda fazia o tipo femme fatale, mas de um jeito natural, sem exageros ou vulgaridade. Seu belo corpo, seu olhar hipnotizante e o jeito com que seus lábios se movimentavam quando sorria carregava uma sensualidade única, como se ela não fizesse esforço – o que, de fato, não ocorria. Às vezes perguntava-se se ela era tão bem sucedida em seu trabalho pelo fato de ser sexy daquele jeito.


   Tão diferente de si próprio... Enquanto Harry Potter era mais discreto, fechado, gostava de ficar sozinho e cauteloso, Delinda Potter era extrovertida, carismática, sem papas na língua e odiava silêncios desconfortáveis.


- Talvez. – Delinda murmurou, mexendo-se no banco onde estava sentada. – Mas será que não percebeu que quero passar um tempinho com meu irmãozinho que há tanto tempo não vejo? Só para mostrar que, embora passemos a maior parte do tempo discutindo, eu me importo bastante com ele?


   Harry olhou-a de esguelha, ligeiramente afetado pelo falso tom carinhoso dela.


- Falando assim, você parece mais uma fã inconseqüente que minha irmã. – disse, bebendo mais do drink.


- É, mas se houvesse uma fã inconseqüente aqui, ela já tentaria ter agarrado você... ou a sua carteira. – Delinda ponderou, crispando os lábios. – Mais provável a carteira.


- Não sei do que está falando. – Harry virou-se para o outro lado.


- Claro que sabe. Você mora num dos bairros mais sofisticados de Londres, o que mostra que sua conta bancária tem muitos atrativos... Sem contar que, é claro, você também tem seus próprios atrativos. Mulheres é o que não deve faltar para você, meu caro.


   O guitarrista abriu a boca para falar, porém nada lhe veio. Quando ia dizer algo, o barman se aproximou, perguntando se precisavam de algo, e Delinda pediu uma bebida. Ele afastou-se, deixando os dois sozinhos de novo.


- Contudo, – a advogada voltou a falar tão rápido quanto o barman foi embora. – sei que está entretido numa jornada própria, que aparentemente tem alguns obstáculos difíceis de serem ultrapassados.


   Antes que o rapaz pudesse dizer algo sequer, a cabeça dela virou para o lado. Ele acompanhou seu olhar e viu Hermione e Nicholas conversando com um grupo de pessoas.


- Isso não é uma competição. – disse lançando a ela um olhar mais sério.


- Então por que continua contando os pontos? – a irmã respondeu com um tom de voz ligeiramente mais baixo, mas mesmo assim rápido e letal.


   Harry ficou sem palavras mais uma vez. Não conseguia se lembrar da última vez que alguém o deixara desconcertado daquele jeito.


- Espantado? – ela deu uma risadinha irônica. – Ela não o conhece inteiramente... Até porque, se isso fosse verdade, não estaríamos aqui, certo?


   O barman retornou com a bebida e entregou a Delinda, que pegou o copo e sorveu um gole.


- Sabe, Harry, talvez você tenha razão. – ela disse encarando os gelos no fundo do copo. – Realmente não é uma competição... quando seu adversário não tem ideia dela.


- Ah, tenho minhas dúvidas em relação a isso. – Harry deixou escapar ironicamente antes que pudesse conter sua língua; começava a sentir-se afetado pela presença da irmã.


   Mas Delinda não respondeu. Apenas levantou-se do banco e estava prestes a ir embora quando lançou um último olhar a ele.


- Hermione Granger pode ser a pessoa que mais te conhece no mundo... – começou a dizer, balançando de leve o copo na direção dele. – Mas eu não estou muito atrás.


   E, com uma risada leve e misteriosa e uma piscada de olho, girou nos calcanhares, deixando o irmão sozinho e um tanto confuso.


 


 


   Ron poderia classificar a festa como ótima, porém seria perfeita se seu melhor amigo não tivesse agido tão distante e frio quando viera buscar apoio depois de ter finalmente escapado das garras de Lavender Brown e Parvati Patil, que se encontravam “alegres”, mais do que ele próprio. Não entendia por que a frustração do moreno, mas ao ouvir o nome da irmã dele sair dos próprios lábios, tentou relaxar um pouco. Eram constantes as briguinhas que os dois tinham e não era a primeira vez que via Harry irritado com aquilo, porém julgou que o guitarrista só estava daquele jeito por causa do álcool ingerido – quando se aproximara dele, vira dois copos de drinks vazios ao lado dele no balcão e uma taça de espumante presa em seus dedos, que iam em direção à sua boca vez ou outra.


   O ruivo não tinha ideia que beber poderia causa frustração, afinal, o estereótipo e os slogans das bebidas diziam que beber servia justamente para afastar as mágoas. Contudo, como fazia parte de uma banda, já tinha visto seus colegas agindo de formas diferentes sob efeito alcoólico em diversas ocasiões, e por isso resolveu não se preocupar tanto – ou, quem sabe, suas próprias doses faziam isso por ele.


   Quando seu quase monólogo com Harry encaminhava-se para um estágio mais alarmante e desconfortável, viu uma sorridente Ginny chamando os dois. Ele ficou de pé, puxou o amigo pela manga da camisa e quase o arrastou até a mesa onde a irmã estava com Luna e Alyssa.


- E então, os dois já preparam as palavras? – Alyssa perguntou, sorrindo para os recém-chegados.


- Que palavras? – Ron repetiu confuso, olhando para de esguelha, cuja sobrancelha franzida mostrava que se via na mesma situação dele.


- Oras, do brinde. – quem respondeu foi Luna com sua voz fina. – Não me diga que pensaram que não teriam que dizer nada hoje.


   O ruivo tentou esconder o real estado mortificado em que se encontrava.


- Pensei que brindes só ocorressem no casamento de verdade. – respondeu, olhando de novo para Harry, que balançava sua taça achando o restinho de bebida no fundo bastante interessante.


- Pelo visto, Harry também pensou o mesmo. – Ginny falou, olhando para o amigo.


- Quê? – o moreno exclamou, erguendo a cabeça.


- Deus, já estão no enésimo copo! – Alyssa reclamou, revirando os olhos. – Hey, vocês dois! – ela ergueu a mão e estalou os dedos na frente deles. – Se vocês não sabem, e eu agradeço à fraqueza de vocês em relação ao álcool por isso, estamos na festa de noivado da melhor amiga de vocês, que justo por ter uma conexão tão profunda e longa com vocês espera que ambos digam algo que mostre o quanto a apóiam e estão felizes por ela, mesmo que, no fundo, não estejam tão animados assim.


- Quem disse que não estamos? – Harry interrompeu, visivelmente ofendido.


- Dá para ver que não estão. – Ginny murmurou mais para si.


- Claro que estamos! – o moreno exclamou, fitando momentaneamente o rosto de cada uma das garotas. – E claro que vamos dizer algo, não é Ron?


- Vamos. – o ruivo concordou, ainda um tanto confuso. – E você tem algo aí escrito, não tem? Porque seria muito mais fácil...


   As três mulheres bufaram e reviraram os olhos.


- Hermione deveria ser canonizada por conviver com vocês. – Alyssa alfinetou, pegando um salgadinho de um prato em frente a Ginny.


- Não é tão difícil assim, Ron. – Harry voltou a falar, virando-se para o melhor amigo. – É só dizer o que você realmente sente...


   Ron notou a voz do amigo falhando nas últimas sílabas e finalmente se deu conta do que estava acontecendo, tendo em vista que seu retardo trazido pelo álcool enfim passou.


- Certo. – murmurou, pensando consigo mesmo que o que ele realmente sentia não era o mesmo do amigo.


   Pouco tempo depois, garçons passaram pelas mesas, entregando taças para o brinde. Mais uns poucos minutos se passaram até que os pais de Hermione, acompanhados dos pais de Nicholas – os quatro sentados duas mesas de distância deles –, ficassem de pé e pedissem a atenção. Cada um falou um pouco; agradeceram a presença de todos e parabenizaram os noivos. Em algum momento do discurso, Ron olhou discretamente para Harry, que balançou a cabeça e murmurou com os lábios que seria a vez deles logo depois.


   Após os aplausos de todos, Ron ficou de pé, trazendo Harry consigo. Os olhares, antes nos Granger e nos McAllister, recaíram sobre eles.


- E é claro que não podemos ficar sem dizer nada, afinal, já conhecemos essa daí – ele indicou Hermione, sentada ao lado dos pais e com a mão entrelaçada na de Nick, com a taça, o que a fez rir de leve. – há mais de uma década... Deus, não sei como agüentamos você, Mione.


- Não sei como ela nos agüenta, isso sim. – Harry corrigiu com um tom divertido, e os convidados riram.


- Verdade. – o ruivo concordou. – E isso é um dos motivos que te torna uma pessoa tão incrível. E queremos que você saiba o quanto a sua felicidade importa para nós, mesmo que tenhamos nossas desavenças, mesmo que você tenha vontade de nos enforcar pelas nossas bobeiras. Porque sabemos que há uma garota carinhosa, amigável, companheira e leal aí, do tipo que, uma vez que se conquista plena confiança, você pode contar para qualquer coisa que precisar. E isso serve no caminho contrário também, sabia? Você sempre poderá contar conosco para o que quer que precisar. E também quero que saiba, Nick, que você meio que se distraiu um pouco. Queríamos você para cuidar da parte burocrática, para fazerem os outros serem conquistados pela nossa música, não conquistar o coração da nossa melhor amiga – Mais uma onda de risos veio. – Mas já que isso aconteceu, é bom que cuide bem dela, da pessoa maravilhosa que ela é, mesmo com seus defeitos. Sabemos que ela pode ser irritante, às vezes, e um tanto mandona-


- Um tanto? – Harry o interrompeu mais uma voz com um sorriso nos lábios. – Vamos rever o discurso, sim?


   Ron lançou um falso olhar irritado ao amigo, provocando mais risadas.


- Quer dizer alguma coisa, Harry?


- O que ele quer dizer – o moreno virou-se para as pessoas. – é que a Mione é o tipo de pessoa que nunca escondeu que tinha defeitos, nunca mentiu para ninguém que tem defeitos e isso é o que a torna tão cativante e tão mais fácil de aceitar suas imperfeições. E o Ron tem razão, embora você tenha realmente vontade de nos matar – ele virou-se para Hermione, cujos olhos pareciam brilhar de lágrimas. – você sempre esteve lá para nós, porque, convenhamos Mione, sem você teríamos sido expulsos da escola no primeiro ano. E sem você também não estaríamos onde estamos hoje. É incrível a paixão que você tem pelo que faz, o profissionalismo que ostenta. Você também não sabe, mas por ser quem é você encanta as pessoas. E é por isso que merece toda a felicidade do mundo... E, sem dúvida, você é feliz ao lado do Nick. Dá para ver em seus olhos.


   Ron observava o amigo enquanto esse falava e pôde ver seus olhos ficarem gradualmente opacos, repletos de sombra. Seu tom de voz também estava diferente, um tanto sério e enigmático, como se o que quisesse dizer de fato estivesse mais nas entrelinhas do que na superfície. Só esperava que Hermione não percebesse, contudo o brilho intenso de seus olhos mostrava que ela só estava captando a mensagem superficial.


   Finalmente se deu conta do quanto deveria estar sendo doloroso para Harry dizer aquelas palavras, tanto que ele terminou seu discurso usando quase as mesmas palavras que tinha dito a ele na conversa no hotel romeno.


- A Hermione e Nicholas! – o ruivo exclamou erguendo a taça e impedindo Harry de dizer qualquer coisa que fosse machucá-lo mais.


   Os presentes repetiram as palavras num coro e tomaram um gole da bebida. Em seguida, Ron sentou, puxando o amigo para si.


- Wow. – fez Alyssa para os dois. – Para quem não tinha nada preparado, até que foi algo muito bom.


- Você fala como se fôssemos dois cabeças-de-vento insensíveis. – Ron resmungou, olhando para seu copo.


- Quietos. – Luna disse, apontando discretamente para um amigo de Nick que se levantava para brindar.


   O ruivo revirou os olhos.


- Mas eles disseram tudo, não foi meninos? – Ginny perguntou, obviamente ignorando o aviso da melhor amiga.


- Claro que não. – Ron retorquiu baixo. – Tudo vai ser no dia do casamento. Aqui foi só um ensaio, para ver como o improviso funcionava. – Também, nem haveria como dizer tudo, pensou consigo mesmo enquanto olhava de esguelha para Harry.


   Luna lançou aos Weasley um olhar reprovador que os fez calar a boca.


   O resto da festa foi melhor para Ron. Depois de tirar fotos com os amigos, Hermione e o noivo, ele recebeu provocações dos irmãos, principalmente de Fred e George, que também estavam lá e dos colegas de banda sobre o discurso dele e de Harry. Também se segurou quanto à bebida, abdicando ao álcool, para focar-se os coqueteis de frutas e na comida. Um pensamento sombrio perpassou em sua mente, dizendo-lhe que Hermione de fato o estrangularia se ficasse bêbado em sua festa de noivado. Se comesse demais... bem, ela não reclamaria, já estava acostumado a seu apetite aparentemente sem fim.


   Durante todo o tempo, Harry ficou com ele. O moreno não tinha voltado cem por cento ao seu comportamento normal, porém estava muito mais flexível e relaxado e até rebateu as piadinhas de Draco e Lewis e entrou na onda de Dean, encenando exageradamente enquanto ele e o engenheiro contavam a Anna Abbott sobre uma partida histórica de futebol nos tempos de colégio. Mesmo assim, ainda era notável a falta de brilho em seus olhos.


   Quando os dois foram se despedir de Hermione, o tom de enigma voltou à voz de Harry, e o ruivo encontrou-se mais uma vez perguntando-se, tentando entender o que diabos passava na cabeça do guitarrista. Ficou daquele jeito até que os dois entraram no elevador, e o silêncio trouxe mais respostas do que jamais conseguiria arrancar do amigo.


   O jeito enigmático servira para controlar e esconder o que o moreno realmente sentia. Pôde ver também que Harry não tinha aceitado totalmente o fato de que sua melhor amiga tinha ficado noiva, não tinha encarado a verdade, apenas anestesiado-a, mascarando-a num torpor que o deixava ligeiramente mais confortável.


   Uma preocupação súbita surgiu dentro de seu peito. Preocupou-se com o fato de que a situação poderia piorar, preocupou-se com o fato de que aquele ser enigmático ao seu lado representasse o início de uma mudança no comportamento de seu melhor amigo – uma mudança lenta e gradual, mas que poderia muito bem tornar-se irreversível.

 


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N/A: Cá estamos com o cap 3! E a Delinda apareceu *-* Sério, tava com uma vontade doida de postar um cap com ela, tanto é que acho que a cena dela com o Harry é a mais bem escrita XD Amo a Delinda, vcs não tem noção! Ela é do tipo doida/amável e mescla isso mto bem. Me diverti com o cap, foi mais interessante que o 2. Devo ter comentado sobre a minha oneshot (Equilibrium), que tá pela metade ainda pq me sinto mais inspirada pra essa fic hahaha, mas farei o possível para postá-la logo. Aproveitem esse post, meu presente de fim de ano. Boas festas e até breve :)

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Comentários: 1

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Enviado por Isis Brito em 19/06/2012

Harry sofrendo por amor... Aiiinnn, que triste... =(

Nota: 5

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